A
sétima edição do Concerto das Janelas Abertas realizou-se no
sábado, 20 de junho, contando com a participação de Júlio
Gonçalves, presente em todas as edições do certame, e a
participação internacional do “Trio Pangea”, de França, dos
cantores líricos Analisa Ferrarini e Filiberto Bruno, bem como da
Orquestra Clássica do Centro, sob direção artística de Diogo
Costa.
A
iniciativa promovida pela Associação António Fragoso, com o Alto
Patrocínio do Município de Cantanhede, realizou-se no Largo António
de Lima Fragoso, em frente àquela que foi a residência do virtuoso
músico e compositor, na Pocariça.
A
primeira parte do programa foi dedicada ao Concurso de Composição
António Fragoso 2026, organizado pela Associação Orquestra
Clássica do Centro, culminando com a entrega dos prémios na Sala do
Piano António Fragoso aos laureados jovens compositores Afonso
Martins e Rodrigo Pinto.
Os
prémios foram entregues pelo vice-presidente da Câmara Municipal de
Cantanhede, Pedro Cardoso, pelo sobrinho-neto do pianista e
presidente da direção da Associação, Eduardo Fragoso, pela
presidente da direção da Orquestra Clássica do Centro (OCC),
Emília Martins, e ainda pelo presidente da mesa da assembleia geral
da OCC, Diogo Amaral Pais.
Seguiu-se
um momento de homenagem ao compositor com o pianista Júlio Gonçalves
a interpretar três Mazurcas de António Fragoso e o Estudo Op. 25 de
Frédéric Chopin.
O
concerto prosseguiu com a atuação do Trio Pangea,
que apresentou o Trio Opus 2
de António Fragoso, antes da entrada da Orquestra Clássica do
Centro, dirigida por Diogo Costa, acompanhada pelos solistas Annalisa
Ferrarini (soprano) e Filiberto Bruno (barítono).
A
segunda parte destacou ainda as estreias mundiais de Coimbra
– Fantasia sobre Coimbra, de
Afonso Martins, e Centelha,
de Rodrigo Pinto, ambas distinguidas com o Prémio António Fragoso,
além de um repertório de ópera com obras de Gaetano Donizetti e
Wolfgang Amadeus Mozart, encerrando com duas composições
emblemáticas de António Fragoso: Canção da Fiandeira e Noturno em
Si bemol menor.
Inspirado
nos serões musicais da família Fragoso, o evento teve como objetivo
recriar o ambiente de partilha cultural e musical associado à vida e
obra de António Fragoso, mantendo viva uma tradição que continua a
envolver a comunidade em torno da música.
“Em
1918, devido ao contexto da guerra, jantava-se em casa pelas sete
horas da tarde para poupar luz. Por volta das oito horas, a família
reunia-se nos salões. Normalmente era o Tio António quem iniciava
os momentos musicais, sendo um exímio improvisador. Seguiam-se os
restantes membros da família: a Tia Céu, violinista; Isabel,
violoncelista; e o meu Avô Viriato, dotado de ouvido absoluto, que
tocava quatro instrumentos de sopro e acompanhava as restantes
interpretações”, testemunha
Eduardo Fragoso.
“Como
estes encontros decorriam durante as férias de verão, António
convidava frequentemente colegas e amigos, entre os quais Fernando
Leitão, Lourenço Varela Cid, António Fernando Cabral e até
Francine Benoît. As janelas permaneciam abertas. Os habitantes da
Pocariça que passavam na rua paravam para ouvir a música que ecoava
da casa”, acrescentou.

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