sábado, 12 de dezembro de 2015

PORQUE DOAR SANGUE?

Naturalmente doamos sangue porque alguém dele precisa. Pela facilidade e segurança com a qual pode ser retirado, associado ao enorme beneficio para quem dele necessita, doar sangue pode ser considerado um gesto simples de pessoas dispostas a ajudar o próximo, contribuir para a cura de enfermos.

Quando doado para aquele que não conhecemos pode ser considerado um acto de profundo humanismo e respeito ao próximo.

Um maior conhecimento dos riscos das transfusões, uma nova consciência dos profissionais dos serviços de sangue associados à pressão regulamentar dos órgãos fiscalizadores, tem tornado a doação um processo seguro, sem riscos para o doador, e essencial para garantir a qualidade do processo, desde a colheita até a transfusão.

O dador de sangue deverá ser voluntário, estar com boa saúde, alimentado, descansado. Deverá ser maior, isto é, ter mais de 18 anos (por questões legais) e ter peso superior a 50 kg. Deverá ser respeitado um intervalo desde a última doação de 4 meses para a mulher e 3 meses para o homem. Em alguns países o período de intervalo é mais reduzido.

Uma triagem clínica será efectuada no Posto Fixo da ADASCA (local onde se efectuam 6 a 8 sessões de colheitas) por médico que o examinará, medindo a pressão arterial, e procurando sinais de doenças transmissíveis. Uma anamnese dirigida é feita com o objectivo de detectar o uso de medicamentos, infecções virais recentes, vacinações, gravidez, alcoolismo, que podem ser causas impeditivas temporárias.

Grande importância é dada a história sexual, uso de tatuagens e drogas na tentativa de se afastar os indivíduos do grupo de risco para a AIDS, Hepatite e outras doenças transmissíveis. Pacientes de grupos de risco, que tiveram hepatite, malária ou portadores de Doenças de Chagas são considerados inaptos temporariamente para a doação. Toda ênfase é na protecção ao paciente.

Ao doador procura-se ser grato, reconhecer o seu acto de altruísmo e oferecer conforto. O ambiente é claro, silencioso, agradável. As pessoas são simpáticas e eficientes. O acto de doar é simples e dura mais ou menos de 30 minutos. Algum desconforto pode ser causado pela punção da agulha e alguns dadores podem sentir-se desconfortáveis pela ansiedade. Todo o material utilizado é descartável e não poderia ser hoje de outra forma: bolsas plásticas estéreis em sistema fechado e inviolável até o momento do uso. Nenhuma doença transmissível poderia ser transmitida ao dador uma vez que nada é nele injectado.


Aliás, quem conhece a sede e Posto Fixo da ADASCA sabe das condições que são dispensadas, mais é impossível…

A doação portanto é segura e confiável. Após a doação o dador receberá um lanche e será informado sobre como vai receber os resultados dos exames feitos ao seu sangue.

É importante desmistificar a ideia de que doar "purifica" o sangue, engorda ou emagrece, atrapalha o desempenho sexual e principalmente torna o indivíduo "habituado" obrigando-o a doar sempre, trata-se de conceitos descabidos.

Com a evolução das técnicas, existe hoje nos centros especializados um tipo diferente de dador que torna-se mais frequente e provavelmente será maioria dentro de alguns anos: O "Doador de Plaquetas". Equipamentos especiais permitem que através de uma técnica conhecida como aférese, separemos apenas um componente do sangue do doador, devolvendo-lhe o restante.

Extremamente útil para colheita de plasma, plaquetas e leucócitos exigem maior dedicação do dador ao tempo em que permite um melhor aproveitamento.


Seja você um doador de sangue. Vamos juntos salvar vidas!

Doar sangue é simples! Em Aveiro existe o Posto Fixo da ADASCA localizado no Mercado Municipal de Santiago, 1º. Piso. Mais informações no site: www.adasca.pt

SNOBISMO E FILOSOFIA

Há uma ideia popular de que o filósofo é um tipo que sabe falar eloquentemente e que pensa muito sobre a vida. A famosa estátua do pensador de Auguste Rodin transmite essa imagem, a do sujeito que está a pensar. Mas nunca se sabe o que está o pensador de Rodin a pensar. Bem, é uma estátua e as estátuas não pensam. Mas a forma como olhamos para a estátua é também a forma como olhamos para muitos supostos filósofos. São tipos que pensam, que pensam tão profundamente que nunca sabemos bem o que estão na verdade a pensar (se é que estão a pensar coisa alguma). Deve ser por causa disto que nas escolas secundárias por onde passo, quando estou cheio de sono e sem paciência para conversar ou conviver, há sempre alguém que deixa escapar o comentário: “Então, o filósofo está a pensar? Não penses demasiado”.

Nesses momentos não estou realmente a pensar, pelo menos a pensar filosoficamente, mas estes comentários fazem-me questionar se um tipo a pensar é parecido com um tipo cheio de sono. Segundo essa imagem popular, até é. Tal como um cientista é um tipo de bata branca, óculos muito graduados, cabelos no ar e língua de fora, um filósofo é um tipo com ar sonolento. Claro que o ar de sono numa pessoa que não estudou filosofia não passa disso mesmo, ar de sono. Mas o ar de sono em alguém que estudou filosofia já não é ar de sono, é ar de pensador solitário e afastado das amarras da pobre realidade. E claro que isto é idiota. Mas é um facto que muitos filósofos fazem desta idiotice um modo de cuidar da sua imagem pública. Ainda me lembro do meu ex-professor de universidade a quem passei umas cassetes com uns discos gravados e quando o questionei se tinha gostado dos discos respondeu (com ar de sono): “Sabe, não sei pois a minha percepção da realidade parece-me transfigurada nos últimos tempos e sou incapaz de formar uma opinião de gosto”.

Já na altura estas palavras a nada me souberam e postulei a hipótese de que aquela atitude não passava de gabarolice. Como saberia aquele professor qual o momento em que a sua percepção não estava perturbada ao ponto de lhe possibilitar uma opinião de gosto? Se estivermos com gripe a nossa disposição para ter uma opinião gustativa fica realmente muito perturbada.

Não posso dizer que também não me aproveitei um pouco desse snobismo filosófico. Deu-me jeito para disfarçar alguma timidez com as raparigas. Ou bebia uns copos, ou exibia-me como um tipo sério, profundo e complexo, com uma capacidade de amar platónica e com uma extraordinária sensibilidade de análise da realidade e da vida. E acreditava naquilo, na altura. Mais tarde li em livros que estas coisas não passam de snobismo e eu sabia-o bem, mas não me dava jeito admiti-lo. Não posso jurar que os meus professores snobes o fossem somente para impressionar as raparigas, mas o snobismo filosófico serve para impressionar pessoas diferentes em circunstâncias diferentes.

Por exemplo, na mais simples tarefa da vida social, o snobismo filosófico pode servir para nos prestarem mais consideração no atendimento público. As pessoas apercebem-se que aquele tipo de ar sonolento é inteligente. E o snobismo filosófico serve também para que considerem o snobe um tipo culto, quando na verdade nem o é assim tanto. Fica sempre bem lançar, a meio de uma conversa qualquer (o snobe não discute nem argumenta) uma qualquer citação de cor, que se aplica como se encaixasse perfeitamente na situação. “Como disse…” — e pimba, cita-se um autor que toda a gente respeita mas ninguém realmente lê. Esta atitude é capaz de impressionar os mais incautos.

Mas o snobe tem os seus inimigos declarados. Entre eles encontramos aqueles que têm a mania que são muito práticos e que não estão para aturar as metafísicas delirantes. Para esses, os snobes filosóficos tiram mestrados e doutoramentos, dizem ler os livros no original e ostentam um ar altivo e sempre interrogativo. Das situações mais cómicas é encontrar um snobe filosófico e um indivíduo que tenha a mania de ser muito prático. É que nem um nem outro são muito práticos e em regra a confusão é quase certa.

O snobe não lê livros introdutórios. Esses são, para os snobes, muito básicos, elementares. Fala deles como quem fala de um qualquer livro de crianças, ou daqueles que toda a gente lê só porque são muito acessíveis. O snobe despreza o conhecimento comum e a divulgação do saber e isto porque essa divulgação ameaça precisamente a posição pseudo-intelectual e pseudo-sapiente do snobe.

Um dos aspectos curiosos que os snobes têm quando alguém discorda deles é atirarem logo à cara do seu interlocutor que essa questão não é simples, que se trata de uma questão muito mais profunda e que exige uma investigação séria. O snobe afirma que investiga tudo mas tem o hábito de passar mais tempo a falar do que a investigar, e passa mais tempo a citar de cor autores do que propriamente a discutir problemas. O snobe é um exibicionista do conhecimento dos outros, uma espécie de vendedor de colchões a fazer permanentemente montra do seu produto sem compreender muito bem de que é feito esse produto.

Mas onde encontrar os snobes? Os snobes começam por ser adeptos ferrenhos do carreirismo académico e por isso as universidades são viveiros de snobes a tirarem mestrados, seminários de matérias esotéricas e doutoramentos. Raramente um snobe discorda de outro snobe. Falam como iguais, como elementos da mesma tribo. O que distingue os snobes das outras pessoas é o grau oferecido pelas instituições académicas. E raramente um snobe admite que falha. Em regra o snobe também sofre da mesma injustiça que Jesus Cristo e arrasta uma cruz quase do mesmo tamanho (ainda que a cruz dos snobes seja feita de esferovite).

Os snobes também gostam de falar “na minha tese”, “na minha investigação”, “na conferência que dei e que toda a gente aplaudiu”. Normalmente os snobes não escrevem livros. O que fazem é publicar na revista dirigida por outro snobe, que só os snobes lêem. O perigo de um snobe publicar um livro a expor as suas ideias (que como disse normalmente são ideias dos outros repetidas à exaustão), é o de ser lido por quem não é snobe, pelos filósofos e intelectuais simples mas sérios. Isso seria a morte do artista, razão pela qual normalmente os snobes odeiam os filósofos sérios que publicam livros sérios, que podem ser lidos por qualquer pessoa que por eles se interesse.

Na Crítica está disponível um pequeno livro que retracta bem o snobismo filosófico. Publicado há uns anos pela Gradiva/Jornal Público e traduzido por Desidério Murcho, chama-se Especialista Instantâneo em Filosofia e o autor é Jim Hankinson.

Rolando Almeida
Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Madeira

31 de Outubro de 2009 ⋅ Opinião


PORTUGAL PRECISA DE HOMENS...

Portugal precisa de HOMENS... de barba rija!
Portugal precisa de Homens...
Que não possam ser comprados;
Cuja palavra seja o seu compromisso;
Que ponham o carácter acima da riqueza;
Que possuam opiniões e vontade;
Que sejam maiores que as suas vocações;
Que não hesitem em arriscar;
Que não percam a sua individualidade no meio da multidão;
Que sejam tão honestos nas coisas pequenas como nas grandes;
Que não se comprometam com o erro;
Cujas ambições não se confinem aos seus próprios desejos egoístas;
Que não digam que fazem isto «porque todos o fazem»;
Que sejam fieis aos seus amigos através de todas as circunstancias;
Que não creiam que a astucia, a manha e a obstinação são as melhores qualidades para se triunfar;

Que não tenham vergonha ou receio de se por ao lado da verdade quando ela é impopular, que sejam capazes de dizer «Não» com força, ainda que o resto do mundo diga «Sim».


Joaquim Carlos

POLÍTICA

Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política é a ciência que tem por objectivo a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na Cidade-Estado, ou pólis), e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade colectiva). A política situa-se no âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam conhecimento como meio para a acção.

Dizia Aristóteles:
"Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as acções de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas, este objectivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política" (Pol., 1252a).

Enfim, a Política é tudo o que se relaciona à busca de acções para o bem-estar tanto individual como colectivo. Infelizmente, não é isso que os políticos em quem votamos têm praticado.


Defraudam a confiança do eleitorado, e seguidamente conduzem esse mesmo eleitorado a passar fome. Detesto essa esta gente mal-intencionada.

 No fim do mandato deviam ser conduzidos ao Supremo Tribunal de Justiça a fim de presta contas pelos actos que praticaram, principalmente pelos que mais lesaram o País em todas as suas vertentes, mas, como isso não acontece fazem o que lhes vai na real gana, na convicção de que nunca serão incomodados.


A qualidade dos políticos – a maioria – é deficiente, comprometida com elevados interesses económicos e financeiros, só assim se pode aferir o seu descrédito junto do eleitorado.

Nota: esta reflexão pode ser desenvolvida com a colaboração dos leitores, enviando os seus pontos de vista para o e-mail: editorlitoralcentro@gmail.com

POESIA SOBRE DESCONCERTO

Minha alma torturada não entendo;
Meu pensamento doido não conheço!
Procuro ver, em vão, se compreendo
a razão porque choro e entristeço.

II
Se algo de bom a vida me oferece,
tudo recebo a medo, a suspeitar!
Penso que a quem seu deus até esquece,
a vida pouco ou nada, tem p´ra dar!

III
Não tenho fé nos olhos tentadores
que serão para sempre os meus senhores,
que me dão forças extremas p´ra viver!

Eles risonhos tentam-me enganar.
E, eu que vivo só para os amar,
temo de um dia olhar e não os ver!


(Romarisa)

POESIA CORAÇÃO EM FESTA












Abre o teu coração à alegria,
Como o sulco à chuva
E ao grão que ela fará estalar.

Abre o teu coração à alegria,
Como as flores
Se abrem à Primavera,
Para receberem a vida.

Abre o teu coração à alegria,
Para que em ti viva
E contigo fique para sempre.

Dá a tua alegria
E sempre terás
O coração em festa!


(C. Donayre)

Cientistas acabaram de ligar uma revolucionária máquina de fusão nuclear


Cientistas da Alemanha alcançaram um marco importante na busca para obter energia a partir da fusão nuclear. Eles anunciaram que ligaram uma das maiores máquinas do seu tipo no mundo, e foram capazes de conter com êxito bolhas superquentes de gás hélio, também conhecido como plasma.