sexta-feira, 9 de outubro de 2026
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NECE Festival 2026 traz Michael Ignatieff a Lisboa para debater a confiança nas democracias
- Festival europeu de educação cívica decorre de 14 a 16 de outubro, em Lisboa, Sintra e Cascais, e coloca a reconstrução da confiança nas democracias no centro de três dias de debate e reflexão.Num contexto marcado pela polarização, pela fragmentação do espaço público e pela crescente desconfiança nas instituições, como podemos reconstruir a confiança necessária para viver e cooperar em democracia? É a partir desta pergunta que se desenvolve o NECE Festival 2026, dedicado ao papel da educação cívica na reconstrução da confiança nas democracias, na sociedade civil e nas relações entre pessoas.De 14 a 16 de outubro, o evento reunirá mais de 200 participantes de diferentes países, entre educadores, investigadores, representantes da sociedade civil, decisores políticos, profissionais da cultura, jornalistas e agentes comunitários.O NECE Festival é uma iniciativa do THE CIVICS Innovation Hub, no âmbito da rede NECE – Networking European Civic Education, financiada pela German Federal Agency for Civic Education. Este ano, o festival é organizado em conjunto com o Instituto Padre António Vieira (IPAV), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Câmara Municipal de Sintra e a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da Capital Europeia da Democracia. São também parceiros a Organização de Estados Ibero-Americanos e a Dona Ajuda, marca da Associação Boa Vizinhança.Michael Ignatieff: pensar a democracia a partir da experiênciaUm dos momentos centrais do programa será a participação de Michael Ignatieff, político, historiador, escritor e professor canadiano, no dia 14 de outubro, enquanto keynote speaker.Reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho sobre democracia, direitos humanos, nacionalismo e ética política, Ignatieff combina uma longa reflexão académica com uma experiência política e institucional pouco comum. Foi deputado e líder do Partido Liberal do Canadá, liderou a oposição parlamentar e presidiu à Central European University, em Budapeste, durante o período que culminou na transferência das principais atividades da universidade para Viena.Autor de várias obras sobre democracia e sociedades divididas, Ignatieff recebeu, em 2024, o Prémio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais. A sua presença no NECE Festival ganha particular relevância num momento em que a confiança nas instituições democráticas, a liberdade académica, a desinformação e a polarização ocupam o centro do debate público internacional.O contributo do IPAVEnquanto coorganizador do festival, o IPAV contribuirá para a programação a partir da experiência desenvolvida através da Academia de Líderes Ubuntu, um programa de educação não formal que trabalha competências pessoais e relacionais através da metodologia Ubuntu. É a partir desta experiência que o IPAV irá explorar diferentes formas de construir confiança através das relações.No dia 15 de outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, o IPAV dinamizará a masterclass “Building Trust Through Relationships: The Ubuntu Methodology for Transformative Civic Education”, dedicada à forma como a confiança pode ser intencionalmente construída através das relações e integrada em experiências de educação cívica transformadora.A participação do IPAV estende-se também ao Project Market, no dia 16 de outubro, onde apresentará uma experiência interativa centrada na confiança. Através do Ubuntu Trust Challenge, os participantes serão convidados a experimentar, e não apenas discutir, diferentes dimensões da construção de relações, através de desafios relacionados com Construção de Pontes, Ética do Cuidado e Liderança Servidora.Um festival para reconstruir confiançaAo longo de três dias, o NECE Festival irá promover uma abordagem interdisciplinar aos desafios atuais da educação cívica e da participação democrática, através de debates, masterclasses, workshops, partilha de boas práticas, espaços colaborativos e experiências culturais em Lisboa, Sintra e Cascais.Mais do que discutir a confiança, o festival pretende criar oportunidades para experimentá-la e reconstruí-la através do encontro, do diálogo e da cooperação, aproximando pessoas e organizações que trabalham em diferentes contextos pela cidadania e pela democracia.Sobre o Instituto Padre António VieiraO IPAV é uma organização da sociedade civil dedicada à promoção da dignidade humana, da educação para a cidadania e de uma cultura de diálogo, cooperação e participação. Desenvolve programas e metodologias de educação não formal, entre os quais a Academia de Líderes Ubuntu, inspirada na filosofia Ubuntu - Eu sou porque tu és - e orientada para o desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais.
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Termas Centro de Portugal mostram na Termatalia como a composição das águas termais pode contribuir para a saúde e o bem-estar
• Thermal Water Experience, conduzida pelo sommelier de águas Ricardo Machado, deu a conhecer as características de quatro águas termais da Região Centro e explicou de que forma a sua composição mineral está associada a diferentes utilizações no âmbito da saúde, prevenção e bem-estar.
As Termas Centro de Portugal apresentaram recentemente na Termatalia - Feira Internacional de Turismo Termal, Saúde e Bem-Estar, evento realizado em Ourense, Espanha, uma inovadora prova orientada de águas minero-medicinais da Região Centro. A Thermal Water Experience mostrou como as diferentes composições minerais das águas termais estão associadas a distintas utilizações no âmbito da saúde e do bem-estar.
A experiência foi conduzida por Ricardo Machado, sommelier de águas formado pela Academia Doemens, na Alemanha, que guiou os participantes numa descoberta sensorial e científica das águas das Termas de Monfortinho, Termas do Vale da Mó, Termas da Curia e Termas da Piedade. O especialista explicou a origem geológica das águas e de que forma os minerais dissolvidos em cada uma lhes conferem características distintas, relacionando as diferenças de composição e sabor com o seu contributo nutricional e as suas utilizações em medicina termal.
“Cada Água Mineral Natural é única. A sua composição e identidade resultam de um longo percurso subterrâneo, moldado por um conjunto complexo de fatores geomorfológicos, geológicos e microbiológicos. É esta combinação singular de condições naturais que dá origem a águas com características distintas e enquadradas em diferentes famílias hidroquímicas, como as águas sulfúreas, hipossalinas, bicarbonatadas, gasocarbónicas, cloretadas e sulfatadas”, explica Carla Lourenço, Diretora de Serviços de Recursos Hidrogeológicos e Geotérmicos da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que assistiu à Thermal Water Experience em Ourense.
A hidrogeóloga acrescenta que foi “com particular interesse” que acompanhou a experiência com águas minerais naturais utilizadas em termalismo, uma iniciativa que considera “inovadora e enriquecedora”. “De forma pedagógica, dinâmica e envolvente, a sessão permitiu dar a conhecer a diversidade de perfis hidroquímicos destas águas e a relação entre a sua composição natural e as sensações gustativas que proporcionam, desafiando os participantes a descobrir como os diferentes constituintes minerais influenciam o sabor de cada água”, sublinha.
A sessão permitiu ainda explicar de que forma minerais como o cálcio, o magnésio, o ferro, a sílica ou o sódio desempenham diferentes funções no organismo e podem contribuir, consoante a composição da água e a quantidade ingerida, para a hidratação e o equilíbrio mineral.
Conhecer a composição da água ajuda também a compreender o seu potencial contributo para a saúde. Alguns dos minerais presentes nas águas minero-medicinais podem apresentar boa biodisponibilidade, embora esse contributo dependa da composição específica de cada água, dos teores minerais e da quantidade ingerida.
Nas Termas de Monfortinho, em Idanha-a-Nova, a água apresenta uma mineralização muito baixa e composição silicatada, sendo a sílica uma das suas características distintivas. O silício tem vindo a ser estudado pela sua relação com os tecidos conjuntivos, nomeadamente a pele, os ossos e as cartilagens. A estância termal apresenta indicações terapêuticas, entre outras áreas, para patologias da pele.
Já nas Termas do Vale da Mó, em Anadia, a água é bicarbonatada, magnesiana e ferruginosa. O magnésio desempenha funções importantes no organismo, nomeadamente ao nível da função muscular e do metabolismo energético, enquanto o ferro é um elemento essencial em diversos processos fisiológicos. A estância possui indicações termais relacionadas, entre outras, com algumas patologias do sangue, incluindo anemias por carência de ferro, e do aparelho digestivo, no âmbito de tratamentos prescritos e acompanhados clinicamente.
A água das Termas da Curia, também em Anadia, caracteriza-se pela sua composição sulfatada cálcica. O cálcio é essencial para a manutenção normal dos ossos e dos dentes e desempenha também um papel importante na função muscular. A presença deste mineral constitui, por isso, um dos elementos diferenciadores do perfil desta água. Estudos realizados com águas minerais ricas em cálcio demonstram que este mineral pode apresentar uma elevada biodisponibilidade, reforçando o interesse destas águas enquanto fontes complementares de cálcio.
Nas Termas da Piedade, em Alcobaça, encontra-se uma água de mineralização elevada e composição cloretada sódica. A estância apresenta indicações terapêuticas em diferentes áreas, incluindo patologias do aparelho digestivo, da pele e do foro reumático e músculo-esquelético, através de diferentes modalidades de tratamento termal.
A experiência permitiu, assim, evidenciar a importância da hidratação e dos minerais ao longo da vida, no âmbito da saúde preventiva e do envelhecimento saudável. A composição mineral, a quantidade ingerida, a forma de utilização e o contexto terapêutico são fatores determinantes para compreender o contributo que cada água pode dar ao bem-estar e à saúde.
“A água é a essência do termalismo e conhecer a sua composição ajuda-nos a compreender melhor porque é que cada estância tem características e vocações diferentes. Com esta experiência de prova orientada de águas minero-medicinais, procurámos aproximar este conhecimento das pessoas e mostrar que o termalismo não é apenas tratamento: é também prevenção, bem-estar, qualidade de vida e uma forma mais consciente de cuidar da saúde”, afirma Artur Salvador, coordenador das Termas Centro de Portugal.
A iniciativa integrou a participação das Termas Centro de Portugal na Termatalia, que resultou de uma parceria entre a Inov@termas e a Turismo Centro de Portugal, e reforça a nova proposta apresentada sob o conceito “Entra em Modo Termal”, que procura aproximar o termalismo de diferentes gerações e valorizar o património hidromineral da região, mostrando como saúde, prevenção, bem-estar, natureza e qualidade de vida se podem complementar.
Com 20 estâncias termais entre a serra e o mar, as Termas Centro de Portugal representam um património hidromineral assente em águas minero-medicinais com diferentes composições, características e indicações terapêuticas. A valorização desse património passa também por dar a conhecer melhor a água, os seus minerais e o papel que pode desempenhar num estilo de vida mais atento à prevenção e ao bem-estar.
A utilização terapêutica das águas minerais naturais deve ser realizada de acordo com as indicações reconhecidas para cada estância e, quando aplicável, sob prescrição e acompanhamento médico.
Sobre as Termas Centro de Portugal
A rede Termas Centro de Portugal, cujo promotor líder é a Inov@termas - Centro de Inovação e Qualificação, é um projeto cofinanciado pelos programas operacionais Centro 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia, no âmbito da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos).
A rede reúne atualmente 20 estâncias termais: Águas–Penamacor, Alcafache, Almeida–Fonte Santa, Bicanho, Caldas da Felgueira, Caldas da Rainha, Carvalhal, Cró, Curia, Ladeira de Envendos, Longroiva, Luso, Manteigas, Monfortinho (em manutenção), Piedade, Sangemil, São Pedro do Sul, Unhais da Serra, Vale da Mó e Vimeiro (em manutenção).
*Luís Miguel Nunes
Consultor de comunicação












