domingo, 3 de julho de 2016

Domingo com calor... convida à praia

Céu limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade durante a tarde nas regiões Centro e Sul, onde há possibilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoada.
Vento em geral fraco (inferior a 20 km/h) do quadrante leste, soprando moderado (20 a 35 km/h) de noroeste no litoral oeste, em especial durante a tarde, e sendo moderado a forte (20 a 40 km/h) de nordeste nas terras altas até ao fim da manhã.
Pequena subida da temperatura mínima.
Subida da temperatura máxima.

GRANDE LISBOA:
Céu geralmente limpo.
Vento em geral fraco (inferior a 20 km/h) norte soprando moderado (20 a 35 km/h) durante a tarde.
Pequena subida da temperatura mínima.
Subida da temperatura máxima.
GRANDE PORTO:
Céu limpo.
Vento fraco (inferior a 15 km/h), soprando
moderado (15 a 30 km/h) de noroeste durante a tarde.
Pequena subida da temperatura mínima.
Subida da temperatura máxima.
ESTADO DO MAR
Costa Ocidental: Ondas de noroeste com 2 a 3 metros.
Temperatura da água do mar: 14/17ºC
Costa Sul: Ondas inferiores a 1 metro .
Temperatura da água do mar: 21ºC
TEMPERATURAS MÍNIMAS E MÁXIMAS PREVISTAS:
COIMBRA - 14/35ºC
MIRA - 13/28ºC
CANTANHEDE - 14/34ºC
PRAIA DE MIRA - 13/28ºC
PRAIA DA TOCHA - 13/28ºC
PORTO - 16/30ºC
LISBOA - 18/35ºC
FARO - 23/30ºC
Fonte: IPMA

A Educação é um Património Familiar

Imagem:projectoeducativomunicipal
Os pais convencem-se com frequência de que a educação, a partir dessa altura, diz respeito à professora ou ao professor, mas na realidade ficam muito menos alarmados com uma nota de mau comportamento do que em face de uma má classificação. Têm muita vivacidade – pensa-se -, é a idade, depois tornar-se-ão sensatos. E, entretanto, os anos passam, os filhos alcançam a idade adulta, e a educação aprendida no sentido escolar do termo, resulta automaticamente num facto realizado. Ou se aprendeu essa educação, ou então é demasiado tarde; ou se cresceu como pessoa educada, ou, pelo contrário, não há mais nada a fazer. Mas a educação não acaba na escola, não é um aspecto limitado aos anos da juventude ou sujeito a autoridade, sem que se possa ou não desejá-lo. A educação não é, sobretudo, um conjunto de normas de boas maneiras a introduzir no comportamento de uma criança quando esta tem de começar a sua vida independente. É, sim, qualquer coisa de muito mais válido do que uma camada superficial ou uma máscara externa feita de hipocrisia ou de afectação.
A demonstrar, pois, quanto pode ser importante a educação na nossa vida, e como é diferente ou independente do grau de instrução ou dos diplomas de estudo de que se faça ostentação, diremos que é um dos elementos da nossa personalidade.
Cada um tem a este respeito a sua própria interpretação, adaptada à sua própria sensibilidade, transformando-a em qualquer coisa que apresenta em cada instante uma fisionomia nova. Essa interpretação torna-se pessoal.
Duas pessoas educadas nunca o são da mesma maneira. A educação transforma-se numa manifestação do nosso carácter, torna-se o reflexo da nossa índole, ajuda-nos no nosso comportamento. Nisto consiste uma parte da nossa personalidade.
A educação impõe-se a todos. É um compromisso moral que cada um de nós tem para consigo próprio, para com a família ou para com o próximo que faz parte da sua mesma vida. Poderemos defini-la como um hábito mental que se limita e submete ao respeito pelo mundo que vive à nossa volta, onde se encontram num mesmo plano com os mesmos valores, não só coisas que parecem importantes, mas também tudo quanto tem razão de ser. Não há, portanto, uma idade para a educação, ou melhor, não se pode dizer que existe um limite de tempo dentro do qual se tenha ou não a possibilidade de ser ducado. Se para os jovens pode ser considerado como matéria de estudo, a educação continua a ser também para os adultos um assunto a conhecer a fundo, a aprofundar um pouco todos os dias através da prática.
Cada época pode dar-nos uma diferente explicação do que é a educação. A verdade é que se este conceito se modifica e seria absurdo mante-lo condicionado a regras imutáveis. O nosso século apregoa também a plena reivindicação de um dos direitos fundamentais do homem: a liberdade. Esta, porém, não deve ser interpretada como uma espécie de autoritarismo individual de que alguém se possa valer sem nenhuma responsabilidade. A liberdade individual do nosso tempo exige um recíproco reconhecimento desta prerrogativa. É preciso sentirmo-nos livres quanto ao que nos diz respeito e quanto ao que nos pertence. Esta liberdade tem, portanto, de ser orientada de modo que não se transforme em egoísmo, e a educação deve actualizar-se para se adequar à vida moderna. O mundo tornou-se maior, ampliou as nossas relações até onde noutros tempos se fechavam os círculos das diversas classes sociais, e a educação surge como uma necessidade que não pode ser desprezada.
O essencial está em esclarecer que não se trata de um privilégio ou de um atributo das pessoas mais afortunadas, mas simplesmente de uma faceta de mérito daqueles que tem boa vontade e muita sensibilidade.
O que mais há a censurar às gerações mais novas, é o facto de serem tão pouco educadas. Quando se procura averiguar as razões de tal inconveniente, facilmente se culpa a mudança do sistema de vida. Hoje, a família perdeu o seu carácter de intimidade que a fazia um centro irradiante de educação. A vida, especialmente nas grandes cidades, conduz, com efeito, a uma maior dispersão, as ocasiões para as pessoas se reunirem são ali sempre mais raras, e o tempo e a disposição para educar os jovens faltam com frequência. É preciso, portanto, reafirmar a necessidade de reeducar a família, a importância de voltar aos hábitos talvez já esquecidos, e que qualquer jovem ousará classificar como «antiquados».
É preciso também reconstruir o lar doméstico nas suas bases tradicionais, regressar a casa de modo a que todos se possam sentar á mesa em conjunto e despertar ou criar nos jovens o respeito pela família. Só assim poderão tornar-se adultos com uma rigorosa consciência do que é o conceito de educação e viver genuinamente a tradição familiar.
Um dos aspectos principais na vida dos jovens é a sua educação. É ao pai e à mãe que compete o problema de velar pelo seu desenvolvimento, saúde e educação, embora por vezes um deles preferisse deixar a cargo do outro esta difícil tarefa. Depois de os filhos já estarem crescidos, vão à escola, e começa-se a falar com mais insistência de instrução, uma palavra que faz pensar em tantos livros, em tantas coisas a orientar.
A alma humana é realmente um dos problemas mais transcendentes que se apresentam ao homem para conhecer e resolver, que mais não seja no âmbito da educação.
Dewey afirma que a educação é «a soma total dos procedimentos por meio dos quais a sociedade transmite às novas gerações as suas forças, capacidades e ideias com o fim de assegurar a sua própria existência e evolução».
Não basta viver para educar-se. A vida é multiforme, tem aspectos bons e maus, benéficos e nocivos. A educação não é, portanto, apenas vida, mas sim vida orientada para os valores e ideias que elevam e dignificam o homem.
A educação não se confunde com o simples desenvolvimento ou com a mera adaptação. A educação é formação completa da personalidade, através do desabrochamento integral das suas virtualidades físicas, intelectuais e morais.
Educar é, antes de tudo, formar de acordo com um ideal. “Quando educamos”, dizia Spalding, “do mesmo modo que quando marchamos, temos em vista um fim. Em educação esse fim é um ideal: o ideal da perfeição humana”.
A educação, sendo um processo vital de formação e aperfeiçoamento do homem, deve abranger todas as virtualidades da sua natureza.

 Joaquim Carlos*
*Jornalista
NB: O presente artigo foi publicado no jornal “O Comércio do Porto” em edição de 11 Abril de 1994, sendo agora alvo de ligeiras correcções.


10 Sinais de que o mundo enlouqueceu


Sociedades em todo o mundo estão enfrentando a consequência extrema que a vida como a conhecemos está escalando para o caos. Infra-estruturas em todo o mundo estão se desintegrando, a cultura popular tornou-se a base para os valores, e os governos disfuncionais estão agora controlando o mundo. Aqui estão 10 sinais de que o mundo enlouqueceu:

1. Fracos Líderes de Governo
A destruição de qualquer organização começa com líderes que não têm autoridade moral. Os líderes governamentais de todo o mundo estão a fraquejar. O mais ricas e recursos dos países abundantes, como as dos Estados Unidos, Reino Unido, China, Canadá, Rússia, França, Japão, Alemanha, Suíça, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Itália, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Brasil, Índia, Paquistão, Austrália, Israel e África do Sul estão sendo dilacerado pela corrupção inexperiência, divisões políticas, a desunião, as diferenças religiosas, violações de direitos civis e instabilidade económica. Este é o maior sinal de que o mundo ficou louco.

2. Crises financeiras globais
Economistas de todo o mundo estão suando sobre o dólar dos EUA enfraquecida, e vacilante economias da Grécia, Itália e os EUA O colapso das instituições bancárias privadas e internacionais, mercado de acções mergulha, a inadimplência de crédito de grandes empresas, e uma série de problemas económicos garantir para empurrar a vida como a conhecemos passado o ponto de não retorno. O ciclo constante de gastos excessivos, sobrecarregar, e mais de esgotar recursos tem mercados globais e os cidadãos de muitos países perto do colapso. Este é certamente mais um sinal que o mundo enlouqueceu.

3. Moral lackadaisical
Os seres humanos de hoje são geralmente muito negligente em termos de sistemas de moral e valor. Pessoas de todo o mundo têm adoptado um "vale tudo" atitude onde mais restritivas, costumes rigorosos ficava testamento ao comportamento tradicional. As pessoas hoje são mais rude, bruto, e possuem atitudes realmente crumby em termos de ética, virtude e costumes. Coisas como disciplina, modéstia valores, família, sexo antes do casamento, e até mesmo os assuntos mais tabus, como abuso de drogas e adultério, são comuns. A tendência a afastar-se a moral alta proverbial está funcionando como fogo em toda a mídia, arenas políticas, e até mesmo nas relações pessoais. Isso só prova ainda mais o mundo enlouqueceu.

4. Educação
Os pais de hoje são auto-absorvida, mudo, e ficando mais burro. Infelizmente, as crianças de hoje só pode ser tão bom quanto seus pais. Graças a questões de financiamento, falta de recursos e falta geral de direcção, muitas mentes brilhantes são negligenciados, literalmente, colocar a perder. Apesar de várias tentativas para aproveitar a educação e proporcionar um padrão uniforme de aprendizagem dentro dos Estados Unidos e outros países, as crianças de hoje não têm acesso ou obter o conhecimento necessário de escolas de sucesso na construção sólidas bases educacionais. Financiamento para as escolas públicas é slim, professores qualificados são escassos, e os currículos desactualizados não atendem as necessidades dos jovens de hoje. A crise da educação nos países norte-americanos e muitos está se expandindo e consumindo o que ser engenheiros, médicos e cientistas de amanhã. Prova mundo positivo ficou louco.

5. Dívida / Irresponsabilidade Fiscal
Maiores do mundo, os países mais ricos contribuem para os dólares $ 4,40,730,237,181,082 (e crescente) de dívida pública global com o aumento do número substancialmente a cada segundo. Os economistas prevêem o efeito colapso pode afundar todas as economias, como a ligação entre a dívida pública global, aumenta também a maior o risco de crise financeira. Nos últimos anos, a dívida em todo o mundo aumentou mais rapidamente do que a produção económica. Os economistas prevêem o aumento dos impostos podem ajudar a diminuir a dívida pública global. O trickle down efeitos de economias em dificuldades, desemprego e outras questões financeiras somente adicionar aos já mais prolongada habitantes da Terra. A dívida dos governos e indivíduos é adicionado à prova o mundo enlouqueceu.

6. Envelhecimento da população
As pessoas estão vivendo mais do que nunca, mas isso não significa que eles estão vivendo melhor. Como as pessoas envelhecem, seus recursos financeiros escasseiam e os seus corpos desmoronar, tendo um pedágio enorme sobre as opções de emprego, saúde, educação, famílias e tecnologia nos países desenvolvidos. Os governos não têm os recursos médicos e financeiros para cuidar de idosos. O aumento da longevidade só contribui para as despesas de saúde, os programas de pensão são em grande parte insustentável e inadequado, e muitas vezes os gastos com educação governamentais são cortadas para compensar o financiamento do deficit.

7. Desperdiçar
Resíduos está em todo lugar, poluindo a terra, contaminando lençóis freáticos, e destruir a vida na Terra. Quanto mais as coisas que as pessoas têm, mais eles jogam fora. Resíduos é o subproduto da tecnologia e do consumismo das pessoas descartados. A maioria dos americanos colocar mais de 1.600 quilos de lixo em aterros sanitários por ano, com a construção, comercial, resíduos industriais, médicos, radioactivos e perigosos acumulando em velocidade talvez uma forma mais rápida. Isso se traduz em um gigante, bagunça tudo consome, tornando mais uma prova de que o mundo enlouqueceu.

8. Falhando Relações Internacionais
Relações globais entre os países nunca foram piores do que são hoje. Economias enfraquecidas e líderes ineptos só mais o fosso entre os países que já foram fortemente alinhados e unidos na aliança. O comércio internacional, a globalização, as actividades internacionais, e estratégias para promover a cooperação estão rapidamente se dissolvendo como governos colocar os interesses nacionais acima de política externa. O caos resultante de relações internacionais não são mais prevalentes na indústria, agricultura, e até mesmo a qualidade de vida; prova mundo positivo ficou louco.

9. Rise Of Celebridades
Sondar qualquer adolescente típica de hoje e podem identificar mais facilmente Justin Bieber ou Lady Gaga mais rápido do que reconhecer a Madre Teresa. A ascensão de tablóides, os paparazzi, e colunas de fofocas de todo o mundo têm sugado as massas com um lucro enorme e em detrimento da privacidade e da inteligência. Parece que o público prefere informações triviais sobre o mais recente calçado de doces ou braço A-Lister, sobre a verdade dura e fria dos acontecimentos no mundo... apenas mais um sinal que o mundo enlouqueceu.

10. Crise Alimentar

Aumento da população, a produção agrícola diminuiu, a urbanização, os desastres naturais e os preços dos alimentos surging ameaçar uma iminente escassez de alimentos. Distribuição global de alimentos é desigual e baseada na riqueza com especialistas prevendo 33 nações poderia enfrentar conflitos e agitação social com precipitação global. Além disso, o aumento da população, a distribuição desigual da terra contribui ainda mais para a ameaça de uma crise de alimentos. E o pior de tudo, os alimentos mais processados ​​consumidos por muitas pessoas não são nem remotamente saudável. Prova mundo positivo ficou louco.

PROVAS MAIS QUE EVIDENTES DO CHOQUE NEOLIBERAL!



ESTA FOI UMA DAS MAIS DRAMÁTICAS PROVAS DO CHOQUE NEOLIBERAL EM ANGOLA, PROTAGONIZADO POR UM INSTRUMENTO COMO SAVIMBI, UM DOS "FREEDOM FIGHTERS" DO NEOLIBERAL RONALD REAGAN, A PAR DE BIN LADEN NO AFEGANISTÃO!... CONSEGUIRAM "SOMALIZAR" ANGOLA, MAS NÃO A CONSEGUIRAM VENCER!... NA SÍRIA HOJE, CONTINUA A MESMA SAGA TERRORISTA QUE SE VAI DISSEMINANDO POR 4 CONTINENTES ESPALHANDO O SEU VENENO CONTRA OS POVOS E CONTRA AS SOCIEDADES!...

CUIDADO AGORA COM A TERAPIA DE CHOQUE NEOLIBERAL QUE ESTÁ EM CURSO TAMBÉM EM ANGOLA!...

Recordar, é saber do nosso passado


Recordar os heróis da cidade do Cuito - Mais de 7 mil civis e militares morreram durante a guerra que a cidade do Cuito enfrentou há 22 anos e foram enterrados em quintais, jardins e pátios.

O 28 de Junho de 1994 tem um significado especial para os angolanos e em especial para o povo do Bié, que sofreu terríveis dificuldades.

A guerra do Cuito é considerada uma das mais sangrentas e destruidoras do conflito pos-eleitoral de 1992, quando a UNITA de Jonas Savimbi recusou os resultados eleitorais e se lançou na guerra.

O Cuito esteve cercado 1 ano e 6 meses, de 6 de Janeiro de 1993 a 28 de Junho de 1994.

A resistência foi heroica.

Durante um ano e meio, a fome, a nudez, as doenças e a morte, fustigaram os habitantes do Cuito que foram forçados a comer raízes de bananeira e casca de árvores.

A destruição de vidas humanas deixou marcas, mas hoje o Cito se reconstrói com seu povo heróico e vencedor.

Abaixo a UNITA!

Grato ao camarada Rui Filipe Ramos pelo seu texto, aqui por mim aproveitado.

Junto o meu texto sobre o Cuito, publicado no Página Global em Julho de 2011.

A TRIPLA FRONTEIRA


I - A cidade do Cuito, capital da Província do Bié, é com esse estatuto a cidade mais próxima do centro geográfico de Angola, que coincide com a matriz das grandes nascentes hidrográficas do país.

Durante a guerra que surgiu em sequela da luta contra o “apartheid”, a guerra que se internacionalizou e se encadeou com o descalabro da região central de África (“Iª Guerra Mundial Africana”), por que Savimbi entendeu participar recorrendo à rebelião armada na tentativa da conquista do poder em Angola pela via da “guerra dos diamantes de sangue”, a cidade do Cuito em 1992 foi palco, conjuntamente com as cidades do Huambo e de Malange, dos mais encarniçados combates.

Esse período foi para alguns conhecido como a “guerra das cidades”, mas resultava da aplicação dos conceitos de Mao Tse Tung sobre a guerra revolucionária, que Savimbi aprendeu nas academias chinesas para depois à sua maneira vir aplicar em Angola: “realizar o cerco às cidades a partir do campo, para depois tomá-las”, um projecto que teria de começar pelas capitais provinciais, a fim de, por último, chegar à capital e tomar o poder pela via armada.

O assédio ao Cuito tornou-se mais fácil a Savimbi por várias razões e entre elas destaco a fragilização da posição governamental em função dos Acordos que haviam sido assinados primeiro em Bicesse, fez já 20 anos e depois em Lusaka.

O Governo havia não só desmobilizado enormes efectivos das FAPLA que foram entretanto extintas, mas no Bié desmobilizou por tabela as Forças Especiais da Segurança do Estado, Ministério que acabaria também por ser extinto.

As Forças Especiais acabaram por desempenhar entre 1976 e 1990 um papel contributivo muito forte no reforço geo estratégico na luta contra o “apartheid” e contra as sequelas do colonialismo e “apartheid”.

Em 1977 era Governador Provincial do Bié Faustino Muteka (na actualidade Governador do Huambo) e o movimento de libertação havia decidido com coerência geo estratégica criar as Forças Especiais no Bié, às ordens do Presidente Agostinho Neto e articulando a Defesa e a DISA, para procurar conseguir supremacia no planalto central e fazer face às incursões impulsionadas pelo regime do “apartheid”, manobra que da parte da África do Sul integrava tacitamente os efectivos dum Savimbi que entretanto a administração republicana de Ronald Reagan havia considerado de “freedom fighter” (tal como fizera com os “contras” na Nicarágua e com Bin Laden no Afeganistão).

O Presidente Agostinho Neto, tendo em conta o cenário da luta contra o “apartheid”, aplicou a favor do Estado Angolano a receita similar à que o colonialismo português havia aplicado ao MPLA no Leste, quando pela via da “Operação Madeira” atraiu Savimbi à sua órbita, de forma a que suas forças servissem de “almofada amortecedora” contra a tentativa de progressão do movimento de libertação em direcção ao planalto central; desta feita, as Forças Especiais desempenhavam papel análogo na luta contra o “apartheid”, servindo de “almofada amortecedora” contra as SADF coligadas a Savimbi, desejosos de reverter a seu favor as estratégias no planalto central.

As Forças Especiais, conjuntamente com as FAPLA e a ODP (Organização de Defesa Popular) garantiam, numa região decisiva para o todo nacional, o exercício da soberania e a “última fronteira” em direcção a norte por parte das incursões militares, de inteligência e de reconhecimento dos racistas sul africanos dentro do território de Angola após o insucesso da “Operação Savannah”.

Os sul africanos tentaram em vão, em estreita consonância de esforços com Savimbi, vencer essa barreira geoestratégica, na azáfama de, a partir do planalto central, alcançar por fim Luanda, desde a declaração de Independência a 11 de Novembro de 1975 e Savimbi acabaria em 1992 por manter essa tentação, o que influenciou decisivamente na sua decisão de tomada das capitais provinciais após o “encerramento” das FAPLA e das Forças Especiais (neste caso no Bié).

Os sul africanos durante a década de oitenta chegaram mesmo a desembarcar meios através de vários voos de seus C-130 sobre a parte sul da Reserva Integral do Luando, a leste do curso do rio Cuanza, a fim de “catapultar” as incursões na direcção norte.

Apesar desse desembarque de material resultar no incremento das acções de Savimbi, os resultados foram escassos.

Em 1977 foi formado no Bié o 1º Batalhão das Forças Especiais, unidade que iria impulsionar pouco a pouco a formação de mais Batalhões que comporiam a Brigada e, sob orientação de Faustino Muteka, procedeu-se ao recrutamento para completar o efectivo do Batalhão a partir dos grupos de acção e células do MPLA em todos os Municípios e principais Comunas do Bié.

Como em todos os recrutamentos para a DISA e depois para a Segurança do Estado, só poderiam ter acesso a essas instituições da 1ª República membros do MPLA, o que significa que o efectivo das Forças Especiais só ingressou nelas por que todos os recrutas eram do MPLA.

A ideia da barreira de resistência ao “apartheid” no Bié, para além das concepções geo estratégicas, integrava componentes ideológicas que inter-agiam com a implementação do próprio Estado Angolano: eram as ideias do movimento de libertação em África que estavam presentes, que eram instrumento de Defesa e Segurança do Estado em formação e continham elementos que davam consistência ao facto de “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul estar a continuação da nossa luta”.

Esses conceitos ideológicos nada tinham a ver com ideologias “stalinistas”, identificando-se com os conceitos e estratégias das revoluções na América Latina, bem como com a luta de libertação em África, perseguindo políticas de Não Alinhamento e de exercício sem ingerências da soberania nacional.

Desde os primeiros Acordos sobre Angola, a começar com o de Bicesse há 20 anos, nunca os efectivos que integravam a Segurança do Estado, incluindo as Tropas Guarda Fronteira, as Forças Especiais, ou as Unidades de Luta Contra Bandidos, foram tidos nem achados.

As componentes militares presentes nos Acordos do lado Governamental não integravam agendas relativas aos elementos provenientes da Segurança, muito menos discutiram o que quer que fosse relacionado com esses milhares e milhares de homens que acabaram por ser desactivados sem que houvesse sequer um documento que comprovasse os seus bons serviços ao Estado Angolano…

Essa foi a primeira fronteira do Cuito e os homens da fronteira, aqueles que defenderam a soberania em muito difíceis condições e conjunturas, são merecedores de reconhecimento por parte de todos os angolanos.

A intensidade dos combates foi de tal ordem que os mortos eram enterrados nos quintais e a água era conseguida com as cacimbas (poços) abertos nos mesmos quintais.

Para comer, muitos tinham que romper as linhas que cercavam a cidade e antes da aurora arrancar, os alimentos disponíveis nos campos circundantes, regressando às suas trincheiras.

Apesar de terem sido desactivados sem sequer merecer um documento, sem terem qualquer suporte e apoio, votados ao abandono, muitos elementos das Forças Especiais participaram por sua livre vontade e iniciativa na batalha integrando o lado governamental e foram muito importantes na resistência que o Estado Angolano ofereceu a Savimbi no Cuito. 

II - A segunda fronteira é a que se faz sentir no presente, aquela que marca o início da reconstrução sobre as feridas e as cinzas do passado com os olhos postos no futuro.

O Cuito foi deixado praticamente em escombros por que as linhas de contacto entre as forças estiveram dentro da cidade, pelo que agora subsiste o desafio de ultrapassar o passado, vencendo traumas, preconceitos e reconstruindo.

O que tive a oportunidade de constatar, é que apesar de tudo se está a superar as expectativas no que diz respeito à recuperação de infra estruturas e estruturas, com o equipamento administrativo e social a merecer uma atenção prioritária.

A capital do Bié está limpa, bastante funcional, as escolas estão a abarrotar de alunos e, apesar de ser tanto o que há a realizar na agricultura e na indústria, há sinais de empreendimento nos mais diversos níveis sociais, esbatendo-se os desequilíbrios humanos, que são muito mais palpáveis em Luanda.

No que diz respeito aos alimentos, uma parte dos frescos é já de produção local (carne, hortícolas, grãos e fuba).

Impactos de outras culturas existem e tive a oportunidade num artigo anterior, de destacar o emprego disseminado de motorizadas de baixo custo de origem asiática no sistema preferencial de transporte de pessoas, coisa que nunca existiu em tal escala mesmo em cidades como Benguela, onde a bicicleta foi sempre rainha.

Estive agora numa das posições dentro do Cuito muito próximo do Palácio Governamental, que marcaram a divisória entre as forças em combate em 1992: dum lado está um prédio inteiramente recuperado, que ainda hoje é a maior construção da cidade, do outro está o esqueleto dum edifício em escombros ainda por recuperar e com evidentes marcas dos combates.

Por toda a cidade ainda há alguns edifícios por recuperar, mas têm dono que só não se conseguiram meter em obras por que estão descapitalizados.

Ao aproximarmo-nos do décimo aniversário do Acordo de Luena, que ocorrerá no próximo ano, a maior parte da estrutura do Cuito está recuperada, a funcionar de forma satisfatória, com a cidade indiciando vontade de crescer e de viver.

O Caminho de Ferro de Benguela já começou a recuperar os troços dentro da Província: o novo assentamento da linha, que será feito do Lobito à fronteira, já entrou nas áreas do Município do Chinguar, podendo até ao final do ano abranger os troços a leste, pelo menos até à ponte sobre o rio Cuanza.

Quando os comboios começarem a circular, um novo impulso será dado ao planalto central do país e às comunidades ao longo da linha, com reflexos também, como é óbvio, nas capitais Provinciais do interior, cidade do Cuito incluída.

Até 2015 a segunda fronteira estará consolidada, com particular realce para a reconstrução e a caminho duma relativa estabilidade emocional e humana, apesar da lógica capitalista que se impôs ao país com tantos desequilíbrios.

III - A terceira fronteira é talvez a mais complexa, mas a mais decisiva, por que ela envolve inteiramente a componente humana, integrando questões históricas, sócio-políticas, económicas e até psicológicas.

As próprias Forças Especiais são disso exponentes: recrutados pelo MPLA nas horas difíceis do “parto” da Independência, sendo os primeiros em muitos combates no âmbito da “almofada amortecedora” contra a coligação Botha-Savimbi, heróis anónimos da batalha do Cuito, os antigos efectivos interrogam-se, por que são reconhecidamente dos últimos a beneficiar com dignidade dos frutos da paz possível que se ergue sobre as cinzas.

Foram muitos os que ficaram pelo caminho, a começar no seu primeiro comandante, Leite, foram muitos os sacrifícios, mas foi esse cimento que deu consistência à sua resistência moral, mesmo em condições tão adversas como aquelas de 1992, quando desactivados não tinham a obrigação perante o próprio Estado que “dar o litro” por ele.

Da boca desses efectivos, pude constatar, não há ressentimentos pelo facto de tantos que estiveram nas trincheiras contra Angola, terem sido de há dez anos a esta parte beneficiários desses frutos, antes deles.

Pelo contrário, eles estão satisfeitos pela paz possível, apesar da sua “travessia no deserto” e, desse modo são a prova de que é possível estabelecer pontes entre a vocação socialista do passado e o que se pretende no quadro do socialismo democrático que não abdique de enquadrar o homem como prioridade.

Eles confirmam que a sua resistência que faz parte da resistência de muitos mais, está no sentido de criar benefícios para todo o Povo Angolano e não em benefício de grupos, por que, conforme dizia Agostinho Neto, “o mais importante é resolver os problemas do povo”.

Para eles, socialismo, mesmo o socialismo democrático, só poderá ser realizável se a prioridade for efectivamente o homem, geração após geração, estabelecendo a corrente a partir do passado histórico e enfrentando as rupturas quando houver que as enfrentar!

A construção da paz, na fronteira humana, só é exequível com a batalha das ideias e com as acções que venham a beneficiar todo o Povo Angolano!

O patriotismo desses combatentes é inquestionável, mas a primeira barreira surge, nesta terceira fronteira, de quem ou pretende fazer esquecer a história, ou de quem a quer contar de acordo com seus próprios interesses ou conveniências.

Entre estes que perfilham este tipo de opções, estão desde tecnocratas de última geração, inteiramente vocacionados às políticas de “mercado”, até a alguns membros do próprio MPLA que sempre tiveram aversão às “linhas da frente” e agora são os primeiros a beneficiar das conjunturas de ausência de tiros e impregnadas com a lógica do capitalismo com políticas de “portas abertas”.

Muitas narrações aliás das batalhas que foram travadas em Angola, estão propositadamente a esquecer do seguinte, na esteira do abandono a que foram votados os efectivos da Segurança do Estado: foram muitas vezes oficiais que pertenciam a essa Instituição que, pela via de reconhecimento, ou pela via da contra inteligência, obtinham os dados indispensáveis para a actuação das FAPLA e por isso mesmo é justo em muitos casos questionar se algumas narrações estão de acordo ou não com o que se passou realmente.

Foi esse o exercício que eu fiz em relação ao que escrevi sobre a batalha do Cuito Cuanavale, cuja parte inicial, a frustração de Mavinga, que resultou em pesadas perdas humanas para Angola, suscita questões sobre as quais ainda não há respostas.

Estas questões são tanto mais sensíveis quanto algumas correntes consideram os efectivos da Segurança do Estado como “funcionários”, quando de facto eles estavam, por imperativos da luta, entre os muitos que não fugiram às primeiras linhas.

Os equilíbrios que perfazem uma paz com justiça social, uma paz socialista que não ponha em causa a democracia, antes pelo contrário a aprofunde no sentido da cidadania e da participação, fazem parte da resistência daqueles que não caem na tentação do capitalismo de tendência elitista que alguns poderosos tentam introduzir em Angola após as refregas.

Aqueles que perfilham o sentido da vida do movimento de libertação não podem nunca esquecer que “o mais importante é resolver os problemas do povo”, efectivamente de todo o Povo Angolano, independentemente de origem, raça, crença, ou de filiação política – esse é o único caminho possível que dá continuidade aos esforços dum MPLA que antes se constituiu em vanguarda e sobre o qual recaem as responsabilidades de vencer todas as fronteiras!

A terceira fronteira é um dos principais desafios presentes e futuros para o MPLA, restando ele demonstrar se está ou não à altura humana de enfrentar esse desafio.

Para lá caminha, dirão alguns, mas perante riscos e desequilíbrios, perante um foço de desigualdades que cresce imparável, os realistas confirmam: “ver para crer como São Tomé!”


Fotos selecionadas pelo camarada Rui Filipe Ramos.

A cidade do Cuito enfrentou ataques há 22 anos, corpos foram enterrados em quintais, jardins e pátios. O 28 de Junho de 1994 tem um significado especial para os angolanos e em particular para o povo do Bié, que sofreu terríveis dificuldades. A guerra do Cuito é considerada uma das mais sangrentas e destruidoras do conflito pós-eleitoral de 1992, quando a UNITA de Jonas Savimbi recusou os resultados eleitorais e se lançou na guerra. O Cuito esteve cercado durante 1 ano e 6 meses, de 6 de Janeiro de 1993 a 28 de Junho de 1994. A resistência foi heróica. Durante um ano e meio, a fome, a nudez, as doenças e a morte fustigaram os habitantes do Cuito que foram forçados a comer raízes de bananeira e casca de árvores. A destruição de vidas humanas deixou marcas mas hoje o Cuito se reconstrói com o seu povo heróico e vencedor. Abaixo a unita.a cidade do Cuito enfrentou há 22 anos e foram enterrados em quintais, jardins e pátios. O 28 de Junho de 1994 tem um significado especial para os angolanos e em particular para o povo do Bié, que sofreu terríveis dificuldades. A guerra do Cuito é considerada uma das mais sangrentas e destruidoras do conflito pós-eleitoral de 1992, quando a UNITA de Jonas Savimbi recusou os resultados eleitorais e se lançou na guerra. O Cuito esteve cercado durante 1 ano e 6 meses, de 6 de Janeiro de 1993 a 28 de Junho de 1994. A resistência foi heróica. Durante um ano e meio, a fome, a nudez, as doenças e a morte fustigaram os habitantes do Cuito que foram forçados a comer raízes de bananeira e casca de árvores. A destruição de vidas humanas deixou marcas mas hoje o Cuito se reconstrói com o seu povo heróico e vencedor. Abaixo a unita.

DUPLA REFLEXÃO: O BREXIT E O PRÉMIO MO IBRAIM


1. Quando este texto for publicado já se saberá de o Reino Unido aprovou o Brexit (“British exit” – saída da União Europeia) ou se o “Remain” (permanência) venceu o referendo que se realizará na próxima quinta-feira, dia 23 de Junho.

Pensarão os leitores, e com alguma pertinência, o que interessará a nós, angolanos, em particular, e aos africanos, em geral, se os britânicos manter-se-ão ou não na União Europeia. Para nós, angolanos, e para o s africanos, em geral, isto é um assnto interno dos europeus.

Não é bem verdade!

Aos angolanos que usam, geralmente e na sua maioria, como porta de entrada na Europa, Portugal (Lisboa ou Porto) a saída do Reino Unido acarretará mais constrangimentos dos que já aguentam actualmente. Deixamos de poder usar Portugal – ou a França, se for por via do TGV –, como franquia para um mundo que alguns de nós estão habituados, seja a nível académico, seja – sublinhe-se – a nível de utilização de serviços de saúde britânicos.

Também a nível africano, os países membros da Commonwealth – ao contrário do que se verifica com a grande maioria dos países da CPLP que não o têm com Portugal – ao abrigo desta comunidade, que ficam, actualmente, com quase livre acesso aos estados-membros da EU, deixam de o poder fazer.

Também a nível financeiro e económico, as trocas de bens e serviços que se fazem com o Reino Unido através de outros parceiros da UE com quem tenhamos alguns acordos preferenciais deixam de poder ser enviados por esta via o que poderá encarecer as nossas exportações e importações devido às “novas” taxas a serem aplicadas pelos britânicos. Ou talvez, para reduzirem um eventual impacto de uma eventual saída da EU, os britânicos, numa primeira fase, e para aqueles com quem mantêm acordos preferenciais ou trocas mais interessantes e importantes poderão manter as taxas alfandegárias mais baixas. Mas serão de pouca duração.

De facto não será só a Europa a sofrer, mais que os britânicos, que sempre se sentiram um porta-aviões que controla os “desmandos” europeus ao longo dos séculos e que sempre se sentiram a última estância de defesa das liberdades no continente europeu – veja-se a duas grandes guerras do século XX – os efeitos desta hipotética saída (Leave) da União Europeia.

Note-se que no domingo, 26 de Junho, o Reino de Espanha. (e é deliberado este sublinhar do “Reino” porque um dos candidatos, a coligação Podemos/Esquerda Unida, admite avançar com uma referendo sobre a Catalunha) vai a votos, pela segunda vez em poucos meses, onde se digladiam duas concepções sobre a forma como Espanha deve se comportar face às exigências da UU/Bruxelas. De um lado, conservadores, liberais e socialistas próximos dos actuais critérios da União Europeia, do outro, a coligação, que poderá vencer ou condicionar ainda mais a governação de Madrid, a criticar e a exigir reformulação nas relações com Bruxelas e com a União Europeia.

Também em Itália, há um movimento “5 Estrelas (M5S)” que vem condicionando a política europeísta italiana – venceu, recentemente, duas importantes eleições autárquicas (Roma e Turim) e já tinha sido um dos principais vencedores das eleições parlamentares italianas – apela à ruptura política do actual “political stablishment” quer em Itália, quer com a União Europeia – a Itália para os italianos e o estabelecimento da “democracia directa”, incluindo via Internet. Recorde-se que a Grécia, com a eleição do movimento Syriza, foi o primeiro país da União Europeia a contestar, fortemente – ainda que tenha vindo a recuar nesta sua posição – as políticas europeístas de Bruxelas, Estrasburgo e Frankfurt.

Veremos o que terá ditado o dia de ontem e como este decidirá sobre domingo! Não esqueçamos que uma vitória do “Leave” – Brexit – poderá (terá) ter impacto na nossa economia e no modo de vida de uns quantos de nós.

2. Uma vez mais, a quinta desde 2007/2008, o Prémio MO Ibrahim, que celebra a boa governação dos Chefes de Estado ou de Governo, ficou sem laureado. A Comissão do Prémio, entidade independente liderada pelo antigo secretário-geral da então Organização da Unidade Africana (OUA, hoje, a União Africana), o tanzaniano Salim Ahmed Salim, que indica os laureados, declarou que não foi seleccionado qualquer vencedor.

O prémio, instituído pela Mo Ibrahim Foudation, e indicado pela referida Comissão independente, só foi entregue em quatro anos (2007, 2008, 2011 e 2014), sendo os laureados o antigo presidente moçambicano Joaquim Chissano (de 1986 a 2005), em 2007 – neste ano e em ex-áqueo foi contemplado a título honorário Nelson Mandela; em 2008, o antigo presidente do Botswana (1998-2008), Festus Gontebanye Mogae, em 2011 o antigo presidente de Cabo Verde (2001-2010), Pedro Pires; e em 2014, o também antigo presidente da Namíbia (2005-2015), Hifikepunye Pohamba.

Resumindo, desde 2006, ano quando foi instituído o prémio de Boa Governação, que só foram laureados Chefes de Estado, o que mostra que a governação no continente africano é, essencialmente, presidencialista e que parece haver indicação de poucos bons governantes.

Ora, segundo a Fundação e o seu mentor Mo ibrahim, reconhece que os critérios de selecção são muito elevados e por isso não se surpreende com esta decisão.

Como o próprio Mo Ibrahim salienta quando ele a sua Fundação apresentaram, há dez anos, o Prémio, estabeleceram “deliberadamente uma fasquia muito elevada. Pretendemos que o prémio distinga capacidades de liderança excecionais, que gerem figuras modelares para toda a sociedade e apoiem os laureados para que continuem a servir o continente, partilhando a sua sabedoria e experiência”.

Recorde-se que o Prémio é concedido aos Chefes de Estado e de Governos que, nos últimos três anos cessaram as suas funções e que tenham sido “democraticamente eleitos e cumprido o seu mandato constitucionalmente atribuído”. Recorde-se que o prémio ascende a 5 milhões de dólares norte-americanos, sendo este valor distribuído ao longo de 10 anos, ao fim dos quais, o laureado, recebe uma subvenção vitalícia de 200 mil dólares norte-americanos.

A Comissão do Prémio já começou a considerar os candidatos ao Prémio Mo Ibrahim de 2016, acreditando, pessoalmente que o cessante Primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves poderá ser um dos potenciais vencedores, sendo, a confirmar-se esta previsão pessoal, o primeiro Chefe de Governo a ser laureado.

Veremos o que nos reservará a decisão da Comissão em 2017!

*Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, ed. 437 de 24-Junho-2016, secção “1º Caderno”, página 19.

*Eugénio Costa Almeida – Pululu - Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre em Relações Internacionais e Doutorado em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais -; nele poderão aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a actividade académica, social e associativa.

Alemanha vence Itália após 18 penaltis, mais um

A Alemanha qualificou-se, este sábado, para as meias-finais do Euro2016, ao bater a Itália após 18 penáltis. Acresce um, no tempo regulamentar, que valeu o empate que levou a Itália até ao prolongamento.

Alemanha apurou-se para as meias-finais do Euro2016 de futebol, ao eliminar a Itália no desempate por grandes penalidades, por 6-5, após uma igualdade a um golo no final do tempo regulamentar.

Em Bordéus, França, Mesut Ozil deu vantagem à Alemanha, aos 65 minutos, mas Leonardo Bonucci empatou aos 78 minutos, na marcação de uma grande penalidade.

No desempate por grandes penalidades, a equipa germânica marcou seis em nove tentativas, contra cinco da equipa transalpina, finalista vencida em 2012, defrontando nas meias-finais o vencedor do encontro entre a França e a Islândia.


Fonte: jn