domingo, 15 de fevereiro de 2026

Brasil depois do Carnaval


Olá Litoral,

Netto Simões, ex-Pajé do Boi Caprichoso, numa das suas magníficas atuações no Festival Folclórico de Parintins

Já fui uma dúzia de vezes ao Brasil e, na verdade, é um país ao qual não me canso de voltar, até porque tem uma diversidade ímpar em termos culturais, paisagísticos e gastronómicos. Curiosamente, nunca fui ao Brasil na época do Carnaval — mas, dos Caretos de Podence às ruas do Rio de Janeiro, aproveitem muito bem estes dias de folia.

Vem isto a propósito de eu estar a ponderar regressar ao Brasil este ano para fazer uma série de reportagens ligadas à natureza e ecoturismo. E esse é o pretexto ideal para sugerir alguns destinos onde estive no passado em território brasileiro. De Fernando de Noronha aos Lençóis Maranhenses, eis algumas sugestões para uma próxima viagem ao Brasil:

São apenas sugestões, é certo, mas fica o desafio. Até porque há cada vez mais ligações aéreas entre Portugal e o Brasil que facilitam — e muito! — a vida do viajante.

Fazer seguro de viagens IATI (5% off)

A terminar, deixo o habitual pedido para utilizar estes links ao planear as próximas viagens. Para si não faz diferença mas para mim é uma grande ajuda. Muito obrigado.

Grande abraço e muita força,

Filipe Morato Gomes

Passes para os transportes na cidade de Cantanhede já estão à venda


Os passes para circulação nas linhas internas da cidade de Cantanhede (URBIN) já podem ser adquiridos na loja da operadora BUSWAY, na Avenida do Brasil, em Cantanhede.
Está assim concluído o processo que permite aos utentes dos trajetos 466 (Linha Vermelha), 467 (Linha Azul) e 468 (Linha Verde) comprar os títulos que os habilitam a viajar durante um mês nos respetivos circuitos, com direito a transbordo entre estas linhas.
O valor integral é de 14,15 euros, 10,60 euros para os benificiários de 25% de desconto - designadamente reformados e pensionistas, com rendimentos mensais iguais ou inferiores a 644,56 euros e beneficiários de subsídio de desemprego -, e 7,10 euros para quem tem desconto de 50% - ou seja, beneficiários do complemento solidário de idosos, rendimento social de inserção e portadores de atestado médico de incapacidade multiusos com grau igual ou superior a 60%.
O bilhete simples, que pode ser comprado a bordo dos autocarros, custa 1,10 euros e é válido apenas para uma viagem, sem direito a transbordo, sendo evidente a grande vantagem do passe mensal.
As linhas URBIN, todas com passagem pelo núcleo urbano central da cidade, pela zona escolar e pela antiga estação, abrangem o perímetro de Cantanhede bem como a zona industrial, sendo que os veículos que realizam os circuitos estabelecidos operam durante todo o ano.
Este serviço está integrado no SIT – Sistema Intermunicipal de Transportes da Região de Coimbra, serviço de transporte regular de passageiros que permite a mobilidade nos 19 municípios do território com a utilização de um único cartão. No total, estão em circulação 240 autocarros em cerca de 270 percursos que garantem ligações regulares entre zonas urbanas, rurais e periféricas.
No caso de Cantanhede, são 26 as linhas com passagem por diferentes zonas do território do concelho, tendo a oferta de horários sido determinada em função dos trajetos em que habitualmente há uma maior movimentação pendular de passageiros, bem como os trajetos relacionados com o transporte escolar.

Crónica - Alcácer do Sal, a cidade moldada pela água há cinco mil anos


Há quem se interrogue sobre a razão de tantas habitações de Alcácer do Sal se encontrarem tão próximas da água. À luz das preocupações contemporâneas com cheias e riscos naturais, essa proximidade pode parecer ousada. Contudo, a explicação não reside na imprudência, mas numa coerência histórica que atravessa milénios.

A presença humana naquele território remonta a mais de cinco mil anos. Desde a Idade do Bronze que comunidades se fixaram na elevação sobranceira ao estuário do Sado, atraídas pela fertilidade dos solos, pela abundância piscícola e pela facilidade de circulação proporcionada pelo rio. A água era sustento, via de comunicação e fator de segurança estratégica.
Foi, porém, na época romana que a cidade conheceu uma das suas fases de maior prosperidade. Sob o nome de Salacia Urbs Imperatoria, destacou-se pela produção e comércio do sal, recurso essencial na Antiguidade. O sal permitia conservar alimentos, nomeadamente peixe, tornando possível o seu transporte para mercados distantes. No estuário desenvolveram-se salinas e unidades de transformação piscícola que integravam a cidade nas redes comerciais do Império Romano. O rio funcionava como verdadeira estrada líquida, ligando o interior ao mar e este ao vasto mundo romano.

As escavações arqueológicas realizadas ao longo das últimas décadas têm confirmado essa relevância. No centro histórico surgiram tanques de salga praticamente intactos, mosaicos romanos, sistemas de drenagem e vestígios portuários que revelam organização económica avançada. Muitas dessas estruturas encontram-se sob edifícios posteriores, evidenciando uma ocupação contínua do mesmo espaço. As camadas sobrepõem-se, romana, islâmica, medieval e moderna, todas enraizadas na mesma relação com o estuário.

Durante o período islâmico, a cidade manteve a sua importância estratégica e económica, beneficiando da posição dominante sobre o rio. Mais tarde, já integrada no reino português, consolidou-se o padrão urbano que ainda hoje se observa, o casario descendo pela encosta até à margem, numa proximidade que reflete séculos de dependência económica da água.

Viver junto ao rio implicou sempre adaptação às marés e às cheias. Mas durante milénios os benefícios superaram largamente os riscos. O Sado foi fonte de alimento, meio de transporte, motor de comércio e elemento estruturante da identidade local. A geografia moldou a economia, a economia moldou o urbanismo, e ambos moldaram o caráter das gentes.

Alcácer do Sal não é apenas uma cidade antiga. É um exemplo raro de continuidade histórica, onde a água nunca deixou de ser o eixo da vida coletiva. Ao longo de cinco mil anos, mudaram os povos, os impérios e os regimes políticos. Permaneceu, porém, a mesma escolha fundamental, viver junto da água, porque dela sempre dependeu o futuro.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Comunicado - Ativação do Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil de Aveiro

Informa-se que, devido à melhoria das condições meteorológicas, existe já um desagravamento das situações de cheia/inundação nos municípios da Região de Aveiro. Contudo, devido a necessidade da manutenção de operações de reposição da normalidade, mantém-se ainda ativo preventivamente o Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil de Aveiro, desde 101800FEV26, embora se verifique, de forma geral uma descida dos níveis hidrométricos. Estão ainda ativos todos os Planos Municipais de Emergência de Proteção Civil referenciados no comunicado 01/26, de 10 de fevereiro. Continuam os trabalhos de reparação e recuperação dos danos, bem assim como as ações de vigilância e acompanhamento permanente de todas as situações, pelos Serviços Municipais de Proteção Civil, agentes de proteção civil e organismos de apoio dos vários patamares. 
Mantem-se o Estado de Prontidão Especial (EPE), para o Dispositivo Integrado de Operações de Proteção e Socorro (DIOPS) no nível IV (máximo), até 142359FEV26, para a Região de Aveiro, com passagem ao nível (III) a partir de 150000FEV26, no sentido da garantia do permanente acompanhamento das ocorrências, através do respetivos Comandos Sub-regionais e de um aumento das ações de monitorização e prontidão. 
Recomenda-se à população que siga as orientações das Autoridades e que evite a circulação e permanência em locais próximos das zonas afetadas pelas inundações/cheias/deslizamentos, uma vez que ainda subsiste algum risco, especialmente nas zonas que já não estão inundadas mas onde pode existir instabilidade estrutural ou danos.
 Pede-se mais uma vez, à população, especial atenção às medidas de autoproteção já oportunamente divulgadas através dos avisos da ANEPC/SMPC e agentes de proteção civil, e que sejam tidas em conta as ordens das autoridades territorialmente competentes, mantendo-se atento ao desenvolvimento da situação. 

Data: 14/02/2026 Hora: 18:00 
Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil 
O Comandante Sub-regional António Ribeiro
 (assinado no original)

Imagem c/DR

OCORRÊNCIAS RELACIONADAS COM O MAU TEMPO PONTO DE SITUAÇÃO - DIA 14FEV (Dados até às 18h00)


Entre as 00h00 e as 18h00 de hoje, 14 de fevereiro, registaram-se 377 ocorrências relacionadas com a situação meteorológica adversa que está a afetar o território de Portugal continental.

No total, desde as 16h00 do dia 1 de fevereiro até às 18h00 do dia 14 de fevereiro, foram registadas 18.762 ocorrências.

As sub-regiões mais afetadas foram a Sub Região Coimbra (2.600 ocorrências), Sub Região Oeste (2.277 ocorrências) e Sub Região Grande Lisboa (1.840 ocorrências).

As principais tipologias de ocorrência registadas foram:
  • Inundações: 5.153
  • Queda de árvores: 5.574
  • Limpeza de vias: 1.852
  • Queda de estruturas: 3.024
  • Movimentos de massa: 2.914
  • Salvamentos aquáticos: 162
  • Salvamentos terrestres: 83
Na resposta a estas ocorrências estiveram empenhados 63.685 operacionais, apoiados por 26.087 meios.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recorda que o impacto dos efeitos do mau tempo pode ser minimizado através da adoção de comportamentos preventivos adequados. Assim, e em particular nas zonas historicamente mais vulneráveis, recomenda-se a adoção das seguintes medidas de prevenção:
  • Evite qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações;
  • Retire das zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e outros bens, colocando-os em locais seguros;
  • Não atravesse zonas e estradas inundadas. Evite túneis e passagens inferiores. Se estiver a conduzir, pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água;
  • Em casa, mantenha-se nos andares superiores ou pontos altos. Afaste equipamentos elétricos da água e desligue o gás e a eletricidade, se for seguro. Se tiver de abandonar a habitação leve apenas o essencial e siga rotas seguras.
  • Esteja atento a sinais que podem indicar instabilidade do terreno (fendas; muros, postes e árvores inclinados; saída de água barrenta do solo), se observar algum destes sinais, afaste-se de imediato;
  • Se encontrar uma linha elétrica caída ou cabos à expostos, afaste-se de imediato, pois existe perigo de eletrocussão, e reporte a situação à E-REDES (800 506 506). Não toque nem tente afastar cabos - nem com paus, ferramentas ou quaisquer outros objetos;
  • Se estiver num veículo que tocou num cabo elétrico, permaneça dentro do veículo e peça ajuda de imediato;
Esteja atento às informações da meteorologia, da Agência Portuguesa do Ambiente e às indicações da Proteção Civil e das Forças de Segurança.

14 de fevereiro de 2026
Alcina Coutinho
Chefe de Divisão
Divisão de Comunicação e Sensibilização
Presidência