sábado, 1 de agosto de 2026

Opinião - Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta?

 Ceuta voltou a ocupar as manchetes. A crise migratória, a pressão sobre uma das fronteiras externas da União Europeia e as tensões diplomáticas colocaram novamente aquela pequena cidade africana no centro da atualidade. Contudo, entre imagens de vedações, patrulhas e embarcações, há um pormenor que passa despercebido à esmagadora maioria dos portugueses. Sobre os edifícios oficiais de Ceuta continua a tremular uma bandeira que guarda, há mais de seis séculos, uma das mais extraordinárias memórias da História de Portugal.
Talvez muitos se surpreendam ao descobrir que aquela bandeira conserva ainda o escudo português e as cores da antiga bandeira de Lisboa. O preto e o branco que hoje identificam Ceuta não foram escolhidos por acaso. Recordam a bandeira da cidade de Lisboa, levada pela grande armada de D. João I que, em agosto de 1415, partiu do Tejo rumo ao Norte de África para conquistar a cidade. A memória dessa expedição ficou perpetuada na própria bandeira de Ceuta, como se o tempo tivesse decidido conservar um testemunho silencioso do início da expansão portuguesa.
Foi dali que começou uma das maiores aventuras da História da Humanidade.
Quando D. João I decidiu atacar Ceuta, não estava apenas a planear uma campanha militar. Estava a abrir uma nova etapa na História de Portugal. Acompanhavam-no os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, jovens príncipes que encontrariam naquela expedição uma experiência decisiva para o futuro do reino. O cronista Gomes Eanes de Zurara descreve o entusiasmo das tropas, a coragem dos combatentes e a rapidez com que a cidade caiu nas mãos portuguesas. Aqueles homens dificilmente imaginariam que estavam a escrever o primeiro capítulo de uma epopeia que levaria Portugal aos quatro cantos do mundo.
Ceuta transformou-se na primeira grande conquista ultramarina portuguesa. Muito antes de Vasco da Gama chegar à Índia, de Cabral avistar o Brasil ou das naus portuguesas alcançarem o Japão, foi naquela cidade africana que Portugal começou a afirmar uma vocação marítima e universal sem paralelo na Europa do seu tempo.
Mas essa conquista teve um preço elevadíssimo.
Durante mais de dois séculos, Ceuta exigiu homens, navios, armas, alimentos e recursos financeiros. Manter uma praça portuguesa em território africano implicava um esforço permanente, quase sempre esquecido quando se fala da expansão marítima. Gerações de portugueses combateram nas suas muralhas, perderam familiares e viveram convencidas de que defender Ceuta era defender o próprio reino.
Nenhuma figura simboliza melhor esse sacrifício do que o Infante D. Fernando. Capturado após a expedição a Tânger, permaneceu durante anos em cativeiro porque Portugal recusou entregar Ceuta em troca da sua libertação. O reino preferiu perder um príncipe a perder a cidade conquistada por D. João I. O Infante Santo morreria longe da pátria, tornando-se um dos maiores símbolos de fidelidade e abnegação da História portuguesa.
Décadas mais tarde, Luís de Camões transformaria em poesia a grande epopeia nacional. Embora Os Lusíadas celebrem sobretudo a viagem de Vasco da Gama, a verdade é que essa epopeia começou muito antes. Começou em Ceuta. Sem a conquista de 1415 dificilmente se compreenderia o impulso que conduziu Portugal ao longo da costa africana, ao cabo da Boa Esperança, ao Índico, ao Brasil e ao Extremo Oriente. Ceuta foi o primeiro degrau da aventura que Camões haveria de eternizar.
Também D. Sebastião encontraria em terras do Norte de África o seu destino trágico. Em Alcácer Quibir, não muito longe de Ceuta, desapareceu o jovem rei cuja morte mergulhou Portugal numa das maiores crises da sua História. A partir desse momento, o sonho africano iniciado por D. João I conhecia o seu episódio mais dramático. A perda da independência em 1580 acabaria por alterar profundamente o destino de Ceuta.
Quando Portugal recuperou a independência em 1640, a cidade decidiu permanecer fiel à Coroa espanhola. A soberania portuguesa terminava, mas a memória não. O escudo português permaneceu na bandeira e o preto e o branco da antiga bandeira de Lisboa continuaram a recordar a armada que atravessou o estreito de Gibraltar em 1415. É raro encontrar na História um símbolo oficial que tenha sobrevivido durante mais de seis séculos à mudança de soberania.
Hoje, quando as câmaras de televisão mostram Ceuta como um dos principais pontos de entrada de migrantes em território europeu, quase ninguém repara que aquela bandeira continua a contar uma história muito diferente. Conta a história de um pequeno reino que ousou atravessar o mar, iniciar a expansão ultramarina e mudar para sempre o curso da História mundial. Conta a história de reis, infantes, marinheiros, soldados, cronistas e poetas que fizeram daquela cidade o primeiro capítulo da extraordinária aventura portuguesa.
Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? Ninguém o sabe. A História ensina-nos que nenhum símbolo é eterno. As bandeiras mudam, os escudos transformam-se e as identidades evoluem ao longo dos séculos. Mas, enquanto o escudo português permanecer ao centro daquela bandeira e enquanto o preto e o branco da antiga Lisboa continuarem a desafiar o tempo, Ceuta recordará ao mundo que foi ali, nas muralhas daquela cidade africana, que Portugal iniciou uma das mais extraordinárias epopeias da História da Humanidade. E há memórias que, mesmo quando deixam de pertencer a um país, passam definitivamente a pertencer à História.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

BOLETIM INFOADASCA Nº. 72 AGOSTO 2026


No dia 24 de Julho ao meio da tarde, fomos contactos via telefone pela Câmara Municipal de Aveiro a informar que, estamos impedidos de aceder à Sede Administrativa da ADASCA, localizada no 1º. Piso do Mercado Municipal de Santiago, alegando o risco de perigo de acidente relativo à obras que ali decorrem.

Lá temos todo o material de escritório: computadores (2), cadeiras para dádiva de sangue (4), TV, fotocopiador, secretárias, sistema de comunicações, arquivo de expediente, além de outro material para a promoção.
O actual elenco Camarário não dialoga connosco (embora diga que sim), continua alegando que não existem alternativas de espaço para armazenarmos a logística que ainda lá permanece. Mas, continuam a reclamar a transferência de competências aos ministérios!!!

Onde falta a competência? Nunca colocámos em causa a realização das obras, mas, sim a forma como o processo de saída tem sido conduzido. Oficialmente, nunca fomos notificados através de carta regista c/aviso de recepção. Tudo via telefónica.

Estamos todos preocupados com a situação, agora com a agravante de nos ser vedado o acesso à documentação.

Vamos deixar que o tempo fale mais alto do que nós. Não estávamos preparados para esta situação. Se este é o respeito/consideração que merecemos como associação de dadores a completar 20 de existência com uma actividade de ininterrupta e histórica, de interesse público na área da saúde, bem podemos fechar portas. Algo de estranho está a acontecer em Aveiro. 

Não existe diálogo, palavra dada, compromisso de honra. Os prejudicados são os doentes que dependem de componentes sanguíneos.

Com uma quebra de dadores preocupante, na ordem dos 40% a 45% por si só não bastasse, tínhamos que levar com esta nuvem negra na cabeça. Fica em causa, a cerimónia dos 20 anos de existência da ADASCA agenda para o dia 6 de Fevereiro de 2027 no auditório do ISCAA.

O País e a sociedade deve saber como estamos a ser tratados. Com a divulgação deste comunicado, estamos cumprindo com o nosso dever, em quanto dirigentes responsáveis.

O Boletim pode ser lido através deste link http://www.adasca.pt/node/2153

Cumprimentos
Joaquim Carlos
Fundador/Presidente da Direcção da ADASCA
964 470 432


NB: A reunião agendada para o dia 5 de Agosto às 11:30 horas no Paços de Concelho, fica ferida de inutilidade (?).

INTERRUPÇÃO DO FORNECIMENTO DE ÁGUA EM MESSINES DE BAIXO E PORTELA DE MESSINES NA MADRUGADA DE 5 PARA 6 DE AGOSTO


O Município de Silves informa que, devido à realização de trabalhos de desinfeção de conduta, necessários para a garantia da qualidade da água, será necessário proceder à interrupção do fornecimento de água na madrugada de 5 para 6 de agosto, entre as 23h00 e as 07h00, nas localidades de Messines de Baixo e Portela de Messines.
Serão tomadas todas as diligências para que os trabalhos decorram de forma célere e eficiente, minimizando os incómodos causados.

O Município de Silves agradece a compreensão dos munícipes e utentes do sistema pelos transtornos que esta intervenção possa ocasionar.

Para qualquer esclarecimento ou obtenção de informações adicionais, a Câmara Municipal de Silves disponibiliza o contacto telefónico do Piquete de Águas: 282 440 860 (custo de uma chamada para a rede fixa nacional).

 

CORTE DE TRÂNSITO E INTERRUPÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO LARGO DA REPÚBLICA, EM SILVES, NO DIA 2 DE AGOSTO


O Município de Silves informa que, devido à realização de trabalhos de reparação de rotura em ramal da rede de abastecimento de água, será necessário proceder à interrupção do abastecimento de água e ao corte da circulação automóvel no Largo da República, em Silves, no próximo dia 2 de agosto, entre as 09h30 e as 14h00, na zona assinalada.
Serão tomadas todas as diligências para que os trabalhos decorram de forma célere e eficiente, minimizando os incómodos causados. O Município de Silves agradece a compreensão dos munícipes e utentes do sistema pelos transtornos que esta intervenção possa ocasionar.

Para qualquer esclarecimento ou obtenção de informações adicionais, a Câmara Municipal de Silves disponibiliza o contacto telefónico do Piquete de Águas: 282 440 860 (custo de uma chamada para a rede fixa nacional).

ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIVRE DAS PISCINAS MUNICIPAIS DE SILVES ENCERRA PARA MANUTENÇÃO ENTRE 1 DE AGOSTO E 6 DE SETEMBRO


O Município de Silves informa que a área de utilização livre das Piscinas Municipais de Silves estará encerrada entre os dias 1 de agosto e 6 de setembro, para a realização de intervenções de manutenção. Durante este período, não será possível utilizar os serviços de natação livre, sauna, banho turco e jacuzzi.
Informa-se ainda que o ginásio e as aulas de grupo manter-se-ão em funcionamento até ao dia 14 de agosto, assegurando-se a continuidade destas atividades.

O Município de Silves agradece a compreensão de todos os utilizadores pelos eventuais incómodos causados e lamenta os transtornos decorrentes dos trabalhos de manutenção.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

ÂNIMAS ASSOCIA-SE À CAMPANHA INTERNACIONAL #BetterTogether QUE DEFENDE PADRÕES RIGOROSOS NA FORMAÇÃO DE CÃES DE ASSISTÊNCIA


Uma nova campanha internacional dedicada a promover elevados padrões de treino e bem-estar em cães de assistência procura dar visibilidade aos benefícios que estes animais trazem às pessoas com diversidade funcional, ao tecido empresarial e à sociedade em geral.
31 de julho de 2026 - A iniciativa #BetterTogether será lançada durante a próxima International Assistance Dog Week (IADW - Semana Internacional do Cão de Assistência), que decorre de 2 a 8 de agosto de 2026. A campanha dá voz a pessoas com diversidade funcional que ganharam maior autonomia no dia a dia e livre acesso a espaços públicos ao serem acompanhadas por cães de assistência certificados pela Assistance Dogs International (ADI).
«As duplas de cães de assistência registadas na ADI usufruem de maior acessibilidade, respeito e tranquilidade graças aos nossos rigorosos padrões, desenvolvidos ao longo de quatro décadas», refere a ADI. «No entanto, estes direitos, tão arduamente conquistados, estão em perigo. Falsos cães com mau comportamento, o desconhecimento da legislação e a discriminação impedem que muitas duplas frequentem transportes públicos, restaurantes, centros de saúde e hospitais.»
Os cães de assistência bem treinados, dóceis e bem cuidados, como os que são treinados e disponibilizados pelos membros da ADI, trazem grandes benefícios para as pessoas com diversidade funcional, para as suas comunidades e para as empresas locais. A iniciativa #BetterTogether destaca a importância de acolher bem as duplas de cães de assistência em aviões, comboios, autocarros, táxis, cafés, hospitais e outros espaços públicos.
«Padrões exigentes abrem portas às pessoas com diversidade funcional e aos seus cães de assistência», afirma Danny Vancoppernolle, Presidente da ADI. «Quer seja proprietário de um restaurante, um motorista de autocarro ou um médico, pode ter a tranquilidade de receber no seu local de trabalho um cão de assistência certificado pela ADI. Orgulhamo-nos dos nossos padrões e levamo-los muito a sério, sobretudo porque a segurança do cão, do utilizador e do público está em jogo.»
Como única representante da ADI em Portugal, a ÂNIMAS junta-se a esta iniciativa internacional reforçando a mensagem de que cães bem treinados e certificados mudam vidas. Abílio Leite, Presidente da ÂNIMAS, alerta primeiramente para a questão legal: «Portugal tem desde 2007 uma das melhores legislações do mundo (Decreto-Lei n.º 74/2007) e está na fase final a revisão da norma europeia. Porém, é necessário regulamentar para podermos responsabilizar civil e criminalmente quem não respeita aquilo que está na lei.»
O Presidente da ÂNIMAS chama também a atenção para os problemas no acesso a espaços públicos decorrentes da postura de algumas empresas de segurança privada em Portugal: «É fundamental haver uma maior sensibilização dos seus profissionais quanto à abordagem feita às pessoas acompanhadas por cães, sejam de assistência ou de companhia, para que seja feita de forma educada e no sentido de tentar perceber o motivo do animal ali estar. Todos os nossos utilizadores estão sensibilizados e preparados para facultar e apresentar a documentação legal sempre que solicitados. Contudo, infelizmente, alguns profissionais têm uma abordagem ríspida, e isso já despoletou crises graves em beneficiários nossos com incapacidades invisíveis, como a epilepsia ou o autismo. Pede-se das empresas, formação e, acima de tudo, empatia e sensibilidade na abordagem, bem como mais informação sobre os cães de assistência, matérias sobre as quais a ÂNIMAS está totalmente disponível para colaborar e formar.»
Transformação e autonomia na primeira pessoa: O testemunho de Tiago

A eficácia dos padrões exigidos no treino reflete-se na vida de quem recebe estes cães de assistência. Tiago, cadeirante, conta como o Hino, treinado, certificado e atribuído pela ÂNIMAS, se tornou indispensável no seu dia a dia:

«No dia a dia, ele ajuda a apanhar as coisas no chão, um sapato, uma luva de bicicleta, apaga luzes, mas é na parte psicológica que faz mais a diferença. Em momentos mais apertados e duros no trabalho, fazemos uma pausa de três minutos, estamos com ele e voltamos ao trabalho e passa tudo. Cai qualquer coisa e ele não deixa escapar nada, pode estar a dormir, estar num momento mais relaxado... que ele alerta logo. Depois não me deixa ir sozinho para lado nenhum. Sei que ele me acompanha sempre; mesmo quando acho que ele não se apercebeu que saí, quando dou por ela, está ali comigo, logo atrás de mim. Ter um cão de assistência é, sem dúvida, uma mais-valia para mim e para qualquer pessoa que esteja numa situação como a minha.»

Durante a IADW 2026, a ADI conta com a parceria de marcas globais, incluindo companhias aéreas, transportadoras e operadores turísticos, para promover a acessibilidade universal nos transportes, hotelaria e lazer. Ao longo da semana, a ADI, as organizações associadas e a ÂNIMAS partilharão nas redes sociais, através da hashtag #BetterTogether, diversos testemunhos, artigos e relatos que ilustram o impacto do trabalho desenvolvido por estes animais.

Sobre a ADI:
A International Assistance Dog Week (de 2 a 8 de agosto de 2026) é organizada pela Assistance Dogs International (ADI). A ADI é a organização líder mundial na definição de padrões e acreditação para o treino de cães de assistência. Enquanto coligação global de mais de 200 organizações membros e candidatas sem fins lucrativos, distribuídas por cinco continentes, a ADI é o organismo de certificação e de definição de padrões para cães de assistência mais diversificado e inclusivo do mundo. Para obter mais informações, contactar Martin Atkin, Consultor de Comunicação: martin@assistancedogsinternational.org.

Sobre a ÂNIMAS:
A ÂNIMAS - Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social é uma organização sem fins lucrativos e de utilidade pública, fundada em 2002. É a única entidade em Portugal reconhecida e credenciada pela ADI (Assistance Dogs International) e pela Assistance Dogs Europe (ADE) para a formação, treino e entrega gratuita de cães de assistência. Desde a sua fundação, a associação já entregou 75 cães de assistência a pessoas com diversidade funcional, como autismo, doenças neuromusculares, epilepsia, surdez ou diabetes, promovendo a sua autonomia e inclusão com os mais elevados padrões internacionais de bem-estar animal e exigência técnica.

Adicionalmente, na área dos Serviços Assistidos por Animais (SAA), conta com a acreditação da AAII (Animal Assisted Interventions International) e da IAHAIO (International Association of Human-Animal Interaction Organizations). Estas intervenções são realizadas por duplas certificadas (Cão + Humano), transformando a vida de crianças, jovens, adultos, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade, solidão ou diversidade funcional. Só em 2024, a ÂNIMAS realizou mais de 99.306 visitas a hospitais, escolas e lares, com uma atuação centrada nas áreas da saúde, envelhecimento ativo e educação.

Para obter mais informações através do e-mail parcerias@animasportugal.org.

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FAS-PORTUGAL: “NÃO FALTAM DADORES DE SANGUE. FALTAM CONDIÇÕES PARA O IPST,IP RESPONDER À DISPONIBILIDADE DOS PORTUGUESES.”


A FAS-Portugal compreende as dificuldades do IPST, IP, mas rejeita que a falta de recursos humanos seja compensada pela substituição de profissionais por voluntários 

A FAS–Federação das Associações de Dadores de Sangue–Portugal (FAS-Portugal) considera positiva a abertura manifestada pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST, I.P.) para rever o ponto 6 da Deliberação n.º 018/D/2026, que previa a participação de voluntários das Associações no apoio à refeição dos dadores, associada à retirada de profissionais das equipas do Instituto. 
A FAS-Portugal compreende as dificuldades que o IPST, IP enfrenta e tem sido uma das entidades que mais insistentemente tem alertado a Tutela e todos os Órgãos de Soberania que tutelam o Estado para a insuficiência de recursos humanos e financeiros do IPST, IP. 
Mas é precisamente por conhecer essa realidade que a FAS-Portugal entende ser necessário dizer claramente: 
Em Portugal não existe falta de dadores de sangue. Existe uma grave incapacidade do IPST, IP, para responder plenamente à disponibilidade dos portugueses para dar sangue, o que leva a sucessivos cancelamentos de sessões de colheita de sangue. 
As Associações de Dadores de Sangue continuam a mobilizar cidadãos, a promover a dádiva e a manter uma forte capacidade de sensibilização e mobilização das comunidades. O problema está, muitas vezes, em conseguir transformar essa disponibilidade em dádivas efetivamente realizadas, devido às limitações de recursos humanos, financeiros e operacionais que condicionam a capacidade de resposta do IPST, IP. 
A FAS-Portugal considera, por isso, que a solução não pode passar pela transferência dessas dificuldades para o Movimento Associativo e para os seus voluntários. 
O voluntariado é uma força fundamental do Serviço Nacional de Sangue. Mas o voluntário deve complementar o profissional — nunca substituí-lo. 
O Movimento Associativo está disponível para continuar a colaborar com o IPST, IP, como tem feito há décadas. Porém, essa colaboração deve ser livre, voluntária e complementar, não podendo qualquer Associação ou Grupo de Dadores de Sangue ser obrigada, direta ou indiretamente, a disponibilizar um voluntário para assegurar funções que resultem da falta de profissionais. 
A FAS-Portugal considera igualmente indispensável que o Estado assegure ao IPST, IP os recursos humanos e financeiros necessários para cumprir plenamente a sua missão.
Portugal tem cidadãos disponíveis para dar sangue. Precisa de um Serviço Nacional de Sangue com capacidade para acolher, colher, acompanhar e cuidar desses dadores.
A FAS-Portugal saúda, por isso, a disponibilidade do Conselho Diretivo do IPST, IP para rever a Deliberação e reafirma a sua disponibilidade para colaborar na construção de soluções. Mas continuará a defender junto da Tutela e dos Órgãos de Soberania uma resposta efetiva às dificuldades estruturais do IPST, IP. 
A FAS-Portugal deixa uma mensagem clara: 
Os portugueses continuam disponíveis para dar sangue. O Estado tem de garantir que o Serviço Nacional de Sangue tem capacidade para receber essa generosidade. 

FAS–Federação das Associações de Dadores de Sangue– Portugal Lisboa, 31 de julho de 2026

*O Presidente da Assembleia Geral
Joaquim Martins Mendes Silva 

**O Presidente da Direção
Paulo José Rosa Cardos

 ***Filiada: FIODS