O
romance “Os Pássaros de Dódóia”, vencedor do Prémio
Literário Carlos de Oliveira, foi apresentado na Casa Carlos
Oliveira, no sábado, em Febres.
“Este
prémio continua a ser uma mais importantes formas de evocar e honrar
a memória assim como o valiosíssimo legado intelectual, literário
e humano do escritor e poeta Carlos de Oliveira.
O alcance cultural desta
iniciativa, para além da promoção da criação literária,
continua a ser também uma forma de suscitar o interesse e
conhecimento do universo literário distintivo do escritor, assim
como o registo singular, a força da narrativa e a qualidade
literária superlativa da sua obra”, afirmou o vice-presidente
da Câmara Municipal de Cantanhede com o pelouro da Cultura, Pedro
Cardoso.
A
apresentação da obra contou com a participação das Pequenas Vozes
de Febres, na abertura da sessão, e com a mostra de pinturas de
Jorge Oliveira, que retratam contextos do universo gandarês.
“Hoje,
a apresentação assinala o termo de um caminho e, ao mesmo tempo, o
início de outro. Mais do que um ponto de chegada, este momento é,
para mim, um sinal de confiança e um apelo a continuar, e a
permanecer fiel às minhas convicções e à crença — talvez
teimosa, mas necessária — de que a literatura pode abrir clareiras
de humanidade num tempo inquieto que vivemos, ajudando-nos a olhar o
outro com mais lucidez, compaixão e esperança”, afirmou,
durante a sua intervenção, Henrique Levy.
A
obra valeu a Henrique Levy a atribuição do sétimo Prémio
Literário Carlos de Oliveira, concurso promovido pelo Município de
Cantanhede que tem como objetivo homenagear um dos maiores autores de
língua portuguesa da segunda metade do século XX, estimulando a
criação literária e o surgimento de novos valores neste campo.
O
livro foi distinguido com uma bolsa luso-americana para tradução
para inglês e será também publicado por uma universidade dos
Estados Unidos.
De
acordo com Paulo Correia de Melo, que apresentou a obra, “O ideal
de Dódóia é a libertação de todos os pássaros, especialmente os
sujeitos a gaiolas. Este é (também) o ideal proposto no livro de
Henrique Levy: a liberdade completa de todos os seres, a abolição
de todas as peias sociais, religiosas, económicas, afetivas,
culturais… É difícil? É. Mas como defenderia Carlos de Oliveira,
‘nunca se perca a esperança / enquanto a morte não vem’”.
Assinado
sob o pseudónimo Náti Kuté, o livro de Henrique Levy foi
laureado com o prémio “pela capacidade de reconstituir o universo
social e metafísico africano”. A obra evidencia um “rigor da
escrita e densidade da estruturação da narrativa e pela capacidade
de criar personagens, em particular a de Dódóia, personagem de
mulher na qual a sagacidade que a define conduz a modelar um destino
à partida desfavorável, impondo-se ao meio e conquistando um lugar
de destaque na comunidade”.
Sobre
Henrique Levy
Henrique
Levy é poeta, romancista e ensaísta luso-caboverdiano, nascido em
Lisboa (1960) e atualmente residente na ilha de São Miguel, Açores,
onde é professor. Com uma identidade marcada por múltiplas
pertenças, viveu em vários continentes: Europa, África, Ásia e
América.
É
autor de oito romances, incluindo Cisne de África (2009), Praia
Lisboa (2010), Maria Bettencourt (2019), Segredo da Visita Régia aos
Açores (2020), Memórias de Madre Aliviada da Cruz (2021), Vinte e
Sete Cartas de Artemísia (Prémio Literário Natália Correia,
2022), Bento de Goes (2023, PNL) e O Drama de Afonso VII de Portugal
(2024).
Na
poesia, publicou nove livros individuais, nomeadamente Mãos
Navegadas (1999), O Silêncio das Almas (2015), O Rapaz do Lilás
(2018), Livro da Vacuidade e da Demanda do Vento (2022) e Os Teus
Lábios Podaram o Sol às Laranjeiras (2025). Participou em obras
coletivas (Estado de Emergência, Elementos) e coordenou a antologia
Camões na Voz de Poetas Açorianos (2024).
Editou
e anotou a obra A Sibylla – Versos Philosophicos (2020), de
Marianna Belmira de Andrade. Henrique Levy assinou vários ensaios e
crónicas publicadas na imprensa e em revistas literárias. Tem
também poemas e contos dispersos por diferentes revistas e
antologias.
É
ainda coordenador da Nona Poesia, a única editora açoriana dedicada
exclusivamente à poesia.
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