domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sociedade! As 50 sombras de Grey à moda dos guardas prisionais

Crónica semanal sobre decisões judiciais
Durante um mês e meio, o guarda prisional Joaquim, duas a três vezes por semana, saltava um muro no interior da cadeia feminina e dirigia-se à vacaria. Aí, as reclusas Rosa e Rosalina, que habitavam um quarto nesta "ala" da prisão feminina, esperavam-no para o habitual animado serão, recheado com vinho e televisão. Joaquim, segundo confessou o próprio, gostava da Rosa, mas, de acordo com o auto de interrogatório, "nunca manteve trato sexual com a mesma". Sim, um guarda prisional diz "trato sexual". "Apenas conversavam, os três ou os dois, caso a reclusa Rosalina adormecesse", continuou. Porém, o depoimento desta última tramou Joaquim.

É que segundo Rosalina "a situação vivida no quarto da vacaria era particularmente desagradável". A reclusa não se referia, no seu depoimento, ao cheiro, mas sim ao facto de o guarda Joaquim ir "a essas instalações para manter relacionamento de cópula completa com a Rosa". Cópula completa, disse. Das duas uma: ou esta prisão é usada exclusivamente para licenciadas em Direito ou as reclusas, em vez de a "Nova Gente" ou a "Caras", preferem ler a "Colectânea de Jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça".

Sucede que, ainda de acordo com o depoimento de Rosalina, a tal cópula completa decorria no "exíguo quarto" que ambas partilhavam, sendo que as camas de ambas estão separadas por um escasso metro. Por isso, "para não ser incomodada e oferecer alguma privacidade" ao casalinho, Rosalina, naquelas duas, três vezes por semana, "tinha que permanecer deitada de costas" para o casal e "virada para a parede". Ao mesmo tempo, "para não ouvir os ruídos da intimidade" (ficamos a saber que a cópula completa provoca ruídos), Rosalina recorria a uns "phones", os quais "tinha que manter nas orelhas". Desta vez, falou claro. Disse "orelhas" e não "canal auditivo externo". Perante os factos, em 1998 o ministério da Justiça decidiu, após processo disciplinar, reformar compulsivamente Joaquim. Este ainda recorreu para o Tribunal Central Administrativo do Sul, que manteve a pena, num acórdão de 2001. Os juízes foram claros: Joaquim demonstrou "incompreensão" do que é ser "funcionário". A este, explicaram os magistrados judiciais, exige-se que "no local de trabalho" apenas persiga a "satisfação do interesse público". Ou seja, está vedada a cópula completa com interesses privados.

A triste vida sexual dos guardas prisionais foi ainda abordada noutro processo, que chegou ao Supremo Tribunal Administrativo em Outubro de 2006. Neste caso, os juízes tiveram que analisar outra aposentação compulsiva de um guarda prisional de 2ª classe. Encontrando-se escalado certo dia para fazer "vigilância" numa das torres da cadeia feminina, o rapaz, porém, foi apanhado noutros preparos.

Tudo começou quando na noite de 3 de março de 2002 a reclusa "Maria" (chamemos-lhe assim) "deslocou-se ao sanitário" da sua cela "a fim de satisfazer as suas necessidades", lê-se. Resolveu então fumar um cigarro, pelo que correu a cortina para abrir a janela. Neste movimento, avistou do lado de fora "um guarda com as calças despidas até aos joelhos a masturbar-se em frente à sua janela, tendo a metralhadora colocada no chão a seus pés". Ao aperceber-se de "Maria" do outro lado da janela, o guarda "fez-lhe sinal com os dedos junto à boca para que se mantivesse em silêncio". O acórdão do Supremo refere que "Maria" ficou "indignada com o comportamento do guarda" e alertou as outras guardas, não esclarecendo se a indignação resultou da visão da masturbação ou da metralhadora aos pés. Pormenores...

Certo é que as guardas dirigiram-se ao exterior da cela de "Maria" e lá estava o colega "com as calças pelos joelhos, a masturbar-se, encontrando-se a metralhadora junto aos pés". Pelo menos, a arma não desapareceu. As guardas "chamaram o nome do colega", contudo este ignorou-as "continuando nos seus propósitos". Tudo o que tem um princípio, tem um fim, já se dizia na trilogia Matrix, nem que haja uma metralhadora ao pés, acrescenta-se.

Respondendo à acusação, o arguido argumentou que, ao contrário que lhe foi imputado, não estava a masturbar-se, mas sim "teve necessidade de urinar", pedindo, em sua defesa, uma "inspecção ao local para prova destes factos e circunstâncias". Argumentou que a zona é de baixa visibilidade, logo nenhuma das testemunhas poderia afirmar com certeza o que afirmou. Poderia, mas não fez, ter requerido uma inspecção lofoscópica ao local. E aí, sim, todas as dúvidas seriam esclarecidas após uma análise científica ao que restou daquela noite de 3 de março de 2002. Os juízes do Supremo mantiveram a reforma compulsiva. Mas no meio disto tudo, ninguém quis saber da principal vítima: a metralhadora, talvez uma velhina G3, um modelo que, brevemente, será substituído. Mas aquela levará para um qualquer ferro-velho ou museu o trauma de 3 de março de 2002.

Fonte: DN
Edição de 12/02/2017

Comentários
Jorge Alves · 
Guarda Prisional na empresa DGSP
Além disso, a estória é engraçada para quem não sabe ou não conhece o meio porque um Guarda Prisional ir à vacaria é no mínimo estranho e alguem ver um Guarda Prisiona na torre a fazer o que diz o jornalista é mais estranho mas verem a metralhadora, nos pés isso sim, é o top e com um jeitinho ainda conseguiam ver quantas munições tinha o carregador. 
Espetacular
Excelente texto completamente aleatório sobre guardas prisionais que abusam da sua posição (quem imaginaria?) carregado de ironia e sarcasmo claro, não vá alguem tomar o jornalista por estupido.
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Excelente crónica
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Elsa Costa
N percebi......
GostoResponder2 h

Ponte de D. Luís - Porto


A Ponte Luís I, popularmente também chamada Ponte D. Luís, é uma ponte em estrutura metálica com dois tabuleiros, construída entre os anos 1881 e 1888, ligando as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia (margem norte e sul, respectivamente) separadas pelo rio Douro, em Portugal.

Esta construção veio substituir a antiga ponte pênsil que existia no mesmo local e foi realizada mediante o projecto do engenheiro belga Théophile Seyrig, que já tinha colaborado anteriormente com Gustave...


Ponte Luís I, Porto, Portugal

O Conselho: QUEM É VOCÊ?


O Conselho,

Existem várias verdades e conceitos essenciais, relacionados e subjacentes em todas as informações, os quais estamos trazendo para você há algum tempo. Quando usamos a palavra essencial, queremos dizer exatamente isso. Mas não é apenas essencial para você entender com o seu intelecto o que está sendo dito, mas também é essencial que você saiba, na parte mais profunda de si mesmo, que estas são verdades.

Até que você tenha aprendido qual é o poder real, e onde ele está, até que você tenha aprendido quem você realmente é, e até que você saiba essas coisas, vivê-las e respirá-las, o despertar deve continuar.

Essas lições, se você quiser chamá-las assim, estão grandes pinturas em seu mundo para você ver agora. Há, por exemplo, vários exemplos inconfundíveis da diferença entre poder e força sendo jogados neste momento. O poder é inerente ao ser divino. Força precisa de armas. Força precisa de armadura para se esconder atrás. A força é sempre e sempre será um produto do medo, e procura criar mais medo. O poder só procura amar, criar e proteger.

Essas coisas estão muito visíveis agora, porque vocês criaram uma situação mundial que exige uma resolução, uma nova maneira de pensar, uma nova maneira de viver em seu mundo. O que você precisa perceber é que o medo, o ódio e a ganância que você confronta, só serve, equivocadamente, para se proteger através da força. Mas você também deve saber que quanto mais visível ela se torna, mais perto você está de alcançar o mundo livre e amoroso que você deseja e merece.

Agora, afirmamos que você deve conhecer e entender quem você é. E este parece ser um segredo grande e incognoscível. Mas não é. É assim apenas porque foi ensinado a você que a verdade, que lhe foi dito, é impossível, e você escolheu acreditar. Afinal, vocês dizem para si mesmos, como eu poderia ser um co-criador divino como O Tudo O Que É? E todas as belas explicações disto, se você escolher lê-las ou ouvi-las, permanecem apenas como histórias bonitas.

E assim, o que está acontecendo é que, você está vivendo situações que, retrospectivamente, mostram quem você é, onde o verdadeiro poder está, e como você cria seu mundo. Mas só será visto por aqueles que escolherem ver. Nos velhos textos, isto foi escrito como "aqueles que têm os olhos para ver". Despertar, é ter os olhos para ver. Despertar, é ter ouvidos para ouvir. Despertar, é ter a coragem de ser. Bem, você não pode não ser. Mas você pode ser e não saber, não possuir.

Se O Tudo Que Existe existir, e se você existe, então você é uma parte essencial disto. Isso é simples, direto, e não é difícil de entender. Compreender as implicações totais disso, também. O pensamento disto faz você se sentir pequeno, com medo, culpado? Não, é claro que não. É liberação e capacitação.

Isto não é para fazer alguém se culpar por qualquer pensamento. Não é para fazer alguém se sentir "errado" em tudo. É apenas para afirmar em termos cada vez mais inequívocos exatamente o que esta "mensagem" é, e sempre foi. Desejamos que você a leia, pondere, examine-a, mais e mais. Porque estas coisas são o fundamento do novo mundo que você irá construir, e está construindo.

Levem isso em seus corações. Peçam orientação de seus próprios Eu’s Superiores. Se você não ouvir as respostas, então sinta-as. Nos os encontraremos lá.

O Conselho

Ron Head
02/11/2016
Fonte: Oracles and Healers

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Oracles and Healers
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Traduzido por Blog Luz e Vida – Manaus/Brasil

Comentário: lê de tudo, mas, retende o bem, o que pode edificar a alma, alimentar o espírito. A censura não é boa companheira no Litoral Centro, pois entendemos que devemos escrever em liberdade, pensar em liberdade, expressar-nos em liberdade, sem o veneno do medo a crer curtar-nos a raiz do pensamento.

J. Carlos
Director

Se Deus é bom, por que as pessoas sofrem?

Valdis Grinstein
Jesus cura o cego de nascença - Duccio Di Buoninsegna, séc. XIV, National Gallery, Londres
Jesus cura o cego de nascença – Duccio Di Buoninsegna, séc. XIV, National Gallery, Londres

Indagação corriqueira e facilmente compreensível à luz da doutrina católica, infelizmente não mais ensinada com adequação nos dias atuais. Em consequência, vai se alastrando a incompreensão do plano de nosso Criador.


Muitas vezes encontramos pessoas que, sabendo da nossa condição de católicos, nos perguntam, como se fôssemos membros de uma religião absurda ou contraditória: “Por que Deus, sendo bom, deseja que as pessoas sofram?”.
Depois dessa pergunta são apresentadas outras, no mesmo sentido: — Por que as crianças adoecem? — Por que muitas vezes os bons morrem jovens e os maus vivem por muito tempo? — Por que há bandidos ricos e pessoas boas e pobres? — Por que alguns têm boa saúde, inteligência, sorte etc., enquanto para outros tudo sai errado? — Por que temos de morrer? E, nesse mesmo tom, prosseguem por muito tempo, no fundo queixando-se de que Deus operou uma criação imperfeita, mal organizada e, no fundo, injusta. E se é uma criação errada, como pode ser Deus? Como um Ser perfeito pode ser autor de uma criação imperfeita?
Observemos, de início, que as perguntas estão mal formuladas. A pergunta correta deveria ser: por que Deus deseja que soframos nesta vida? Que Deus é bom prova-o o fato de Ele desejar que sejamos felizes para sempre, mas na vida eterna.
As pessoas que fazem perguntas desse gênero não têm uma visão completa do problema. Seria como alguém que dissesse que o médico é mau porque operou uma pessoa do apêndice e a operação foi dolorida.

Provar o verdadeiro sentido do amor a Deus

A Criação - representação medieval
A Criação – representação medieval
Para responder corretamente a todas essas perguntas importa considerar o panorama inteiro. Que plano tinha Deus ao criar?
Ele, em sua bondade, colocou o homem e a mulher num paraíso onde eles dispunham de tudo que causa felicidade à nossa natureza. Possuíam ciência infusa, não adoeciam nem morriam e mantinham contato com o próprio Criador. Os teólogos julgam que no Paraíso Terrestre, conhecendo todas essas maravilhas, o homem devia aperfeiçoar-se com a contemplação delas e crescer no amor a Deus. E isto, de tal maneira que, em determinado momento, quando tivesse chegado a um alto grau de amor, iria diretamente para o Céu, sem morrer.
Entretanto, para que tal plano fosse perfeito, seria necessário que os homens passassem por uma prova. Qual a razão? Porque se alguém nos ama e nos concede tudo e nós não podemos oferecer-lhe nada em troca, sentir-nos-íamos frustrados. Era necessário que, em determinado momento, o homem, submetido a uma prova, pudesse dizer: “Pude escolher entre Vós, entre vosso amor e tal ou qual prazer; e como renunciar a esse prazer, provo assim o meu amor”.

O Criador altera o plano original

Mas, o que aconteceu quando Adão e Eva foram submetidos a uma prova no paraíso terrestre? E fracassaram completamente. Amaram a si próprios mais do que a Deus. Eles não sentiam inclinação alguma para o mal, não tinham falhas de inteligência ou qualquer motivo de queixa contra o Criador. Por isso seu pecado foi gravíssimo, muito mais grave do que os nossos, pois nascemos com inclinação para o mal. Tão grave, que Deus, em sua sabedoria, mudou o plano original.
Contudo, o que havia de mais importante no plano original da Criação, se manteve: o homem podia ir para o Céu e ser feliz por toda a eternidade. Apenas alterou a forma de alcançá-lo. Desde então, ele não mais viveria num paraíso nem teria todas as perfeições naturais possíveis. Pelo contrário, nasceria com o pecado original — que o inclinaria para o mal. Como consequência desse defeito, teria falhas de inteligência, más inclinações, falta de constância, adoeceria e, sobretudo, morreria para obter o Céu. Viveria numa Terra onde a natureza podia tornar-se uma inimiga, os animais serem-lhe hostis, como também ter de ganhar o pão com suor de seu rosto.
Mas, por outro lado, a graça de Deus o auxiliaria a tornar-se melhor; as numerosas provas decorrentes do pecado original fariam com que ele pudesse demonstrar constantemente seu amor a Deus ao vencê-las; o Criador conceder-lhe-ia uma instituição dotada de doutrina perfeita — a Igreja Católica — para guiá-lo pelo bom caminho; e, sobretudo, para reparar o pecado cometido, o próprio Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, viria viver entre nós, mediante o mistério da Encarnação.
Por que as crianças adoecem? Para mostrar como o pecado original afetou todos nós, até os inocentes.
Por que as crianças adoecem? Para mostrar como o pecado original afetou todos nós, até os inocentes.

O sofrimento nos purifica e conduz ao Céu

Embora seja verdade que Deus mudou seu plano original, o novo plano divino é mais perfeito que o anterior. E o demônio, que julgava ter obtido uma grande vitória quando induziu nossos primeiros pais a cometerem o pecado original, de fato perdeu ainda mais.
Se compreendermos o significado desse novo plano de Deus, teremos resposta para as perguntas formuladas no início. — Por que as pessoas sofrem? Porque com os sofrimentos elas compram o mérito que as conduz ao Céu. A uns o sofrimento leva a praticar virtudes como a paciência, a outros permite praticar virtudes como a caridade e a misericórdia. — Por que as crianças adoecem? Para mostrar como o pecado afetou todos nós, até os inocentes. Os pais veem na dor de seus filhos o efeito do pecado; e as crianças, na medida em que compreendem, vão aprendendo como as coisas deste mundo são passageiras e que o mais importante é amar a Deus. — Por que muitas vezes os bons morrem jovens e os maus vivem por muito tempo? Porque Deus leva os bons para o Céu, a fim de gozarem eternamente quando estão preparados, enquanto concede tempo aos maus para que se arrependam e façam penitência. — Por que há bandidos ricos e pessoas boas e pobres? Porque Deus, conhecendo em sua infinita sabedoria que há bandidos que vão se condenar e passar a eternidade sofrendo no inferno, lhes dá neste mundo o prêmio por alguma coisa que tenham feito de bom, enquanto permite muitas vezes aos bons praticarem por meio da pobreza virtudes como a humildade e a ganharem méritos para o Céu. – Por que alguns têm boa saúde, inteligência, sorte etc. e para outros tudo sai errado? Porque Deus tem um plano para cada pessoa, e a cada um concede qualidades na medida em que necessita para pôr em prática tal plano. Mas, como Deus é justo, a quem dá mais, pedirá mais. Por isso o julgamento de quem recebeu mais talentos, como inteligência, beleza, saúde, dotes artísticos etc., será mais severo para ele do que para quem recebeu menos talentos.

A tentação e o pecado original

Paraíso. Detalhe do quadro da Anunciação pintado por Fra Angélico e que se encontra no Museu do Prado, Madrid
Adão e Eva expulsos do Paraíso. Detalhe do quadro da Anunciação pintado por Fra Angélico e que se encontra no Museu do Prado, Madrid
Se entendermos o pecado original e seus efeitos, compreenderemos melhor muitas coisas. No paraíso, Deus havia concedido a Adão apenas uma proibição: a de não comer da árvore da ciência do bem e do mal. E deixou claro que morreria irremediavelmente caso o fizesse. Portanto, em seu amor pelo homem, Deus o tinha advertido do que poderia ocorrer. Mas o demônio, que já havia fracassado na sua prova de amor a Deus, fora autorizado a tentar os homens. E fê-lo então com Eva, colocando-lhe uma pergunta mentirosa: — Como lhes proibiu Deus comer o fruto de absolutamente qualquer árvore do jardim? Ao que Eva redarguiu com a resposta correta: que podiam comer o fruto de todas as árvores, exceto o de uma, pois do contrário morreriam. Ou seja, sabia perfeitamente o que Deus queria e o que ela fazia.
Eva deveria ter desconfiado do demônio, pois se alguém faz uma pergunta mentirosa, é porque alimenta má intenção. Portanto, ela cometeu o erro de não fugir da tentação. E continuou conversando. E o demônio uma segunda vez afirmando que não morreriam, mas que seriam como deuses. Ou seja, uma tentação de orgulho. Eva sabia perfeitamente como era Deus, cuja perfeição e beleza ela conhecia. Por outro lado, que prova tinha Eva de que a serpente sabia mais do que Deus? Se o Criador dizia uma coisa e a serpente outra, a quem deveria crer? Eva sabia perfeitamente que Deus tinha razão; contudo caiu na tentação do demônio, comeu o fruto proibido e foi tentar Adão a comê-lo também.
Adão não tinha falhas de inteligência como nós. E, como Eva, sabia perfeitamente que Deus tinha razão, que morreria caso comesse o fruto da árvore proibida. Por outro lado, também ser como um “deus” e agradar à mulher. Por isso, aceitou comer o fruto proibido. Seu pecado foi maior, porque ele era o principal, a cabeça da criação, aquele com quem Deus conversava ao passear no Paraíso (Gênesis 3,8).
Os efeitos do pecado original se fizerem imediatamente sentir. O homem e a mulher se viram desnudos e quando Deus perguntou a Adão por que ele pecou, este respondeu que foi a mulher que Deus lhe havia dado quem o tentou (Gênesis 3,12).

Deus castiga, mas tem pena do pecador

Cometido o pecado, sobreveio o castigo, sendo os seus protagonistas castigados na ordem em que pecaram, e justamente pelas razões por que pecaram. O demônio, cheio de orgulho e que desejava ser o primeiro na Criação, é castigado a ser o último, o menor, o mais desprezível. A mulher, que sonhava tornar-se uma “deusa”, estará submetida a seu marido. E o texto bíblico esclarece: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto, darás a luz com dores, teus desejos te impelirão para teu marido e tu estarás sob seu domínio” (Gênesis, 3, 16).
E Adão é também castigado. Não só terá de sofrer para produzir seu alimento, como a Terra, por sua culpa, recebe uma maldição e todos os seres humanos terão de morrer. E as portas do Céu estarão fechadas até que o pecado venha a ser reparado.
Mas Deus que é misericordioso, com pena do homem pecador, muda seu plano original e introduz outro, novo e melhor. E através de seus profetas promete enviar ao homem um Redentor, que repare o dano feito, a ofensa cometida.
A parte central e mais importante do novo plano é Nosso Senhor Jesus Cristo. O pecado cometido necessitava uma reparação, que deveria ser proporcional à ofensa praticada e à pessoa ofendida. Quem teria proporção suficiente para reparar uma ofensa feita a Deus? Só o próprio Deus. Por isso, Nosso Senhor veio à Terra para reparar tal ofensa. Também para nos dar exemplo de como sofrer e de resignação em nossas provações e limitações, por amor a Deus.
leitura-espiritual-2

O Divino Redentor, exemplo da aceitação da dor

Jesus Cristo era verdadeiro homem, e, portanto, “semelhante a nós em tudo, menos no pecado” (Heb. 4, 14-16). Sentia fome, sede, cansaço, porque deseja padecer como nós. Nas Sagradas Escrituras, vemo-lo manifestando sentimentos humanos: alegria, tristeza, surpresa, admiração, amor, indignação etc. Foi igualmente tentado pelo demônio como nós.
Mas há uma grande diferença. Como fomos concebidos no pecado original, temos em consequência dele, más inclinações. O sofrimento e as tentações nos educam e obrigam a praticar virtudes. Nosso Senhor não necessitava do sofrimento para produzir esses efeitos, pois era perfeito. Mas aceitou sofrer, para nos ensinar e dar-nos exemplo.
Em sua infinita sabedoria, quis nascer pobre, mas tendo como Mãe a mais perfeita das criaturas e como pai oficial um santo da Casa real de David. Assim o dispôs para nos patentear o primado das coisas espirituais sobre as materiais. Quis ser perseguido desde o início para nos mostrar que o pior não são as perseguições, mas o pecado; permitiu que o demônio O tentasse três vezes para esclarecer que os ataques do inimigo infernal faz parte das provas desta vida. Jesus foi caluniado, suas divinas intenções foram mal interpretadas, aqueles a quem curou milagrosamente não lhe manifestaram o devido agradecimento; e, por fim, todo o bem por ele praticado foi retribuído com a morte mais dolorosa e infame.
Nosso Senhor escolheu o sofrimento para nos ensinar a sofrer com resignação, sem rebeldia.
Mater Dolorosa
Mater Dolorosa

A Santíssima Virgem, modelo de amor à Cruz

Nossa Senhora foi isenta do pecado original. Mas escolheu o sofrimento para nos dar o exemplo de como devemos carregar nossas cruzes. Ela foi um modelo de humildade, o oposto de Eva, que pecou por orgulho. A Santíssima Virgem respeitava os Apóstolos como bispos da Igreja e reconhecia sua superioridade concedida por Deus.
Hoje, lamentavelmente, não se prega como anteriormente o amor à Cruz nem se explicam às pessoas os motivos pelos quais Deus permite o sofrimento. É um grande apostolado poder expô-los às pessoas conhecidas que não receberam adequadas lições de catecismo.
Peçamos a Nossa Senhora obter-nos de seu Divino Filho a graça de entender a razão dos padecimentos nesta vida, e de que as cruzes que Ele nos envia não são arbitrárias, mas fazem parte de um plano superior. Compreendendo e amando esse plano divino, estaremos em condições de alcançar a bem-aventurança eterna.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 791, Novembro/2016.


Frases selecionadas para reflexão

“Pietà de Tarascon”, pintura da escola provençal do séc. XV. Após a descida da Cruz, a Virgem Dolorosa sustenta o sagrado corpo de seu filho. À esquerda, São João Evangelista; à direita as três Marias. De joelhos Santa Maria Magdalena impregna de bálsamos os pés de Cristo. (Musée de Cluny, Paris [Foto PRC])
“Pietà de Tarascon”, pintura da escola provençal do séc. XV. Após a descida da Cruz, a Virgem Dolorosa sustenta o sagrado corpo de seu filho. À esquerda, São João Evangelista; à direita as três Marias. De joelhos, Santa Maria Magdalena impregna de bálsamos os pés de Cristo.
Algumas frases para se refletir em momentos de sofrimentos que a Divina Providência nos manda para nos provar.

“A minha alegria é amar o sofrimento. Sorrir, derramando lágrimas. Aceitar com gratidão os espinhos no meio das flores”

(Santa Teresinha)


“Quem passou pela vida em branca nuvem,

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu;

Foi espectro de homem, não foi homem,

Só passou pela vida, não viveu”.

(Francisco Otaviano de Almeida Rosa)

“O soldado que sempre deseja estar à sombra é muito fraco: quem deseja estar confortável neste mundo e no outro, é delicado demais. Está escrito: ‘Ai dos que riem, porque chorarão um dia’”.

(Bossuet)

Fonte: ABIM

O mundo colorido de Luís Simões – e o mundo doce da Alcôa


P
 
 
Fugas
 
 
  Sandra Silva Costa

Não é empreitada para todos: terminar uma relação longa, largar um emprego estável, despedir-se da família e dos amigos, pôr a mochila às costas e sair mundo fora.
 Em pinceladas largas, é este o resumo da aventura de Luís Simões, 37 anos, que em Março de 2012 saiu de casa para ir desenhar o que os olhos vissem lá fora. Tinha na ideia viajar durante cinco anos e só depois voltar a Portugal, com os cadernos cheios de pessoas, paisagens, monumentos, emoções, cheiros e sabores. Por circunstâncias várias, regressou mais cedo, mas a sua World Sketching Tour “segue dentro de momentos”. A Ana Cristina Pereira conheceu-o em Hong Kong, em Novembro de 2014. Reencontrou-o agora, em Lisboa, numa pausa da sua aventura pelo mundo, e escreve sobre o “lado mais duro da vida de nómada, o dos afectos”. Sim, nem tudo são rosas nestas andanças pelo mundo, ora leia e tire as suas próprias conclusões.
Se gosta de sair de casa, mas o mundo é um lugar demasiado grande para si, não desanime: teremos sempre Espanha, tão longe e tão perto de nós. Hoje propomos-lhe uma viagem até Albarracín, “um dos mais belos postais da província de Teruel”, descreve Sousa Ribeiro. Tem cheiro medieval, casario em tons avermelhados, um rio com margens a pedir caminhadas, enfim, uma certa aura de conto de fadas. E, claro, também tem tapas, que nunca são coisa de se rejeitar.
Já a proposta que deixo agora é menos consensual: está aí a época da lampreia e o José Augusto Moreira foi provar como a fazem no restaurante Margem Douro, em Gondomar. Não me alongo em descrições, porque este bicho ou se ama ou se odeia. Abro apenas um pouco a porta e convido os que quiserem a irem lá tirar a prova dos nove.
Por falar em prova, quem está em Lisboa tem mesmo que ir experimentar as delícias que agora moram no Chiado. A aclamada Alcôa desceu de Alcobaça até à Rua Garrett, ocupou o antigo edifício da Casa da Sorte, trazendo de novo para a ribalta o painel de Querubim Lapa, e já está a adoçar, e muito, a boca aos lisboetas – quem não tem uma Alcôa à mão de semear deve parar de ler por aqui. Há por lá todo um desfile de pecados originais, perdão, conventuais, a começar nos mimos de freira, passando pelas castanhas de ovos ou pelo torrão abadessa. E, claro, também há os pastéis de nata que já foram considerados os melhores do país. A Francisca Gorjão Henriques, sortuda, já lá foi – e sobreviveu para contar a história.
Despeço-me com um brinde – até porque já abriram as inscrições para os produtores portugueses que quiserem ir mostrar os seus vinhos ao Brasil. Este ano, Vinhos de Portugal no Brasil, uma iniciativa dos jornais PÚBLICO e O Globo, em parceria com a ViniPortugal, tem escalas marcadas para o Rio de Janeiro e São Paulo (estreia). As festas do vinho em português já têm datas marcadas.
Até para a semana e boas viagens!

Suíça vota hoje para simplificar naturalização de netos de imigrantes

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O referendo pretende simplificar o processo de concessão de cidadania suíça a netos de imigrantes. A extrema-direita está com alguns receios face à possibilidade de aumento de imigração de muçulmanos para o país.
O referendo pretende simplificar o processo de concessão de cidadania suíça a netos de imigrantes. A extrema-direita está com alguns receios face à possibilidade de aumento de imigração de muçulmanos para o país.
Os suíços votam hoje num referendo para dizer se querem ou não simplificar o processo de naturalização para netos de imigrantes, uma medida que está a preocupar a extrema-direita, que teme que o resultado da votação possa atrair mais muçulmanos. Para que este decreto federal seja adotado, a maioria dos eleitores e a maioria dos 26 cantões da Suíça têm de votar a favor.

Grande parte da população já votou por correio nas últimas três semanas, mas as assembleias de voto estão abertas hoje entre as 10h e as 12 horas locais.
O projeto do governo visa acelerar o processo de concessão da nacionalidade suíça aos netos de imigrantes, mas exclui qualquer aquisição automática de cidadania. Mais de 25 mil crianças, netas de imigrantes, principalmente de origem italiana, turca e dos Balcãs, podem beneficiar imediatamente deste referendo. Durante os próximos dez anos a medida pode ainda abranger cerca de 2.300 jovens todos os anos.
A maioria do parlamento suíço apoia o referendo mas o partido UDC (União Democrática do Centro) advertiu para um “excesso de população estrangeira e um aumento maciço, em particular, do número de muçulmano”.
Os suíços votam também hoje sobre os impostos e os lucros das empresas. O governo propõe que as empresas possam deduzir os lucros provenientes de receitas com patentes e atividades de Investigação e Desenvolvimento, segundo a Lusa.
Segundo o governo suíço o novo regime é necessário para permitir que o país, que foi obrigado pela pressão internacional a abrandar o favorecimento das empresas, se mantenha atrativo para as empresas.
A média do equivalente suíço do IRC está ligeiramente abaixo dos 20%, o que contrasta com os 40% nos Estados Unidos e os 0% no Dubai, de acordo com um estudo da KPMG, com dados do ano passado.
Jornal Económico
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