segunda-feira, 27 de junho de 2016

Quatro arguidos da operação ‘Roda Viva’ ficaram em prisão preventiva

Quatro dos 20 arguidos detidos na semana passada por corrupção e outros crimes relacionados com a aprovação fraudulenta de automóveis sujeitos a inspeção ficaram em prisão preventiva, indicou hoje a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

No âmbito da operação 'Roda Viva', que investiga suspeitas de crimes de corrupção relacionados com atividade empresarial com oficinas e inspeções de automóveis, a PJ deteve, na semana passada, 20 pessoas, entre os quais um inspetor da PJ, um militar da GNR, um elemento da PSP e inspetores de um centro de inspeção mecânica de automóveis.

Dos 20 detidos, 17 foram presentes, na sexta-feira, a um juiz de instrução criminal em Sintra, que decretou a prisão preventiva para quatro arguidos, refere a PGDL, sem pormenorizar.

O juiz aplicou também aos arguidos a suspensão do exercício de atividade e proibição de contactos, além do termo de identidade e residência, uma vez que os fundamentos invocados não foram julgados procedentes.

A PGDL adianta que os arguidos presentes a primeiro interrogatório judicial ficaram "fortemente indiciados" por corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influências, peculato, falsificação de documentos, acesso ilegítimo e abuso de poder.

Segundo a PGDL, os arguidos beneficiaram, entre novembro de 2015 e 21 de junho de 2016, "da aprovação irregular de viaturas pessoais e de terceiros, que sabiam não terem as condições mecânicas e de segurança para serem aprovadas".

A operação "Roda Viva", realizada na zona da Grande Lisboa, envolveu 200 efetivos da PJ e foram apreendidos nas buscas elementos probatórios e objetos relacionados com os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, abuso de poder, tráfico de influências e falsificação de documentos.

A investigação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) iniciou-se há cerca de oito meses, sob a direção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Sintra.

Fonte: Lusa
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NB: Enviem-nos as notícias das vossas localidades, os vossos eventos, com textos em Word e imagens em JPG para editorlitoralcentro@gmail.com serão de imediato divulgadas.


J. Carlos

Bruxelas deve recomendar sanções a Portugal e Espanha

O jornal francês Le Monde diz que a Comissão Europeia deverá recomendar ao Conselho Europeu sanções a Portugal e Espanha através da imposição de uma multa, que pode ir até 0,2% do PIB.
De acordo com o jornal francês, a Comissão Europeia vai "respeitar a legislação europeia" e impor sanções aos dois países por terem ultrapassado as metas previstas para o défice em 2015. Portugal teve um défice no ano passado de 4,4% em vez de 2,7%, enquanto em Espanha foi de 5,1% face aos estimados 4,2%.
A decisão só vai ser oficializada pela Comissão Europeia a 5 de julho, depois de ter estado prevista para meados de maio. Nessa altura, a decisão foi adiada devido às eleições espanholas que se realizaram este domingo.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou então que um país sem governo estável não deveria ser sancionado e que seria também impossível mostrar intransigência com Portugal.
Sobre as sanções, ouviram-se vozes a favor e contra
O líder do Eurogrupo defendeu que as sanções a Portugal e a Espanha são "absolutamente uma possibilidade". Jeroen Dijsselbloem alertou ainda que houve "uma razão séria" para manter o tema das sanções como uma possibilidade a avançar, já que o défice português de 2015 ficou acima dos 3 por cento, definidos nas regras europeias.
Já o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse de forma clara ser contraa eventual aplicação de sanções a Portugal por parte da Comissão Europeia, numa intervenção que foi muito aplaudida no Congresso do PS, no início de junho.
Uma das vozes a favor foi a do ministro alemão das Finanças. Wolfgang Schäuble, citado pela Bloomberg, afirmou que a decisão da Comissão Europeia de dar mais tempo a Portugal e Espanha para reduzirem o défice "não contribuiu para impulsionar a confiança" na Europa.
Fonte: TSF

ESTA EUROPA ESTÁ A ABRIR AS PORTAS AO NAZISMO DO QUARTO REICH E MERCADOS

Semana que começa ainda com a ressaca dos resultados Brexit, que ainda vai dar pano para mangas. Mais referendos a esta Europa dominada pelo neoliberalismo fascista estão anunciados ou pelo menos anunciada a vontade de os fazer. É caso para dizer: “o último a sair que feche a porta”.

Ontem realizaram-se eleições em Espanha. Nuestros hermanos votaram mais do mesmo, o impasse subsiste. O rei coça a cabeça. Coça, também estão a levar os políticos espanhóis. Os eleitores não confiam em lhes entregar maioria a um só partido. Se as querem façam alianças. No caso a aliança parece que vai ser com o PSOE, um partido pseudo socialista, como o PS em Portugal. Temos então o PP de Rajoy (certamente do rei e das elites que debulham os espanhóis) e o PSOE já em namoro. Comparativamente é como se fosse um Passos Coelho com o António José Seguro a governarem-se, perdão, a governar. Fiquemos para ver. Sentados e de caneta nas mãos, não vá o diabo tecê-las. Houve eleições no passado Dezembro. Agora em Junho… E daqui por mais seis meses é muito provável que Espanha arranque para novas eleições gerais. É aí que as canetas vão ser necessárias, para votarem uma vez mais… Os povos são uns curtidos, adoram votar em… mais do mesmo. Raramente assim não acontece. Está tudo programado nesta pseudo-democracia que é propriedade dos Mercados…

Vamos seguir para bingo ou então a prosa arrasta-se demasiado enfadonha. Por cá a Catarina, o Bloco de Esquerda, teve a Convenção. Dali saiu um título que fez cabeças rodopiarem. Publicámos também no PG: Convenção do BE. Se Bruxelas provocar Portugal haverá referendo, avisa o BE.

Ai nossa rica vossa senhora (qualquer delas). Que escândalo. Que extremismo. Que trampa, a Catarina disse aquilo mal, sem pensar. Sair… mas por fases. Primeiro sair do Euro (isso já devia estar a ser preparado há anos) e então depois da pseudo União Europeia que é propriedade só de alguns, principalmente da Alemanha e dos neoliberais-fascistas que pululam nos centros do poder em Berlim, em Bruxelas e afins. Muitos deles nem foram sequer eleitos… mas detêm poderes que nos esmagam. A nós, aos cidadãos europeus e aos que se intrometerem para derrubar as suas políticas e medidas ultraneoliberais, fascistas.

Vamos com calma. A UE vai cair de podre. Porque podre já está. Só falta cair.

É tempo de olhar o Atlântico, a Lusofonia, com olhos de ver e acções adequadas à vocação de Portugal no mundo. É hora de olhar o Índico e os países e povos com quem já tanto caminhámos e que depois os deixámos por deslumbramento com a pseudo UE. Além Atlântico e além Índico… tanto que há para descobrir. Tantas alianças que há para fazer, proporcionar vantagens e tirar vantagens num comércio e outras relações transparentes, saudáveis, cooperativas. Que unam povos e não que os subjuguem, os esbulhem, os enganem e explorem selvaticamente.

Qual UE? Esta UE não interessa a Portugal nem à maioria dos países periféricos! Esta UE é deles, dos que nos roubam a soberania, nos têm colonizado e querem mais, sempre mais. Insaciáveis, gerando a fome, a miséria. O espírito europeu de Jean Monnet e de outros já lá vai, subvertido e vendido aos Mercados selvagens, ao neoliberalismo fascista que está a abrir as portas ao nazismo do Quarto Reich.

Mário Motta / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Valdemar Cruz - Expresso

Y ahora qué haces, hermano?

1. O Partido Popular venceu as eleições legislativas em Espanha. Dos quatro grandes partidos ou coligações concorrentes, foi o único a conquistar mais votos ( 600 mil num total de 7,9 milhões) e mais deputados (de 123 para 137). Sobe em percentagem, em relação a dezembro, de 28,7% para 33,03%. Inclusive vence na Andaluzia, um feudo do PSOE, mas não consegue o grande objetivo de conquistar a maioria absoluta. O PSOE festeja a circunstância de ter conseguido manter-se como segunda forçamais votada, não obstante ter obtido o pior resultado alguma vez conquistado pelo partido desde 1978 (5,4 milhões de votos e 85 deputados, menos cinco que em dezembro). A coligação Unidos Podemos comprova que nem sempre a soma das partes dá um todo mais sólido. O conjunto dos votos (5,04 milhões) de Podemos e Izquierda Unida dá o mesmo número de deputados (71), masrepresenta uma perda de 1,2 milhões de votos se comparado com as candidaturas em separado dos dois partidos. O Ciudadanos, se foi em dezembro um dos grandes responsáveis pela descida do PP, com perda da maioria absoluta, contribuiu agora para a sua recuperação. O partido de Albert Rivera perde mais de 400 mil votos e oito deputados. Para lá da análise fria dos números, o problema está agora no modo como conseguirão estes partidos encontrar ou não soluções de governo nos próximos 23 dias. O problema é o dia seguinte e ninguém sabe o que pode acontecer. Comprova-se a falência do sistema bipartidário, traduzido numa alternância de décadas entre PP e PSOE. Qualquer dos partidos terá de procurar aliados ou alianças, sólidas ou conjunturais, para poder formar governo. Será complexo. Nem tem a ver com o argumento fácil sobre o que seria o especial caráter dos espanhóis. A questão é mesmo política. Os próximos dias serão de intensas negociações. Rajoy, ao proclamar-se vencedor, reclamou o direito a formar governo. Só o conseguirá se ocorrerem grandes mudanças de posições, em particular no Ciudadanos, mas também no PSOE. Ao longo da campanha eleitoral,nenhuma das principais forças concorrentes recuou um milímetro nas linhas vermelhas previamente estabelecidas para a existência de um acordo de Governo. O calendário começa a ficar cada vez mais apertado, até porque devia ser aprovado até final de setembro o Orçamento para 2017 e a direita tem muito poucas pontes para conseguir alargar a sua base de apoio. A incógnita é o Ciudadanos, cujo líder insistiu até á exaustão durante a campanha a impossibilidade de viabilizar um governo dirigido por Rajoy. Aceitará o PP abdicar do homem que o conduziu em consecutivas vitórias eleitorais e que levou ao extremo a personificação da campanha? E o PSOE? Estará disponível para contrariar tudo quanto disse Pedro Sánchez e viabilizar, nem que seja pela abstenção, um governo do PP? Que custos políticos teria uma decisão dessas? E como poderá proclamar-se partido hegemónico da esquerda e ao mesmo tempo viabilizar a governação de direita? Face aos resultados, a coligação natural seria a do PP com Ciudadanos (169 deputados), insuficiente, contudo, para alcançar os 176 deputados com que se faz uma maioria absoluta. Há muitas equações em jogo neste momento. É preciso contar com os partidos regionais, com as movimentações das múltiplas peças de um xadrez complexo,num país onde as posições se extremaram de tal ordem que ficou pouco espaço para a cedência e o diálogo. Nuestros hermanos estão num labirinto e ontem o El Mundo colocava mesmo à votação dos eleitores quatro hipóteses de formação de governo: PP+C’s(Ciudadanos); PP+PSOE; PP+PSOE+C’s; ou PSOE+Unidos Podemos+C’s. Se a política é a arte do possível, veremos se se esgotam nestes cenários as possibilidades, ou outras hipóteses surgem, como um governo dirigido por um independente passível de ser aceite pelos principais partidos. É a solução tecnocrática já ensaiada em Itália com Mario Monti, mas sem grandes resultados. Por fim, as sondagens corporizam uma das grandes derrotas da noite eleitoral. Falharam em toda a linha. Não aconteceu quase nada do que previram: o PP teve uma vitória bem mais folgada, o PSOE manteve o segundo lugar, Unidos Podemos não ultrapassou o PSOE e o Ciudadanos também esteve longe de manter os votos previstos.

2. Sobre os resultados do referendo na Grã Bretanha, apenas uma nota, face ao verdadeiro golpe em curso no Partido Trabalhista para desalojar Jeremy Corbyn, eleito há sete meses pelas bases com o triplo dos votos dos seus oponentes. Corbyn teve de enfrentar desde início um verdadeiro boicote de um importante grupo de deputados identificados com a ala direita do partido. Não apenas eles, mas também eles, aproveitam agora para tentar dar a estocada final num homem claramente situado à esquerda por não ter conseguido fazer a quadratura do círculo. Isto é, Corbyn, dizem, não teria mostrado grande empenho no voto pela permanência. Como se tivesse sido o dirigente do Partido Trabalhista a convocar ou desejar o referendo. Por isso, como dizia ontem um importante editorial do Guardian, "é preverso culpá-lo pela derrota de David Cameron". Ora cá está uma questão interessante para ser debatida nos próximos tempos: a União Europeia não é uma entidade neutra. Aplica políticas concretas, que exprimem a visão do mundo do dominante Partido Popular Europeu, executadas com a conivência de vários partidos/governos social-democratas. A dúvida, que se materializa na atitude de Corbyn, passa em perceber como é possível, hoje, na Europa, ter uma atitude crítica em relação à UE a partir de um ponto de vista de esquerda sem que, para o discurso dominante nos media, isso não signifique uma de duas coisas, ou as duas em simultâneo: ser colocado no mesmo saco de xenófobos ou neofascistas, ou ser acusado de pretender a implosão da Comunidade com uma visão radical, extremista, por assim a novilíngua ter passado a nomear tudo quanto esteja para lá dos tradicionais partidos da social-democracia, representados em Portugal pelo PS.

OUTRAS NOTÍCIAS

Por cá

O Bloco de Esquerda realizou em Lisboa a sua X Convenção, durante a qual Catarina Martins foi escolhida como líder única do BE. A sua moção de estratégia conseguiu 83% dos votos. Como noticia Paulo Paixão, Catarina defende que caso a EU opte por sancionar Portugal ou exigir mais impostos: "Portugal só pode dizer que está disposto a pôr na ordem do dia um referendo para tomar posição sobre a chantagem". Helena Pereira explica o que o BE quer em seis notas.

O PCP reuniu o seu Comité Central este fim-de-semana. Uma das conclusões apresentadas por Jerónimo de Sousa é passa pela “urgência e a necessidade de Portugal se preparar e estar preparado para se libertar da submissão ao Euro e garantir os direitos, o emprego, a produção, a soberania e a independência nacional”.

O Governo, noticia o Público, pretende manter o controlo periódico dos desempregados a receber subsídio, mas preparaalterações à forma como é feito o controlo e às sanções que lhe estão associadas. Uma das mudanças poderá passar por intercalar as apresentações quinzenais nas juntas de freguesia com deslocações aos centros de emprego.

A fachada do Hospirtal de Santo António, no Porto, vai ser limpa pela primeira vez em 250 anos. A Santa Casa da Misericórdia do Porto, proprietário do imóvel com 700 anos arrendado ao Estado, deverá lançar a obra no próximo mês de agosto.

O Portal Bibliotrónica disponibiliza gratuitamente on line mais de 3 mil livros em português. O projeto nasceu em 2007 no Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas autonomizou-se o ano passado. A generalidade dos livros está disponível em formatos que permitem a impressão ou que podem ser descarregados para leituras em diferentes dispositivos eletrónicos.

Lá fora

O Europeu de futebol continua a ocupar grande parte do espaço informativo. Depois de entediante vitória de Portugal sobre a Croácia escassos minutos antes de soar o “gong” que determinaria a marcação de grandes penalidades, também a França, a Alemanha, o País de Gales e a Bélgica conseguiram passaporte para os quartos-de-final. Atenção, hoje às 17 horas, a um jogo que poderá ser eletrizante: a Itália defronta a Espanha e já há quem fale de uma final antecipada.

Tentemos sair de uma visão exclusivamente eurocêntrica(Grexit, eleições em Espanha, Europeu de futebol) para dar outra notícia futebolística, mas relacionada com a Copa América, disputada nos EUA. O Chile venceu a prova pela segunda vez consecutiva ao derrotar, de novo a Argentina na marcação de grandes penalidades. As equipas terminaram o prolongamento empatadas a zero. Messi falhou uma das grandes penalidades e já anunciou a intenção de abandonar a seleção argentina, ao serviço da qual não conquistou nenhum grande troféu internacional.

No processo de digitalização dos fundos da antiga Biblioteca do Casino Gaditano, em Cádiz, foi encontrado um arquivo no qual estão 10 volumes da revista literária "Bentley's Miscellany", fundada por Charles Dickens e praticamente desaparecida em Inglaterra.

Catherine Deneuve será, com a beleza dos seus 72 anos, a primeira atriz a receber o prémio Lumière, atribuído a cada mês de outubro pelo festival com o mesmo nome, considerado o mais importante encontro de cinema clássico existente em todo o mundo. O festival realiza-se em Lyon, a cidade onde os irmãos Lumière inventaram o cinema.

FRASES

“Reclamo o direito a governar. Amanhã vamos falar com todos”. Mariano Rajoy, presidente do PP

“Não estou satisfeito. Nós, socialistas, queríamos ganhar estas eleições”, Pedro Sánchez, líder do PSOE

“Preocupa-nos a perda de apoios do bloco progressista”,Pablo Iglésias, dirigente da coligação Unidos Podemos

“Estamos dispostos a negociar, com uma condição: não podemos pôr os lugares no Governo à frente”¸ Alberto Rivera, dirigente do Ciudadanos

"Se Bruxelas impuser sanções, isso será uma declaração de guerra a Portugal. (…). Portugal só pode dizer que está disposto a pôr na ordem do dia um referendo para tomar posição sobre a chantagem". Catarina Martins, no encerramento da X Convenção do Bloco de Esquerda

"Os serviços públicos (…) sofreram pressões que se repercutiram nos mais pobres. É o que me disseram á porta de suas casas a idosa branca de classe trabalhadora, a cabeleireira britânica de origem asiática, o sírio responsável por uma pizzaria. É um erro dizer que estas pessoas são racistas. As suas inquietações são gerais e genuínas, e não devem ser subestimadas". Timothy Garton Ash, colunista, catedrático de estudos europeus na Universidade de Oxford

"Entre os meus censores havia colegas meus da Universidade da Cidade do Cabo. Por outras palavras, estava a relacionar-me no dia a dia com pessoas que em segredo – pelo menos para mim – estavam a julgar se me era permitido ser publicado e lido no meu próprio país". J. M. Coetzee, escritor sul-africano, prémio Nobel da literatura

O QUE ANDO A LER

Iniciei a leitura de um livro seguramente fora de moda, a avaliar pelo título, embora a primeira edição seja apenas de 2011, com uma nova edição lançada tão só há dois meses, na qual é incluído um novo capítulo. Trata-se de “Chavs: The demonization of the working class”, de Owen Jones, colunista do jornal inglês The Guardian e da revista New Statement e promete. Promete muito. Na apresentação da tradução em castelhano publicada em Espanha, diz-se no suplemento literário do El País, Babelia, que “Chavs mostra como o ódio às classes populares é um elemento essencial da ideologia dominante, cujas origens remontam às transformações económicas e políticas impulsionadas pela contra reforma neoliberal dos anos setenta”. Acrescenta o crítico que se trata “de um ensaio teoricamente robusto e de leitura acessível”. Por sua vez, Dwight Garner, dizia no New York Times que o livro coloca “a seguinte brutal questão: ‘Como é que o ódio à classe trabalhadora se tornou tão socialmente aceitável’?”. Aqui está um interessantíssimo tema para reflexão, em particular no contexto do resultado e das análises que têm sido feitas à distribuição e sentido da votação no referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Por hoje é tudo. Tenha um bom dia, com muitas notícias oriundas de todo o mundo. Mesmo se não consegue escapar à euforia do Euro, vá espreitando o Expresso on line. A cada hora que opassa há sempre muito para lhe contar. No final do dia tem o Expresso Diário.

O PROBLEMA É ESTA EUROPA

Rui Sá* – Jornal de Notícias, opinião

Contrariando mais uma vez as sondagens, os britânicos decidiram que não querem continuar nesta União Europeia!

Essa decisão maioritária, e com uma afluência às urnas que nos faz corar de inveja, juntou gente com razões diferentes e mesmo antagónicas. Mas creio que o denominador comum dessa decisão está na vontade de os britânicos tomarem novamente nas suas mãos o seu próprio destino - com tudo o que isso implica, de positivo ou negativo.

E este é um dos problemas de fundo desta Europa: a opção federalista, em que as vontades nacionais se submetem a uma pseudo "vontade europeia" que mais não é do que aquela imposta por diretórios de países, com a Alemanha à cabeça, e que procuram corporizar em desígnio europeu a cartilha das políticas financeiras, económicas e sociais do ultraliberalismo.

Europa construída de cima para baixo, imposta aos povos, sem respeitar as suas próprias decisões. A vergonha dos referendos repetidos (França, Irlanda) até darem o resultado pretendido, sendo que no ínterim se fizeram gigantescas campanhas de manipulação e/ou de atribuição de pseudobenesses aos eleitorados - mesmo agora, e procurando influenciar os resultados deste referendo, a União Europeia negociou com a Grã-Bretanha uma situação de exceção, designadamente em matéria de imigração, que devia envergonhar os seus autores. Ou, em Portugal, onde PS, PSD e CDS nunca consideraram o povo português como digno para se pronunciar sobre cada fatia de soberania amputada ao país a cada tratado sucessivamente aprovado numa espiral federalista (com a vergonha do tristemente crismado "Tratado de Lisboa", terminar com Sócrates a confidenciar a Durão Barroso, "porreiro, pá!"...).

Europa que enxovalha os países, como vergonhosamente aconteceu com a Grécia. E como tem acontecido com Portugal e Espanha, ameaçados por sanções que não foram aplicadas à França, porque, como diz Juncker, a "França é a França"!...

Bem sei que, agora, tal como sucedeu a cada referendo que rejeitava tratados, os eurocratas vão encher a boca com palavras que afirmem a necessidade de "reformar" a Europa, de a "aproximar dos cidadãos", de voltar ao "espírito dos pais fundadores". Mas os atos falam por si: perante a decisão dos britânicos, Merkel, à revelia das próprias instituições europeias, convocou os líderes de alguns países europeus e alguns dirigentes da UE (mostrando que os outros, entre os quais se inclui Portugal, continuam a não contar!...).

É por esta e por outras razões que cresce em mim a convicção de que esta Europa não é reformável...

*Engenheiro

Reino Unido. BREXIT: “SAÍMOS DE UM AVIÃO QUE SE VAI DESPENHAR. BOM VOO”

Um reformado de 78 anos que votou para o Reino Unido sair da UE e um economista de 27 que queria ficar explicam ao JN em Londres o que sucedeu.

"Não há volta. Se a decisão foi pela saída, sairemos". Glenn Jobs, 78 anos, um reformado que enriqueceu com catering, parece decalcar as palavras do primeiro-ministro David Cameron antes de cair na demissão e no referendo que ditou a extração do Reino Unido da União Europeia (52% pela saída, contra 48%; a diferença é de 1,2 milhões num eleitorado de 46 milhões).

Glenn até usou a metáfora do voo de Cameron, mas para a retorcer: "Se quisermos sair de um avião em andamento, podemos sair, mas depois não há forma de voltar a entrar", disse Cameron em campanha, frase que agora Glenn engrossa: "Mas, quem raio é que quer ir num avião que se vai despenhar? Por isso, bom voo para vocês, os da UE. Mas, se fosse eu, via já onde é que estão os paraquedas, isto é, se os houver...".

"Mas, quem raio é que quer ir num avião que se vai despenhar? Por isso, bom voo para vocês, os da UE. Mas, se fosse eu, via já onde é que estão os paraquedas, isto é, se os houver..."

Glenn, que veio para Londres das Caraíbas em 1959, aos 21 anos, e lembra-se do império de outras eras, é da faixa etária do eleitorado que mais peso imprimiu à saída (61% dos maiores de 65 anos votou "Brexit"). "Eu vi como este país dantes era melhor, antes até da adesão de 1973. Era mais fácil ter emprego, havia mais benefícios, os bancos emprestavam bom dinheiro, não se gastava tanto a assistir emigrantes que não nos trazem riqueza", diz Glenn.

A seguir desfia o que o Reino Unido vai ganhar: "Soberania, total controlo da migração, regulação económica que faça sentido para nós". E diz o que o irrita ("a eurozona é um desastre") e diz o que o fez mesmo votar para sair: "A crise financeira de 2008, que nos afundou no paquiderme da UE, e a contínua crise de refugiados da Síria, aqui tratada com excesso de liberalidade".

Glenn, que se entretinha na tarde londrina deste domingo a apostar em cavalos e no França-Irlanda ("olha, ganhei três vezes o que pus na vitória dos frogs!"), tem uma família grande de seis votantes. Diz que todos estiveram unidos no não à UE. E agora, Glenn, quem quer a governar? "Fácil: o Boris [Johnson, conservador], ele saberá defender-nos do mal da UE".

Mas eles perderam a cabeça?

"Agora vai ficar tudo mais caro! Isto é muito claro. Não sei onde é que eles tinham a cabeça", diz Luke Wright, 27 anos, financeiro na City e que sabe realmente de números.

"Ora bem, a libra já está a desvalorizar, ontem uma libra valia 1.37 dólares e 1.23 euros. Há um ano valia mais: 1.57 dólares e 1.40 euros. É a maior desvalorização desde 1980!", diz ele a consultar o iPhone. E dá exemplos: "Os ingleses que vão de férias para o vosso solarengo país, o Algarve (são os da classe operária e que ganham menos, não é?), bom, a esses agora vai ficar tudo mais caro, comida, hotéis, entretenimento, tudo, simplesmente porque a libra vai deflacionar".

Luke, que faz parte da geração que votou maioritariamente para ficar na UE (56% na faixa etária 25-49 anos; nos de 18-24 anos foi 75%), continua a informar bem: "Mas aqui os preços também vão subir: tudo o que for importado, comida, eletrónica, roupa, gasolina, vai encarecer, não só pelo embate com o dólar, mas pelas novas taxas alfandegárias que se vão criar - o aumento na gasolina vai ser já sentido porque o crude é referenciado em dólares".

No imobiliário, pode haver um efeito curioso, diz ele: "O preço das casas vai descer, algures entre 5% e 15%, pondo fim à subida contínua desde o século passado. É a única coisa boa que vejo. De resto, o céu parece-me muito carregado para nós", diz Luke que acha que quem votou para sair "não é solidário, não é global e é definitivamente racista".

E conclui a olhar para Oeste: "Isto favorece os populistas e os políticos hipócritas. Já viu que nos EUA pode ficar a mandar Donald Trump e aqui Boris Johnson, dois demagogos sem qualidades? E nem vou falar do cabelo ridículo dos dois!".

José Miguel Gaspar, em Londres – Jornal de Notícias

Espanha. MARIANO RAJOY RECLAMA “DIREITO DE GOVERNAR”

O líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, vencedor das eleições deste domingo em Espanha, reclamou "o direito de governar" e prometeu estar "à altura das circunstâncias".

"Ganhámos as eleições, reclamamos o direito de governar. Agora o que se trata é de ser 100% útil a todos os espanhóis, os que votaram em nós e os que não votaram. Estamos à disposição de todos", declarou Mariano Rajoy, num discurso a partir de um palanque onde se lia em letras garrafais, "Gracias" (obrigado), na capital espanhola.

O PP elegeu este domingo 137 deputados, mais 14 que nas eleições de dezembro passado, mas ainda assim longe dos 176 mandatos necessários para garantir a maioria absoluta no congresso espanhol.

O líder conservador foi recebido aos gritos de "Presidente, Presidente" e começou o seu discurso com a expressão "Sim, é possível", mensagem repetida pelos milhares de apoiantes.

"Somos espanhóis, com muita honra e orgulho, e defendemos os interesses gerais dos espanhóis acima de qualquer outra consideração. E este partido merece respeito", disse, num discurso que foi frequentemente interrompido pela multidão, com cânticos como "E viva Espanha" ou "Campeões, campeões".

Espanha vive "uma situação difícil" e tem "à sua disposição um instrumento muito importante que nunca irá falhar, nem a Espanha nem aos espanhóis, votem em quem votarem, e que é o Partido Popular", afirmou Rajoy.

"A partir de amanhã teremos de começar a falar com todos e assim o faremos", com o objetivo de "defender Espanha e 100% dos espanhóis", garantiu.

O responsável do PP, que tem liderado o governo de gestão desde dezembro passado, afirmou que "foi duro, foi difícil, foi complicado" e assegurou que o seu partido, do qual se declarou "enormemente orgulhoso", apenas trabalha "em defesa dos interesses gerais dos espanhóis, sem estar às ordens de ninguém".

"Foram quatro anos complicados e difíceis, mas Espanha agora já está a erguer a cabeça. Estamos na boa direção, vamos continuar. Ganhámos as eleições e estamos, como sempre, à disposição do povo espanhol. Como sempre", disse.

"Ganharam os democratas, a liberdade e os direitos das pessoas", acrescentou.

Numa intervenção em que não se referiu aos partidos adversários, Rajoy assegurou que a direção do PP "vai estar à altura das circunstâncias" e "fará tudo o que possa para que Espanha e os espanhóis estejam cada melhor".

"Somos uma grande nação, das melhores do Mundo e da Europa, e vamos estar à altura das circunstâncias", insistiu.

Jornal de Notícias - Na foto: Mariano Rajoy - Marcelo del Pozo/REUTERS

ELEITORES ESPANHÓIS NÃO DERAM ORDENS PARA GOVERNAREM COM MAIORIAS





Quando cerca de 99% dos votos estão escrutinados as eleições em Espanha tiveram por resultado um pouco mais de deputados para o PP, menos para o PSOE, mais para Unidos Podemos, como principais partidos políticos no país vizinho. 

Para assegurarem a maioria no parlamento são necessários 176 deputados eleitos, número longe de qualquer das forças políticas referidas. Nem em coligação o PS e o Podemos conseguem obter o número mágico para uma maioria (176).

Como nas eleições anteriores, em Dezembro de 2015, os resultados eleitorais não trouxeram novidades substanciais. É de perspetivar que as dificuldades em formarem governo estável se mantenham.

Foi mais do mesmo, em Espanha. O que mudou foi o crescer do número de abstencionistas. (PG)