sexta-feira, 8 de julho de 2016

Euro2016: TIMOR-LESTE INDEPENDENTE, O PAÍS DAS BANDEIRAS PORTUGUESAS

Portugal venceu ontem o País de Gales no Euro2016. Ganhou passagem para a grande final a disputar em Paris. O delírio invadiu ontem à noite, em Portugal, os portugueses. Em França a festa foi de arromba para a comunidade portuguesa, sendo que muitos deles(as) já são franceses, lusodescendentes. O município de Paris, gentil, iluminou a Torre Eifel com as cores da bandeira de Portugal. Os portugueses pelo mundo festejaram a vitória da seleção portuguesa. A seleção dos empates que passo a passo chegou à final a jogar em Paris no próximo domingo. O adversário ainda é desconhecido porque falta saber que equipa será apurada no duelo entre a França e a Alemanha. Quem vencerá? Quem vai estar a confrontar-se com a seleção de Portugal para conquistar o título de campeão do Euro2016? Alemanha ou França? Daqui por algumas horas já saberemos.

Se é verdade que existem portugueses espalhados por quase todos os cantos do mundo há também os que sem serem portugueses sentem Portugal de modo muito especial, incluindo no futebol. Foi isso que vimos em Timor-Leste. Pelo relatado e pelas imagens partilhadas as manifestações de alegria e de apoio à seleção lusa extravasaram o que muitos viam e sentiam nos timorenses de forma minimalista. E então foi o espanto, a comoção, a lágrima no canto do olho por ver que a dezenas de milhares de quilómetros de Portugal, no traseiro do mundo, nos antípodas, há um povo que em grande número tem Portugal no coração – no futebol e em muito mais.

Testemunha disso foi (é) o insuspeito enviado residente da Agência Lusa, o jornalista António Sampaio, que em Díli fez a cobertura do acontecimento, da “festa” que em caravanas medonhas comemorou a vitória da seleção portuguesa. O seu texto está esparramado na postagem a seguir, aqui no PG. O que ali não está tão livre, comovido, singelo, alegre, grato e espantado é a sua reação a algo que nunca vira nem imaginava poder ser tão imenso: a ligação dos timorenses a Portugal, aos portugueses. Ainda bem que a viu e sentiu. Não sabemos se rolou uma lágrima pelo canto do olho mas dá para apostar que sentiu muitos arrepios. A prova está naquele curto desabafo no Facebook. Diz ali o jornalista António Sampaio (e junta vídeo):

“Em Timor já vi grandes manifestações, incluindo as gigantes pré-referendo em 1999, algumas grandes caravanas partidárias e dias de celebração de vários tipos. Mas confesso que nunca tinha visto nada assim. Nem sabia que havia tantas bandeiras portuguesas em Díli. Aliás, acho que nunca na história de Timor-Leste houve tantas bandeiras portuguesas em Timor. Pode dizer-se muita coisa e haverá quem possa querer tirar leituras disto. O que vi hoje foi alegria genuína, gente jovem e não tão jovem, famílias montadas em motas, camiões carregados de jovens, muitos deles para quem a ligação a Portugal nunca existiu, formalmente. Alegria e uma celebração sem precedentes a mostrar uma ligação com 500 anos, que se marcou com formalismos e um caravela em novembro do ano passado, com missas e concordatas também em 2015 mas que se sente nestas coisas. Nesta festa timorense de uma vitória portuguesa. E sim. Há aqui quem não veja valor na ligação a Portugal, à sua língua, à história e cultura comum. Esses hoje devem ter ficado a pensar o que motiva tanta gente a sair à rua. Sem que ninguém os obrigue, sem ordens de partidos, governos, ideologias, visões sobre identidade. Só para cantar uma vitória que todos nós que falamos português ou a esta língua e história que nos une, celebramos hoje. Obrigado timorenses por esta lição que nos deram, a Timor e a Portugal. E, já agora, aos vizinhos aqui mais próximos. E agora vamos para a festa rija na final!"

António Sampaio, no Facebook

Há muitas mais bandeiras portuguesas em Timor-Leste

Depois disto é evidente que Timor-Leste e os timorenses são um país e um povo muito especiais para Portugal e para os portugueses. E vice-versa. Não só no futebol. Existem muitas provas disso. A distância geográfica que nos separa, em milhas ou quilómetros, em oceanos, tem tido o condão de nos aproximar como a nenhuma outra ex-colónia, e mesmo nos tempos da terrível colonização essa era a evidência que aqueles que conhecem Timor-Leste experimentavam. Timor no coração, quem, de nós, não o tem?

Refere António Sampaio no texto: “Mas confesso que nunca tinha visto nada assim. Nem sabia que havia tantas bandeiras portuguesas em Díli. Aliás, acho que nunca na história de Timor-Leste houve tantas bandeiras portuguesas em Timor.”

Quem não vê é como quem não sabe. Mas agora António já sabe. Muitos outros ficaram a saber. Viram, sentiram, ficaram siderados por aquela visão e calor que só os timorenses sabem dar… quando sentem e querem. Há ainda muitas mais bandeiras de Portugal em Timor-Leste, portugueses.

Obrigadu barak, mauns timoroan.

Mário Motta / PG

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