domingo, 9 de julho de 2017

CNE manda Câmara de Vila Real de Santo António retirar propaganda

A Comissão Nacional de Eleições deu provimento à queixa apresentada pela candidata bloquista. A Câmara tem 48 horas para retirar os outdoors e cartazes de propaganda à sua gestão.


Propaganda camarária colocada ao lado do outdoor da candidata e atual vice-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António.


Em Vila Real de Santo António, multiplicaram-se os cartazes e outdoors de propaganda camarária nos últimos meses. Alguns foram mesmo estrategicamente colocados ao lado dos da candidata da atual maioria PSD, São Cabrita. A decisão da CNE divulgada esta sexta-feira ordena ao Presidente da Câmara Municipal que retire os outdoors no prazo de 48 horas, por violação dos deveres de neutralidade e imparcialidade.
Para Celeste Santos, candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Vila Real de Santo António, o surgimento  destes cartazes foi visto como “propaganda eleitoral antes de tempo” paga com o dinheiro dos munícipes. Por essa razão, apresentou queixa em meados de junho à Comissão Nacional de Eleições (CNE) por “violação dos deveres de imparcialidade e neutralidade” da autarquia.
Notificado para dar explicações à CNE, o executivo camarário respondeu através da vice-presidente e candidata, argumentando que tinha colocado os outdoors de propaganda antes da data do decreto que convoca as eleições e julgando assim estar isento do cumprimento da lei. 
“Vamos aguardar o cumprimento da decisão”, reagiu a candidata bloquista Celeste Santos, classificando a deliberação da CNE como “uma grande vitória sobre a prepotência instalada nesta Câmara”.

“Assistimos a uma captura do património cultural pelo imobiliário”

No Colóquio de Políticas Públicas do Património Cultural, organizado pelo Bloco de Esquerda esta sexta-feira na Assembleia da República, a preocupação com a degradação das políticas públicas foi transversal a todos os oradores.

"Corremos o risco de condenar o património em Portugal a uma de duas opções: ou Disney ou abandono".
Na apresentação do colóquio, Catarina Martins abriu a iniciativa abordando os problemas, velhos e novos, com que se depara o sector.
Na Cultura “há um problema de base que o Bloco de Esquerda deve assumir”, começou por dizer. Um problema “político” que é o facto de as “posições conjuntas não abordarem estas matérias”.
“Não especificámos objetivos em matéria onde haveria, aparentemente, algum entendimento”, algo que, “somos obrigados hoje a reconhecer, não existia”. Como resultado, explica,”não foi possível até agora plasmar em orçamentos de estado, e portanto, nas opções políticas do governo, um investimento maior na Cultura.”
Falou depois de dois problemas “novos, e dois problemas velhos” nas políticas públicas do património.
Um problema novo, diz, é "a enorme pressão do turismo sobre o património. Não entendemos que o turismo seja negativo para o património, mas se não encararmos os desafios que o turismo traz para o património, estamos mal."
"Quando falo de desafios não falo apenas dos desafios inerentes ao desgaste do património apenas por ter mais visitantes. Falo também dos interesses imobiliários e especulativos o património", continuou.
"Não por acaso o programa Revive foi desenhado como foi. Há uma enorme pressão, não só da administração central mas também das autarquias para que se permitam todo o tipo de negócios com o património", relembrou.
"Este problema novo junta-se a outro problema também novo: nunca os serviços  estiveram tão fragilizados. Nunca houve tão poucos técnicos com tantos dossiers. Nunca foi tão difícil acompanhar as questões do património como hoje. Sente-se hoje como nunca se sentiu o depauperamento dos serviços face às exigências crescentes."
Isto acontece “em cima dos problemas de sempre”, continua Catarina Martins. Em primeiro lugar, para lá do problema orçamental, o “problema da própria tutela do património”. Especificamente, “a forma como foi desmantelada e como o parecer técnico foi deslegitimizado no processo de decisão do Estado”, algo que acarreta “enormes riscos”.
E depois o problema antigo de não se pensar o património com as comunidades. “Continua a existir uma visão do património como se ele existisse para lá das populações. Não existe programas de uso, de proximidade e envolvimento com as comunidades.”
"Precisamos de outra visão que inclua o diálogo com as populações", concluiu.
"Corremos o risco de condenar o património em Portugal a uma de duas opções: ou Disney ou abandono". Ou seja, na confluência dos novos e velhos problemas, o que se está a criar é uma “conservação artificial do património”, r”ecuperado para o visitante de fora, interessante do ponto de vista da receita mas destrutivo a longo prazo, porque corta a relação com as populações” e, em alternativa, apenas o abandono."
“Assistimos a uma captura do património pelo imobiliário”
Maria Ramalho, Presidente do Conselho de Administração da Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS do ICOMOS, começou por perguntar “o que resta hoje de políticas públicas”?
“Não é exagero da minha parte dizer que está em curso um mega processo de alienação, de deterioração do património cultural muito fruto da desconstrução das políticas públicas de proteção dos monumentos e paisagens”, disse.
“Muitas pessoas querem agir mas não sabem como”, continuou. “Temos de pensar nisto como um fenómeno da globalização, hegemónico”. E “o que sentimos no património é que, se não tem valor para economia não tem existência real”.
“As principais vítimas deste fenómeno", diz, são as cidades históricas face ao turismo de massas.
Lisboa e Porto neste momento são as cidades na mira. Portugal está refém do investimento imobiliário “salvífico”, que impõe “legislação facilitadora no que respeita ao património, que desregula as instituições de proteção do património, que pulveriza a tutela técnica sobre o património e, de facto, assistimos a uma captura do património pelo imobiliário”.
E denunciou as “estratégias de reabilitação urbana, que se apropria de um vocabulário positivo para o património, afunilando esforços e milhões de fundos europeus em reabilitações falsas” de empresas do imobiliário”.
“90% dos arqueólogos trabalham em regime precário”
Jacinta Bugalhão, arqueóloga da Direção-Geral do Património Cultural, denunciou as sucessivas reorganizações orgânicas nos últimos quinze anos, “alheias a qualquer avaliação das próprias reformas e, sobretudo, alheias a qualquer ideia sobre o património”.
Especificamente sobre o setor da arqueologia, relembrou que as funções do Estado, de regulação, fiscalização e licenciamento, estão dependentes do bom funcionamento dos serviços de arqueologia garantidos pelo tecido empresarial do setor, um setor “muito frágil”, indica.
Das 27 empresas em atividade, apenas cinco têm uma estrutura robusta. O que indicia um dos maiores problemas do setor: “​A situação dos arqueólogos em Portugal em termos de condições de trabalho é dramática”, avisa. “A gigantesca maioria dos arqueólogos - existem hoje cerca de 1000 a 1200 arqueólogos no ativo, dos quais pelo menso 90% trabalham em regime precário.”
“Hoje não há estratégia na arqueologia”, avisa, apontando para processos de desregulação a favor das pressões imobiliárias. Por isso, pede a criação de “um organismo especializado com tutela da arqueologia”, com uma hierarquia e processos de decisão claros que garanta o “bom funcionamento do modelo de arqueologia em Portugal”.
“Haver ou não haver Ministro revelou-se irrelevante”
“Vivemos num momento de total esquizofrenia no sector”, começa por dizer Raquel Henriques da Silva, Professora Universitária e ex-diretora do Instituto Português de Museus de 1997 a 2002. E justifica a afirmação: “nunca tivemos pessoal tão preparado e nunca fomos tão mal tratados”, disse. “O desnível entre a nossa capacidade técnico-científica e a incapacidade em transformarmos isso em capacidade política e financiamento.”
E compara com o setor da Ciência onde, apesar dos altos e baixos, "existe um investimento continuado que não se regista na Cultura". Além disso, se a precariedade é um problema na investigação científica, nas “humanidades é um flagelo”.
“A cultura está completamente fora do financiamento europeu a não ser em programas de outros setores, que não têm como prioridade o investimento na Cultura”, denuncia.
Apesar do cenário, “continua-se a trabalhar espantosamente bem nos museus. E o que é extraordinário é ver que, quase sem técnicos, quase sem equipas, com falta de financiamento total, continua a ter um nível de atividade muito acima do que seria expectável.”
“Estou-me nas tintas se temos Ministro ou Secretário de Estado da Cultura, porque é igual, claramente irrelevante, existir um Ministro da Cultura sem peso político”, disse.
E revelou que “vai mesmo haver um novo organismo que vai dirigir os museus e património. A ser anunciado em setembro.” Mas, avisa, é “indiferente” existir o novo organismo porque “as questões fundamentais vão manter-se inalteradas. É escandaloso os orçamentos da cultura continuarem como estão”, declarou.
E em segundo lugar,  relembrou a “saída maciça dos técnicos superiores que se reformam e não são substituídos. Não deve haver em portugal nenhum sector da administração pública onde a não substituição dos quadros seja tão radical. Porque é total. Ninguém entra há pelo menos quinze anos.”
"A ausência de estratégia de reinvestimento na Cultura é aflitiva"
Jorge Campos, deputado do Bloco de Esquerda, criticou a ausência de uma estratégia de reinvestimento na Cultura. "Vamos fazer dois anos de governo do Partido Socialista, e a ausência de uma estratégia de reinvestimento na Cultura é aflitiva", sublinhou. 
Além disso, "iniciativas como o Programa Revive não só não ajudam a uma recuperação dos serviços de estado como aprofundam a desestruturação da tutela técnica a favor de um aparelho de ajuda aos interesses do imobiliário, algo absolutamente perverso", acrescentou Jorge Campos. 

Iniciativa pela proibição do glifosato na UE reuniu 1.3 milhões de assinaturas


A Iniciativa de Cidadania Europeia contra o glifosato foi a mais rápida desde que se criou este mecanismo de participação, alcançando o objetivo em apenas cinco meses.

Em toda a União Europeia, 1.320.517 pessoas assinaram a Iniciativa de Cidadania Europeia que pede a proibição do herbicida glifosato e exige também que o processo europeu de autorização de pesticidas seja profundamente melhorado e ainda que se estabeleçam metas obrigatórias para a redução do uso de pesticidas na União Europeia.
Segundo a Plataforma Transgénicos Fora, quase 10 mil portugueses assinaram a iniciativa. A Comissão Europeia é agora obrigada a responder às três solicitações dos peticionários, propondo medidas concretas, acrescenta o comunicado
(link is external)
. Com a entrega das assinaturas no dia 3 de julho, os promotores querem que Bruxelas responda às preocupações dos signatários antes que seja tomada uma decisão final sobre o prolongamento da autorização para o uso do glifosato na UE.

“A Comissão pretende reautorizar por mais 10 anos um herbicida que causa cancro em animais de laboratório, para além de induzir desregulação hormonal e malformações congénitas. O lucro privado não justifica o desprezo pela saúde pública e a ECI obriga Bruxelas a encarar os factos: os europeus não querem pesticidas em geral, nem o glifosato em particular”, afirmou o agrónomo Jorge Ferreira, da coordenação da Plataforma.
Alcançado o número necessário para a entrega da iniciativa, o novo objetivo dos promotores é chegar aos dois milhões de assinaturas, pelo que a iniciativa ainda pode ser subscrita aqui.

Paulo Mendes é o candidato do Bloco em Angra do Heroísmo

O coordenador do Bloco de Esquerda nos Açores apresentou a candidatura esta sexta-feira. Ricardo Toste encabeça a lista à Assembleia Municipal.


Apresentação da candidatura do Bloco em Angra do Heroísmo

Atrair mais gente para Angra do Heroísmo para dar mais vida à cidade é o objetivo de Paulo Mendes, coordenador do Bloco de Esquerda nos Açores, que apresentou hoje a sua candidatura à presidência da autarquia terceirense. Ricardo Toste é o cabeça-de-lista à Assembleia Municipal.
O primeiro passo para cumprir esta prioridade de dar vida à cidade e ao concelho de Angra do Heroísmo passa por uma política interventiva de habitação através da criação de uma bolsa municipal de arrendamento a preços controlados, constituída por edificado devoluto reabilitado, suportada, em parte, por um fundo de promoção de reabilitação.
“O poder autárquico não pode continuar a ter uma fé cega na capacidade auto-regulatória do mercado imobiliário que só tem servido para inflacionar o custo da habitação no centro e arredores da cidade”, disse Paulo Mendes.
O candidato dá especial atenção ao fenómeno do turismo, salientando que é fundamental “conciliar Angra do Heroísmo dos angrenses, e terceirenses, com uma atividade turística planeada e sustentável”, sem criar uma cidade “exclusivamente para turistas”. Por isso, o Bloco propõe a realização de um estudo para a avaliação do impacto do turismo no concelho e na cidade, com especial atenção para o seu centro histórico.
Integrar todos os precários que estão ao serviço da autarquia, e incluir nos cadernos de encargos relativos às adjudicações a obrigatoriedade de as empresas concorrentes não contarem com trabalhadores em condições contratuais precárias foi um dos compromissos assumidos por Paulo Mendes, porque “arregimentar beneficiários de programas ocupacionais para colmatar falta de pessoal nos serviços da autarquia não é fazer um favor aos desempregados do concelho, é explorá-los” e “substituir o salário por um subsídio ou uma bolsa não é dignificar o trabalho, mas sim retirar direitos”.
No que diz respeito ao Ambiente, a candidatura do Bloco entende que uma cidade com gente não pode dispensar as suas árvores, nem pode consentir que se espalhe glifosato na via pública. Neste sentido, Paulo Mendes compromete-se com a elaboração de um plano de arborização da cidade, e a implementação de medidas alternativas e seguras para combater as ervas espontâneas.
No seguimento de uma longa luta pela defesa dos direitos dos animais, a candidatura do Bloco à autarquia de Angra do Heroísmo defende o aumento da capacidade de alojamento do centro de recolha oficial e a esterilização e desparasitação de todos os animais recolhidos, bem como a sua identificação, apontando 2018 como o ano para a implementação de uma política  em que o abate de animais errantes passe a ser a exceção e não a regra.
Artigo publicado na página do Bloco de Esquerda/Açores.

G-20 despede-se da Europa com manifestação à porta

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Hamburgo, no final da reunião do G-20 que ficou marcada pelos confrontos da véspera e pela divisão sobre a política climática. Pelo menos até 2021, estas cimeiras não voltam à Europa.


Foto G20Demo/Twitter
A manifestação pacífica “Solidariedade Sem Fronteiras em vez do G-20” juntou 76 mil pessoas, segundo os organizadores. Apesar do caos instalado no centro da cidade nos últimos dias e da constante presença policial junto ao cortejo, a manifestação decorreu de forma festiva, com música e slogans contra o G-20 e o capitalismo e uma forte presença da comunidade curda.
“Quisemos trazer para as ruas a nossa crítica ao G-20 e as nossas alternativas para políticas globais mais justas”, disse Thomas Eberhardt-Koester, da coordenação da Attac, à agência Reuters.
Dentro da reunião, as negociações para encontrar um acordo sobre o comunicado final duraram até o fim da manhã, por causa da divergência aberta pelo anúncio de Donald Trump de que os EUA abandonam o acordo climático assinado em Paris.
A solução encontrada passou por incluir um parágrafo a reconhecer a posição dos EUA e outro a reafirmar o compromisso dos restantes 19 países reunidos em Hamburgo com o acordo de Paris, classificado como “irreversível”.
Merkel defende escolha de Hamburgo, agenda coloca próximas cimeiras longe da Europa
Na conferência de imprensa de encerramento, Angela Merkel respondeu ainda às críticas sobre a escolha daquela cidade para realizar a cimeira dos 20 países, apesar dos avisos acerca os riscos acrescidos de segurança. A primeira-ministra alemã defendeu a sua escolha, afirmando que não pode aceitar que haja sítios onde não se possam reunir aqueles chefes de Estado e de governo.
A cidade de Hamburgo viveu praticamente em estado de sítio nos últimos dias, com mais de 20 mil polícias e forças especiais ali colocados para impedir o acesso às zonas condicionadas pela cimeira. Apesar disso, os bloqueios atrasaram o programa de várias delegações e registaram-se confrontos violentos que provocaram centenas de feridos entre polícias, moradores e manifestantes.
Depois deste acolhimento na Alemanha, o G-20 decidiu sair da Europa pelo menos até 2021. As próximas cimeiras realizar-se-ão na Argentina em 2018, no Japão em 2019 e na Arábia Saudita em 2020.

“O CDS quer falar de tudo menos da floresta”

No encerramento do Fórum da Floresta, Catarina Martins afirmou que o país precisa “da coragem para mudar políticas” e acusou a direita de só falar em ”demissões e moções de censura para não ter de falar do que conta”.

8 de Julho, 2017 - 19:35h
Catarina Martins no Fórum da Floresta organizado pelo Bloco em Leiria. Foto Rui Miguel Pedrosa/Lusa
Catarina Martins falou no encerramento do Fórum da Floresta "Que políticas públicas?”, que juntou este sábado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do Instituto Politécnico de Leiria, especialistas e ambientalistas para debater o futuro da floresta portuguesa e as mudanças necessárias para o assegurar.
Em declarações aos jornalistas, a coordenadora do Bloco foi questionada sobre a hipótese de uma moção de censura do CDS ao governo. Catarina disse desconhecer “se alguém leva muito a sério este anúncio" do CDS. Do que o país precisa é de "menos moções de censura e mais da coragem para mudar políticas", acrescentou.
"Quando a floresta é um problema, o CDS não quer reconhecer que o que fez nos eucaliptos foi um desastre e, portanto, quer falar de tudo menos da floresta. Quando a Proteção Civil é um problema e, por exemplo, o Bloco propõe acabar com as PPP para o Estado poder gerir melhorar a nossa segurança, o CDS também não vota connosco para mudar nada", lembrou Catarina Martins, concluindo que o CDS "fala de demissões e moções de censura para não ter de falar do que conta, que são as opções políticas e, desde logo, das opções políticas de que o CDS é corresponsável e que fragilizaram o país".
O encontro deste sábado focou vários aspetos relacionados com a política florestal em quatro painéis de debate durante o dia, com intervenções de académicos, dirigentes associativos e ambientalistas. Dos riscos da monocultura à adaptação às alterações climáticas, passando pela floresta enquanto produtora de matéria-prima ou os meios de combate a incêndios, a estrutura fundiária e o papel do Estado, o fórum contou ainda com intervenções de encerramento dos deputados bloquistas Heitor de Sousa e Carlos Matias.
“O Bloco é o único partido na Assembleia da República com propostas apresentadas sobre a floresta”, lembrou Catarina, sublinhando que o trabalho feito já permitiu criar consensosna sociedade em torno dos seus pontos essenciais: revogação da lei de Assunção Cristas que liberalizou os eucaliptos, o arrendamento compulsivo dos terrenos abandonados e criação de unidades de gestão florestal que agrupem vários terrenos no minifúndio.
“Há matérias mais difíceis, que têm a ver com os interesses financeiros muito poderosos das celuloses que querem transportar o eucalipto do interior para o litoral para aumentarem a sua produtividade sem diminuir a área de eucalipto do país e abandonando o interior, que perde uma fonte de rendimento”, acrescentou Catarina, garantindo que para o Bloco “isto é um problema”.
Em alternativa, a proposta bloquista passa por organizar o território, permitindo mais produtividade e diminuição da área do eucalipto transferido para o litoral. “Portugal já tem a maior área de eucalipto da Europa e uma das maiores do mundo”, recordou a coordenadora do Bloco, reclamando “uma visão para a floresta que não esteja subordinada aos interesses das celuloses”. O debate sobre política florestal está marcado para 19 de julho, e apenas as propostas do Bloco e do governo estão em cima da mesa.
Catarina Martins aproveitou esta iniciativa de debate sobre a floresta para reforçar o apelo ao governo no sentido de aproveitar as candidaturas aos fundos de prevenção de catástrofe da União Europeia para financiar a limpeza da rede primária e a elaboração do cadastro florestal: “Se fizermos esse trabalho agora e se tivermos no próximo orçamento esse pacote financeiro para o cadastro avançar a sério, para a limpeza da rede primária avançar a sério, o próximo verão não terá de ser igual a este. E é para isso que o Bloco de Esquerda está também a trabalhar”.
Tancos: "Demissões sem resposta é a pior das respostas, porque pode ficar tudo na mesma"
Questionada pelos jornalistas sobre as saídas de alguns responsáveis militares na sequência do roubo de armamento dos paióis de Tancos, Catarina não quis comentar, preferindo sublinhar que primeiro há que encontrar respostas para o que aconteceu e "assacar as responsabilidades de quem as teve no que sucedeu”.
“O Bloco tem dito que demissões sem resposta é a pior das respostas, porque pode significar que fica tudo na mesma. Sei que a direita tem tido um discurso de que resolve tudo pedindo rapidamente demissões, mas há opções políticas que têm vindo a ser tomadas ao longo dos anos e que devem ser mudadas”, prosseguiu Catarina, dando o exemplo da despesa associada aos compromissos com a NATO.
"É preciso perguntar se não temos posto à frente dos interesses do país para a lógica da Defesa os interesses da NATO, e com isso fragilizar as nossas funções essenciais. Estas são perguntas difíceis a que a direita não quer responder”, afirmou a coordenadora do Bloco, concluindo que "vir a correr pedir demissões sem querer saber o que aconteceu e sem debater a política que há para a Defesa, num país que gasta mais em percentagem do PIB na Defesa do que a Alemanha e não tem dinheiro para arranjar uma videovigilância e uma vedação, não é seguramente o que faz o bom trabalho ao país”.
“Queremos consequências políticas no sentido de discutir politicamente as nossas opções para as Forças Armadas e o próprio funcionamento das Forças Armadas”, resumiu a coordenadora do Bloco.
Fonte: Esquerda.net

Opinião: Cães de Fila

Camaradas, senhores e senhoras, se me exceder no linguarejar perdoem o meu mau feitio mas só me apetece praguejar e carrear do mais velhaco do vernáculo que se me assarapanta nos neurónios.
Portanto, renovando o pedido de aministia, vejo por aí muitas putas de bigode, meretrizes para com as quais teria que pedir alvissaras aos pneus do carro antes de os defenestrar. Outra nota prévia é que o jornalismo anda pior que os bombeiros mas ainda não perdemos a memória maus grado alguns trocarem audiências pela alquimia. A finalizar longo introito defendo que cargos técnicos no Estado devem ser precedidos de avaliação séria, sensata e capaz.
Como sou velho na idade mas novo na experiência olvido os inspectores, Sul e Norte e lembro apenas as cinco IRBC mais o Superior Cristiano. E tinhamos o Guedes de Moura, o Ribeiro de Almeida, o Gil Martins, o Lima Cascada e, creio, o Rodrigues no Alentejo. Em 1993 cada um dos IRBC’s ganhou adjuntos. Em 1997 os adjuntos já era tantos como os distritos e, mais tarde, os adjuntos viraram distritais e ganharam ajudante. Criou-se um comando-geral nacional, e depois vieram os CODIS e afins.
Nunca em tempo algum, que me lembre mas posso estar anestesiado pelo prato das lentilhas, vi concursos para irab’s, coordenadores, CODIS, CONAC e afins.
Foi sempre, nos primeiros tempos, pelo mérito do comando dos bombeiros, acrescido, mais tarde, da licenciatura que alguns foram fazer a correr. Outros, filhos de comandante e com posto hereditário, foram finos e fizeram-na antes mas como não havia lugares para todos até se criou o oficial de bombeiro, tipo eu com um bacharel manhoso em qualquer coisa que, de repente sem que se veja a utilidade, sou oficial. Suprimindo, de boa memória, os equiparados e os especialistas. E até houve aqueles educados, alô Aragonês!, de pequeninos para irem subindo. E depois ainda temos os transumantes, daqui para ali mas sempre nas altas esferas, ora resplandescentes, ora discretos.

Portanto quem ladra entrou na casota com convite, por mérito e competência ou por compadrio e cartão, todos foram nomeados.

E não concursados que a pátria contemplai que ela vos honrará. Mas vejo agora um longo cortejo de virgens ofendidas, de homens providenciais a quem a república obsequiou a prebenda mas olvidou a comenda. Nunca os vi a defenderem o concurso, a carreira, o mérito, o saber, a técnica que avancem os melhores mas, primeiro eu que sou teu amigo desde ontem… E quando podia, camandro, eram a estrutura! Mas não, caladinhos e mansos.
E chegámos a este estado em que certos reclamadores não os queriam nem para sacudir os tapetes da mais brilhante das pick’ups porque quando o vento lhes sopra desfavorável cospem no prato, é tudo politica e boiada mais os companheiros.
E a ti, sacana reles e velhaco, chegaste lá como? Por nomeação; portanto cala a matraca e atende-te à tua insignificância que só fazes mal a ti, a nós, aos bombeiros e à República porque enquanto comeste estiveste calado e devemos querer para nós o mesmo que reclamamos para os outros. Mas infelizmente a verdade é essa. Dividir para reinar, aproveitar os bombeiros para subir na vida e o essencial, que é defender pessoas e bens, postergado porque primeiro estamos nós. Quebrando lealdades, quebrando comandos, quebrando memórias, quebrando unidades, quebrando a espinha que quando um homem não tem coluna dorsal é um reles rafeiro a ladrar em busca do osso perdido.

Pelo que temos que os bombeiros, o quartel e a associação são trampolim para o estrelato. Ou para ganhar eleições, ou para ganhar prestigio, ou para ganhar soldo, ou para ganhar importância que vã é a glória de mandar.

Mas os Bombeiros, além de escola de valores, são o dorso da protecção civil, o amparo de quem está aflito e a essência de uma quadricula de socorro que o país precisa. E a união, que seria do agulheta se não tivesse ajudante ou se não houvesse quem fizesse pé na angus, pratica-se. A roupa suja lava-se entre nós porque para cidadão, e bem sabemos quando tudo está negro, conseguiremos sempre encontrar a solução.
Pelo que vendo estes ressabiados, que me desculpem mas eu sou um gajo que gosta da ordem e nem sequer vota nem tem preferidos, lembrei-me da velha máxima que diz que só fazem falta os que estão. Mas assim, assim meus amigos, não vamos lá. Não melhoramos, não aprendemos e desprendemos a cadeia de comando que é o valor imprescindível a manobras difíceis que ninguém disse que isto era fácil. E tem que se engolir muito fel, e libertar muita mágoa, mas nos canais próprios.

O que nunca vos vi fazer pelo que tenho para mim que sois uns cobardes, reles e imprestáveis.

Que na hora do bem bom vos calasteis e agora, que vos falta o aparato e algibeira, vos quereis outorgar a dizer que com vós no mando tudo tinha corrido bem. Que até podeis ter a lei mas que vos escapa a grei. E já agora a decência.
Amadeu Araújo, Bombeiro QH que precisou de padrinho para ser cadete
Fonte: BPS