segunda-feira, 29 de junho de 2026

Coimbra | Cidadãos chamados a monitorizar uma das plantas invasoras mais problemáticas de Portugal


Campanha nacional convida cidadãos a mapear inseto que combate a acácia-de-espigas. A equipa integra investigadores da Universidade de Coimbra.

A plataforma INVASORAS.PT lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”, uma iniciativa que convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, chamado Trichilogaster acaciaelongifoliae, utilizado no controlo biológico da acácia-de-espigas, uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas encontra-se amplamente distribuída em Portugal continental, onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade. A sua elevada produção de sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos, contribui para a rápida expansão da espécie.
Galhas de Trichi
Para ajudar a controlar esta invasão, foi introduzido em Portugal, em 2015, o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido pela equipa da INVASORAS.PT como “Trichi”. Este agente de controlo biológico desenvolve-se principalmente nas gemas florais da planta, originando galhas que impedem a formação de flores e, consequentemente, reduzem a produção de sementes.

Desde a sua introdução, a presença e dispersão da “Trichi” têm sido acompanhadas por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, que também realizaram os testes prévios à introdução.

Segundo Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e membro da equipa INVASORAS.PT, “sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”.
Acacia longifolia
A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização.

Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All.

A iniciativa dirige-se a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.

Com esta campanha, a INVASORAS.PT pretende reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa.

Mais informações e instruções de participação:
Sobre a INVASORAS.PT
A INVASORAS.PT é uma plataforma de informação e ciência-cidadã dedicada às plantas invasoras em Portugal. Disponibiliza recursos sobre identificação, impactes, gestão e mapeamento de espécies invasoras, promovendo a participação pública na sua deteção e monitorização. A plataforma integra investigadores do CFE – Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, da Universidade de Coimbra, e do CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, do Instituto Politécnico de Coimbra.

*Catarina Martinho
Assessoria de Imprensa
Universidade de Coimbra
Faculdade de Ciências e Tecnologia



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