O
Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra expressa a sua profunda
solidariedade com todas as pessoas, famílias e comunidades afetadas
pela passagem da depressão Kristin, bem como com as vítimas desta
tempestade e com todas e todos os profissionais que, em condições
difíceis, estiveram nas operações de socorro, proteção e
reposição de serviços essenciais.
A
28 de janeiro, a tempestade Kristin atingiu com violência o distrito
de Coimbra, provocando cheias, deslizamentos, danos significativos em
habitações, equipamentos públicos e infraestruturas, evacuações
preventivas e a interrupção prolongada de serviços básicos.
Segundo a Proteção Civil da Região de Coimbra, os impactos
fizeram-se sentir nos 19 municípios da Região Metropolitana de
Coimbra, com especial incidência no litoral e na zona centro do
distrito, mas também em concelhos do interior e em zonas rurais ou
periurbanas próximas das cidades.
Na
Figueira da Foz registaram-se inundações, desalojamentos, queda de
árvores e danos causados pelo vento e pela chuva intensa, com
situações semelhantes em concelhos costeiros como Mira e
Cantanhede. Em concelhos do interior, como Lousã, Condeixa-a-Nova,
Penela, Miranda do Corvo e zonas rurais do concelho de Coimbra,
registaram-se derrocadas, vias obstruídas e falhas prolongadas de
eletricidade e comunicações. No Baixo Mondego, nomeadamente em
Montemor-o-Velho, há estradas inundadas e fortes condicionamentos à
circulação, agravando o isolamento de populações. Na cidade de
Coimbra, verificaram-se evacuações preventivas em Ceira e no Parque
Verde do Mondego, associadas à subida do caudal do Mondego e vários
danos a infraestruturas públicas, incluindo as consequências já
anunciadas para o Departamento de Arquitetura da Universidade de
Coimbra. Entretanto, a subida dos caudais dos rios Mondego, Zêzere e
Ceira mantém pressão sobre habitações, infra estruturas públicas
e atividades económicas.
Embora
ainda faltem elementos que permitam ter uma visão completa dos danos
e das vítimas, os relatos que chegam de várias localidades são
deveras preocupantes. Muitas populações permaneceram ou permanecem
horas e dias sem eletricidade e telecomunicações, impossibilitadas
de contactar familiares ou pedir ajuda, de confeccionar refeições,
aquecer as suas casas ou utilizar equipamentos essenciais. Se estas
situações já colocam a população em geral em risco, os efeitos
são ainda mais graves para pessoas idosas, pessoas com deficiência
e todas aquelas que dependem da eletricidade para cuidados de saúde,
mobilidade ou autonomia no quotidiano.
Esta
tempestade volta a expor uma realidade bem conhecida por quem vive no
distrito de Coimbra. O território continua estruturalmente
vulnerável a fenómenos climáticos extremos, como ficou evidente na
tempestade Leslie, em 2018, e agora novamente com a tempestade
Kristin, em 2026. Não se trata de acontecimentos excepcionais, mas
de efeitos cada vez mais frequentes da crise climática, resultado de
um modelo económico inconsequente, assente na ganância de poucos e
em detrimento da vida de todas e todos e da preservação da
biodiversidade. Esta vulnerabilidade é ainda agravada por décadas
de privatização de serviços essenciais, como a energia e as
telecomunicações, pela falta de investimento na Proteção Civil,
pela falta de ordenamento do território e pela ausência de
políticas consistentes de cuidado com os territórios e as
populações.
Estas
situações atingem de forma particularmente dura as zonas do
interior do distrito e os territórios rurais, mesmo quando próximos
dos centros urbanos, revelando também as fragilidades de um modelo
profundamente centralista, que concentra recursos e decisões
demasiado longe das comunidades e falha repetidamente na prevenção
e na resposta rápida.
O
Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra reafirma que a proteção
das pessoas e do território tem de estar no centro das políticas
públicas. É urgente investir seriamente na adaptação às
alterações climáticas, na prevenção de riscos, no reforço da
Proteção Civil, na requalificação das infraestruturas e no apoio
às comunidades mais vulneráveis.
A
solidariedade é indispensável nos momentos de emergência. A
solidariedade mais concreta traduz-se na rápida avaliação dos
prejuízos, no apoio efetivo à reparação dos danos e, sobretudo,
na responsabilidade política de agir de forma preventiva, antes da
próxima tragédia.
O
Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra continuará ao lado das
populações afetadas e exigirá respostas que estejam à altura da
gravidade da crise climática e das necessidades reais do território.

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