sexta-feira, 23 de junho de 2017

Câmara de Albergaria-a-Velha aprova voto de pesar pelas vítimas dos incêndios

O Executivo de Albergaria-a-Velha aprovou ontem, em reunião de Câmara, um voto de pesar pelas vítimas dos incêndios que assolaram o Centro do País e um voto de louvor aos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha.

 No voto de pesar pelas vítimas dos incêndios, a Câmara Municipal solidariza-se com “as populações evacuadas, algumas delas despojadas de todos os seus bens, mas também pelas consequentes perdas materiais e ambientais”, transmitindo “a mais profunda solidariedade às famílias em luto”. O voto de pesar vai ser endereçado aos Municípios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra e Góis, enaltecendo ainda o esforço de todas as instituições e populares envolvidos.

O voto de louvor aprovado é dirigido à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergariaa-Velha, “pela pronta e eficaz ação de angariação de recursos destinados a apoiar as vítimas dos diversos incêndios ocorridos nos últimos dias”. O voto de louvor é endereçado à Direção da Associação Humanitária, ao Comando e ao Corpo de Bombeiros.

 Na mesma reunião, a Câmara Municipal deliberou ainda abrir um concurso público internacional para contratação da prestação de serviços de seguros para as diversas áreas municipais. O concurso tem o valor de 245 mil euros, com um prazo de um execução de 24 meses, com início previsto para janeiro de 2018.

Entretanto, na reunião do início de junho, no dia 7, o Executivo deliberou aprovar a alteração e atribuição de topónimos em diversas vias nas Freguesias Alquerubim, Branca e S. João de Loure e Frossos.

 Em Alquerubim, o topónimo da Rua Comendador João Correia de Melo é alterado para Rua da Ponte Velha, mantendo os mesmos limites. Na Freguesia da Branca, a Rua da Cabine é alterada para Rua João Tavares, mantendo os mesmos limites. Na Freguesia de S. João de Frossos são atribuídos os topónimos Rua Comendador Augusto Martins Pereira; Rua do Lousal; Rua do Sobreiral; Rua da Vidoeira; Rua da Cancelinha; Beco do Cabeço; Rua da Igreja; Rua do Outeiro; Rua do Vale da Vinha; Travessa do Vale da Vinha; Viela do Mendes; Rua Fortaleza Capital do Ceará; Rua do Ribeiro; Rua do Vale; Rua das Entre Casas; Travessa do Serém; Rua José Gonçalves de Pinho; Rua de São Paio; Rua das Poças; Rua Vale da Mulher; Rua do Alcaide; Rua Vale da Sancha; Viela da Azenha; Rua da Azenha; Rua do Vale do Mouro; Rua do Sonzo; Rua Vale da Cana; Rua Bairro Vale da Cana; Rua da Tomada; Viela do Vale da Cana; Rua São Bento José Labre; Rua dos Pescadores; Rua do Cubo; Rua da Arrota; Rua do Barreiro; Beco do Aido Pinho; Rua Vale da Magra; Rua da Carvalha; Viela da Cancelinha; Viela da Arrota Velha; Viela da Igreja; Viela da Arrota; Calçada do Alto do Castanheiro; Viela do Alcaide; Rua da Boiça; Viela do Vale do Mouro; Viela do Lagar do Azeite; Beco do Outeiro; Travessa do Vale; Viela do Outeiro; Viela do Beira-Vouga. Todos estas vias situam-se em Frossos. Os processos de alteração e atribuição de topónimos estão disponíveis para consulta nos Paços do Município e nas respetivas juntas de freguesia.

Sistema de Controle ou o Despertar: Qual Ganhará ?

Neste momento crucial da história, a era do nosso despertar através da verdade e da transparência, nunca foi mais incrível estar vivo. Alguns de nós sabemos que as apostas são importantes na luta pela nossa liberdade: de um lado, temos um sistema de controle parasita cada vez mais destrutivo. Uma máquina bem ajustada, projetada friamente pela elite governante e associados, para ferrar todo o mundo com seus paradigmas falsos e limitantes. Por outro lado, estamos passando por um despertar em massa de mudanças na consciência com o potencial de cocriar um planeta totalmente diferente.

Então, qual ganhará, o sistema de controle da elite governante ou o nosso despertar ? Uma questão aberta que poderia fornecer muitas respostas diferentes, mas aqui está a minha resposta, do ponto de vista do coração.

O Sistema de Controle

Tudo é energia. Todos os aspectos do sistema de controle parasitário servem para destruir a energia do nosso coração. Isso serve para nos desconectar da nossa poderosa inteligência intuitiva do coração. Simplificando, a elite governante quer que nós sejamos como eles, sem coração.
Eles tentam nos programar e fazer lavagem cerebral para acreditarmos em suas mentiras, para não lembrarmos do nosso poder e demonstrarmos nossa falta de compaixão um com o outro. Tomemos, por exemplo, o caso de lutar em suas guerras fabricadas secretamente através de mentiras e que buscam tão somente poder, lucro e ganhos políticos. Nestas guerras intermináveis, o único inimigo real, o único “nós contra “eles” somos nós a humanidade contra eles “a elite governante”, tudo o mais é meramente uma ilusão.
O mesmo pode ser dito sobre outros conflitos fabricados secretamente, como aqueles que envolvem distúrbios civis, divergências religiosas, conflitos raciais e os despojos da ruptura econômica causada por eles…
Do berço ao túmulo, a nossa energia cardíaca intuitiva recebe marteladas de um currículo do sistema educacional emburrecedor e profundamente sufocante, em seguida a massificação continua no local de trabalho: em ambos os casos, fomos programados e lobotomizados por culpa dos sistemas de adoração, auto atendimento corporativo/bancário, como aquele consumista “que morre com a maioria dos brinquedos que ganha” e a “sobrevivência do mais apto”, que tomou as atitudes que o sistema ensinou.
Ainda existe a mídia convencional controlada pela elite governante. O entretenimento é um arrastão: a mídia convencional é projetada para afetar o nosso comportamento, depois de assistir horas intermináveis de TV/filmes onde as pessoas se tratam de forma horrivel, é uma forma de programar para nos tornarmos insensíveis. Não se esqueça das falsas notícias que induzem o medo. Vendendo falso terrorismo patrocinado secretamente pelos próprios governos com seus demônios externos ou falsos bichos-papões…

Ocultismo

Outro ataque ao coração existe sob a forma de ocultismo. A elite governante se encontra secretamente em salas ditas terem a geometria/simetria correta para conduzirem seus rituais de energia negativa ou simbolismo oculto como, por exemplo, os logotipos das corporações são projetados para ter efeitos contraproducentes na humanidade, afetando nossa psique e o campo morfogenético.

Transhumanismo

Nossas qualidades humanas estão seriamente ameaçadas pela agenda do transhumanismo. Com o uso de suas tecnologias, como a nanotecnologia, engenharia genética, drogas farmacêuticas, robótica e biônica… ditas para nos “melhorar”, corremos o risco de perder a conectividade do nosso coração e ficarmos incapazes de fazer qualquer coisa contra o controle do sistema da elite dominante.

Terra e a Nossa Desconexão Energética

As energias do nosso coração se estendem em uma conexão energética com a Terra. A elite governante está destruindo a energia do coração poluindo a Terra, o ar, a comida e a água através da geoengenharia, perfurações, poluição química, radiação, modificação genética… enquanto aceitamos passivamente.
Os protestos feitos contra a instalação de um oleoduto em Standing Rock, Dakota foi um apoio a energia do coração: Aqui nós tivemos uma situação em que, de um lado, havia manifestantes protegendo um pedaço de Terra como uma entidade viva sagrada, ofertada por Deus, fornecendo solo fértil e água fresca… Do outro lado, havia uma série de indivíduos sem coração. Políticos corruptos que representavam as corporações dirigidas pela ganância, pelo excesso de poder e uma força policial violenta, militarizada, que só precisava lidar com manifestantes pacíficos.

Nosso Despertar

Nessa era da verdade e transparência, em nosso despertar, precisamos escolher o caminho do “serviço aos outros”, mais do que nunca, precisamos demonstrar gratidão, compaixão, empatia, generosidade, bondade e cuidado uns com os outros, como forma de permanecermos conectados com o coração.
Ao buscar a auto aceitação, encontrar a paz dentro de nós mesmos, permanecemos no coração, um lugar onde o sistema de controle parasitário não consegue encontrar uma maneira de se anexar para usá-lo.
Não só para a nossa sobrevivência e apoio uns aos outros, mas também para a nossa transformação, eu sempre acreditei que a resposta reside na formação de comunidades locais. Cada comunidade deve ter unidade, auto suficiência e discernimento para sobreviver e prosperar. Uma vida baseada na comunidade que se concentra em uma distribuição uniforme de riqueza ao invés de concentrá-la nas mãos de alguns poucos…
Precisamos redefinir o sistema educacional com teoria e prática que vai além do paradigma atual. Além da abertura, precisamos demonstrar mais honestidade e integridade em nossas abordagens. Nós, como uma raça, estamos nesta bagunça essencialmente por aceitar cegamente o consenso geral das massas e as opiniões dos chamados especialistas, agora cabe a nós cocriarmos conscientemente o nosso caminho para fora disso. A consciência é a chave para a mudança mundial. É muito mais simples do que alguns podem imaginar. Vamos fazer essa mudança através do sentimento, pensamento e ação pelo coração.
Embora tenha traumatizado a consciência coletiva, foi preciso experimentar esta realidade atual para entender que precisamos transformá-la. Ela nos permitirá alinhar nossa intenção consciente de massa para criar uma nova experiência de paradigma, um mundo que faz a diferença para todos. Isso nos permitirá ter a profunda percepção de que eu sou você e você é eu, então por que mentir, trapacear e machucar ?

Em conclusão

Toda realidade, seja falsa ou real, se manifesta como uma consequência de onde estamos conscientemente em nossas vidas. Nosso despertar ganhará: a mudança na consciência de massa para a energia do coração trará a realidade manifestada necessária para vencer o sistema de controle.
Origem: wakingtimes
OBS: Com o objetivo de facilitar a leitura alguns dos links estão acionando a tradução do google, caso alguém deseja ver o texto original é só clicar no botão “original”.
Tradução e Divulgação: A Luz é Invencível ☼

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Mudanças nas declarações de acidentes de trabalho

O Governo aprovou, esta Quinta-feira, 22 de Junho, em Conselho de Ministros, regulamentação sobre a recolha, publicação e divulgação da informação estatística sobre acidentes de trabalho.Uma das novidades foi a aprovação de um modelo informático uniforme que os empregadores devem preencher quando fazem participações de acidentes de trabalho às seguradoras.
A justificação dada pelo Executivo para esta decisão tem a ver com a necessidade de “tornar mais eficiente o processo de produção de informação estatística sobre acidentes de trabalho, diminuindo custos e melhorando o tratamento dos dados”.
A informação estatística sobre acidentes de trabalho, cuja publicação anual é obrigatória segundo o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, é usada para estudos, concepção de programas e desenho de medidas preventivas.
No decorrer deste Conselho de Ministros foi criado um fundo de apoio à revitalização das áreas afectadas pelos incêndios ocorridos nos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. O fundo integrará verbas públicas e também privadas e terá uma gestão tripartida, presidida por um representante do Ministro da Solidariedade, e integrará um representante dos três municípios e um representante das associações de solidariedade destes três concelhos.
Fonte: O Algarve

Morreu o economista Miguel Beleza

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O economista Miguel Beleza, ministro das Finanças do XI Governo Constitucional liderado por Cavaco Silva, morreu em Lisboa aos 67 anos.De acordo com fonte próxima da família, citada pela agência Lusa, Miguel Beleza foi vítima de paragem cardiorrespiratória.
Miguel Beleza, além de Ministro das Finanças em 1991, foi depois Governador do Banco de Portugal (1992-1994).
No Banco de Portugal foi também Técnico Assessor e Técnico Consultor (1979-87) e Administrador (1987-90) Economista. Foi ainda membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal.
Professor Catedrático, Economista do FMI (1984-87), Consultor e Diretor da Revista Economia da Universidade Católica Portuguesa.
O antigo colega de governo, Silva Peneda (ministro do Emprego quando Miguel Beleza ocupava a pasta das Finanças) foi apanhado de surpresa com a notícia e diz guardar uma "boa recordação" deste "homem educado".

Fonte: TSF/Lusa
Foto: Diana Quintela / Global Imagens

Macroscópio – Tempo de não fugir mais à discussão. Em nome dos que morreram.


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Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher
Boa noite!
 
 
A temperatura baixou, o fogo extinguiu-se, nas fotografias de satélite pintou-se uma enorme mancha negra que ocupa boa parte dos concelhos de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, entrando também por Góis e por Castanheira de Pera. Mais do que a dimensão dessa cicatriz, oque esta tragédia nos retirou foram 64 vidas, uma tragédia humana sem paralelo. Por isso o silêncio que ainda era dominante nos primeiros dias foi sendo substituído pela discussão aberta. Este Macroscópio centrar-se-á por isso mais nessa discussão, incluindo apenas algumas referências a trabalhos jornalísticos que procuram responder a algumas das questões que têm vindo a ser debatidas e deixando de lado as muitas (e boas) reportagens publicadas pela generalidade dos órgãos de informação, retratos pungentes do que se viveu naquelas terrar que, mesmo não sendo assim tão distantes, estão esquecidas e há muito abandonadas.
 
Começo pelos trabalhos jornalísticos, e entre estes pelas 29 perguntas que já têm (algumas) respostas, um levantamento em permanente actualização do Observador. Sobre o que se passou com o SIRESP, hoje e no passado, remeto para o trabalho de Paulo Pena no Público – A história de uma parceria público-privada que custou mais do que parece merecer – e para o Explicador do Observador, Como funciona este sistema de emergência que falha nas catástrofes?
 
No que diz respeito a entrevistas, destaco mais uma, a do Público/Renascença a António Salgueiro, antigo dirigente do Grupo de Análise e Uso do Fogo e um dos maiores especialistas nacionais em fogos florestais. O nosso sistema está manipulado para “promover corporativismos”, diz especialista em fogos florestais é um testemunho forte onde se considera que em Pedrógão Grande houve uma enorme descoordenação da protecção civil. Mais: o que ali aconteceu revela bem como temos um sistema de defesa contra incêndios mal desenhado, que resiete a mudanças e se baseia numa protecção civil corporativista, algo que intimida até os políticos.
 

Passemos agora a um conjunto de textos que procuram debater o que se passou e as políticas de protecção (ou desprotecção) da floresta.
  • Como passámos a ter estradas onde corremos o risco de ser incinerados, de Jorge Paiva no Público é especialmente interessante por este biólogo nos contar como evoluiu o coberto vegetal em Portugal e como hoje estamos na situação em que estamos. De resto insiste nalguns dos pontos mais falados por estes dias: “Apesar de andar a alertar para as causas dos piroverões anuais que acontecem há cerca de quatro dezenas de anos e como se pode resolver o problema, os governos sucessivos que temos tido, não só nada fizeram, como também têm sido colaboracionistas na florestação mono-específica, contínua e contígua, sem o mínimo de ordenamento e regras.
  • 99% de sucesso. 64 mortos. É isto que queremos?, um texto meu no Observador que parte da entrevista do primeiro-ministro à TVI para contestar a prioridade que tem sido dada à chamada “primeira intervenção”, com a ilusão de que assim se evitam as catástrofes maiores. Contudo basta um falha para um fogo escapar ao controlo e tudo correr mal, como se viu em Pedrógão mas já se tinha visto antes, no terrível Verão de 2003, “o pior ano de incêndios em Portugal, quando arderam 440 mil hectares. Nesse ano houve sensivelmente 20 mil “ignições”, sendo que em 19.800 (ou seja, em 99% delas) arderam menos de 100 hectares. O problema esteve no 1% que escapou ao controle: nesses 200 fogos desapareceram 400 mil hectares.” Também no sábado o sistema dominou com facilidade 154 dos 156 fogos detectados, mas sabemos o que aconteceu nos outros dois.
  • Sobre a morte do país rural, de Pedro Ferros no jornal i, é um dos vários textos que chamam a atenção para como mudámos de país sem termos sabido encontrar as necessárias novas políticas: “O país mudou a sua demografia, e enquanto não se perceber que o País mudado precisa de uma nova lógica coerente e efectiva para o mundo rural que foi abandonado e desertificado, só nos restará ir ardendo… e desejar paz eterna à alma das vítimas deste país adiado.”
  • Mudar a narrativa sobre os bombeiros, de Henrique Raposo no Expresso Diário (paywall), trata de abordar um dos temas tabu nestes debates, e tema tabu pois ninguém se atreve a contestar a contestar a prioridade dada aos bombeiros voluntários no sistema de protecção civil em dias onde estes arriscam as suas vidas (e por vezes até as sacrificam). Contudo “Não podemos continuar nesta glorificação dos mártires que são os bombeiros voluntários. Queremos milhares de bombeiros amadores, romantizados, martirizados e que perdem a guerra todos os anos ou queremos centenas de bombeiros profissionais e vencedores da tal guerra dos verões?”
  • Desculpa, Pedrógão Grande, de Helena Garrido no Observador, uma crónica sentida sobre o mesmo tema: “Portugal está desagregado e desorganizado. Temos dois países, um deles cada vez mais abandonado porque não dá votos, porque há uns que são mais iguais que outros.
  • Um problema de segurança nacional, de Viriato Soromenho Marques no Diário de Notícias, onde se evocam algumas figuras grandes da conservação da natureza em Portugal para sublinhar que “Tanto em 1815 como em 1971, os nossos melhores sabiam que a gestão da natureza e o ordenamento do território - fundamentais para uma nação que não queira desaguar num deserto - implicam fortes políticas públicas, intensivas em conhecimento, trabalho e capital.” Já hoje “Os interesses mesquinhos paralisam a capacidade de decisão.” 
  • No meu país, em 2017, não devia acontecer, de António Galamba de novo no jornal i, onde este recorda que “O próprio Estado é laxista na preservação das suas propriedades, não dá o exemplo, mas isso é fraca desculpa para que cada um não faça o mínimo que lhe é acometido como obrigação para com a comunidade: não ampliar os riscos existentes.”
  • Quatro dilemas pós Pedrógão, de Luis Rochartre Álvares no Observador, uma reflexão de um engenheiro florestal que, depois de dar algumas sugestões sobre como é importante actuar de forma ponderada e avisada na legislação que se viera produzir, se conclui que “O momento que vivemos é um dos momentos definidores em que capítulo da história vão constar os actuais protagonistas políticos e técnicos do nosso País. Vão conscientemente assumir a importância histórica e a necessidade de se transformarem as políticas vigentes até à data ou vão reagir a uma agenda imediata deixando passar ao lado a suas responsabilidades de pensarem um País melhor no futuro e não uma agenda político-mediática tranquila nas próximas semanas.”
  • Ainda há o direito a ser da aldeia?, de Henrique Monteiro no Expresso Diário, um outra regresso ao tema do mundo rural onde se defende que não podemos pura e simplesmente tirar de lá as pessoas para depois elas não morrerem. Temos é de nos lembrar que “Quem é lesto a ceder a reivindicações várias (e refiro-me a muitas décadas), que grita contra as injustiças flagrantes, raramente – qual raramente, posso dizer nunca! – se recorda destes cidadãos que persistem no interior do país, amanhando a horta, o gado ou a resina.”
 
Passando a uma frente mais política – porque começa a existir discussão política e os partidos também quebraram o seu silencia inicial – eis alguns textos mais acutilantes:
  • Peçam desculpa!, de Rui Ramos, onde se exige ao Presidente e ao primeiro-ministro que, ao menos, coloquem os olhos no exemplo da primeira-ministra britânica, que já pediu desculpa pelo que sucedeu no terrível fogo numa torre de habitação social de Londres: “O Estado fracassou em Portugal nas suas funções mais básicas. Agora, não podemos passar da tragédia à farsa. Todos sabemos que os inquéritos, como todos os inquéritos, não vão apurar nada. (...) O reconhecimento da responsabilidade constituiria talvez, dados os precedentes, a única mudança possível (...) Sr. Presidente? Sr. Primeiro-Ministro? Vão ter coragem de pedir desculpa, em nome do Estado, pelas vidas perdidas, pelas famílias destruídas, pelas comunidades atormentadas enquanto os senhores ocupavam os primeiros lugares do Estado?
  • A conta, onde Helena Matos, também no Observador, discute o silêncio dos parceiros da geringonça, o Bloco e o PCP. E defende que é um silêncio que terá um preço: “Nos próximos tempos assistiremos a um reajustamento das forças: PCP e BE quererão ser ressarcidos dos danos de imagem que sofreram em Pedrogão e António Costa precisa de retornar urgentemente a narrativa do sucesso porque só ela o legitima e porque só ela lhe permite controlar a agenda, as perguntas e os factos com que é confrontado. Quando perde esse controlo, quando deixa de estar entre jornalismo amigo, Costa revela-se um político frágil e mal preparado.”
  • Um escândalo chamado SIRESP, de João Miguel Tavares no Público, é um texto onde se recordam todos os fracassos associados a esse sistema e se conclui, sem papas na língua: “Em 2005, o ministro da Administração Interna Daniel Sanches – que trabalhava para a SLN antes de integrar o governo – e o ministro das Finanças Bagão Félix adjudicaram o negócio por mais de 500 milhões de euros, três dias depois de Pedro Santana Lopes perder as eleições para José Sócrates. Num primeiro momento, António Costa, ministro da Administração Interna de Sócrates, travou a adjudicação, mas acabou por fechar o negócio por 458 milhões. (...) Acham mesmo que esta tragédia não tem implicações políticas? Claro que tem. E não são poucas.”
  • Uma culpa com muitos maridos, de Daniel Oliveira no Expresso Diário (paywall), é um texto relativamente defensivo, depois de outros textos onde o cronista já escrevera que todos somos culpados e até fazia a sua autocrítica por também ele não ter dado a importância que devia ter dado aos problemas da floresta, Contudo, defende, “Uma coisa é não querer que a culpa morra solteira outra é casá-la com quem teve o azar de estar de turno no dia do incêndio. Não vejo como é que alguém, com os poucos dados existentes, se sente à vontade para identificar responsáveis políticos e demiti-los.”
  • O resto é paisagem... e cinza, de Rafael Barbosa no Jornal de Notícias, é uma crónica que não se desvia muito desta orientação: “No escasso tempo ocupado a discutir esta realidade, houve um deputado do PSD (Jorge Paulo Oliveira) que fez uma boa síntese do país que temos e de quem são os culpados. "Digo e repito, falhámos todos. Falharam os partidos que passaram pelo Governo, falharam os partidos na Oposição. É um falhanço de todo o país." É uma explicação longínqua. Não se vislumbra um culpado. Mas, se não nos consola perante a tragédia de Pedrógão Grande, devia pelo menos pôr-nos a pensar.” 

Para além do debate mais político está também a iniciar-se um debate económico, sendo que os economistas, sem serem especialistas em florestas, sabem que a economia florestal tem de ter sustentabilidade económica para que os nossos motes não fiquem ao abandono. A questão é saber como. É curioso ver como mesmo economistas liberais falam de falhas de mercado e da eventual necessidade de subsídios:
  • Falhas do Estado nos incêndios, de Pedro Braz Teixeira no jornal Eco, onde se vai directo ao assunto: “Das duas, uma: ou se criam condições de rentabilização dos terrenos actualmente abandonados ou tem que ser o Estado a fazer a sua limpeza.”
  • Sem palavras, de Luís Aguiar-Conraria no Observador, é ainda mais directo: “Se a sociedade valoriza as florestas, mas o mercado não remunera os serviços florestais, estamos perante uma falha de mercado que deve ser paga com os nossos subsídios. Alternativamente, se, enquanto sociedade, não estamos dispostos a pagar o que for necessário para manter a floresta, mais vale reduzir a área florestal portuguesa. Poupam-se vidas e dinheiro a combater incêndios.”
  • Os mortos são um pormenor, de Maria João Marques também no Observador, é uma crónica que, depois de uma incursão muito interessante pelo passado onde nos recorda como em catástrofes anteriores os regimes tentaram apresentar como “fatalidades” desastres que poderiam ter evitados ou pelo menos mitigados, prefere criticar os que já estão a pedir mais e mais Estado: “Já houve quem aventasse outra culpada aceitável: a propriedade privada da floresta. Bem como a necessidade de nacionalização das terras para as manter, em propriedade pública, limpas. Já estão a gargalhar, certo? O Estado – que tem estradas e ruas com buracos, hospitais e escolas decrépitas, património histórico em degradação, e por aí adiante – não se vê cristalinamente que vai manter florestas limpas?
 
Estou a chegar ao fim de mais um longo Macroscópio mas não posso terminar sem duas notas mais jornalísticas, a primeira das quais para a curiosa discussão (gostava de usar outra expressão, mas coibo-me) sobre se os jornalistas devem ou não fazer perguntas. O director do Diário de Notícias, Paulo Baldaia, acha que ainda não: em Para que servem as perguntas? defende que “Há momentos em que é preciso saber esperar para ter as respostas para as perguntas que fazemos”. O director do Público, David Dinis, pensa naturalmente o contrário, como escreve em A diferença que faz fazer perguntas: “Quero tanto as respostas para estes porquês que ficaria feliz se fosse a concorrência a chegar a elas. Porque isto não é sobre nós. É sobre eles.” Curiosamente foi no DN que, na coluna de opinião de um outro jornalista, saiu uma listagens mais exaustivas das perguntas a fazer. Falo da crónica As perguntas matam como o fogo?, de Pedro Tadeu, para quem “Não, não podemos parar de fazer perguntas, muitas perguntas.” Entretanto o debate fervilha nas redes sociais, mas isso são coisas mais da nossa intendência como jornalistas que se conhecem demasiado bem uns aos outros.
 
Assim, e como nota final mais clara de como pode ser apaixonante a nossa profissão, volto a citar uma crónica, um relato na primeira pessoa, de um jornalista que tem vivido estes dias naquele inferno. Não disse à minha mãe que estou sempre quase a chorar é um belo texto de José Miguel Gaspar, do Jornal de Notícias, notável sobretudo pela sua sinceridade: “O telefonema foi curtinho, isso é anormal, muitas vezes falamos meias horas, é sempre à noite, quando eu chego tarde para jantar, quando chego cedo ela espanta--se, mas ontem não, não conseguia, não lhe disse mais nada, não lhe disse, claro que não, que ando aqui sempre quase a chorar, mas não é por mim, mãe, eu estou bem, é por eles, mãe, ninguém merece morrer assim, mãe, tantas pessoas que morreram a arder.”
 
E pronto. É tarde, estendi-me demais, mas o tema exigia-o. Até amanhã.
 
 
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