A NERC - Associação Empresarial da Região de Coimbra, na sequência da Reunião de Direção realizada dia 24 de março, acompanha com elevada preocupação a escalada dos custos energéticos e financeiros que se tem vindo a intensificar na sequência do agravamento do conflito no Médio Oriente. A instabilidade internacional tem gerado fortes pressões especulativas nos mercados, refletindo-se num aumento abrupto dos preços dos combustíveis e da energia, com impacto direto nas empresas, no setor industrial, agrícola, na logística e nas famílias.
Importa sublinhar que grande parte das matérias-primas que sustentam a atual oferta energética foi adquirida em períodos anteriores à recente escalada do conflito, a preços substancialmente inferiores aos atualmente praticados. A discrepância entre os custos históricos de aquisição e os preços finais ao consumidor levanta sérias preocupações quanto à formação de preços e à necessidade de maior transparência e supervisão.
A continuação desta trajetória coloca em risco a estabilidade económica regional e nacional, pressionando as tesourarias empresariais — em especial das micro, pequenas e médias empresas, que constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial — e agravando o custo de vida.
Neste contexto, a NERC defende que o Governo deve adotar medidas firmes e coordenadas que assegurem:Mecanismos eficazes de regulação e monitorização dos preços dos combustíveis, gás e eletricidade, bem como medidas que atenuem o impacto da inflação nos bens essenciais do cabaz alimentar;
A articulação com as autoridades competentes para mitigar o impacto da subida das taxas de juro sobre empresas e famílias;
Instrumentos extraordinários de apoio à liquidez das PME, prevenindo ruturas financeiras e assegurando a manutenção da atividade e do emprego;
Uma resposta concertada a nível nacional e europeu que minimize os efeitos de choques externos sobre a economia;
O reforço e aceleração dos incentivos à eficiência energética e à transição energética, reduzindo a dependência externa e aumentando a competitividade das empresas.
A Associação considera que os mecanismos de mitigação atualmente em vigor revelam-se insuficientes face à intensidade da pressão inflacionista. É fundamental que as políticas públicas se concentrem na redução estrutural dos chamados custos de contexto — energéticos, fiscais, financeiros e administrativos — que condicionam a competitividade empresarial e o rendimento disponível das famílias.
A estabilidade económica exige previsibilidade, transparência e medidas proporcionais à dimensão do desafio. A NERC continuará a acompanhar a evolução da situação e a defender soluções que protejam o tecido empresarial da Região de Coimbra e salvaguardem o emprego e o crescimento económico.
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