quinta-feira, 7 de julho de 2022

A garrafa vazia

"Rio Largo De Profundis" é uma cantiga de José Afonso (Zeca), incluída no LP "Venham Mais Cinco", cujo primeiro verso é o inesquecível "a garrafa vazia de Manuel Maria". Cito esta letra por saber que a esmagadora maioria dos portugueses já ouviu essa quase misteriosa estrofe do "Rio Largo De Profundis" – "A garrafa vazia de Manuel Maria // De Manuel Maria, De Manuel Maria // A garrafa vazia de Manuel Maria // A garrafa vazia de Manuel Maria".

Há dias, de passagem pela mercearia fina onde compro pão transmontano feito com aquele fermento bom a que chamam massa mãe, descobri que há garrafas de vinho que parecem cheias e por abrir mas na verdade são garrafas rolhadas e seladas mas vazias.

Estas garrafas servem para ser expostas nas montras das mercearias finas e noutros espaços comerciais especializados sem que dessa exposição publicitária resulte o desperdício do vinho que seguramente aconteceria caso fosse sujeito a constantes variações de temperatura.

Com rótulos iguais aos das garrafas que representam, rolhadas e com os materiais que selam as rolhas tal qual os das garrafas dessas colheitas, as falsas garrafas cheias dificilmente são descobertas como vazias pois até parecem tão pesadas quanto as cheias na avaliação de quem possa pegar fisicamente numa desses monos.

Dizem-me que o vidro utilizado nessas falsas garrafas cheias é mais grosso e como tal mais pesado do que o vidro de uma garrafa normal, numa opção claramente assumida para que a imitação seja quase perfeita e passe naturalmente no crivo de quem as olha com ou sem vontade de as comprar.

Perante esta descoberta, dei por mim a reconhecer que muitas vezes critiquei (sei agora que injustamente) os comerciantes que expunham ao Sol das respectivas montras boas garrafas de vinho sem acautelar o próprio vinho que se estragaria face aos efeitos das amplitudes térmicas próprias de uma montra.

A facilidade e precipitação com que emitimos opinião sobre tudo e sobretudo sobre assuntos que desconhecemos é uma das fontes das desinformações que nos envolvem. Muitas vezes, a garrafa que parece cheia está vazia e não por ter sido bebida como a "garrafa vazia de Manuel Maria // de Manuel Maria // de Manuel Maria".

  Por Júlio Roldão*

*Jornalista desde 1977

Barcelos | 1ª edição da Semana Internacional do IPCA – InWeek foi um sucesso a repetir


A primeira edição da Semana Internacional do IPCA – InWeek, que decorreu de 27 de junho a 1 de julho traduziu-se numa experiência enriquecedora e memorável para os participantes.

Durante esta semana de capacitação internacional, os visitantes tiveram a oportunidade de partilhar experiências e ficar a conhecer um pouco a cultura e os costumes dos vários países representados e, claro, Barcelos e a região.

Da agenda, destaque para as sessões de grupo e workshops práticos bem como para o Market Place, durante o qual os mais de 20 participantes internacionais apresentaram as suas instituições e os seus países aos seus pares e à comunidade IPCA. Outro momento alto da semana foi o jantar convívio, que contou com a atuação da Tuna Académica do IPCA (TAIPCA) para gáudio dos participantes.

“Experiência única”, “Foi um evento fantástico e extraordinariamente bem organizado”, “excelente oportunidade para fazer novos amigos de diferentes países”, “Irei definitivamente recomendar futuras InWeeks organizadas pelo IPCA aos meus colegas”, foram alguns dos comentários deixados pelos visitantes, que destacaram ainda a admiração pela qualidade das infraestruturas do Campus do IPCA e dos centros de Investigação.

A semana terminou em beleza para os participantes da Jordânia, Polónia, França, Itália, Turquia, Alemanha, Eslováquia, Espanha, Finlândia e Argélia, com uma atividade de canoagem, no rio Cávado, com o apoio dos Amigos da Montanha.

Ana Teixeira

ESTA SEMANA NA COVILHÃ, SEIS EXPOSIÇÕES A NÃO PERDER!

Esta semana, a Câmara da Covilhã tem patente ao público seis exposições a não perder!

Biblioteca Municipal [rua Conde Ericeira]

De 5 a 28 julho | dias úteis, 10:00-18:30

Branquinho da Fonseca. Uma vida a fazer ler, exposição temática sobre a vida e obra de Branquinho da Fonseca e o seu papel no ensino em Portugal.

Até 28 julho | dias úteis, 10h-18h30

Leituras frescas de verão, exposição bibliográfica para divulgar o livro e incentivar os bons hábitos de leitura.

Galeria António Lopes [centro]

Até 28 agosto | De terça a dom, 10h-13h e 14h-18h

Arte com fibra, creations by Cristina Rodo, exposição de artesanato em feltragem molhada. Peças de parede, pequenas esculturas, peças iluminadas, jarras entre outras.

Museu da Covilhã [centro]

De terça a dom, 10h-13h e 14h-18h

Pintura Portuguesa do Seculo XX, exposição permanente com peças únicas da autoria de Eduardo Malta, Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, Júlio Resende e Malangatana.

Museu de Arte Sacra [Jardim Público]

Até 20 agosto | De terça a dom, 10h-18h

Do efémero das águas à eternidade do granito, exposição mista com pintura de Hélder Tiago e escultura de Vítor Sá Machado.

Posto de Turismo [centro]

Até 29 julho | Dias úteis, 10h-12h30 e 14h-17h30

A Covilhã em aguarelas, exposição de pintura por João Salcedas.

“AS VIAGENS DE SARAMAGO” NA SESSÃO DE LEITURAS NÓMADAS, NA BANDA DA COVILHÃ

A Câmara da Covilhã em parceria com a Quarta Parede promove no dia 19 de julho (terça-feira), a terceira sessão de “Leituras Nómadas”.

Nesta sessão, que terá início pelas 21h00, na Biblioteca da Banda da Covilhã, junto ao Jardim Público, será abordado o tema “As viagens de Saramago” e contará, como é habitual, com momentos de leitura performativa pela Quarta Parede.

O ciclo mensal de leituras é dinamizado pelas professoras Teresa Correia e Sílvia Ferreira, impulsionadoras da comunidade de leitura na Covilhã, e visa promover a partilha de experiências e preferências de leitura sobre os mais variados livros e autores.

MUNICÍPIO DA COVILHÃ APRESENTA 15º OBRA LITERÁRIA DA ESCRITORA E POETISA ROGÉLIA PROENÇA

 

O Município da Covilhã apresenta no próximo sábado, dia 9 de julho, a mais recente obra literária da escritora covilhanense Rogélia Maria Proença.
Trata-se de um livro de poesia, bilingue, intitulado “Rosas claras”, com prefácio de Ana Catarina Pereira, tradução de Susana Costa e ilustração de Maria Matilde Paulo Rato.
A cerimónia de apresentação da 15ª obra literária da escritora e poetisa covilhanense terá início pelas 18h00, na Biblioteca da Covilhã, e contará com um momento musical proporcionado por João Luís Carapito e Letícia Micaelo Silva.
Rogélia Maria dos Santos Proença
Rogélia Maria Proença nasceu em 1971 na Covilhã, estudou Língua e Literaturas Modernas em Coimbra, especializando-se em alguns autores portugueses. Tirou a pós-graduação em Língua, Cultura Portuguesa e Didática, na Universidade da Beira Interior e o curso de Mestrado pré-Bolonha, onde frequentou também o Doutoramento em Letras. Atualmente é docente de português e francês, escritora e autora de prosa e poesia.
Escreveu a trilogia poética “Um amor que vence Chronos” (2013); “O livro dos silêncios” (2013); “Pó de estrelas” (2014), seguindo-se “Papel de seda” (2015); “Árvore e asa” (2015); “O Avesso dos dias” (2016); “O mago das palavras” (2017); “Pedras de ouro” (2018); “Margarida a menina mais que malmequer” (2018); “Fragmentos” (2018); “Poesis: Luga(ar)” (2019); “A máquina de fazer livros e outros contos de amor” (2019). Recentemente apresentou os livros “a menina garrafa de vidro e outros contos” (2022) e “Para onde foram os sorrisos” (2022).
No final da cerimónia seguir-se-á a sessão de autógrafos com a escritora e um porto-de-honra.

Novo e horrível crime de uma aldeia velha!

 Por Júlio Roldão *
 
Menos de cem anos depois de um horrível crime ocorrido numa aldeia serrana do Norte do país, o assassínio de uma jovem mulher queimada viva por outras mulheres que diziam acreditar estar a jovem possuída pelo diabo, menos de cem anos depois deste horrível crime (que deu origem à obra de Bernardo Santareno "O Crime da Aldeia Velha"), um pouco mais a Sul, mas ainda em Portugal, uma menina de três anos terá sido torturada até à morte por três adultos que dessa forma pretenderiam forçar a mãe da vítima a pagar uma suposta dívida de 400 euros.
Em 1953, vinte anos depois do crime da "Aldeia Velha" (assim citado para não recordar o verdadeiro nome da aldeia), em plena ditadura do chamado Estado Novo, um regime sem liberdades e com censura ao que se escrevia, o assassínio, numa fogueira inquisitorial, de uma jovem mulher, ainda era falado com horror na região onde ocorreu. Guardei este testemunho directamente de minha mãe, que, vinda do Sul, fixou-se a Norte, em 1953, numa pequena cidade relativamente perto dessa aldeia velha.
Também o assassínio da menina de três anos, notícia actualmente dominante nos variados espaços informativos dos canais de televisão em Portugal, corre o risco de ficar gravado na memória dos nossos pesadelos. Estranhamente, ambos os casos estão embrulhados numa névoa de obscurantismo que toca universos de bruxarias - a vítima de 1933 era vista como bruxa, filha de bruxa, e a principal suspeita de ser a autora do crime de 2022 será bruxa de profissão e terá participado no assassínio da menina de três anos para forçar a mãe da menina a pagar uma dívida por uma "consulta" de bruxaria.
Foi isto que passou, até à exaustão, em longas emissões em directo dos vários canais de televisão portugueses que reportaram o cortejo fúnebre da menina, e é isto que está a passar à porta do tribunal onde os suspeitos começaram a ser ouvidos e poderão vir a ser julgados. Tudo isto com recolhas de testemunhos, sempre não editados, mesmo quando são testemunhos que potenciam os sentimentos mais primários que casos como estes inevitavelmente provocam.
Por muito que me custe admiti-lo, a linha informativa que está a marcar o caso da menina assassinada para forçar a mãe a pagar uma suposta dívida contraída numa suposta consulta de bruxaria também é desinformação. Quase um século depois do Crime da Aldeia Velha e quase meio século depois de Portugal ter começado a viver em Democracia.
Júlio Roldão, jornalista desde 1977, nasceu no Porto em 1953, estudou em Coimbra, onde passou, nos anos 70, pelo Teatro dos Estudantes e pelo Círculo de Artes Plásticas, tendo, em 1984, regressado ao Porto, onde vive.

 Por Júlio Roldão *
*Jornalista desde 1977

SECÇÃO DE NATAÇÃO DA COLUMBÓFILA CONQUISTOU 5 PÓDIOS NO INTERDISTRITAL DE INFANTIS

A Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense esteve presente na última prova do calendário regional da época de 2021/2022. A competição coorganizada pela Associação Natação de Coimbra, Associação de Natação do Centro Norte de Portugal (Aveiro) e Associação Natação Distrital de Leiria contou com a participação de 236 atletas em representação dos 35 clubes envolvidos, tendo a Sociedade Columbófila12 atletas do escalão em competição.

Em termos individuais os maiores destaques vão para os atletas Martim Pascoal, Leonor Cavaleiro e Anastácia Protolyuk que alcançaram 5 pódios interdistritais. O primeiro sagrou-se campeão interdistrital do 100 livres e vice-campeão nos 200 estilos, a segunda fez 3º lugar nos 200 estilos e 100 costas e por último a 3ª fez a mesma posição nos 200 Costas.

Recorde-se que esta era a última oportunidade para os atletas obterem mínimos de participação para os campeonatos nacionais do escalão que se realizarão em Vila Nova de Famalicão nos dias 22,23 e 24 de julho.

Nestes nacionais a coletividade de Cantanhede terá em competição 10 dos 12 atletas que integram a equipa.