terça-feira, 14 de abril de 2026

Cantanhede | A apresentação da obra decorreu no sábado. “Os Pássaros de Dódóia” apresentado em Febres após vencer Prémio Carlos de Oliveira

 
O romance “Os Pássaros de Dódóia”, vencedor do Prémio Literário Carlos de Oliveira, foi apresentado na Casa Carlos Oliveira, no sábado, em Febres.
Este prémio continua a ser uma mais importantes formas de evocar e honrar a memória assim como o valiosíssimo legado intelectual, literário e humano do escritor e poeta Carlos de Oliveira. O alcance cultural desta iniciativa, para além da promoção da criação literária, continua a ser também uma forma de suscitar o interesse e conhecimento do universo literário distintivo do escritor, assim como o registo singular, a força da narrativa e a qualidade literária superlativa da sua obra”, afirmou o vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso.
A apresentação da obra contou com a participação das Pequenas Vozes de Febres, na abertura da sessão, e com a mostra de pinturas de Jorge Oliveira, que retratam contextos do universo gandarês.
Hoje, a apresentação assinala o termo de um caminho e, ao mesmo tempo, o início de outro. Mais do que um ponto de chegada, este momento é, para mim, um sinal de confiança e um apelo a continuar, e a permanecer fiel às minhas convicções e à crença — talvez teimosa, mas necessária — de que a literatura pode abrir clareiras de humanidade num tempo inquieto que vivemos, ajudando-nos a olhar o outro com mais lucidez, compaixão e esperança”, afirmou, durante a sua intervenção, Henrique Levy.
A obra valeu a Henrique Levy a atribuição do sétimo Prémio Literário Carlos de Oliveira, concurso promovido pelo Município de Cantanhede que tem como objetivo homenagear um dos maiores autores de língua portuguesa da segunda metade do século XX, estimulando a criação literária e o surgimento de novos valores neste campo.
O livro foi distinguido com uma bolsa luso-americana para tradução para inglês e será também publicado por uma universidade dos Estados Unidos.
De acordo com Paulo Correia de Melo, que apresentou a obra, “O ideal de Dódóia é a libertação de todos os pássaros, especialmente os sujeitos a gaiolas. Este é (também) o ideal proposto no livro de Henrique Levy: a liberdade completa de todos os seres, a abolição de todas as peias sociais, religiosas, económicas, afetivas, culturais… É difícil? É. Mas como defenderia Carlos de Oliveira, ‘nunca se perca a esperança / enquanto a morte não vem’”.
Assinado sob o pseudónimo Náti Kuté, o livro de Henrique Levy foi laureado com o prémio “pela capacidade de reconstituir o universo social e metafísico africano”. A obra evidencia um “rigor da escrita e densidade da estruturação da narrativa e pela capacidade de criar personagens, em particular a de Dódóia, personagem de mulher na qual a sagacidade que a define conduz a modelar um destino à partida desfavorável, impondo-se ao meio e conquistando um lugar de destaque na comunidade”.

Sobre Henrique Levy
Henrique Levy é poeta, romancista e ensaísta luso-caboverdiano, nascido em Lisboa (1960) e atualmente residente na ilha de São Miguel, Açores, onde é professor. Com uma identidade marcada por múltiplas pertenças, viveu em vários continentes: Europa, África, Ásia e América.
É autor de oito romances, incluindo Cisne de África (2009), Praia Lisboa (2010), Maria Bettencourt (2019), Segredo da Visita Régia aos Açores (2020), Memórias de Madre Aliviada da Cruz (2021), Vinte e Sete Cartas de Artemísia (Prémio Literário Natália Correia, 2022), Bento de Goes (2023, PNL) e O Drama de Afonso VII de Portugal (2024).
Na poesia, publicou nove livros individuais, nomeadamente Mãos Navegadas (1999), O Silêncio das Almas (2015), O Rapaz do Lilás (2018), Livro da Vacuidade e da Demanda do Vento (2022) e Os Teus Lábios Podaram o Sol às Laranjeiras (2025). Participou em obras coletivas (Estado de Emergência, Elementos) e coordenou a antologia Camões na Voz de Poetas Açorianos (2024).
Editou e anotou a obra A Sibylla – Versos Philosophicos (2020), de Marianna Belmira de Andrade. Henrique Levy assinou vários ensaios e crónicas publicadas na imprensa e em revistas literárias. Tem também poemas e contos dispersos por diferentes revistas e antologias.
É ainda coordenador da Nona Poesia, a única editora açoriana dedicada exclusivamente à poesia.

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