quinta-feira, 13 de abril de 2023

Cantanhede | Programa inclui momentos didáticos dirigidos às crianças. Moinho da Fonte em Ançã repleto de atividades durante duas semanas

 O Moinho da Fonte em Ançã abriu as portas para assinalar o Dia Nacional dos Moinhos, que se comemora a 7 de abril, e prepara-se para avançar com uma programação atrativa nas próximas duas semanas.
A tarefa da preservação e de divulgação deste que é um valioso património do concelho, tem estado a cargo da Patrimonium, secção cultural do Novo Rumo – Grupo de Teatro Amador de Ançã, em parceria com o Município de Cantanhede, e que tem no empenho e dedicação de Francisco Parreiral, coordenador deste processo, a chave do êxito.
Para além da excelente programação no âmbito desta iniciativa, esta constitui uma oportunidade para sublinhar o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, pela relevância histórica, cultural, etnográfica, económica e identitária”, refere Pedro Cardoso, vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede com o pelouro da Cultura.
Entretanto, já este fim de semana, o Moinho da Fonte volta a abrir portas para um programa recheado de atividades. No sábado, 15 de abril, entre as 10h00 e as 13h00 decorre a limpeza dos rodízios e a partir das 15h00 e até às 18h00 é possível assistir à moagem dos cereais.
A partir das 21h30, a companha de teatro Bombarda apresenta no Terreiro do Paço a peça “Aventuras e Desventuras da Primeira Volta ao Mundo”, uma adaptação da obra de António Pigafelta no XXII Ciclo de Teatro do Concelho de Cantanhede. Segue-se, pelas 22h45, no átrio do Moinho da Fonte, a apresentação de “Contos de vento, de água e de sangue”, por Sofia Souto Moniz, terminando o dia com um convívio, pelas 23h15.
No domingo, 16 de abril, entre as 15h00 e as 18h00, o Moinho da Fonte volta a abrir portas para dar a conhecer o processo de moagem dos cereais.
Já entre os dias 17 e 20 de abril, o moinho vai ser palco de diversas atividades didáticas, dirigidas às crianças do Centro Escolar de Ançã.

 

A 13 e 14 de abril, na Escola do Porto da Faculdade de Direito da Católica. Conferência internacional debate sobre a função social do direito de propriedade privada, subsidiariedade do Estado e “capitalismo de rosto humano”



Em linha com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica vai organizar a Conferência Internacional Património, Sucessão e Autonomia sob o tema “Novos bens e tendências”, em conjugação com o 5.º Congresso Internacional da ADFAS (Associação de Direito de Família e das Sucessões). O evento, que reúne palestrantes de todo o mundo, realiza-se entre os dias 13 e 14 de abril no Porto, e integra uma das grandes linhas de investigação do Católica Research Centre for the Future of Law: “Cidadania, Solidariedade e Inclusão Social”. A abertura do evento será realizada por Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto.
“A pressão de forças culturais, económicas e técnicas e o impacto de fenómenos como a ‘globalização’, a ‘digitalização’, a ‘desmaterialização’, o desenvolvimento e aplicações da inteligência artificial, os mercados e produtos financeiros, a liberdade de circulação das pessoas e bens fizeram surgir novas dimensões para antigos problemas do Direito que justificam diferentes abordagens,” refere Rita Lobo Xavier, Professora Catedrática da Faculdade de Direito e membro da comissão organizadora da Conferência Internacional Património, Sucessão e Autonomia.

Rita Lobo Xavier salienta, também, que “a questão da livre transmissão da propriedade privada não é somente uma questão política, mas, igualmente, de proteção de direitos fundamentais,” acrescentando “a extensão em que o Estado interfere com as escolhas individuais do titular do património, nomeadamente, através do sistema tributário, reflete os valores fundamentais de cada sociedade. A tarefa de diminuição das desigualdades não é apenas uma tarefa do Estado, mas de todos.”

Nesta Conferência, que reúne palestrantes de todo o mundo, vão estar em debate temas como: Instrumentos de direito privado no “Legge Dopodinoi” (Lei N.º 112 de 2016); Herança Digital em relação aos mundos virtuais em jogos de computador; garantir a proteção das pessoas e comunidades contra os riscos do desenvolvimento tecnológico; Assegurar a proteção patrimonial das pessoas com deficiência; Autonomia das disposições patrimoniais; Repensar a vontade e a sucessão à luz da propriedade privada; O investimento imobiliário e o regime fiscal italiano; Sucessão legitimária e ordem Pública internacional; O Regulamento 650/2012 - Dez anos depois; Liberdade de disposição e proteção sucessória da família: novas tendências no campo da sucessão legitimária e da sucessão contratual; Posição jurídica do nascituro e indemnização pelo dano da privação da vida; Resolução de litígios na era digital; Arbitragem e Justiça; Digital, Direito sucessório e autonomia, Empresas familiares e sucessão.

A Conferência Internacional Património, Sucessão e Autonomia realiza-se em conjugação com o 5.º Congresso Internacional da ADFAS entre os dias 13 e 14 de abril, na Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e conta com a presença de Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, que fará a Abertura do evento.

Proença-a-Nova | Exposição de pintura inspirada na natureza patente no CCVFloresta

 Sílvia Mathys e Cavalheiro Cardoso, casal de pintores, atualmente a residir na povoação de Cimadas, no concelho de Proença-a-Nova, apresentam agora no CCVFloresta a exposição “O que a Natureza nos Propõe”.
Patente até junho de 2023, a exposição conta com trabalhos de ambos os autores, realizados no decorrer dos últimos dois anos, com a utilização predominante de Aguarela (Sílvia Mathys) e Acrílico em Tela (Cavalheiro Cardoso).
Quando questionados sobre o facto dos trabalhos de duas pessoas se cruzarem na mesma exposição não faz com que esta perca a sua potencial harmonia, Sílvia Mathys responde remontando ao processo criativo conjunto do casal: “os nossos dias começam sempre com um passeio a pé e nesses passeios vemos coisas que nos chamam à atenção, sejam paisagens ou objetos que vemos no concelho. O tema que abordamos é o mesmo, apesar de o apresentarmos de formas distintas”, explica. Segundo Cavalheiro Cardoso, também “a distribuição dos quadros pelo espaço acaba por oferecer maior coerência e harmonia à exposição”.
Se Sílvia Mathys ‘abraça’ um estilo mais figurativo, Cavalheiro Cardoso prefere o intermédio que separa o Surrealismo da realidade observada no seu dia a dia, assumindo mesmo que “é preciso ter coragem para apresentar alguns trabalhos. Por vezes durante o processo podemos duvidar da nossa própria crença, mas quando estamos satisfeitos com o resultado final sentimos que o podemos apresentar em público”. Contudo, e contrariando as próprias tendências artísticas, Sílvia Mathys esclarece: “nesta exposição fugi um pouco do estilo figurativo e acabei por abordar uma nova linha. Adoro os pormenores e contrastes de cores, os detalhes das plantas, xisto, telhados, tudo o que natureza nos propõe”.
Nos trabalhos expostos consegue também perceber-se a passagem pelas diferentes estações do ano. Neste sentido podem também observar-se diferentes espécies da natureza com contrastes de cor mais ou menos acentuados. Caso esteja interessado em conhecer mais sobre esta exposição, pode visitar o CCVFloresta até ao final do mês de junho ou contactar diretamente ambos os autores pelo email criativecm@gmail.com para adquirir alguns dos quadros.
Com um vasto trabalho já produzido, o casal agora fixado em Proença-a-Nova aponta ao “gosto pelos comentários, elogios e carinho recebido pela população” como principal incentivo para continuar. Além desta exposição temporária, a arte de Sílvia Mathys e Cavalheiro Cardoso pode ser vista de forma permanente em vários pontos do concelho, como por exemplo no Parque Urbano Comendador João Martins, em Proença-a-Nova, mas também em São Pedro do Esteval, Sobreira Formosa ou Cimadas. 

Campanha #NãoPodias apela aos jovens para que não deem a Liberdade por adquirida

 A Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril lançou a Campanha #NãoPodias, uma iniciativa que apela aos mais jovens para que não deem a Liberdade por adquirida, desafiando-os a escolherem uma de várias proibições impostas aos portugueses durante a ditadura e a partilharem essa informação e as suas reflexões nas plataformas digitais. A Comissão selecionou um conjunto de limitações impostas pela ditadura aos cidadãos, e elaborou uma explicação sobre cada uma. Disponibiliza também recursos visuais para ilustrar cada #NãoPodias
“Os 50 anos do 25 de Abril são uma oportunidade para refletirmos e debatermos ideias sobre os próximos 50 anos de liberdade e democracia, e os mais jovens são imprescindíveis nessa discussão. Por isso, criámos uma iniciativa à medida destes públicos. Queremos desafiá-los a ser parte ativa nestas comemorações. Conhecer o passado permite-nos valorizar as conquistas de Abril e pode ajudar-nos a construir uma sociedade melhor, mais justa, mais livre e mais democrática”, afirma Maria Inácia Rezola, Comissária-executiva.
Esta Campanha vai ter uma componente digital – no site da Comissão e nas redes sociais, com os hashtags #NãoPodias e #50anos25deAbril – e materializar-se em Conversas, que vão acompanhar diversas iniciativas no âmbito das Comemorações.
Conversas #NãoPodias, 22, 23 e 24 de abril no Palácio Baldaya, em Benfica
O primeiro evento – incluído no âmbito do Festival 2504, com o qual a Comissão vai assinalar o 49.º aniversário da Revolução – consiste em três Conversas, que decorrem nos dias 2223 e 24 de abril, no Palácio Baldaya, em Benfica (onde está patente «Amílcar Cabral, uma Exposição»), num registo informal, e têm a duração aproximada de uma hora. A entrada é livre.

Assédio na Universidade de Coimbra. Académicos do CES alvo de acusações

 O movimento #MeToo está a abanar o meio académico em Portugal. O artigo As paredes falaram quando ninguém se atrevia, publicado num livro sobre assédio sexual nas instituições universitárias, acusa dois membros do Centro de Estudos Sociais de Coimbra de assédio sexual a jovens estudantes e investigadoras. Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins assumem ser os visados nas acusações mas negam qualquer comportamento inapropriado. Em resposta à RTP, o centro de investigação da Universidade de Coimbra está já a investigar as denúncias e garante que não se demite de responsabilidades.
O ambiente no Centro de Estudos Sociais de Coimbra não é confortável depois de dois prestigiados académicos da instituição terem sido acusados de usarem o seu poder para “extrativismo sexual”. Intitulado Sexual Misconduct in Academia - Informing an Ethics of Care in the University, o livro disponibilizado online descreve acontecimentos ocorridos no departamento de investigação científica da Universidade de Coimbra, embora as autoras não identifiquem nem a instituição nem os acusados.

Apesar de ter 12 capítulos com "narrações de experiências diretas de quem os escreveu", só no último composto pelo referido artigo é que são descritas os casos de assédio sexual e ainda o “silenciamento e cumplicidade” da instituição, refere uma publicação do Diário de Notícias, esta terça-feira.

As autoras do artigo, a belga Lieselotte Viaene, a portuguesa Catarina Laranjeiro e a norte-americana Myie Nadya Tom, estiveram no CES como, respetivamente, investigadora de pós-doutoramento (com uma bolsa Marie Curie) e estudantes de doutoramento – o que facilitou a identificação do CES como instituição referida no artigo.
Os académicos são referidos pelas “condutas sexuais inapropriadas” e identificados como “O Professor Estrela” e “O Aprendiz”. Mas apesar do anonimato na narrativa, na comunicação social e na academia os nomes dos protagonistas são do sociólogo Boaventura Sousa Santos, diretor emérito do CES, e o antropólogo Bruno Sena Martins, investigador do quadro da instituição.

Após seis anos da fundação internacional do movimento #MeToo, as acusações de assédio e violação na instituição de Coimbra são uns dos primeiros relatos do género em Portugal nos quais se identifica os acusados.

Os dois académicos da Universidade de Coimbra assumiram ao DN reconhecer-se “como retratados” na publicação, negando contudo qualquer acusação.

Alvo de "cancelamento"
Depois de assumir que é retratado como "O Professor Estrela" pelas três antigas estudantes do CES, Boaventura Sousa Santos escreveu, em comunicado ao DN, que "é evidente que [o artigo] se refere ao Centro de Estudos Sociais", e que a instituição é "um alvo apetecível por muitas razões”.

Na opinião do prestigiado sociólogo da UC, o último capítulo do livro "foi certamente escrito sob aconselhamento jurídico para, não mencionando nomes, evitar ardilosamente queixas judiciais". Boaventura Sousa Santos admitiu ainda que se vê como alvo de "cancelamento".
"Nas instituições académicas norte-americanas tornou-se um pesadelo. Colegas (homens e mulheres) injustamente acusados e até ilibados em processos judiciais internos (caso do Professor Comaroff) continuam a ser vilipendiados. Pelos vistos, vai-se alastrando pelo mundo", escreve.

Diz ainda que o que é descrito é "uma distorção e uma falsificação da realidade” a seu respeito e a respeito do CES.

“O ambiente académico de proximidade e de crescimento coletivo que criámos ao longo de décadas é arrasado de uma maneira vil e inqualificável. (...) O artigo é um típico produto de um ataque ‘ad hominem’ em que o mundo académico começa a ser fértil”, escreve ainda, acrescentando: “o objetivo é lançar lama sobre quem se distingue e luta por um mundo melhor”.

O neoliberalismo, continuou, "está a roubar a alma da solidariedade e da coesão social e criar subjetividades que canalizam os seus ressentimentos para acusações de que sabem não poder haver contraditório eficaz".

"Chama-se a isso cancelamento".
Aos 82 anos de idade, o sociólogo confessou que "julgava ter direito a um pouco de paz, mas infelizmente o mundo em que vivemos não permite que isso suceda". Certificando ainda que "quando houver conduta menos correta as instituições devem atuar" e que "o CES tem um Código de Conduta, uma Comissão de Ética e uma Provedoria", garantiu que os factos de alegada conduta menos ética mencionados “nunca foram apresentados aos órgãos do CES".

Também Bruno Sena Martins exprime a sua indignação na resposta enviada ao jornal: "Não resta dúvida que a intenção das autoras é a de me expor, sem a coragem de dizer o nome, e que eu seria a pessoa designada por "Apprentice".

“Ao contrário do que o capítulo ora publicado ardilosamente pretende insinuar, quero reiterar que em momento algum agredi física ou sexualmente [uma das autoras do artigo] ou qualquer outra pessoa", escreveu, lembrando que "em nenhum momento" foi alvo de queixa, na academia, por assédio ou comportamentos inapropriados.

"As paredes falaram quando ninguém se atrevia"
As três investigadoras e autoras do livro não se conheciam nem sabiam das histórias comuns de assédio sexual, tendo apenas em comum o percurso académico no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Souberam da existência umas das outras através de um evento que deu nome ao artigo "As paredes falaram quando ninguém se atrevia". Sem uma definição temporal exata, é referido que no outono de 2018 apareceram vários graffitis nas paredes do CES e da UC.

"Embora os graffiti anónimos (contámos oito) não tenham provocado um escândalo público (inter)nacional, reforçaram uma (...) rede de murmúrios, que nos permitiu entrar em contacto, partilhar, e escrever este capítulo em conjunto", escrevem as autoras no resumo do livro.

Tudo o que era escrito nas paredes era "prontamente apagado", segundo a publicação. Ao DN, um membro do CES que não se identificou, confirmou que viu vários graffiti "nas casas de banho" por altura das celebrações dos 40 anos do Centro de Estudos Sociais.
"Vários eram acusatórios. E senti-me mal com a pressa com que aquilo era apagado. Causou-me grande incómodo".

Lieselotte Viaene, referida como a "ex investigadora de pós-doutoramento" viu pessoalmente alguns dos graffiti. As restantes tiveram conhecimento através de fotografias que lhes enviaram na altura.

"Ao contrário do que se passa com as paredes, é impossível apagar as imagens de todos os aparelhos para os quais foram enviadas", referem no artigo.

O primeiro graffiti, escrito nas paredes do CES, dizia: "Fora Boaventura. Todas sabemos". A fotografia do mesmo foi enviada à comunicação social e referida ao DN por vários membros da instituição.

As três autoras do artigo estão agora noutras instituições universitárias. Viaene é professora na Universidade Carlos III, em Madrid, Laranjeiro está como investigadora no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova e Tom é professora na Universidade de Nebraska, em Omaha, EUA. Contactadas pelo DN, recusaram fazer qualquer comentário.

Instituições não se demitem "de responsabilidade"
O Centro de Estudos Sociais de Coimbra está a investigar as denúncias de assédio que envolvem os dois membros da academia.
Em comunicado numa resposta à RTP, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra começou por esclarecer que embora as instituições académicas e de investigação sejam "tradicionalmente apresentadas como ambientes neutros e seguros", não são "alheias ao sistema social e cultural que produz e reproduz relações de poder desiguais".

Admitindo que são diversas as formas de desigualdade, violência e abuso e que são "problemas transversais às organizações", o CES "não se coloca fora desta discussão importante, nem se demite da responsabilidade que tem na promoção efetiva de um ambiente de trabalho científico mais igualitário e livre de todas as formas de assédio".

A instituição refere ainda que não sendo "fenómenos novos", promoveu, nos últimos anos," respostas institucionais para os enfrentar".

O CES garante estar "comprometido com o tratamento diligente deste tipo de ocorrências" e, por isso, "decidiu averiguar a fundamentação das alegações" mencionadas no livro.

"Nesta medida, o CES irá constituir num curto prazo uma comissão independente à qual caberá a identificação de eventuais falhas institucionais e a averiguação da ocorrência das eventuais condutas anti-éticas referidas naquele capítulo. A comissão será composta por dois elementos externos, um dos quais lhe presidirá, e pela Provedora do CES. Os membros externos a convidar terão competências reconhecidas no tratamento de processo análogos", esclarece ainda.

Contactada pela RTP, a UC afirma que o Centro de Estudos Sociais "é uma associação privada sem fins lucrativos, estatutária e juridicamente independente da Universidade de Coimbra".

A Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra afirmou à RTP que só teve "conhecimento destas denúncias através da comunicação social" e admite a preocupação no assunto.

"Ainda estamos a avaliar internamente, a perceber o que aconteceu", disse João Pedro Caseiro, acrescentando que a AAC pretende "mostrar abertura para que as pessoas em causa possam contactar" a instituição estidantil.

"Seremos sempre uma via de acompanhamento e encaminhamento deste tipo de situações".

Menina portuguesa de 12 anos obrigada a casar em Espanha

A Polícia Nacional de Espanha deteve o marido - também menor de idade - por maus-tratos e encaminhou a criança portuguesa para um centro de acolhimento de menores.
Uma menina de 12 anos, de nacionalidade portuguesa, foi obrigada a casar-se, em Sevilha, com um jovem também menor de idade. A Polícia Nacional de Espanha teve conhecimento do caso através de uma denúncia de violência doméstica, no bairro de El Vacie.
As autoridades espanholas levaram a menina para uma casa de acolhimento, enquanto o marido – um jovem que, em janeiro, tinha fugido de um centro penitenciário – foi detido por maus-tratos. Quando a Polícia Nacional de Espanha encontrou a menina, esta “apresentava um aspeto físico e emocional lamentável”.
Segundo o Diario de Sevilla, o casamento entre os dois menores ocorreu segundo os rituais ciganos. Os pais da menina regressaram a Portugal depois da cerimónia, tendo a criança ficado em Espanha sem qualquer amparo.
Depois da intervenção policial, a vítima foi encaminhada para um centro acolhimento e proteção de menores.
Quanto ao marido, foi detido por maus-tratos durante uma operação policial no bairro, que ocorreu no mês de março. Para esta operação, foi necessária a colaboração da polícia distrital, uma vez que vários membros da família tentaram evitar a detenção. O suspeito será presente a tribunal.

SIC Notícias

Imagens da decapitação de um soldado ucraniano chocam o mundo

A missão de direitos humanos da ONU na Ucrânia disse estar "horrorizada" com as imagens de um vídeo onde alegadamente um soldado russo está a decapitar um prisioneiro ucraniano.
Um porta-voz da União Europeia revela que não existem informações "sobre a veracidade" das imagens, mas assegura que Bruxelas responsabilizará os criminosos de guerra na Ucrânia.
O presidente ucraniano não tem dúvidas e apela a uma ação internacional contra os "monstros" russos.
"Há algo que ninguém no mundo pode ignorar: a facilidade com que estas bestas matam. Este vídeo... a execução de um cativo ucraniano... o mundo tem de o ver. Este é um vídeo da Rússia tal como ela é. (...)", disse Volodymyr Zelenskyy.
O presidente da Ucrânia diz ainda que não é a primeira vez que os russos agem assim referindo as atocidades de Bucha: "Isto não é um acidente (...) Já aconteceu antes. Foi assim em Bucha. Milhares de vezes"(...) "Sentenças de prisão para os assassinos, um tribunal para o Estado do mal", acrescentou.
Dmytro Kuleba, o chefe da diplomacia da Ucrânia, escreveu no Twitter: "Um vídeo horrível das tropas russas a descapitar um prisioneiro de guerra ucraniano está a circular online. É absurdo que a Rússia, que é pior do que o ISIS, esteja a presidir ao CSNU (Conselho de Segurança das Nações Unidas). Os terroristas russos devem ser expulsos da Ucrânia e da ONU e ser responsabilizados pelos seus crimes".
O vídeo tem cerca de um minuto e quarenta segundos e está a circular desde terça-feira. Nele, um homem camuflado, com o rosto mascarado, corta o pescoço de outro homem em uniforme que se debate no chão, gritando "isso dói".
Após alguns segundos, os gritos param e um homem atrás da câmara pode ser ouvido exortando o carrasco em russo a "cortar a cabeça" da vítima. Este último termina a sua decapitação com uma faca, e mostra a cabeça cortada à câmara.
"É preciso colocá-la no saco e enviá-la ao comandante", diz uma voz em russo. O colete da vítima com o tridente ucraniano e um crânio e ossos cruzados é também mostrado na câmara.
O Kremlin pediu a verificação da "autenticidade", reconhecendo que se trata de "imagens horríveis".
Moscovo não reagiu às acusações ucranianas. Os oficiais russos negam geralmente qualquer envolvimento de soldados russos em crimes de guerra, e acusam a Ucrânia de encenar os acontecimentos.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Kiev e Moscovo acusam-se mutuamente de abuso de prisioneiros, o que constitue crime de guerra.
No início de março, um vídeo mostrando a alegada execução de um prisioneiro de guerra ucraniano por soldados russos causou uma onda de choque na Ucrânia.
Em novembro, o Kremlin ficou indignado com dois vídeos mostrando a alegada execução de uma dúzia de soldados russos que tinham acabado de se render às forças ucranianas.
No final de março, a ONU acusou as forças ucranianas e russas de terem cometido execuções sumárias de prisioneiros de guerra durante a invasão.
A Rússia também nega, apesar das provas corroborantes, as execuções sumárias de civis, particularmente em Bucha, perto de Kiev, há um ano.

Euronews