segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Bacalhau da Noruega On Tour passou por 29 localidades e ofereceu quase 10 mil degustações

 A terceira edição do Bacalhau da Noruega On Tour foi, uma vez mais, um sucesso. A iniciativa desenvolveu ao longo de 31 dias de ativações um périplo que se iniciou a 23 de Julho no Barreiro e que terminou a 28 de agosto em Alfragide e que percorreu 1.870 quilómetros, visitou 29 localidades e ofereceu 9.506 degustações.
Promovida pelo Conselho Norueguês das Pescas (Norwegian Seafood Council), esta iniciativa, que percorreu Portugal durante o verão, teve como objetivo aproximar o “fiel amigo” dos consumidores e também dar a conhecer a versatilidade do Bacalhau da Noruega, mostrando que, além das receitas tradicionais, este pode ser preparado de forma leve, criativa e adaptada aos dias mais quentes.
Nas várias localidades por onde o Bacalhau da Noruega On Tour passou, os visitantes tiveram oportunidade de provar diferentes especialidades confecionadas com Bacalhau da Noruega, entre as quais Bacalhau da Noruega à Brás com pó de azeitonas, Tosta de broa com lascas de Bacalhau da Noruega e molho verde, Mini Pastéis de Bacalhau da Noruega com maionese de alho e Salada de Bacalhau da Noruega com grão e chutney de ananás. Houve ainda oportunidade para conhecer algumas dicas de preparação das receitas diretamente com a chef presente na food truck.
Todas as informações sobre o calendário, horários e paragens estiveram disponíveis nas páginas de Instagram e Facebook do Bacalhau da Noruega: Instagram e Facebook.
*Anabela Martinho – R2 Comunicação


 

FORUM BRAGA ESTREOU-SE COM PROGRAMAÇÃO PRÓPRIA NA NOITE BRANCA

 O Forum Braga recebeu cerca de 250 pessoas durante a Noite Branca Braga, num ano marcado pela estreia de uma programação própria no equipamento. Para além da habitual abertura do Forum Arte Braga durante o evento, o espaço apresentou, pela primeira vez, um conjunto de atividades concebidas especificamente para integrar a programação da Noite Branca e proporcionar novas experiências aos seus visitantes.
A aposta focou-se no público dos 0 aos 6 anos e nas suas famílias, criando programação complementar à que aconteceu no epicentro da Noite Branca. Através de propostas que cruzaram arte, movimento, descoberta e participação, crianças e adultos foram convidados a explorar diferentes formas de contacto com a criação artística, numa programação adaptada à primeira infância e pensada para ser vivida em conjunto.

*Francisca Rodrigues
Gestora de Comunicação & Marketing | Communication & Marketing Manager

Comunicado PSD Viseu - PRR: JOÃO AZEVEDO GOVERNA POR NARRATIVAS. OS FACTOS CONTAM OUTRA HISTÓRIA

 O Presidente da Câmara Municipal de Viseu parece ter encontrado uma forma peculiar de governar: primeiro constrói a narrativa e depois escolhe os factos que lhe dão jeito para a sustentar.
Tudo o que corre bem já é mérito seu. Tudo o que apresenta dificuldades é responsabilidade de quem esteve antes. O problema é que a realidade insiste em desmentir as suas narrativas.
A mais recente é a dos alegados 26 milhões de euros do PRR que Viseu não terá aproveitado, procurando associá-los à falta de planeamento, de projetos e de capacidade de execução do anterior executivo. É uma boa narrativa. Só tem um problema: os factos.
Quando o Governo da AD tomou posse, em abril de 2024, a execução global do PRR português rondava apenas os 20%. Cerca de 80% permanecia por executar. Foi mais uma pesada herança dos governos socialistas de António Costa, que desenharam programas, regras e procedimentos fortemente centralizados, burocráticos e complexos, muitas vezes pouco ajustados à execução de obra pública em prazos extremamente exigentes.
Foi um problema nacional, sentido por municípios de diferentes cores políticas. Transformá-lo agora num caso de incompetência exclusivamente viseense é reescrever a história.
João Azevedo diz também que não havia planeamento nem projetos. Então quem planeou, projetou, candidatou e lançou as obras PRR que encontrou quando chegou à Câmara?
Com exceção das novas opções entretanto assumidas pelo atual executivo, como o Fontelo, as obras que hoje estão no terreno não nasceram depois das eleições. Foram preparadas anteriormente.
Na saúde, vários procedimentos tiveram de ser repetidos porque ficaram desertos ou porque as propostas ultrapassavam as dotações disponíveis. E há uma evidência difícil de contornar: só fica deserto um concurso que alguém preparou e lançou.
Havia projetos, candidaturas e procedimentos. Existiram dificuldades de mercado, insuficiência das dotações e problemas no próprio modelo definido para executar o PRR.
Nas USF, o atual executivo decidiu agora não prosseguir com algumas das soluções previstas. É uma opção política legítima, mas é uma opção de João Azevedo. Não pode desistir hoje de um investimento e amanhã colocá-lo na conta daquilo que acusa os outros de não terem executado.
E se João Azevedo escolheu a execução como medida da competência, aceitamos o critério. Mas a régua tem de ser igual para todos.
O atual executivo anunciou uma OPA de 12,5 milhões de euros para adquirir 50 habitações.
12,5 milhões anunciados - 50 casas pretendidas - 9 propostas recebidas -Zero casas adquiridas.
Foi o próprio João Azevedo que reconheceu: “O sucesso foi zero.”
Aqui já não há anterior executivo para responsabilizar. A opção foi deste executivo, a operação foi deste executivo e o zero também é deste executivo. E chegamos aos famosos 26 milhões de euros.
João Azevedo tem uma obrigação simples: demonstrá-los. Projeto a projeto. Euro a euro. Quanto estava aprovado? Quanto estava contratualizado? Quanto resultou de concursos desertos ou dotações insuficientes? Quanto corresponde a investimentos aos quais o atual executivo decidiu não dar continuidade? E quanto representa, efetivamente, financiamento atribuído a Viseu que foi definitivamente perdido?
Porque uma candidatura não é financiamento contratado, um concurso deserto não é ausência de projeto e uma decisão do atual executivo não pode ser transformada em responsabilidade do anterior.
Uma narrativa não se transforma num facto por repetir muitas vezes um número.
VISEU PRECISA DE UM PRESIDENTE. NÃO DE UM CONTADOR DE HISTÓRIAS.
Governar não é escolher uma dificuldade, apagar o contexto, responsabilizar quem esteve antes e apresentar-se depois como solução.
Governar é assumir decisões e apresentar resultados.
Os viseenses não precisam que lhes contem uma história todos os dias. Precisam que lhes digam a verdade.
Menos narrativas. Mais factos. Mais resultados.

Comissão Política de Secção do PSD de Viseu
O Presidente
*Pedro Alves
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A Comissão Política de Secção
PSD Viseu

REDESCOLAS ANTICORRUPÇÃO - 6.ª edição | Período de adesão de 7/set a 16/out

 A poucos dias do início do novo ano letivo, a Associação All4Integrity informa que está aberto o período de adesão à 6.ª edição do programa REDescolas Anticorrupção - escolas que promovem uma cultura de integridade, o qual decorre até ao dia 16 de outubro.

Desenvolvido pela Associação All4Integrity, este programa escolar de literacia anticorrupção procura promover no quadro dos valores de uma democracia participativa, e com base na metodologia de projeto, o desenvolvimento de competências dos jovens em idade escolar, e em contexto local, relacionadas com o fenómeno da corrupção e crimes conexos, em estreita relação com a Estratégia Nacional de Educação para aa Cidadania (ENEC). Ao longo das suas cinco edições este programa já foi implementado em 269 escolas de 8 países, em 4 continentes, tendo envolvido diretamente cerca de 900 professores e 20 mil alunos (ver vídeo promocional
aqui).
O programa REDescolas tem como público-alvo os alunos entre o 5.º e o 12.º ano de qualquer tipo de ensino (público, privado, profissional, artístico,…) e, a partir de uma narrativa pedagógica desenvolvida pela All4Integrity, visa o desenvolvimento de projetos escolares no âmbito da educação para a cidadania ativa, baseada na integridade, na transparência e no impacto social das nossas ações.  A adesão das escolas ao programa REDescolas não tem qualquer custo.
O período de adesão das escolas decorre entre 7 de setembro e 16 de outubro através do preenchimento do formulário digital disponível aqui

📌 Mais informações sobre a 6.ª edição da REDescolas disponível aqui:
      👉 Narrativa Pedagógica (aqui)
      👉 Regulamento (aqui)
      👉 Edições Anteriores (2021, 2022, 2023, 2024 e 2025)
      👉 Notícias na Imprensa (aqui)
      👉 Email: redescolas@all4integrity.org 

📌 Sobre a All4Integrity e as diferentes iniciativas/programas:
Criada em 2021, a All4Integrity é uma associação apartidária, sem fins lucrativos, com Estatuto de Utilidade Pública que promove a prevenção e combate à corrupção e o desenvolvimento de uma cultura de integridade. Em 2023, a associação foi premiada com o International Anti-Corruption Excellence Award na categoria Youth Creativity and Engagement pelo reconhecimento do contributo da Associação para o avanço da agenda anticorrupção da UNODC - United Nations Office on Drugs & Crime, a implementação da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e a persecução dos objetivos anticorrupção da Declaração de Doha. Em 2025, Grupo de Trabalho Anticorrupção do G20 (ACWG) reconheceu o trabalho que a Associação tem vindo a desenvolver no âmbito da educação como um exemplo de boas práticas. Para além do programa REDescolas, a All4Integrity desenvolve outras iniciativas como a Academia All4Integrity, o Prémio Tágides, a Rádio Integridade+ e a Tech4Integrity.

Agradecemos toda a divulgação que possam fazer juntos dos Agrupamentos/Escolas do vosso Concelho/Distrito sobre a 6.ª edição da REDescolas.

*Ângela Malheiro
Diretora Executiva da All4Integrity
Escolas que promovem uma cultura de integridade
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Feira de São Mateus encerra edição de 2026 com mais de 1 milhão de visitantes. Evento recebeu, em média, mais de 31.500 pessoas por dia e promoveu mais de 200 atividades ao longo de 32 dias

 A Feira de São Mateus encerrou a edição de 2026 com mais de 1 milhão de visitantes, confirmando a sua forte capacidade de atração e a sua relevância enquanto um dos principais acontecimentos culturais e populares de Portugal e da região.
Ao longo dos 32 dias de duração, o certame recebeu uma média superior a 31.500 visitantes por dia, num balanço que confirma a forte adesão do público à edição deste ano. Desde o início, esta edição deu sinais claros do sucesso que viria a alcançar em termos de afluência: logo no dia 6 de agosto, a Feira recebeu 56 mil visitantes, estabelecendo um novo recorde num dia de inauguração.
O dia 30 de agosto registou o maior número de visitantes desta edição, com 57.990 visitantes, seguindo-se o dia de encerramento, 6 de setembro, que recebeu 57.537 pessoas. No plano musical, os Calema protagonizaram o concerto mais concorrido da edição, esgotando a lotação disponível e obrigando ao encerramento antecipado das bilheteiras, confirmando o forte poder de atração da Feira de São Mateus.
“A grande afluência à Feira de São Mateus é muito encorajadora para o trabalho que a Viseu Marca tem vindo a desenvolver. Mas este é também um resultado de todos os que tornam a Feira possível: visitantes, operadores, artistas, parceiros, funcionários, equipas de segurança e emergência e todas as entidades envolvidas na sua organização. A todos deixamos o nosso agradecimento”, afirma José Silva Fernandes, Presidente da Viseu Marca.
Com um forte foco nas áreas da sustentabilidade, saúde e inclusão, a edição de 2026 apresentou várias novidades, entre as quais a realização da primeira Feira do Livro da história do evento e a disponibilização, pela primeira vez, de um concerto com interpretação em Língua Gestual Portuguesa na Feira de São Mateus.
A programação voltou a conciliar tradição e inovação, com mais de 200 atividades realizadas ou acolhidas ao longo do certame. Concertos, espetáculos, iniciativas culturais e desportivas, workshops, rastreios de saúde e bem-estar, exposições, conferências e ações de animação dirigidas a diferentes públicos contribuíram para uma oferta diversificada e para a contínua renovação de um evento com mais de seis séculos de história.
A dimensão comercial manteve igualmente um papel central, com a participação de 227 operadores, assegurando uma ampla diversidade de produtos, serviços e experiências para os visitantes e reforçando a importância da Feira enquanto espaço de promoção e dinamização da atividade económica. A esta participação juntaram-se ainda 23 juntas de freguesia da região, outra das novidades desta edição.
Mais de seis séculos depois da sua origem, a 634.ª edição confirma a vitalidade da Feira de São Mateus e a sua capacidade de preservar a identidade que a distingue, renovando-se e adaptando-se simultaneamente às expectativas de diferentes gerações de visitantes. A Feira de São Mateus continua, assim, a afirmar-se como um ponto de encontro para milhares de pessoas e uma referência incontornável no calendário de Viseu e do país.
A Feira de São Mateus regressará em 2027 para a sua 635.ª edição.

*Helga Costa
Diretora de Comunicação - Viseu Marca

NB: Poderão consultar o nosso website 

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Marinha Grande | PASSEIO DÁ A CONHECER ARRIBAS COM 200 MILHÕES DE ANOS

 O Município da Marinha Grande promove, no dia 13 de setembro, entre as 09h30 e as 12h00, o passeio de natureza “As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade”, no âmbito do programa de sensibilização ambiental da Bandeira Azul.
A iniciativa propõe uma viagem pela história geológica do território, através de um percurso pelos afloramentos rochosos entre a Praia Velha e São Pedro de Moel, dando a conhecer um património natural de elevado valor científico e patrimonial.
A atividade será orientada pelo Professor Doutor Luís Vítor Duarte, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, investigador com um percurso dedicado ao estudo da geologia da região e à valorização do património geológico e paleontológico do concelho da Marinha Grande.
Ao longo do percurso, os participantes terão oportunidade de observar e interpretar as formações rochosas que caracterizam este troço do litoral, compreender a origem das arribas calcárias e conhecer os processos que, ao longo de milhões de anos, contribuíram para a formação e transformação da paisagem.
Mais do que um passeio pela natureza, a atividade constitui uma oportunidade para conhecer alguns dos testemunhos mais relevantes da evolução geológica do território e compreender a importância de um património que encerra informação única sobre a história natural da Terra.
A iniciativa resulta de uma parceria entre o Município da Marinha Grande e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e pretende contribuir para uma maior sensibilização da comunidade para a importância da preservação do património geológico, promovendo o conhecimento, a valorização e a proteção dos recursos naturais do concelho.
A participação é gratuita, mas limitada a 30 pessoas, estando sujeita a inscrição prévia através do endereço de correio eletrónico ambiente@cm-mgrande.pt

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Portugal está a deixar a cortadéria invadir

 Uma das plantas invasoras mais rápidas e perigosas do país já está presente em mais de 200 municípios. Especialistas alertam “cada ano em que se atrasa a intervenção torna o problema mais caro, mais difícil e praticamente impossível de travar. É urgente intervir!”

“A cortadéria não está a invadir Portugal. Portugal é que está a deixar a cortadéria invadir”, defende responsável pelo projeto LIFE COOP Cortaderia na Escola Superior Agrária de Coimbra

Há uma invasão a acontecer em Portugal que cresce à margem das estradas, ocupa terrenos abandonados, invade áreas naturais, margens de rios e zonas costeiras e, em muitos locais, já faz parte da paisagem ao ponto de deixar de ser reconhecida como uma planta que veio de fora há menos de um século. Também cresce em jardins privados, de municípios, de juntas de freguesias, de escolas, de empresas e de outras entidades! É a erva-das-pampas, penachos, plumas, cortadéria ou Cortaderia selloana.

Bonita, ornamental, plantada em jardins e colocada em jarras, aparentemente inofensiva, esta gramínea originária da América do Sul é, na realidade, uma espécie exótica invasora com uma enorme capacidade de dispersão. Um estudo científico recente [1] sobre a distribuição das plantas invasoras em Portugal continental identificou Cortaderia selloana em 208 municípios (é possível que esteja em mais!), colocando-a entre as dez plantas invasoras com distribuição mais ampla no país.

“Não estamos perante uma ameaça futura. A invasão já está instalada. E está a avançar rapidamente. O problema não é a falta de conhecimento. É a falta de ação à escala necessária. Portugal sabe há anos que a cortadéria é uma espécie invasora”, reforça Hélia Marchante, professora na Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra, entidade parceira do projeto LIFE COOP Cortaderia.

O Decreto-Lei n.º 92/2019, que estabelece o regime nacional de prevenção e gestão das espécies exóticas invasoras, inclui expressamente a Cortaderia selloana na Lista Nacional de Espécies Invasoras. A legislação interdita, entre outros, a sua detenção, cultivo, comércio, transporte e utilização como planta ornamental e determina a adoção de medidas de gestão adequadas. Mais importante, a própria legislação estabelece uma lógica inequívoca: prevenir, detetar cedo e agir rapidamente.

O artigo 23.º determina a existência de um sistema de vigilância; o artigo 24.º estabelece a comunicação imediata de novas ocorrências; e o artigo 28.º determina que as espécies invasoras com ocorrência no território nacional sejam objeto de planos de ação para controlo, contenção ou erradicação, com prioridades definidas em função da gravidade da ameaça e da dificuldade de intervenção. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem o Plano de Ação para controlo de Cortaderia praticamente pronto, mas a sua publicação e, mais relevante ainda, a sua implementação teima em não acontecer…

“A ciência diz para agir cedo. A legislação diz para atuar. A experiência internacional mostra que esperar torna tudo pior. Então, porque continuamos a assistir à expansão da cortadéria?”, pergunta a investigadora e especialista em espécies invasoras.

“Cada planta que se deixa produzir sementes é uma fábrica de novas invasões!”, assegura Hélia Marchante.

Uma única planta feminina pode produzir dezenas de milhares de sementes, transportadas pelo vento a grandes distâncias. A espécie instala-se particularmente bem em solos perturbados e áreas humanizadas e, a partir daí, pode avançar para habitats naturais. Quando a população ainda é pequena, a intervenção pode ser relativamente simples. Arrancar com uma enxada pode ser suficiente. Quando já existem centenas ou milhares de plantas, a realidade muda radicalmente: a erradicação torna-se tecnicamente impossível! O controlo e contenção tornam-se mais difíceis, mais prolongados e muito mais dispendiosos. É precisamente por isso que a deteção precoce e a rápida intervenção são princípios fundamentais na gestão das invasões biológicas, explica Pedro Gomes, investigador do projeto LIFE COOP Cortaderia.

No caso da cortadéria, uma investigação científica publicada em 2024 salienta precisamente os elevados custos de controlo associados ao seu extenso sistema radicular e à capacidade de rebentamento após danos físicos [2]. Nessa medida, “o que hoje pode ser travado com uma intervenção atempada pode amanhã exigir anos de trabalho e muito mais dinheiro público e privado”, avisam os especialistas.

“E há outra dimensão que não podemos continuar a ignorar: a saúde humana.” A cortadéria não é apenas um problema de biodiversidade. O seu pólen pode ser alergénico. Um estudo clínico publicado na revista Scientific Reports encontrou evidências fortes de que pessoas sensíveis ao pólen de outras gramíneas podem também reagir ao pólen da cortadéria. Os autores alertam para o potencial da espécie em se constituir um problema de saúde ambiental, particularmente porque a sua floração tardia pode prolongar o período de exposição ao pólen [3]. Outro artigo reforça esta preocupação: em regiões mediterrânicas, espécies exóticas como a cortadéria podem criar uma segunda época de exposição ao pólen no outono, com implicações para a saúde pública [4].

“A discussão sobre a Cortaderia não pode continuar confinada à conservação da natureza.

É uma questão de biodiversidade.

É uma questão de território.

É uma questão económica.

É uma questão de saúde pública.

É, em última análise, uma questão de qualidade de vida.

O custo da inação será pago por todos!”, garantem os investigadores.

Os impactes das invasões biológicas não terminam quando uma planta ocupa um terreno. A cortadéria altera habitats, compete com a vegetação autóctone, degrada áreas naturais e afeta atividades produtivas e o valor recreativo e paisagístico dos territórios. A literatura científica sobre a espécie identifica impactes ambientais e socioeconómicos e alerta para os elevados custos associados ao seu controlo [2].

“E existe uma regra simples que precisamos de levar a sério: quanto mais esperamos, mais pagamos.

Pagamos em dinheiro público.

Pagamos em biodiversidade perdida.

Pagamos em qualidade da paisagem.

Pagamos em áreas naturais degradadas.

Pagamos em horas de trabalho que poderiam ter sido evitadas.

Pagamos também em degradação da saúde Pública.

Não basta pedir aos cidadãos que arranquem todas as plantas. Os cidadãos têm um papel fundamental: reconhecer a espécie, evitar a sua utilização e disseminação, controlar nos seus jardins e terrenos e comunicar novas ocorrências. Podem fazê-lo na App iNaturalist, projeto invasoras.pt. Mas não podemos transferir para os cidadãos a responsabilidade de resolver uma invasão à escala nacional.”

“É necessária uma resposta coordenada entre administração central, municípios, proprietários, gestores de infraestruturas, empresas, agricultores, entidades gestoras de áreas protegidas, investigadores, organizações não governamentais e cidadãos.

E é necessária uma mudança de paradigma: não podemos continuar a intervir apenas onde e quando a cortadéria já domina. Temos de procurar e eliminar os novos focos antes que se transformem em grandes focos.”

“E os meios de comunicação também têm um papel a desempenhar: a comunicação social tem um papel decisivo na prevenção das invasões biológicas.

Uma planta invasora que passa despercebida é uma planta que pode continuar a reproduzir-se. Durante anos, a cortadéria foi frequentemente apresentada como uma planta ornamental, bonita ou característica da paisagem, sem que fosse explicado ao público que se trata de uma espécie invasora legalmente reconhecida como tal. A normalização de uma invasora também contribui para a sua expansão. Os media não têm de transformar cada avistamento numa notícia. Mas têm condições únicas para fazer aquilo que muitas campanhas de conservação não conseguem fazer sozinhas: tornar o problema visível, explicar como reconhecê-lo e criar pressão social para que a resposta aconteça.

É urgente que a comunicação sobre espécies invasoras deixe de acontecer apenas quando há uma campanha, um projeto europeu ou uma ação de voluntariado.

O problema exige atenção quando está a acontecer — não quando já se tornou impossível ignorá-lo. Portugal ainda pode travar a invasão. Mas não pode continuar a esperar”, asseveram os entendidos na matéria.

O projeto europeu LIFE COOP Cortaderia, que envolve Portugal, Espanha e França, está a trabalhar para reforçar a cooperação, a governação e a ação coordenada contra esta espécie no Arco Atlântico, incluindo a proteção de zonas da Rede Natura 2000 e corredores fluviais.

Existe conhecimento científico.

Existem métodos de controlo.

Existe legislação.

Existem projetos e redes de cooperação.

Existem cidadãos disponíveis para ajudar.

“O que falta é transformar estes recursos numa resposta rápida, abrangente e continuada”, defendem Hélia Marchante e Pedro Gomes.

E prosseguem, “a cortadéria não vai esperar pela próxima estratégia, pelo próximo plano, pelo próximo financiamento, pela próxima campanha de sensibilização…

Vai continuar a produzir sementes.

Vai continuar a dispersar-se.

Vai continuar a ocupar território e a causar problemas.”

Segundo estes dois especialistas, a pergunta à qual todos temos de responder é simples: “Vamos agir enquanto ainda conseguimos travá-la — ou vamos esperar que outros o façam, quando for demasiado tarde?”

 

Para mais informação:

Contactar: Hélia Marchante hmarchante@esac.pt, 934244614

A plataforma Invasoras.pt disponibiliza informação sobre plantas invasoras em Portugal e permite aos cidadãos contribuir para o conhecimento da sua distribuição.

Legislação: Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho, na sua redação atual — regime jurídico aplicável ao controlo, detenção, introdução na natureza e repovoamento de espécies exóticas da flora e fauna. Cortaderia selloana integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II).

Projeto LIFE COOP Cortaderia: LIFE22-NAT-ES-Coop-Cortaderia / 101113757. (lifecoopcortaderia.org)

 

Principais referências científicas:

[1] Fernandes R et al. 2025. Diversity and distribution patterns of invasive alien plant species in mainland Portugal. NeoBiota. https://neobiota.pensoft.net/article/163291/

[2] Lázaro-Lobo A et al. 2024. Monographs on Invasive Plants in Europe N°8: Cortaderia selloana (Schult. & Schult. f.) Asch. & Graebn. Botany Letters 171(4) https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/23818107.2024.2367591

[3] Rodríguez et al. 2021. Allergenicity to worldwide invasive grass Cortaderia selloana as environmental risk to public health. Scientific Reports.  24426. https://www.nature.com/articles/s41598-021-03581-5

[4] Galán Díaz et al. 2024. Different phenological behaviour of native and exotic grasses extends the period of pollen exposure with clinical implications in the Madrid Region, Spain. Biological Invasions. 26, 2171–2182. https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-024-03303-8

 

*Isabel Cristina Batista Silva
USG - Gabinete de Comunicação e Imagem