quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Hora de Fecho: Combater o cancro com células de estranhos /premium

Logo Observador

Hora de fecho

As principais notícias do dia
Boa tarde!
A técnica parece promissora, ainda está a dar os primeiros passos — e tem mão portuguesa. A grande vantagem é usar células do sistema imunitário de um dador, que não são rejeitadas pelo doente.
O comboio dirigia-se para Copenhaga quando foi atingido por vários objetos que voaram de um comboio de mercadorias que circulava na direção oposta. A carga terá voado devido ao vento forte.
A paralisação vai realizar-se nos portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira), Ponta Delgada e Praia da Vitória (Açores) durante seis meses, a partir do dia 16.
Consultora JLL diz que a oferta deve tornar-se mais robusta em 2019, apesar de a falta de edifícios disponíveis ser o "único constrangimento real" a uma maior aceleração da atividade
Para compreendermos a política nacional temos de analisar como é a governação de há séculos a esta parte: se o mundo estiver bem não há motivos de preocupação e quando está mal não há nada a fazer.
Vai ser engraçado ver PCP e BE passarem o ano a fazerem o número do partido que quer voltar a conquistar o seu eleitorado depois de se ter enrolado com outros partidos que os seus eleitores odeiam.
Piscou o olho aos congressistas essenciais para as reformas, atacou o PT de Lula e prometeu sangue, se for preciso. Os primeiros discursos como Presidente mostraram um Bolsonaro igual a si próprio.
O papa Francisco afirmou que é preferível viver como ateu do que ir todos os dias à igreja e passar a vida a odiar e a criticar os outros, acrescentando que o melhor é nem ir à igreja.
O tombo em relação a 2017 é gigante, mas a tendência não melhorou com a mudança no Governo -- antes pelo contrário. A direita, juntamente com a extrema-direita, tem 50% das intenções de voto.
Pequim defende a "reunificação pacífica", mas ameaça "usar a força" caso a ilha declare independência. Taiwan rejeitou o apelo da China comunista, sob a política "um país, dois sistemas".
Em 2016, o primeiro ano desde a abolição da política de filho único, o número de nascimentos aumentou para 17,86 milhões. Desde então, a taxa de natalidade caiu sucessivamente na China. 
Opinião

Nuno Crato
Alguma tradição antidemocrática brasileira tem origens republicanas numa teoria filosófica de pretensões progressistas: o positivismo de Auguste Comte. Uma história que vale a pena conhecer.
André Abrantes Amaral
Para compreendermos a política nacional temos de analisar como é a governação de há séculos a esta parte: se o mundo estiver bem não há motivos de preocupação e quando está mal não há nada a fazer.
Tiago Dores
Vai ser engraçado ver PCP e BE passarem o ano a fazerem o número do partido que quer voltar a conquistar o seu eleitorado depois de se ter enrolado com outros partidos que os seus eleitores odeiam.
Maria João Marques
Sobretudo ler bons livros, História e ficção. Podem não ter nada a ver com problemas concretos, mas são como a matemática: dão alicerces intelectuais sem os quais mais vale fechar a conta do facebook.
José Pinto
Deixar germinar o populismo de esquerda, tratando-o como se o não fosse, representa um erro crasso. Que o digam os cubanos, os venezuelanos e os brasileiros, por exemplo.
MAGG

Fábio Martins
Em causa está o uso indevido da linha branca na lateral dos modelos e o preço do material contrafeito, vendido em Portugal por apenas 10€.
Mais pessoas vão gostar da Hora de fecho. Partilhe:
no Facebook no Twitter por e-mail
Leia as últimas
em observador.pt
ObservadorEleito melhor jornal generalista 2018
©2019 Observador On Time, S.A.
Rua João Saraiva, n. 7, Lisboa

A Função pública e a pesada burocracia

Há alguns anos a esta parte, ouve-se com frequência falar de Oliveira Salazar, como se fosse a pessoa ideal para salvar a Pátria. Com o devido respeito pelas pessoas que manifestam esse género saudosismo, devo dizer de forma clara que essa saudade a mim não me aquece nem arrefece.

A Função Pública é com frequência o bombo da festa, em todas ocasiões, independentemente dos governos eleitos. Já no tempo que Oliveira Salazar esta classe social não era estimada, até se atribui culpas pelo condicionamento no desenvolvimento do País. Ora leiam a mensagem que segue abaixo que foi lida em 5 de Setembro de 1940.

 - “Este singelo almoço, em que me deram o prazer de tomar parte os chefes de todos os serviços do Ministério das Finanças, não se destinava a ser, ainda que muito merecida, atenção meramente pessoal: no meu espírito estava sobretudo agradecer, na pessoa dos mais altos superiores hierárquicos, a todos quantos tomaram a sua parte, larga ou modesta, no trabalho de reorganização financeira do País.

Não é momento – e não me ficaria bem-fazer referências a essa obra da qual aliás me pesa dizer não ser perfeita e não ficar completa. Desde muito cedo as circunstâncias exigiram da mim muito do que não me pertenceria, e perturbaram atenção e cuidados que não deviam ser apenas vigilantes mas absorventes e exclusivos. Obrigado a trabalhar em extensão e não em profundidade, pela vastidão imensa de outros campos de acção, foi impossível manter o ritmo primitivo e levar inteiramente a cabo a obra reformadora delineada desde os primeiros anos.

Apesar de tudo nós podemos orgulhar-nos de haver realizado em condições adversas, internas e externas, o que entre nós e antes de nós comummente atinge ofegante os altos cumes, em esforço que não há-de repetir-se, e repousa descendo, mas como quem lança alicerces, consolidados e estáveis, para obra duradoira.

Talvez por circunstâncias ligadas ao conhecimento da nossa passada administração; talvez pelo momento internacional prenhe de dificuldades a resolver como herança de uma guerra quando outra se gerava; porventura pelo êxito de um pensamento simples e claro e de princípios de estrita moralidade que se haviam obliterado quase por toda a parte na consciência dos povos – a reorganização financeira teve para nós importância maior do que normalmente lhe caberia. Foi o ponto de partida de toda a reforma administrativa: influenciou beneficamente a moral da Nação; serviu de fundamento e garantia à própria revolução política e social; permitiu o revigoramento da economia e verdadeira floração de obras de interesse geral; serviu entre as nações como carta de crédito da nossa capacidade; entre elas foi tomada como o sinal mais certo do nosso ressurgimento e sobre o prestígio que nos deu permitiu até se edificasse ou reconstruísse, tomando alento em seus voos, a nossa política externa. Acima de tudo porém, acima de tudo teve para mim o mérito inigualável de se encontrar na base do verdadeiro processo de cura que tem feito ressurgir a Nação.

Ora, mesmo descontado o que se deve às novas condições políticas criadas com a Revolução – meio indispensável a trabalho seguido e eficaz – os resultados obtidos não se devem a um só homem. Provem sem dúvida de um pensamento, mas, de um pensamento que animou muitas outras inteligências; provem de uma vontade, mas de uma vontade que se multiplicou em muitas outras vontades; provem de uma nação que se repercutiu do centro até aos mais ténues ramos da periferia. Sem esta concordância, sem este sincronismo, sem esta sinergia, mais um plano cairia como desilusão e o novo esforço aumentaria pelo fracasso a razão de descrer.  

É assim de justiça, pura justiça a palavra que ponha em relevo a colaboração do funcionário do Ministério da Finanças (ia dizer, mas tive receio, da burocracia das finanças; esta tem sido tão desacreditada, tão aviltada, que sem distinções necessárias nem eu mesmo me atreveria a fazer-lhe o elogio).

Haverá uma espécie de injustiça social, involuntária e inconsciente, neste clamor da opinião pública contra o burocrata?

O burocrata é, no simplismo e também por vezes na justeza dos juízos populares, o homem inútil que se compraz em multiplicar as formalidades, encarecer as pretensões, a amortalhar em papéis os interesses, embaraçar os problemas com dúvidas (de toda a espécie), atrasar as soluções com os despachos, obscurecer a claridade da justiça em nuvens de textos legais (?), ouvir mal atento ou desabrido as queixas e as razões do público que são o pão, ou o tempo, ou a fazenda, ou a honra, ou a vida da Nação perante o estado e a sua Justiça; trabalhando pouco, ganhar muito e certo, sem proveito nem utilidade social, parasitariamente, sorver como esponja o produto do suor e do trabalho do povo.

Estes traços têm caricatura e infelizmente aqui e acolá também retracto. De quem são as responsabilidades?

Quando nos países em desordem os políticos defendem as suas posições com a criação e distribuição de lugares às clientelas partidárias, praticam ao mesmo tempo acto imoral e ruinoso para a economia da Nação; mas quando, no aperto das crises, os mesmos responsáveis pela delapidação dos dinheiros públicos ou simplesmente pela inconsiderada extensão de serviços apregoam, como medida salvadora, o despedimento de funcionários em excesso, certo é fazer-se confusão entre problemas de moralidade administrativa e a necessidade de reforma do Estado. Quando por espírito de favoritismo pessoal ou partidário, por fraqueza ou mal-entendida bondade, corrupção ou ignorância das consequências, se preferem os maus aos melhores, degrada-se a moral do Estado e comete-se acto grave contra a justiça; mas no campo do interesse colectivo isso não é o mais grave. O pior de tido é não se poder dispor de instrumentos de trabalho úteis, é funcionarem com rendimento baixíssimo e de má qualidade o serviços públicos.

Muitos se admiram de que sejam tão precários, tão modestos ou tardios os feitos das suas reformas, de que os sinais das coisas se alterem do Governo até à Nação, o bem seja causa de injustiças e a justiça fontes de muitos males. Outros não sabem explicar-se porque aqui ou além uma ideia política e um acto do governo parecem dotados de tal poder de penetração no corpo social, de tal justeza na aplicação, que os resultados correspondem às previsões e os actos traduzem fielmente o pensamento que os ditou. Prudentemente deveriam uns e outros verificar como em ambos os casos estará montada a máquina do Estado.

Nunca hesitei em considerar da maior importância o problema do funcionalismo público, mesmo para a eficácia das reformas estranhas à Administração de que ele verdadeiramente constitui a técnica e a alma. E nesta conformidade desde princípio procurei a sua renovação ou reforma, sem violências inúteis e pondo apenas em jogo o tríplice sentido da utilidade, da justiça e da responsabilidade.

Se ao funcionário, integrado numa ordem administrativa qualquer, se deu a compreensão de como seu trabalho, simples que seja, se combina com o dos mais para a consecução de determinado resultado; se se lhe deu a consciência da grande obra em que participa e que sem o seu concurso seria impossível ou ficaria ao menos imperfeita, incutiu-se-lhe também o sentido da sua utilidade, na qual assenta em primeiro lugar a dignidade profissional.

Depois da utilidade, o sentido da justiça – da justiça do Estado para com ele, em recompensar-lhe o esforço, em premiar-lhe o mérito, em reconhecer-lhe as suas preferências, em coloca-lo, em promovê-lo, em conciliar o interesse do serviço com o seu interesse pessoal ou familiar, em o libertar de influências aviltantes, desnecessárias para a justiça que se lhe deve e insuficientes para favores que não se lhe podem fazer.

Por ultimo, o sentido da responsabilidade – agora a justiça do funcionário para com o Estado e para com a Nação. Este homem, por vezes isolado e modesto, sabe que reside nele uma parcela desse poder sagrado que é a autoridade; que esta existe não por imposição da força de quem quer mas por necessidade de vida em comum e para o maior bem de todos; sabe que dos seus actos ou da sua incúria, do seu saber ou da sua incompetência podem advir benefícios ou danos, riscos ou prejuízos para os indivíduos e para a colectividade nacional. A sua responsabilidade é enorme: da sua informação inexacta nasceu o despacho errado; do seu parecer tendencioso proveio a denegação da justiça; por causa dos factos, ou, dos números que levianamente não verificou veio a acontecer que actos de governo e até toda uma política foram completamente errados.

Por meios tão simples afinal se modificam a mentalidade, a formação, as qualidades profissionais e morais, o rendimento do funcionalismo de finanças.  Assim se viu ressuscitar esse velho tipo de funcionamento que conhece todas as minúcias do seu trabalho, só pensa no desempenho da sua função, se entusiasma com a boa ordem e aperfeiçoamento dos serviços, é progressivo, é zeloso, é exacto, não tem horas de serviço por que são todas, se é necessário, e sobretudo tem o espírito de justiça e o amor do povo.  Perante gente humilde, para quem as dotações orçamentais esgotadas, o esforço de verbas, os manifestos, as matrizes, os lançamentos, os relaxes, as execuções são coisas terrivelmente obscuras e misteriosas, que escuta com pavor e incompreensão e lhe amarfanham a alma porque por vezes lhe destroem a vida; perante credores ou devedores do Estado, esse funcionário não é altaneiro, nem arrogante, nem imensamente superior; é mestre e guia, antes de ser juiz e severo executor da lei.

Vive do seu lugar, porque vive do seu lugar; é respeitado porque se respeita, sente-se digno porque se sabe útil, e mesmo no mais baixo da escala, nos mestres mais humildes ele pode tocar a perfeição, segundo o pensamento de Junqueiro, pode ser-se sublime a varrer as ruas.

Se a moral profissional do funcionalismo se refugiara em poucos, está hoje em muitos; se este tipo de funcionário chegou a ser algum dia quase abstracção – e pelo menos tendia a ser raro – não é assim agora felizmente. Sob a imediata direcção de chefes, alguns dos quais trabalharam devotamente comigo desde a primeira hora, a esse funcionário se deve a compreensão de um vasto plano de reformas, as minúcias e delicadezas da sua execução e em grande parte o seu triunfo.  A ele recordo neste momento e o quero ver dignamente representado nos seus chefes supremos, por cujas prosperidades de homens, de funcionários, de portugueses tenho a honra de levantar o meu copo.”

Tema: A Função Pública e a Burocracia, pág. nº. 277.
Fonte: Discursos e Notas Políticas de Oliveira Salazar, III Tomo datado 1938-1943, 2ª. Edição, editado pela Coimbra Editora, Lda.

Considerações:  Todos nunca somos de mais, para dizer basta de tanta burocracia a reinar nas instituições públicas a que nos dirigimos. Perante esta avalanche de burocracia que há anos nos tem vindo a esmagar, não devemos dar lugar ao temor de tomar atitudes de afrontamento, pois ela bloqueia o desenvolvimento do País. Vivemos num reino de impunidade, porquê? Porque se é funcionário público, qual cedro do Líbano que resiste a todas as tempestades.
 
Contudo, a verdade que todos sentem e ninguém se atreve a confessar é que o País vive em profunda crise de medo: saber como e em que condições se deve apresentar reclamações contra a burocracia, que nos vai votando descaradamente a uma indiferença contínua, no "deixa andar", caso contrário fica-se na eminência de vir a perder os seus postos de trabalho e a sofrer na vida vicissitudes só pelo facto de querer contribuir de forma frontal, para o bem deste País, que desde há muito anda à deriva, esbanjando descaradamente os subsídios pedinchados à Comunidade Europeia.

Quem visitar as instituições públicas, certificar-se-à de que a realidade é bem mais flagrante da que procurei descrever aqui, mas, Oliveira Salazar já naqueles tempos foi frontal nas suas afirmações. Deparamos-nos com funcionários a ler revistas de entretimento e jornais, outros sentados às secretárias na cavaqueira, indiferentes a tudo ao que se passa ao seu redor, enquanto os utentes que para ali descontam, aguardam horas com a senha na mão à espera de serem atendidos, causando muitas vezes discussões evitadas.

Nem todos devem ser tidos por igual é certo, mas, a diferença é mínima. Para esses poucos exprimo o meu profundo respeito. O vírus da burocracia e da desmotivação veio para ficar como a Toyota. O país assim não passa da cepa torta. A quem interessa este marasmo, esta apatia? À quem chame a isto o reflexo dos tempos de crise, falta de motivação e empenho, etc. etc...

Com tudo isto associado, e a impunidade que se respira no funcionalismo público, estão reunidos os ingredientes para saltar a tampa da panela de pressão.

Serão todos, farinha do mesmo saco? Estou certo que não. Para que servem as greves a pedir mais aumentos nos vencimentos, passar para o quadro? O cidadão contribuinte que sustenta a pesada máquina pública com os seus impostos, tem ou não uma palavra a dizer? Certamente que sim. Urge agir, que se faz tarde.


J. Carlos

ÉTICA & JORNALISMO | A corrupção e a função social do jornalista


Por José Cleves em 04/10/2011 na edição 662

Passou da hora de os jornalistas trocarem a crítica genérica sobre a corrupção no país por algo mais prático. Quando o veneno da execração pública já não mais resolve (veja caso Maluf), “porque o crime compensa” (dos R$ 40 bilhões desviados dos cofres públicos federais entre 2002 e 2008, como informa a Fundação Getúlio Vargas, creio que nem 1% foi ressarcido ao erário), a solução é evitar que o mal aconteça e a imprensa pode fazer isso porque corrupção é uma doença contagiosa que prolifera pela omissão. A verdade é que a lei que trata do crime de improbidade administrativa (8.429/92) é maravilhosa na teoria e ordinária na prática.
Não acredito em crime perfeito e não admito o argumento de que esse é um problema estritamente da polícia. Ora, todo mundo sabe que polícia trabalha na consequência do fato. A Militar patrulha e registra ocorrências e a judiciária (Civil e Federal) investiga o fato acontecido. Nenhuma delas tem a função de fiscalizar os órgãos públicos. Esta é uma tarefa do Ministério Público, que é um poder autônomo e desvinculado dos demais, que são por ele fiscalizados – inclusive a polícia (art. 127 a 130 da CF). Mas não é operacional. O promotor não frequenta repartições públicas, não acompanha fisicamente o dia-a-dia da política, não fuça gabinetes. O mesmo pode-se dizer dos conselheiros dos Tribunais de Contas, outra instituição desvinculada dos demais poderes e responsável pela fiscalização das contas públicas – dinheiro, bens e valores públicos (art. 71 CF).
Portanto, sobrou para os jornalistas, que são obrigados a escarafunchar gabinetes, levantar tapetes e se intrometer nos negócios do governo para relatar ao público o que os seus representantes e prepostos estão fazendo com o seu dinheiro. Por essa razão, não podemos ficar no limite do escândalo. Imagine um médico pasmo com o agravamento da doença de seu paciente, sem fazer nada. Ao repórter omisso, aplica-se a mesma premissa do juramento hipocrático, por crime de má conduta na apuração do fato. Como a nossa atividade é autônoma e sem uma autorregulação, pela ausência de um conselho federal, por exemplo, ela foge ao controle do Estado e da própria classe, não havendo meios legais para se punir o mau profissional, a não ser quando ele comete crimes comuns previstos em lei.

FRENTE CONTRA A CORRUPÇÃO
A informação é um bem social imprescindível – foi por falta dela que os Estados Unidos sofreram o 11 de setembro, o maior atentado terrorista da história. O Estado democrático e o dever de ofício levam o jornalista e o promotor à condição de predadores dos agentes públicos infiéis – um fuça e o outro jurisdiciona – com a diferença de que o salário do promotor é pago pelos contribuintes, que não visam ao lucro. Já o jornalista presta serviço para empresários que só pensam em dinheiro. O promotor desonesto pode perder o emprego para sempre, mas se o repórter pegar um jabá, por exemplo, corre o risco de ficar desempregado temporariamente porque essa é uma prerrogativa do veículo onde trabalha. Ou seja, no caso do jornalista, a relação patrão-empregado não passa pelo crivo da moralidade.
É por essas e outras razões que defendo, ardentemente, a autorregulação da profissão de jornalista, seja através de um conselho ou ordem, para o autocontrole da conduta ética e profissional da categoria, através de instrumentos que vão além de meros preceitos éticos. É humilhante uma classe de intelectuais como a nossa, responsável por tão nobre missão, não ter competência para se organizar na forma de uma instituição como a dos advogados ou médicos, por exemplo, que possuem instrumentos próprios para o controle dos registros profissionais. Não admito que o controle de registro profissional do jornalista continue sendo feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego, se temos plenas condições de ter o seu domínio de forma mais eficiente e competente.
Lavando a roupa suja, temos que considerar que boa parte dos jornalistas peca por falta de qualificação ou de caráter – ou dos dois juntos. A falta de caráter não tem cura (e nem ensinamentos, como pensava Sócrates), mas qualificar é possível. Por isso sugiro à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e demais entidades representativas da classe que realizem um encontro nacional da categoria para conscientizá-la sobre o seu real papel na fiscalização dos agentes públicos e orientá-la sobre meios e métodos de atuação – os critérios de conduta ética e a importância da imprensa como guardiã do patrimônio público. O mote do encontro seria o verdadeiro papel da imprensa diante do aumento da corrupção no país. Como convidados, teríamos a participação de representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia, do Tribunal de Contas e do Poder Legislativo e Executivo.

Venda de espaço
Além de integralizar esses poderes, assuntos importantes, como o acesso aos registros públicos e o aspecto jurisdicional das acções, enriqueceriam o debate na busca de um atalho para o combate à corrupção no país. O Brasil conta hoje com 5.502 municípios, creio que 70% deles com cobertura jornalística, seja por veículos próprios ou regionais. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), existem no país 4.056 jornais filiados à entidade e um número não calculado de não filiados. Mas, em termos efectivos, pode-se dizer que 90% deste trabalho é ineficiente. Ou seja, praticamente sem nenhuma fiscalização jornalística rigorosa.
Moral da história, o que estava ruim, piorou ainda mais. Até porque existem os jornais pontuais, que surgem em época de eleição para dar apoio a este ou aquele candidato. São panfletos que não deveriam ter nenhum crédito, mas são formadores de opinião – e o pior: por traz de cada um desses jornais tem sempre um jornalista fazendo bico para sobreviver.
Sei que a forma com a qual a imprensa nanica fiscaliza os agentes públicos no interior é altamente favorável à corrupção porque a maioria destes veículos depende de verbas públicas para sobreviver. Vende espaço e opinião em troca de favores. Esta relação incestuosa anula a imprensa e faz do jornalista um contribuinte passivo da corrupção. Ora, é compreensível que o dono de um jornal do interior dependa de verbas públicas para custear o seu veículo, mas ele não pode se anular por completo. Tem, no mínimo, que cumprir a sua obrigação de informar o público sobre todos os fatos políticos que ocorrem na cidade porque éfunção do jornalismo nos regimes democráticos fiscalizar os poderes públicos e privados e assegurar a transparência das relações políticas, económicas e sociais.


O jornalismo declaratório
Por conta disso, a imprensa e a mídia são, às vezes, cognominadas de o Quarto Poder, aquele que é responsável pela fiscalização dos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Assim sendo, é obrigação do jornalista fazer a cobertura sistematicamente do Poder Legislativo, comparecendo a todas as reuniões ordinárias e extraordinárias para levar ao público o que rola nos seus bastidores e com isso fiscalizar o Poder Executivo, que sem o Legislativo não faz nada. É preciso, ainda, ter profundo conhecimento do seu Regimento Interno e da Lei Orgânica do Município.
Recomenda-se que o material obtido nos debates públicos vá para o mix de reportagem, onde deve ser publicado com isenção, ficando as impressões jornalísticas para a seção de opinião. Com isso, o jornal cumpre o seu papel pela concisão do fato relatado. Este tipo de trabalho sério normalmente é reconhecido pelas autoridades, até porque o bom jornalista é aquele que se impõe pelo respeito e a seriedade de seu trabalho. O segredo é se informar bem para informar melhor ainda.
Vale lembrar que as coberturas dos poderes legislativos são exauridas ao final das reuniões porque este é um poder representativo de todos os interesses políticos e colectivos. Dentro desta Casa estão os representantes do povo, dos partidos políticos, do prefeito e de todos os demais segmentos da sociedade, de forma que se a fala de um vereador ou de um deputado ofender alguma autoridade, lá estará, com certeza, o representante legal deste para fazer a sua defesa. Se isso não ocorre, não é problema do repórter. Funciona assim. É o que chamamos de jornalismo declaratório – um fala e outro se defende, através de um debate democrático e salutar. O jornalista, neste caso, é mero mediador de fatos.

Relação estritamente profissional
Outra atenção especial deve ser dada às licitações públicas que, por lei, são publicadas na imprensa oficial. O repórter precisa conhecer a lei que rege as licitações públicas, ler os editais e checar os aditivos, que não podem passar de 25% do valor da obra ou do serviço a ser prestado. É sabido que as principais irregularidades detectadas pelos Tribunais de Contas nas prestações de contas dos municípios estão nas licitações, movimentação de pessoal e no sector de compras, procedimentos esses que não passam pelo Legislativo. Portanto, é necessário ao repórter ficar atento a tudo isso porque o tamanho do dinheiro público que vai para o ralo depende do tamanho da omissão jornalística. Até porque, é sempre bom lembrar, o poder judiciário trabalha por provocação. Por isso é importante ao jornalista actuar em parceria com o Ministério Público, que tem poderes para, entre outras coisas, mover uma acção cível pública contra um prefeito ou vereadores por crime de improbidade administrativa.
A eficiência jornalística tem tudo a ver com a conduta pessoal do jornalista. Portanto, o ideal é que o repórter evite qualquer relação que venha mais tarde a criar constrangimentos para o livre exercício da profissão. O repórter não deve ter nenhuma relação de amizade com políticos e demais autoridades que fazem parte de seu contexto profissional. Evitar ao máximo possível as informalidades, não aceitar nada que venha a comprometer o seu trabalho, como favores ou agrados, e não fazer parte dos segredos profissionais e/ou particulares de agentes públicos que ostentam poderes porque isso compromete a relação profissional. Eu não vou a festa de político, não lhe peço favores, não os aceito e nem dou margem para que eles me tratem como amigo. A nossa relação tem que ser estritamente profissional, de respeito mútuo, para que possamos ser cépticos, críticos e independentes, como dever ser um bom jornalista.
Agindo desta forma qualificada e ética iremos, com certeza, contribuir muito para a redução da corrupção no país.

***Observatório da Imprensa
[José Cleves é jornalista, Belo Horizonte, MG]

NB: Artigo adaptado considerando o assunto em si, e o interesse público do mesmo. Os leitores o que têm para dizer sobre o assunto? Enviem-nos as vossas opiniões para e-amil:editorlitoralcentro@gmail.com

Pessoas | Roberto Leal emocionado revela luta contra o cancro e perda de visão

O músico português Roberto Leal falou pela primeira vez dos problemas de saúde que o afetam. A viver no Brasil, o artista confessou que está a travar uma batalha contra o cancro e que está cego de um olho.

Numa entrevista exclusiva ao "Domingo Show", um programa da estação televisiva Record TV, Roberto Leal contou que os problemas de saúde começaram a manifestar-se com fortes dores de costas.

"Era uma dor que começava no final da coluna, chamada hérnia discal, que se estendia para a minha perna direita e a deixava adormecida. Tinha horas em que eu não sentia sequer a perna do joelho para baixo", explicou.


Depois de uma profunda análise por parte da equipa médica que o acompanha, o músico descobriu que tinha um cancro.

Questionado se a doença o deixa com medo da morte, Roberto foi claro: " Se realmente cheguei a esta situação, se este caminho é o único caminho possível, eu não tenho escolha, mas voltar para atrás, não. Isso é próprio de alguém que sabe que há uma luz no fim do túnel, e eu sei e tenho certeza que o amor vencerá toda a dor".

O artista,nascido há 67 anos, em Trás os Montes, na Aldeia de Vale da Porca, revelou ainda que sofre de problemas de visão, estando cego do olho direito.

Os médicos diagnosticaram duas cataratas depois das dez sessões de radioterapia que fez para travar o cancro e o avanço do tumor terá provocado um deslocamento na retina.

Fonte: JN

Mário Centeno eleito melhor ministro das Finanças do ano pelo Financial Times

"O ministro das Finanças português pode olhar para os seus primeiros 12 meses como presidente do Eurogrupo com satisfação bem merecida", destaca a revista The Banker
Resultado de imagem para Mário Centeno eleito melhor ministro das Finanças do ano pelo Financial Times
Mário Centeno foi considerado o melhor ministro das Finanças do ano na Europa pela revista The Banker, do jornal Financial Times.
"O ministro das Finanças português Mário Centeno pode olhar para os seus primeiros 12 meses como presidente do Eurogrupo com satisfação bem merecida. A maratona de negociações que envolveram os ministros das Finanças da Zona Euro no início de dezembro terminou com as reformas mais significativas para o bloco da moeda única desde a crise de dívida soberana. O acordo foi alcançado sobre uma série de questões em torno da prevenção e da gestão de futuras crises financeiras", destaca a publicação .
Centeno enfrentará ainda mais desafios em 2019 , escreve ainda a revista que todos os anos elege "o ministro das Finanças do ano".
Carolina Rico / TSF

Colheita de sangue dia 2 de Janeiro das 15 horas às 19:30 horas no Posto Fixo da ADASCA em Aveiro



Para ser dador de sangue, é preciso ter entre 18 e 65 anos (até aos 60 anos, se for uma primeira dádiva), hábitos de vida saudáveis e peso igual ou superior a 50 kg.

Pode ser dador de medula óssea se tiver entre 18 e 45 anos, peso igual ou superior a 50 kg, não for portador de doenças crónicas ou autoimunes e não tiver recebido uma transfusão de sangue desde 1980.
Com um pequeno gesto pode fazer a diferença. Dê sangue e registe-se como dador de medula óssea!

- Não se deve doar sangue em jejum
- Após terminar o almoço convém deixar decorrer 2:30 horas período necessário para a digestão

- Faça acompanhar do Cartão de Cidadão ou do Cartão Nacional de Dador de Sangue.

Mapa das Brigadas com datas e horários 2019


O Posto Fixo da ADASCA funciona no interior do Mercado Municipal de Santiago, 1º. Piso, com entrega pela urbanização Vila Jovem, rua de Ovar



Detido na posse de 104 doses de haxixe em Águeda

O Comando Territorial de Aveiro, através do Posto Territorial de Águeda, no dia 27 de Dezembro, deteve um homem com 25 anos, pelo crime de tráfico de estupefacientes, em Águeda.
No seguimento de uma denúncia de que um indivíduo estaria a consumir estupefacientes, a patrulha deslocou-se até ao local e verificou que o suspeito tinha na sua posse 104 doses de haxixe, as quais foram apreendidas.
O detido, após ter sido presente no Departamento de Investigação Ação Penal de Águeda, ontem, dia 28 de Dezembro, ficou sujeito à medida de coação de termo de identidade e residência.