domingo, 17 de agosto de 2025

BOMBEIRO MORRE EM ACIDENTE DE VIAÇÃO

Um Bombeiro do Corpo de Bombeiros da Covilhã morreu hoje, 17 de agosto, vítima de acidente de viação, pelas 19h10, quando se deslocava para a ocorrência do incêndio que deflagrou na localidade de Quinta do Campo, Fundão. Do mesmo acidente resultaram ainda quatro bombeiros feridos, que estão a ser resgatados/assistidos pelas equipas de emergência no local.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) apresenta as mais sentidas condolências à família, amigos e à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, expressando igualmente votos de rápida e plena recuperação aos bombeiros que ficaram feridos neste mesmo acidente.

Nunca será demais sublinhar o empenho, o altruísmo e o profissionalismo com que, diariamente, milhares de bombeiros em todo o país se dedicam, com coragem e entrega, à defesa das populações e da floresta contra os incêndios.

Carnaxide, 17 de agosto de 2025

Alcina Coutinho
Chefe de Divisão
Divisão de Comunicação e Sensibilização

Cantanhede | Ao longo de quatro dias, de 21 a 24 de agosto. Festival Catraia aposta na inclusão com atividades dedicadas à Língua Gestual Portuguesa

 
A sétima edição do Festival Catraia decorre de 21 a 24 de agosto, na Praia da Tocha, em Cantanhede, de forma mais inclusiva, com uma oficina de introdução à Língua Gestual Portuguesa e duas atividades com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
Com uma abordagem focada na inclusão e acessibilidade, foi convidado o coletivo Zás, reconhecido pela sua arquitetura inclusiva. O coletivo desenvolveu uma série de intervenções para o festival, inspiradas nas raízes da Praia da Tocha.
Sob o mote “Inspira, Cuida, Partilha”, a edição deste ano trará nomes como emmy Curl, Criatura ou Plasticine, nomes sonantes do seio musical, estendendo-se a outras expressões artísticas por meio de exposições, instalações de arte, conversas, passeios e oficinas orientadas para promover a consciencialização ambiental, reafirmando a multidisciplinaridade e a diversidade de expressões que compõem a iniciativa.
O Festival Catraia é organizado por um grupo de jovens voluntários em parceria com a Associação de Moradores da Praia da Tocha (AMPT), contando com o apoio da Câmara Municipal de Cantanhede e da Junta de Freguesia da Tocha.
O programa é eclético, gratuito e pretende abarcar todos os públicos dos oito aos 80 anos.
De acordo com a organização, nas edições passadas o festival recebeu 2 mil visitantes, entre residentes e não residentes, maioritariamente provenientes das regiões de Coimbra e Lisboa.
A música chega este ano com atuações de Criatura, emmy Curl, Plasticine, Idiotheque, Gand´ra, Berço de Judas e Tomás Toscano Organ Trio. As noites prolongam-se com DJ sets de French Gurlzzz, Marafada e Lagryma. Paralelamente, decorrerão atividades promovidas por parceiros da comunidade, como batismos de surf e bodyboard, aulas de ioga e pilates, skate jam, provas de vinho, oficinas infantis, passeios e conversas sobre temas atuais e essenciais nos dias de hoje.
O programa pode ser consultado através do site www.catraia.pt/edicao/2025/ .

sábado, 16 de agosto de 2025

Opinião | Cristóvão Colombo, seria português?


Poucos episódios da História alimentaram tantas discussões como a verdadeira identidade de Cristóvão Colombo. A versão mais divulgada apresenta-o como genovês, nascido por volta de 1451, filho de um tecelão, que acabaria por singrar como navegador ao serviço dos Reis Católicos. Essa narrativa tornou-se oficial e repetida em manuais escolares de várias gerações. Porém, a História não é feita apenas de certezas. Entre lacunas, contradições e silêncios, abre-se espaço para hipóteses alternativas. Uma delas, defendida por vários investigadores e retomada por José Rodrigues dos Santos, sugere que Colombo poderia afinal ser português.

Sabe-se que o navegador casou com Filipa Moniz Perestrelo, filha do primeiro donatário da ilha de Porto Santo. Ao fixar-se na Madeira passou a ter acesso privilegiado a rotas atlânticas e aos segredos da náutica portuguesa. O sogro, ele próprio mareante, terá sido quem lhe transmitiu a arte de navegar. O casamento não é um simples episódio biográfico, mas um dado que liga Colombo ao coração da elite marítima de Portugal no momento em que o país liderava a expansão oceânica.
Quando regressou da primeira viagem à América, em 1493, Colombo não se dirigiu de imediato a Castela. A sua primeira paragem foi Lisboa, onde se apresentou perante D. João II. O encontro está documentado e continua a levantar perguntas. Porque razão um navegador ao serviço de Espanha sentiria necessidade de relatar o feito ao rei de Portugal antes de anunciar a vitória na corte castelhana? O itinerário mostra ainda outras paragens discretas em localidades a sul de Lisboa, quase como se estivesse a cumprir compromissos prévios, e só depois seguiu para os Reis Católicos.

Se fosse assumido como português, Castela corria um risco político evidente. As novas terras poderiam ser reivindicadas por Lisboa, colocando em causa o grande triunfo da monarquia espanhola. Mais seguro era fixar a versão genovesa e impô-la como verdade inquestionável. O receio espanhol explica em parte o silêncio e a construção da narrativa oficial.

Alguns detalhes parecem reforçar a hipótese portuguesa. O nome dado à primeira ilha encontrada foi Cuba. Oficialmente o batismo foi casual, mas permanece a dúvida. Existe em Portugal uma vila chamada Cuba, no Alentejo, e não é impossível que Colombo tenha escolhido esse nome em memória da sua terra natal.

As provas da origem genovesa também não são conclusivas. Nos arquivos encontram-se referências a um Cristoforo Colombo, filho de um tecelão de Génova, mas nada garante que se trate da mesma pessoa. Difícil é conciliar um artesão italiano com alguém capaz de escrever em castelhano erudito, de se exprimir em português, de dominar os segredos atlânticos e de se mover com naturalidade nas cortes europeias.

O maior enigma permanece em Sevilha, onde repousam os restos mortais do navegador. Foram já realizadas análises de ADN que confirmaram tratar-se efetivamente de Colombo. A comparação com restos de familiares diretos comprovou a identidade, mas os testes não revelaram a sua nacionalidade. Há indícios genéticos compatíveis com origens sefarditas da Europa Ocidental, embora nada de definitivo. Assim, as análises encerraram uma dúvida mas abriram outra ainda maior.

O que se seguiu ao feito de Colombo também pode ser lido sob outra luz. Portugal aceitou rapidamente negociar o Tratado de Tordesilhas que dividia o mundo em duas partes. Muitos viram nessa cedência a entrega generosa de vastas terras da América do Norte e Central a Castela. No entanto, os portugueses sabiam que essas regiões tinham menos riquezas imediatas do que o Brasil. Ao aceitarem esta partilha, evitavam um conflito direto com os espanhóis, assegurando ao mesmo tempo o território que viria a tornar-se a maior joia do império português. Essa lucidez estratégica só se explica se D. João II conhecia de antemão, talvez pelas informações de Colombo, a geografia aproximada das novas terras.

A versão genovesa continua a assentar em bases frágeis. A hipótese portuguesa responde a muitas das dúvidas que ainda persistem. Talvez nunca saibamos com absoluta certeza quem foi Cristóvão Colombo. Mas se um dia se autorizar a análise genética completa, a História poderá ter uma reviravolta tão surpreendente como a própria viagem de 1492.

O homem que mudou o mundo pode não ter partido de Génova. Pode ter nascido no coração do Alentejo e levado consigo a memória de Cuba para batizar a primeira ilha do Novo Mundo.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Cantanhede | Coleção reflete a experiência pessoal e traduz uma intensa viagem interior. Exposição de pintura patente no CIAX da Praia da Tocha até dia 24 de agosto

 
A exposição intitulada “Despertar”, de Monica Mar, foi inaugurada na terça-feira dia 12 de agosto e estará patente no CIAX - Centro de Interpretação da Arte Xávega, na Praia da Tocha, até ao dia 24 de agosto.
Na sessão esteve presente o vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, o presidente da Associação de Moradores da Praia da Tocha (AMPT), Hélder Gonçalves, entidade que em parceria com o Município dinamiza este centro interpretativo, assim como o presidente da Junta de Freguesia de Ourentã, Carlos Ventura, freguesia de onde a artista é natural.
A mostra, promovida pela AMPT com apoio da Câmara Municipal de Cantanhede, reúne cinco quadros de grandes dimensões que espelham a experiência pessoal da autora e revelam uma intensa viagem interior.
“Inserida na política de descentralização cultural, esta exposição evidencia a qualidade minuciosa do traço e a profundidade conferida pelo contraste entre o negro e o claro, ao mesmo tempo que reforça o apoio a novos criadores através da disponibilização de espaços expositivos, numa ação que se insere no compromisso municipal de promover diferentes formas artísticas, da música à dança, do folclore à pintura e à fotografia, oferecendo ainda aos veraneantes uma programação cultural diversificada no âmbito da Animação Cultural de Verão”, sublinhou Pedro Cardoso.
Mónica Marinheiro (1986), natural de Cantanhede, vive atualmente em Ourentã. Arquiteta de formação, trabalhou durante uma década em Inglaterra antes de regressar recentemente a Portugal.
Enquanto artista Monica Mar dedica-se em exclusivo à pintura, assumindo-a como parte essencial da sua vida e do seu percurso profissional.
Após a experiência no estrangeiro, decidiu arriscar e entregar-se por completo à sua arte — uma extensão de si própria e a sua linguagem poética de partilha e diálogo com o mundo e com o público.

Opinião | D. Afonso Henriques liderou a primeira batalha naval da nossa História e... ganhou!

 No século XII, Portugal ainda se debatia contra as forças almóadas, que além de desafiarem do interior, ameaçavam constante e impiedosamente as nossas costas. Em 1179, esses corsários mouros não se ficaram apenas por incursões costeiras: penetraram no estuário do Tejo, capturaram várias galés portuguesas e saquearam arredores, deixando um rasto de destruição que chegava aos portos de Lisboa. Foi esse o estopim que levou D. Afonso Henriques a compreender que a defesa da nação não poderia limitar-se à terra firme
Decidido a interromper o predador marinho, Afonso Henriques encomendou àfiguração de uma marinha de guerra nascente e deu ao bravo D. Fuas Roupinho um navio à altura dos seus talentos – ou melhor dizendo, ainda improvisado para as artes marítimas no reino. Roupinho, que já havia triunfado várias vezes em terra, incluindo um combate próximo de Porto de Mós onde derrotou tropas de Gamir com escassa vantagem numérica, foi elevado a almirante na estreia dessa força naval. Em meados de 1180, sua frota embainhou-se nas galerias do Tejo e rumou para sul, numa missão que juntava retaliação e afirmação territorial.
No dia 15 de julho, ao dobrar o Cabo Espichel, algo ainda inédito na História portuguesa aconteceu. Em frente a Sesimbra, as galés almóadas foram alcançadas serenamente, talvez por estarem más de manutenção ou com velas mais frágeis. O combate que se seguiu pegou o reino desprevenido pela sua intensidade: marinheiros inexperientes tornaram-se feras da coragem, lutar às escuras com a espuma das ondas ao redor, flechas e dardos rasgando o vento, até que os conveses se enchem de tumulto, sensação de madeira estalando sob movimento, e relinchar de aço nas mãos dos homens ferozes que empunhavam lanças e espadas.
Apesar da inexperiência, o sangue fresco e a determinação portuguesa firmaram o triunfo. Os mouros, surpresos com a ferocidade da resistência, viram-se derrotados e várias de suas galés foram capturadas. D. Fuas entrou em Lisboa em triunfo, ladeado por navios inimigos que serviram como troféus, símbolos de um Reino que não se confinava às colinas, mas ousava desafiar o marecido inimigo também nas águas.
O Rei, no entanto, não parou aí. Encorajado pelo sucesso, mandou perseguir os inimigos até ao Algarve e atravessar o Estreito de Gibraltar. Roupinho remou até Ceuta e regressou de lá com presas adicionais, mostrando que o oceano podia ser palco de conquista, não apenas de defesa.
É impressionante pensar que D. Afonso Henriques, um príncipe moldado para o combate terrestre, se tenha mostrado visionário o bastante para criar uma marinha. Ele não foi marinheiro, mas liderou com estratégia, coragem e senso político. A batalha não foi categoricamente documentada em número exato de combatentes, mas sabemos que cada lado reuniu cerca de nove galés, com tripulações suficientes para infligir e resistir aos golpes mais cruéis do artesanato naval medieval.
Este embate foi decisivo: reforçou a segurança das costas, incentivou a circulação mercantil com o Norte da Europa, e lançou as bases daquilo que seria séculos depois a grande proeza portuguesa dos oceanos. Em menos de meio século, Portugal passaria de um reino interior para uma potência atlântica, com feitorias comerciais em Bruges, intercâmbios riquíssimos e uma identidade marítima emergente.
Tudo começou com essa vitória de 15 de julho de 1180, quando o Fundador escolheu desafiar o mar e provou que o seu reino não era apenas de terra, mas também de ondas.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Dia Internacional da Juventude assinalado em Oliveira de Frades


No dia 12 agosto celebrámos a energia, a irreverência e a força da nossa juventude com um programa que incluiu diversas atividades desportivas, lúdicas e muita animação. 
Paddle Surf, Hydro Burn, Workshop Graffiti, entrada grátis na Zona de Fruição Ribeirinha de Sejães e um pôr de sol fantástico a contemplar a bela paisagem da Albufeira da Barragem de Ribeiradio, ao som da Dupla de DJ A++ foram alguns dos momentos marcantes deste dia. 
Foi mais do que um evento! Foi um momento para reforçar que os jovens são a força do presente e a esperança do futuro. Continuaremos a criar oportunidades, a apoiar os seus sonhos e a dar palco à sua voz e talento.

*Sara Carvalho
Assessora de Comunicação - Gabinete de Comunicação e Imagem

Exposição: "Já não se contam ovelhas para dormir" no Museu Municipal de Oliveira de Frades

“Já não se contam ovelhas para dormir?” é o nome da exposição, de Andrea Inocêncio, que se encontra patente no Museu Municipal. 
Esta exposição destaca-se pela sensibilidade e profundidade com que aborda o papel das mulheres pastoras, particularmente da região de Tondela. São as guardiãs de saberes ancestrais e de uma presença que muitas vezes permanece invisível. 
A combinação de arte, investigação etnográfica e memória local torna esta mostra um retrato comovente da ligação ao território e da identidade de comunidades tradicionais em evolução. 
Realizada no âmbito de uma Residência Artística, esta exposição é promovida pelo Novo Ciclo ACERT, com o apoio à Programação da DGArtes, e curadoria da Zetavares / ACERT Tondela.

*Assessora de Comunicação - Gabinete de Comunicação e Imagem