sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Artigo de Opinião - Respeito pela profissão de enfermeiro

 A forma como as profissões são retratadas no espaço mediático influencia o reconhecimento social de milhares de profissionais. No caso da enfermagem, essa responsabilidade é acrescida. Trata-se de uma profissão regulada, com influência direta no funcionamento do sistema de saúde.
Tem-se tornado recorrente a utilização da designação “enfermeiro” como rótulo público, desligado do exercício efetivo da profissão. Esta prática tem consequências. Confunde os cidadãos, desvaloriza o percurso formativo exigente da enfermagem e fragiliza a identidade profissional dos enfermeiros.
Em Portugal, o título de enfermeiro é protegido por lei e decorre do exercício habilitado da profissão. Exige formação superior específica, inscrição na Ordem dos Enfermeiros (OE) e cumprimento de deveres éticos e deontológicos. Não é uma designação meramente biográfica.
Quando alguém que não exerce enfermagem e que construiu um percurso profissional distinto é apresentado no espaço mediático como “enfermeiro”, cria-se uma associação automática entre factos individuais e a profissão no seu conjunto. Essa associação é injusta e imprecisa. A formação inicial em enfermagem não pode funcionar como etiqueta permanente para enquadrar qualquer trajetória posterior, sobretudo quando essa trajetória não tem ligação com o exercício profissional.
Seja como for, a enfermagem tem uma formação de base sólida e exigente. Não limita o desenvolvimento académico ou profissional noutras áreas. Muitos profissionais prosseguem estudos em domínios distintos, assumem funções em setores não clínicos. Esse percurso é legítimo e deve ser valorizado. O que não é aceitável é utilizar a formação de base como instrumento de desvalorização, sugerindo que é menor ou inadequada para outros contextos.
O rigor na utilização de títulos profissionais é uma exigência de transparência. Tal como não se designa como médico quem não exerce medicina, ou como advogado quem não está no exercício da advocacia, também não deve ser banalizado o uso da designação enfermeiro fora do seu enquadramento profissional.
Porém, como Bastonário da OE, tenho de dizer que é sempre gratificante quando licenciados, mestres ou doutores em Enfermagem são chamados a exercer cargos de relevância na sociedade ou na vida pública.
A OE continuará a defender a dignidade da profissão e dos cerca de 88 mil enfermeiros e a exigir rigor na designação do título profissional no espaço público. O respeito no tratamento das profissões reguladas protege os cidadãos e fortalece a confiança nas instituições.

*Luís Filipe Barreira, Bastonário da Ordem dos Enfermeiros
Fonte: https://healthnews.pt/2026/02/11/respeito-pela-profissao-de-enfermeiro/
02/11/2026

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