quinta-feira, 20 de julho de 2017

E O CAPITALISMO MORRERÁ DE OVERDOSE?


Para Wolfgang Streeck, um dos grandes sociólogos contemporâneos, sistema tornou-se frágil ao eliminar adversários que o obrigavam a se reformar. Mas não há, ainda, projeto alternativo — por isso, virão tempos tensos…

Entrevista para Giuliano Battiston | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

O diagnóstico de Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, é implacável: “A crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução daquela formação social que designamos capitalismo democrático”.

“O capitalismo está morrendo de overdose de si mesmo.” Esta é a tese do sociólogo Wolfgang Streeck, diretor do Instituto Max-Planck de Colônia, um dos centros de pesquisa mais importantes da Europa. Em seu último livro, Como Acabará o Capitalismo? Ensaios sobre um Sistema Fracassado, Streeck conduz um diagnóstico impiedoso sobre a patologia do capitalismo democrático, aquela formação social particular que, no pós-guerra, havia alinhado democracia e capitalismo em torno de um pacto social que lhe conferia legitimidade. Por volta dos anos 1970, com o fim do crescimento econômico, e depois, com o avanço da revolução neoliberal, aquele pacto social começa a acabar. O capital avança, a democracia recua. Ele atropela as limitações políticas e institucionais que haviam contido o “espírito animal” do capitalismo. Que vence — mas vence demais… Hoje, a revolução cumprida, o capitalismo está em ruínas porque teve muito sucesso, diz Wolfgang Streeck.

Para compreender a crise financeira deflagrada em 2008, você escolheu enfatizar “a continuidade histórica” do capitalismo, rastreando uma longa trajetória de “crise” que começou nos anos 1970. Por que essa escolha?

Porque a crise atual não é um fenômeno acidental, mas o auge de uma longa série de desordens políticas e econômicas que indicam a dissolução da formação social que definimos como capitalismo democrático. A trajetória da crise corresponde ao processo em que o capitalismo foi liberado das amarras, frágeis, que lhe haviam sido impostas depois da Segunda Guerra Mundial. Indica a transformação da economia capitalista do keynesianismo do pós-guerra numa fórmula política oposta, nos moldes neo-hayekianos, que aponta para o crescimento por meio da redistribuição de baixo para cima, não mais de cima para baixo. É uma transição que produz uma democracia domesticada pelos mercados, alterando o contrato social do pós-guerra, que entendia os mercados domesticados pela democracia. Considerada produtiva no keynesianismo, a democracia igualitária torna-se um obstáculo à eficiência.

Segundo a sua análise, com o “colapso do keynesianismo privatizado em 2008”, a crise do capitalismo democrático teria entrado em sua “quarta e última fase”. Quais os passos que nos conduziram até aqui?

O capitalismo democrático do pós-guerra havia encontrado um equilíbrio, instável, entre os interesses do capital e dos cidadãos. Desde os anos 1970, com a queda do crescimento, os conflitos distributivos entre capital e trabalho são confrontados com expedientes políticos diversos, para criar a ilusão de crescimento inclusivo. Usados para ganhar tempo, a inflação, a dívida pública e a dívida privada tornam-se, porém, problemas por si sós, marcando três crises. A primeira, nos anos 70, é a da inflação global, à qual se segue o problema da explosão do débito público nos anos 80 e o crescimento do endividamento privado na década seguinte, culminando na última fase com o colapso do mercado financeiro em 2008. Há quatro décadas, o desequilíbrio é a normalidade. A crise é da economia, mas também do capitalismo como ordem social. Nos países ricos são três os sintomas principais, de longo prazo: o declínio do crescimento econômico, o aumento da dívida e a crescente desigualdade. Aos quais se juntam cinco perturbações sistêmicas: estagnação, redistribuição oligárquica, saque dos bens públicos, corrupção e anarquia mundial.

Para você, estas crises e transformações não são funcionais para um novo equilíbrio sistêmico, mas indicam um processo de “decadência gradual mas inexorável”: o fim do capitalismo. Se é verdade que desde o século XIX “as teorias sobre o capitalismo são também teorias sobre seu fim”, por que deveria ser diferente desta vez?

O fato de que o capitalismo conseguiu sobreviver às teorias sobre o seu fim não significa que será capaz de fazê-lo para sempre. Sua sobrevivência depende sempre de um constante trabalho de reparação. Mas hoje as tradicionais forças de estabilização não podem mais neutralizar a doença da fragilidade acumulada. O capitalismo está morrendo porque tornou-se mais capitalista do que é útil que seja. Porque teve muito sucesso, desmantelando os mesmos inimigos que no passado o salvaram, ao limitá-lo e forçá-lo a assumir novas formas. Estamos diante de uma dinâmica endógena de autodestruição, de uma morte de overdose por si mesmo. Haverá um longo interregno, um período prolongado de entropia social e desordem. Seu fim deve ser entendido como um processo, não como um evento.

Immanuel Wallerstein acredita que o interregno será marcado por um confronto global entre apoiadores e opositores da ordem capitalista, “a força de Davos e a força de Porto Alegre”. Você, ao contrário, exclui conflitos sociais de natureza global. Por que?

Diferentemente de Wallerstein, não vejo uma oposição global e unificada ao capitalismo, que o desafie a instituir uma ordem nova e melhor. Em nível nacional, haverá e há movimentos de oposição e protesto contra um sistema e uma classe capitalista global, mas desunidos e muitas vezes desorientados. Há uma diferença fundamental entre conflito e transformação estratégica. O objetivo estratégico final, comum, ainda precisa ser desenvolvido. Não há nenhuma nova ordem nos bastidores. Em vez disso, espera-se uma era de desordem, de grande confusão e incerteza, plena de riscos.

Você, por um lado, sustenta que é necessário “desglobalizar o capitalismo” para “levá-lo de volta ao âmbito do governo democrático”; por outro, que devemos “começar a pensar em alternativas ao capitalismo” ao invés de melhorá-lo. São fins compatíveis? Um capitalismo desglobalizado é realista?

O capitalismo global não pode ser governado pela democracia nacional. Ao contrário, ele a enfraquece. Considerando que a democracia global é inconcebível, segue-se que o capitalismo global é incompatível com a democracia.

Se queremos que o capitalismo seja governado, devemos torná-lo menos global. O que há de perigoso nisso? É muito mais perigoso deixar indefesos indivíduos, famílias, economias regionais e nacionais diante dos caprichos dos mercados internacionais, pelo risco de que busquem proteção nos Trump e Le Pen de plantão. Isso me parece evidente.

Para alguns, a União Europeia pode ainda ser uma barreira contra a afirmação definitiva da globalização neoliberal. Você, ao contrário, entende que a integração europeia seja um “sistemático esvaziamento das democracias nacionais de conteúdo político e econômico. Por que?

Basta olhar o Tratado de Maastricht. Nos anos 80 ainda havia a esperança de que a “Europa” pudesse interromper a marcha para o neoliberalismo iniciada com Margaret Thatcher. Mas a “Europa social” e social-democrata foi colocada de lado. E hoje não há nenhuma estrada que leve de volta à democracia social. Sob a forte moeda comum, o que resta para os governos nacionais no âmbito “europeu” é impor “reformas estruturais” neoliberais em seus próprios países. O Banco Central europeu, com o apoio do governo alemão, faz tudo o que pode para manter no poder os governos pró-europeus (pró-euro, pró-reformas neoliberais), esperando reconstruir a própria sociedade de acordo com as prescrições neoliberais de competitividade e flexibilidade. É um experimento social e tecnocrático realizado com os povos europeus.

Na esquerda europeia é difusa a ideia de que, para prevenir o crescimento dos partidos e movimentos populistas, deve-se reivindicar o internacionalismo, atualizando-o. Você, ao contrário, é muito cético quanto à democracia e à sociedade civil em escala continental. Por que?

Porque não existem as condições para realizá-la. Não existe uma opinião pública europeia. A população está organizada em povos com línguas diversas, diferentes memórias históricas, diversas instituições político-econômicas na intersecção entre o capitalismo e a sociedade. Se uma “democracia pan-europeia” fosse uma democracia jacobina majoritária, funcionaria como o euro: para benefício de alguns países e às custas de outros. Seria percebida como um complemento à tecnocracia continental da união monetária. Não há futura ordem europeia sem os Estados-Nações. Qualquer tentativa de impor uma solução única aos problemas de governança democrática desintegraria a Europa, ao invés de uni-la. Como fez o euro.

Governo aprova o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve

Pelo menos no papel, o Algarve já tem um Centro Hospitalar e Universitário do Algarve. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, esta Quinta-feira, 20 de Julho.
O objectivo é integrar nos hospitais públicos da região as vertentes universitária e de investigação, esperando-se que isso contribua para atrair mais médicos à região, uma vez que, como se sabe, muitos dos concursos lançados até agora para reforçar o número de profissionais acabam desertos, por falta de interessados.
O decreto-lei agora aprovado determina que o actual Centro Hospitalar do Algarve passe a designar-se Centro Hospitalar e Universitário do Algarve. Para além disso, refere o Conselho de Ministros, no seu comunicado final, “procede à transferência para este Hospital das competências da Administração Regional de Saúde do Algarve relativas ao Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul, de modo a aproveitar sinergias, garantir uma utilização mais eficiente dos recursos humanos e financeiros disponíveis e obter ganhos de racionalidade e qualidade.”
A Administração Regional de Saúde do Algarve já veio congratular-se pela tomada desta medida há muito prometida e informa que a estrutura agora aprovada será composta por quatro pólos: duas unidades hospitalares (uma em Portimão/Lagos e outra em Faro), o Centro de Medicina de Reabilitação do Sul e um pólo de investigação e de ligação com a Universidade do Algarve, que vão trabalhar em conjunto e com grande autonomia.
Fonte: O Algarve Económico

Estudo identifica nove fatores que podem prevenir a demência


Conclusões revelam que a doença não é uma consequência inevitável do envelhecimento e existem fatores que podem ajudar a prevenir o seu aparecimento

Um relatório elaborado pela Lancet Commissionconcluiu que a demência não é uma consequência inevitável do envelhecimento e que existem nove fatores, em várias fases da vida, que quando eliminados podem prevenir a doença.

"Existem várias coisas que os indivíduos podem fazer, bem como a saúde pública e as suas politicas, para reduzir os números de pessoas que desenvolvem demência", disse Gill Livingston, coautor do relatório e professor de psicologia na Universidade College London, em declarações ao The Guardian.

O estudo sugere que os indivíduos devem seguir uma dieta mediterrânica, manter um peso saudável e controlar a pressão sanguínea. Os resultados revelaram ainda que 35% dos casos de demência podiam, na teoria, ser prevenidos, sendo que 9% estão ligados à perda de audição na meia-idade, 8% ao abandono escolar antes de completar o ensino secundário, 5% ao facto de ser fumador em idade avançada e 4% estão ligados a casos de depressão na velhice.

Os restantes cinco fatores passam pelo isolamento social, os diabetes tardios, a alta pressão sanguínea, a obesidade e a falta de exercício, sendo estes potenciais riscos para o aparecimento da doença.

Os autores do relatório admitem ainda que a estimativa de mais de um terço dos casos poderem ser evitados é o melhor cenário, sendo os números do estudo baseados numa séria de premissas que incluem o anulamento de cada um dos fatores referidos. "Penso que a realidade contempla apenas 5% dos casos", afirma Clive Ballard, coautor e professor na Universidade Exeter. Ainda assim essa percentagem iria corresponder a uma redução de 5.000 casos por ano no Reino Unido.

Os autores reconhecem ainda que, em alguns dos fatores, não é claro se as intervenções iriam reduzir o risco de demência ou apenas retardar o seu inicio. Existem também incertezas em relação a fatores como a depressão e o isolamento social, não sendo evidente se estes aumentam o risco da doença ou se as mudanças no cérebro que levam à demência possam estar também por trás dessas questões.

Ainda assim, Doug Brown, médico e diretor de pesquisa na Alzheimer's Society, afirma que o facto de a estimativa apontar para o facto de mais de um terço dos casos poderem ser prevenidos é um motivo de celebração, não esquecendo também as dificuldades que isso acarreta.

"Nem todos os nove fatores identificados são facilmente modificáveis, como uma educação pobre ou o isolamento social. Mas existem fatores fáceis como a pressão sanguínea e o tabaco", disse também ao The Guardian.

Os autores do relatório afirmam ainda que apenas uma intervenção que atrase o inicio e a progressão da doença, mesmo que por um ano, pode ajudar a diminuir os casos de demência em todo o mundo em nove milhões, no ano de 2050.

Fonte: DN

Entrevista: cientista prodígio

Conheça o brasileiro de 18 anos que ganhou mais de 60 prêmios científicos

Aos sete anos Luiz Fernando gostava de assistir documentários sobre a vida de grandes cientistas. Ele adorava desmontar brinquedos para construir novos, brincar com kits de química e capturar insetos. Desde cedo seu plano era realizar algo que fosse relevante para a humanidade para ser imortalizado em filmes, livros e documentários.

Hoje, aos 18 anos, o sul-matogrossense iniciou sua jornada rumo a perpetuação de suas ideias. Ele foi vencedor da Intel International Science and Engineering Fair (Intel ISEF) ao apresentar o projeto Hermes Braindeck, um aparelho criado para ajudar na comunicação de pacientes em coma ou estado vegetativo.

Os primeiros testes com o Hermes Braindeck devem acontecer na Santa Casa de Campo Grande MS, mas ele já está em negociações com o Hospital Albert Einstein. também. Na entrevista abaixo, Luiz Fernando conta detalhes do desenvolvimento do aparelho, o futuro do dispositivo e ainda revela curiosidades sobre sua infância, trajetória e demais criações.

Canaltech: Me conte o que é e como funciona o Hermes Braindeck?

Luiz Fernando da Silva Borges: O método usado hoje em dia nos hospitais ao redor mundo para classificar o nível de consciência de pessoas que sofreram algum tipo de trauma cranioencefálico, que é a Escala de Coma de Glasgow, é ineficaz algumas vezes. Há casos em que a pessoa está totalmente consciente, mas não consegue movimentar seus músculos, logo não pode mover os olhos, membros ou falar. Para tentar contornar esse problema, eu propus criar um dispositivo portátil capaz de detectar se a pessoa consegue responder a comandos, sem que a pessoa mova um músculo, apenas usando seus pensamentos.

Nosso cérebro funciona com pulsos elétricos. Assim, com uma touca de eletroencefalograma (EEG), que é como uma série de antenas no couro cabeludo, eu consigo capturar esses pulsos elétricos e enviar para um programa de computador que reconhece padrões nestes pulsos. Cada pensamento que temos gera um padrão. Então, eu consigo orientar uma pessoa classificada como comatosa ou vegetativa, pelos métodos atuais, imaginar coisas específicas como um movimento de um membro para responder “sim” e o movimento de outro para responder “não”. Se a pessoa estiver escutando os comandos do computador, ela gerará estes pensamentos, que geram os pulsos distintos que o computador consegue reconhecer. O computador, então, transforma estes pensamentos em respostas para perguntas.

A outra novidade é que o programa de computador consegue guiar os pensamentos da pessoa para que estes sejam convertidos em palavras, sem o uso da visão. Característica esta inexistente mesmo nos trabalhos da literatura científica, pois as interfaces para pessoa paralisadas, como o prof. Hawking, por exemplo, dependem do uso da visão, inexistente nos pacientes comatosos e vegetativos. Todo o treinamento do programa para reconhecer estes pensamentos é feito automaticamente, e até mesmo a voz dos familiares do paciente, pode ser usada no programa.

CT: E o que te motivou a criar o aparelho?

LFSB: Depois de ingressar no curso técnico integrado em informática, percebi que várias ferramentas da robótica e da informática poderiam ser empregadas para a solução de problemas da área médica. Foi então que na metade de 2013, conheci o campo das interfaces cérebro-máquina, que é basicamente um conjunto de métodos de como podemos extrair sinais elétricos do cérebro, enviá-los para um programa de computador que os decodifica e os transforma em movimentos. A área relacionava tudo o que eu mais gostava e, além disso, foi inventada por um brasileiro, Miguel Nicolelis, que usou essa tecnologia para fazer um paciente paralisado dar o primeiro chute da copa do mundo de 2014. Desde então venho trabalhando com pesquisas que utilizam conceitos das interfaces cérebro-máquina.

Minha bisavó, com quem fui criado, ficou em coma por quase um mês antes de falecer. Sua filha, minha tia, disse que conseguia perceber que ela chorava quando ouvia sua voz, durantes as visitas no hospital. Isso aconteceu quando eu era pequeno e ainda lembro deste fato pois todos na família ficaram muito abalados com a perda. Quando eu conheci a área das interfaces cérebro-máquina e aprendi que era possível extrair sinais cerebrais e transformá-los em comandos motores para a aplicação na área da reabilitação motora, eu percebi que o mesmo princípio poderia ser usado para a comunicação com pessoas que aparentam estar em um estado vegetativo ou coma, mas na verdade estão apenas incapazes de movimentar qualquer músculo, inclusive os responsáveis pela fala e movimento dos olhos.

Há várias notícias online sobre pessoas que voltaram de um suposto estado vegetativo ou coma e dizem que eram capazes de ouvir e sentir seus arredores o tempo todo. Isso acontece, pois, a ferramenta que temos hoje para classificar o nível de consciência de pessoas que sofreram algum tipo de injúria cerebral, é datada dos anos 70 e conta apenas com uma escala que avalia atributos motores do paciente. Em alguns casos, o indivíduo está completamente capaz de entender as instruções, mas incapaz de realizá-las, fazendo com que pensem que este se encontra inconsciente. Uma ferramenta que analise o nível de responsividade a nível da atividade cerebral seria essencial para uma classificação mais acurada da responsividade destes tipos de pacientes.

CT: Quais foram os estudos necessários para criar o Hermes Braindeck?

LFSB: Na ciência nunca partimos do nada. Ela é uma corrida de bastão que uma pessoa pega este bastão, avança uma geração com ele e o entrega para a próxima continuar avançando, inovando. Em meados de 2006, um professor da universidade de Cambridge (Adrian Owen) colocou várias pessoas inicialmente classificadas como vegetativas e comatosas em um equipamento de ressonância magnética funcional (que mede circulação sanguínea no cérebro) e pediu para que elas modulassem sua atividade cerebral para responder perguntas com “sim” e “não”. O resultado assombrou toda a comunidade médica: 20% delas foram capazes de se comunicar.

Esta técnica foi proposta em 2006, mas ainda não é empregada por motivos óbvios. Descobri o porquê quando minha bisavó ficou em coma por uma semana antes de falecer e comecei a pesquisar se existia alguma maneira de conversarmos com ela. Primeiro que o equipamento de ressonância magnética funcional custa milhões, ocupa uma sala só para ele e necessita de um programa especial. Segundo, fica inviável até mesmo para o hospital que tem este equipamento, realizar tal tipo de intervenção que implicaria no deslocamento de pacientes em quadros muito delicados, mobilizaria uma equipe grande, levaria muito tempo e custaria muito. Ou seja, inviável.

Então, cruzei esta possibilidade de comunicação com a tecnologia desenvolvida pelo professor Nicolelis - que usou um EEG portátil para fazer um tetraplégico dar o primeiro chute da Copa do Mundo de 2014. Vislumbrei a possibilidade de aplicarmos a tecnologia, não para movimentarmos uma prótese, ou exoesqueleto, mas para nos comunicarmos com pessoas que estão em uma prisão dentro de seus corpos. O aparelho é portátil, automático, rápido e só demanda um técnico treinado para realizar a verificação de responsividade de um paciente em seu próprio leito. O programa consegue se adaptar a vários tipos de traumas cranioencefálicos, traçando uma estratégia de comunicação para cada caso, até permitindo com que estas pessoas soletrem frases.

CT: Quanto tempo demorou para você ter o protótipo em mãos?

Devido ao apoio da iniciativa privada consegui em seis meses um grande volume de resultados de qualidade do projeto. No ano passado fui abordado por Ricardo Ferreira Nantes, criador do Portal Educação e membro da Anjos do Brasil, maior grupo de investimento de capital de risco do país, que disse ter se identificado com minha história.

Foi até engraçado, depois de me ouvir falar por 20 minutos sobre todas as coisas que eu já tinha feito, ele disse: “Ok, mas, what is next?” Eu disse: “Acho que sou capaz de fazer pessoas em coma e estado vegetativo se comunicarem”. Ele confiou em mim e de nossa parceria surgiu o projeto Hermes Braindeck.

CT: Em que etapa o Hermes Braindeck está agora e o que devemos ver em breve em relação ao dispositivo?

LFSB: Devido à legislação brasileira para pesquisa com seres humanos, todos os testes feitos até hoje com o projeto foram realizados em voluntários despertos que foram instruídos a não se movimentarem e permanecer de olhos fechados enquanto usavam apenas sua atividade cerebral para responder perguntas de conhecimento geral com “sim” e “não” e até mesmo soletrar palavras.

Com o alto índice de acerto do programa em decodificar os pensamentos dos voluntários, a pesquisa foi inscrita para a avaliação ética, por um comitê que verificará a possibilidade de sua aplicação em pacientes inicialmente classificados em estado vegetativo e coma.

A tecnologia da Hermes Braindeck vai balançar os pilares da medicina de tratamento intensivo em todo o mundo. Questões éticas dignas apenas de obras de ficção científica virão à tona pois, pela primeira vez, pessoas acreditadas inconscientes serão capazes de se comunicar com o mundo exterior respondendo perguntas e soletrando palavras.

Com certeza vários debates éticos florescerão no início das atividades da Hermes Braindeck e isso ocorrerá dentro de 2 anos.

CT: Como foi vencer o Intel ISEF deste ano? E o que pretende fazer com o dinheiro?

LFSB: Além do prestígio atingido, com tão pouca idade, fazendo ciência e não jogando futebol ou cantando, foi mostrar para o mundo todo que é possível almejar grandes feitos independentemente das circunstâncias. Durante todo este tempo fiz e conquistei coisas como um cidadão de Aquidauana, na maior Planície Alagável do mundo (Pantanal), sob a luz do Cruzeiro do Sul, que meus pares residentes nas grandes metrópoles não chegaram perto de realizar. Com isso, meu recado é sempre muito claro: não importa o que você quer fazer, sonhe alto, pois mesmo que você não atinja seu objetivo, o caminho em busca dele lhe trará coisas muito mais grandiosas que a realização plena de um sonho medíocre.

Minha maior investidora de todos os tempos sempre foi minha mãe. Minha instituição de ensino oferece o mínimo de suporte necessário para a realização de uma pesquisa de alto impacto, por isso, desde 2013 não tenho mais presente de aniversário, natal ou outra data comemorativa. Eu peço que ela e outros familiares me deem peças de equipamentos e materiais para a condução de pesquisas. Então quando ganho algum dinheiro procuro realizar um payback àqueles que verdadeiramente contribuem para minhas conquistas. Depois disso, reservo o resto para investimentos simples para a faculdade.

CT: Você já havia participado anteriormente do prêmio, certo? O que você apresentou e quais foram os resultados?

LFSB: Minha primeira vez representando o Brasil na maior feira de ciências e engenharia do mundo para estudantes pré-universitários foi em 2015, com a versão mais barata e melhorada de um equipamento existente no mercado (termociclador) para amplificação de DNA. Com esta amplificação de DNA é possível detectar vírus, fazer testes de paternidade e análises forenses criminais. A versão do mercado custa em torno de R$ 40 mil. Eu usei materiais alternativos e construí um no meu quarto por R$ 850. A minha versão do equipamento tinha uma melhoria no controle de temperatura (como a amplificação do DNA é feita) que técnicos de laboratório reportaram como um erro importante a ser corrigido.

Por causa disso, fui reconhecido pela Associação dos Estados Americanos OEA, como tecnologia inovadora para o desenvolvimento das Américas. Em 2016, inspirado nas pesquisas do professor Nicolelis sobre interfaces cérebro-máquina e um episódio da série House sobre membros fantasma, tive um insight que me fez criar uma nova metodologia para transformar sinais elétricos musculares em comandos motores para uma prótese robótica.

Meu método possibilitou que sinais elétricos musculares extraídos do coto de um amputado transradial (amputação abaixo do cotovelo) pudessem ser convertidos para o controle direto, independente e contínuo das dez articulações da mão humana. Precisão suficiente para digitar em um teclado e realizar tarefas que exigem mais coordenação. Depois disso, criei uma versão virtual de um truque muito famoso de festas, ou de mágica, chamado “Ilusão da mão de borracha”, para reinserir no cérebro dos amputados a noção de novamente sentir sensações como temperatura, textura e força em um braço que eles perderam.

O projeto foi considerado o melhor do mundo na área de engenharia biomédica, na Intel ISEF 2016. Ganhou o “Best of Category”, “First Award” e o “Philip V. Streich Memorial Award”. ALém disso, o “MIT Lincoln Laboratory’, por meio do programa Ceres Connnection, batizou um asteroide com meu nome (33503 Dasilvaborges).

Em cerca de 30 anos de participação do Brasil nesta feira foi a primeira vez que alcançamos estes resultados.Com a premiação deste ano, totalizo 63 prêmios de feira de ciências em meu cv científico,

CT: Sei que você sempre estudou em escola pública, mas pretende estudar em grandes instituições americanas, certo?

LFSB: Já no ensino fundamental eu queria me envolver com atividade de pesquisa científica, porém, como estudava em uma pequena escola municipal, os professores não podiam me oferecer suporte para tanto. Foi então que eu soube, logo saindo do ensino fundamental, que havia sido implantado na cidade um Instituto Federal de Educação, que oferecia o ensino médio integrado com o ensino técnico. Como uma das tarefas principais de um estudante de um IF é desenvolver pesquisa, eu soube naquele momento que eu deveria conseguir entrar em um. Estudei durante as férias inteiras para o exame de seleção e fui aprovado em primeiro lugar no curso técnico integrado em informática.

Meu primeiro interesse pela instituição era pela oportunidade de desenvolver pesquisas, por isso escolhi um curso um pouco desconhecido, mas, ao mesmo tempo, o que mais tinha relação com coisas que eu gostava. Por causa das disciplinas do curso, aprendi ferramentas como a programação e robótica, que foram as bases que me fizeram capaz de conduzir minhas pesquisas na área da neuroengenharia.

Para seguir no campo da pesquisa em neuroengenharia, pretendo estudar neurociência e engenharia biomédica, considerando as melhores universidades nestas áreas como prioridade: Johns Hopkins, Stanford, Duke, MIT, Harvard, Carnegie Mellon, University of Pennsylvania, Yale e Columbia. Quero estudar conexões artificiais entre cérebros para o tratamento de doenças ou até comunicação.

Imagine um dispositivo que pudesse fazer uma pessoa cega enxergar pelos olhos de outra ou até mesmo um dispositivo que faça uma pessoa surda usar a capacidade do cérebro de outrem para pensar e até falar pela boca de outra pessoa. Ou levar o ditado “duas cabeças pensam melhor que uma” a sério e conectar mentes para trabalharem simultaneamente em problemas como computadores orgânicos.

Fonte: Canaltech

Mundo O.J. Simpson vai sair em liberdade condicional

REUTERS/JASON BEAN

O.J. Simpson ficou a saber, esta quinta-feira, que vai poder sair da prisão, em liberdade condicional, em outubro.

Depois de cumprir nove anos de prisão por assalto à mão armada, Simpson, de 70 anos, e que esteve no centro de um grande circo mediático há cerca de duas décadas, devido ao julgamento de um duplo homicídio, conseguiu agora a liberdade.

A audiência foi feita através de videochamada, com O.J. Simpson a cerca de 160 quilómetros de quem tomou a decisão, e contou com a "ajuda" de Arnelle, filha de Simpson, e também de Bruce Fromong, uma das pessoas que foi assaltada por O.J.

Entre as razões que levaram a decisão estão o facto de Simpson ter tido bom comportamento dentro da prisão, ter cumprido todas as regras, não ter antecedentes criminais antes de ser condenado e não representar risco para o público, de acordo com a Reuters.

Em atualização
Fonte: DN

V I Caminhada Solidária da ADASCA vai decorrer dia 10 de Setembro no âmbito do 10 anos de existência

PDT

Se uma imagem vale mais que 1000 palavras não adianta dizer mais nada. Vale a pena recordar os belos momentos da edições anteriores

Caros amigos,
A ADASCA já está em fase de preparativos para a realização da VI Caminhada Solidária 2017 desta vez no âmbito da comemoração dos 10 anos de existência, no dia 10 de Setembro (domingo).
O local de concentração, partida e chegada vai ter lugar no Salão dos Bombeiros Velhos de Aveiro, onde também no final decorrerá um lanche partilhado à semelhança dos anos anteriores.
É propósito da Direcção da ADASCA promover um conjunto de iniciativas até final do ano em curso no sentido de angariar fundos, para a aquisição de uma viatura (carrinha) tendo em consideração a sua urgente necessidade.
O valor mínimo para inscrição é de apenas 5 euros, a partir deste valor cada participante pode doar o que sentir no seu coração.
A aquisição da viatura não deve ser considerado um luxo, mas, um meio extremamente necessário para que a ADASCA possa desenvolver melhor as suas actividades não só por todo o Conselho de Aveiro, mas também Ílhavo e Vagos de onde se deslocam bastantes dadores para doarem sangue no Posto Fixo em Aveiro.
Quem desejar começar já colaborar com donativos pode fazê-lo na Sede da associação ou por transferência bancária cujo NIB está indicado na imagem a seguir.
NIB da ADASCA: 0036 0189 99100051821 35 do Montepio.

A ADASCA alerta para eventuais burlas ou falsos peditórios em seu nome, tendo em conta que não vai delegar em ninguém para o fazer na rua ou junto das empresas, serão pois usados os meios que a Direcção considerar mais convenientes e seguros, além do mais, serão emitidos recibos.

Mais informações pelo Site: www.adasca.pt

Até breve!

Colheita de sangue dia 19 de Julho entre as 9 e as 13 horas no Posto Fixo da ADASCA