Centenário do nascimento do escritor Augusto Abelaira 18/03/1926) assinalado com a abertura da Exposição “Augusto Abelaira - escritor” no antigo GTL, Fonte, na vila histórica de Ançã, terra natal do escritor.
“Celebrar o centenário de Augusto Abelaira é celebrar a literatura como espaço de liberdade, pensamento e reinvenção. É homenagear e reconhecer uma das vozes mais subtis, inteligentes e singulares da literatura portuguesa do séc. XX” - sublinhou Pedro Cardoso, vice-presidente da Câmara Municipal, com o pelouro da Cultura, anunciando que este momento marca também um vasto programa de iniciativas culturais em torno desta figura incontornável da literatura e cultura portuguesa.
Luísa Aguiar da Patrimonium, secção do Novo Rumo, entidade que organizou a exposição, apresentou os vários momentos, com destaque para o espólio do escritor patente a exposição.
O representante da Junta de Freguesia de Ançã, Luis Malva, enalteceu o trabalho da Patrimonium e destacou a importância desta exposição para conhecer a obra do escritor Ançanense.
Benjamim Sagradas e Lurdes Geria, do grupo de Teatro NOVO RUMO, leram textos do autor, animando a sessão que culminou com a projecção de uma entrevista feita a Augusto Abelaira.
Os textos da exposição são fruto do trabalho de David Moura Gonçalves.
O conceituado escritor Alves André que cedeu a maquete do busto de que é autor e as irmãs Ana e Conceição Relva Cardoso que cederam também algum do espólio pessoal do escritor marcaram presença, entre outros elementos da Assembleia Municipal, Assembleia de Freguesia e da Cultura.
Augusto José Freitas Abelaira nasceu a 18 de Março de 1926, em Ançã. Licenciado em Histórico-Filosóficas, viria a trocar a profissão de professor pela de jornalista, mas foi como escritor que adquiriu notoriedade, ocupando um lugar singular na literatura portuguesa, na segunda metade do século XX. Foi romancista, dramaturgo, cronista, ensaísta e tradutor e, acima de tudo, um intelectual atento ao seu tempo.
Faleceu em Lisboa, no dia 4 de julho de 2003 e foi sepultado na sua terra natal no dia 6 do mesmo mês.
Para além da carreira literária, foi jornalista, e desempenhou cargos públicos de responsabilidade, como director adjunto de programas da RTP, ou membro do Conselho de Imprensa e do Conselho de Comunicação Social; foi director de publicações tão importantes na história e vida da cultura e da comunicação social do país, como a Seara Nova ou a Vida Mundial; foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Foi activista político, subscrevendo manifestos contra a ditadura, sendo preso duas vezes pela PIDE, uma delas em 1965, por causa da atribuição do Prémio da Sociedade Portuguesa de escritores, por um júri por ele presidido, ao escritor Luandino Vieira, preso no Tarrafal.
“Invulgarmente culto, ocultava-se numa modéstia impressionante. Uma presença discreta mas sempre interventiva tanto na vida cultural como cívica.”
Celebrar o centenário do nascimento de Augusto Abelaira é revisitar uma obra marcada pela coragem de experimentar, pela recusa do conformismo e pela permanente interrogação das formas literárias e da própria condição humana. Abelaira não escreveu para agradar nem para se acomodar a modelos dominantes; escreveu para explorar limites, desconstruir narrativas e convocar o leitor para uma participação ativa e crítica. Num presente frequentemente condicionado por tendências, algoritmos e validações imediatas, o seu legado mantém-se singularmente atual, lembrando-nos que o pensamento independente, livre e responsável continua a ser um acto profundamente transformador.
A exposição organizada pela Patrimonium - secção cultural do Grupo de Teatro Amador de Ançã. - Novo Rumo, em parceria com a Câmara Municipal, com destaque para a Biblioteca Municipal, e que conta como apoio da Junta de Freguesia de Ançã, é uma oportunidade para conhecer melhor a obra deste grande vulto da literatura e cultura portuguesa, uma figura ímpar da galeria de personalidades do concelho.
*Pedro Cardoso

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