sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Aveiro: 4 de março | 18HOO | Casa Santa Joana

PRÓXIMA SESSÃO DAS TARDES COM SABERES É SOBRE DESIGN THINKING PARA OS NEGÓCIOS

Desde a identificação e o reconhecimento do problema, até à geração de soluções, o Design Thinking é hoje em dia uma ferramenta focada, essencialmente, na criação, execução e implementação de respostas para os desafios das organizações.

É uma ferramenta tão atual, neste nosso mundo em mudança acelerada, que a UNAVE-Associação Para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro, atenta aos problemas e às necessidades do meio empresarial, não podia deixar de a incluir na sua oferta formativa.

Vamos, por isso, fazer uma primeira abordagem ao tema, no próximo dia 4 de março, pelas 18h00, no âmbito das nossas Tardes Com Saberes, em parceria com o jornal Diário de Aveiro.

Tratar-se-á de uma conversa descontraída sobre o Design Thinking aplicado em ambiente de negócios (o que é e para o que serve?), em jeito de tertúlia, ao fim de um dia de trabalho, com Teresa Franqueira, docente do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e coordenadora da Design Factory, e Dina Oliveira, mestre em Marketing, com especialização em Design Thinking, atualmente a desempenhar as funções de agente de inovação na SONAE. 

As entradas são gratuitas mas de inscrição obrigatória, através do endereço unave.formacao@ua.pt , por causa da logística.

Está em curso a operação “Carnaval 2020” da GNR

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A Guarda Nacional Republicana, desde hoje, dia 21 e até ao dia 25 de fevereiro, irá realizar uma operação de intensificação do patrulhamento e fiscalização rodoviária intensiva em todo o continente, orientada para as vias que conduzem aos locais onde tradicionalmente ocorrem festividades carnavalescas, com o objetivo de combater a sinistralidade rodoviária, regular o trânsito e garantir o apoio a todos os utentes das vias, proporcionando-lhes uma deslocação em segurança.
As festividades associadas ao Carnaval provocam um aumento significativo do tráfego rodoviário em consequência das deslocações de inúmeras pessoas dos locais de residência habitual para os locais onde tradicionalmente têm lugar os festejos, sendo este um período propício a um maior consumo de bebidas alcoólicas e/ou substâncias psicotrópicas, particularmente nos locais de diversão noturna, envolvendo, por vezes, a utilização de veículos como forma de regresso às residências.
Durante a operação, a GNR, através da Unidade Nacional de Trânsito e dos Comandos Territoriais, irá direcionar as ações de fiscalização para a deteção das seguintes infrações:
·Condução sob a influência do álcool e de substâncias psicotrópicas;
·Excesso de velocidade;
·Falta de habilitação legal;
·Manobras perigosas, especialmente no que respeita à manobras de ultrapassagem, mudança de direção e cedência de passagem;
·Incorreta ou não utilização do cinto de segurança e/ou sistemas de retenção;
·Excesso de lotação;
·Anomalias nos sistemas de iluminação e sinalização;
·Utilização incorreta do telemóvel durante a condução;
·Falta de inspeção periódica;
·Falta de seguro de responsabilidade civil.

Boas notícias para quem gosta de Carnaval: temperaturas que podem chegar aos 26 graus

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RTP
As miniférias do Carnaval vão ser marcadas pelo bom tempo, com céu pouco nublado e temperaturas que podem chegar em algumas regiões do país aos 26 graus Celsius, embora na terça-feira as máximas comecem a descer.
De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Patrícia Gomes, nos próximos dias prevê-se céu limpo e vento moderado a fraco a soprar do quadrante leste, sendo mais intenso nas terras altas.
“Em relação às temperaturas, hoje já sobem, tanto a mínima como a máxima, e vão manter-se mais ou menos nos mesmos valores até segunda-feira”, disse Patrícia Gomes, acrescentando que as temperaturas estão acima do normal para a época.
Contudo, na terça-feira, dia de Carnaval, já é esperada uma descida de temperatura e existe uma possibilidade baixa de ocorrência de precipitação.
“Para terça-feira prevê-se um enfraquecimento do anticiclone que vai permitir a aproximação de uma superfície frontal fria que vai dar origem a uma possibilidade de precipitação entre 10 a 35% nas regiões do norte e centro, em especial no litoral”, referiu.
Em relação às temperaturas, Patrícia Gomes adiantou que as mínimas vão rondar os 5 a 11 graus Celsius em grande parte do território, sendo nas regiões do interior norte e centro entre os 0 e os 5 graus.
“No que diz respeito à máxima, nos próximos dias e até segunda-feira vão variar entre os 16 e os 25 graus. Os valores mais elevados vão registar-se na região sul, nas regiões do Alentejo e Algarve, e os mais baixos nas regiões do interior norte e centro”, disse.
Para terça-feira de Carnaval está prevista uma descida da temperatura entre 3 a 6 graus comparativamente aos valores a registar hoje e no fim de semana.
Com Lusa

Moçambique é um dos piores países do mundo para crianças diz OMS, UNICEF e Lancet

Moçambique é um dos piores países do mundo na protecção da saúde e futuro das crianças, indica um relatório divulgado nesta quarta-feira (19) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela revista de medicina The Lancet. Embora representem 46 por cento da população o Governo não tem nenhum plano concreto para inverter este cenário dramático e o Presidente Filipe Nyusi praticamente ignoro-as no seu discurso de investidura.

“Apesar das melhorias na mortalidade infantil, nutrição e educação nas últimas décadas o futuro das crianças é incerto. Mudanças climáticas, degradação ecológica, migrações, conflitos, desigualdades e práticas comerciais predatórias ameaçam a saúde e o futuro das crianças em todos os países do mundo”, revela o documento apresentado por uma comissão de mais de 40 especialistas de todo o mundo convocados pela OMS, UNICEF e a The Lancet.

A co-presidente da Comissão e ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, estimou que “cerca de 250 milhões de crianças menores de 5 anos de idade em países de baixa e média renda correm o risco de não atingir seu potencial de desenvolvimento, com base em medidas proxy de baixa estatura e pobreza. Mas com uma preocupação ainda maior, cada criança no mundo todo agora enfrenta ameaças existenciais decorrentes das mudanças climáticas e das pressões comerciais”.

Helen Clark apelou aos “países para reverem a sua abordagem à saúde da criança e do adolescente, para garantir que não apenas cuidemos de nossas crianças hoje, mas também protejamos o mundo que eles herdarão no futuro”.

O relatório, intitulado “A Future for the World’s Children?”, inclui um novo índice global de 180 países, comparando o desempenho no desenvolvimento de crianças, incluindo medidas de sobrevivência e bem-estar infantil, como saúde, educação e nutrição; sustentabilidade, com um proxy para emissões de gases de efeito estufa, e equidade ou diferenças de renda onde Moçambique figura na posição 170.

O índice mostra que crianças na Noruega, Coreia do Sul e Holanda têm as melhores chances de sobrevivência e bem-estar, enquanto os petizes na República Centro-Africana, Chade, Somália, Níger, Mali, Guiné-Conacry, Nigéria, Sudão do Sul, Serra Leoa, Afeganistão e Moçambique enfrentam as piores chances.

Presidente Nyusi ignorou as crianças no discurso de investidura

“Mais de 2 biliões de pessoas vivem em países onde o desenvolvimento é dificultado por crises humanitárias, conflitos e desastres naturais, problemas cada vez mais associados às mudanças climáticas", disse o co-presidente da Comissão, o senegalês Awa Coll-Seck.

Para proteger as crianças, os autores independentes da Comissão pedem um novo movimento global impulsionado por e para crianças com várias recomendações específicas tais como: Colocar crianças e adolescentes no centro de nossos esforços para alcançar o desenvolvimento sustentável; Novas políticas e investimentos em todos os sectores para trabalhar em prol da saúde e dos direitos da criança; Incorporar as vozes das crianças nas decisões políticas; Interromper com extrema urgência as emissões de CO2, para garantir que as crianças tenham um futuro neste planeta.

“Este relatório mostra que os tomadores de decisão do mundo estão, com demasiada frequência, falhando com as crianças e os jovens de hoje: deixando de proteger sua saúde, deixando de proteger seus direitos e deixando de proteger seu planeta”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Isso deve ser um alerta para os países investirem em saúde e desenvolvimento infantil, garantir que as vozes das crianças sejam ouvidas, proteger seus direitos e construir um futuro adequado para meninas e meninos”.

No nosso país os decisores do partido Frelimo, após falharem durante 44 anos, preparam-se para mais 5 anos sem proteger o presente nem investir no futuro das crianças, de acordo com o Censo eram 12,5 milhões em 2017 os cidadãos com idades entre os 0 e 14 anos de idade, a julgar pelo discurso inaugural do Presidente Filipe Nyusi, onde são referidas em apenas duas ocasiões e nem sequer tiveram direito a um capítulo de acções próprias, primazia é dada aos combatentes e a juventude.

A taxa de mortalidade infantil, segundo o Instituto Nacional de Estatística, diminuiu de 93,6 por cento em 2007 para 67,3 por cento em 2017 contudo a quantidade de crianças fora da escola aumentou de 34,3 por cento para 38,6 por cento. As taxas de cobertura de saúde infantil estão estagnadas nos 69 por cento, 43 por cento das crianças moçambicanas tem desnutrição crónica, 8 por cento delas padece de desnutrição aguda.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Pesso Pensador
Triste e dura realidade. Mocambique e um Pais doente. Doente, ao nivel em que o estagio em qiue ele se encontra. Pois um Pais em que as politicas estao mais voltadas aos interesses dos politicos e nao dos cidadao, pouco se pode esperar de falar de criancas indefesas. Um Pais em que a opiniao publica, a exclusao do jovem no processo de tomada de decisoes nao e tida como uma preocupacao, em que momento serao inclusas as politicas de crescimento e desemvolvimento infantil. Se nao fosse as boas accoes dos parceiros de saude, educacao, agua e sanemento de apoio externo....O que seria do futuro de criancas e jovens. Este Pais precisa urgentemente de uma assistencia tecnica "se eh que assim se pode dizer". Pois o estado, nao dispoe de politicas concretas de desemvolvimento sustentavel. Precisamos de ajuda.
GostoResponder1 h

Moçambique | 44 anos depois Estado regista à seu favor o “Prédio 33 andares”

Foto de Adérito Caldeira

Mais de quatro décadas após as nacionalizações de todos os prédios de rendimento o Estado decidiu registar “o direito de propriedade sobre o imóvel denominado Prédio 33 andares” à seu favor.

Através de um Despacho publicado no 2º dia de 2020, rubricado pelos ministros da Economia e Finanças assim como das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, o Executivo de Filipe Nyusi registou à favor do Estado “o direito de propriedade sobre o imóvel denominado Prédio 33 andares, localizado na rua da Imprensa, nºs 264, 288 312”.

“O presente despacho constitui documento válido para efeitos de registo de propriedade do imóvel, junto da Conservatória do Registo Predial de Maputo”, pode-se ainda ler no Despacho publicado em Boletim da República.

Não foram revelados os motivos desta “regularização”, afinal desde 1976, no âmbito das nacionalização, todos os edifícios tinham revertido à favor do Estado.

O Prédio 33 andares, que perdeu o estatuto de mais alto de Moçambique, alberga inquilinos de habitação mas também é ocupado como escritório por centenas de instituições públicas e privadas.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Moçambique | Manuseamento de carga aumenta no Porto de Maputo mas receitas da MPDC para o Estado reduzem 37,6 por cento

Foto do Porto de Maputo
As receitas da Maputo Port Development Company (MPDC) para o Estado reduziram em 37,6 por cento no ano passado num ano em que a empresa que tem a concessão do Porto de Maputo até 2028 anunciou ter aumentado o manuseamento de carga. “O que está nesse Relatório eu não reconheço como valores da MPDC” disse ao @Verdade o CEO da MPDC, Osório Lucas, sociedade anónima que nunca publicou as suas contas auditadas.
O Relatório de Execução Orçamental (REO) de Janeiro a Dezembro de 2019 revela que das Receitas que o Estado obteve com as concessões aumentaram de 152 biliões de meticais, em 2018, para 276 biliões contudo a concessão do Porto de Maputo foi uma das duas que gerou menos dinheiro.
A Maputo Port Development Company gerou para o Estado 193,2 milhões de meticais em 2019, menos 37,6 por cento do que os 309,5 milhões pagos em 2018.
Esta redução de receitas acontece num exercício económico em que a MPDC anunciou que: “Os volumes manuseados pelo Porto de Maputo atingiram 21 milhões de toneladas em 2019, batendo assim o recorde de 2018 de 19.5 milhões de toneladas. Este crescimento de 8 por cento esteve principalmente baseado no manuseamento de crómio e um crescimento substancial no manuseamento de contentores e magnetite”.
“Por outro lado e como consequência da expansão do terminal de contentores e duma estratégia de marketing arrojada, o manuseamento de contentores apresentou um crescimento considerável na ordem de 53 por cento relativamente a 2018, manuseando um total de 162.000 TEUs”, indica a empresa concessionária do Porto de Maputo em comunicado de imprensa datada de 9 de Fevereiro último.
Relatório de Execução Orçamental de 2019, 4º trimestre
Confrontada pelo @Verdade o Chief Executive Officer (CEO) da MPDC esclareceu que “A Direcção Nacional de Tesouro solicita-nos todos os anos, com o prazo de 10 de Março do exercício fiscal seguinte, as receitas resultantes das rendas de concessão e outros benefícios pagos ao Estado. Eu recebi ontem, da Direcção Nacional de Tesouro, a solicitação da informação de 2019. O que pode estar no Relatório (de Execução Orçamental) só pode ser uma projecção”.
“Não costumamos publicar os nossos Relatório e Contas”
“Os relatórios e contas das empresas só fecham em Março/ Abril, portanto não é normal que em Janeiro ou Fevereiro de 2020 já exista informação financeira de 2019. O que está nesse Relatório (de Execução Orçamental) eu não reconheço como valores da MPDC pois desconheço as taxas de câmbio aplicadas pois as rendas são referencias em divisas”, disse Osório Lucas em entrevista telefónica ao @Verdade.
O CEO da sociedade anónima que tem a concessão de Exploração e gestão dos terminais de carga geral e de contentores do Porto de Maputo declarou no entanto ao @Verdade, mesmo ainda sem fechar as contas de 2019, que: “as rendas da MPDC subiram na ordem de 8 a 9 por cento e as rendas que o Estado recebe são em função da receita, portando se a receita sobe a renda tem que subir”.
“Agora não pode estabelecer uma relação matemática do movimento de volumes de carga com o consequente aumento da receita e da renda, as cargas não tem todas o mesmo valor”, explicou ainda Osório Lucas ao @Verdade.
O Relatório de Execução Orçamental é um documento publicado trimestralmente pelo Governo com a sua contabilidade consolidada.
Já a Sociedade anónima e concessionária de infra-estruturas pública a Maputo Port Development Company nunca publicou as suas Demonstrações Financeiras auditadas. “Nós por prática partilhamos as contas com os accionistas, não costumamos publicar os nossos Relatório e Contas” disse ao @Verdade o CEO da Maputo Port Development Company.

Fonte: Jornal A Verdade, Moçambique

Com a abstinência de carne, a Igreja favorece o vegetarianismo? — Reposta do Pe. David Francisquini


Pergunta — Por que a Igreja proíbe comer carne nos dias de jejum e nas sextas-feiras? Agindo assim, não mostra certa reticência a este alimento, dando razão aos adeptos do regime vegano? Pergunto isso porque um colega de trabalho, que é vegetariano, me fez esse comentário e eu não soube responder. Obrigada.

Pe. David Francisquini

Resposta — A disciplina atual da Igreja latina impõe aos fiéis “guardar abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, n° 2043). O jejum e a abstinência são obrigatórios na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa; e a mera abstinência todas as sextas-feiras do ano, salvo se coincidir com alguma solenidade, conforme o cânon 1251. Mas, por disposição da CNBB, os fiéis brasileiros podem substituir a abstinência de carne das sextas-feiras por uma obra de caridade, um ato de piedade, ou pela privação de outro alimento (Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, 2010).

Antigamente, a obrigação de abstinência começava com o uso da razão, ou seja, aos sete anos, mas atualmente ela passa a vigorar somente a partir dos quatorze anos de idade, e vai até o fim da vida (o jejum é obrigatório somente entre os 18 e 59 anos). Da obrigação de abstinência — a qual vigora sob pena de pecado mortal — estão dispensados os doentes, os operários que realizam trabalhos cansativos, os soldados em campanha e os pobres e viajantes que não dispõem de outros alimentos.

Importa destacar que a obrigação da abstinência de carne é um costume multissecular na Igreja, confirmado por lei eclesiástica. Sua finalidade é nos ajudar a mortificar nosso corpo e dominar as paixões. Tal obrigação não é de direito natural; ou seja, embora o direito natural obrigue os pecadores a fazerem penitência por seus pecados, não lhes impõe nenhum meio específico para isso. Depois da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, essa obrigação deixou de ser de direito divino. Antes ela acontecia na lei mosaica, que proibia aos judeus o consumo de certos alimentos.

Na lei da abstinência de carne não entra, portanto, aversão alguma da Igreja em relação à carne como alimento, nem ao seu consumo pelo homem, contrariamente ao afirmado de modo errôneo pelo colega de nossa missivista e pelos que outrora sustentavam algumas heresias (como a dos maniqueus, para os quais a carne e todo o mundo material eram uma coisa má em si mesma). Pelo contrário, o Gênesis nos diz que cada categoria de seres criados foi considerada boa por Deus; e no relato referente ao sexto dia da criação, acrescenta: “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (1, 31).

Não chames de impuro o que Deus purificou
São Pedro – Mestre de Castelsardo (séc. XV), igreja de São Pedro Apóstolo, Tuili, Sardenha, Itália.

Quanto a servir-se da carne como alimento, Deus o autorizou expressamente a Noé e seus filhos após o Dilúvio, dizendo: “Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento; eu vos dou tudo isto, como vos dei a erva verde” (Gen 9, 3). Dirigindo-se a Timóteo, São Paulo lhe diz que no futuro virão “espíritos embusteiros” e “doutrinas diabólicas” (dir-se-ia que o Apóstolo previra o surgimento dos veganos de nossos dias…), os quais proibirão “o uso de alimentos que Deus criou para que sejam tomados com ação de graças pelos fiéis e pelos que conhecem a verdade”, apesar de que “tudo o que Deus criou é bom e nada há de reprovável, quando se usa com ação de graças” (1 Tim 4, 1-4).

Mesmo tendo Deus dado a Noé e à sua progênie uma permissão geral para alimentar-se indistintamente de vegetais e animais, Ele, porém, lhes proibiu de se alimentarem com o sangue dos animais, presumivelmente no intuito pedagógico de inspirar nos homens horror ao homicídio. Mais tarde, Moisés também proibiu aos judeus o consumo da carne de certos animais considerados impuros; daqueles que morriam por doença ou eram atacados pelas feras; dos imolados aos ídolos e das carnes sufocadas (ou seja, provenientes de animais que não tinham sido dessangrados ao morrer).

Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, ensinou que a impureza não provém daquilo que entra pela boca, mas do que sai do coração (Mt 15, 17-20), revogando implicitamente as prescrições alimentares da lei mosaica. Para confirmar tal revogação, Deus mostrou a São Pedro — no êxtase que este teve na casa do curtidor Simão, em Jope, enquanto lhe preparavam de comer — uma toalha na qual havia “de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu”, enquanto uma voz lhe dizia: “Levanta-te, Pedro! Mata e come”. Ao que ele respondeu: “De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura”. A voz então retrucou: “Não chames tu de impuro o que Deus purificou”. E isso se repetiu três vezes (Act 10, 9-16).

Dita revogação foi ainda confirmada no Primeiro Concílio de Jerusalém. Contrariando os desejos dos cristãos judaizantes, que queriam sujeitar os gentios convertidos à observância das abstinências da Lei de Moisés, o Concílio decretou que “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós [os Apóstolos] não vos impor outro peso além do seguinte indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da impureza” (Act 15, 28-29).

O Concílio de Florença (1444) declarou que essa abstenção (do sangue e das carnes sufocadas) imposta pelos Apóstolos reunidos em Jerusalém visava unicamente poupar a sensibilidade dos judeus recentemente convertidos, e que não era mais obrigatória no Novo Testamento.

Enquanto certas igrejas do rito oriental ainda a observam, na Igreja latina essa prática de abster-se do sangue e das carnes sufocadas já havia desaparecido na Idade Média. O Papa Nicolau I (858-867), numa resposta a consultas dos búlgaros, afirmou: “Pode-se comer todo tipo de carnes, a menos que elas sejam nocivas em si mesmas” (n° 43).

A posição equilibrada da Igreja Católica
Em matéria de abstinência há, portanto, dois erros a evitar: o primeiro é o excesso dos antigos hereges maniqueus e outros (e hoje, dos veganos), para os quais comer carne é mau em si mesmo; o segundo erro é o dos mundanos, para os quais jejuar e abster-se de carne é masoquismo; e ainda o dos evangélicos, para os quais a abstinência não tem nenhum valor religioso. O argumento que usam em favor deste segundo erro é a interpretação errônea da epístola aos Colossenses, que diz: “ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber” (2, 16).

Mas a atitude correta, adotada pela Igreja Católica, é uma posição intermediária, que prescreve alguns dias de abstinência de carne como exercício espiritual de mortificação. Segue assim as pegadas de São Paulo, que declarou: “Castigo o meu corpo e o mantenho em servidão” (1 Cor 9, 27); e afirmou ainda que “os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências” (Gal 5, 24).

É por isso que, na Igreja primitiva, uma abstinência de vinte dias era imposta aos catecúmenos que se preparavam para receber o Batismo. Também desde os primórdios da Igreja, a prática da abstinência de certos alimentos em determinados dias já era muito difundida entre o comum dos fiéis, como se verifica nos escritos dos Padres da Igreja.

São Jerônimo afirma que a abstinência data da vinda de Cristo ao mundo; Clemente de Alexandria diz que Cristo a praticava ao alimentar seus discípulos com pão e peixe; São Gregório de Nazianzeno afirma que São Pedro se alimentava somente de favas. Tertuliano diz que no século II os cristãos da África se abstinham de carne e de vinho. Orígenes, no século III, diz que é indiferente alimentar-se de carnes, mas que é razoável privar-se ocasionalmente delas. Santo Epifânio, no século IV, testemunha diversas formas que tomava a abstinência entre os cristãos da época.

Pelo jejum se reprimem os vícios, eleva-se a inteligência

Alguém poderia perguntar: Por que mortificar o corpo, privando-se da alimentação nos dias de jejum? E, em particular, por que privar-se de carne? A razão é que a intemperança é a mãe da luxúria, e por isso o demônio da impureza só pode ser expulso pela oração e pelo jejum (Mt 17, 21). De fato, ninguém consegue ser casto se, com certa frequência, não recusa ao seu corpo até mesmo coisas permitidas.

O meio de triunfar sobre as paixões desordenadas consiste em enfraquecê-las na sua raiz, pelo jejum e pela abstinência, que são perfeitamente conformes às disposições da natureza humana, posto ser fisiologicamente vantajoso substituir em certos dias o regime alimentar ordinário por outro menos substancioso e energizante. Com tais privações, a pessoa de alguma maneira se desmaterializa, libertando sua alma, fortificando-a e predispondo-a para realizar grandes coisas.

Quanto ao fato de a obrigação de abstinência recair sobre a carne, a Igreja nada fez além de seguir o bom senso; pois, especialmente nos climas frios, a carne constitui o alimento mais suculento, aquele que pode ser preparado de formas mais variadas, e pelo qual a maioria das pessoas sente mais apetite. Confirma-o com sua sensatez habitual Santo Tomás de Aquino: “Ao instituir o jejum, a Igreja observa o que mais geralmente acontece. Ora, comer carne é geralmente mais deleitável que comer peixe, embora para algumas pessoas tal não se dê. Por isso, aos que jejuam a Igreja proíbe comer carne em vez de peixe” (II-II, q. 147, a. 87, s. 2).

Em resumo, ao impor aos católicos a abstinência de carne, a Igreja não visa inculcar-lhes qualquer forma de masoquismo, nem sequer a recusa “vegana” dos alimentos de origem animal, mas aquilo que belamente proclama o prefácio da Quaresma: “Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar que, sempre e em todo lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Pai onipotente, eterno Deus, que pelo jejum corporal reprimis os vícios, elevais a inteligência, concedeis a virtude e o prêmio dela, por Jesus Cristo Nosso Senhor”.

Ao jejuar e fazer abstinência, devemos pedir a Deus essa graça do domínio das nossas paixões e da elevação de alma, e de preferência devemos pedi-lo pela intercessão de Maria Santíssima. Porque mesmo isenta de qualquer paixão desordenada ou de inclinação ao pecado, em virtude de sua Imaculada Conceição, Ela foi modelo de mortificação: aceitou com resignação dar à luz o seu divino Filho num presépio; viveu pobremente na casa de Nazaré; e, acima de tudo, acompanhou-O na Via Sacra; permaneceu de pé junto d’Ele durante a Crucifixão; e mereceu assim o título de corredentora.

ABIM