Há cerca de uma semana, na cidade da Praia, realizou-se o primeiro transplante renal em Cabo Verde. A operação, que envolveu meses de preparação, foi liderada pelo Hospital de Santo António, no Porto, e marca uma viragem na história da saúde cabo-verdiana
Foi um marco há muito esperado. O primeiro transplante renal em Cabo Verde aconteceu há cerca de uma semana, na cidade da Praia, e o mérito da operação não é só local. Quem liderou todo o processo foi o Hospital de Santo António, no Porto, integrado na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA). A notícia começou agora a ser tornada pública, mas os preparativos arrastavam-se há vários meses, com uma equipa multidisciplinar portuguesa a trabalhar em estreita ligação com os profissionais cabo-verdianos.
O esforço foi quase de raiz. Criaram-se condições que antes não existiam: estudo do dador, introdução da angio-TAC, fornecimento de fármacos imunossupressores, reforço da capacidade laboratorial e do bloco operatório. O projeto, no terreno, foi idealizado pelo cirurgião vascular Norton de Matos, e contou com especialistas portugueses com vasta experiência em transplante renal. Não se limitaram a fazer a cirurgia: também formaram a equipa do Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia.
La Salete Martins, nefrologista responsável do Centro de Referência de Transplante Renal da ULSSA, não esconde o otimismo. “A evolução clínica é muito encorajadora”, disse. A dadora recuperou rapidamente – teve alta ao terceiro dia – e o recetor, que saiu do hospital ao nono dia, apresentou função imediata do enxerto. Ambos estão bem.
A equipa do Porto incluiu ainda os urologistas Miguel Ramos e Paulo Príncipe, responsáveis pela colheita laparoscópica do rim da dadora, o cirurgião vascular Paulo Almeida e a enfermeira instrumentista Hermínia Cunha. Foi ela quem teve um papel decisivo, não só na intervenção, mas também na formação prática dos profissionais locais. Outra participação essencial foi a de Sandra Tafulo, do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), que estudou a compatibilidade entre dadora e recetor.
O sucesso do procedimento reforça a posição do Hospital de Santo António como referência na área dos transplantes e, ao mesmo tempo, assinala o princípio de uma nova fase para a medicina em Cabo Verde. Abre-se caminho à criação de um programa nacional de transplante renal, com ganhos diretos para os doentes e para o sistema de saúde do arquipélago.
PR/HN/MM
7 de Abril 2026




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