segunda-feira, 3 de agosto de 2026

INESC Coimbra lidera projeto europeu de defesa com Inteligência Artificial para combater ameaças híbridas


O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESCC), uma unidade de I&D associada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), lidera o projeto SHIELD-EU, uma iniciativa de investigação que pretende desenvolver tecnologias de Inteligência Artificial para reforçar a capacidade de resposta a ameaças híbridas, como ciberataques, campanhas de desinformação e outras formas de interferência digital.

Coordenado por Jorge Sá Silva, docente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC e investigador do INESCC, o projeto visa desenvolver uma arquitetura de defesa inovadora baseada em Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial na Borda (Edge AI) e modelos cognitivos, emocionais e comportamentais, com o objetivo de reforçar a resiliência perante ameaças associadas à guerra híbrida.

Os conflitos atuais combinam frequentemente ciberataques, campanhas de desinformação, manipulação psicológica e outras formas de interferência digital, colocando novos desafios à segurança e à capacidade de resposta das organizações e das infraestruturas críticas. Neste contexto, o SHIELD-EU pretende desenvolver soluções tecnológicas centradas no ser humano, capazes de apoiar a tomada de decisão, melhorar a consciência situacional e aumentar a capacidade de resposta em ambientes complexos e de elevada pressão.

Uma das principais linhas de investigação do projeto passa pela utilização de tecnologias de Edge AI, que permitem processar informação crítica localmente, de forma mais rápida, segura e autónoma, reduzindo a dependência de infraestruturas centralizadas e aumentando a robustez operacional.

“O SHIELD-EU pretende colocar o conhecimento científico desenvolvido no INESCC e na FCTUC ao serviço da construção de infraestruturas digitais europeias mais resilientes e seguras, mantendo sempre o ser humano no centro do desenvolvimento tecnológico", destaca Jorge Sá Silva, coordenador do projeto.

O projeto SHIELD-EU é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do concurso DEFESA + CIÊNCIA: Projetos Exploratórios 2025.

O projeto conta com a colaboração da Força Aérea Portuguesa, que contribuirá para a validação das soluções desenvolvidas em cenários operacionais, aproximando a investigação científica das necessidades concretas do setor da defesa.

*Catarina Martinho
Assessoria de Imprensa
Universidade de Coimbra
Faculdade de Ciências e Tecnologia

Finalmente conheci a Capadócia (Wow!)

 

Olá Litoral,

Hoje escrevo sobre um destino maravilhoso que estava para conhecer há muitos, muitos anos: a Capadócia. Trata-se de um lugar único no mundo, uma paisagem viva e continuamente em transformação, que em 1985 valeu ao Parque Nacional de Göreme a classificação de Património Mundial pela UNESCO.

Foi uma viagem em família, com direito a passeio de balão e tudo — mas, mais do que partilhar adjetivos elogiosos, queria mesmo convidar à leitura destes artigos, que espelham na perfeição tudo o que vi, vivi e senti. Espero que goste.

Vale mesmo a pena visitar a Capadócia numa próxima oportunidade. Fica o convite. Esteja atento a eventuais promoções de voos e, qualquer dúvida, estou ao dispor para ajudar no que souber e puder.

De resto, continuo a receber mensagens sobre os tours de 7 dias em Marrocos e o circuito no Egito organizados pelo meu amigo João Leitão. Já escrevi que o verão não é a melhor altura para estes destinos, mas se só tiver disponibilidade agora não deixe passar a oportunidade.

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A terminar, deixo o habitual pedido para utilizar estes links ao planear as próximas viagens. Para si não faz diferença mas para mim é uma grande ajuda. Muito obrigado.

Grande abraço e boas viagens,

Filipe Morato Gomes

Opinião - A 1ª República gozada pelo povo

 "Um português, uma tristeza; dois portugueses, uma discussão; três portugueses, uma revolução."

A frase corria nos meios portugueses e estrangeiros durante a I República, sendo particularmente conhecida em Paris, onde a vida política portuguesa era acompanhada com atenção por diplomatas, jornalistas e intelectuais. Em poucas palavras, resumia uma imagem que se foi construindo sobre Portugal entre 1910 e 1926: a de um país onde o entusiasmo das grandes ideias rapidamente dava lugar à divisão, onde o debate político facilmente se transformava em conflito e onde as revoluções pareciam fazer parte da rotina nacional.
Mas esta não foi a única frase que ficou desse período. A própria expressão "Viva a República!", nascida como grito de esperança nas ruas de Lisboa em 1910, começou a mudar de significado à medida que os anos passavam. Aquilo que inicialmente representava a promessa de um novo Portugal passou, muitas vezes, a ser usado com ironia. Quando surgia uma nova crise política, quando um governo caía ou quando a situação económica piorava, o mesmo grito podia transformar-se numa crítica mordaz: "Viva a República!" já não era apenas entusiasmo; podia ser uma forma de dizer que algo estava profundamente errado.
Outra expressão que atravessou o tempo foi "Isto é uma República das bananas!". Hoje utilizada muitas vezes para significar confusão ou desordem, tem precisamente uma herança ligada ao ambiente político da época. O regime que prometera acabar com os vícios da monarquia era acusado pelos seus adversários de ter criado uma nova forma de instabilidade, marcada por sucessivos governos, lutas partidárias e confrontos entre diferentes correntes republicanas.
Também a sucessão de revoluções alimentou a sátira popular. A ideia de uma "República das revoluções" espalhou-se como uma crítica a um sistema político onde os conflitos militares e as mudanças de poder pareciam nunca terminar. Para muitos portugueses, o regime que nascera através de uma revolução parecia condenado a viver permanentemente em revolução.
A instabilidade governativa tornou-se igualmente motivo de humor. Entre os cafés, as ruas e os jornais satíricos multiplicavam-se as piadas sobre ministros que entravam e saíam rapidamente, sobre governos que duravam pouco tempo e sobre uma classe política mais preocupada com disputas internas do que com os problemas concretos do país.
Foi neste ambiente que se popularizaram frases como "a República prometeu muito e deu pouco", traduzindo a desilusão de uma parte da população que esperava melhorias imediatas na economia, na vida social e no funcionamento do Estado.
A caricatura tornou-se uma das grandes armas da crítica política. Jornais humorísticos como A Paródia, O Zé e Os Ridículos transformaram presidentes, ministros e deputados em personagens de um teatro nacional, onde a sátira revelava aquilo que muitos portugueses pensavam mas nem sempre diziam publicamente.
Contudo, a crítica popular à I República não deve ser confundida com a ausência de conquistas ou de ideias positivas. O período republicano foi também marcado por importantes debates sobre educação, cidadania e modernização do país. Mas os regimes políticos não vivem apenas das suas leis e dos seus discursos oficiais. Vivem também da memória que deixam nas ruas, nas conversas populares e nas frases que permanecem.
E a I República deixou uma curiosa herança linguística: um conjunto de expressões que mostram como um povo observava o poder através do humor.
"Um português, uma tristeza; dois portugueses, uma discussão; três portugueses, uma revolução."
"Viva a República!"
"Isto é uma República das bananas!"
Três frases diferentes, três momentos de uma mesma história: o entusiasmo inicial, o desencanto progressivo e a ironia final com que muitos portugueses passaram a olhar para o regime.
No fundo, a República foi também contada pelo povo. E, por vezes, a sátira revela tanto sobre uma época como os discursos dos seus próprios protagonistas.

*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor