segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Mundo | Vida atraente numa sociedade orgânica

Gabriel J. Wilson

Na França, o tempo é das flores. A sede da comuna de La Barre en Ouche engalana-se, para o prazer de seus novecentos e tantos habitantes e de todos os que circulam por essas paragens.

A pequena cidade normanda existe desde o século XI. Surgiu à beira de uma via romana que ligava Dreux a Lisieux, terra de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Por que Catolicismo publica esta foto? Para mostrar que num lugar tão pequeno, tão isolado dos grandes centros, habitado por agricultores e alguns comerciantes, as pessoas têm amor à sua terra. A sede da comuna, como se vê, é de apurado estilo clássico. As flores lhe conferem um encanto ainda maior, de dar inveja a muitas cidades grandes.

Em nossos dias, muitas cidades não passam de aglomerados sem história, enquanto as populações de pequenas vilas como Barre en Ouche têm com o lugar uma ligação profunda. Nas sociedades orgânicas a vida circula através das relações de família, de amizade e de dependência natural. Na sociedade totalitária moderna o indivíduo vive isolado, mesmo quando cercado de uma multidão. Faltam os vínculos naturais, que dão sabor à vida.

ABIM

Região de Aveiro | Três mergulhadores identificados por captura ilegal na Ria de Aveiro

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Notícias de Aveiro
A Unidade de Controlo Costeiro, através do Subdestacamento de Controlo Costeiro de Aveiro, no dia 16 de outubro, apreendeu 60 quilos de amêijoa macha, Venerupis pullastra, e equipamento de mergulho no valor de 4 735 euros, no canal da Ria de Aveiro.
Durante uma operação policial, que teve como principal objetivo o controlo das normas que regem a prática do mergulho recreativo na Ria de Aveiro, os militares detetaram três homens a capturarem os bivalves de forma ilegal, através da prática de mergulho em zona proibida. Desta ação resultou a identificação de três homens com idades compreendidas entre os 21 e os 33 anos, e a elaboração dos respetivos autos de contraordenação, com coima punível até 37 500 euros.
A GNR alerta que, para a prática de mergulho, é necessária a posse de certificado de qualificações, emitido por escola de mergulho licenciada, ou de certificação de mergulhador emitida pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude, I. P. . Relativamente à segurança, a prática do mergulho é vedada em canais de navegação, portos e barras. Tendo em conta a preservação de recursos naturais e culturais, relembra-se que os mergulhadores não podem proceder à captura, manipulação ou recolha de espécies biológicas ou de elementos do património natural nem realizar quaisquer outras atividades intrusivas ou perturbadoras do seu envolvimento.
Os bivalves por ainda se encontrarem vivos, foram devolvidos ao seu habitat natural.

Porto | Saúde Mental em Movimento. Projeto promove no Porto exercício físico para pessoas com doenças crónicas e mentais

A esquizofrenia, bipolaridade e depressão fazem com que tenham uma vida sedentária e isolada, mas um projeto do Hospital de São João e da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto ajuda-os a sentirem-se "mais capazes", física e mentalmente.
Faltam mais de dez minutos para as 14:00, hora marcada para o início da aula de treino funcional, e à porta do ginásio de musculação da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), oito participantes esperam entusiasmados.
Fernando Raul é um dos oito participantes. Tem 49 anos e esquizofrenia. Doença que o tornou, ao longo dos anos, “solitário” e “sedentário”.
Fernando juntou-se a este grupo, que integra o projeto ‘Saúde Mental em Movimento’, há pelo menos oito anos. Não tem bem a certeza, mas de uma coisa está seguro: aqui, consegue praticar exercício físico e, acima de tudo, fazer amigos.
“Precisamos de socializar um bocadinho e eu sou uma pessoa muito solitária, estou muito tempo parado e isolado e, assim, nestes momentos posso conversar”, admitiu à agência Lusa.
À semelhança de Fernando, também Joel Ribeiro, de 44 anos, acredita que o exercício físico o ajuda a “esquecer os problemas da vida”.
“Ajudam-nos a fazer o nosso próprio tratamento. Sinto-me mais cansado do corpo, mas descansado da cabeça”, garantiu.
Joel foi treinador e preparador físico, hoje, faz “um pouco de tudo” para viver e sobreviver com a esquizofrenia.
“Aprende-se todos os dias como numa escola, aqui é como um quadro da escola, funciona da mesma maneira”, disse.
Nos dias em que tem aulas, Joel chega mais cedo, não só para poder conviver com alguns estudantes da FADEUP, mas com os colegas de grupo com quem partilha os mesmos desafios e obstáculos associados a uma doença crónica e mental grave.
“Já criei muitos amigos, mesmo lá fora há amizades que se criam porque só assim estamos a tirar proveito para ter saúde mental e movimento”, disse.
No ginásio da musculação ou nos jardins da FADEUP, às segundas, quartas e sextas-feiras, respira-se desporto em “todos os cantos”, mas não só. Respira-se também “normalidade e naturalidade”.
Quem o garante é Tânia Bastos, professora de atividade física adaptada da instituição e uma das coordenadoras do projeto, para quem estes alunos são a “prata da casa”.
“O facto de não estarmos num ambiente hospitalar, mas num ambiente altamente inclusivo é fundamental. Os benefícios são evidentes”, salientou.
Já passaram nove anos desde que o projeto ‘Saúde Mental em Movimento’ nasceu, fruto de um desafio proposto pelo Hospital de São João que, à época, precisava de ajuda para dinamizar atividades para os utentes da sua unidade de psiquiatria.
“Iniciámos as intervenções nas instalações da unidade de psiquiatria, a partir daí foi crescendo, o espaço também já não era adequado e transferimo-nos para a universidade. Com estas melhores condições, começamos a adicionar outras instituições e temos um maior número de utentes”, explicou Tânia.
Neste momento, são mais de 40 os utentes que, com esquizofrenia, perturbação bipolar, depressão endógena, depressão psicótica e outras doenças crónicas integram este projeto, que tem a capacidade de os fazer sair de casa.
Além de os fazer sair de casa, faz também com que “saiam da janela em que se sentem mais confortáveis”, disse à Lusa, a diretora do serviço de psiquiatria do Hospital de São João, referindo-se à janela do isolamento e do sedentarismo.
“Ainda não temos nenhum estudo que nos possa dizer que as pessoas estão bem melhor, mas contra a evidência dos factos, não há argumentos”, garantiu Rosário Curral.
Até lá, até que a evidência científica ou as políticas sociais promovam uma maior integração destas pessoas, o Fernando e o Joel, assim como os restantes membros do grupo, continuarão a vir à FADEUP, numa tentativa de superar aquela que é uma doença há muito estigmatizada.
Lusa

Porto | Numa hora choveu no Porto o equivalente a meio mês de outubro

No espaço de uma hora - pelas 13 horas de sábado - choveram no Porto 43,1 milímetros (mm) por metro quadrado, o equivalente a quase metade do que costuma chover no mês de outubro (98,2 mm, de acordo com a média observada a 30 anos). Os efeitos foram visíveis: voos cancelados, metro parado, aluimentos de terras, inundações e estradas cortadas.


Ao JN, o meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Ricardo Tavares, frisou tratar-se de "uma precipitação quase extrema", sendo que, durante aquela hora, o Porto "entrou dentro do aviso vermelho", definido para situações meteorológicas de risco extremo, ao ultrapassar os 40 mm de precipitação por hora, "o que acontece raramente". Entre as 9 e as 14 horas registou-se um acumulado de 112,7 mm, valor próximo da média de precipitação total calculada para o Porto (138 mm) no mês de outubro. Tudo devido a uma "superfície frontal, que acabou por persistir muito na zona do Porto", disse.

Conforme explicou ao JN o especialista em recursos hídricos Rui Cortes, o Porto assistiu "a uma precipitação máxima que ocorre uma vez em dez anos", tendo chovido "numa hora metade do que chove no mês de outubro (valores médios)". Uma precipitação "muito elevada", mas abaixo da situação máxima de 120 mm/hora para o Porto, que só acontece uma vez em cem anos, precisou o docente da Universidade de Trás- os-Montes e Alto Douro.

A Proteção Civil registou mais de 350 ocorrências nas regiões do Porto e de Braga, com centenas de inundações em casas e estradas.

As condições atmosféricas muito adversas levaram ao cancelamento de dez partidas e seis chegadas no aeroporto do Porto, entre as 11 horas e o final do dia, altura em que os atrasos chegavam a ser superiores a seis horas devido ao "efeito dominó".

"O nosso voo para Dublin está atrasado seis horas, pelo que vamos perder a ligação para Glasgow. A solução que a Ryanair nos deu foi dormir no aeroporto e apanhar o das 7 horas amanhã [este domingo]", revelou Blanca, espanhola que viajava com a filha de dez anos. "Estamos há duas horas na fila para que a SATA nos diga que solução tem para nós", queixou-se Mónica Cardoso, que pretendia passar o fim de semana na Horta.

A linha de metro para o aeroporto também chegou a parar de manhã, devido à inundação de um túnel, sendo a circulação reposta ao início da tarde. Ao longo do dia, foram sendo divulgadas nas redes sociais imagens impressionantes um pouco por todo o lado, no Porto, Matosinhos, Gaia e Gondomar. O concelho da Maia foi dos mais afetados, chegando a encerrar um centro comercial durante várias horas. Um acidente na A41, à hora em que mais chovia, causou dois mortos.


JN

Desporto | Miguel Oliveira soma quatro pontos no GP do Japão

O piloto português ficou a 27,870 segundos do vencedor, o espanhol Marc Márquez.
Miguel Oliveira (KTM) somou mais quatro pontos neste domingo, no Mundial de MotoGP, ao terminar o Grande Prémio do Japão na 12.ª posição.
A prova foi ganha pelo espanhol Marc Márquez, que deu o título de construtores à Honda.
O piloto português saiu da 16.ª posição e chegou a estar no 18.º lugar, mas recuperou seis posições e conclui a prova a 27,870 segundos do vencedor.
Por seu lado, Marc Márquez, já campeão, somou a 10ª vitória da temporada, quarta consecutiva, e soma 350 pontos, contra os 33 de Oliveira, que iguala Andrea Iannone (Aprilia) no 16.º lugar.
Lusa

Desporto | E vão sete as equipas da primeira liga eliminadas da Taça de Portugal. Beira-Mar vence nos penáltis e afasta Marítimo

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O Beira-Mar, do Campeonato de Portugal, afastou ontem o Marítimo, da I Liga, da Taça de Portugal em futebol, ao vencer 5-4 o desempate por grandes penalidades, depois de 2-2 no tempo regulamentar e prolongamento.
André Nogueira, aos 16 minutos, colocou os aveirenses em vantagem, mas a equipa insular deu a volta ao marcador e parecia encaminhada para a vitória, com os golos de Daizen Maeda (69) e Zainadine (83), mas Isaac Cisse recolocou a equipa do terceiro escalão na eliminatória, ao igualar a contenda, aos 89 minutos.
No desempate por penaltis, os aveirenses ainda falharam primeiro por Fábio Vieira, mas viram Edgar Costa e Marcelinho falharem para o Marítimo, ‘entregando’ assim a vitória na ronda ao Beira-Mar.
Com o afastamento do Marítimo, o número de equipas eliminadas nesta ronda da Taça passou a sete, juntando-se a Sporting, Vitória de Guimarães, Tondela, Desportivo das Aves, Portimonense e Boavista.
Fonte e Foto: Lusa

Mundo | Cartas de Boris causam surpresa e perplexidade em Bruxelas

O primeiro-ministro britânico causou ontem "surpresa" e "perplexidade" em Bruxelas, pela forma "caricata" como pediu à União Europeia para ficar mais três meses.
Boris Johnson enviou duas cartas em que se contradiz, pedindo para prolongar a permanência da União Europeia e, a defender "apaixonadamente" a saída.
As duas cartas chegaram poucas horas após a aprovação no parlamento britânico, da chamada emenda Letwin, que obriga a que sejam aprovadas leis para aplicar o acordo do Brexit, antes de lhe dar luz verde. Na prática, o resultado é que o "meaningful vote" ao acordo de saída fica adiado, forçando o governo britânico a pedir uma nova extensão da permanência na União Europeia.
Foi isso que Boris Johnson fez. Ontem, antes das 23h, informou o Conselho Europeu que "o Reino Unido procura uma nova extensão do período proporcionado pelo Artigo 50º". Recorde-se que esse período é de dois anos, a contar a partir da data em que o dito artigo foi accionado por Londres, e já espirou a 29 de Março, tendo sido adiando, a pedido da anterior primeira-ministra, Theresa May, para 31 de outubro.
Ontem, o primeiro-ministro que "preferia morrer numa valeta" a ter de pedir para adiar o Brexit, veio requer à União Europeia que lhe conceda um período extra, até "31 de janeiro de 2020" para continuar a fazer parte da União Europeia, através de uma carta consultada pela TSF.
Porém, Boris Johnson não chega a assinar a carta de dois parágrafos, em nome do primeiro ministro da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, que é, na realidade, ele próprio.
No outro documento, mais extenso e assinado, Johnson lamenta o resultado da votação no parlamento e manifesta uma "determinação apaixonada" para concretizar o brexit na data prevista, de 31 de outubro. Considera aliás que prolongar a data da saída é desgastante quer para os interesses do reino unido como para os da união europeia.
A certa altura, no terceiro parágrafo, Boris Johnson anuncia ter delegado no embaixador britânico em Bruxelas o envio de documentos requisitados pela união europeia, sem nunca mencionar um pedido de adiamento, nem a carta não assinada que seguiria "mais tarde".
Em Bruxelas, uma fonte europeia admitiu a "perplexidade" pela forma como o primeiro-ministro, Boris Johnson fez o "caricato" pedido de extensão.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk que tinha falado ao telefone com Boris Johnson, considerou válido o pedido formal de adiamento do brexit e vai contactar os governos europeus, para que possa haver decisões sobre os próximos passos.
Ao que a TSF apurou, a União Europeia "não deverá criar entraves". Embora, também não seja esperado que a autorização para a extensão do artigo cinquenta seja imediata. Espera-se que o mais tardar até ao próximo fim de semana haja uma decisão em Bruxelas.
Os embaixadores junto da união europeia reúnem-se neste domingo para começar a fazer o trabalho preparatório para uma cimeira, que Donald Tusk deverá anunciar para o próximo fim de semana, na qual os 27 vão votar a provável extensão do período de permanência do Reino Unido na União Europeia.
Na quinta-feira, pouco depois de assinar a revisão do acordo de saída, Jean-Claude Juncker considerava "não haver razão para novos adiamentos", tendo sido interpretado como a anulação de qualquer extensão que viesse a ser pedida. Mas, ainda nesse mesmo dia, uma fonte europeia admitiu à TSF que Juncker só podia estar a falar "em nome pessoal", pois no Conselho há disponibilidade para analisar um pedido.
Na cimeira, houve quem afirmasse ao mais alto nível que seria "impensável" não dar uma extensão ao Reino Unido, caso ela seja "necessária e se justifique". Neste momento, "ninguém quer uma saída não negociada", comentou uma fonte europeia com a TSF.
Na véspera da cimeira, discutia-se nos corredores de Bruxelas, a hipótese de um acordo não evitar um adiamento, pois seria necessário fazer um debate e fechar as questões técnicas.
No Parlamento Europeu, uma das instituições que ainda tem que aprovar o documento, o presidente David Sassoli afirma que "é claro, que o Parlamento está aberto à possibilidade de uma extensão", desde que venha a "haver razões válidas ou objetivos precisos".
Os governos europeus vão querer obter uma resposta sobre o que pretende o reino unido fazer com a extensão do prazo. "Convocar um referendo, ou realizar novas eleições são razões válidas", afirmou uma fonte, à TSF, admitindo que "dar tempo para a aprovação do acordo" também possa servir como justificação para haver luz verde da UE27.
Porém, não é de excluir que o Reino Unido possa aproveitar o tempo extra, - durante o qual continuar como Estado-Membro -, para forçar a novas mexidas no acordo de retirada.
Mas, até onde poderá mais avançar a União Europeia? E, será este o último acordo? As duas questões já embaraçaram que chegue o negociador chefe da União Europeia para o brexit, tendo mesmo ficado incapaz de reagir. "Como quer você que eu lhe responda a uma questão que não se coloca?", foi tudo o que conseguiu, antes de se deter novamente no silêncio.
Afinal, há menos de um ano, todos garantiam como definitivo e inalterável um acordo, cuja revisão andou em negociações nas últimas semanas, e ficou fechada ontem de manhã, com uma alteração que permitiu desbloquear a nova solução.
João Francisco Guerreiro / TSF
Boris Johnson © TV Parlamento Britânico via Reuters