A “Cultura no
Feminino” foi o mote para a tertúlia realizada esta terça-feira,
10 de março, pelo Município de Cantanhede e que assinalou o Dia da
Mulher, que se comemora a 8 de março.
Com o salão
nobre dos Paços do Concelho lotado, a conversa, moderada pela
presidente da Câmara, Helena Teodósio, teve como intervenientes
Isolete Pessoa, escritora, Ana Maria Pessoa, dirigente associativa,
Helena Baptista, instrumentista e também dirigente associativa, e
Carolina Pessoa, fadista.
A sessão,
dinamizada a partir de testemunhos destas mulheres que se afirmaram
como agentes culturais, procurou suscitar a reflexão sobre os
desafios inerentes aos diferentes papéis sociais da condição
feminina.
Ao abrir a
tertúlia, a presidente da autarquia reconheceu a importância desta
efeméride, sobretudo para renovar a esperança num mundo cada vez
mais justo e inclusivo.
“Celebrar
o Dia Internacional da Mulher faz todo o sentido enquanto homenagem a
quem, com coragem e determinação, lutou pela dignificação da
condição feminina e abriu novos horizontes numa caminhada que,
infelizmente, ainda não podemos dar por concluída”,
enfatizou, alertando para a necessidade de “refletir
sobre as desigualdades que ainda existem, como diferenças salariais,
menor representação em cargos de liderança ou situações de
violência e discriminação”.
Ainda de acordo
com a autarca, a igualdade não é tema exclusivo das mulheres, antes
um “compromisso de todos”.
As intervenções
das quatro mulheres convidadas tiveram um denominador comum: apesar
de reconhecerem progressos, ainda existem desafios a superar.
Para Ana Maria
Pessoa, “a mulher não se deve
comparar ao homem, antes colaborar com ele”.
A resistência e desconfiança à intervenção feminina que ainda
constata no dirigismo associativo leva a que considere importante
“continuar a assinalar o Dia da
Mulher”.
Já Carolina
Pessoa deu conta que “apesar do
espetáculo ser um mundo de homens, a mulher tem muito espaço”
e, por esse facto, nunca sentiu dificuldades em afirmar-se. No
entanto, confessou não se identificar com a indústria da música em
certos aspetos, nomeadamente com a ideia pré-concebida de que a
mulher-artista deve usar pouca roupa.
Para Helena
Baptista, instrumentista e também dirigente associativa, o universo
filarmónico no qual se movimenta “já
evoluiu muito” em matéria de
igualdade do género. “Vemos
cada vez mais mulheres nas filarmónicas, quer como instrumentistas,
quer no dirigismo”, observou,
adiantando que esse facto “alterou
os padrões de comportamento”
em relação à condição feminina.
Por fim, a
escritora Isolete Pessoa entende que “a
mulher só ganhou estatuto depois do 25 de Abril de 1974”
e deu o exemplo de duas reconhecidas escritoras no combate à
desigualdade de oportunidades de acesso à literatura: Sophia de
Mello Breyner e Agustina Bessa-Luís.
Os momentos
musicais da tertúlia estiveram a cargo de Cristiano Neves e Joana
Alhau.
Nenhum comentário:
Postar um comentário