segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Alvaiázere Cine


O projeto Alvaiázere Cine resulta do facto de Alvaiázere ser o concelho de nascimento do cineasta Fernando Lopes e do desejo de o homenagear e associar de forma inequívoca a este território.

O projeto em referência será estruturado e gerido por Hirton Fernandes Junior, mestre em artes performativas pela Universidade Federal da Bahia (Brasil) e doutorando em Artes Performativas e da Imagem em Movimento na Universidade de Lisboa. Salientamos a sua experiência em guionismo e realização, adquirida em estudos anteriores realizados na Argentina, em Espanha e Portugal.

O Alvaiázere Cine assenta num programa amplo que visa reiterar a presença decisiva de Fernando Lopes no contexto do cinema português, a sua trajetória desde o interior agrícola do país até se tornar, inclusivamente além fronteiras, numa das mais importantes figuras do Novo Cinema português; pretende, ainda, destacar a sua participação decisiva na criação do movimento cineclubista português.

O Alvaiázere Cine incluirá uma formação on-line de 150 horas, distribuídas em 04 horas semanais, entre fevereiro e outubro de 2021. Nesta formação os participantes terão a oportunidade de experienciar e dar corpo a um processo completo de criação de curtas metragens, desde a elaboração do guião até à sua exibição (da pré à pós produção, portanto). Esta etapa da formação culmina, em outubro/2021, com a exibição de pelo menos 3 curtas metragens, que serão produto do projeto, num minifestival a integrar na programação do Evento Alvaiázere Capital do Chícharo.

Ao longo dos meses do projeto serão simultânea e complementarmente estruturadas outras iniciativas que o Município de Alvaiázere pretende ver concretizadas: a realização do Festival Fernando Lopes de Curtas Metragem, a criação do Cineclube Fernando Lopes em Alvaiázere e, ainda, a realização de mais uma edição do Encontro Nacional de Cineclubes, desta vez também on-line, ainda que desejemos e tenhamos esperança que nessa altura já tenhamos ultrapassado o drama da pandemia Covid-19 que agora nos assola.

Inscrições através do www.cm-alvaiazere.pt

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que as acácias podem comprometer seriamente os ribeiros

A invasão das floretas ripárias (árvores e arbustos nas margens dos rios) por espécies de árvores exóticas pode ser uma ameaça ao funcionamento dos ribeiros. A conclusão é de um estudo liderado por Verónica Ferreira, da Universidade de Coimbra (UC).

Segundo a investigação, cujos resultados já estão publicados na revista Biological Reviews, as acácias, que estão entre as espécies invasoras mais agressivas no mundo, podem afetar os ribeiros por via de alteração das características da matéria orgânica, da quantidade de água e da concentração de nutrientes na água, com consequências nas comunidades e processos aquáticos, entre outras.

Para chegar a estas conclusões, a equipa, que envolveu investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e do Centro de Ecologia Funcional (CFE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), e do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), da Faculdade de Letras (FLUC), desenvolveu um modelo de previsão dos impactos da invasão da floresta de folhosas por espécies fixadoras de azoto nos ribeiros, tendo por base a invasão de florestas temperadas decíduas do Centro de Portugal por espécies do género Acacia, como a mimosa (Acacia dealbata) e a austrália (Acacia melanoxylon), que estão entre as espécies invasoras mais agressivas na floresta portuguesa.

Este modelo permitiu observar que os efeitos previstos de invasões de espécies fixadoras de azoto (especialmente as acácias) «incluem mudanças na qualidade e quantidade da água e mudanças nas características de entrada de matéria orgânica, por exemplo diminuição na diversidade de folhas que entra nos ribeiros por substituição de uma floresta nativa diversa por povoamentos da espécie invasora, que em estádios avançados da invasão pode substituir por completo a vegetação nativa», assinala a coordenadora do estudo, Verónica Ferreira.

A gravidade dessas mudanças, sublinha, «vai depender da magnitude das diferenças nas características das espécies nativas e invasoras, da extensão e da duração da invasão, sendo que mudanças mais fortes são esperadas quando as espécies invasoras são marcadamente diferentes das nativas, e invadem grandes áreas por um longo período, o que pode tornar a possibilidade de reversão dos efeitos mais difícil».

No entanto, adverte, «mudanças induzidas pela invasão de espécies fixadoras de azoto em ribeiros podem comprometer vários serviços do ecossistema, como, por exemplo, o fornecimento de água de boa qualidade, hidroeletricidade, atividades de lazer, etc., com consequências sociais e económicas relevantes».

Os resultados obtidos neste estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), indica Verónica Ferreira, são importantes para, «por um lado, orientar a investigação futura porque há efeitos das invasões das florestas ribeirinhas por árvores exóticas que necessitam ser quantificados. Por outro lado, este estudo contribui com uma ferramenta que pode ser útil para a gestão das linhas de água já que permite prever a condição em que se poderão encontrar as comunidades e os processos aquáticos com base nas características das espécies nativas e invasoras, e assim estabelecer áreas prioritárias para conservação e restauro».

A investigadora da FCTUC lembra ainda que as invasões biológicas são uma «grande ameaça à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas. A invasão das florestas ribeirinhas por espécies de árvores com características diferentes das espécies nativas pode ser particularmente problemática». Por isso, conclui, «conhecer os efeitos das invasões por árvores fixadoras de azoto nos ribeiros é especialmente importante, uma vez que mitigar o enriquecimento de azoto em ecossistemas de água doce é um grande desafio de conservação, e os efeitos de espécies invasoras fixadoras de azoto têm sido amplamente negligenciados neste contexto».

O artigo, intitulado “Invasion of temperate deciduous broadleaf forests by N-fixing tree species – consequences for stream ecosystems. Biological Reviews”, pode ser consultado: aqui.


Cristina Pinto

PÚSTULAS DILETAS

 

  • Péricles Capanema

Escrevi alguns artigos sobre tumores de estimação, fixações obscurantistas de parte da opinião nacional, frutos de décadas de propaganda enganosa, que repercutem nas instituições de ensino, imprensa, legislação e, consequentemente, nas políticas de Estado. Os temas enganosamente trabalhados viram xodós dos bem-pensantes, ícones do politicamente correto. Acabam como crenças enraizadas e muito generalizadas que dão origem a credulidades — metástases que tomam o organismo. São tumores de estimação. Infeccionam tudo, a política, as normas vigentes, a economia. Em geral, feitas as contas, representam crueldade para todos, em especial sofrem os mais desassistidos. É o caso da reforma agrária, tumor de estimação, fator de pobreza e atraso. A embusteirice pelo estatismo é outra.

Desde os anos 50 a reforma agrária vem sendo alardeada como panaceia para os problemas do campo. Ao ser imposta, invariavelmente traz produtividade baixíssima, a produção, quando há, pequena e instável, vira foco de roubalheira e trambiques, poço sem fundo onde se joga irresponsavelmente dinheiro público, bem como ocasião de brigas, ilegalidades e demagogia comunista. Em duas palavras, estimula a desordem no agro e agrava a pobreza. É só visitar os assentamentos [chamados por tantos e com razão de favelas rurais] Brasil afora. Há relatório do TCU a respeito, estudos sérios de especialistas, não vou aqui tratar deles.

Por que empreguei pústulas diletas? Arranjei outra expressão, foi só para não repetir tumores de estimação, usada anteriormente. Mas é a mesma coisa, são morbidezes que intoxicam a imprensa, o mundo político, a legislação. Ninguém mexe nelas, como incompreensivelmente alguns doentes não deixam ninguém tocar nas pústulas. Ficam lá, intactas, diletas, infeccionando o corpo inteiro, sinais precursores da morte.

Tudo isso vem a propósito da notícia informando que o governo Bolsonaro paralisou 413 processos de reforma agrária. A razão, explica em ofício Geraldo Melo Filho, presidente do INCRA, é a falta de recursos orçamentários, cada vez mais escassos. De outro modo, existindo dinheiro em caixa, voltariam as vistorias, o passo inicial; e continuaria a maluquice destruidora da implantação ampla da reforma agrária, com base na legislação vigente. Quase 900 mil quilômetros quadrados, mais que a área somada dos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mais do que utiliza o agronegócio para enriquecer o Brasil, já foram esperdiçados nesse disparate empobrecedor que não cessa nunca. E seus promotores querem mais, mais e mais.

“Nada aprenderam, nada esqueceram”, teria comentado Talleyrand a respeito da nobreza exilada que voltava à França com a derrota de Bonaparte e ascensão de Luís XVIII. Entre nós também a aplicação da reforma parece nada ter ensinado — nada igualmente teriam ensinado os desastres de sua aplicação em outros países. Em mentes misteriosamente refratárias à realidade óbvia, continuam ativos os germes da propaganda enganosa, que nos intoxicam há quase um século. São pústulas deletérias sem dúvida, mas diletas.

A reação natural à paralisação dos tais 413 projetos seria de alívio — hosana, pelo menos a destruição será menor. Geraldo Mello Filho, e aqui ele ecoa opinião difundida em meios oficiais e de divulgação, julgou necessária uma segunda justificativa, como se a primeira — a falta de recursos — que soou como desculpa, não fosse suficiente: “Isso não significa que toda e qualquer vistoria será proibida. Em casos devidamente justificados, fundamentando o caso concreto pela necessidade de interesse público e social, as vistorias seriam autorizadas pela administração central”. Triste; a observação da realidade dantesca da reforma agrária é míope e desfocada; assim dos fatos embaçados e romantizados não nasce o juízo objetivo. Ele brota de opiniões impostas, crenças quase inamovíveis. Resumindo: em ambiente opressivo, escutamos o recitar monótono de mantras e slogans; são preconceitos que alimentam retrocessos.

Também um órgão de expressão, o CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos), ligado ao Ministério da Mulher, está querendo saber por qual motivo a reforma agrária está parada. Onde já se viu? Parada? Horror. À vera, os direitos humanos ficariam bem mais protegidos se tal “parada” se prolongasse indefinidamente. Em poucos lugares do Brasil se agridem mais os direitos humanos que nos assentamentos e seu entorno. Perguntem aos infelizes vizinhos deles.

De passagem sustento o óbvio ululante. O lógico e benéfico ao bem comum seria acabar com a reforma agrária assentada na legislação vigente. E ajudar de outra maneira, então efetiva, quem precisar: o Brasil tem muita terra pública, que seja entregue com critério a particulares que queiram e possam trabalhá-la.

Volto ao assunto. É claro, diante de tal situação, não poderia faltar a moxinifada dos partidos de esquerda e de organizações a eles ligadas. Eriçaram-se. A CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e a CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) propuseram no STF uma ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental). O governo, ao não levar adiante a reforma agrária, estaria descumprindo preceitos constitucionais fundamentais. A ADPF vem com pedido de liminar: anulação do memorando que determina a interrupção do processo de reforma agrária no Brasil. Que se arranje o dinheiro não importa onde, a reforma agrária precisa ser executada sem parar. A ADPF é copatrocinada pelo PT, PSOL, PC do B, PSB e Rede Sustentabilidade.

Não sei que efeito prático terá a tal ADPF. A propósito, tenho repetido a necessidade de reforma — limpeza de entulho — da legislação constitucional e infraconstitucional, envenenada durante décadas por mentalidade totalitária, intervencionista e coletivista. Salvador Allende implantou enérgico programa de comunistização do Chile sem recorrer a legislação nova. Com base em legislação de governos burgueses, “los resquicios legales”, pôde impor sua pauta.

No Brasil, nesse particular, nada mudou nesses dois anos de governo. Infelizmente, não acho que vai mudar proximamente. Os setores dirigentes estão com a cabeça posta, via de regra, em outros problemas. E assim é previsível que continuará intacta a legislação constitucional e infraconstitucional que pode levar o Brasil, sob governo de orientação diferente da atual, a viver situação parecida à da Venezuela. Onde está a cabeça? Por exemplo, temos o espírito tomado pelos despautérios escritos no whatsapp pelo demitido ministro do Turismo que insultou o colega: “Ministro Ramos, o senhor é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida, quero chegar ao fim da minha jornada EXATAMENTE como meus pais me ensinaram, LEAL aos meus companheiros e não um traíra como o senhor”. Ou pela formação de grupos para disputar a presidência da Câmara ou do Senado. Problemas emocionantes, superficiais e efêmeros não faltam. O problema que tenho levantado não desperta emoções, não é superficial, não é efêmero. Demanda solução longa e difícil. Contudo, é fundamental caminhar na direção da solução inteira. Resolvido, equiparia o Brasil, por décadas, de condições muito favoráveis ao crescimento na liberdade.

ABIM

Brasil com mais 559 mortes e 27.756 casos de infeção pelo coronavírus


O Brasil, país lusófono mais afetado pela pandemia de covid-19, registou 559 mortos e 27.756 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas, segundo reportado hoje pelas autoridades de saúde brasileiras.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil totaliza 224.504 óbitos devido à covid-19 e os casos positivos chegam a 9.204.731 desde o registo da primeira infeção no país, há cerca de 11 meses.

Das 27 unidades federativas que constituem o país sul-americano, São Paulo é o foco da pandemia, concentrando 1.777.368 diagnósticos de infeção, seguido por Minas Gerais (734.486), Bahia (588.106) e Santa Catarina (576.815).

Já entre os estados com mais óbitos contam-se São Paulo (53.034), Rio de Janeiro (29.811), Minas Gerais (15.060) e Rio Grande do Sul (10.669).

No momento, a taxa de letalidade da doença no país está fixada em 2,44%, enquanto que a taxa de incidência é de 107 mortes e 4.380 casos por 100 mil habitantes.

Em relação ao total de recuperações, o Brasil ocupa o terceiro lugar mundial, com 8,027 milhões de pacientes recuperados da doença, atrás dos Estados Unidos da América e da Índia. Por outro lado, 953.185 cidadãos infetados permanecem sob acompanhamento médico no país.

Durante o dia de ontem, centenas de pessoas manifestaram-se em várias cidades brasileiras, pedindo a destituição do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que criticam pela forma como lidou com a pandemia.

No centro de Brasília, cerca de 200 pessoas embandeiraram mensagens em que pediam a saída de Bolsonaro ou o seu 'impeachment', enquanto dezenas de carros buzinaram em apoio ao chefe de Estado brasileiro, noticiou a agência France-Presse.

Lusa

Sporting e Benfica disputam dérbi sob olhar atento de FC Porto e Braga


Sporting e Benfica protagonizam hoje o jogo 'grande' da 16.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, que será antecedido pela receção do FC Porto ao Rio Ave e a visita do Sporting de Braga ao Moreirense.

O dérbi, em Alvalade (21:30), assume proporções quase decisivas para as 'águias', que ocupam o terceiro lugar, com 33 pontos, menos seis do que os 'leões' (39), que lideram o campeonato e ainda não averbaram qualquer desaire na prova.

Em caso de triunfo, o Sporting 'cava' um 'fosso' de nove pontos para o rival, deixando-o numa situação frágil, embora matematicamente ainda passível de recuperação. Caso o dérbi termine com um triunfo benfiquista, a diferença ficará reduzida a três pontos e a luta pelo topo será relançada, face à proximidade do FC Porto (35), mas também do Sporting de Braga (30 pontos).

Se os 'verdes e brancos' não poderão contar com o médio Palhinha, que viu o quinto amarelo no Bessa, os 'encarnados' continuam a sofrer os efeitos do surto do novo coronavírus que atingiu a equipa e estarão privados do técnico Jorge Jesus, que se encontra a recuperar da covid-19.

Antes, às 19:00, o FC Porto, segundo classificado, recebe o Rio Ave, num encontro que marcará a estreia do regressado Miguel Cardoso ao banco dos vila-condenses. Os 'dragões' vão procurar tirar dividendos do dérbi, sejam eles a aproximação à liderança 'leonina', a 'fuga' ao Benfica ou até ambos.

De 'olho' em Alvalade estará também o Sporting de Braga, que visita o Moreirense, a partir das 19:45. Os 'arsenalistas', que ocupam o quarto lugar, podem igualar provisoriamente o Benfica no terceiro posto, caso superem o duelo diante do vizinho minhoto.

O primeiro embate do dia inicia-se às 17:00 (hora continental), nos Açores, onde o Santa Clara, nono classificado, com 18 pontos, recebe o Belenenses SAD, que tem menos três.

Lusa

Partido de Aung San Suu Kyi pede à população para se opor a “ditadura militar” em Myanmar


O partido da líder de Myanmar, Aung San Suu Kyi, detida hoje pelo Exército, apelou à população para que se oponha ao golpe de Estado e ao regresso a uma "ditadura militar".

A Liga Nacional para a Democracia (LND), que venceu as eleições de novembro com grande vantagem, publicou um comunicado na rede social Facebook, em nome de Aung San Suu Kyi, afirmando que as ações dos militares são injustificadas e violam a Constituição e a vontade popular.

De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), terá sido a própria Aung San Suu Kyi quem "deixou esta mensagem à população", segundo explicou no Facebook o presidente do seu partido, Win Htein.

O Exército de Myanmar declarou hoje o estado de emergência e assumiu o controlo do país durante um ano, informou um canal televisivo controlado por militares, após a detenção da chefe de facto do Governo, Aung San Suu Kyi, do Presidente do país, Win Myint, e de outros líderes governamentais.

Numa declaração divulgada hoje na cadeia de televisão do exército Myawaddy TV, os militares acusaram a comissão eleitoral do país de não ter posto cobro às "enormes irregularidades" que dizem ter existido nas legislativas de novembro, que o partido de Aung San Suu Kyi venceu por larga maioria.
As detenções e a proclamação do Exército surgem num momento em que o parlamento eleito nas anteriores eleições se preparava para iniciar a sua primeira sessão, dentro de algumas horas.

Os Estados Unidos exigiram já a libertação dos líderes detidos e ameaçaram reagir em caso de recusa.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou "firmemente" a detenção da chefe de facto do Governo de Myanmar, considerando as ações dos militares um "rude golpe" contra as reformas democráticas.

Austrália, Singapura e Japão também condenaram as ações dos militares.

Há várias semanas que os militares denunciam irregularidades nas legislativas de 08 de novembro, ganhas pela LND, que obteve 83% dos 476 assentos parlamentares.

A Comissão Eleitoral de Myanmar negou que tenha existido qualquer fraude eleitoral nas eleições de novembro.

Os militares, responsáveis pela redação da atual Constituição, detêm um grande poder no país, tendo, à partida, garantidos 25% dos lugares no parlamento, bem como os influentes ministérios do Interior, das Fronteiras e da Defesa.

Em novembro de 2020, o Centro Carter -- organização criada pelo antigo Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que enviou observadores às eleições --, emitiu um comunicado em que considerou as eleições livres e justas.

A vitória eleitoral de Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz 1991, demonstrou a sua grande popularidade em Myanmar, apesar da má reputação internacional pelas políticas contra a minoria rohingya, a quem é negada a cidadania e o voto, entre outros direitos.

Lusa

Programa francês apoiou 70 condenados por terrorismo e nenhum reincidiu


O programa francês que acompanha pessoas condenadas por crimes ligados ao terrorismo após saírem da prisão, que começou em 2016, já acompanhou 70 ex-reclusos e nenhum reincidiu, mostra um estudo hoje divulgado.

"As conclusões do meu trabalho são bastante tranquilizadoras porque pude ver que nos programas em vigor a partir de 2016, das 70 pessoas condenadas por terrorismo que integraram essas iniciativas, apenas uma pessoa voltou à prisão e não por uma questão ligada ao terrorismo", disse Marc Hecker, diretor de estudos do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), em declarações à agência Lusa.

No entanto, o autor do estudo "Jihadistas uma vez, jihadistas para sempre? Um programa de desradicalização visto do interior", vê com prudência os resultados.

"Já temos alguma distância para medir os resultados. Claro que é preciso ser prudente porque ainda não passaram 10 anos e há casos em que a reincidência acontece vários anos depois de uma primeira ofensa", declarou Hecker, mencionando o caso de Chérif Kouachi, um dos autores do atentado à redação do jornal satírico "Charlie Hebdo".

Kouachi foi detido em 2005 antes de partir para a Síria, passou alguns anos na prisão e foi em 2015 que cometeu o ataque terrorista contra o jornal na companhia do seu irmão, Said.

Apesar de um longo historial de terrorismo em França, primeiro devido à guerra da Argélia e mais tarde com movimentos de extrema-esquerda e extrema-direita, a França teve uma resposta "tardia" à reinserção de pessoas condenadas por terrorismo.

"O início destes programas em França aconteceu de forma tardia. A França tem uma perspetiva securitária em relação ao terrorismo, baseada no trabalho da polícia e da justiça ao longo da história [...] E também pelo Exército. A militarização acentuou-se ainda mais depois do 11 de setembro de 2001", sublinhou Hecker.
Agora com "programas estabilizados", as primeiras conclusões do estudo do IFRI mostram resultados encorajadores. O programa que existe atualmente em França chama-se Programa de Acompanhamento Individualizado de Reafiliação Social (PAIRS) e acompanha os detidos após a saída de prisão no âmbito social, psicológico e também ideológico.

Assim, assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, mas também imãs e teólogos, acompanham o regresso à sociedade de pessoas condenadas por terrorismo num horário semanal que pode ir até 20 horas.

Este programa é levado a cabo por associações civis e está a ser desenvolvido em quatro cidades: Paris, Lille, Marselha e Lyon.

A iniciativa é obrigatória para a liberdade condicional de alguns detidos, mas outros integram-na de forma voluntária, não havendo assim um tempo mínimo de permanência.

No entanto, a coordenação entre estas associações e as autoridades, como o Ministério da Justiça ou do Interior, nem sempre ocorre da melhor maneira.

"Há diferenças entre culturas que se opõem e que é preciso ultrapassar. Essas diferenças acontecem entre as associações, que gerem estes programas fora das prisões e que têm empatia em relação às pessoas que acompanham e até, por vezes, têm tendência a subestimar as questões ligadas à segurança", indicou o investigador.

Do outro lado, há "o controlo" da Justiça e "a perspetiva securitária" do Ministério do Interior que tem como missão prevenir a passagem a atos violentos por parte dos ex-detidos e mostra "desconfiança" em relação a eles.
No quadro do estudo, Marc Hecker acompanhou uma das saídas de um grupo de ex-detidos ao Museu do Louvre, na capital francesa.

"Quando nos dizem que vamos ao Louvre com terroristas que saíram há pouco tempo da prisão, eu que trabalho sobre o terrorismo há 15 anos, fiquei um pouco surpreso. Não será perigoso? Temos de ver que estas pessoas já cumpriram as suas sentenças e que estão em liberdade. Temos de tentar que tenham uma vida o mais normal possível e tirá-las de um percurso de violência", disse o investigador.

Quanto ao perfil das pessoas que passaram pelo programa, Hecker diz que não se deve generalizar, mas a maior parte já nasceu em França, têm um nível de estudos inferior à média francesa, uma má inserção no mercado de trabalho e uma percentagem tem problemas psicológicos.

"A maior parte destas pessoas não passou por movimentos fundamentalistas e vemos que cerca de um quarto nem sequer vem de famílias muçulmanas, mas são convertidos", explicou.

Para quem passa por este programa, segundo o investigador, trata-se de uma "boia salva-vidas".

"Fiquei com a impressão de que há uma verdadeira utilidade nesta iniciativa. Algumas pessoas explicam que o programa foi uma boia salva-vidas e uma ajuda para sair da violência e do 'jihadismo'", concluiu.

O estudo realizou-se entre o fim de 2018 e setembro de 2020, tendo sido impactado no final pela pandemia de covid-19 que impediu a visita dos investigadores a alguns locais fora das grandes cidades e entrevistas presenciais com alguns dos protagonistas.

Lusa