O Salão Nobre
da Junta de Freguesia de Febres acolheu, no passado sábado, 7 de
fevereiro, a sessão pública de apresentação do arquivo digital do
jornal Auri-Negra, um projeto de preservação da memória coletiva
regional que fica agora ao serviço da população.
Recorde-se que
o jornal foi publicado entre 1986 e 2001 pela Auri-Negra -
Cooperativa de Informação e Cultura C.R.L., tendo passado
posteriormente para a Gira Sol – Associação de Desenvolvimento de
Febres, que assegurou a sua edição entre 2002 e 2019.
O projeto do
arquivo digital do Auri-Negra resulta da digitalização, organização
e disponibilização online de todos os exemplares do jornal.
Considerando, contudo, que o Auri-Negra surge, nos seus primeiros
números, como herdeiro de outras publicações locais iniciadas nos
anos 60 do século XX — nomeadamente da Juventude Académica de
Febres — o projeto foi alargado para incluir todas as publicações
que foi possível localizar.
Mais do que um
exercício de arquivo, este projeto afirma-se como uma ferramenta de
identidade local, devolvendo ao presente décadas de informação
sobre a vida social, cultural e desportiva da freguesia, bem como
sobre as comunidades de emigrantes ligadas a Febres. Recorde-se que o
Jornal Auri-Negra chegou a contar com mais de 3.000 assinantes
espalhados pelo mundo.
“Preservar
as memórias da comunidade é preservar a alma de cada lugar. Sem
memória, a história apaga-se e a identidade enfraquece. Por isso,
quero deixar um agradecimento especial ao João Diogo Ramos, o
dinamizador desta iniciativa, pelo propósito de honrar o passado e
preservar algo histórico”,
sublinhou a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio.
Antes de
inaugurar um dos dois quiosques digitais interativos, que permitem
uma consulta simples e intuitiva da publicação - o primeiro ficará
instalado na Casa-Museu Carlos de Oliveira, em Febres; o segundo, na
Biblioteca Municipal de Cantanhede -, a autarca destacou ainda a
importância de projetos como este fortalecerem a identidade
coletiva. “Quando as pessoas
conhecem sua história, têm um sentimento maior de pertença e
orgulho do lugar onde vivem”,
enfatizou.
“A
importância da memória do concelho” foi o mote para a intervenção
do vice-presidente da Câmara com o pelouro da Cultura, Pedro
Cardoso, que apresentou vários projetos e programas promovidos pelo
Município que contribuem para preservar, divulgar e valorizar a
memória local, seja histórica, cultural ou patrimonial.
“Este
projeto é um ponto de partida para um trabalho mais amplo de
preservação da imprensa local e da história da região,
demonstrando que é possível
conjugar memória, história e tecnologia, mas
sobretudo a possibilidade de garantir o acesso fácil e generalizado
do público a este património documental. É, no fundo, o pontapé
de saída de uma estratégia estruturada de preservação e garantia
de acesso público à memória documental do concelho”,
observou.

Já o promotor
do arquivo digital, João Diogo Ramos, explicou que o objetivo foi
“reconhecer e valorizar o
trabalho de todos quantos, ao longo dos anos, contribuíram para a
afirmação do Auri-Negra enquanto espaço de participação cívica,
cultural e informativa. Esta é a prenda que dou a Febres, esta é a
homenagem que fazemos ao meu pai [Silvino
Ramos, diretor do jornal entre 1986 e 2001 e figura central da
Cooperativa Auri-Negra], na data
em que faria 75 anos”.
Na sessão
intervieram ainda o presidente da Junta de Freguesia de Febres,
Carlos Lote, a presidente da Associação Gira Sol, Catarina Façanha,
o coordenador da 1.ª série do jornal desde 1991, Cidalino Madaleno
e o diretor do Jornal Auri-Negra durante parte da 2.ª série,
António Fresco.
O arquivo
digital do jornal Auri-Negra encontra-se disponível no endereço
https://arquivo.aurinegra.com,
com acesso livre a toda a população.


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