A Marinha Grande foi, no dia 18 de abril de 2026, palco da sessão nacional do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS) 2026, que decorreu no Auditório do Centro Empresarial da Marinha Grande, reunindo especialistas, investigadores, técnicos e responsáveis institucionais para refletir sobre o papel do património cultural em contextos de conflitos, alterações climáticas e desastres naturais.
Sob o tema “Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”, definido pelo ICOMOS Internacional, a iniciativa assumiu especial relevância na Marinha Grande, concelho recentemente afetado por fenómenos meteorológicos extremos que causaram impactos significativos no património cultural, edificado e paisagístico.
A sessão foi promovida pelo Património Cultural – Instituto Público e pelo ICOMOS Portugal, com o apoio do Município da Marinha Grande
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, deu as boas‑vindas aos participantes e referiu-se diretamente aos impactos da tempestade Kristin no concelho, destacando os danos sofridos por vários equipamentos culturais e pelo Pinhal do Rei, enquanto elemento estruturante da paisagem e da identidade local, alertando para a fragilidade do património face aos eventos extremos.
“A resposta rápida das equipas no terreno, o envolvimento das instituições e a solidariedade entre cidadãos demonstram que o património vive através das pessoas — e é por elas que deve ser protegido.”, acrescentou.
Paulo Vicente reforçou que “proteger o património é, hoje, também preparar o futuro. É investir em planeamento, prevenção e cooperação, garantindo que as próximas gerações herdam não apenas memória, mas também a capacidade de a preservar.”
O presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, I.P., João Soalheiro, alertou que "as alterações climáticas colocam desafios concretos à nossa capacidade de atuação e, para agir, é preciso pensar e conhecer o território. O património cultural não divide, agrega, e só faz sentido se for vivido no terreno.”
João Soalheiro revelou ainda que "o nosso património ainda não é resiliente. Precisamos de uma verdadeira cultura de planeamento, manutenção e proximidade, que envolva todos os agentes — do poder local às comunidades.”
Por sua vez, o presidente do ICOMOS Portugal, Orlando Sousa, enquadrou a reflexão no contexto internacional, sublinhando que o património cultural está hoje particularmente exposto a conflitos e eventos climáticos extremos, o que exige uma articulação permanente entre proteção, planeamento e ação.
“Este é um caminho que tem de ser feito em paralelo, envolvendo museus, monumentos, sítios arqueológicos e o território. A execução do PRR no património cultural, que se encontra numa fase muito avançada, foi uma tarefa hercúlea, mas essencial para discutir o que deve ser a administração pública do futuro: mais resiliente, mais preparada e mais próxima.”, continuou.
O programa integrou uma visita ao Museu do Vidro / Palácio Stephens, seguida de conferências e painéis temáticos dedicados à recuperação do património afetado por desastres, aos cenários climáticos e impactos esperados em Portugal, aos riscos para o património arqueológico e ao contributo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a resiliência do património cultural.
*Gabinete de Comunicação e Imagem
Nenhum comentário:
Postar um comentário