“O trabalho que está a ser feito na Marinha Grande é exemplar.” Foram estas as palavras do diretor-geral da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), Luís Filipe Santos, durante a visita que realizou ontem, 9 de março, ao concelho.
Luís Filipe Santos foi acompanhado por Pedro Penteado, diretor de Serviços de Arquivística e Normalização; e Anabela Ribeiro, chefe da Divisão de Disponibilização e Produção de Conteúdos Digitais da DGLAB, que estiveram na Marinha Grande nos dias imediatos à tempestade para apoiar tecnicamente o Município e têm acompanhado toda a evolução do processo através de reuniões periódicas.
No dia 9 de março, os representantes da DGLAB foram recebidos pelo vereador da cultura, Sérgio Silva; pela chefe da Divisão de Cultura, Património Cultural e Turismo, Eleonora Nunes; e pelos técnicos do Arquivo Municipal, Miguel Afonso e Isabel Santos.
Esta foi a primeira visita oficial do diretor-geral a um município, desde a calamidade, para se inteirar das consequências da tempestade Kristin no património documental à guarda do Município. Segundo o próprio, esta deslocação representa “um compromisso profundo da DGLAB para com a Marinha Grande e com a salvaguarda da sua memória coletiva”.
O Diretor-Geral destacou o rigor, a dedicação e a capacidade de resposta demonstrados pela Câmara Municipal, na recuperação e tratamento das 186 paletes de documentação produzida entre 1919 e 1994, recolhida de edifícios afetados pela tempestade, bem como o empenho das equipas técnicas, para evitar a perda de um património documental de enorme relevância histórica e cultural.
“A Marinha Grande é um dos bons exemplos nacionais na recuperação de documentação após uma catástrofe. Há aqui um esforço notável, que queremos ajudar a transformar num pilar de resiliência futura. Estamos juntos e determinados.” O responsável reforçou ainda a disponibilidade da DGLAB para prestar apoio técnico especializado, nomeadamente na conservação e restauro dos documentos mais deteriorados, e revelou que estão em curso contactos com o Governo para incluir o caso da Marinha Grande nas linhas de financiamento do PTRR.
O vereador da cultura, Sérgio Silva, sublinhou que “o Município está determinado a tratar este espólio com rigor técnico, para que nada se perca. Estamos a proteger mais de dois séculos de história da Marinha Grande.” Concluiu que “este património não é apenas administrativo: é a memória viva das pessoas, das empresas, das associações e de toda a comunidade marinhense”.
A comitiva visitou o Arquivo Municipal, uma das infraestruturas culturais menos atingidas pela Depressão Kristin; espaços onde estão salvaguardados acervos danificados pelas intempéries;
a Biblioteca Municipal e outros edifícios afetados pela tempestade, onde o diretor-geral pôde observar os estragos provocados.
A deslocação permitiu testemunhar o interesse, o compromisso e a responsabilidade demonstrados pelos profissionais do Município na recuperação do património documental marinhense.
Entre a documentação recuperada e em tratamento estão milhares de documentos que integram vários conjuntos documentais de grande valor, pertencentes a empresas como: Real Fábrica de Vidros / FEIS – Fábrica-Escola Irmãos Stephens (com documentação produzida entre 1769 e 1994, que constitui um dos mais relevantes testemunhos da história industrial portuguesa); Ivima – Fábrica de Vidros da Marinha Grande; e JMGlass / Mortensen.
*Gabinete de Comunicação e Imagem

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