sábado, 13 de janeiro de 2018

Eu, Psicóloga | Você dorme mal? Sete perguntas para saber o que se passa




Há períodos em que custamos a pegar no sono, acordamos no meio da noite ou acordamos cedo demais. Mas quando o problema se torna crônico, os efeitos sobre a saúde das noites em claro se agravam, refletindo-se numa queda da concentração e da qualidade de vida e do trabalho. Paralelamente, há um aumento do risco de depressão, ansiedade e outros tipos de transtornos psicológicos. Mas a partir de que momento a insônia transitória se torna crônica.

A dificuldade para dormir aflige muitas pessoas, tornando o fato de cair no sono algo muitas vezes tortuoso e angustiante. Muitos até conseguem pegar no sono, mas acordam rapidamente, não conseguindo manter o sono por muito tempo.

Juan José Ortega, neurofisiologista clínico, diretor da Unidade de Sono do Hospital Geral de Castellón (Espanha) e vice-presidente da Sociedade Espanhola do Sono (SES), conta quais tipos de insônia existem e suas causas mais comuns. E quando convém consultar um especialista.

O comportamento das pessoas dificulta a preservação de um sono saudável. Comer muito é prejudicial à saúde de modo geral, mas comer excessivamente à noite sobrecarrega o organismo e atrapalha o sono. Ingerir bebidas alcoólicas antes de dormir pode levar a pessoa a roncar mais e, dessa forma, a perder parte do sono profundo.

Quantas horas você dorme? 

O aspecto quantitativo é importante, mas não definitivo. A média de horas de sono na população espanhola é de 7,1 horas por dia, mas cada pessoa tem suas próprias necessidades, que além disso vão mudando conforme a idade. “Tem gente que precisa de oito ou nove horas, e outros que só dormem cinco. Se quem dorme pouco se sentir bem no dia seguinte, então não é insônia”, esclarece Ortega. Outra coisa é se as horas habituais de sono diminuírem repentinamente de forma drástica.

Você acorda cansado? 

O normal é que a inércia do sono, essa fase em que já nos levantamos, mas ainda estamos sonolentos, dure 10 ou 15 minutos, o que se demora para entrar no banho. Quem acorda se sentindo quase tão cansado quanto foi dormir tem razões para suspeitar de que sofre de insônia ou de algum transtorno do sono, mesmo se tiver dormido nove horas.

Você tem certeza de que dormiu mal? 

Existe também o que os especialistas em medicina do sono chamam de insônia paradoxal, que na verdade é uma má percepção do paciente. “Há pessoas que na verdade dormem bem e funcionam perfeitamente durante o dia, mas acordam algumas vezes durante a noite e acreditam que dormem mal”, explica o neurofisiologista.

Transformar o quarto de dormir num local de estimulação dos sentidos é igualmente prejudicial, já que contribui para a intensa atividade cerebral. Estamos falando aqui de assistir televisão, usar computador, telefone celular ou tablet em horários em que já deveríamos começar a nos preparar para dormir – e no local que deveria ser propício ao sono. Deixar o quarto de dormir sujo ou desorganizado como se fosse um depósito de coisas (úteis ou inúteis) também dificulta a entrada no estado de sonolência. Precisamos, dessa forma, adotar uma atitude positiva e respeitosa em relação ao sono, a fim de obtermos o revigoramento necessário para uma vida saudável.

Há alguma causa médica que o impede de dormir? 

Você pode ter uma insônia secundária quando a falta de descanso é sintoma ou efeito secundário de algum outro problema — desde uma dor no joelho até uma infecção, passando por transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão.

Você acorda frequentemente durante a noite? 

As causas podem ser várias, mas você pode estar sofrendo, como 4% a 6 % da população, de um dos transtornos do sono mais comuns: a apneia, pausas repetitivas na respiração que chegam a se repetir entre 40 e 60 vezes durante uma noite. “O cérebro não descansa bem, e ocorre um sono fragmentado, que causa cansaço e sonolência. Além disso, é uma tempestade do ponto de vista cardiocirculatório, porque os vasos se fecham, causando uma redução da pressão arterial e da oxigenação.” Além do cansaço, outras pistas para identificar esse problema são despertar com dor de cabeça, com a boca seca e com dificuldade para engolir.

Há algo que lhe preocupa? “Todo mundo já sofreu uma insônia aguda alguma vez”, afirma Ortega. Quando a impossibilidade de pegar no sono está ligada à incapacidade de relaxar, trata-se de uma insônia psicofisiológica. “Costuma ter um desencadeante pontual, de caráter emocional”, explica o especialista. Quando não dormir vira uma inquietação, a profecia se cumpre por si só — a pessoa de fato não dorme, correndo o risco de cair num círculo vicioso, pois no dia seguinte a pessoa estará cansada e preocupada em passar mais uma noite em claro. Dormir mal de vez em quando não é muito preocupante, embora nosso cansaço aumente e a atenção decaia. O cérebro costuma cobrar o déficit de sono quando pode, afirma Ortega.

Quantas vezes isso acontece? Se as noites ruins, quaisquer que sejam motivo, ocorrem mais de três vezes por semana durante vários meses, o paciente sofre de insônia crônica. Nesses casos, é preciso consultar um médico para “dar nome” ao problema, como diz Ortega, e poder tratá-lo. Nas unidades do sono como a que ele coordena existem especialistas de várias disciplinas — pneumologistas, cirurgiões maxilofaciais, psiquiatras, psicólogos, neurologistas etc. —, capazes de abordar o problema segundo suas causas.

Os transtornos emocionais são causas mais graves. Problemas como depressão, ansiedade ou transtorno do estresse pós-traumático demandam cuidados específicos. Há também os transtornos neurológicos que dificultam o processo de dormir, como a Doença de Parkinson e a Doença de Alzheimer. Essas condições demandam tratamentos específicos.
Dentre as condições clínicas tidas como mais comuns nos casos de insônias, destacam-se: AVC, asma, dificuldade de respiração, menopausa, hiperatividade cerebral e até transtornos gastrointestinais, como a azia.

Situações do dia-a-dia e fatores externos também podem afetar a qualidade do sono e trazer dificuldades para a pessoa dormir. Medicamentos, estresse, atividades realizadas no cotidiano, barulhos e sons e certos hábitos alimentares podem contribuir negativamente na hora de dormir.


COMO SAIR DA INSÔNIA

A primeira coisa para tentar superar a insônia é ter uma boa higiene do sono. Algumas medidas básicas são não comer demais no jantar, não fazer exercícios físicos no finalzinho da tarde, não consumir álcool ou outras substâncias, tomar uma ducha à noite e criar um ambiente relaxado, propício para dormir.
Com a terapia cognitivo-comportamental, recomendada para a insônia psicofisiológica, “ajuda-se o paciente a compreender que não se pode antecipar o medo de ir dormir, e são ensinadas técnicas de relaxamento para controlar e evitar pensamentos intrusivos”, explica Ortega. Segundo a Sociedade Espanhola de Neurologia, isso pode resolver 70% dos casos.
Só em casos muito agudos os especialistas podem recomendar medicamentos hipnóticos. Mas, segundo Ortega, seu uso nunca deve superar três ou quatro semanas, porque eles produzem dependência e tolerância, além de não proporcionarem um sono de qualidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário