sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Algarve | Câmara de Loulé investe 575 mil euros na requalificação do mercado

Arrancaram esta quarta-feira, 23 de outubro, as obras de requalificação do Mercado Municipal de Loulé.
Inspirado em alguns mercados europeus e também em exemplos portugueses de sucesso como os mercados de Algés, Campo de Ourique, Ribeira e, mais recentemente, o Bulhão, pretende-se criar ali um polo dinamizador não só da atividade comercial deste ex-líbris do património de Loulé mas também da própria cidade.
Como explicou David Pimentel, presidente da empresa LC Global, a abertura de quatro restaurantes na área central do edifício irá criar “uma maior amplitude de horário”, isto é, o Mercado deixará de funcionar no horário tradicional – até às 15h00 – e passará a abrir as portas até à 00h00/01h00, variando de acordo com a época do ano. 
A ideia é que, em simultâneo, os próprios operadores do pescado, talhos, frutas e legumes, entre outros que aqui existem, possam igualmente desenvolver a sua atividade nesse horário alargado, “potenciando ocasiões de consumo não só dos próprios restaurantes que irão abastecer-se aqui, como também clientes que nos visitam e pessoas que fazem as suas compras depois do trabalho, ao final do dia”, como referiu o responsável da empresa municipal que gere o Mercado de Loulé.
Mas não é só “intramuros” que se prevê que esta nova valência do Mercado possa ter impacto. Uma vez que a cidade de Loulé tem, durante o período da manhã, uma dinâmica muito maior fruto da atividade comercial no Mercado, estima-se que a extensão deste horário de funcionamento possa atrair pessoas à cidade também durante a tarde e, não só à envolvente direta do Mercado mas também a outras artérias como a Praça da República ou Rua Maria Campina. 
Para além das obras que serão realizadas na praça central onde irão nascer estes quatro espaços de restauração, criando condições para que haja posteriormente um contrato de concessão para a exploração dos mesmos, os trabalhos que agora arrancam, prolongando-se durante 4 meses, passam ainda pela melhoria das instalações sanitárias, pintura exterior e interior do edifício, recuperação das pedras da cantaria, colocação de um piso antiderrapante nas quatro entradas e de um piso novo na praça central com a imagem deste edifício histórico. 
Na nova zona de restauração vai ser criado um espaço com mesas e cadeiras removíveis já que uma das ideias do executivo da Câmara de Loulé é que este seja também “um espaço dinamizador de eventos e um espaço social de convívio”, criando-se aqui uma área de esplanada onde as pessoas poderão apreciar a sua refeição. 
De forma a minimizar os incómodos para operadores e compradores, os trabalhos que impliquem barulho ou poeiras serão executados no período entre as 15h00 e as 20h00. De referir que a zona onde serão criados os quatro restaurantes vão ser devidamente isolados durante o período em que decorre a empreitada.
De 15 a 31 de dezembro as obras estarão paradas permitindo o normal funcionamento do espaço na época de Natal. De forma a manter os comerciantes informados, a equipa da LC Global irá receber todos os interessados, no período das 15h00 às 17h30, no espaço do mercado, para esclarecer eventuais dúvidas sobre a evolução da obra.
Esta empreitada ronda um investimento de 575 mil euros.
“Penso que esta iniciativa permitirá dinamizar o centro da cidade de uma forma mais positiva e conto que possa ser uma solução que traga mais atividade económica para todos os operadores do Mercado, com esta valência suplementar que irá potenciar o negócio. O que nos interessa é alavancar o negócio daqueles que já cá estão com esta nova oferta e tornar este espaço icónico, que é o Mercado Municipal de Loulé, ainda mais atrativo para todas as pessoas que nos visitam”, considerou Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé.

Algarve | Há 4,1 milhões de euros para investir em projetos de sustentabilidade e eficiência

Está a decorrer o período de candidaturas a dois concursos comunitários de financiamento a projetos de sustentabilidade e eficiência dos recursos, destinados a autarquias, empresas e instituições particulares de solidariedade social (IPSS), envolvendo uma verba de 4,1 milhões de euros.
Para promover estes concursos e agilizar as candidaturas, a Autoridade de Gestão do PO CRESC Algarve 2020, em parceria com a Direção-Geral de Energia e Geologia, a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AD&C) e o Órgão de Acompanhamento das Dinâmicas Regionais, promove duas sessões de esclarecimento no dia 31 de outubro (quinta-feira), no auditório da CCDR Algarve, em Faro, destinadas a empresas (11h00) e às IPSS e às autarquias (14h30), sendo as inscrições gratuitas e obrigatórias.
A taxa de apoio para Empresas, Autarquias e IPSS pode atingir 70% e, cumulativamente, dar acesso a um apoio reembolsável de empréstimo sem juros a oito anos, com possibilidade de prémio de 30%.
A entrega de candidaturas para o aviso das empresas poderá ser feita até 12 de dezembro de 2019 e concurso destinado às IPSS (1.ª prioridade) e às autarquias de Alcoutim, Lagoa, Monchique, Tavira e Vila do Bispo (não apresentaram candidatura no aviso anterior) foi alargado até 30 de janeiro de 2020.
Os pormenores relativos a este e outros avisos podem ser consultados aqui.

Política | “Os Verdes” divulgam carta aberta à Câmara Municipal de Cantanhede

"O Partido Ecologista Os Verdes tomou conhecimento que a Câmara Municipal de Cantanhede procedeu ao abate de várias árvores de grande porte nas proximidades do campo de futebol, tendo motivado a indignação da população perante este ato irreversível.
Os cidadãos referiram-nos que estas árvores não aparentavam quaisquer problemas fitossanitários ou de segurança para as pessoas ou bens e que o seu corte terá sido por uma opção política da autarquia que estará relacionada com uma intervenção urbanística que pretende concluir uma via paralela à EN 234, atravessando a linha de árvores aí existentes.
De acordo com inúmeros estudos publicados pela comunidade científica, as árvores são fundamentais para a criação de sombra, absorção de poluentes provocados pelo trânsito, repositório de carbono e para a manutenção e melhoria da saúde dos munícipes pelo que deveriam ter sido integradas e preservadas na paisagem urbana ao invés de serem abatidas.
Face ao assunto exposto, o Partido Ecologista Os Verdes pretende obter da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede os seguintes esclarecimentos:
  1. A autarquia confirma que as árvores junto ao campo de futebol se encontravam em boas condições fitossanitárias?
  2. Quais foram as razões que motivaram a Câmara Municipal de Cantanhede a efetuar o abate dessas árvores?
  3. A autarquia ponderou alguma alternativa ao percurso da via ou ao abate das referidas árvores?
  4. A população foi previamente informada desta intervenção urbanística, bem como do abate das árvores?
  5. A breve prazo estão previstos mais abates de árvores no espaço público?
  6. No seguimento deste ato irreversível, a Câmara Municipal irá proceder à plantação de novas árvores no espaço público de forma a “compensar” as que foram abatidas?
O Coletivo Regional de Coimbra do  PEV - Partido Ecologista Os Verdes"

OVAR| Os fornos apagaram-se em 1986. Agora, uma exposição retrata as memórias da fábrica de olaria

A ausência de oleiros, a desatualização dos equipamentos e a crise da década de 1980 levaram a Fábrica Regalado, em Ovar, a apagar os fornos em 1986, mas "cinco olhares" retratam agora as suas memórias, numa exposição de fotografia.
"Confesso que não consigo valorizar o espaço porque nasci aqui, vejo isto todos os dias e vejo com uns olhos diferentes dos que cá vêm pela primeira vez, mas, de facto, é quase unânime que as pessoas que aqui vêm ficam encantadas com o espaço", afirmou hoje, em declarações à Lusa, o neto dos proprietários da antiga fábrica de olaria, José Eduardo Regalado.
"Cinco Olhares sobre a Fábrica Regalado", a exposição, nasce assim de um convite a cinco fotógrafos -- Fernando Andrezo, Pedro Brás Marques, João Carlos Pinto, Luís Rodrigues e José Santa Clara -- que revisitam as velhas instalações fabris e as revelam, em cerca de duas dezenas de imagens, que ficam patentes no Porto, a partir de sábado.
Segundo José Eduardo Regalado, a história da fábrica remonta ao final do século XIX, mais concretamente a 1898, ano em que os seus avós paternos decidiram construir uma olaria, no rés-do-chão da casa onde viviam.
"Era algo muito antigo, muito arcaico. Inicialmente, era apenas uma olaria que fabricava vasos, jarras, alguidares e tigelas pequenas", contou José Eduardo, adiantando que os produtos seguiam "em carros de bois" até ao horto do Porto ou às feiras das redondezas de Ovar, como a de Arrifana ou Vale de Cambra.
Durante a década de 30, chegaram a trabalhar "simultaneamente", na fábrica, seis oleiros, sendo a maioria membros da família de José Eduardo, como o pai, os tios e os primos.
Quando o pai de José Eduardo "assumiu" o negócio, em 1935, decidiu "modernizá-lo", comprando novas máquinas e dando início à produção de tijolos e telhas para a construção civil.
Contudo, foi entre o final da década de 40 e início da década de 50 que "tudo mudou". A Fábrica Regalado deixava a casa dos avós paternos de José Eduardo, e instalava-se num novo edifício.
"Era uma necessidade aumentar a produção e fazer uma grande ampliação. Foi construído um edifício de três pisos para a secagem dos materiais e, no rés-do-chão foram construídos dois fornos e uma chaminé para fazer a exaustão dos fumos da cozedura", explicou.
Apesar de não ter memória ou algum registo sobre quanto produzia a fábrica na época, José Eduardo recorda-se de que foram estas melhorias que permitiram uma maior produção, mas também maior qualidade.
"Nós vendíamos tudo o que fabricávamos. Tínhamos de facto muita qualidade, mas não tínhamos uma grande produção, aliás, a produção era limitada", frisou.
À Lusa, José Eduardo adiantou, contudo, que o negócio "não resistiu" à ausência de mão de obra qualificada, à crise financeira da década de 80, que se fez sentir em Portugal, e à desatualização dos equipamentos e máquinas, tendo encerrado "definitivamente" em 1986.
"Estas circunstâncias fizeram com que a fábrica não resistisse e tivesse este desfecho", referiu.
Contudo, a história da Fábrica Regalado não termina assim.
Consciente do potencial do espaço que outrora deu lugar à produção de vasos, tijolos e telhas, José Eduardo decidiu falar com os cinco fotógrafos amigos: Fernando Andrezo, Pedro Brás Marques, João Carlos Pinto, Luís Rodrigues e José Santa Clara.
"Mal começaram a disparar, percebi o quanto valorizavam o espaço", salientou José Eduardo.
As memórias que o espaço ainda conserva, como os dois fornos e a chaminé, foram materializadas em mais de duas dezenas de fotografias que constituem agora a exposição "Cinco Olhares sobre a Fábrica Regalado".
A viagem pelo espaço à Fábrica Regalado pode ser vista a partir de sábado e até ao dia 26 de novembro, na Casa do Vinho Verde, no Porto.
Lusa

Centro Náutico de Montemor-o-Velho continua a trabalhar em prol do futuro

No dia 23 de outubro, o desporto de alto rendimento, a conjugação entre a escola e o treino desportivo, assim como o desenvolvimento e a promoção desportiva foram alguns dos temas que estiveram em destaque no Centro Náutico (CN) de Montemor-o-Velho.

A iniciativa, realizada no âmbito da visita de Vítor Pataco, presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), contou com a passagem pelas instalações da residência universitária da Federação Portuguesa de Canoagem, no centro da vila de Montemor-o-Velho. No CN de Montemor-o-Velho, decorreu uma reunião de trabalho com Victor Pardal, coordenador nacional das UAARE - Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola, assim como uma reunião da Comissão de Gestão Local (CGL) do CN – Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho que contou também com a presença de representantes das federações de canoagem, remo e triatlo.
No final do encontro, realizado no âmbito do acordo de parceria existente entre o Município de Montemor-o-Velho e as Federações de Canoagem, Natação, Remo e Triatlo, o vice-presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, referiu: “Estes momentos garantem que o Centro Náutico de Montemor-o-Velho continua a trabalhar em prol do futuro, todavia, mais uma vez ficou demonstrado que o sucesso da infraestrutura e os resultados dos atletas das diversas modalidades só é possível com um trabalho conjunto de diversas entidades”.
“Temos um dos melhores equipamentos desportivos a nível nacional e internacional. Neste sentido, continuamos disponíveis para continuar a apoiar e destaco que, nos últimos anos, o Município tem feito um forte esforço e investido no Centro Náutico, contribuindo, deste modo, também o desenvolvimento das atividades náuticas”.
O momento foi ainda aproveitado para marcar o arranque de mais um ano letivo da Residência Universitária da Federação Portuguesa de Canoagem (FPC), com a assinatura dos contratos de integração dos canoístas na residência.
No presente ano letivo, o equipamento, que pretende favorecer a prática desportiva de alto rendimento com o percurso académico, acolhe 15 atletas – oito encontram-se a frequentar a Escola Secundária de Montemor-o-Velho e sete encontram-se a frequentar o ensino superior.

“Com os jogos olímpicos de Tóquio no horizonte, é com muito gosto que damos continuidade a este projeto que já mostrou que resulta. A residência contribui para o sucesso da modalidade, mas é sobretudo uma ferramenta de excelência para formarmos atletas de topo e, ao mesmo tempo, com formação académica, preparados para o mercado de trabalho quando a sua carreira desportiva terminar”, explicou Vítor Félix, presidente da FPC.
No decorrer da iniciativa realizada em Montemor-o-Velho e cujo encontro teve o intuito “de encontrar soluções que potenciem conciliação da atividade desportiva e escolar dos atletas”, Vítor Pataco, presidente do IPDJ, dirigindo-se aos canoístas, referiu: “Vocês são uma concentração de talento desportivo que, conjugado com o vosso potencial intelectual, faz com que no final da vossa carreira desportiva possam ser cidadão mais aptos e diferenciados para entrarem no mercado de trabalho”.
De igual modo, José Veríssimo, vice-presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, desejou “os maiores sucessos desportivos e escolares” e, com um cumprimento especial aos canoístas que chegam pela primeira vez ao concelho, referiu: “Estamos disponíveis para continuar a colaborar e esperamos que gostem de Montemor-o-Velho, que aprendam, que trabalhem e que se divirtam”.

COIMBRA | Agricultura mais ecológica e sustentável com a ajuda das algas

O papel das algas marinhas na redução das emissões de metano (gás de efeito estufa muito mais perigoso do que o CO2), através da sua aplicação na alimentação de animais, contribuindo para a resolução de um dos principais problemas relacionados com os produtores de leite e de carne bovina, é um dos temas abordado no livro “Seaweeds as Plant Fertilizer, Agricultural Biostimulants and Animal Fodder” (Algas como fertilizantes, bioestimulantes agrícolas e forragens para animais, em tradução livre), que vai para as bancas amanhã, dia 25 de outubro.
Um dos coordenadores da edição da obra (e também coautor de um capítulo) é Leonel Pereira, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE).
O livro, que é publicado pela CRC Press do Taylor and Francis Group (USA), surge no âmbito do projeto INTERREG – NASPA (Natural fungicides against air & soil borne pathogens in the Atlantic Area), focado em criar alternativas naturais aos fertilizantes e agroquímicos sintéticos usados na agricultura atualmente.
Ao longo de 12 capítulos, da autoria de cientistas de várias nacionalidades, o livro explora «a utilização de algas e extratos de algas como estimulantes de uso agrícola, reguladores de crescimento de plantas agrícolas extraídos de algas e protetores das plantas contra pragas (fungos, insetos, etc.), bem como o uso de algas na alimentação de animais, nomeadamente na alimentação de gado bovino para a redução das emissões de metano; o uso de algas na produção de rações para a aquacultura de peixes, entre outras aplicações», relata o especialista em algas marinhas da FCTUC.
A obra, apesar de conter fundamentos científicos, «está escrita e ilustrada de modo a que qualquer público a possa ler, inclusivamente os jovens agricultores de todo o mundo», nota Leonel Pereira.
Dependendo da espécie, do habitat e de condições como temperatura da água, intensidade da luz e concentração de nutrientes na água, as algas possuem ótimas características para fins muito diversos.
NDC

Religião | Sínodo da Amazônia: o que está em jogo?

Por Mathias von Gersdorff
O Sínodo da Amazônia, causa irritações e perplexidades não consideráveis entre os católicos. A razão para tal foi primeiramente o estilo do documento de trabalho (Instrumentum laboris), mais parecido com um panfleto dos Verdes e que mostra nítidas simpatias pelos hábitos (pagãos) dos povos indígenas na região amazônica.
O desagrado aumentou depois do anúncio dos nomes dos participantes do Sínodo. Encontram-se entre eles os representantes mais radicais das teologias da libertação, ecológica e indígena. Essas orientações teológicas defendem um caminho completamente novo para a Igreja Católica e um abandono drástico da tradição e do magistério eclesiástico. E vão aparecendo, um após outro, relatos de práticas pagãs em função do Sínodo ora em curso e de declarações heterodoxas na sala sinodal.
Como se chegou a esta situação? O que está acontecendo em certos setores da Igreja Católica?
O ponto de partida: Hans Küng
Em seu livro Sete Papas (2015), o teólogo Hans Küng [foto acima] descreve o que considera como o mal fundamental da Igreja Católica: a constituição no Vaticano de um aparato eficiente e ágil sob o pontificado de Inocêncio III (Papa de 1198 a 1216), ou seja, a Cúria Romana.
Todos os progressistas são praticamente unânimes em afirmar que naquela época a Igreja Católica tornou-se mais ou menos (existem matizes consideráveis) um aparato que sufoca o espírito. Desde então, na Igreja, a Fé direta e irrestrita não estaria mais no ponto central, mas sim o direito canônico, os documentos magisteriais, a pretensão de poder do Papa e a administração eclesial.
Essa caricatura só pode surgir na mente daqueles que não veem a Igreja como uma instituição sobrenatural, cuja vida é governada pela graça divina. Daí pode-se facilmente chegar à conclusão de que a vida real existente na Igreja poderia ter tomado também um rumo completamente diferente, como se afinal de contas Deus não dirigisse a História.
O progressismo hodierno deseja no fundo corrigir a história da Igreja. Isso se dá por meio de duas vias: a europeia e a sul-americana.
A visão européia (progressista) do cardeal Marx & Cia.
Cardeal Marx
É bem conhecido o que almeja o catolicismo reformista europeu: a adaptação da Igreja ao espírito do tempo, ao qual os progressistas atribuem autoridade até mesmo para interpretar como a vida e a fé deveriam existir na Igreja. Por isso as teses do espírito do tempo são adotadas de bom grado: a Igreja deve ser democrática, a moral sexual deve pautar-se pelas concepcoes do mundo, o feminismo deve determinar as estruturas da Igreja e o ecologismo sua ideia marcante.
A tradição, a história da Igreja, o magistério eclesiástico, os dogmas e a piedade popular são considerados um lastro desnecessário. Pelo contrário, a Igreja deveria estar constantemente se reinventando nos campos litúrgico, religioso e moral-teológico.
A visão latino-americana (baseada na teologia da libertação) do cardeal Humes& Cia.
Na América do Sul, o progressismo tomou uma via diferente por estar fortemente influenciado pelo marxismo. A assim chamada “teologia da libertação” é a adoção do método da luta de classes na Igreja Católica. A teologia da libertação defendia a necessidade de uma luta de classes dos pobres contra os ricos, à maneira do marxismo clássico.
Como a fé católica não conhece “classes”, a teologia da libertação foi condenada pelo Vaticano (p. ex., pela InstruçãoLibertatis nuntius, da Congregação da Doutrina da Fé, em 1984). Mas sobreviveu na cabeca de muitos teólogos e passou por uma metamorfose surpreendente, dando origem à “teologia feminista”, à “teologia ecológica” e à “teologia indígena”.
Na base de todas essas teologias encontra-se a tese fundamental de que uma classe dominante oprime a grande maioria das pessoas.
Numa perspectiva cultural-revolucionária, a “teologia indígena” é a mais radical: de acordo com ela, a colonização e a evangelização da América Latina constituíram um ato de opressão. A primeira teria imposto aos nativos uma visão europeia de mundo; a segunda, destruído hábitos religiosos legítimos.
Dessa maneira, os povos primitivos vivem cultural e religiosamente oprimidos há 500 anos.
Uma versão europeia desta tese alegaria (como o ideólogo nazista Rosenberg também o defendeu) que os germanos teriam sido despojados de sua ligação com a natureza e de seu culto à “Mãe Terra” e a outras divindades.
Qual é o elo entre o progressivismo europeu e o latino-americano?
Embora o progressismo europeu e o latino-americano sejam aparentemente muito diferentes, eles estão intimamente relacionados: ambos rejeitam a tradição e o magistério; ambos são da opinião de que a fé deve se desenvolver completamente livre e não precisa de Cúria, nem de Direito Canonico, de Dicastérios e da Hierarquia.
O que pensa amaioria dos bispos?
As correntes acima descritas são radicais, mas não formam uma maioria. A maioria dos bispos tenta viver em equidistância face à tradição e à adaptação ao mundo. Mas, devido à crise geral da Igreja (casos de abuso sexual, crise vocacional, número cada vez menor de fiéis etc.), essa maioria é muito fraca e pálida. Donde ser muito forte hoje em dia a influência dos progressistas — e também a dos progressistas radicais. Eles se apresentam como munidos de grande autoridade e quase ninguém ousa contradizê-los.
O que há de novo na situação atual: a coesão está rompida
Ora, poder-se-ia dizer que essa formação de correntes ou partidos tem sido muito marcante desde o Concílio Vaticano II. Alguns querem mudar tudo; outros não aceitam qualquer mudança; outros ainda desejam um retorno à época de Pio XII.
A novidade hoje em dia é que os diferentes setores da Igreja vivem como ilhas isoladas. A coesão, que ainda havia na época de figuras como o cardeal Lehmann, não existe mais. Cada grupo vive, por assim dizer, sozinho.
Isso tem como resultado que os porta-vozes radicais que não levam em consideração o Magistério e a Tradição vão se radicalizando ainda mais e agindo de modo cada vez mais aberto.
Está desaparecendo o consenso sobre o que é católico e o que não é. Nada mais vincula. As forças centrífugas crescem. Entrementes fala-se abertamente de possíveis cismas, o que seria impensável alguns anos atrás.
Perspectivas
O simples fato de alguns bispos estarem pensando em voz alta sobre o sacerdócio de mulheres, como Dom Peter Kohlgraf, bispo de Mainz, mostra que a situação é extremamente crítica.
Na América Latina o progressismo faz exigências como, por exemplo, um pedido de desculpas da Igreja pela evangelização dos índios. Estes teriam sido diretamente “batizados” por Deus e viveriam num estado paradisíaco. O Ocidente teria destruído tudo isso e Jesus Cristo não seria mais um Salvador necessário.
Aqui não se trata “apenas” de heresias, mas de apostasia aberta, de um afastamento completo do Cristianismo.
Qual é o resultado: O progressismo parece ter feito do Sínodo da Amazônia um jogo de risco. Ou seja, “tudo ou nada”. Há muitas indicações de que os progressistas querem finalmente criar fatos, custe o que custar.
Isso se aplica tanto a latino-americanos quanto a europeus.
O que devem fazer os católicos fiéis ao Magistério?
A Igreja se move em alta velocidade para a anarquia.
Em primeiro lugar, em semelhante situação, o fiel católico deve cuidar para que sua fé se torne robusta em face da tormenta, através da oração, dos sacramentos, do aprofundamento das verdades católicas.
Através da piedosa e atenta recitação do Credo!
Em segundo lugar, ele precisa também resoluta e vigorosamente declarar sua fidelidade à Igreja Católica e aderir firmemente à sua crença na indestrutibilidade da Igreja, prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 16, 18 e ss.).
ABIM
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Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos.