terça-feira, 7 de novembro de 2017

Notícias do Paraíso (e não são boas)

P
 
 
Enquanto Dormia
 
David Dinis, Director
 
Ora viva! 
Tempo de actualizar as últimas notícias:

Notícias do Paraísoa mais nova investigação de um consórcio internacional de jornalistas chama-se "Papéis do Paraíso", e centra-se na movimentação de milhares de milhões de euros (e dólares) por alguns paraísos fiscais do mundo. No centro deste furacão estão a rainha Isabel II e a Administração Trump - neste caso outra vez por ligações à Rússia. Mas não só: há clubes e multinacionais também envolvidos. A isto o Diogo chama "Um mundo de hipócritas". Se quiser saber melhor o que são os Paradise Papers, passe pelo Expresso que explica tudo (no papel de associado da investigação).
De outro paraíso veio um massacre: um homem abriu fogo numa igreja baptista durante a missa de domingo e fez pelo menos 26 mortos. O atirador era um veterano da Força Aérea que chegou a dar aulas de catequese, mas que foi condenado por violência contra a mulher o filho. Trump, já no Japão, disse que este não é um problema de armas livres, é antes "um caso de doença mental no estado mais avançado".
A Bélgica também não é um "safe heaven". Esta noite, o juiz que ouviu Puigdemont decidiu deixá-lo em liberdade condicionalmas proibiu-o de sair da Bélgica - até que seja decidida a ordem de detenção europeia emitida pela Justiça espanhola. Mesmo assim, em liberdade ou detido, Puigdemont será o candidato do seu partido, conta a Sofia Lorena.
Na bola, tudo depende do lado de que vemos o jogo, mas talvez para um benfiquista o Minho tenha parecido um paraíso: é que as águias foram ganhar a Guimarães e viram o Braga empatar em Alvalade. Já se for sportinguista, o melhor é pensar que até podia ter sido pior...

O que marca o dia

Duas notícias a reter.
O ministro da Economia cavalga a euforia, numa entrevista ao Negócios. Mas deixa um senão: "A descida de impostos é talvez a coisa que nós não podemos dar" às empresas. De resto, lembrou ontem Marques Mendes, para algumas até vão subir.
De ontem, sobra uma nomeação entre amigos: António Costa chamou o ex-comandante da GNR, seu apoiante na candidatura ao PS, para chefiar a Protecção Civil, lembrando o jornal i que ainda é preciso uma autorização das Finanças - porque Mourato Nunes já está há 10 anos na reserva.
E sobra também uma queixa do antecessor: Joaquim Leitão sai de funções criticando o julgamento “inclemente” do “tribunal da opinião pública”. Já que lhe falo em queixas, aqui vai mais uma, do presidente da Escola Nacional de Bombeiros: o relatório dos técnicos independentes é "preconceituoso" e "simplista", diz ele.
De ontem ainda vem esta má notícia: já há 26 casos de legionella em Lisboa. E o ministro deu duas semanas para saber o que aconteceu.
Não é doença, mas também merece registo: diz jornal i que o novo livro de Sócrates também não foi escrito por ele. Chama-se, relembro, O mal que deploramos.

Uma pausa para ler... 

Alguns dos muitos trabalhos que nos orgulhamos de lhe ter deixado nos últimos dias:
1. "A vida é venerável, confusa, efusiva", diz António Damásio, na excelente entrevista que deu à Isabel Lucas - e que fez a capa do PÚBLICO deste domingo. Excelente, sim, porque nos enche de dúvidas e nos põe em permanente dúvida: o que leva um estudante a levantar a mão quando o professor lhe fala de um tema que o intimida? Como reagirão as gerações que cresceram com as redes sociais, quando precisarem de tempo, mais tempo, do que o imediato? "Estamos a viver uma crise na actual condição humana" diz António Damásio. O seu mais recente livro, A Estranha Ordem das Coisas, dá prioridade aos sentimentos. A entrevista é sobre eles.
2. Como Silicon Valley está a apagar a nossa individualidade. Até há bem pouco tempo, era fácil identificar o que faziam as empresas mais famosas do mundo. Agora, a Google produz carros que se guiam sozinhos, fabrica telemóveis e desafia a morte; a Amazon produz programas de televisão, é dona da Whole Foods e alimenta a “cloud”; e as duas juntam-se à Apple e Facebook na corrida para se tornarem no nosso “assistente pessoal”. Nós aceitamos tudo, aproveitamos a sensação de fazer parte de uma comunidade, damos até em troca a nossa privacidade. Terá chegado a hora de acabar com esse conformismo?
3. Shhhh! Vamos tentar o silêncio, agora. Erling Kagge foi o primeiro explorador a atingir os “três pólos” (o Norte, o Sul e o Evereste). Tem muitas histórias para contar - mas escolheu o silêncio. A explicação serve-se com uma... citação: “Todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade de o homem ficar tranquilamente sentado sozinho no seu quarto.” E com uma necessidade: a de encontrarmos o nosso Pólo Sul. A Isabel Coutinho ouviu-o em Frankfurt e conta-nos o bem que nos faz ler o seu último livro: Silêncio na Era do RuídoPreparado?

Agenda do dia

Arranca a Websummit 2017, ainda mais em cerimónias do que no "real business". Arrancam também as candidaturas ao segundo programa de integração de precários no Estado e as audições aos ministros sobre o Orçamento de 2018(hoje é a vez de Pedro Marques e de Augusto Santos Silva). Isto quando os professores arrancam com um novo protesto, fazendo greve a algumas actividades.
Lá por fora, anote o início da 23.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, já sem os EUA comprometidos com os objectivos de Paris, e com Trump em viagem pela Ásia (cheia de riscos, bem identificados aqui pelo Jorge Almeida Fernandes). Em Bruxelas, o Eurogrupo revê dossiês sensíveis: a conclusão da União Bancária e as novas regras para a União Monetária (em qualquer dos casos, sem conclusões à vista).
Como terá percebido, não são brilhantes as notícias do Paraíso - mas não é caso para baixar os braços. Como escreve hoje o Rui Tavares, "se estas coisas não forem a missão da geração de agora, não chegarão a tempo das gerações de depois." Para o Rui, tem que terá hoje um dia muito especial, venha uma hora boa. Para si, que está desse lado, fica o desejo de um bom silêncio algures durante o dia. Ou a voz da Carminho a cantar Jobim
Que o dia lhe saiba bem, 
Até amanhã!

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