domingo, 9 de agosto de 2026

Doar Sangue é Doar Vida! Campo Maior recebe brigada de dádiva de sangue.


O mês de agosto traz mais uma oportunidade para praticar um gesto simples, voluntário e insubstituível que pode fazer toda a diferença na vida de quem mais precisa.
Campo Maior
Centro Comunitário de Campo Maior
Av. Calouste Gulbenkian 10, 7370-054 Campo Maior
11 de agosto de 2026
09h00 às 13h00
A Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, através do Serviço de Imunohemoterapia e da Medicina Transfusional, estará presente em Campo Maior para mais uma brigada de dádiva de sangue.
A Associação dos Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre?locale=pt_PT apela no sentido de que cada dádiva representa uma esperança renovada para quem enfrenta uma doença, um acidente ou necessita de uma transfusão. O sangue não pode ser fabricado, depende exclusivamente da generosidade dos dadores.
Convidamos todos os dadores habituais a voltarem a marcar presença.
Deixamos também um apelo especial aos mais jovens. A renovação de dadores é fundamental para garantir que nunca falte sangue a quem dele depende. Se tem mais de 18 anos, goza de boa saúde e reúne as condições para doar, participe nesta corrente de solidariedade.
Porque doar sangue é oferecer vida.
Contamos consigo, em Campo Maior.
Dúvidas podem ser esclarecidas através dos contactos e informações disponíveis nas seguintes hiperligações:

ULS Alto Alentejo – Serviço de Imunohemoterapia e da Medicina Transfusional

Instituto Português do Sangue e da Transplantação https://www.ipst.pt/index.php/pt/sangue-faqs

sábado, 8 de agosto de 2026

Opinião - Quando os nossos animais morrem merecem dignidade...


Quando um animal morre, há uma casa que fica diferente, não apenas porque desaparece uma presença que durante anos fazia parte da rotina familiar, mas porque se altera uma espécie de equilíbrio silencioso a que nos habituámos sem nunca lhe darmos grande importância: deixamos de ouvir as patas no chão, de encontrar aquele olhar à porta quando chegamos, de ver o animal ocupar o seu lugar habitual, de falar com ele sem esperar uma resposta e, tantas vezes, de lhe confiar silenciosamente aquilo que não conseguimos ou não queremos dizer a mais ninguém, até que chega o dia em que esse lugar fica vazio e percebemos, talvez demasiado tarde, que aquele animal que para quem olha de fora era simplesmente um cão, um gato ou outro animal de companhia, para nós era uma parte da nossa própria história.

É precisamente por isso que escrevo hoje sobre uma questão que pode parecer menor a quem nunca teve um animal em casa, mas que assume uma dimensão completamente diferente para quem viveu durante dez, quinze ou vinte anos com um companheiro de quatro patas: Portugal precisa de encontrar soluções dignas, acessíveis e devidamente regulamentadas para a despedida dos animais de companhia, criando ou apoiando a existência de cemitérios, jardins memoriais e serviços de cremação que permitam às famílias escolher a forma como querem conservar a memória daqueles que fizeram parte da sua vida, sem que essa despedida tenha de depender exclusivamente da capacidade económica de cada pessoa ou da existência de um espaço privado onde possa ser enterrado o animal.

Não é uma questão que me tenha surgido agora, nem resulta de uma sensibilidade recente despertada pelas mudanças da sociedade, porque já em 2013, quando desempenhava funções como Presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, apresentei, através do movimento cívico que então liderava, uma proposta para a criação de um cemitério autárquico para animais na área metropolitana de Lisboa, associando essa possibilidade à criação de soluções de cremação e a preocupações de natureza ambiental, numa altura em que esta discussão estava ainda muito longe de ter a visibilidade que hoje começa a adquirir.

Na época, como acontece tantas vezes com propostas que antecipam problemas que ainda não chegaram plenamente à agenda pública, poderia parecer a alguns que se tratava de uma preocupação secundária perante tantas outras necessidades das comunidades locais, mas continuo hoje a considerar que era uma proposta perfeitamente legítima e, sobretudo, necessária, porque uma sociedade que reconhece a importância dos animais de companhia na vida das famílias deve também ser capaz de encontrar uma resposta digna para o momento em que essa relação termina.

A iniciativa foi então divulgada pela imprensa especializada e pode ser consultada aqui:


Mais de uma década depois, a ideia continua a parecer-me perfeitamente actual, não porque defenda que cada município tenha necessariamente de construir um cemitério para animais, o que seria pouco razoável em muitos territórios, mas porque seria perfeitamente possível criar uma rede regional ou intermunicipal de espaços de enterramento, cremação e memória, com regras claras, acompanhamento ambiental e preços acessíveis, permitindo que uma família que perdeu o animal que a acompanhou durante tantos anos não fique entregue à improvisação precisamente no momento em que mais precisa de uma solução simples e digna.

E há uma razão particularmente forte para defender que esta possibilidade não é uma extravagância nem uma invenção dos nossos tempos: Lisboa já possui um espaço desta natureza há quase um século.

No Jardim Zoológico de Lisboa existe, desde 1934, um cemitério destinado a animais de companhia, um espaço cuja existência demonstra que a ideia de proporcionar aos animais um lugar próprio depois da morte não nasceu com a actual cultura de valorização dos animais domésticos, mas tem já uma história considerável entre nós. O cemitério ocupa actualmente cerca de 2.050 metros quadrados e conserva sepulturas e lápides de animais que foram importantes para as famílias que com eles conviveram, mantendo-se ainda hoje como um espaço de memória e despedida.

É particularmente significativo que um espaço criado em 1934 continue a existir, porque demonstra que esta necessidade não é uma moda passageira e que a relação afectiva entre o homem e os animais de companhia tem uma profundidade muito maior do que por vezes somos levados a admitir.

Lisboa, aliás, não constitui uma excepção europeia, mas integra uma tradição muito mais antiga de criação de espaços destinados à memória dos animais que viveram próximos dos seres humanos.

Em Paris, o famoso cemitério de animais de Asnières, fundado em 1899, tornou-se um dos mais conhecidos espaços europeus deste género, acolhendo ao longo de mais de um século cães, gatos e outros animais que foram tratados pelas suas famílias como companheiros cuja morte merecia uma despedida e cuja memória justificava um lugar próprio; em Londres, o Hyde Park Pet Cemetery conserva igualmente mais de mil animais, sobretudo cães e gatos, sepultados ao longo de décadas num pequeno espaço que acabou por se tornar parte da própria história do parque e da cidade, e em Málaga encontramos uma resposta municipal contemporânea, com um cemitério destinado aos animais de companhia e soluções associadas ao enterramento e à cremação.

Estamos, portanto, perante uma realidade que atravessa épocas e países e que já encontrou respostas muito diferentes, mas que tem em comum uma mesma ideia: quando um animal ocupa durante anos um lugar na vida de uma família, a sociedade pode criar condições para que essa família tenha também um lugar onde possa preservar a sua memória.

A pergunta que devemos fazer é, por isso, bastante simples: se outras cidades europeias encontraram soluções para esta questão e se Lisboa mantém desde 1934 um cemitério de animais que continua em funcionamento, porque razão não conseguimos criar em Portugal uma verdadeira rede de espaços onde seja possível enterrar ou cremar dignamente os nossos animais de companhia?

Talvez a resposta para esta pergunta esteja, curiosamente, muito mais longe no tempo do que poderíamos imaginar, porque para percebermos que a relação entre o homem e determinados animais não nasceu na sociedade urbana contemporânea, nem resulta apenas da actual transformação dos animais domésticos em membros das famílias, temos de recuar milhares de anos e olhar para aquilo que a arqueologia nos deixou sobre as comunidades humanas da Pré-História.
E é então que chegamos a Muge.

Nos célebres concheiros de Muge, no vale do Tejo, foi encontrado um dos mais extraordinários testemunhos portugueses da relação antiga entre o Homem e o cão: o chamado Cão de Muge, um animal que viveu há cerca de 7.600 anos, durante o Mesolítico, entre comunidades de caçadores-recolectores que habitavam aquela região, e cujo esqueleto foi encontrado praticamente completo.

A sua importância não reside apenas na enorme antiguidade do achado, mas sobretudo nas circunstâncias em que o animal foi depositado, porque a forma do enterramento levou os investigadores a considerar a possibilidade de se tratar de um cão particularmente estimado pela comunidade humana com que vivia, tendo o Laboratório Nacional de Energia e Geologia chegado a apresentá-lo como um “companheiro do Homem de há 6.000 anos”, uma expressão que, independentemente da diferença entre a linguagem científica e a linguagem emocional, traduz bem aquilo que torna este achado tão extraordinário.

É evidente que não devemos projectar sobre a Pré-História os nossos sentimentos contemporâneos, nem transformar uma interpretação arqueológica numa certeza que os vestígios não permitem demonstrar, porque não sabemos exactamente o que aquelas pessoas pensavam, não sabemos se houve uma cerimónia, não sabemos se houve lágrimas e não sabemos qual era o significado religioso ou simbólico daquele enterramento; sabemos, porém, que aquele cão não foi simplesmente abandonado ao acaso e que alguém, ou alguma comunidade, teve o cuidado de depositar o seu corpo de uma determinada forma.

E isso é extraordinário.

Estamos perante uma sociedade de há milhares de anos, sem cidades como as conhecemos, sem igrejas, sem serviços funerários, sem cemitérios modernos, sem lápides e sem todas as estruturas através das quais as sociedades actuais exprimem a memória dos seus mortos, e, ainda assim, encontramos um animal cujo corpo foi colocado cuidadosamente na terra, deixando-nos uma das mais antigas testemunhas arqueológicas portuguesas de uma relação especial entre seres humanos e cães.

É impossível não pensar naquilo que separa e, ao mesmo tempo, aproxima o homem de Muge do homem de hoje, porque há cerca de 7.600 anos alguém viveu com aquele cão, alguém o viu diariamente, alguém o conheceu enquanto estava vivo e, quando a sua vida terminou, alguém tomou uma decisão sobre o destino do seu corpo, exactamente como hoje uma família se vê confrontada com a necessidade de decidir o que fazer quando morre o animal que durante tantos anos viveu dentro da sua casa.

Não sabemos se aquele cão acompanhava as pessoas nas deslocações, se participava na caça, se desempenhava alguma função específica ou se era simplesmente um companheiro doméstico, e seria abusivo inventar uma história que a arqueologia não pode contar, mas o cuidado colocado na sua deposição permite-nos pelo menos perceber que aquele animal não foi tratado como um resto indiferenciado e que a sua morte teve, de alguma forma, um significado para aqueles que ficaram.

Sete milénios depois, a pergunta permanece surpreendentemente actual: o que fazemos quando morre um animal que amámos?

Hoje temos veterinários, temos serviços especializados, temos cremação, temos tecnologia, temos legislação e temos meios financeiros e técnicos que aquelas comunidades de Muge jamais poderiam imaginar, mas continuamos, em muitas situações, sem uma resposta pública simples, acessível e digna para as famílias que perdem um animal de companhia, precisamente porque ainda não conseguimos transformar uma realidade social evidente numa política pública suficientemente organizada.

É por isso que continuo a considerar actual a proposta que apresentei em 2013, porque não se trata de transformar os animais em pessoas, nem de confundir os diferentes significados da morte humana e da morte animal, mas simplesmente de reconhecer uma realidade que já existe: há milhões de portugueses que vivem com animais de companhia e muitos desses animais passam uma parte significativa da sua vida dentro das nossas casas, acompanham o crescimento dos filhos, estão presentes quando mudamos de casa, quando perdemos alguém, quando atravessamos uma doença ou simplesmente quando regressamos ao fim de um dia difícil e encontramos, à nossa espera, aquele olhar que durante anos nos recebeu sempre da mesma maneira.
Por isso, quando chega o momento inevitável em que esse animal deixa de estar, não me parece razoável que a sociedade diga simplesmente a uma família que procure uma solução qualquer para aquilo que, durante tantos anos, fez parte da sua própria história, como se estivéssemos perante um objecto que deixou de ter utilidade e não perante a memória viva de uma relação que marcou uma parte importante da existência daquela pessoa ou daquela família.

O que defendo é, afinal, bastante simples: que possamos dizer a essa família que existe um lugar onde pode despedir-se do seu animal, onde o pode enterrar ou cremar com dignidade, onde poderá guardar as suas cinzas, colocar uma pequena placa, plantar uma árvore ou simplesmente permanecer alguns minutos em silêncio, porque há momentos na vida em que aquilo de que precisamos não é de uma grande cerimónia, mas apenas de um espaço onde possamos reconhecer que alguém que fez parte dos nossos dias já não vai voltar.

Talvez seja essa a razão pela qual o Cão de Muge continua a ter para nós, tantos milhares de anos depois, uma força tão extraordinária: não sabemos o nome daquele cão, não sabemos quem o acompanhou durante a vida, não sabemos se houve lágrimas quando morreu ou se existiu qualquer espécie de ritual, mas sabemos que alguém, numa comunidade humana que viveu nas margens do Tejo há milhares de anos, teve o cuidado de depositar aquele animal na terra de uma determinada forma, deixando para o futuro uma das mais antigas e silenciosas testemunhas da relação entre o Homem e o cão.

E é precisamente aqui que o passado e o presente se encontram, porque o homem que há milhares de anos teve o cuidado de dar um lugar ao corpo daquele cão não era tão diferente de nós como por vezes imaginamos, e talvez também ele tivesse conhecido aquilo que hoje conhecemos quando regressamos a casa e sentimos a falta de uma presença que durante anos fez parte da nossa vida, razão pela qual não considero que pedir cemitérios, jardins memoriais ou serviços de cremação para animais seja uma excentricidade dos nossos tempos, mas antes uma resposta contemporânea a uma relação que acompanha a própria história da Humanidade.

Quando os nossos animais morrem, não perdemos apenas a presença física de um cão, de um gato ou de outro animal que durante anos viveu connosco; perdemos uma rotina, uma companhia, uma parte da nossa memória e, muitas vezes, uma testemunha silenciosa de uma fase inteira da nossa vida, alguém que esteve presente em dias felizes e em dias difíceis sem nunca nos perguntar quem éramos, quanto ganhávamos, que ideias defendíamos ou que erros tínhamos cometido, e talvez seja precisamente essa ausência silenciosa que torna tão difícil explicar a quem nunca passou por isso porque é que a morte de um animal pode deixar uma casa tão estranhamente vazia.

Talvez por isso uma sociedade que já sabe construir cemitérios, memoriais e lugares de homenagem para preservar a memória dos seus mortos possa também encontrar um pequeno espaço para preservar a memória daqueles animais que, embora não sejam humanos, foram profundamente importantes naquilo que nos deram: companhia, lealdade, afecto e uma presença constante que só verdadeiramente aprendemos a valorizar quando deixa de existir.

Há cerca de 7.600 anos, alguém em Muge colocou cuidadosamente um cão na terra e, sem saber, deixou uma mensagem que atravessou milhares de anos até nós; hoje, com todos os recursos de que dispomos e com uma consciência muito maior da importância que os animais de companhia têm na vida das famílias, talvez seja tempo de responder a essa mensagem não com nostalgia, mas com uma solução concreta, criando em Portugal uma rede de espaços dignos onde aqueles que durante tantos anos fizeram parte das nossas casas possam também ter, quando a vida termina, um lugar na nossa memória.

Porque, no fundo, quando uma pessoa pede um lugar para enterrar ou cremar o seu animal, talvez não esteja a pedir um lugar para a morte, mas um lugar para aquilo que permanece depois dela: a memória de um companheiro que já não está à porta, já não corre pela casa e já não nos espera quando chegamos, mas que continuará, durante muitos anos, a existir naquele lugar invisível onde guardamos tudo aquilo que verdadeiramente fez parte da nossa vida.

E talvez seja essa a melhor homenagem que lhes podemos prestar: não fingir que não sentimos a sua ausência, mas reconhecer que, durante os anos em que estiveram connosco, foram suficientemente importantes para merecer, no fim, aquilo que o Cão de Muge recebeu há milhares de anos e que ainda hoje nos ensina tanto sobre nós próprios — um lugar onde o corpo possa repousar, um gesto de respeito perante a morte e, sobretudo, uma memória que não desapareça simplesmente porque a vida terminou.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Oliveira de Frades, | Dia Internacional da Juventude. 12 AGO | Zona de Fruição Ribeirinha de Sejães

O Município preparou um programa cheio de atividades e diversão para o Dia Internacional da Juventude, reconhecendo o importante papel que os jovens assumem na sociedade. 
Zumba, O programa engloba: paddle surf & canoagem, beach volley, hidroginástica, yoga, dança, entrada gratuita na ZFR Sejães. 
Um dia perfeito para aproveitar o verão e experimentar novas atividades!

Proença‑a‑Nova | Município abre concurso para lotes habitacionais e reforça aposta na fixação de população


O Município de Proença‑a‑Nova abriu o concurso para a alienação de quatro lotes habitacionais em Sobreira Formosa, localizados na Quinta de São Bartolomeu, Portela da Lameira. A decisão foi aprovada pelo Executivo Municipal na reunião de 3 de agosto de 2026, ao abrigo do Regulamento Municipal de Alienação de Lotes, que visa promover a fixação de pessoas no concelho.

Os lotes destinam‑se exclusivamente a habitação, com áreas compreendidas entre 557 m² e 1.010,70 m². Os valores de venda variam entre 12.692,11€ e 16.755,19€, conforme tabela definida no Edital. Cada lote dispõe de parâmetros urbanísticos específicos, incluindo área máxima de implantação, volumetria, número de pisos permitidos e estacionamento interior.

O período de candidatura decorre até ao dia 7 de setembro de 2027, podendo a inscrição ser apresentada por três vias distintas: Correio registado, dirigido ao Município, mediante preenchimento da ficha de inscrição; Entrega presencial no Balcão Único de Atendimento ou Submissão online através dos Serviços Online do Município, mediante registo prévio.
O ato público de abertura das propostas terá lugar a 8 de setembro de 2026, às 09h00, na Sala de Sessões dos Paços do Concelho. O Regulamento e o Edital encontram‑se ainda disponíveis para consulta na Unidade Jurídica da Câmara Municipal, em dias úteis, bem como no site do Município.

Os adquirentes devem iniciar a construção no prazo máximo de 18 meses após a escritura e concluí‑la no prazo de 36 meses. A venda dos lotes está sujeita a uma cláusula de inalienabilidade de 10 anos, contados da data da escritura de compra e venda.
Paralelamente ao concurso de alienação de lotes, o Município disponibiliza ainda um conjunto de incentivos municipais à reabilitação urbana, enquadrados no projeto das Áreas de Reabilitação Urbana (ARU). Estes apoios destinam‑se a estimular a recuperação do património edificado, melhorar o parque habitacional e reforçar a atratividade das freguesias rurais, com apoios à pintura de paredes exteriores, portas e janelas, exteriores, coberturas ou substituição de telhas, num montante máximo por intervenção é de 2.500€.

Estas iniciativas integram-se na estratégia municipal de valorização do território e de criação de condições para que mais famílias escolham o concelho para viver, promovendo o acesso à habitação, a fixação de população e o desenvolvimento das freguesias.

*Gabriel Reis
Comunicação, Turismo e Eventos


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cantanhede | Dispositivo registou 163 ocorrências nos primeiros seis dias. Segurança reforçada é cada vez mais uma marca distintiva da Expofacic

 
Coordenado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Cantanhede, o Posto de Coordenação de Segurança da Expofacic viu o dispositivo reforçado nesta 34.ª edição, para garantir um certame mais seguro a visitantes e expositores.
Para além de assegurar a articulação dos agentes envolvidos, por forma a garantir uma atuação rápida e eficaz, a equipa acompanha o desenvolvimento do evento em tempo real, assegura comunicações de emergência, garante articulação operacional e aciona meios de socorro de forma imediata.
Nos primeiros seis dias do certame, o Posto de Coordenação de Segurança foi acionado para 163 ocorrências, das quais 146 para problemas de saúde. Destas, apenas duas situações exigiram a evacuações para unidades hospitalares, enquanto as restantes foram resolvidas pelo dispositivo de socorro, que reúne elementos dos bombeiros, GNR, uma empresa de vigilância e outra de emergência médica, para além da INOVA-EM.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da INOVA-EM, Pedro Cardoso, destacou o “reforço substantivo do dispositivo de proteção e socorro”, de modo a garantir “uma feira segura, quer do ponto de vista da prevenção, mas também no que diz respeito às necessárias respostas céleres e eficazes”.
Para tanto, a equipa de segurança e socorro conta em permanência com um médico, dois enfermeiros e quatro socorristas, reforçada aquando dos espetáculos com três equipas de suporte básico de vida – duas junto ao palco principal e uma junto ao palco das tasquinhas.
No recinto encontram-se ainda em permanência um veículo ligeiro de combate a incêndios e duas ambulâncias.
É essencial para garantir que um evento desta dimensão, que recebe dezenas de milhares de visitantes diariamente decorra de forma organizada, segura e eficiente”, salienta Pedro Cardoso, reforçando a necessidade da prevenção de riscos, mas igualmente da proteção de pessoas e património e a rápida resolução de ocorrências.
A segurança é uma marca distintiva da Expofacic, reconhecida em 2025 como um dos eventos mais seguros na Península Ibérica pelos Iberian Festival Awards”, relembrou.
Também o coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil, Hugo Oliveira, referiu que este ano, a Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR está a monitorizar a utilização de drones no evento, em estreita articulação com os profissionais da produção e proteção civil, para assegurar o cumprimento da legalidade na utilização deste tipo de aparelhos.

Opinião - Montenegro tem agido bem perante as tentações das secretas

 Há uma lição que tive o privilégio de aprender ao conviver com alguns dos homens que ajudaram a construir a democracia portuguesa. Tinham percursos políticos diferentes, visões diferentes sobre muitos assuntos, mas partilhavam uma preocupação comum: impedir que o Estado democrático voltasse a concentrar demasiado poder numa única pessoa, num único organismo ou num único ministério. Sabiam, pela experiência da História, que os regimes democráticos não sobrevivem apenas porque elegem bons governantes. Sobrevivem porque constroem instituições capazes de resistir também aos menos bons.
Foi essa preocupação que moldou a arquitetura do Estado português. Não foi por acaso que se distribuíram competências, que se criaram mecanismos de fiscalização cruzada e que se estabeleceram equilíbrios entre diferentes estruturas. A democracia não vive apenas do voto. Vive também da existência de pesos e contrapesos dentro do próprio Estado.
É por isso que acompanho com especial atenção o debate em torno da possibilidade de concentrar nos serviços de informações competências acrescidas no domínio da cibersegurança.
Compreendo os argumentos de quem defende essa solução. Vivemos numa época em que um ataque informático pode paralisar hospitais, aeroportos, redes elétricas, bancos ou sistemas de comunicações. A guerra já não se trava apenas com soldados e armamento convencional. Hoje, um computador pode provocar danos equivalentes aos de uma operação militar. É natural, por isso, que se procure reforçar a capacidade de resposta do Estado.
Mas reforçar a capacidade de resposta não significa concentrar poder.
São conceitos completamente diferentes.
Há quem considere que separar competências reduz eficiência. Eu vejo precisamente o contrário. A existência de diferentes instituições, diferentes cadeias de responsabilidade e diferentes mecanismos de fiscalização constitui uma das maiores garantias da liberdade.
Não é por acaso que o Estado português distribui os seus principais instrumentos de segurança e informação por diferentes ministérios e diferentes centros de decisão. A Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana encontram-se na esfera do Ministério da Administração Interna. A Polícia Judiciária responde ao Ministério da Justiça. O Centro Nacional de Cibersegurança integra a Presidência do Conselho de Ministros. Os serviços de informações, designadamente o SIS e o SIED, dependem diretamente do Primeiro-Ministro, através do Sistema de Informações da República Portuguesa. Esta dispersão institucional não resulta do acaso nem de um excesso de burocracia. Resulta de uma escolha consciente dos arquitetos da democracia portuguesa: impedir que uma única estrutura concentre instrumentos de investigação criminal, recolha de informações, vigilância e proteção das infraestruturas críticas do Estado.
Foi precisamente esta preocupação que ouvi tantas vezes aos homens que fundaram a nossa democracia. Não queriam criar "homens superpoderosos" dentro da máquina do Estado. Sabiam que as leis não podem ser escritas a pensar apenas nos responsáveis de hoje. Devem ser concebidas para prevenir os abusos de quem amanhã possa exercer as mesmas funções. As instituições existem precisamente para limitar o poder, mesmo quando esse poder é exercido por pessoas competentes e bem-intencionadas.
É por isso que considero acertada a prudência que Luís Montenegro tem demonstrado nesta matéria. Num tema tão sensível, avançar apenas depois de ponderar cuidadosamente as consequências institucionais não é sinal de hesitação. É sinal de maturidade democrática. Há decisões que não devem ser tomadas apenas em função da eficácia imediata, mas sobretudo da proteção do equilíbrio do próprio Estado.
A História oferece exemplos que aconselham prudência. Nos Estados Unidos, J. Edgar Hoover permaneceu quase meio século à frente do FBI. Ao longo de décadas foi acumulando um volume extraordinário de informação sobre políticos, magistrados, empresários, jornalistas e outras figuras públicas, tornando-se uma das personalidades mais influentes da vida americana. Independentemente da avaliação histórica da sua atuação, o seu percurso demonstra como a acumulação prolongada de informação, influência e poder numa única estrutura pode gerar desequilíbrios difíceis de controlar.
Portugal está muito longe dessa realidade, e ainda bem. Mas as democracias inteligentes aprendem precisamente com os exemplos da História antes de terem de aprender com os seus próprios erros.
A cooperação entre organismos deve ser reforçada. A partilha de informação deve ser cada vez mais eficaz. A cibersegurança deve continuar a constituir uma prioridade nacional. Tudo isso faz sentido. O que talvez não faça sentido é acreditar que a melhor resposta consiste sempre em concentrar mais competências na mesma estrutura.
A experiência demonstra exatamente o contrário. Quanto maior é a concentração de poder, maior deve ser a preocupação democrática.
Os fundadores da nossa democracia compreenderam esta verdade de forma admirável. Os homens passam. Os governos mudam. As maiorias parlamentares alternam-se. Mas as instituições permanecem. E devem permanecer preparadas para resistir não apenas aos bons governantes, mas também aos maus, aos incompetentes e aos excessivamente ambiciosos.
Por isso, quando observo a prudência com que Luís Montenegro tem abordado este tema, vejo mais do que uma decisão política circunstancial. Vejo respeito por um princípio que ajudou a consolidar a democracia portuguesa desde a sua origem: a liberdade protege-se também impedindo que demasiado poder fique concentrado nas mesmas mãos.
Essa talvez seja uma das lições mais importantes que a História continua a oferecer às democracias do século XXI.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor


Cantanhede | Presidente da autarquia participou em seminário que assinalou o Dia da Floresta. Helena Teodósio diz que a gestão da floresta requer uma renovação geracional

 
A presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, manifestou-se apreensiva quanto à gestão da floresta nos próximos anos, porquanto os proprietários florestais estão a envelhecer rapidamente e os jovens não se sentem atraídos para a exploração florestal.
Se não houver uma renovação geracional, se não se criarem condições para que os jovens vejam na floresta uma atividade económica viável, socialmente reconhecida e ambientalmente nobre, estaremos a condenar o nosso património florestal ao abandono”, alertou.
Ao intervir na sessão de abertura do seminário “Juntos, fazemos [a] floresta”, organizado pela OFA – Organização Florestal Atlantis e com o apoio da Navigator, Município de Cantanhede e INOVA-EM, no âmbito da programação da 34.ª edição da Expofacic, a auta

rca, enfatizou, por outro lado, a necessidade de sentar à mesa todos os agentes do setor, uma vez que “os desafios da floresta não podem ser enfrentados de forma isolada, nem por um único ator, nem a partir de uma única escala de intervenção”.

O que está em causa é, no fundo, a capacidade de construirmos uma visão de futuro para a floresta portuguesa que concilie sustentabilidade ambiental, racionalidade económica e coesão territorial. Uma visão em que o produtor florestal seja valorizado, em que a gestão ativa do território seja incentivada, em que a cooperação seja entendida como fator de escala e de eficiência, e em que o interesse público da floresta seja plenamente reconhecido”, explicou.
Já o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, elogiou o facto do Município de Cantanhede se preocupar com a proteção da floresta e a sua valorização. “É preciso garantir que a floresta cria rendimento para, desta forma, organizarmos a paisagem”, vincou o governante, que deixou um apelo ao “trabalho conjunto” entre todos os intervenientes no setor. “Somos todos relevantes neste caminho de prepararmos para as próximas gerações aquilo que é o resultado da produção, proteção e valorização dos ecossistemas”, observou.
No seminário “Juntos, fazemos [a] floresta”, foram abordados temas cimo “Biodiversidade e gestão do território – desafios para a floresta de minifúndio”, “Gestão colaborativa: um caminho para a sustentabilidade do minifúndio”, “Gestão conjunta e cooperação: experiências no terreno” e “Quem vai gerir a floresta nos próximos 20 anos… e depois?”.