terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

MINISTRA DA CULTURA VISITA ESTRAGOS NOS EQUIPAMENTOS DA MARINHA GRANDE


A Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, deslocou-se à Marinha Grande, esta segunda-feira, 16 de fevereiro, para acompanhar no terreno a situação do património cultural, na sequência das tempestades, e reunir com autarcas e entidades regionais.
Durante a visita, a governante passou pela Casa‑Museu Afonso Lopes Vieira, pelo Teatro Stephens, pelo Museu do Vidro e pelo Museu Joaquim Correia, avaliando o impacto dos estragos recentes e as necessidades de intervenção.
Seguiu-se uma reunião de trabalho, no Salão Nobre dos Paços do concelho, com representantes dos 10 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL).
Estiveram presentes o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias; o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos; o presidente da Câmara Municipal, Paulo Vicente; o presidente da CIMRL, Jorge Vala; os vereadores do executivo municipal Armando Constâncio, Carla Santana e Sérgio Silva; o presidente da empresa pública Museus e Monumentos de Portugal, Alexandre Pais; o presidente do Instituto Património Cultural, João Soalheiro; entre outros representantes dos município da CIMRL.
O presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, alertou que cerca de duas mil famílias permanecem sem eletricidade, com fortes constrangimentos no quotidiano, defendendo medidas de solidariedade imediata, incluindo a isenção de portagens. Destacou ainda que a região sofreu uma grande degradação, salientando a necessidade de respostas rápidas e eficazes perante a dimensão da catástrofe.
A ministra anunciou que o Governo está a preparar fundos de apoio, destinados às áreas da cultura, desporto e juventude. Sublinhou que o executivo tem estado a registar o levantamento dos danos no património, alguns dos quais agravados, e que o pacote financeiro previsto pretende dar resposta célere às necessidades identificadas.

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Secretário de Estado da Proteção Civil reune com forças de segurança em Porto de Mós


Esta manhã o Município de Porto de Mós recebeu o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, para uma reunião de trabalho com as forças de segurança e serviços municipais que têm vindo a acompanhar a situação de calamidade depois da Tempestade Krintin ter assolado a região. O encontro teve como objetivo fazer um ponto de situação e auscultar as entidades diretamente envolvidas na gestão de crise.

De acordo com o presidente da autarquia, Jorge Vala, no concelho registam-se ainda 500 casas sem acesso a energia elétrica, assim como centenas de clientes sem acesso a comunicações, motivo que levou ao agendamento de uma reunião com a ANACON, que teve lugar na passada semana, para dar a conhecer os problemas técnicos que se mantém no terreno, contrariando as informações dadas pelas operadoras. O edil referiu também a presença de todas as entidades da proteção civil desde a primeira hora, a partir das 04h00 da madrugada do dia 28 de janeiro até hoje, agradecendo o emprenho e a dedicação de todos.
Rui Rocha, Secretário de Estado da Proteção Civil, iniciou a sua intervenção agradecendo a disponibilidade e modo de atuação das entidades e forças presentes na reunião, reforçando a sua importância, eficácia e atuação ao longo das últimas semanas. Referiu, ainda, que tem estado no terreno, tendo já visitado mais de 30 concelhos, ao contrário do que aconteceu nos incêndios de 2025 onde os políticos foram impedidos de se deslocar aos cenários da tragédia.

Feita a contextualização cronológica dos acontecimentos, Rui Rocha assume que o evento climático ultrapassou a gravidade do que estava previsto, tendo sido feitas todas as ações preventivas possíveis e acauteladas em protocolo nas regiões onde se previa uma maior incidência da tempestade (Coimbra – Aveiro). Após a tempestade, a primeira ação incidiu sobre a desobstrução das vias e a garantia dos pontos críticos, mas há que relembrar que os danos são trágicos, por exemplo, foram destruídos cerca de 6000km de linha elétrica.

No rescaldo da crise, há uma importante avaliação a fazer, assinalar o que deve ser mudado e capacitar as infraestruturas para acautelar situações futuras. Portanto, de acordo com Rui Rocha, é necessário aproveitar estas oportunidades para avaliar o que deve ser melhorado.

O secretário de estado refere ainda que vão ser assegurados starlinks e geradores para bombeiros, câmaras municipais, freguesias, GNR, centros saúde, entre outros pontos-chave que devem estar equipados para prestar apoio às populações em momentos de crise, assegurando que enquanto houver alguém sem energia o problema não está resolvido. Por este motivo, tem feito pressão constante a par com o Governo e o Secretário de Estado da Energia, que esteve recentemente em Porto de Mós, junto da E- Redes. Reconhece que as comunicações são outro ponto crítico, com a dificuldade acrescida de não haver um interlocutor, portanto, esta é outra matéria que merece uma séria reflexão.

Rui Rocha assume que falará com a tutela para a existência obrigatória de um gerador nas várias infraestruturas e garante que se as forças de segurança, autarquias, centros de saúde, ERPI’s, etc tiverem este tipo de meios numa crise, isso gera resiliência e, com isto, ficam asseguradas as medidas que tiveram de ser implementadas na primeira hora, o que permite às entidades atuar desde logo, no nível seguinte. Esta situação exige de facto, uma reflexão ao nível da sociedade para que esta possa estar preparada para estas situações, porque tem verificado, por exemplo, muitas empresas, grandes empresas, sem seguro.

Passado este comboio de tempestades e a dificuldade acrescida que levou à mobilização total das entidades, Rui Rocha refere que este é um processo com várias etapas, onde ainda se está a tentar voltar à normalidade mas depois segue-se para a recuperação. Está, por isso, a ser desenhado um PTRR, com apoio da estrutura de missão, direcionado para a reconstrução do país e, neste momento, quer o Governo, quer as autarquias têm de redirecionar as suas prioridades e planos para este mandato, focando-se na reconstrução e reabilitação do território.

Quando se fala da análise sobre esta calamidade, o Secretário de Estado da Proteção Civil reflete ainda sobre a necessidade de encontrar mecanismos que chamem verdadeiramente a atenção das pessoas para as mensagens enviadas, para que estas não sejam normalizadas, questionando sobre o que teria acontecido se o evento tivesse ocorrido durante o dia e a proteção civil tivesse dado indicações para as pessoas não andarem na rua? Portanto, é essencial conseguir que as populações identifiquem os avisos mais críticos.

Depois da passagem por vários concelhos afetados, Rui Rocha não deixa de anotar a solidariedade notória do povo português, que se manifestou e mobilizou para apoiar as regiões afetadas desde o primeiro dia.

Em resposta ao Secretário de Estado, Jorge Vala esclarece que as operadoras têm informado que não podem atuar no terreno porque não existe disponibilidade da GNR para acompanhar os trabalhos de reposição de fibra ótica, o que não corresponde à verdade, e deu nota que a resposta do Governo para a recuperação das vias rodoviárias, entre outras, é fundamental uma vez que a autarquia já pediu orçamento para a reabilitação de quatro muros de suporte e só para essas intervenções serão necessários mais de 3 milhões de euros, e portanto não há orçamento disponível nas autarquias para fazer face a este tipo de custos.

De referir que o Município de Porto de Mós já assumiu que entregará um gerador a cada freguesia do concelho e a CIMRL vai assegurar a entrega de equipamentos de comunicação starlink às autarquias da Região.

*Patrícia Alves
Gabinete de Comunicação

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Oliveira de Frades | Sessão de Cinema: Ângelo na Floresta Mágica | Antecipada para o dia 21 FEV | 15h00 | Cineteatro Dr. Morgado - Casa das Artes de Oliveira de Frades

Devido ao adiamento do Desfile de Carnaval para o dia 22 de fevereiro, domingo, a sessão de cinema prevista para esse dia, às 15h00, será antecipada para o dia 21 de fevereiro, sábado, à mesma hora. 
Sinopse 
Ângelo, de 10 anos, sonha em ser um aventureiro e explorador. A sua coragem será colocada à prova quando, uma vez esquecido numa estação de comboio, decide entrar pela floresta misteriosa, habitada por seres estranhos e provar que é capaz de sobreviver sozinho a tantos desafios. 
M/6 | Animação Bilhete: 

 Informações 232 763 789 | 961 760 301

*Sara Carvalho
Assessora de Comunicação - Gabinete de Comunicação e Imagem

Cantanhede | Projeto Feminismo Para Tod*s inicia 2026 com conversa sobre arte, memória e feminismo


No dia 21 de fevereiro, pelas 15h, na Sala de Exposições Temporárias do Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede, realiza-se a primeira Roda de Conversa de 2026, promovida pelo projeto Feminismo Para Tod*s, intitulada “Ser Artista, Ser Mulher”. O encontro cruza arte, memória e feminismo, refletindo sobre a visibilidade, o reconhecimento e a memória das mulheres nas artes.
A sessão integra a 4.ª edição do projeto cultural “Gente da Nossa Terra” e é dedicada a Maria Amélia de Magalhães Carneiro (1883–1970), pintora naturalista que encontrou inspiração nas aldeias gandaresas de Cantanhede, fundou a primeira escola de arte do concelho de Cantanhede e foi uma das primeiras mulheres a frequentar a Academia Portuense de Belas Artes.
O encontro contará com a participação de Dina Lopes, artista plástica, e de Maria Manuel Magalhães Carneiro, sobrinha-neta de Maria Amélia, que irão partilhar experiências e perspetivas sobre o percurso das mulheres nas artes.
Segundo a organização, “este encontro propõe conversar, entre telas e pincéis, sobre os caminhos abertos às mulheres artistas, os obstáculos que ainda persistem e as camadas que atravessam a experiência de ser artista e mulher”.
O projeto Feminismo Para Tod*s, iniciado em 2022 por quatro amigas — Ana, Célia, Sofia e Tânia —, é uma iniciativa de cidadania ativa que procura contribuir para uma sociedade mais consciente, justa, inclusiva e participativa. Mensalmente, promove Rodas de Conversa em diferentes locais de Cantanhede, incentivando reflexão, partilha e debate construtivo sobre feminismo, igualdade de género e direitos humanos. Estes encontros valorizam o desenvolvimento pessoal e o envolvimento da comunidade.
A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Brasil depois do Carnaval


Olá Litoral,

Netto Simões, ex-Pajé do Boi Caprichoso, numa das suas magníficas atuações no Festival Folclórico de Parintins

Já fui uma dúzia de vezes ao Brasil e, na verdade, é um país ao qual não me canso de voltar, até porque tem uma diversidade ímpar em termos culturais, paisagísticos e gastronómicos. Curiosamente, nunca fui ao Brasil na época do Carnaval — mas, dos Caretos de Podence às ruas do Rio de Janeiro, aproveitem muito bem estes dias de folia.

Vem isto a propósito de eu estar a ponderar regressar ao Brasil este ano para fazer uma série de reportagens ligadas à natureza e ecoturismo. E esse é o pretexto ideal para sugerir alguns destinos onde estive no passado em território brasileiro. De Fernando de Noronha aos Lençóis Maranhenses, eis algumas sugestões para uma próxima viagem ao Brasil:

São apenas sugestões, é certo, mas fica o desafio. Até porque há cada vez mais ligações aéreas entre Portugal e o Brasil que facilitam — e muito! — a vida do viajante.

Fazer seguro de viagens IATI (5% off)

A terminar, deixo o habitual pedido para utilizar estes links ao planear as próximas viagens. Para si não faz diferença mas para mim é uma grande ajuda. Muito obrigado.

Grande abraço e muita força,

Filipe Morato Gomes

Passes para os transportes na cidade de Cantanhede já estão à venda


Os passes para circulação nas linhas internas da cidade de Cantanhede (URBIN) já podem ser adquiridos na loja da operadora BUSWAY, na Avenida do Brasil, em Cantanhede.
Está assim concluído o processo que permite aos utentes dos trajetos 466 (Linha Vermelha), 467 (Linha Azul) e 468 (Linha Verde) comprar os títulos que os habilitam a viajar durante um mês nos respetivos circuitos, com direito a transbordo entre estas linhas.
O valor integral é de 14,15 euros, 10,60 euros para os benificiários de 25% de desconto - designadamente reformados e pensionistas, com rendimentos mensais iguais ou inferiores a 644,56 euros e beneficiários de subsídio de desemprego -, e 7,10 euros para quem tem desconto de 50% - ou seja, beneficiários do complemento solidário de idosos, rendimento social de inserção e portadores de atestado médico de incapacidade multiusos com grau igual ou superior a 60%.
O bilhete simples, que pode ser comprado a bordo dos autocarros, custa 1,10 euros e é válido apenas para uma viagem, sem direito a transbordo, sendo evidente a grande vantagem do passe mensal.
As linhas URBIN, todas com passagem pelo núcleo urbano central da cidade, pela zona escolar e pela antiga estação, abrangem o perímetro de Cantanhede bem como a zona industrial, sendo que os veículos que realizam os circuitos estabelecidos operam durante todo o ano.
Este serviço está integrado no SIT – Sistema Intermunicipal de Transportes da Região de Coimbra, serviço de transporte regular de passageiros que permite a mobilidade nos 19 municípios do território com a utilização de um único cartão. No total, estão em circulação 240 autocarros em cerca de 270 percursos que garantem ligações regulares entre zonas urbanas, rurais e periféricas.
No caso de Cantanhede, são 26 as linhas com passagem por diferentes zonas do território do concelho, tendo a oferta de horários sido determinada em função dos trajetos em que habitualmente há uma maior movimentação pendular de passageiros, bem como os trajetos relacionados com o transporte escolar.

Crónica - Alcácer do Sal, a cidade moldada pela água há cinco mil anos


Há quem se interrogue sobre a razão de tantas habitações de Alcácer do Sal se encontrarem tão próximas da água. À luz das preocupações contemporâneas com cheias e riscos naturais, essa proximidade pode parecer ousada. Contudo, a explicação não reside na imprudência, mas numa coerência histórica que atravessa milénios.

A presença humana naquele território remonta a mais de cinco mil anos. Desde a Idade do Bronze que comunidades se fixaram na elevação sobranceira ao estuário do Sado, atraídas pela fertilidade dos solos, pela abundância piscícola e pela facilidade de circulação proporcionada pelo rio. A água era sustento, via de comunicação e fator de segurança estratégica.
Foi, porém, na época romana que a cidade conheceu uma das suas fases de maior prosperidade. Sob o nome de Salacia Urbs Imperatoria, destacou-se pela produção e comércio do sal, recurso essencial na Antiguidade. O sal permitia conservar alimentos, nomeadamente peixe, tornando possível o seu transporte para mercados distantes. No estuário desenvolveram-se salinas e unidades de transformação piscícola que integravam a cidade nas redes comerciais do Império Romano. O rio funcionava como verdadeira estrada líquida, ligando o interior ao mar e este ao vasto mundo romano.

As escavações arqueológicas realizadas ao longo das últimas décadas têm confirmado essa relevância. No centro histórico surgiram tanques de salga praticamente intactos, mosaicos romanos, sistemas de drenagem e vestígios portuários que revelam organização económica avançada. Muitas dessas estruturas encontram-se sob edifícios posteriores, evidenciando uma ocupação contínua do mesmo espaço. As camadas sobrepõem-se, romana, islâmica, medieval e moderna, todas enraizadas na mesma relação com o estuário.

Durante o período islâmico, a cidade manteve a sua importância estratégica e económica, beneficiando da posição dominante sobre o rio. Mais tarde, já integrada no reino português, consolidou-se o padrão urbano que ainda hoje se observa, o casario descendo pela encosta até à margem, numa proximidade que reflete séculos de dependência económica da água.

Viver junto ao rio implicou sempre adaptação às marés e às cheias. Mas durante milénios os benefícios superaram largamente os riscos. O Sado foi fonte de alimento, meio de transporte, motor de comércio e elemento estruturante da identidade local. A geografia moldou a economia, a economia moldou o urbanismo, e ambos moldaram o caráter das gentes.

Alcácer do Sal não é apenas uma cidade antiga. É um exemplo raro de continuidade histórica, onde a água nunca deixou de ser o eixo da vida coletiva. Ao longo de cinco mil anos, mudaram os povos, os impérios e os regimes políticos. Permaneceu, porém, a mesma escolha fundamental, viver junto da água, porque dela sempre dependeu o futuro.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor