Castelo de Paiva realizou hoje as cerimónias evocativas do 25.º aniversário da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, traduzidas num momento de profunda emoção e respeito, com o Salão Nobre dos Paços do Concelho a acolher a sessão de abertura que assinala um quarto de século de uma saudade que permanece viva na região, destacando-se a presença solene de D. Manuel Linda, Bispo do Porto, num momento de recolhimento partilhado por toda a comunidade paivense.
As declarações de Vítor Moreira, presidente da Assembleia Municipal, Augusto Moreira, presidente da Associação de Familiares da Vítimas, do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Cardoso e do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, sublinharam a resiliência de Castelo de Paiva e a exigência de nunca deixar cair no esquecimento a desgraça que aconteceu a 4 de Março de 2001.
Após a recepção oficial, seguiu-se um dos momentos simbólicos do dia, com a inauguração do Memorial às Vítimas no Largo do Conde, em Sobrado, um novo espaço de homenagem que será, para sempre, um local de reflexão e de honra à memória daqueles que partiram naquela fatídica noite de forte intempérie.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, Ricardo Cardoso, destacou a importância de se cumprir agora estas velhas promessas, para ligar Castelo de Paiva aos principais eixos rodoviários, considerando que a Variante à EN 222 e o IC35 não são apenas estradas, “mas são instrumentos de coesão territorial, factores de desenvolvimento económico, condições de segurança rodoviária, oportunidades de fixar população e garantir empregabilidade “, acreditando o edil que, “ 25 depois, estamos mais perto de ver as promessas se tornarem realidade”.
Para o edil paivense, o avanço destas obras, será uma vitória da persistência do povo de Castelo de Paiva, e o resultado da acção contínua das instituições locais, das associações, da população e de todos aqueles que nunca desistiram de exigir justiça territorial, evidenciando natural satisfação de agora, finalmente, se estar mais próximo de ver estes investimentos rodoviários concretizados, sendo que as promessas só ganham plena credibilidade quando se vir as máquinas no terreno.
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, aproveitou a deslocação a Castelo de Paiva, para anunciar publicamente o lançamento do concurso público para a construção da fase final do IC35, no troço entre Rans e Entre-os-Rios, num investimento de mais de 90 milhões de euros.
“O Estado falhou. Falhou-vos, quando mais precisavam”, afirmou o Ministro das Infraestruturas e Habitação no seu discurso na Câmara Municipal de Castelo de Paiva, garantindo que a obra da conclusão da Variante à EN 222 já está adjudicada e em Julho vai regressar ao concelho para a assinatura do acto de consignação e ver o arranque da obra, reafirmando “não descansar enquanto não vir às máquinas no terreno”, destacando a seguir que “estamos a falar de 25 anos de promessas. Compreendo perfeitamente a descrença das pessoas, mas posso garantir que este Governo tudo fará para mudar esta realidade e fazer justiça à região “.
Ao referir a partilha do luto como uma afirmação da verdadeira unidade nacional, o Ministro relembrou o gesto e a célebre frase proferida pelo então ministro Jorge Coelho naquela fatídica noite de Março de 2001, ao demitir-se do Governo após a trágica queda da Ponte de Entre-os-Rios, que causou 59 mortos. “A culpa não pode morrer solteira”, foi a frase que perdurou, salvaguardando a responsabilidade institucional e um exemplo que merece ser sempre recordado.
Já depois da inauguração do Memorial às vítimas da tragédia, localizado no Largo do Conde, em frente aos Paços do Concelho, o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, recordou com emoção as vítimas da tragédia, sublinhando que a celebração não é apenas uma lembrança do passado, mas um momento de comunhão espiritual e de esperança cristã.

O bispo destacou que a fé afirma que a morte não rompe definitivamente os laços entre as pessoas, pois em Deus permanece a comunhão entre vivos e falecidos, e sublinhou o dever de recordar as vítimas com respeito e dor, mas também com esperança cristã, afirmando que a memória, a dignidade humana e a fé mantêm viva a comunhão para além da morte.
Depois da Missa em homenagem às vítimas da tragédia, na Igreja Matriz de S. Martinho, das cerimónias religiosas no monumento do Anjo de Portugal, foram inaugurados memoriais junto aos cemitérios das freguesias onde foram sepultados os corpos resgatados desta tragédia rodoviária.
Mais tarde, para encerrar as cerimónias evocativas dos 25 anos da tragédia da Ponte Hintze Ribeiro, foram lançadas flores ao Rio Douro desde a nova ponte e um momento musical pela Academia de Música de Castelo de Paiva no espaço de recolhimento do Anjo de Portugal.
*Carlos Oliveira
Gabinete de Imprensa e Relações Públicas
Assessor de Imprensa










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