sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Comunicado do Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra Sobre a tempestade Kristin e em solidariedade com as populações e vítimas

 
O Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra expressa a sua profunda solidariedade com todas as pessoas, famílias e comunidades afetadas pela passagem da depressão Kristin, bem como com as vítimas desta tempestade e com todas e todos os profissionais que, em condições difíceis, estiveram nas operações de socorro, proteção e reposição de serviços essenciais.

A 28 de janeiro, a tempestade Kristin atingiu com violência o distrito de Coimbra, provocando cheias, deslizamentos, danos significativos em habitações, equipamentos públicos e infraestruturas, evacuações preventivas e a interrupção prolongada de serviços básicos. Segundo a Proteção Civil da Região de Coimbra, os impactos fizeram-se sentir nos 19 municípios da Região Metropolitana de Coimbra, com especial incidência no litoral e na zona centro do distrito, mas também em concelhos do interior e em zonas rurais ou periurbanas próximas das cidades.
Na Figueira da Foz registaram-se inundações, desalojamentos, queda de árvores e danos causados pelo vento e pela chuva intensa, com situações semelhantes em concelhos costeiros como Mira e Cantanhede. Em concelhos do interior, como Lousã, Condeixa-a-Nova, Penela, Miranda do Corvo e zonas rurais do concelho de Coimbra, registaram-se derrocadas, vias obstruídas e falhas prolongadas de eletricidade e comunicações. No Baixo Mondego, nomeadamente em Montemor-o-Velho, há estradas inundadas e fortes condicionamentos à circulação, agravando o isolamento de populações. Na cidade de Coimbra, verificaram-se evacuações preventivas em Ceira e no Parque Verde do Mondego, associadas à subida do caudal do Mondego e vários danos a infraestruturas públicas, incluindo as consequências já anunciadas para o Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra. Entretanto, a subida dos caudais dos rios Mondego, Zêzere e Ceira mantém pressão sobre habitações, infra estruturas públicas e atividades económicas.

Embora ainda faltem elementos que permitam ter uma visão completa dos danos e das vítimas, os relatos que chegam de várias localidades são deveras preocupantes. Muitas populações permaneceram ou permanecem horas e dias sem eletricidade e telecomunicações, impossibilitadas de contactar familiares ou pedir ajuda, de confeccionar refeições, aquecer as suas casas ou utilizar equipamentos essenciais. Se estas situações já colocam a população em geral em risco, os efeitos são ainda mais graves para pessoas idosas, pessoas com deficiência e todas aquelas que dependem da eletricidade para cuidados de saúde, mobilidade ou autonomia no quotidiano.

Esta tempestade volta a expor uma realidade bem conhecida por quem vive no distrito de Coimbra. O território continua estruturalmente vulnerável a fenómenos climáticos extremos, como ficou evidente na tempestade Leslie, em 2018, e agora novamente com a tempestade Kristin, em 2026. Não se trata de acontecimentos excepcionais, mas de efeitos cada vez mais frequentes da crise climática, resultado de um modelo económico inconsequente, assente na ganância de poucos e em detrimento da vida de todas e todos e da preservação da biodiversidade. Esta vulnerabilidade é ainda agravada por décadas de privatização de serviços essenciais, como a energia e as telecomunicações, pela falta de investimento na Proteção Civil, pela falta de ordenamento do território e pela ausência de políticas consistentes de cuidado com os territórios e as populações.

Estas situações atingem de forma particularmente dura as zonas do interior do distrito e os territórios rurais, mesmo quando próximos dos centros urbanos, revelando também as fragilidades de um modelo profundamente centralista, que concentra recursos e decisões demasiado longe das comunidades e falha repetidamente na prevenção e na resposta rápida.

O Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra reafirma que a proteção das pessoas e do território tem de estar no centro das políticas públicas. É urgente investir seriamente na adaptação às alterações climáticas, na prevenção de riscos, no reforço da Proteção Civil, na requalificação das infraestruturas e no apoio às comunidades mais vulneráveis.

A solidariedade é indispensável nos momentos de emergência. A solidariedade mais concreta traduz-se na rápida avaliação dos prejuízos, no apoio efetivo à reparação dos danos e, sobretudo, na responsabilidade política de agir de forma preventiva, antes da próxima tragédia.

O Bloco de Esquerda - Distrital de Coimbra continuará ao lado das populações afetadas e exigirá respostas que estejam à altura da gravidade da crise climática e das necessidades reais do território.


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