sábado, 6 de março de 2021

“O Bairro” de Gonçalo M. Tavares publicado e aplaudido pela crítica em França

 O mais extenso projeto literário de Gonçalo M. Tavares, "O Bairro", uma série de dez livros, foi publicado em França num só volume e aplaudido pela critica, que classificou o escritor português como "o Gaudí da linguagem".

De acordo com a Relógio d'Água, editora que publica atualmente a obra de Gonçalo M. Tavares e está a reeditar os livros desta série, a edição francesa conta com um prefácio de Mathias Énard, "um dos mais importantes escritores franceses, que escreve que, tal como a Saramago, também a ele lhe apetece bater em Gonçalo M. Tavares".

Publicado com o título "Le Quartier, Les Messieurs" ("O bairro, os senhores", em tradução direta), este volume compila os dez títulos da coleção "O Bairro", cada um dedicado a um "senhor" homónimo de um grande escritor: "O Senhor Valéry" (vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca), "O Senhor Henri", "O Senhor Brecht", "O Senhor Juarroz", "O Senhor Kraus", "O Senhor Calvino", "O Senhor Walser", "O Senhor Breton", "O Senhor Swedenborg" e "O Senhor Eliot".

No jornal L'Observateur, Didier Jacob considera Gonçalo M. Tavares "o Gaudí da linguagem" e acrescenta sobre "O Bairro": "o grande romancista português trabalha há vinte anos nesta catedral única, onde o único culto prestado é à literatura, e com um humor surpreendente, uma erudição jocosa e uma doçura incomparável".

Para Gladys Marivat, do Le Monde des Livres, Gonçalo M. Tavares é o "prodígio das letras portuguesas" e o 'seu Bairro' é "um dos raros locais onde as restrições devidas ao coronavírus ainda nos permitem viajar".

Christine Marcandier, do Diacritik, considera "O Bairro" uma "série literária, aventura textual e gráfica". "Os inclassificáveis e indispensáveis Senhores são uma delícia de ler, um resumo de risos filosóficos, absurdos mas tão lógicos, insolentes de exactidão e 'charme elegante', um olhar único sobre a barbárie do mundo contra o qual só a inventividade literária pode lutar", acrescenta a crítica literária francesa.

Na Lire, Bernard Quiriny diz que se trata de "um tributo picante à literatura, como uma micro-utopia de papel para nos protegermos do mundo", enquanto Augustin Trapenard fala deste "projecto maluco, este mundo de sonho, este bairro maravilhoso de Gonçalo M. Tavares".

"Um bairro muito real, pois fica na cabeceira de Gonçalo M. Tavares", refere por sua vez Alain Nicolas, em L'Humanité.

Gonçalo M. Tavares, nascido em 1970,é um escritor e professor universitário português, cuja primeira obra foi publicada em 2001.

Reconhecido pela originalidade dos seus projetos criativos, o autor tem uma outra série, precedente a O Bairro, intitulada "O Reino" e composta por quatro livros.

Multipremiado e aclamado pela critica internacional, Gonçalo M. Tavares tem muitas das suas obras traduzidas em mais de 50 países e adaptadas a projetos diversos como peças de teatro, objetos artísticos, vídeos de arte ou ópera.

Grande parte dos seus livros estão já publicados em França, onde recebeu alguns dos mais importantes prémios como o Prix du Meilleur Livre Étranger, atribuído antes a autores como Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth e Gabriel García Márquez, entre outros.

Os livros de Gonçalo M. Tavares foram originalmente publicados pela Caminho, mas estão agora a ser editados pela Relógio d'Água, tendo sido já publicados "O Senhor Walser" e "O Senhor Brecht", a que se acrescentará em breve "O Senhor Swedenborg", seguindo-se depois outros títulos.

Lusa

Farmacêuticos começam a ser vacinados na segunda-feira

 Os farmacêuticos vão começar a ser vacinados contra a Covid-19 a partir de segunda-feira, no âmbito das prioridades estabelecidas para esta primeira fase do plano de vacinação.

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) adianta que cerca de oito mil farmacêuticos registaram-se para receber a vacina, o que começará a suceder na segunda-feira, após chamada das autoridades e unidades de saúde locais.

A informação foi avançada à OF pela 'task-force' responsável pela coordenação e implementação do Plano de Vacinação, que solicitou a colaboração da Ordem na identificação dos membros que pretendem integrar a primeira fase da campanha.

Nesse sentido, a Ordem recenseou os farmacêuticos diretamente envolvidos na prestação de cuidados, que trabalham no setor privado e social -- farmacêuticos comunitários, hospitalares, analistas clínicos, dos cuidados de saúde primários e continuados --, e enviou a lista atualizada ao grupo de trabalho.

Os dados recolhidos pela OF incluíam a identificação dos agrupamentos de centros de saúde da área de residência ou do domicílio profissional dos farmacêuticos, que serão assim contactados pelas autoridades e unidades de saúde locais, de acordo com dados submetidos no formulário de registo para vacinação.

"O esforço de vacinar todos os profissionais de saúde, antes de criar qualquer nova prioridade, é absolutamente fundamental. Os critérios estão definidos e têm de ser seguidos, de acordo com os objetivos por cada fase de vacinação: salvar vidas, garantir a resiliência do sistema de saúde, e libertar a economia. Exatamente por esta ordem", defende a Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins.

A OF recorda que durante a pandemia de Covid-19 os farmacêuticos têm assegurado sempre o acesso dos portugueses aos medicamentos, aos meios complementares de diagnóstico e a cuidados de saúde diferenciados, prestados em ambiente hospitalar ou em ambulatório, junto das comunidades que servem.

"Num contexto de emergência em saúde pública, garantiram a continuidade da terapêutica de muitos utentes, em particular de doentes crónicos, mas também o acesso da generalidade da população a equipamentos de proteção individual, testes de rastreio e diagnóstico da infeção por SARS-CoV-2 e vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação", destaca o comunicado.

Lusa

MUNICÍPIO DE SILVES INSTITUI DIA MUNICIPAL DE JOÃO DE DEUS

 O dia 8 de março estará para sempre ligado ao concelho de Silves como o dia de aniversário do poeta e pedagogo João de Deus, data anualmente assinalada pela autarquia em homenagem à sua vida e obra. Face à importância desta incontornável personalidade, de extraordinário valor municipal e nacional, o Município de Silves instituiu o Dia Municipal de João de Deus. Esta decisão foi aprovada em reunião do executivo camarário, realizada a 22 de fevereiro, e mereceu aprovação da Assembleia Municipal, decorrida a 5 de março.

 

É, assim, neste contexto que, o próximo dia 8 de março será, no concelho de Silves, Dia Municipal de João de Deus, o filho mais ilustre do concelho, figura que se destacou no séc. XIX com a criação do inovador método de ensino da leitura “A Cartilha Maternal ou Arte de Leitura”, obra pedagógica com a qual combateu o analfabetismo desse século e revolucionou o panorama educativo nacional. Um pensador e autor que se destacou em outros campos literários, revelando-se, também, um eminente poeta lírico do movimento ultra romântico. Este e outros factos levam a que o mesmo seja o único algarvio a repousar no Panteão Nacional, local que acolhe algumas das mais importantes personalidades da história e cultura portuguesas de todos os tempos, onde se encontra sepultado desde 1966, depois de, no ano da sua morte, os seus restos mortais terem sido depositados na capela do batistério do Mosteiro dos Jerónimos.

 

“Com a instituição deste dia, o Município de Silves pretende evocar e promover a memória de uma ilustre personalidade do concelho de Silves, quer por se tratar de um pedagogo que revolucionou o panorama educativo português na luta contra o analfabetismo com a implementação de um método de ensino da leitura de tal forma facilitador que muitas mães aprenderam e ensinaram, também elas, os seus filhos a ler; quer, também, por se revelar como um pensador e um poeta, já na altura, respeitado e aclamado em vida pelos pares”, refere Rosa Palma, Presidente da Câmara Municipal de Silves, considerando ser “não só uma missão, mas um privilégio, para a autarquia poder comemorar a vida, o talento e a genialidade de uma personalidade tão única e querida do nosso concelho”. "Por outro lado, a instituição deste dia vem coroar todo o profundo trabalho de glorificação do poeta e pedagogo que tem vindo a ser efetuado pelo Município de Silves, que viu, no ano passado, sob o alto patrocínio da Presidência da República, ser editado, com o seu apoio, um importante estudo histórico e historiográfico (não biográfico) sobre o poeta pedagogo – intitulada «João de Deus imortal e intemporal» - da autoria da professora Maria João Raminhos Duarte e do livro infantil de fábulas joaninas genialmente ilustrado por Marta Jacinto”, revela a autarca, levantando o véu do que ainda se avizinha ao referir que “outras novidades estão em fase de desenvolvimento, entre elas uma biografia, da autoria do professor José Alberto Quaresma”.

 

De salientar que a Câmara Municipal de Silves é a primeira autarquia de Portugal continental a priorizar e a valorizar uma personalidade das letras e da cultura portuguesa com a criação de um dia em sua memória, contribuindo, assim, para a valorização da identidade cultural do concelho e da região.

 

O Município de Silves convida todos a lembrar João de Deus e a, no próximo dia 8 de março, Dia Municipal de João de Deus, acompanharem a cerimónia de homenagem e todas as atividades programadas no âmbito do seu 191.º aniversário.

Ciclaveiro | Contributos Ciclaveiro para o Plano de Recuperação e Resiliência

 

Ex.mos Senhores,

no âmbito da consulta pública aberta pelo Governo ao Plano de Recuperação e Resiliência, a Ciclaveiro entendeu apresentar os seus contributos na área da Mobilidade Sustentável, na dimensão da Transição Climática, porque os modos ativos de mobilidade (andar a pé e de bicicleta) são determinantes na mudança indispensável à construção de cidades mais saudáveis e comunidades mais resilientes.

Face a total ausência de medidas de investimento na bicicleta no PRR, a Ciclaveiro reclamou que se faça uma aposta sustentada na mobilidade ciclável e a adoção de medidas desincentivadoras do uso do automóvel particular, para que se conseguir uma redução significativa de custos económicos com importações, infraestruturas rodoviárias, congestionamentos, sinistralidade rodoviária e sistema público de saúde, de custos ambientais com redução de consumo de combustíveis fósseis, emissões de gases poluentes e de poluição sonora, e de custos sociais com aumento de qualidade de vida, reforço de laços comunitários, impulso do comércio local, redistribuição do uso do espaço público, reabilitação das cidades e cidadãos mais solidários e resilientes.

Em resumo, foram propostas medidas no âmbito da mobilidade escolar, planeamento e construção de infraestrutura para o uso da bicicleta, incentivos à colocação de estacionamentos seguros para bicicletas junto de comércio, serviços, escolas, zonas residenciais e zonas de interface com o transporte público, incentivos à produção industrial da bicicleta, à sua aquisição e manutenção e incremento de medidas de segurança rodoviária de proteção dos peões e dos utilizadores da bicicleta.

Enviamos para conhecimento e para divulgação o link para o documento submetido.

PAÍS | Governo cria grupo de trabalho para rever norma de dádiva de sangue


Para o ano de 2018 espera-se que sejam menos os dadores em Portugal, mas não tanto quanto a diferença entre 2016 e 2017.  FOTO: PEXELS
Baseando-se nas conclusões de um estudo do INSA sobre os comportamentos sexuais de risco com impacte na segurança do sangue, o grupo terá uma semana para rever a norma. O Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) tem três inquéritos abertos por causa de práticas discriminatórias na doação de sangue.

O último apelo à dádiva de sangue do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) ficou marcado por uma grande mobilização de dadores até aos centros de colheita, mas ficou também marcado pela vinda a público de várias denúncias de episódios de discriminação a homens homo e bissexuais pela sua orientação sexual no acesso à doação de sangue.

Esta segunda-feira (1), em vésperas da audição no Parlamento ao Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e da Direção-Geral da Saúde (DGS), o Governo determinou a constituição de um grupo de trabalho que deverá rever, no prazo de uma semana, a Norma n.º 009/2016 da DGS que define os critérios de inclusão e exclusão de dadores de sangue por comportamento sexual.

A decisão do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, surge na sequência da conclusão e apresentação pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) do estudo “Comportamento de risco com impacte na segurança do sangue e na gestão de dadores: critérios de inclusão e exclusão de dadores por comportamento sexual”, trabalho que foi entregue ao Ministério da Saúde e não é público.

O grupo criado pelo Governo é constituído por representantes da DGS e IPST e, a título consultivo, por entidades da sociedade civil, cooptadas pelos integrantes do Grupo de Trabalho. O gabinete de Lacerda Sales referiu em comunicado  que o grupo “terá uma semana para a análise do estudo e respetiva alteração da norma em conformidade”.

IPST tem três inquéritos abertos por causa de práticas discriminatórias na doação de sangue

Na audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, desta terça-feira (2), Maria Antónia Escoval, presidente do Conselho Diretivo do IPST, garantiu que a instituição tem-se “debatido arduamente pela clarificação desta situação” para que “não haja dúvidas para nenhum cidadão que se apresenta para realizar a sua dádiva de sangue em relação a quais são os critérios de elegibilidade”.

Ainda para garantir que “não reste nenhuma dúvida em relação a estas situações”, Maria Antónia Escoval informa que foram abertos processos de inquérito a três profissionais. Neste momento, os visados “já foram ouvidos” e o instituto aguarda o relatório final.

Questionada sobre o assunto, a presidente do IPST concorda que é “extraordinariamente importante para os profissionais da instituição, para a população em geral e para os dadores de sangue” que haja um reforço da informação e da formação sobre esta matéria e garante que, finda esta situação, irá entrar em contacto com todas as instituições envolvidas nas denúncias – como é o caso da ILGA Portugal – para que o IPST possa “chegar mais perto a estes candidatos a dadores”.

No que diz respeito à norma de 2016 – que compreende uma suspensão de 12 meses desde o último contacto sexual de risco – Maria Antónia Escoval compreende que já “passou muito tempo entre 2016 e 2021” e que o “mundo mudou nestes cinco anos”. Espera, por isso, que o estudo realizado pelo INSA (que levou à constituição do Grupo de Trabalho), permita “alterar esta norma” conforme “a avaliação do risco e com o estado da arte nomeadamente nos outros países europeus”.

É preciso “uniformidade de critérios”

Ouvido na mesma audição, Válter Fonseca, diretor do Departamento da Qualidade na Saúde da DGS, garante que a redação da norma de 2016 adotou uma “lógica de comportamentos de risco, não de grupos de risco”. Apesar de haver evidências para “alguns comportamentos estarem associados a maior risco”, isto é apenas uma questão de comportamentos, “não de orientação sexual”.

O professor explica que o Governo constituiu um Grupo de Trabalho para que, depois da análise do estudo do INSA, este seja capaz de perceber se foi verificada “alguma questão na existência de diagnósticos de agentes infeciosos transmissíveis pelo sangue anteriormente à normal” e capaz de analisar aquilo que são “práticas internacionais e as projeções de risco relativamente a vários períodos de suspensão temporária nomeadamente 12, 6 e 3 meses”.

Válter Fonseca garante que o grupo tem “os dados necessários, porque nos rodeamos por um conjunto vasto de peritos de diferentes áreas que suportam grande parte das decisões da DGS” e acredita que este “será capaz de clarificar e atualizar com a melhor evidência cientifica esta norma e as normas conexas”.

As situações denunciadas, demonstram haver uma necessidade de procurar uma uniformidade de critérios: “Garantir qualidade na prestação de cuidados de saúde é, naturalmente, ter uniformidade de aplicação de critérios, sem prejuízo de uma avaliação caso a caso quando é necessária”, afirma.

O responsável não deixa de explicar que é necessário “não centrar a discussão da orientação sexual e sim nos comportamentos” e que o mais importante é ter “capacidade de despiste para que tudo possa ser feito em segurança”.

Artigo editado por Filipa Silva

https://www.jpn.up.pt/2021/03/04/governo-cria-grupo-de-trabalho-para-rever-norma-de-dadiva-de-sangue/ 




Pandemia fez disparar relatos de fome nas linhas de apoio em crise

A pandemia de covid-19 fez disparar os pedidos de ajuda a várias linhas de apoio em crise, mas entre situações de ansiedade, problemas psicológicos e solidão, há um novo fenómeno a surgir: os relatos de fome.

Foi um traço comum na linha SOS Voz Amiga, na linha Conversa Amiga, da Fundação Inatel, e no Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM. Em todas houve um aumento do número de chamadas desde março de 2020, quando começou a pandemia de covid-19.

O desemprego, as dificuldades económicas e a fome são problemas já conhecidos de algumas destas linhas de crise e que tiveram maior evidência durante a crise financeira que Portugal viveu a partir de 2010 e durante a intervenção da ‘troika’, cujo programa deixou como resultado uma taxa de desemprego que superou os 15% no auge da sua aplicação.

Anos depois, e em plena crise sanitária, estas linhas voltam a locais de desabafos para muitos que face aos constrangimentos provocados pela pandemia, com a perda de emprego ou o encerramento de negócios, ligam em busca de um consolo, de um aconselhamento ou até mesmo de um encaminhamento para estruturas mais vocacionadas para o efeito.

Se no início da pandemia os alertas estavam focados em aspetos emocionais, aumentando o número de chamadas relacionadas com a depressão, ansiedade, solidão, de ideias suicidárias e de problemas famílias, à medida que a pandemia se vai mantendo começam a chegar também outras angústias relacionadas com problemas económicos.

Joaquim Paulino, presidente da Linha SOS Voz Amiga, explica em declarações à agência Lusa que os voluntários deste serviço têm recebido chamadas de pessoas em desespero. São pessoas de várias profissões e áreas de atividade, incluindo da cultura, o que não era tão usual.

Os contactos são anónimos, explica, não existindo assim a vergonha de se expor.

“Há uma situação nova de há já alguns meses, quatro a cinco meses, que é de chamadas de pessoas a relatarem que estão a passar fome, e que tem vergonha de o admitir e este sofrimento é incrível”, explicou.

O desespero, adianta, é ainda mais vincado em famílias com crianças.

“Um pai ou uma mãe que não consegue dar sustento para os filhos é uma situação desesperante”, disse, adiantando que face a estas chamadas a linha escuta as angústias e indica algumas entidades que estão no terreno e que podem ajudar as famílias nestas situações.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a linha SOS Voz Amiga mantida com 35 voluntários, recebeu uma média de mil chamadas por mês, mais 400 em relação a anos anteriores.

O aumento da procura levou a uma necessidade de reforço de meios, estando previsto que em abril a equipa passe a ter 50 voluntários distribuídos por turnos, num horário de atendimento que passará a ser das 15:30 às 0:30.

Relatos idênticos têm chegado à linha Conversa Amiga, da Fundação Inatel, que tem vindo a receber chamadas relacionadas com a carência de produtos alimentares, insuficiência económica causada pelo desemprego ou diminuição de rendimentos, a par da violência doméstica, ocasionada pelos confinamentos, e da ideação suicida.

Segundo a Fundação Inatel, a linha cresceu 39% em termos de chamadas atendidas e de fevereiro a abril esse crescimento foi de 269 por cento.

Já no caso do Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM, foi registada uma variação de 88,9 % entre 2019 e 2020 no que respeita às chamadas relacionadas com carências económicas.

Lusa

Imagem: SAPO

Regresso à normalidade no ensino superior ainda não será este ano

As instituições de ensino superior não antecipam a retoma integral do ensino presencial até ao final do ano letivo, mas esperam que o plano de desconfinamento lhes permita voltar ao ensino misto rapidamente para recuperar aulas práticas.

“Não conto, sinceramente, que seja possível retomar a atividade normal antes do final deste ano letivo”, admitiu à Lusa o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António de Sousa Pereira.

À semelhança do pré-escolar, básico e secundário, as atividades letivas também decorrem à distância no ensino superior, em resposta ao agravamento da pandemia da covid-19 em janeiro.

Antes de a pandemia forçar alunos e docentes a voltar às aulas ‘online’, a maioria das instituições funcionava em regime misto, com as turmas divididas em dois grupos que alternavam entre aulas presenciais e à distância, e é a esse modelo que os reitores e presidentes dos politécnicos esperam regressar.

“Há um conjunto de aulas que têm de ser presenciais e são essas que vão ter de decorrer após do desconfinamento”, explicou o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

De acordo com Pedro Dominguinhos, as instituições organizaram-se para, nesta altura em que funcionam a distância, antecipar tanto quanto possível as aulas teóricas, mas aquelas com componente prática só poderão ser retomadas quando houver atividade presencial.

“Para nós, é extremamente preocupante antever que o fim do segundo semestre se aproxima a passos largos e que iremos ter muitos estudantes sem atividades presenciais”, sublinhou por seu turno António de Sousa Pereira.

Para o representante dos reitores, que não se arrisca a criar expectativas até o Governo apresentar, na próxima semana, o plano de desconfinamento, seria muito importante que os alunos conseguissem ter, até ao final do ano letivo, dois meses e meio de atividades práticas.

A esperança é que, no máximo, até depois da Páscoa essas atividades possam voltar a funcionar, havendo depois uma retoma gradual de algumas aulas teóricas, se a pandemia o permitir, mas sempre no mesmo regime misto implementado no primeiro semestre.

“Podemos ter um aumento progressivo das atividades presenciais, mas enquanto não houver um grupo significativo de pessoas vacinadas em Portugal, penso que vamos ter sempre de agir com muita cautela”, disse o representante dos reitores.

Pedro Dominguinhos, do CCISP, justificou a impossibilidade de voltar, num futuro próximo, a ter algo semelhante à normalidade no ensino superior, referindo que as instituições não têm condições para manter as regras de distanciamento físico que se impõe no “novo normal”.

Do lado do sindicato que representa os docentes e investigadores, a Páscoa também é aponta como data de referência para o regresso e Mariana Gaio Alves acredita que até lá será para continuar em casa.

“Na generalidade, a expectativa é que até à Páscoa estaremos à distância. O que vai acontecer a seguir à Páscoa, não sabemos”, disse à Lusa a presidente Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), sublinhando que a esperança é retomar o ensino presencial “assim que a pandemia o permita”.

“Este regime à distância é um regime transitório”, acrescentou, explicando também que, apesar de a experiência com as aulas ‘online’ estar a correr melhor comparativamente ao ano passado, continua a ter limitações.

Por outro lado, os próprios alunos parecem não antecipar a retoma integral do ensino presencial, nem o recomendam, sugerindo antes manter o chamado regime misto.

Numa carta enviada quinta-feira à tutela, a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) recomenda que a atividade teórica continue a ser lecionada ‘online’, retomando apenas as atividades que, pela sua natureza, só podem ser conduzidas presencialmente.

As aulas presenciais foram interrompidas no final de janeiro em todos os estabelecimentos de ensino, para conter propagação do SARS-CoV-2. A decisão sobre o regresso está dependente do plano de desconfinamento do Governo, que será apresentado na quinta-feira.

Fonte: MadreMedia/Lusa

Imagem: CM