sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Aos sábados em setembro: VIN-DIM'ART! regressa à Quinta da Aveleda para celebrar a época das vindimas


Programa de enoturismo combina participação nas vindimas, provas de vinho, gastronomia e workshops inspirados nas tradições portuguesas

Setembro volta a ser mês de vindimas na Quinta da Aveleda, em Penafiel, que prepara uma nova edição do VIN-DIM'ART!, um programa de enoturismo que convida os visitantes a participar nas vindimas e a conhecer algumas das tradições que marcam esta época do ano.

A iniciativa realiza-se nos dias 5, 12, 19 e 26 de setembro e inclui diferentes formatos, adaptados a vários perfis de visitantes. A experiência completa, com duração entre as 10h00 e as 18h00, inclui a participação numa atividade de vindima, o Lanche das Colheitas com prova vínica, uma Oficina do Pão, visita aos Jardins Românticos e à Adega Velha, almoço de inspiração tradicional e um workshop lúdico-cultural, e tem o custo de 90 euros por pessoa.

A Quinta da Aveleda disponibiliza ainda duas modalidades alternativas: o programa VIN-DIM’, entre as 10h00 e as 13h00, que inclui a componente de vindima, prova vínica, Oficina do Pão e visita à quinta, pelo valor de 35 euros por pessoa; e o programa ART!, entre as 15h00 e as 18h00, com visita aos jardins e à Adega Velha e participação num workshop, pelo valor de 20 euros por pessoa.

Cada uma das datas vai ter associado um workshop temático diferente, com propostas dedicadas a tradições e produtos portugueses. A programação arranca a 5 de setembro com um workshop de bordados – lenço dos namorados, desenvolvido pela Aliança Artesanal, seguindo-se uma sessão dedicada ao chocolate, a 12 de setembro, com a Chocolate com Pimenta; um workshop de cerâmica para crianças, a 19 de setembro, dinamizado pelo Claro Atelier; e um workshop de bombos, a 26 de setembro, conduzido por Pedro Oliveira.

O programa inclui também um almoço com sabores tradicionais minhotos, acompanhado por vinhos da Aveleda, das regiões dos Vinhos Verdes e do Douro, com uma seleção de petiscos como rissóis de leitão, pastéis de bacalhau, tábua de enchidos e queijos Aveleda, folhado de alheira com molho de mostarda e mel.

Esta iniciativa reforça a ligação entre o enoturismo e o vasto património cultural da região dos Vinhos Verdes, durante a época das vindimas.
Até 29 de agosto, está disponível uma campanha de reserva antecipada com 15% de desconto.

Mais informações e reservas estão acessíveis em https://fareharbor.com/embeds/book/quintadaaveleda/items/742898/calendar/2026/09/?full-items=yes, através do email enoturismo@aveleda.pt ou pelo telefone +351 255 718 200.

VIN-DIM'ART! 10h00 – 18h00 | 90€ por pessoa
VIN-DIM' 10h00 – 13h00 | 35€ por pessoa
ART! 15h00 – 18h00 | 20€ por pessoa

WORKSHOPS
5 de setembro: Bordados – Lenço dos Namorados, com a Aliança Artesanal
12 de setembro: Chocolate, com a Chocolate com Pimenta
19 de setembro: Cerâmica para Crianças, com o Claro Atelier
26 de setembro: Bombos, com Pedro Oliveira

SOBRE A AVELEDA:
Fundada em 1870, a Aveleda desenvolve a sua atividade na Região dos Vinhos Verdes, no Douro, na Bairrada, no Algarve e, mais recentemente, em Lisboa, contando com uma extensão de vinha de cerca de 600 hectares e 200 colaboradores.

Presente em mais de 85 países, tem como principais mercados os EUA, Brasil, Canadá, Alemanha e França.

Na Aveleda, a sustentabilidade está presente a vários níveis, indo mais além das práticas agrícolas sustentáveis e sendo, desde 2017, a única empresa do setor vitivinícola certificada pelo referencial Entidade Familiarmente Responsável. Em julho de 2024 conquistou a certificação B Corp, um reconhecimento mundial concedido a empresas que respeitam altos padrões de desempenho social e ambiental, transparência e responsabilidade.

*FILIPA GUIMARÃES
**SARA INÊS GRAÇA

Marinha Grande | PAREDÃO DA PRAIA DA VIEIRA GANHA COR


O Município da Marinha Grande congratula os artistas Dos Santos David e Sabrina Carreira, bem como a Associação de Desenvolvimento da Praia da Vieira (ADPV), pela concretização da intervenção artística que renovou a imagem do paredão da Praia da Vieira.
A iniciativa, promovida pela ADPV e realizada com o apoio da Câmara Municipal da Marinha Grande, veio dar uma nova vida a este espaço emblemático, tornando-o mais atrativo para residentes e visitantes e contribuindo para a valorização da frente marítima da Praia da Vieira.
Através da criatividade e dedicação dos artistas, o paredão ganhou novas cores e uma imagem renovada, espelho da identidade desta região, que enriqueceram o espaço.

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Centro de Portugal elege na Curia as suas Novas 7 Maravilhas com transmissão na TVI


14 patrimónios disputam este sábado, a partir das 15h00, as sete vagas da região Centro na meia-final nacional das Novas 7 Maravilhas de Portugal.

O património do Centro de Portugal vai estar em grande destaque este sábado, 15 de agosto, com a realização da Final Regional Centro das Novas 7 Maravilhas de Portugal. O Parque das Termas da Curia, em Anadia, recebe, a partir das 15h00, a celebração que irá revelar os sete patrimónios da região apurados para a Meia-Final Nacional da iniciativa. O evento vai ser transmitido em direto pela TVI.

A edição de 2026 das Novas 7 Maravilhas de Portugal é dedicada ao património construído português e registou 629 candidaturas provenientes de todo o território nacional. A Região Centro destacou-se com 163 candidaturas, representativas da grande diversidade da região.
Para Rui Ventura, presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, a Final Regional é uma oportunidade para dar a conhecer o património da região e reforçar o seu valor enquanto ativo turístico.

“A Final Regional Centro das Novas 7 Maravilhas de Portugal é um momento de celebração e uma ocasião privilegiada para mostrar ao público nacional a riqueza, variedade e autenticidade da nossa região. Queremos que este evento, no extraordinário Parque das Termas da Curia, seja um convite para que todos descubram o Centro de Portugal, se deixem surpreender pelo que aqui encontram e, sobretudo, queiram voltar”, afirma.
A Final Regional Centro demonstra precisamente a diversidade da região. Os 14 patrimónios finalistas distribuem-se por sete categorias e abrangem diferentes épocas, tipologias e territórios: na categoria “Castelos”, o Castelo de Almourol (Vila Nova da Barquinha) e o Castelo de Leiria; nas “Grandes Obras”, o Aqueduto da Usseira (Óbidos) e a Barragem de Castelo do Bode; na categoria “História”, Centum Cellas (Belmonte) e a Universidade de Coimbra; na “Religião”, o Convento de Cristo (Tomar) e a Sé Velha de Coimbra; no “Século XX”, o Palace Hotel da Curia (Anadia) e o Museu Arte Nova de Aveiro; no “Século XXI”, o Miradouro do Zebro (Oleiros) e o Museu do Azeite da Bobadela (Oliveira do Hospital); e, na categoria “Turismo”, o Jardim do Paço Episcopal (Castelo Branco) e o Vale do Côa.

A realização da Final Regional na Curia acrescenta ainda uma dimensão simbólica ao evento, já que o Palace Hotel da Curia integra a lista de finalistas, na categoria “Século XX”. A Curia constitui um exemplo da forma como o património histórico pode continuar a afirmar-se como recurso turístico e a fazer parte da identidade dos territórios.

“A diversidade dos finalistas diz muito sobre a riqueza da oferta do Centro de Portugal. Temos património romano e medieval, património religioso e científico, arquitetura do século XX e projetos contemporâneos, grandes obras de engenharia e espaços ligados ao turismo e à paisagem. São patrimónios muito diferentes entre si, mas que têm em comum a capacidade de contar a história da região e de despertar a vontade de os conhecer”, acrescenta Rui Ventura.

Dos 14 patrimónios finalistas da Região Centro, sete serão apurados para a Meia-Final Nacional, a 5 de setembro, através de votação pelo público (custo de 1€ + IVA por voto). O processo é auditado pela PwC, garantindo a transparência e o rigor da iniciativa.

Sobre a Turismo Centro de Portugal:
A Turismo Centro de Portugal é a entidade que estrutura e promove o turismo na Região Centro do país. Esta é a maior e mais diversificada área turística nacional, abrangendo 100 municípios, e tem registado um intenso crescimento da procura interna e externa. É a região a escolher para quem pretende experiências diversificadas, pois concilia locais Património da Humanidade com a melhor costa de surf da Europa, termas e spas idílicos, locais de culto de importância mundial e as mais belas aldeias.

*Cátia Aldeagas
Diretora do Núcleo de Comunicação, Imagem e Relações Públicas
Turismo Centro de Portugal

**Luís Miguel Nunes
Consultor de comunicação


Opinião - A Ásia também come Portugal

 Quando pensamos na presença portuguesa na Ásia, pensamos habitualmente nas caravelas que atravessaram o Índico, nas fortalezas construídas ao longo das costas, nas igrejas que ainda hoje testemunham a presença portuguesa, nos grandes nomes da expansão e nas cidades que durante séculos estiveram ligadas às redes comerciais portuguesas, mas raramente pensamos numa dimensão muito mais quotidiana dessa presença, uma dimensão que talvez seja precisamente aquela que melhor demonstra como o contacto entre povos se transforma em cultura: aquilo que aconteceu dentro das cozinhas.
A História também se pode contar à mesa e, no caso português, talvez seja mesmo necessário começar a fazê-lo com maior frequência, porque a expansão portuguesa não significou apenas a circulação de homens, mercadorias e ideias entre continentes, tendo contribuído também para uma extraordinária circulação de produtos alimentares, técnicas culinárias e hábitos de consumo que modificaram sociedades muito distantes de Portugal e que, em alguns casos, continuam presentes nas cozinhas asiáticas contemporâneas.
É importante, desde logo, afastar uma interpretação simplista. Não faz sentido afirmar que os portugueses inventaram a gastronomia asiática, tal como seria absurdo tentar transformar séculos de sofisticadas tradições culinárias indianas, chinesas, japonesas ou malaias numa consequência da presença portuguesa. O que a História demonstra é algo bastante mais interessante: os portugueses participaram numa rede de circulação global que colocou em contacto produtos e técnicas que anteriormente estavam separados por enormes distâncias e, quando esses elementos chegaram às sociedades asiáticas, foram recebidos, adaptados e transformados por culturas que já possuíam tradições gastronómicas próprias.
A malagueta é talvez o exemplo mais extraordinário dessa transformação.
Hoje é difícil imaginar determinadas cozinhas indianas, goesas ou do Sudeste Asiático sem a presença do picante da malagueta, mas a planta não era originária da Ásia, tendo surgido no continente americano e começado a circular pelo mundo depois das viagens ibéricas dos séculos XV e XVI. Os portugueses tiveram um papel particularmente importante nessa circulação, utilizando as suas redes comerciais e os seus diferentes pontos de presença no Atlântico, em África e no Índico para fazer chegar novos produtos a regiões muito distantes da sua origem americana. Estudos sobre a evolução histórica da alimentação indiana identificam precisamente a chegada de produtos americanos e o papel desempenhado pelos portugueses na sua introdução e disseminação, entre os quais se encontra a malagueta.
A ironia histórica é extraordinária, porque um dos sabores que hoje associamos imediatamente à Índia veio de outro continente e entrou no espaço asiático através de uma rede de circulação em que Portugal desempenhou um papel decisivo, embora aquilo que aconteceu depois seja ainda mais importante do que a própria viagem inicial: a malagueta deixou rapidamente de ser um produto estrangeiro e passou a fazer parte das culturas alimentares que a receberam, sendo integrada em receitas, técnicas e hábitos que já existiam muito antes da chegada dos portugueses.
É precisamente aqui que devemos compreender a verdadeira natureza da influência portuguesa, porque influenciar não significa substituir e muito menos significa possuir aquilo que uma outra cultura posteriormente transformou; significa participar num processo de mudança que, ao longo de gerações, produz algo novo e que muitas vezes já não pode ser atribuído exclusivamente a nenhum dos elementos que estiveram na sua origem.
Goa oferece talvez o melhor exemplo dessa realidade, porque foi naquele território que a presença portuguesa encontrou uma das grandes civilizações culinárias da Ásia e onde o contacto entre tradições alimentares distintas produziu algumas das mais interessantes formas de fusão gastronómica do mundo português.
Quando os portugueses chegaram à Índia, encontraram uma sociedade com uma cultura alimentar antiga, complexa e profundamente ligada aos produtos, religiões, costumes e condições naturais do subcontinente, pelo que não seria historicamente correcto imaginar que levaram consigo uma cozinha pronta a substituir a cozinha local. O que aconteceu foi um processo muito mais lento e complexo, no qual ingredientes, técnicas e preparações europeias foram sendo incorporados, modificados e adaptados às realidades locais.
O vindalho constitui um dos exemplos mais conhecidos desse encontro.
A sua história conduz-nos à antiga preparação portuguesa de vinha-d'alhos, associada à utilização de carne marinada em vinho ou vinagre e alho, uma forma de conservação e preparação que ganhou uma nova vida quando entrou em contacto com os ingredientes, os métodos de cozinha e os gostos de Goa. Ao longo do tempo, a vinha-d'alhos portuguesa transformou-se no vindalho goês, que hoje constitui uma das preparações mais conhecidas da cozinha goesa e que não pode ser compreendida sem a história do contacto entre portugueses e indianos. A investigação histórica sobre a evolução da alimentação indiana identifica precisamente esta transformação e demonstra como a chegada dos portugueses contribuiu para alterações profundas na utilização de determinados ingredientes e preparações.
Mas existe uma distinção fundamental que vale a pena preservar: o vindalho contemporâneo não é simplesmente um prato português que permaneceu na Índia. É uma criação gastronómica goesa, nascida de um encontro histórico no qual existe uma componente portuguesa claramente identificável, mas que foi posteriormente recriada por uma sociedade diferente, até adquirir uma identidade própria.
É esta transformação que torna a gastronomia uma fonte histórica tão extraordinária, porque uma receita consegue conservar uma memória de contactos culturais sem deixar de pertencer à sociedade que a recebeu e transformou.
O mesmo fenómeno pode ser observado na história do pão em Goa, onde a presença portuguesa contribuiu para a introdução de determinadas formas de pão que acabaram por ser incorporadas na alimentação local e deram origem a tradições que sobreviveram muito depois do fim do domínio português. O chamado pão goês é hoje parte da identidade alimentar daquela região e demonstra como um elemento introduzido por uma cultura estrangeira pode, com o passar das gerações, tornar-se completamente integrado na cultura local.
É justamente essa capacidade de integração que faz da gastronomia uma espécie de arquivo vivo, porque aquilo que chega como novidade pode, ao fim de algumas gerações, tornar-se tão habitual que a sua origem deixa de ser lembrada pela maioria das pessoas.
O caso japonês é igualmente revelador, sobretudo porque o contacto entre portugueses e japoneses, iniciado no século XVI, produziu consequências que ultrapassaram largamente a esfera comercial e religiosa, deixando marcas na língua, nos hábitos, nos produtos e na alimentação.
Os portugueses chegaram ao Japão num momento particularmente importante da sua história e Nagasaki tornou-se um dos grandes espaços de contacto entre japoneses e europeus, permitindo uma circulação de produtos e conhecimentos que deixou marcas que ainda hoje podem ser reconhecidas. Na doçaria, por exemplo, encontramos palavras e preparações cuja história está relacionada com essa presença portuguesa, sendo o kasutera ou castella, tradicional bolo japonês associado ao pão-de-ló europeu, um dos exemplos mais conhecidos, enquanto o konpeitō mantém no próprio nome uma memória linguística relacionada com o português "confeito".
O mais interessante é que hoje nenhum japonês precisa de considerar o kasutera uma sobremesa estrangeira para que a sua história conserve uma ligação com Portugal, porque o bolo foi completamente integrado na cultura japonesa e transformado de acordo com os gostos, técnicas e hábitos locais, demonstrando que a influência cultural não exige que o elemento original permaneça intacto.
É também neste contexto que surge a discussão sobre a tempura, embora neste caso seja particularmente importante evitar certezas excessivas. Existe uma tradição histórica que relaciona determinadas técnicas de fritura em polme utilizadas no Japão com os contactos estabelecidos com portugueses e outros europeus no século XVI, nomeadamente através dos missionários, sendo frequentemente estabelecida uma relação entre essas práticas e a evolução posterior da tempura japonesa. No entanto, afirmar simplesmente que "a tempura é portuguesa" seria reduzir uma história complexa a uma fórmula demasiado fácil, porque a tempura que conhecemos hoje é inequivocamente japonesa e foi profundamente desenvolvida e transformada no próprio Japão. O que interessa historicamente é perceber que o contacto luso-japonês pode ter contribuído para um processo de transformação culinária que posteriormente adquiriu uma identidade completamente nova.
Se Goa e Nagasaki demonstram como determinados elementos portugueses foram absorvidos por culturas asiáticas, Macau mostra-nos talvez o caso mais extraordinário de todos, porque aí não estamos perante um único prato ou ingrediente, mas perante uma verdadeira cultura gastronómica nascida de séculos de contacto entre diferentes comunidades.
Macau foi durante séculos um espaço de encontro entre portugueses e chineses, mas também entre pessoas provenientes da Índia, da Malásia, de África e de outras regiões ligadas às redes comerciais do Índico e do Sudeste Asiático, e dessa convivência prolongada nasceu uma cozinha que não pode ser reduzida nem à cozinha portuguesa nem à cozinha chinesa. A gastronomia macaense constitui precisamente o resultado desse encontro, incorporando ingredientes, técnicas e memórias de diferentes tradições e transformando-os numa identidade própria.
É por isso que pratos como o minchi, a galinha à africana, o balichão ou diferentes preparações de carne, peixe e marisco devem ser entendidos não apenas como receitas, mas como documentos históricos, porque cada ingrediente e cada técnica podem revelar uma parte das redes humanas que transformaram Macau num dos grandes pontos de encontro entre Oriente e Ocidente.
A gastronomia macaense demonstra ainda outra coisa que frequentemente esquecemos quando estudamos a expansão portuguesa: a cultura não circula apenas de cima para baixo, nem é simplesmente transportada de um território para outro por governadores, militares ou comerciantes. É construída por pessoas concretas, nas casas, nas famílias e nas cozinhas, através de experiências quotidianas que raramente aparecem nos grandes documentos políticos, mas que acabam por sobreviver durante séculos.
É por isso que uma receita pode ser, em determinadas circunstâncias, um documento histórico tão importante como uma carta ou um tratado.
Quando uma família conserva uma preparação durante várias gerações, conserva também uma memória de quem chegou, de quem partiu, de quem casou, de quem comerciou e de quem aprendeu a cozinhar com outra comunidade.
Malaca oferece igualmente um exemplo particularmente interessante deste processo, porque a presença portuguesa se cruzou ali com tradições malaias, chinesas e indianas, produzindo uma herança cultural que ainda hoje pode ser identificada em determinadas comunidades e preparações. Mais uma vez, não estamos perante uma cozinha simplesmente portuguesa, mas perante uma cozinha transformada pelo contacto com Portugal e, ao mesmo tempo, profundamente marcada pelas sociedades asiáticas que receberam essa influência.
Talvez esta seja a melhor maneira de compreender a presença portuguesa na Ásia: não procurando encontrar Portugal intacto em cada prato, mas procurando perceber aquilo que aconteceu quando Portugal entrou em contacto com outras culturas.
Porque a História não é uma fotografia.
É um processo.
Um ingrediente viaja, uma receita é adaptada, uma técnica é modificada, uma palavra muda de pronúncia e, ao fim de algumas gerações, já ninguém sabe exactamente onde começou a história.
A expansão portuguesa foi também isto.
Foi uma extraordinária circulação de sabores.
Enquanto os portugueses levavam produtos de um continente para outro, também recebiam produtos que transformariam a própria alimentação europeia e portuguesa. A expansão não foi, portanto, uma estrada de sentido único, mas uma rede de circulação em que alimentos provenientes das Américas, da África e da Ásia chegaram a Portugal e contribuíram para modificar a nossa própria cozinha.
A malagueta que chegou às cozinhas asiáticas também entrou na cozinha portuguesa.
O açúcar, as especiarias e muitos outros produtos que durante séculos foram associados ao comércio oriental tornaram-se elementos fundamentais da cultura alimentar portuguesa.
A História da gastronomia portuguesa é, por isso, inseparável da História da expansão.
E talvez seja precisamente aqui que Portugal ainda tenha uma história extraordinária para contar.
Durante demasiado tempo, quando explicámos a expansão portuguesa, concentrámo-nos nos mapas, nas rotas marítimas, nas batalhas, nos tratados e nos monumentos, esquecendo frequentemente aquilo que aconteceu depois de os navios chegarem aos portos e de os comerciantes estabelecerem as suas redes.
Mas a verdadeira dimensão de uma presença histórica mede-se também pela capacidade de deixar marcas na vida quotidiana.
Uma fortaleza pode testemunhar que os portugueses estiveram num determinado lugar, mas uma receita pode demonstrar que houve contacto suficiente para que duas culturas transformassem mutuamente os seus hábitos, e essa transformação pode ser ainda mais reveladora do que um monumento, porque mostra aquilo que aconteceu não apenas entre governos, mas entre pessoas.
É precisamente por isso que, quando pensamos na História da presença portuguesa na Ásia, não devemos perguntar apenas onde permanecem os vestígios físicos do nosso passado, mas também onde continuam a existir histórias portuguesas que deixámos progressivamente de reconhecer como nossas, porque uma cultura não sobrevive apenas através dos monumentos que constrói ou dos documentos que arquiva, sobrevivendo igualmente através de hábitos quotidianos que podem atravessar séculos sem que as gerações seguintes tenham consciência da sua origem.
Talvez algumas dessas histórias estejam hoje numa cozinha de Goa, numa pastelaria de Nagasaki, numa casa de Macau ou numa mesa de Malaca, não porque essas comunidades tenham conservado Portugal de forma artificial, como se fossem museus de uma presença desaparecida, mas precisamente porque foram capazes de transformar aquilo que receberam e integrá-lo nas suas próprias culturas, dando origem a tradições que hoje pertencem legitimamente aos povos que as construíram. É essa transformação que torna a influência portuguesa tão interessante, porque a sua importância histórica não se mede pela quantidade de elementos que permaneceram inalterados, mas pela capacidade que alguns desses elementos tiveram de entrar em novas sociedades, adaptar-se a novos gostos e sobreviver com novas identidades.
Um prato que ninguém associa hoje a Portugal pode, por isso, esconder uma história que atravessa o século XVI e nos conduz de volta aos navios que ligaram Lisboa ao Atlântico, ao Índico e ao Extremo Oriente, num tempo em que a circulação de ingredientes e técnicas culinárias acompanhava a circulação de mercadores, missionários, soldados e famílias, criando uma primeira globalização dos sabores muito antes de a palavra globalização fazer parte do nosso vocabulário. Quando hoje encontramos determinados produtos americanos numa cozinha asiática, uma preparação portuguesa transformada em Goa, uma tradição doce no Japão ou uma receita de matriz multicultural em Macau, estamos perante testemunhos de uma História que não pode ser explicada apenas através da política ou da economia, porque também se encontra inscrita na alimentação e nas escolhas quotidianas das pessoas.
É por isso que a gastronomia merece ser levada mais a sério enquanto fonte para a História de Portugal, não como uma forma de reivindicar para o nosso país tudo aquilo que teve alguma relação com a presença portuguesa no mundo, mas como uma oportunidade para compreender a dimensão dos contactos que estabelecemos e, sobretudo, a forma como esses contactos foram apropriados e transformados por outras sociedades. A grandeza desta História não está em afirmar que a Ásia come pratos portugueses, mas em perceber que, em determinados pratos asiáticos, permanecem vestígios de uma longa história de encontros em que Portugal foi um dos intervenientes e que deixou marcas que sobreviveram à própria presença política portuguesa.
Durante demasiado tempo, ensinámos a expansão portuguesa sobretudo através dos mapas, das rotas marítimas, das batalhas, das fortalezas e dos nomes dos homens que comandaram expedições e governos, quando talvez seja igualmente importante perguntar o que aconteceu depois de os navios chegarem aos seus destinos e depois de os portugueses começarem a viver, comerciar e constituir comunidades nesses lugares. Os mapas mostram-nos até onde chegaram os portugueses, mas são as cozinhas que, muitas vezes, nos permitem perceber aquilo que aconteceu quando chegaram, porque uma receita adaptada, um ingrediente incorporado ou uma técnica transformada revelam um contacto cultural que não encontramos necessariamente nos grandes acontecimentos políticos.
A História de Portugal está, portanto, em muito mais lugares do que aqueles que normalmente procuramos, encontrando-se naturalmente nas fortalezas de Goa, nas igrejas de Macau, nos documentos de Nagasaki e nos vestígios das antigas comunidades portuguesas de Malaca, mas encontrando-se também em cozinhas onde já ninguém pensa necessariamente na origem portuguesa de determinados sabores, porque aquilo que começou como elemento estrangeiro foi lentamente absorvido até se tornar parte de uma identidade local. E talvez seja precisamente essa a forma mais interessante de medir a influência de uma cultura: não pela capacidade de permanecer intacta, mas pela capacidade de viajar, encontrar outras culturas, ser transformada por elas e, apesar dessa transformação, continuar a deixar uma marca reconhecível na História.
A presença portuguesa na Ásia não pode ser reduzida àquilo que Portugal levou consigo, porque também foi profundamente marcada por aquilo que recebeu, aprendeu e transformou, numa circulação de pessoas, produtos e conhecimentos que modificou a própria sociedade portuguesa e ajudou a construir aquilo a que hoje chamamos cozinha portuguesa. A expansão foi, nesse sentido, uma experiência de ida e volta, e talvez seja essa uma das razões pelas quais a sua dimensão gastronómica continua a ser tão fascinante: enquanto os portugueses levavam ingredientes e preparações para outros continentes, traziam consigo novos produtos, novas técnicas e novos hábitos, contribuindo para uma transformação alimentar que ultrapassou largamente as fronteiras do império.
Quando olhamos para essa História através da gastronomia, percebemos então que a presença portuguesa no mundo não terminou quando os portugueses deixaram de controlar territórios, porque determinadas influências continuaram a circular independentemente do poder político e foram incorporadas por sociedades que lhes deram novos significados. O vindalho continuou a ser preparado em Goa, o kasutera tornou-se parte da tradição japonesa, a gastronomia macaense desenvolveu uma identidade própria e muitos ingredientes que atravessaram os oceanos deixaram de ser vistos como estrangeiros por aqueles que os incorporaram nas suas cozinhas.
É nessa capacidade de viajar e de se transformar que reside uma das características mais extraordinárias da História portuguesa, porque Portugal foi suficientemente pequeno para procurar o mundo e suficientemente aberto para trazer o mundo consigo, participando numa circulação cultural que deixou marcas muito para além das fronteiras do território português. Talvez por isso seja altura de deixarmos de olhar para a expansão apenas como uma sucessão de viagens e conquistas e começarmos também a olhar para ela como uma história de encontros, na qual os alimentos, as receitas e os hábitos quotidianos desempenharam um papel que merece ser estudado com a mesma atenção que dedicamos aos grandes acontecimentos políticos.
Quando um viajante contemporâneo come um vindalho em Goa, prova um kasutera em Nagasaki ou descobre a complexidade da gastronomia macaense em Macau, pode não pensar em Portugal e não tem sequer obrigação de o fazer, porque essas cozinhas pertencem hoje às sociedades que as desenvolveram e transformaram; mas o historiador sabe que por detrás de alguns desses sabores existe uma longa cadeia de contactos, viagens e adaptações que não pode ser apagada simplesmente porque as receitas adquiriram uma nova identidade.
E talvez seja essa a melhor maneira de compreender a verdadeira dimensão da presença portuguesa na Ásia: não dizendo que aquilo que hoje se come nesses países é português, mas reconhecendo que, em determinados casos, a história desses sabores passa inevitavelmente por Portugal. A gastronomia torna-se, assim, uma espécie de memória silenciosa da expansão, uma memória que não precisa de bandeiras, monumentos ou discursos para continuar presente, porque permanece nas receitas, nos ingredientes, nas técnicas e nas tradições familiares que atravessaram gerações.
A História de Portugal pode, por isso, ser encontrada onde menos esperamos, inclusive em pratos que parecem completamente afastados da nossa identidade e que, depois de investigados, revelam caminhos que nos conduzem novamente às viagens portuguesas do século XVI. E talvez seja essa uma das formas mais interessantes de redescobrirmos o nosso próprio passado, não procurando Portugal apenas naquilo que permaneceu português, mas também naquilo que deixou de o ser precisamente porque encontrou outras culturas e foi por elas transformado.
Porque Portugal não está apenas nos mapas antigos da Ásia, nem apenas nas pedras das fortalezas que ainda hoje testemunham a nossa passagem, encontrando-se também na memória alimentar de sociedades que, ao longo de séculos de contacto, receberam ingredientes, técnicas e preparações que posteriormente transformaram de acordo com as suas próprias tradições e que, ao fazê-lo, conservaram sem necessariamente o saber uma pequena parte da história daqueles homens que partiram de Portugal para atravessar oceanos e estabelecer ligações entre mundos que até então permaneciam separados por enormes distâncias.
É talvez por isso que a gastronomia constitui uma das formas mais surpreendentes de compreender a dimensão histórica de Portugal: porque uma viagem pode terminar, um império pode desaparecer e uma fortaleza pode perder a sua função, mas os sabores continuam a viajar através das pessoas, das famílias e das gerações, e aquilo que um dia foi levado por portugueses pode sobreviver durante séculos depois de já ninguém se lembrar de quem o transportou.
A Ásia também come Portugal.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor



ATRIZ MARINHENSE MANUELA JORGE APRESENTA LIVRO NO COSMOS AZUL E MAR

 O Edifício Cosmos Azul e Mar, em São Pedro de Moel, recebe mais uma sessão de “Livros em Boa Companhia”, no próximo sábado, 15 de agosto de 2026, entre as 22h00 e as 23h30, com a atriz marinhense Manuela Jorge. 
Nesta sessão, a autora apresentará o seu livro “O que cabe em 35 mm”, convidando o público para uma conversa marcada pela reflexão, descoberta e partilha. A obra percorre os altos e baixos da vida, abordando desafios, aprendizagens e transformações pessoais, numa narrativa que inspira a olhar para o futuro com renovada esperança. Ao longo do encontro, os participantes terão oportunidade de conhecer melhor a obra e de dialogar com a autora sobre os temas que a atravessam. 

Com uma mensagem de resiliência e superação, “O que cabe em 35 mm” recorda que, por mais exigente que seja o caminho, existe sempre espaço para recomeços. 

A iniciativa é de participação gratuita e aberta a toda a comunidade e visitantes, integrando a programação cultural da Época Balnear de São Pedro de Moel, que poderá consultar aqui

*Gabinete de Comunicação e Imagem

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JOVEM PIANISTA MARINHENSE, DINIS BRITO, DÁ MÚSICA À VARANDA EM SÃO PEDRO DE MOEL

 O Edifício Cosmos Azul e Mar, em São Pedro de Moel, recebe mais uma sessão de "Música à Varanda", no próximo sábado, 15 de agosto de 2026, entre as 19h00 e as 20h00, desta vez, com a participação do jovem pianista Dinis Brito. 

O público será convidado a descobrir e a apreciar o talento deste jovem músico da Marinha Grande, que iniciou a sua formação musical aos 5 anos de idade. Desde 2022, integra os espetáculos da Orquestra Clássica da Escola da Metropolitana, destacando-se igualmente como vencedor de dois concursos nacionais de Música de Câmara e como autor da banda sonora do monólogo “Rita”, interpretado pela atriz Rita Ribeiro. 
Neste momento de proximidade e partilha entre artista e público, Dinis Brito apresentará um programa que conjuga obras originais com peças de compositores de referência, como Chopin e Kapustin, proporcionando uma experiência musical envolvente e inspiradora. 

A iniciativa é de participação gratuita e aberta a toda a comunidade e visitantes, integrando a programação cultural da Época Balnear de São Pedro de Moel, que poderá consultar aqui

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Regresso às aulas com novas restrições no uso de telemóveis e até menos 50% de menos casos de bullying


  • Há menos casos de bullying, indisciplina e confronto entre alunos tanto no 1º como no 2º ciclo como revela o Relatório do Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas
  • As novas medidas avançam no próximo ano letivo para o 3º ciclo
  • As alternativas aos telemóveis ganham adeptos e ajudam a tranquilizar os pais, mantendo os pequenos seguros e contribuindo para uma escola mais segura
  • 14 de agosto de 2026. 
O novo ano letivo está quase a chegar e com ele vêm novas regras para o uso dos telemóveis em contexto escolar: as restrições chegam agora ao 3º ciclo. Depois dos resultados muito positivos reportados no mais recente relatório oficial do Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas, o governo decidiu avançar com novas regras para o 3º ciclo. Assim, dos 6 aos 16 anos os alunos têm regras mais limitativas no uso dos telemóveis nas escolas, numa medida que pretende contribuir para o bem-estar digital dos mais novos.
Estas medidas estão acompanhadas, de acordo com o PLANAAP, de resultados bastante positivos nos últimos dois anos letivos. O mais recente estudo revela que os diretores e operacionais do 1º ciclo afirmam que o bullying, a indisciplina e o confronto entre os alunos diminuíram entre os 30 e os 40%. Valores que são mais significativos no 2º ciclo, em que os responsáveis afirmam que há menos 40% a 50% de problemas entre os alunos.
“Sabemos que as nossas crianças estão cada vez mais conectadas, e é necessário ajudá-las a criar uma relação mais saudável com a tecnologia. Os estudos revelam também que o uso excessivo de ecrãs está diretamente relacionado a menos paciência, mais stress e, infelizmente, muitas vezes a mais casos de bullying entre os mais novos. Estas medidas estão, efetivamente, a demonstrar resultados positivos e, juntos, será possível criar estratégias que lhe deem mais literacia digital e os ensine a crescer de forma mais saudável com a tecnologia”, comenta Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.
Para contribuir para uma maior segurança dos mais novos, e a acompanhar estas medidas, a procura por soluções alternativas, como os relógios inteligentes para crianças, é uma das apostas dos pais e encarregados de educação.
Com ferramentas que ajudam também a diminuir o bullying, como são o botão SOS em casos de urgência, e as chamadas e vídeochamadas para um grupo restrito de contactos, os relógios inteligentes trazem mais segurança a toda a família, sem a invasão que os ecrãs dos telemóveis podem trazer ao quotidiano dos mais novos. Ao mesmo tempo, o “modo aula” dos relógios permite bloquear o acesso a conteúdos e aplicações durante o tempo letivo, mantendo os mais novos contactáveis em urgências, mas totalmente focados nas aulas, o que contribui para um aumento da melhoria no rendimento escolar e da atenção dos mais novos.
Os relógios inteligentes são, assim, uma solução intermédia e alternativa aos telemóveis, ajudam a cumprir com as regras de limitação em contexto escolar, ao mesmo tempo que ajudam a desenvolver uma melhor relação dos pequenos com a tecnologia.
Acerca de SaveFamily
A SaveFamily é uma empresa espanhola líder no desenvolvimento de smartwatches para crianças e idosos. Desde 2017 trabalha para aproximar a tecnologia às famílias com dispositivos pensados para melhorar a comunicação, a segurança e a autonomia dos utilizadores. 
A empresa está presente em mais de 43 países e serve a mais de um milhão de famílias através de uma ampla gama de dispositivos tecnológicos orientados para a segurança e o bem-estar.

*Newsline Agência de Comunicação
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