O Caminho da Geira e dos Arrieiros (CGA) assumiu, pela primeira vez, a liderança no número de partidas de peregrinos de Braga, com destino a Santiago de Compostela, contribuindo de forma decisiva para a subida à oitava posição da capital do Minho na tabela dos locais de início da peregrinação jacobeia em Portugal.
Segundo as estatísticas do Serviço de Peregrinos da Catedral de Santiago, relativas ao ano passado, partiram de Braga 1.130 pessoas — o número mais elevado de que há registo —, 567 das quais percorreram o CGA, enquanto 550 seguiram pelo Caminho Português Central (CPC). O Caminho Minhoto Ribeiro registou 12 partidas e o de São Rosendo apenas uma.
Estes dados significam que a opção pelo CGA subiu 11,4% (mais 58 pessoas), enquanto a do CPC caiu 8,6% (menos 52). Os outros dois itinerários têm escasso impacto nas contas que, no final, se traduzem numa subida de 12 peregrinos que iniciaram a peregrinação na capital do Minho.
Em termos globais (somando todos os pontos de partida), o CGA cresceu 9,7% em relação ao ano anterior, para 757 peregrinos que receberam a Compostela à chegada a Santiago, enquanto o CPC aumentou 5,6%, para 100.835 pessoas que certificaram a conclusão da peregrinação pelos meios tradicionais.
Os caminhos Minhoto Ribeiro e de São Rosendo apresentam evoluções percentuais maiores, mas de menor importância em termos absolutos, com 30 e 24 peregrinos, respetivamente, no final do ano passado.
No total, os quatro caminhos com início ou passagem por Braga, reconhecidos pela Catedral de Santiago, foram percorridos por 101.646 pessoas, mais 5,6% do que em 2024. Se incluirmos o Caminho Português da Costa — o outro também reconhecido —, o aumento percentual foi de 12%, o dobro do registado em todo o Caminho de Santiago (6%).
A totalidade dos itinerários portugueses foi cumprida por 191.155 pessoas que receberam a Compostela, mas apenas 45,5% iniciaram a jornada em Portugal. A liderança é do Porto (51.774 pessoas), encontrando-se Braga na oitava posição.
A maior parte dos peregrinos que optou pelo CGA começou em Braga (75%), seguindo-se Castro Laboreiro (6,3%), Cortegada (2%) e Ribadavia (1,6%). A maioria são portugueses (63,1%), à frente dos espanhóis (18,7%) e dos checos (5,5%). Há ainda pessoas de outros 23 países, como Brasil, Canadá, EUA, México, China, Coreia do Sul, África do Sul, Afeganistão, Argélia, Colômbia e Costa Rica, além de europeus.
Os peregrinos do CGA foram motivados, sobretudo, por questões religiosas (394) e religiosas e outras (201), e cumpriram o percurso a pé (592) e de bicicleta (108). A maioria tem entre 46 e 65 anos (421) e mais de 65 anos (123). A maior parte são homens (438).
Os meses de maio (31%), junho (21,5%) e outubro (10,4%) foram os mais escolhidos pelos peregrinos que fizeram o CGA no ano passado.
Este caminho de Santiago tem 239 quilómetros, começa na Sé de Braga e passa pelos municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.
Foi apresentado em 2017, em Ribadavia (Galiza) e em Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, e referido em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021). Está incluído na lista dos caminhos culturais a homologar este ano pelo Governo da Galiza.
Até agora, segundo as associações que o promovem, foi percorrido por 7.785 peregrinos (1.364 no ano passado), dos quais 3.176 receberam a Compostela (757), oriundos de meia centena de países.
O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via do género mais bem conservada do antigo Império Romano do Ocidente, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos poucos que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.
Associação Transfronteiriça do Caminho da Geira e dos Arrieiros (em instalação)
*José Manuel Almeida (presidente da comissão instaladora)
**Carlos Ferreira
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