sábado, 22 de julho de 2017

POLÍTICA Henrique Neto abandona PS com críticas à atuação de António Costa

Saída foi anunciada num artigo de opinião no jornal Expresso. À TSF, Henrique Neto assume 20 anos de desilusões e diz que o PS "tem faltado frequentemente à verdade".

Henriue Neto decidiu demitir-se do Partido Socialista. O antigo deputado do PS, que foi em 2016 candidato à Presidência da República, anunciou a decisão num artigo de opinião publicado este sábado no jornal Expresso.

Ouvido pela TSF, Henrique Neto adianta que "o Partido Socialista tem tido neste último ano e meio uma atuação muito pouco criteriosa e faltando frequentemente à verdade".

Para o antigo deputado do PS, a "recusa em esclarecer os portugueses" tem sido uma "forte característica" do atual Governo, com implicações em casos como o Banif, Montepio, Novo Banco ou Caixa Geral de Depósitos.

Henrique Neto considera que o primeiro-ministro tem a maior carga de responsabilidade pela morte de 64 pessoas inocentes em Pedrogão Grande. Na mesma linha, acusa também António Costa de falta de liderança, ao aceitar a opção pelo combate ao fogo, em detrimento da defesa dos cidadãos.

"António Costa é um bom executante da política à portuguesa e um erro de 'casting' como estadista e primeiro-ministro", escreve ainda o candidato à Presidência da República em 2016.

À TSF, Henrique Neto adianta que as suas "desilusões com o PS começaram há 20 anos" mas acrescenta que a "desilusão maior é com o regime político que permite que, durante 20 anos Portugal se tenha atrasado relativamente à grande generalidade dos países".

Questionado pela TSF sobre se vai afastar-se da política, Henrique Neto respondeu: "Ah não! Eu sou um cidadão, e continuo a escrever e vou continuar por aí como a dizia o outro".

Henrique Neto, empresário de 81 anos, aderiu ao PS em 1993, convidado pelo então secretário-geral Jorge Sampaio. Antes, tinha sido militante do PCP, entre 1968 e 1975, tinha participado na campanha de Humberto Delgado em 1958 e foi, em 1969, candidato às eleições legislativas da Oposição Democrática pelo distrito de Leiria.

Fonte: TSF

Eu, Psicóloga: Você se sente perdido na vida sem saber o que fazer da vida? Então faça essas 10 perguntas a si mesmo!


Cedo ou tarde, todos nos sentimos perdidos. É normal, afinal nós nascemos sem um livro de regras ou um manual para a vida. No entanto, algumas pessoas se perdem e ficam perdidas pelo resto de suas vidas. Elas fingem que tudo está bem, até tentam construir uma vida em meio ao caos, mas dentro de si mesmas, sabem que algo não está certo com sua história. Algo precisa mudar. 

Você pode estar perdido na sua profissão, no seu relacionamento ou sobre o que quer fazer da sua vida. Não importa onde você esteja, tudo o que você precisa nesse momento para se encontrar, para voltar a seguir seu caminho, primeiro você deve aceitar que está perdido. Você deve admitir a si mesmo que este loop que vive não está funcionando e tomar a decisão de transformar sua vida. Faça algo que sempre quis fazer.

A segunda coisa que você precisa entender é que não existe nada de errado em estar perdido na vida ou se perder de vez enquanto. Você já sabe que está perdido, então o segundo ponto é aceitar que a responsabilidade para se encontrar é totalmente sua. Assuma controle da sua vida. Pegue as rédeas dos seus sonhos e não solte mais. Você precisa escapar da prisão que construiu para si mesmo e ouvir sua alma mais uma vez. Ela é a sua bússola na vida. E você está perdido apenas porque parou de se ouvir e passou a ouvir as demais vozes.

Abaixo estão 10 perguntas para fazer a si mesmo para te ajudar a começar o processo de volta. Em cada pergunta, você deva parar e refletir. Não passe simplesmente por elas correndo . Pare e pense no que cada uma dessas perguntas esta tentando lhe dizer:


  1.  Você está fazendo o que realmente quer fazer?
  2.     Quantas promessas você fez e quantas delas realmente cumpriu?
  3.     Você vai quebrar as regras por causa de algo ou alguém com quem se preocupa?
  4.     Existe algo que você não consegue liberar, embora saiba que deveria?
  5.    Quando foi a última vez que você fez alguma pela primeira vez?
  6.     Se você morresse agora, teria algum arrependimento?
  7.     Você tem medo de cometer erros mesmo que não haja nenhuma punição?
  8.     Qual a diferença entre você e a maioria das outras pessoas?
  9.     A criança que você foi, teria orgulho do adulto que você se tornou? Converse com ela.
  10.     Se hoje fosse o fim do mundo, o que você faria?


Lembre-se: Não existem respostas certas ou erradas, essas perguntas são uma forma de orientá-lo, para que você possa seguir um caminho mais alinhado a seu verdadeiro propósito.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica 

Eu, Psicóloga: Como é o curso de Psicologia?




É comum as pessoas me contarem que seus amigos ou pessoas conhecidas gostam de desabafar com elas. Diante disso elas se questionam  se devem fazer  Psicologia.

Para entrarmos de maneira mais profunda na área, o site Quero Bolsa convidou  uma acadêmica para nos contar como foi que ela decidiu que queria ser psicóloga, o que pesou mais na hora da escolha e muitas outras questões que poderão te ajudar na hora de decidir qual curso e faculdade escolher.

O nome da nossa entrevistada é Lorena Neves, ela estuda na faculdade Estácio Fase, em Sergipe, está no 4° período de Psicologiae é apaixonada pela área e pelo que está estudando! Confira a entrevista completa:

Revista QB: Por que escolheu o curso de Psicologia?

Lorena Neves: Então, o curso de Psicologia exige muita identificação e afinidade com a área. Acredito que o principal mecanismo de reconhecimento a respeito da escolha desse curso é o seu relacionamento interpessoal, ou seja, o seu relacionamento com as pessoas que te cercam, a forma que você lida com os questionamentos e situações complexas em que as mesmas estão envolvidas.

Desde o início da minha adolescência tive uma facilidade de me relacionar com as pessoas e as características da minha personalidade, de certa maneira, cativavam as pessoas e isso permitia que elas depositassem confiança em mim e me permitiam saber um pouco mais de suas histórias, bem como dúvidas e questões particulares, seja como uma forma de desabafo, pedido de ajuda ou um conselho de amiga. Eu notei que aquilo que eu fazia involuntariamente se encaixava com a área da Psicologia, que diz respeito ao cuidado emocional/mental das pessoas, e foi a partir daí que pude ter a certeza que seria o curso que eu queria fazer.

Desde então, comecei a pesquisar bastante sobre a área, conversei com alunos do curso e até profissionais formados e atuantes para conhecer um pouco mais a respeito do curso, e me apaixonei ainda mais pela área.

RQB: Por que escolheu essa faculdade?

LN: A minha escolha pela faculdade Estácio Fase se deu pelo conceito educacional que a faculdade possui em minha cidade, a metodologia de ensino e, um ponto também muito válido, que é a acessibilidade financeira proposta pela faculdade.

Outra questão que tenho como crucial é procurar conhecer da matéria, da grade curricular da faculdade/universidade que pretende estudar, conhecer os professores, suas especializações, etc. Esses pontos farão uma grande diferença em seu caminho no curso, seja ele qual for.  

RQB: O que você mais gosta no seu curso?

LN: A Psicologia é fascinante. Ela te prende e te faz querer conhecer ainda mais a mente humana. Algo que vejo como um ponto extremamente positivo é que o curso de Psicologia é extremamente amplo, as teorias são bem fundamentadas e são passadas de uma forma compreensível, de modo que podemos e conseguimos associar à nossa realidade. Isso conta como um fator de grande valor, pois significa que o conteúdo não está assimilado apenas à teoria, mas que consigo aplicá-lo na prática, no cotidiano.

RQB: O que você menos gosta?

LN: O ponto negativo recai justamente para o mercado de trabalho, em que, talvez, não seja uma área profissional tão valorizada quanto deveria, ainda nos dias que vivemos. Porém, também creio que isso mudará, pois podemos ver hoje uma grande demanda de pessoas necessitando de atenção específica e de terapia que os ajude a conciliar sua vida com o estresse do dia a dia, a conquista ou perda de emprego, os relacionamentos, a perda de bens ou de entes queridos, entre outros aspectos. Além disso, ele pode compreender melhor a si mesmo, como um ser que é biopsicossocial, influenciados pelos âmbitos biológico, psicológico e social.

RQB: Qual área da Psicologia mais tem interesse?

LN: Como eu já havia dito antes, eu amo me relacionar, conversar, ouvir e entender as pessoas. Então, a priori, eu penso muito na área da Psicologia Clínica, talvez um pouco mais voltada para crianças, porque acho incrível o trabalho com crianças. O mais interessante é ver o resultado do trabalho, a evolução da criança com as terapias. Mas é algo que ainda não tenho total certeza, ainda preciso explorar os outros campos que a Psicologia possui e provar do que o curso tem a me oferecer.

RQB: Você acha que Psicologia é um curso difícil?

LN: O curso de Psicologia é um curso bastante difícil e que exige extrema responsabilidade de quem cursa e busca a área como um ramo profissional. Digo isto porque nessa área lidamos diretamente com pessoas, tratando de problemas emocionais e mentais. Por isso, acredito que é um curso que pede extrema responsabilidade e bastante complexidade também.

RQB: Como o curso mudou a forma como você encara o mundo e as pessoas ao seu redor?

LN: O curso me proporcionou a chamada “metanoia” que significa, basicamente, mudança de mente. A Psicologia exige de você um comportamento mais centrado, mais observador, falar menos e ouvir mais, pensar nos outros, observar os diversos tipos de comportamentos que nos cercam. Essa nova forma de pensar e agir, proporcionado pelo conhecimento recebido no curso, com certeza atinge as pessoas que convivem comigo e acredito que positivamente.

RQB: Que dica você dá para aqueles que pensam em cursar Psicologia ou que acabaram de entrar na faculdade?

LN: Aos que pensam em entrar no curso, a minha dica é: se você gosta de se relacionar com as pessoas, compreender, ouvir e busca auxiliar nos questionamentos pessoais das pessoas que estão ao seu redor, e, além de tudo, gostar de ler e ser determinado a não desistir, você já possui umas das características cruciais de um psicólogo. Não perca tempo!

Aos que acabaram de entrar na faculdade, aproveitem o máximo do curso, não deixem nenhum aprendizado passar sem que tenham aproveitado tudo, isso fará uma grande diferença no final da faculdade e também na sua carreira profissional. Lembrem que, a partir do momento que vocês entram no curso, você já pertence àquela profissão. Então, se entreguem, sejam dedicados e felizes fazendo o que amam!

E você, gosta de Psicologia? Faça como a Lorena, entre aqui Quero Bolsa e encontre a sua Faculdade com super desconto.

“É AQUI MESMO!”

Luis Dufaur

Santo SepulcroEssa foi a exclamação de cientistas ao abrirem recentemente o Santo Sepulcro de Jesus Cristo, o qual voltou a ver a luz após mais de cinco séculos. Eles constataram que, apesar de dois milênios de grandes vicissitudes, a venerável pedra onde repousou o Corpo de Nosso Senhor está intacta no mesmo lugar.


Revista Catolicismo, Nº 799, Julho/2017
Pela primeira vez em quase dois milênios, cientistas puderam entrar em contato com a pedra original sobre a qual foi depositado o Santíssimo Corpo de nosso Divino Salvador envolvido em panos mortuários, dos quais o mais famoso é o Santo Sudário de Turim.
Essa sagrada pedra se encontra na igreja do Santo Sepulcro, na parte velha de Jerusalém, e está coberta por uma lápide de mármore que data pelo menos do ano 1555, ou quiçá de séculos anteriores.
Santo Sepulcro
“Estou absolutamente espantado. Meus joelhos estão tremendo, porque eu não imaginava ver isto”. Afirmou o arqueólogo Fredrik Hiebert.
“O que achamos é surpreendente”, explicou o arqueólogo Fredrik Hiebert [foto], da “National Geographic Society”. “Passei um tempo na tumba do faraó egípcio Tutancâmon, mas isto é mais importante”(1), afirmou.
Até hoje não havia gravuras desse leito de rocha calcária, o qual, a fortiori, nunca foi fotografado ou objeto de quadro ou outra representação. Não existia pessoa alguma que o tivesse visto. Tudo o que se possuía eram realizações artísticas mais ou menos imaginárias.
O Santo Sepulcro foi aberto aos cientistas durante 60 horas nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, e depois voltou a ser lacrado e devolvido a seu estado anterior. Os especialistas abriram uma janela retangular em uma das paredes da edícula [pequena casa, v. abaixo], através da qual os peregrinos podem observar a pedra da parede da tumba de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De onde provém esse túmulo?

Santo Sepulcro
O túmulo já existia antes da crucifixão de Jesus Cristo e pertencia a José de Arimateia, que o mandara cavar para si, mas que o cedeu para nele ser depositado o Santíssimo Redentor, de quem era secretamente discípulo. Senador e membro do Sinédrio — o colégio dos mais altos magistrados religiosos do povo judeu —, Arimateia foi também um rico comerciante, dono de uma frota de navios cujos negócios iam até a atual Grã-Bretanha. Ele obteve de Pilatos a libertação do corpo e cobriu as elevadas despesas de sua preparação, oferecendo até o linho, que é hoje venerado na cidade italiana de Turim: o Santo Sudário.

Em represália por essa generosidade, o Sinédrio mandou persegui-lo e expropriá-lo de suas posses. Abandonado por amigos e familiares, após passar 13 anos no cárcere, José de Arimateia foi libertado pelo novo governador romano Tibério Alexandre. Assim, reconstituiu sua fortuna e passou a usá-la para a difusão da fé. Falecido em plena atividade evangelizadora, ele foi o exemplo perfeito do homem abastado que utiliza seus bens para melhor servir o Redentor e sua obra, ao contrário do “moço rico” do Evangelho, que recusou o chamado de Cristo por amor às riquezas. No Ocidente sua festa litúrgica é celebrada em 17 de março, e no Oriente em 31 de julho.
São Marcos escreveu que era um “ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus” (São Marcos, 15, 43)(2). São Mateus, ao descrevê-lo, assinala ser um homem rico, discípulo de Jesus.

Peripécias históricas desconcertantes

Santo Sepulcro
Edícula que protege Santo Sepulcro
Os evangelistas nos dão uma ideia do túmulo onde transcorreu a Ressurreição e indicam o local. Porém, o Santo Sepulcro, após a Paixão de Nosso Senhor, correu graves riscos de desaparecimento. Por isso, podemos considerar sua preservação um milagre histórico.
Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C., após feroz guerra, e seus habitantes se dispersaram. Em 131, o Imperador romano Adriano mandou construir sobre suas ruínas uma cidade pagã de nome Élia Capitolina, para cuja edificação se empreenderam obras de terraplenagem imensas que soterraram a sepultura de Jesus. Sobre ela teria sido erigido um templo dedicado a Vênus (Afrodite para os gregos), deusa da sensualidade. Enquanto isso, os cristãos padeciam as perseguições.
Em 313, o Imperador Constantino encerrou as perseguições aos cristãos. Treze anos depois, sua mãe, Santa Helena, visitou Jerusalém em busca das relíquias da Paixão, e identificou o local da crucificação (o Gólgota) e a cova chamada Anastasis (“ressurreição”, em grego). O Imperador autorizou a construção de um santuário que substituiria o templo de Vênus, o qual ficou conhecido como basílica do Santo Sepulcro. Eusébio (265–339), bispo de Cesareia e pai da História da Igreja, registrou esses fatos.
Em 614, a igreja de Constantino foi gravemente danificada pelos persas sassânidas, pagãos que pilharam Jerusalém e arruinaram a basílica. Ela foi reconstruída por Heráclio, Imperador de Constantinopla, que reconquistou a cidade. Mas estava longe de terminar a sucessão de invasões, restaurações, depredações e guerras.
Em 638, toda a Palestina foi ocupada pelos invasores muçulmanos. Três séculos depois, em 966, as portas e o telhado da
Santo Sepulcro
Nosso Senhor é depositado no túmulo de José de Arimateia – 1500, Museu Nacional Germânico, Nuremberg (Alemanha)
igreja arderam durante distúrbios. Em 1009, o califa fatímida Al-Hakim ordenou a destruição de todas as igrejas cristãs de Jerusalém, incluindo o Santo Sepulcro. Só restaram os pilares do templo da época de Constantino. A notícia dessa destruição foi decisiva para inspirar o movimento das Cruzadas.
O califa Ali az-Zahir, sucessor de Al-Hakim, permitiu que o Imperador de Bizâncio, Constantino IX Monômaco, e Nicéforo, Patriarca de Jerusalém, reconstruíssem e redecorassem a igreja. Foi essa a igreja que os cruzados encontraram em 1099, ao entrarem em Jerusalém. Eles a ampliaram e reconsagraram em 1149. No essencial, é a que existe atualmente.
Em 1187, o caudilho islâmico Saladino voltou a invadir a cidade, mas proibiu a destruição dos edifícios religiosos cristãos. No século XIV, o local passou a ser administrado por monges católicos e cismáticos gregos, aos quais se somaram outras denominações religiosas. Nos séculos seguintes foram feitas diversas restaurações, destacando-se a de 1810, por iniciativa britânica, após um grande incêndio, e as ocorridas entre 1863 e 1868. Em 1927, mais um abalo sísmico causou importantes estragos à estrutura da igreja.

Dúvidas sobre a autenticidade do Sepulcro?

Santo Sepulcro
A Imperatriz Santa Helena mandou construir a primeira igreja do Santo Sepulcro
Durante a restauração de 1810 foi erigida sobre o Santo Sepulcro uma estrutura conhecida como edícula (do latim aedicule, ou “casinha”), a qual estava há tempos exigindo outra restauração. Mas os responsáveis por ela não conseguiam chegar a algum acordo “ecumenicamente” porque vivem em perpétuo desentendimento. Por fim, a Autoridade das Antiguidades de Israel impôs a sua reforma, sob pena de fechamento. A empreitada foi entregue a uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, dirigida pela supervisora-chefe, Profa. Antonia Moropoulou. Essa equipe já havia restaurado a Acrópole de Atenas e a catedral de Santa Sofia, em Istambul.
Um trabalho metódico exigia a análise da base geológica sobre a qual a edícula se apoia. Mas essa base é a própria rocha em que foi aberta a câmara mortuária onde transcorreu a Ressurreição. E o fato de milhões de peregrinos passarem ao longo dos séculos sobre o Santo Sepulcro poderia ter alterado a resistência da rocha. Era prudente, necessário e útil fazer uma vistoria do local. Mas, se era para abrir o Sepulcro, dever-se-ia aplicar nele tudo aquilo que a tecnologia possui de melhor, a fim de colher a maior quantidade de dados científicos possível. “Nós estamos no momento crítico de restaurar a edícula”, explicou a Profa. Moropoulou. “A tecnologia que estamos usando para documentar este monumento único permitirá que o mundo inteiro estude nossos achados como se ele próprio tivesse entrado na tumba de Cristo”.
Acontece que, além da Tradição e de documentos muito antigos, a única fonte atestando que ali se localizava o Santo Sepulcro era o testemunho de Santa Helena, que recuperou o túmulo em 326, há quase 1.800 anos. E não faltava o zum-zum dos incrédulos, sofismando que tudo não passava de uma superstição religiosa, e que lá embaixo não havia nada, ou apenas algum túmulo de outrem.

O que acharam?

Santo Sepulcro
Cruzados expulsam os muçulmanos de Jerusalém – Mosteiro de São Bertin, c. 1200
Especialistas acreditavam que o túmulo pudesse ter sido destruído entre tantas ocorrências históricas. Porém, uma varredura inicial de radar mostrou que a cova, de 1,28 metros de profundidade, estava íntegra. Complicava o juízo o fato de que as varreduras feitas em toda a igreja detectaram pelo menos mais seis covas funerárias. Nada que causasse surpresa, pois no tempo da Paixão o local fora um cemitério, que os Evangelhos se referem com o nome de “Gólgota”, que significa “monte das caveiras”. Porém, só uma das covas detectadas coincidia com o local apontado como sendo o Santo Sepulcro: debaixo da edícula.
Os especialistas removeram em primeiro lugar a grande peça de mármore onde os fiéis rezam, depositam flores e votos. Debaixo dela havia uma camada de entulho sobre a qual pousava a placa. Após a remoção do entulho, foi identificada uma lápide rachada ao meio, com uma cruz entalhada. O último a ver essa placa de mármore viveu por volta de seis séculos atrás. O arqueólogo Fredrik Hiebert explicou tratar-se de uma peça do século XII, da qual só se tinha notícia escrita.
Sua rachadura teria como finalidade, no caso de invasão muçulmana, mostrar aos saqueadores que a lápide não tinha valor comercial e com isso eles não continuassem a profaná-la. Tudo concordava com o que se sabia sobre o Santo Sepulcro e os trabalhos prosseguiram. Debaixo da placa com a cruz havia ainda mais entulho, que foi cuidadosamente removido. Por fim, a pedra sagrada original se revelou intacta ante os cientistas.
Santo Sepulcro
Edícula, em cujo interior está o Santo Sepulcro, sendo restaurada

“Meus joelhos estão tremendo!”

Santo Sepulcro
Profa. Antonia Moropoulou explicando aos responsáveis do Santo Sepulcro o processo das investigações
“Estou absolutamente espantado. Meus joelhos estão tremendo, porque eu não imaginava ver isto”, disse o arqueólogo Hiebert.(3) “Esta é a Rocha Santa que vem sendo venerada há séculos, mas só agora pode realmente ser vista”, disse a Profa. Antonia Moropoulou, que liderou a restauração.
Os arqueólogos identificaram mais de mil túmulos semelhantes cortados na rocha ao redor de Jerusalém, explicou o arqueólogo Jodi Magness, da “National Geographic”. Mas todos os detalhes do Santo Sepulcro são “perfeitamente consistentes com o que sabemos sobre como os judeus ricos sepultavam seus mortos no tempo de Jesus”,sublinhou Magness. De acordo com o que Dan Bahat, ex-arqueólogo da cidade de Jerusalém, disse do local onde Jesus foi sepultado, “certamente não há outro lugar do qual se possa afirmar com tanta forca, portanto nós realmente não temos nenhuma razão para rejeitar sua autenticidade”.(4)
Santo Sepulcro
Abertura do túmulo
Para o cético jornal “The New York Times”(5), a única prova de que aquele era o túmulo de Jesus consistia no fato de ele ter cativado durante séculos a imaginação de milhões de pessoas. Mas, acrescenta, agora “nós vemos com nossos próprios olhos o local onde Jesus Cristo foi enterrado”. O incrédulo jornalista desse diário americano foi um dos poucos convidados a “ver com seus olhos” a pedra sobre a qual repousou o Corpo Santíssimo de Jesus Cristo antes da Ressurreição. Ele ficou impressionado pela sua pobreza: simples pedra calcária, lisa e sem adornos, com uma rachadura no meio. Tudo isso sob o bruxuleio das velas que iluminavam naquele momento o minúsculo vão.


Mistérios na abertura do Sepulcro de Cristo


Santo Sepulcro
Retirada do entulho
Alguns arqueólogos que trabalharam na abertura do Santo Sepulcro disseram ter percebido fenômenos não habituais. Relataram, por exemplo, que ao se aproximarem da pedra original sobre a qual repousou o corpo de Cristo ungido por sua Santa Mãe, perceberam um “aroma suave”(6). Este seria comparável aos perfumes florais que também foram relatados em aparições de Nossa Senhora ou de santos. Também os aparelhos eletrônicos ligados sobre o Santo Sepulcro começaram a funcionar mal ou pararam completamente, como se fossem afetados por forças eletromagnéticas não identificadas.
Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da “Terre Sainte Magazine”, revista da Custódia Franciscana da Terra Santa(7), foi uma das poucas pessoas a terem licença para visitar o sagrado túmulo aberto. Ela se mostrou cética quanto ao “odor suave”, dizendo que o mesmo pode ser resultado de uma autossugestão. Porém, durante a abertura do sepulcro em 1809, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos, o cronista da época também mencionou um “doce aroma”.
Santo Sepulcro
A cruz da época dos cruzados
Marie-Armelle foi bem menos cética a respeito das perturbações eletromagnéticas no instrumental científico. Os cientistas imaginavam que a pedra estivesse em um nível muito mais baixo. As análises que induziram a esse erro teriam sofrido distorções, provocadas pelas perturbações eletromagnéticas do sepulcro de Cristo. A diretora das obras, Profa. Antonia Moropoulou, afirmou taxativamente que é difícil um profissional relevante colocar sua própria reputação em risco procurando notoriedade com um “truque publicitário”. Esse profissional não deturparia fatos acontecidos durante uma atividade dessa relevância, tão sujeita à crítica de numerosos outros cientistas.


Milagre diante do qual todo joelho se dobra

Santo Sepulcro
Marie-Armelle Beaulieu: “Diante desse túmulo, a gente sente uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na Terra e nos infernos”
Marie-Armelle [foto] se referiu aos imponderáveis sobrenaturais do local, dizendo: “Para mim, seria extraordinário se os peritos conseguissem demonstrar que esta pedra foi mesmo o local em que se colocou o corpo de Cristo, mas, mesmo que eles provassem o contrário, ela ainda continuaria sendo um sinal da Ressurreição”. E explicou a razão de sua aparente contradição: “A igreja do Santo Sepulcro é um local desconcertante. No começo, eu não gostava muito dela. Esperava uma igreja linda e achei uma arquitetura estranha, que não lembra em nada as cenas bíblicas. Mas, com o tempo, fui desenvolvendo um apego durante as procissões. Não é um lugar para visitar, mas para orar. Eu pude entrar até a rocha que sustentou o corpo de Cristo, algo que nunca teria imaginado! Senti-me num estado estranho, como que sem gravidade, mas me lembro de todos os detalhes. Nunca mais irei ao Santo Sepulcro da mesma forma”.
Santo Sepulcro
Desenho representando o sucedido com o Santo Sepulcro
E prossegue: “Eu tinha o costume de fazer uma genuflexão diante do túmulo de Cristo, mas depois refleti e achei que isso é absurdo, porque lá não há mais nenhuma Presença real! É diante da sagrada Eucaristia que devemos fazer a genuflexão! Mas, no Santo Sepulcro, diante desse túmulo, a gente sente uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na Terra e nos infernos”, comentou.
Hiebert disse que quando os arqueólogos descobriram a segunda laje com a Cruz gravada pelos Cruzados, tiveram uma surpresa: “O santuário foi tantas vezes destruído por incêndios, terremotos e invasões ao longo dos séculos. Na verdade, nós nem tínhamos certeza se a basílica havia sido reconstruída exatamente no mesmo local cada vez. Mas [a laje dos Cruzados] se apresenta como a prova visível de que o local focado pelo culto dos fiéis hoje é verdadeiramente o mesmo túmulo que o Imperador romano Constantino localizou no século IV e que os Cruzados reverenciaram. É surpreendente. Quando nos demos conta daquilo que tínhamos encontrado, meus joelhos tremeram”(8), acrescentou.
Para coletar toda a informação possível, os cientistas usaram radares que perpassam o solo, como também scanners térmicos. Atuaram nessa função 35 especialistas em conservação de antiguidades, que empregaram 60 horas de trabalho, documentando cada passo. Eles chegaram com certeza até a pedra que serviu de leito mortuário a Nosso Senhor.

Santo Sepulcro
Franciscano observa o interior do túmulo durante os trabalhos da equipe de arqueólogos

Um túmulo vazio… “cheio da presença de Cristo”

Santo Sepulcro
A inusual perturbação eletromagnética dos instrumentos dos cientistas no Santo Sepulcro reforçou a hipótese de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de tal intensidade, que os maiores equipamentos modernos não são capazes de reproduzir.
Quando os instrumentos se desregularam ou pararam, o fato foi comunicado pela Profa. Moropoulou, chefe dos arqueólogos: “Lamentamos, mas nossos aparelhos foram atingidos. Eles não funcionam. Não posso dizer-lhes mais”.Os aparelhos foram consertados, mas até hoje a falha permanece enigmática. “Há por vezes fatos que não se podem explicar. Mas aqui estamos num túmulo vivo, o túmulo de Cristo. Todo o mundo pode compreender que há fenômenos naturais que podem perturbar os campos eletromagnéticos”, disse ela. “Mas é preciso simplesmente admitir que a força em que nós cremos e na qual pensamos também faz parte”(9), acrescentou. A professora afastou qualquer ideia de algum exagero de fundo religioso em qualquer dos profissionais engajados no trabalho.
A inusual perturbação eletromagnética no Santo Sepulcro reforçou a hipótese científica de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de tal intensidade, que os maiores equipamentos modernos não são capazes de reproduzir. Após cinco anos de experiências em laboratório, uma equipe de cientistas da Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (ENEA) calculou que para se obter a impressão da imagem do corpo de Cristo no Santo Sudário de Turim seria necessário um relâmpago luminoso de uma potência estimada em 34 trilhões de watts.(10)
Numa comparação primária, isso equivale à energia gerada durante 20 minutos por Itaipu, disparada num só instante. Mas hoje não existe equipamento capaz disso. E não havia energia elétrica em Jerusalém no tempo da Paixão. A perturbadora irradiação constatada poderia ter sido um eco daquela formidável emanação acontecida há 2.000 anos na Ressurreição.
Marie-Armelle entrou no Santo Sepulcro quando os operários já tinham ido dormir. A energia elétrica estava desligada e ela iluminou o local com seu smartphone. Mas primeiro quis certificar-se de que tudo estava perfeitamente vazio. A presença de alguma urna, vaso ou osso teria deposto contra a Ressurreição. Tendo Cristo ressuscitado, nada ficou de seu sacrossanto Corpo, exceto os tecidos mortuários recolhidos pelos discípulos, como registram os Evangelhos.
Espiritualmente, Marie-Armelle levou um choque tremendo: “Foi algo muito forte. Entrei e vi que não havia nada para ver. E nisso estava o extraordinário. Pedem-me que fale sobre o nada, porque não há nada para ver. E, entretanto, ali estava a presença de Jesus!”(11), concluiu.

Uma reflexão

Santo Sepulcro
Portinha de ingresso do Santo Sepulcro. No interior, a equipe de restauração retirou o tampo de mármore.
É natural que uma emoção perpasse nossos corações de simples fiéis católicos ao ler esses fatos, os quais me remetem a oportunos comentários feitos durante uma conferência pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema. Apresento-os aqui, de modo sintético e com algumas adaptações, à consideração do leitor:
“A ideia associada ao Santo Sepulcro é a de que Nosso Senhor Jesus Cristo — a suma perfeição, a suma bondade e a suma santidade — foi morto e ficou deitado nesse jazigo porque foi cometida uma injustiça tremenda, uma maldade horrorosa.
Mas esse local ficou como que perfumado pela passagem sacrossanta do corpo d’Ele. O Santo Sepulcro ficou impregnado de respeitabilidades e sacralidades por um processo misterioso de contágio do sagrado. Pelo fato de o santíssimo cadáver d’Ele ter tocado no lugar, este ficou impregnado de uma respeitabilidade participante da d’Ele. O sepulcro estava vazio, mas Ele tinha estado lá dentro. Portanto, ficou venerável num grau inimaginável. No Santo Sepulcro de Nosso Senhor coexistem a majestade e a grandeza que resplandecem na Santa Face do Santo Sudário, acrescidas de uma ternura inimaginável, proporcionada àquela majestade!
É belo imaginarmos a noite da Ressurreição. O Santo Sepulcro vai se preenchendo de anjos que portam sua luz. Nessa luz, de repente, o cadáver de Jesus Cristo começa a se mexer, mas não é um brusco levantar-se. Aquele cadáver lívido vai retomando cores e o inimaginável ocorre. Aquele que não podia morrer ressuscita!… Um acontecimento fantástico!
Santo Sepulcro
Observa-se à esquerda a janela retangular aberta pelos especialistas numa das paredes da edícula, através da qual os peregrinos podem observar a pedra da parede do túmulo de Nosso Senhor Jesus Cristo
A ideia do Santo Sepulcro pisado, entregue aos maometanos, profanado, conspurcado, ilumina com beleza sobrenatural a necessidade de lutar para fazer cessar essa abominação, pela ponta da espada, se preciso. Nasce assim o ideal de Cruzada, como todos já conhecem. A nobreza estava sendo preparada nos altos fornos da História, quando a Providência derramou sobre ela um condimento especial, que foi a graça da Cruzada: a guerra santa para a libertação do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Advieram então graças de fé, de amor de Deus, de elevação de alma, que comunicaram uma espécie de carisma imponderável às casas reais e à nobreza europeia. A generalidade dos cruzados recebeu como num flash uma graça de ordem mística ordinária, mas muito sensível para perceber o caráter sagrado do Santo Sepulcro. E essa graça, que lhes foi transmitida pelo Bem-aventurado Urbano II, o Papa da Cruzada, os levou a exclamar “Dieu le veut; Dieu le veut!” (“Deus o quer, Deus o quer”!) Sob o impulso dessa graça, se armaram para empreender a Cruzada e empurraram o perigo árabe para longe.
O Santo Sepulcro convoca e assume todos os homens com a força de atração de um cadáver que não se encontrava nele! Jesus Cristo foi morto e enterrado numa tumba guardada por guardas romanos para impedir que alguém entrasse. Mas, séculos depois, legiões de cavaleiros atravessam o mar, atraídos por esse sepulcro vazio há séculos!
Assim também, entre as cinzas quase frias da civilização cristã há, ainda hoje, uma brasa. Esta brasa são os católicos que como um vaso de fidelidade salvam a honra da Igreja, mudam a fisionomia dos acontecimentos e são uma garantia para o futuro. Fazer parte de uma Cruzada, caminhando pelos areais imundos de nosso século à busca do Reino de Maria Santíssima, constitui uma glória não menor que a de um cruzado andando pelas areias quentes da Á­frica do Norte ou da ­Ásia à reconquista do Santo Sepulcro.
Essa consideração forma o herói e o batalhador: o católico autêntico e sem jaça”.
Santo Sepulcro
Pequenas cruzes gravadas pelos cruzados em algumas pedras das paredes da igreja do Santo Sepulcro

____________

Notas:
  1. http://news.nationalgeographic.com/2016/10/jesus-tomb-opened-church-holy-sepulchre/
  2. http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-marcos/15/
  3. http://news.nationalgeographic.com/2016/10/jesus-christ-tomb-burial-church-holy-sepulchre/
  4. id. ibid.
  5. http://www.nytimes.com/2016/11/04/world/middleeast/jesus-tomb-opened-jerusalem-constantine.html?_r=0
  6. http://www.catholicculture.org/news/headlines/index.cfm?storyid=29942&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+CatholicWorldNewsFeatureStories+%28Catholic+World+News+%28on+CatholicCulture.org%29%29
  7. http://pt.aleteia.org/2016/11/10/odor-suave-e-perturbacoes-eletromagneticas-abertura-do-sepulcro-de-cristo-surpreende-observadores/
  8. http://www.terresainte.fr/
  9. http://www.mirror.co.uk/news/weird-news/jesus-christs-tomb-opened-first-9381660
  10. http://www.francetvinfo.fr/monde/video-13h15-j-ai-vu-qu-il-n-y-avait-rien-a-voir-dans-le-tombeau-du-christ_2112915.html
  11. http://vaticaninsider.lastampa.it/index.php?id=24&tx_ttnews%5Btt_news%5D=10738&cHash=5412a9633f
  12. http://www.francetvinfo.fr/societe/video-13h15-la-mysterieuse-panne-des-instruments-de-mesure-a-l-ouverture-du-tombeau-de-jesus_2112917.html