sábado, 10 de outubro de 2026

Opinião - São rosas, meu Senhor

 

As semelhanças entre a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Rainha Santa Isabel da Hungria

Há histórias que atravessam fronteiras, vencem séculos e parecem repetir-se como se a História, de vez em quando, gostasse de esconder nas suas páginas os mesmos símbolos, à espera de alguém que os descubra. A lenda do milagre das rosas é uma dessas histórias, associada a duas mulheres que viveram em cortes medievais europeias, conheceram de perto o poder, fizeram da caridade uma missão e acabaram por ser veneradas como santas. Uma foi Isabel da Hungria, princesa da dinastia dos Árpades, que viveu no século XIII; a outra, Isabel de Aragão, rainha de Portugal, que a memória colectiva consagrou como Rainha Santa Isabel. Entre ambas existe uma proximidade histórica e espiritual que merece ser explorada, mas também um pormenor fascinante que importa esclarecer desde o início: o milagre das rosas está associado às duas santas, embora as versões da lenda não tenham exactamente a mesma origem nem a mesma solidez documental.

É precisamente aqui que começa a viagem, porque, quando duas figuras separadas por centenas de quilómetros partilham um nome, uma vocação religiosa, uma condição régia e uma narrativa lendária tão semelhante, vale a pena perguntar o que as aproxima, como se formou essa tradição e de que maneira a memória de ambas transformou a caridade numa das imagens mais duradouras da santidade medieval.

Duas Isabeles, uma mesma Europa medieval

Para compreender esta aproximação, temos de recuar ao século XIII, uma época em que a Europa era atravessada por rivalidades dinásticas, alianças matrimoniais, conflitos entre monarquias e poderes senhoriais, mas também por uma profunda religiosidade, na qual a assistência aos pobres, a protecção dos doentes e a fundação de hospitais constituíam expressões concretas da fé cristã. Foi neste mundo, muito diferente do nosso, que nasceram duas mulheres destinadas a ficar na memória colectiva não apenas pelo sangue régio que lhes corria nas veias, mas sobretudo pela maneira como procuraram colocar a riqueza e a posição social ao serviço dos mais desfavorecidos.

Isabel da Hungria nasceu em 1207, filha do rei André II da Hungria, e foi ainda muito jovem enviada para a Turíngia, no território da actual Alemanha, onde casou com Luís IV, landgrave da Turíngia. A sua vida, porém, não correspondeu ao modelo de existência faustosa que tantas vezes associamos às princesas medievais, pois Isabel desenvolveu uma relação muito próxima com os pobres, os doentes e aqueles que viviam à margem da sociedade, promovendo obras de assistência e participando pessoalmente em actos de caridade. Depois da morte prematura do marido, em 1227, dedicou-se ainda mais intensamente à assistência aos necessitados, tendo vivido os últimos anos em Marburgo, onde morreu em 1231, com apenas 24 anos. A sua fama de santidade espalhou-se rapidamente e foi canonizada pelo papa Gregório IX em 1235, apenas quatro anos depois da sua morte, num processo que demonstra a extraordinária repercussão que a sua vida alcançou no mundo cristão.

Quase quatro décadas depois do nascimento de Isabel da Hungria, veio ao mundo, em 1271, Isabel de Aragão, filha do rei Pedro III de Aragão, que viria a casar com D. Dinis, sexto rei de Portugal, em 1282. E é aqui que a História nos oferece uma ligação que torna esta comparação ainda mais fascinante: Santa Isabel da Hungria era tia-avó da Rainha Santa Isabel de Portugal, uma relação de parentesco que aproxima duas mulheres da mesma família alargada, ligadas pelas complexas redes dinásticas que uniam as casas reinantes da Europa medieval. A rainha portuguesa era descendente da linhagem familiar em que se integrava a santa húngara, pelo que a semelhança entre as duas não se limita à coincidência de nomes ou à partilha de uma tradição religiosa.

A princesa aragonesa chegou a Portugal ainda adolescente e encontrou uma corte onde o exercício do poder, a administração do reino e a vida religiosa coexistiam num equilíbrio nem sempre simples, mas viria a construir uma identidade própria, marcada pela assistência aos pobres, pelo apoio a instituições religiosas e hospitalares e pela intervenção em conflitos que ameaçavam a paz do reino. A sua acção ficou ligada à protecção dos mais vulneráveis e à capacidade de intervir em momentos de tensão política, incluindo as disputas entre D. Dinis e o seu filho, o futuro D. Afonso IV. Morreu em Estremoz, em 1336, e foi canonizada pelo papa Urbano VIII em 1625.

Temos, assim, duas mulheres de sangue régio, pertencentes à mesma família alargada e separadas por várias décadas, que viveram em contextos políticos diferentes, mas partilharam uma concepção da fé que não se esgotava na oração, nos rituais ou na magnificência das cerimónias da corte. Para ambas, a devoção religiosa exigia consequências práticas, significando alimentar quem tinha fome, amparar quem estava doente e reconhecer dignidade a quem a sociedade medieval frequentemente relegava para os lugares mais baixos da hierarquia social. É precisamente nesta convergência entre linhagem, poder e caridade que encontramos a primeira grande semelhança entre as duas Isabeles, antes mesmo de chegarmos às rosas que haveriam de as unir na imaginação popular.

O pão escondido debaixo do manto

Imaginemos agora uma cena de Inverno, um castelo medieval, os corredores de pedra e uma mulher que abandona a segurança da corte levando consigo alimentos destinados a quem pouco ou nada tem para comer. O gesto parece simples, quase banal aos olhos de quem vive num mundo onde a caridade é frequentemente reduzida a uma transferência bancária ou a uma campanha de recolha de alimentos, mas, na sociedade medieval, a distribuição de pão aos pobres podia adquirir uma dimensão social e religiosa extraordinária, sobretudo quando praticada por alguém que ocupava uma posição tão elevada na hierarquia política.

É neste cenário que surge a narrativa que tornou célebres as duas santas. Na versão associada a Isabel da Hungria, a princesa transportaria alimentos para os pobres, escondidos nas dobras do manto, quando se cruzou com o marido, Luís da Turíngia, ou, segundo algumas variantes, com outros membros da família senhorial. Questionada sobre o que levava, teria respondido que eram rosas; ao abrir o manto, em vez do pão que transportava, surgiriam flores, num acontecimento interpretado como sinal da protecção divina sobre a sua caridade. Na versão portuguesa, a cena ganhou uma expressão verbal que se tornou inseparável da identidade nacional da Rainha Santa: Isabel de Portugal levava pães no regaço para os distribuir aos necessitados quando D. Dinis a surpreendeu e lhe perguntou o que escondia. A resposta, segundo a tradição, foi imediata: «São rosas, meu Senhor». O rei, estranhando a existência de rosas em pleno Inverno, terá insistido, e a rainha abriu o regaço, revelando as flores onde deveriam estar os pães.

A semelhança é evidente e não se limita à presença das rosas. Nas duas histórias encontramos uma mulher de sangue real, alimentos destinados aos pobres, um gesto de caridade que suscita uma pergunta e uma resposta que transforma uma situação potencialmente embaraçosa num episódio de significado sobrenatural. O manto ou o regaço funciona como o lugar do segredo, o pão representa a necessidade material e as rosas constituem o sinal visível de uma realidade que ultrapassa a simples troca de objectos. A própria estação do ano, frequentemente apresentada como Inverno, reforça o carácter extraordinário do acontecimento, porque a flor aparece quando a natureza parece negar a sua existência, fazendo da rosa não apenas uma planta, mas uma imagem de esperança, pureza e abundância inesperada.

Há, contudo, uma diferença importante que merece ser sublinhada. Na tradição portuguesa, a pergunta atribuída a D. Dinis e a resposta da rainha ganharam uma formulação particularmente memorável, repetida de geração em geração, ao ponto de a expressão «São rosas, meu Senhor» se ter convertido numa espécie de senha cultural, imediatamente reconhecida mesmo por quem pouco sabe sobre a vida da soberana. No caso húngaro, a narrativa também apresenta o marido a interrogar Isabel, mas as versões variam nos pormenores, na identidade de quem a surpreende e no próprio desenvolvimento do episódio. A tradição popular aproximou as duas histórias até quase as tornar gémeas, mas o historiador tem de resistir à tentação de as tratar como relatos documentais de acontecimentos comprovados, distinguindo a memória religiosa daquilo que as fontes permitem efectivamente demonstrar.

O que nos dizem, afinal, os documentos históricos?

É aqui que a investigação histórica se torna particularmente interessante, porque a semelhança entre as duas lendas não significa que estejamos perante dois acontecimentos comprovados, nem permite concluir, sem mais provas, que uma narrativa foi simplesmente copiada da outra. A hagiografia, isto é, a escrita das vidas dos santos, obedecia a convenções próprias, valorizando virtudes, episódios exemplares e sinais extraordinários que permitissem transmitir aos fiéis uma imagem concreta da santidade. Ao longo da Idade Média, estas narrativas circularam entre mosteiros, ordens religiosas, cortes e comunidades de peregrinos, sendo adaptadas a diferentes contextos e adquirindo novos pormenores à medida que os cultos se desenvolviam.

No caso de Isabel da Hungria, dispomos de documentação muito próxima da sua morte, incluindo testemunhos de mulheres que conviveram com ela e registos associados ao seu processo de canonização, iniciado pouco depois de 1231. Esses documentos permitem conhecer aspectos importantes da sua caridade e da sua espiritualidade, mas a célebre cena dos pães transformados em rosas não aparece nos primeiros testemunhos conhecidos com a mesma configuração que alcançaria nas versões posteriores da lenda. A investigação historiográfica tem, por isso, chamado a atenção para a distância entre a documentação inicial e a tradição popular que se consolidou mais tarde.

A situação portuguesa oferece uma pista igualmente reveladora. Num estudo académico publicado em 2015 no Boletim de Estudos Clássicos, Helena Maria Ribeiro Almeida Costa Toipa analisou a narrativa do milagre das rosas na biografia latina da Rainha Santa Isabel escrita pelo jesuíta Pedro João Perpinhão entre 1557 e 1561. A autora salienta que, segundo o próprio Perpinhão, o episódio não figurava nos documentos escritos anteriores relativos à vida da rainha, sendo conhecido através da tradição oral. O relato escrito que hoje associamos tão intimamente à soberana portuguesa terá, portanto, adquirido forma literária num contexto bastante posterior à sua morte, embora isso não permita determinar com exactidão quando nasceu a lenda ou como circulou nas suas primeiras versões.

Este pormenor altera a maneira como devemos olhar para a história. Não estamos obrigados a escolher entre acreditar ingenuamente em todos os detalhes da narrativa ou rejeitar a importância da tradição por não dispormos de provas documentais suficientes para confirmar o milagre. O trabalho do historiador consiste precisamente em distinguir planos diferentes: a existência histórica das duas mulheres, a documentação das suas práticas de caridade, a evolução dos respectivos cultos e a construção de uma memória religiosa que encontrou nas rosas uma das suas imagens mais poderosas.

E há um aspecto que merece especial atenção: a lenda das rosas não pertence exclusivamente a estas duas Isabeles. Narrativas semelhantes foram também associadas a outras figuras veneradas, entre as quais Santa Zita de Lucca e Santa Cacilda, o que demonstra a capacidade de determinados motivos religiosos para circularem entre diferentes tradições hagiográficas. A investigação de Liliana Sousa, publicada em 2021 na revista Via Spiritus, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, estuda precisamente os paralelismos entre as vidas e os milagres de Isabel da Hungria e Isabel de Aragão, mostrando como a imagem de ambas foi sendo construída e transmitida ao longo dos séculos.

Não seria, por isso, rigoroso afirmar que o milagre aconteceu exactamente da mesma forma às duas santas, nem que uma delas foi necessariamente a primeira a protagonizá-lo na tradição que chegou até nós. O que podemos afirmar é que a associação das duas mulheres à mesma narrativa constitui um fenómeno histórico e cultural digno de estudo, sobretudo porque ambas partilhavam laços de parentesco e um modelo de santidade profundamente marcado pela caridade.

A herança franciscana: quando a santidade desce do castelo

Existe ainda uma dimensão que aproxima estas duas mulheres e que ajuda a compreender por que razão a sua memória atravessou os séculos com tamanha força: a ligação à espiritualidade franciscana, centrada na pobreza, na humildade e no reconhecimento de Cristo nos mais pobres. Não se trata de afirmar que as duas seguiram percursos religiosos rigorosamente idênticos, mas de reconhecer que a sua imagem de santidade se desenvolveu num ambiente espiritual em que as obras de misericórdia e a proximidade aos mais necessitados assumiam uma importância crescente.

Isabel da Hungria tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da espiritualidade franciscana feminina, sendo particularmente relevante para a difusão do ideal de santidade entre mulheres que, apesar de casadas e pertencentes à aristocracia, procuravam viver a fé através da assistência aos pobres, da renúncia ao luxo e do serviço aos doentes. Isabel de Portugal, por seu lado, ficou associada à tradição franciscana e à fundação e protecção de instituições religiosas, tendo terminado a vida junto do mosteiro de Santa Clara de Coimbra, onde aprofundou a sua dedicação religiosa depois da morte de D. Dinis. A aproximação entre ambas não reside apenas na lenda das rosas, mas também na maneira como a tradição cristã passou a representar a mulher de sangue real que utiliza a sua posição para servir aqueles que não dispõem de poder ou riqueza.

A imagem é particularmente expressiva quando pensamos na sociedade medieval, onde o nascimento determinava grande parte do destino individual e a distância entre a corte e os mais pobres podia ser enorme. Uma princesa ou uma rainha que atravessava essa distância para levar alimento a quem tinha fome oferecia, por si só, um exemplo suficientemente forte para alimentar a memória colectiva. A rosa acrescentava-lhe uma dimensão simbólica: aquilo que poderia ser visto como uma simples distribuição de pão passava a representar a transformação da realidade pela caridade, fazendo do gesto quotidiano uma imagem duradoura de santidade.

É também por isso que não devemos reduzir a Rainha Santa Isabel à sua famosa resposta ao marido, como se toda a sua existência coubesse num episódio ocorrido numa manhã de Inverno. A soberana portuguesa desempenhou um papel relevante na mediação de conflitos políticos e familiares, incluindo a tensão entre D. Dinis e o futuro D. Afonso IV, e a sua memória ficou ligada a práticas de assistência e a instituições religiosas que ultrapassaram largamente os limites da lenda. De igual modo, a importância histórica de Isabel da Hungria não se resume às rosas, pois a sua dedicação aos pobres e aos doentes, documentada por testemunhos próximos da sua vida, ajuda a explicar a rapidez com que o seu culto se difundiu pela Europa.

As duas Isabeles foram, portanto, muito mais do que personagens de uma narrativa piedosa. Foram mulheres que viveram numa época em que a religião ocupava um lugar central na organização da sociedade e que, cada uma à sua maneira, contribuíram para consolidar um modelo de santidade em que a compaixão pelos mais vulneráveis se tornava uma forma de intervenção no mundo.

São rosas, meu Senhor

Voltemos, por fim, à frase que dá título a este artigo, porque poucas expressões da tradição portuguesa conseguiram condensar tanta memória histórica e religiosa em tão poucas palavras. «São rosas, meu Senhor» tornou-se uma das respostas mais reconhecidas da nossa cultura popular, repetida em sermões, pinturas, procissões, representações teatrais e conversas familiares, quase sempre acompanhada pela imagem da rainha que, perante a pergunta do marido, revela flores onde deveriam estar os alimentos destinados aos pobres.

Mas a força desta expressão reside também naquilo que nos permite descobrir quando ultrapassamos a fronteira nacional. A mesma imagem encontra-se associada a Isabel da Hungria, tia-avó da rainha portuguesa, mostrando como a memória dos santos não respeita necessariamente as fronteiras que hoje separam os países e como as tradições religiosas europeias partilharam narrativas, símbolos e modelos de virtude. Portugal apropriou-se desta história e fez dela uma das imagens mais queridas da sua identidade religiosa, mas o episódio pertence a um universo cultural muito mais vasto, no qual a caridade, o pão e as rosas constituem elementos de uma linguagem simbólica comum.

Como historiador, considero essencial manter a distinção entre o que os documentos demonstram e aquilo que a tradição transmitiu, porque a História não perde interesse quando reconhecemos as incertezas das suas fontes; pelo contrário, torna-se mais fascinante quando descobrimos como uma narrativa nasceu, se transformou e conquistou o imaginário de diferentes gerações. Não dispomos de provas suficientes para confirmar o milagre das rosas como acontecimento literal, mas dispomos de elementos que permitem compreender a existência histórica das duas mulheres, a sua dedicação aos pobres e a extraordinária vitalidade dos cultos que se desenvolveram em torno delas.

Talvez seja essa a verdadeira razão pela qual as duas Isabeles continuam a falar-nos tantos séculos depois. Numa Europa medieval marcada por hierarquias rígidas, em que o pão representava a sobrevivência e a riqueza se concentrava nas mãos de poucos, a imagem de uma rainha que escondia alimentos para os distribuir aos necessitados tornou-se uma forma de recordar que a grandeza não se mede apenas pelo poder que se possui, mas também pela maneira como esse poder é colocado ao serviço dos outros.

E assim, entre a Hungria e Portugal, entre o século XIII e a memória dos nossos dias, duas mulheres ligadas pelo sangue e pela tradição religiosa continuam a encontrar-se no mesmo símbolo, como se a História tivesse escolhido uma flor para nos recordar que a caridade não conhece fronteiras e que, por vezes, uma lenda pode revelar tanto sobre os valores de uma sociedade como os documentos mais solenes dos seus reis.

Porque, no fim, as rosas não são apenas rosas. São a memória de duas Isabeles, de uma Europa que reconheceu na caridade um caminho para a santidade e de uma frase que Portugal guardou com particular carinho, como se ainda hoje esperasse ouvir, diante de um mundo tantas vezes indiferente à pobreza, a resposta que atravessou os séculos: «São rosas, meu Senhor».

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Fontes e leituras para aprofundamento
Liliana Sousa, «As vidas e os milagres de Isabel da Hungria e Isabel de Aragão: estudo de duas Santas dos séculos XIII-XIV», Via Spiritus, n.º 28, 2021, pp. 165–191. Consultar o estudo académico.
Helena M. R. A. Costa Toipa, «O milagre das rosas em De Vita et Moribus Beatae Elisabethae Lusitaniae Reginae de Pedro João Perpinhão», Boletim de Estudos Clássicos, n.º 60, 2015, pp. 131–141. Consultar o artigo.


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Maria Helena Henriques falou da importância do património geológico. Palestra iniciou comemorações dos 25 anos do Museu da Pedra


Maria Helena Henriques, professora do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, esteve no passado dia 1 de outubro em Cantanhede para uma conferência científica intitulada “Geodiversidade, Património Geológico e Pedra de Ançã”.
A sessão, realizada no âmbito das comemorações dos 25 anos do Museu da Pedra, centrou-se na importância do património geológico, enquanto conjunto de elementos da geodiversidade com reconhecido e excecional valor científico.
Foi igualmente destacado o papel dos geoparques na proteção, valorização e divulgação do património geológico, enquanto territórios que promovem a sua salvaguarda e aproximam este património das comunidades e dos visitantes.
Também a designação da Pedra de Ançã como Pedra Património Mundial foi debatida como exemplo de notoriedade dada ao território a partir de um dos seus mais conhecidos recursos geológicos.
“Este momento inaugural das comemorações dos 25 anos do Museu da Pedra, uma referência museológica, científica, cultural e educativa começa com chave de ouro, com uma das mais distintas e prestigiadas vozes da comunidade científica, uma investigadora de reconhecido mérito internacional e uma sumidade no estudo do património geológico”, explicou o vice-presidente da Câmara Municipal com os pelouros da Cultura e Educação, Pedro Cardoso, adiantando que a escolha da conferencista “resulta também da extraordinária colaboração em importantes projetos com interesse para o concelho e para o Museu da Pedra”.
Ainda de acordo com o autarca, Maria Helena Henriques “confirmou, mais uma vez, a sua extraordinária capacidade de comunicação, capaz de traduzir o conhecimento e rigor científico numa linguagem próxima, cativante e acessível a toda a comunidade”.
A ligação da professora da Universidade de Coimbra ao Município de Cantanhede, remonta desde 1986, quando desenvolveu trabalhos de prospeção paleontológica nas pedreiras de Portunhos e Ançã. Mais tarde, alargou as suas pesquisas ao registo fóssil dos calcários da Póvoa da Lomba e, desde a sua criação, tem colaborado com o Museu da Pedra, o Município e as freguesias em atividades de divulgação dos recursos geopatrimoniais do concelho.
Entre os resultados desta colaboração, cabe destacar a atribuição do Prémio Nacional de Geoconservação em 2006, pela ProGeo-Portugal, e a recente classificação do Calcário de Ançã como Pedra Património Mundial pela União Internacional de Ciências Geológicas.
Esta palestra constituiu o mote para este mês de comemorações dos 25 anos do Museu da Pedra, proporcionando um momento de reflexão e partilha sobre a importância do património geológico e fomentando um interessante diálogo e debate entre a oradora e os participantes.
A iniciativa reforça o papel do Museu da Pedra enquanto espaço de conhecimento, divulgação e valorização do património natural e cultural do concelho.

 

Universidade Sénior de Proença-a-Nova com inscrições abertas para 2026/27


A Universidade Sénior de Proença-a-Nova tem inscrições abertas para o ano letivo 2026/2027, que terá início no dia 30 de outubro, com uma sessão solene no Auditório Municipal, que assinalará o encerramento das comemorações do Mês do Idoso.

Com 14 anos de existência, a Universidade Sénior tem assumido um papel fundamental na promoção do bem-estar físico, mental e emocional da população sénior, contribuindo para um envelhecimento ativo e saudável, combatendo a solidão e o isolamento social e proporcionando maior qualidade de vida, autonomia e integração na comunidade. No ano letivo anterior, a Universidade Sénior contou com mais de 80 inscritos entre Proença-a-Nova e Sobreira Formosa, e continua a aceitar novos alunos, de qualquer nível de escolaridade. Além de alunos, também podem inscrever-se novos potenciais professores, que queiram partilhar os seus conhecimentos e contribuir para o enriquecimento do projeto.
Este ano, as atividades decorrem em Proença-a-Nova e na Sobreira Formosa, com um total de 13 disciplinas.

Em Proença-a-Nova, o programa inclui Treino Funcional e Respiração, Fotojornalismo, Ciência no Dia-a-Dia, Química na Cozinha, Clube de Leitura, Teatro, Psicologia e Bem-Estar, Temas ao Acaso, Temas da História e Cidadania e Direitos Fundamentais. Literatura (mínimo de 10 inscrições) e Ténis (mínimo de 4 inscrições) só abrem se for atingido o número indicado. Na Sobreira Formosa, os alunos podem frequentar Psicologia e Bem-Estar, Clube de Leitura, Temas ao Acaso e Património e Desenvolvimento Local.

A mensalidade é de 5,25 euros, independentemente do número de disciplinas escolhidas. As inscrições, tanto de alunos como de potenciais professores, decorrem até ao dia 26 de outubro de 2026 e podem ser feitas nos serviços online do Município, na Casa das Associações de Proença-a-Nova ou na sede da Junta de Freguesia de Sobreira Formosa e Alvito da Beira.

Nota: não tenho a indicação de que o prazo e os locais de inscrição sejam os mesmos para os professores. Se forem diferentes, diz-me e ajusto a última frase.


NECE Festival 2026 traz Michael Ignatieff a Lisboa para debater a confiança nas democracias

 


  • Festival europeu de educação cívica decorre de 14 a 16 de outubro, em Lisboa, Sintra e Cascais, e coloca a reconstrução da confiança nas democracias no centro de três dias de debate e reflexão.
    
Num contexto marcado pela polarização, pela fragmentação do espaço público e pela crescente desconfiança nas instituições, como podemos reconstruir a confiança necessária para viver e cooperar em democracia? É a partir desta pergunta que se desenvolve o NECE Festival 2026, dedicado ao papel da educação cívica na reconstrução da confiança nas democracias, na sociedade civil e nas relações entre pessoas.

    De 14 a 16 de outubro, o evento reunirá mais de 200 participantes de diferentes países, entre educadores, investigadores, representantes da sociedade civil, decisores políticos, profissionais da cultura, jornalistas e agentes comunitários.
    
O NECE Festival é uma iniciativa do THE CIVICS Innovation Hub, no âmbito da rede NECE – Networking European Civic Education, financiada pela German Federal Agency for Civic Education. Este ano, o festival é organizado em conjunto com o Instituto Padre António Vieira (IPAV), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Câmara Municipal de Sintra e a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da Capital Europeia da Democracia. São também parceiros a Organização de Estados Ibero-Americanos e a Dona Ajuda, marca da Associação Boa Vizinhança.
    Michael Ignatieff: pensar a democracia a partir da experiência
    Um dos momentos centrais do programa será a participação de Michael Ignatieff, político, historiador, escritor e professor canadiano, no dia 14 de outubro, enquanto keynote speaker.

    Reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho sobre democracia, direitos humanos, nacionalismo e ética política, Ignatieff combina uma longa reflexão académica com uma experiência política e institucional pouco comum. Foi deputado e líder do Partido Liberal do Canadá, liderou a oposição parlamentar e presidiu à Central European University, em Budapeste, durante o período que culminou na transferência das principais atividades da universidade para Viena.

    Autor de várias obras sobre democracia e sociedades divididas, Ignatieff recebeu, em 2024, o Prémio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais. A sua presença no NECE Festival ganha particular relevância num momento em que a confiança nas instituições democráticas, a liberdade académica, a desinformação e a polarização ocupam o centro do debate público internacional.

    O contributo do IPAV
    Enquanto coorganizador do festival, o IPAV contribuirá para a programação a partir da experiência desenvolvida através da Academia de Líderes Ubuntu, um programa de educação não formal que trabalha competências pessoais e relacionais através da metodologia Ubuntu. É a partir desta experiência que o IPAV irá explorar diferentes formas de construir confiança através das relações.


    No dia 15 de outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, o IPAV dinamizará a masterclass “Building Trust Through Relationships: The Ubuntu Methodology for Transformative Civic Education”, dedicada à forma como a confiança pode ser intencionalmente construída através das relações e integrada em experiências de educação cívica transformadora.

    A participação do IPAV estende-se também ao Project Market, no dia 16 de outubro, onde apresentará uma experiência interativa centrada na confiança. Através do Ubuntu Trust Challenge, os participantes serão convidados a experimentar, e não apenas discutir, diferentes dimensões da construção de relações, através de desafios relacionados com Construção de Pontes, Ética do Cuidado e Liderança Servidora.

    Um festival para reconstruir confiança
    Ao longo de três dias, o NECE Festival irá promover uma abordagem interdisciplinar aos desafios atuais da educação cívica e da participação democrática, através de debates, masterclasses, workshops, partilha de boas práticas, espaços colaborativos e experiências culturais em Lisboa, Sintra e Cascais.

    Mais do que discutir a confiança, o festival pretende criar oportunidades para experimentá-la e reconstruí-la através do encontro, do diálogo e da cooperação, aproximando pessoas e organizações que trabalham em diferentes contextos pela cidadania e pela democracia.

    Sobre o Instituto Padre António Vieira

    O IPAV é uma organização da sociedade civil dedicada à promoção da dignidade humana, da educação para a cidadania e de uma cultura de diálogo, cooperação e participação. Desenvolve programas e metodologias de educação não formal, entre os quais a Academia de Líderes Ubuntu, inspirada na filosofia Ubuntu - Eu sou porque tu és - e orientada para o desenvolvimento de competências socioemocionais e relacionais.
 

*Rui Nunes da Silva

Vice-presidente da Câmara agradece empenho da comunidade escolar neste projeto. Escolas e Município de Cantanhede distinguidos pelo Programa Eco-Escolas

 
O Município de Sintra foi palco esta quinta-feira, 8 de outubro, da cerimónia de entrega do galardão Bandeiras Verdes Eco-Escolas, distinção atribuída a todos os estabelecimentos de ensino que anualmente se comprometem em desenvolver um trabalho prático, com a participação ativa de alunos, professores, comunidade escolar e autarquias, na área da educação ambiental.
O Município de Cantanhede viu reconhecidas com este galardão as 20 Eco-Escolas envolvidas neste projeto no ano letivo 2025/2026, em face do seu desempenho sustentável e alinhado com a implementação da metodologia definida pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação. Foram elas: Academia de Música de Cantanhede, Escola Básica Marques de Marialva, Escola EB 2,3/S João Garcia Bacelar, Escola EB Cantanhede – Sul, Escola EB Carlos de Oliveira, Escola EB/JI de Febres, Escola EB1 de Corticeiro de Cima, Escola EB1 de Covões, Escola EB1 Gesteira, Escola EB1 Sanguinheira, Escola EB1/Jl de S. Caetano, Escola EB1/JI de Vilamar, Escola EB1/Jl Tocha, Escola Secundária Lima-de-Faria, Escola Técnico Profissional de Cantanhede, Jardim de Infância da Sanguinheira, Jardim de Infância de Corticeiro de Cima, Prodeco - Progresso e Desenvolvimento de Covões, ProViDa Progresso e Vida da Tocha e Universidade do Tempo Livre do Concelho de Cantanhede.
O trabalho é estruturado por temáticas, sendo obrigatório a abordagem aos temas-base (água, resíduos e energia) e aos temas do ano (biodiversidade e ação climática). A elaboração do Eco-código é o ponto alto, pois congrega os compromissos dos alunos para com o Ambiente e a comunidade envolvente.
De referir que com estes galardões foram ainda distinguidos como Eco-Agrupamentos, os agrupamentos de Escolas Lima-de-Faria e Gândara-Mar, pela participação integral dos estabelecimentos de ensino que integram o seu território educativo.
Por seu lado, o Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva recebe o galardão pelo envolvimento da EB Cantanhede-Sul e pela EB Marquês de Marialva, que participou pela primeira vez nesta edição.
A PRODECO - Progresso e Desenvolvimento de Covões recebeu, além do galardão, o prémio pelo 3.º lugar nacional no desafio “Eco-Ponto Criativo”, prémio este atribuído pelo parceiro da ABAAE, Geração Verdão, pelo empenho e criatividade na reciclagem e tratamento de resíduos.
Por seu turno, a EB 2,3 João Garcia Bacelar, da Tocha, ficou no 2.º lugar nacional no desafio “Hortas Bio nas Escolas”, na modalidade Hortas Pequenas (até 50m2), onde implementaram as suas práticas de agricultura biológica e sustentável em ambiente escolar, valorizado pelo parceiro AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica.
O Município de Cantanhede também recebeu uma Menção Honrosa pela dinâmica implementada no desenvolvimento do projeto “Muros com Vida”, no qual as autarquias são distinguidas pela estratégia, investimento e apoio às escolas na preparação e implementação deste projeto, trabalho esse sustentado tecnicamente pelo Gabinete de Educação Ambiental do Município.
O vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Educação, Pedro Cardoso, congratulou-se com os resultados obtidos por todos os estabelecimentos de ensino, tendo manifestado “o mais vivo reconhecimento aos alunos, professores, técnicos auxiliares, pais e encarregados de educação pela qualidade do trabalho desenvolvido, dedicação e empenho contínuo neste programa de educação ambiental e para uma cidadania ativa, contribuindo assim para a construção de um futuro com melhor qualidade de vida e com índices de sustentabilidade ambiental progressivamente superiores”.
O autarca sublinhou ainda a importância do Eco-escolas, destacando que “este galardão representa um pacto para o futuro, um compromisso e uma responsabilidade acrescida”. “O prémio não valida apenas o que já foi feito, mas obriga a comunidade escolar a fazer mais e melhor pela conservação do ambiente e pelo desenvolvimento sustentável no ano letivo seguinte”, alertou.
A presença do vice-presidente da autarquia cantanhedense na cerimónia de entrega de galardões, juntamente com os diretores dos agrupamentos de escolas Gândara-Mar e Marquês de Marialva, a coordenadora do Gabinete de Educação Ambiental do Município e o técnico superior de Educação Ambiental da INOVA-EM, reafirma o compromisso e a mais-valia das parcerias neste programa educativo.

“QUANDO O PODER SE FEZ TERRITÓRIO” EM REFLEXÃO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SILVES

 A Biblioteca Municipal de Silves recebe, no próximo sábado, dia 16 de outubro, pelas 21h30m, mais uma sessão da rúbrica “Tertúlia Insurgente”, promovida pelo Município de Silves, com entrada livre.
Subordinada ao tema “Quando o Poder se Fez Território: Revolução, Transição e Institucionalização do Poder Local entre 1974 e 1976 — O Concelho de Silves em Perspetiva”, a tertúlia assume, desta vez, as vestes de uma palestra, que será dinamizada pela Professora Doutora Maria João Raminhos Duarte.
A sessão propõe uma reflexão sobre um dos períodos mais decisivos da história contemporânea portuguesa, acompanhando o processo de transformação política e administrativa desencadeado pela Revolução de 25 de Abril de 1974 e a consequente construção do poder local democrático.
Partindo da realidade do concelho de Silves, a iniciativa pretende olhar para a Revolução para além dos grandes acontecimentos nacionais, procurando compreender de que forma os princípios da liberdade, da participação cívica e da representação democrática se afirmaram concretamente nos municípios, nas freguesias e nas comunidades locais.
Neste contexto, Silves assume particular relevância, tendo em conta a sua história de resistência ao regime ditatorial e o envolvimento da população nas profundas transformações sociais e políticas que marcaram o período revolucionário.
Ao longo desta sessão, será abordado o percurso entre a queda do Estado Novo e a realização das primeiras eleições autárquicas livres, realizadas em dezembro de 1976, com destaque para a ação e os desafios enfrentados pelas comissões administrativas, a reorganização da vida política local, o aparecimento de novas formas de participação cidadã e o processo de institucionalização do poder local democrático.
Mais do que uma revisitação histórica, a sessão pretende contribuir para uma compreensão mais aprofundada das raízes das instituições democráticas atuais e para a valorização do papel desempenhado pelo poder local na construção e consolidação da democracia portuguesa.
Através deste enlace, o Município de Silves convida todos a participar numa iniciativa que aposta no debate público, no acesso ao conhecimento e no pensamento crítico, contribuindo, assim, para uma sociedade civil mais informada e participativa.

VETERANOS DO SC PAIVENSE PROMOVERAM MAIS UMA VOLTA AO CONCELHO EM CICLOTURISMO

 A adrenalina da disciplina do Cicloturismo voltou às estradas do concelho no feriado recente de 5 de Outubro, com a realização da 25.ª edição do Cicloturismo - À Descoberta de Castelo de Paiva, uma prova desportiva integrada na programação dos 40ºs Jogos Desportivos e Culturais que terminaram no final do passado mês.
Com boa adesão de participantes, as estradas e paisagens do território paivense voltaram a encher-se de cor, energia e grande espírito desportivo, com a organização a propôr um percurso atractivo, com passagem por todas as freguesias do concelho. 
 Com partida e chegada no emblemático Parque das Tílias, em Sobrado, os participantes cumpriram um trajecto circular de 48 km que atravessou todas as freguesias de Castelo de Paiva, num evento marcado pelo convívio, promoção da vida activa e valorização do nosso património natural e cultural. 
 Recorde-se que esta jornada de Cicloturismo intitulada "À Descoberta de Castelo de Paiva", e promovida pela Associação de Veteranos Paivense, é um evento desportivo não competitivo, que procura unir o convívio, a natureza e a valorização do património local. 
Trata-se de um evento desportivo que desperta sempre uma boa adesão de participantes, com a presença de várias dezenas de cicloturistas, contando como sempre, com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, ADEP, Juntas de Freguesia de Sobrado e S. Pedro do Paraíso, Bombeiros Voluntários e da GNR local. 
 O Vereador do Pelouro do Desporto, Rui Gomes, que esteve junto dos autarcas de Sobrado e S. Pedro do Paraíso, acompanhou a prova e a organização fez um balanço positivo de uma boa jornada desportiva, destacando um evento desportivo que já é uma referência em Castelo de Paiva, e aproveitou para agradecer o apoio de todos os que colaboram e voltaram a contribuir para o sucesso desta nova edição da Volta ao Concelho em Cicloturismo. 
*Carlos Oliveira
Gabinete de Comunicação Relações Públicas e Protocolo
Assessor de Imprensa