segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Coimbra | UC integra consórcio europeu que visa desenvolver soluções sustentáveis contra a poluição por nitratos

 
Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra o consórcio europeu do projeto LIFE-NITRAZENS, que visa desenvolver soluções sustentáveis contra a poluição por nitratos.

Esta investigação, na qual participam Artur Valente, Sandra Nunes e Tânia Cova, investigadores do Departamento de Química, e Isabel Paiva, do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da UC, foi recentemente aprovada pela Comissão Europeia com um financiamento cerca de 2 milhões de euros, ao abrigo do LIFE Programme.

«O projeto tem como objetivo enfrentar o desafio urgente da contaminação por nitratos, uma ameaça significativa para os ecossistemas e para a saúde humana. A poluição por nitratos, resultante, principalmente, da atividade agrícola intensiva e da gestão inadequada de resíduos orgânicos, está associada a problemas de saúde graves, como a metemoglobinemia e o aumento do risco de cancro», alerta Artur Valente, diretor do DQ e investigador do Centro de Química.
Assim, o LIFE-NITRAZENS propõe um modelo sustentável e replicável de mitigação da poluição por nitratos, baseado numa abordagem integrada que combina sensibilização ambiental, participação ativa das comunidades locais e mudança de comportamentos. «O projeto incentiva o envolvimento direto dos cidadãos na monitorização dos níveis de nitratos em águas superficiais e subterrâneas, promovendo a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e o cumprimento das diretivas europeias sobre a qualidade da água», revela a equipa do projeto.

Foram selecionadas seis áreas-piloto, localizadas nas bacias dos rios Douro e Ebro (Espanha), para implementar estas ações e promover boas práticas agrícolas. Em Portugal, o projeto será replicado na bacia hidrográfica do Mondego, onde se prevê aplicar as ferramentas e estratégias desenvolvidas em Espanha, assegurando a transferibilidade dos resultados e a integração de dados regionais através de uma Plataforma de Partilha de Dados para a Governação dos Nitratos.

Com onze parceiros de Espanha e Portugal, o projeto LIFE-NITRAZENS reúne universidades e centros de investigação, entidades especializadas em partilha de dados e plataformas digitais, gestores de recursos hídricos, associações de agricultores e autoridades públicas locais. Os parceiros portugueses do consórcio incluem, além da Universidade de Coimbra, as Águas do Centro Litoral, a Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego e a Câmara Municipal de Soure.

«Esta rede multidisciplinar e colaborativa, pretende contribuir de forma decisiva para a melhoria da qualidade da água, para o reforço das políticas ambientais europeias e para o aumento da consciencialização pública sobre o impacto dos nitratos no ambiente e na saúde», concluem os investigadores.

*Sara Machado
Assessora de Imprensa
Universidade de Coimbra• Faculdade de Ciências e Tecnologia

Crónica - carisma franciscano na vida de Santo António


Escrevo movido por uma admiração íntima, aquela que nasce do encontro entre a história e a devoção, para pensar como o carisma franciscano moldou, orientou e iluminou a vida de Santo António de Lisboa. A questão não se limita a episódios maravilhosos. Revela sinais, argumentos e gestos que exprimem uma espiritualidade profundamente franciscana: amor à pobreza, proximidade aos pobres, pregação itinerante, fraternidade com a criação e coragem de testemunhar até ao martírio.
Santo António, nascido Fernando em Lisboa, não escolheu o hábito franciscano por acaso. A sua vocação foi precipitada pela visão dos primeiros mártires franciscanos de Marrocos, cujos corpos passaram pela Península e se tornaram exemplo para muitos jovens religiosos. Esse desejo de ser testemunha até ao sangue levou-o a pedir admissão na Ordem e a deixar a sua confortável estabilidade intelectual por uma vida de itinerância e risco.
O carisma franciscano manifesta-se de forma clara na opção pela pobreza como critério de autenticidade evangélica. Em António essa escolha aparece na abnegação pessoal e na pedagogia do sinal. A sua pregação era pobre em aparato e rica em convicção, destinada a tocar corações em vez de maravilhar plateias. Quando encontrou resistência entre hereges ou céticos, recorreu ao gesto profético. Calou as palavras para que a natureza testemunhasse. O célebre sermão aos peixes em Rimini tornou-se metáfora e facto. Diante da recusa humana, ele dirigiu-se aos peixes do mar, que se aproximaram e pareceram ouvir reverentes aquilo que os homens não quiseram escutar. O episódio sublinha a universalidade da criação como auditora da Palavra e a eficácia do sinal quando a razão humana se fecha.
Os milagres ligados a animais, como a mula que se ajoelhou diante da Eucaristia, não se reduzem a histórias piedosas. Revelam o sentido profundo do carisma franciscano. Criaturas de Deus, irmãos na criação, manifestam por gestos a verdade que os homens não querem aceitar. A tradição do animal ajoelhado perante o Santíssimo exprime a soberania do mistério e a humildade necessária diante dele.
Outros traços do carisma franciscano aparecem na paixão de António pela pregação popular. A tradição apresenta-o como mestre eloquente e catequista dos simples, fiel à escolha franciscana por uma igreja próxima do povo. Muitas narrações de curas, intercessões infantis ou restituições de objetos roubados não se compreendem apenas como prodígios isolados. Funcionam como sinais de uma missão centrada na restauração da comunhão. Sacramentos restituídos, lares pacificados, comunidades reconciliadas. Em todas essas narrativas percebe-se a mesma lógica: o poder do Evangelho pregado com pobreza, humildade e caridade.
A dimensão comunitária ocupa igualmente lugar essencial. António viveu e atuou como irmão, não como solista da santidade. A fraternidade evangélica definiu a sua vida e sustentou a sua missão. A canonização rápida e a difusão das histórias da sua vida mostram uma comunidade que reconheceu nos seus gestos e palavras uma autenticidade em harmonia com o ideal de Francisco de Assis.
Ler Santo António à luz do carisma franciscano significa perceber que milagres e parábolas em ato, com peixes, animais ou crianças, não foram meros adornos hagiográficos. Representaram pedagogia prática para uma Igreja e uma sociedade carentes de conversão. Numa época em que a linguagem religiosa corre risco de se tornar técnica ou mercantil, o exemplo de António propõe menos aparato e mais testemunho, menos retórica de poder e mais amizade com os pobres, menos discurso fechado e mais abertura aos sinais de Deus na criação.
A imagem que fica é clara. Se a Palavra encontrou receptividade nos peixes e na mula, a verdadeira conversão não depende de argumentos retóricos. Depende de uma vida que, pela pobreza e coerência, torna visível a presença de Deus. Na coerência franciscana reside o maior encanto e o maior apostolado de Santo António.
São Francisco permanece como raiz e inspiração dessa força espiritual. A sua visão da fraternidade universal e do amor absoluto a Cristo abriu caminhos que António percorreu com fidelidade e brilho. O papel dos franciscanos, ontem como hoje, continua a ser decisivo na construção de uma Igreja humilde, próxima, alegre e profundamente comprometida com os pobres e com a paz.
Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Portalegre | Uma vintena de dadores de sangue em Vale de Cavalos


Em pleno pulmão da serra de São Mamede, e paredes-meias com a histórica povoação de Alegrete, desenvolveu-se mais uma colheita a cargo da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – e da Unidade Funcional de Imunohemoterapia do hospital de Portalegre.
Uma vintena de pessoas entraram no local da iniciativa, como habitualmente a sede do Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale de Cavalos, na freguesia de Alegrete. Entre os presentes destaque para o facto de se terem inscrito meia dúzia de mulheres.
Uma vez avaliados os voluntários, dois deles não estavam em condições clínicas para seguirem para a sala da doação. De Vale de Cavalos rumaram para os hospitais 18 sempre bem-vindas unidades de sangue total.
No final, o Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale de Cavalos teve a gentileza de oferecer e servir aos intervenientes o habitual repasto convívio.

Santo António das Areias a 08 de novembro
Para mais uma brigada, a ADBSP vai estar a oito de novembro na Casa do Povo de Santo António das Areias – Marvão. E quinze dias depois (22 de novembro) será a vez de caminharmos até ao centro de saúde do Crato. Sábados e das 09h00 às 13h00, aproximadamente.

No outono o sangue também tem procura e os dadores não podem faltar! Insista:

*José Rui Marmelo Rabaça

domingo, 19 de outubro de 2025

CLAUSTROS DOS PAÇOS DO CONCELHO ACOLHE NO ÂMBITO DO 75º ANIVERSÁRIO DA SOCIEDADE COLUMBÓFILA UMA MOSTRA FOTOGRÁFICA


A Direcção Geral da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, que recentemente comemorou a passagem do seu 75º aniversário, numa gentileza do Municipio de Cantanhede, tem patente ao público, nos Claustros dos Paços do Concelho, na cidade de Cantanhede, de 20 de outubro a 15 de novembro de 2025, uma mostra fotográfica, intitulada “75 anos, 75 imagens”.

A mostra fotográfica composta por 11 painéis, para além das imagens mais significativas, do percurso associativo ao longo destes 75 anos de actividades desenvolvidas desde as décadas de 1950, recorda também uma das figuras mais importantes do seu historial e o grande responsável pela actividade ininterrupta da Associação sediada na cidade de Cantanhede, o associado nº 1 e campeão olímpico, José Santos.
Hoje, Pessoa Coletiva de Utilidade Pública, Instituição Particular de Solidariedade Social, a Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, integrado no programa das Comemorações do 75º Aniversário através da mostra “75 anos, 75 imagens”, pretende apresentar uma retrospetiva que célebre o seu percurso associativo, através de uma seleção de 75 imagens marcantes da suas actividades ao longo do tempo, sendo uma oportunidade para o público conhecer a evolução associativo desde a data da sua fundação.

sábado, 18 de outubro de 2025

EQUIPA SENIOR MASCULINA DE BASQUETEBOL DA COLUMBÓFILA/FLATLANTIC JÁ SE ENCONTRA A PARTICIPAR NO CAMPEONATO NACIONAL DA 2ª DIVISÃO NACIONAL


A equipa sénior masculina da Associação de Solidariedade Social Sociedade Columbófila Cantanhedense, sob a orientação dos treinadores, Luís Amoroso Lopes e João André Costa, que tem vindo a treinar regularmente neste início de época desportiva, já iniciou a sua participação, no Campeonato Nacional da 2ª Divisão masculina, de Basquetebol, nomeadamente a disputar a 1ª fase, da zona norte F.

Para além da equipa da Sociedade Columbófila/Flatlantic, estão a competir neste Campeonato Nacional as equipas de sub 23 da Associação Académica de Coimbra, Olivais Futebol Clube, Sport Clube Conimbricense, Febres Sport Club, Núcleo de Desporto Amador de Pombal e União de Leiria.
Após a realização da primeira jornada, a equipa da Sociedade Columbófila que esta época irá identificar-se com a denominação COLUMBÓFILA/FLATLANTIC, regressará à competição no dia 1 de novembro, deslocando-se a Pombal para defrontar o NAD, pelas 21h00, recebendo no dia 7 em Cantanhede no mesmo horário a equipa do Febres Sport Clube, para cumprir um derby local, voltando à competição para disputar um jornada dupla, deslocando-se a 15 de novembro ao reduto da União de Leiria, pelas 17h00 e à cidade de Coimbra, ao Pavilhão da Palmeira, no dia seguinte, para defrontar o Sport Conimbricense pelas 14h30.

Para cumprir a 7ª jornada deste Campeonato Nacional a equipa da Columbófila/Flatlantic, no dia 19 de novembro, voltará a jogar em Cantanhede, recebendo a equipa da Académica Sub 23, pelas 21h30 e no dia 29 de novembro, recebe a equipa do Sport Conimbricense, pelas 21h00, iniciando dessa forma a 2ª volta do Campeonato Nacional.

No dia 3 de dezembro, desloca-se ao Pavilhão Engenheiro Augusto Correia na cidade de Coimbra para defrontar a equipa Sub 23 dos Olivais, recebendo no dia 19 de dezembro, pelas 21h00 o NAD, voltando à competição no dia 3 de janeiro, defrontando a equipa do Febres, em Cantanhede, na qualidade de visitante.

No dia 10 de janeiro, a Columbófila/Flatlantic, recebe a União de Leiria, pelas 21h00 e no dia 14 de janeiro para cumprir a última jornada desta 1ª Fase, desloca-se a Coimbra para defrontar no Pavilhão dos Pereiros, pelas 21h30 a equipa da Académica.

Crónica | O rei português encarcerado num quarto em Sintra

 Poucos episódios da história portuguesa revelam de forma tão clara o lado sombrio do poder como o cativeiro de D. Afonso VI no Palácio de Sintra. O monarca, que nascera em 1643, reinou durante um período conturbado, marcado por intrigas políticas, desconfiança e disputas familiares. Filho de D. João IV, o primeiro rei da dinastia de Bragança, D. Afonso VI foi afastado do governo ainda em vida, acusado de incapacidade mental e de comportamento impróprio para o exercício da realeza.
Em 1667, o seu próprio irmão, o infante D. Pedro, tomou o controlo do Estado. Pouco depois, foi anulado o casamento de D. Afonso VI com D. Maria Francisca de Saboia, que se viria a casar com D. Pedro. O rei deposto foi então conduzido para Sintra, onde permaneceu encerrado durante quase nove anos, numa das salas do Palácio Nacional.
As condições do seu confinamento foram severas. A vigilância era constante, as comunicações com o exterior estavam limitadas e o antigo soberano viveu praticamente isolado do mundo. O palácio, construído para o lazer da corte, transformou-se num espaço de reclusão. O quarto onde ficou, situado numa das alas mais reservadas do edifício, é ainda hoje identificado pelos visitantes como o “quarto de D. Afonso VI”.
Durante o seu cativeiro, Portugal era governado por D. Pedro, que exercia as funções de príncipe regente e mais tarde assumiria o trono como D. Pedro II. A deposição de D. Afonso VI foi apresentada como uma medida de estabilidade política, mas também traduziu o conflito entre a autoridade formal do rei e o poder real exercido pelos que o rodeavam.
D. Afonso VI morreu em 1683, em Sintra, sem ter recuperado a liberdade nem o trono. O seu corpo foi trasladado para o Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. O episódio marcou profundamente a história da monarquia portuguesa, revelando como o poder, mesmo nas suas formas mais legítimas, podia ser manipulado por interesses de família e de Estado.
Hoje, o quarto onde o rei viveu os últimos anos da sua vida continua a ser um dos espaços mais enigmáticos do Palácio Nacional de Sintra. As paredes guardam o silêncio de um rei que teve tudo e a quem tudo foi retirado. Talvez a sua história seja, afinal, uma lição sobre a natureza do poder e da condição humana: o trono é frágil, a glória é breve e a solidão é o último território onde todos, reis ou súbditos, acabam por se encontrar.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Plano Social para o Clima em sessão pública, na CCDR NORTE, no Porto, a 20 de Outubro

 A CCDR NORTE, em parceria com a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AD&C) e a Agência para o Clima (ApC), promove uma sessão pública dedicada à apresentação e discussão do Plano Social para o Clima (PSC), no âmbito da sua consulta pública, no próximo dia 20 de outubro, pelas 14h, no Auditório da CCDR NORTE, no Porto.
 
O evento contará com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e será organizado em painéis temáticos que abordarão as principais dimensões do Plano, constituindo uma oportunidade para conhecer as medidas propostas, participar no processo de consulta pública e contribuir para o seu aperfeiçoamento.
O PSC é um instrumento nacional que decorre do Fundo Social para o Clima (FSC) e incorpora os contributos recolhidos nas sessões anteriores realizadas em Lisboa, Faro, Funchal e Ponta Delgada. Desenvolvido no contexto da nova fase do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE 2), o Plano abrange as emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis em edifícios, transportes rodoviários e noutros setores.
 
Com o objetivo de promover uma transição justa, inclusiva e coesa rumo à neutralidade climática, o PSC propõe medidas de apoio a públicos-alvo vulneráveis, nas áreas da eficiência energética em edifícios e da mobilidade sustentável e acessível para todos.
 
A consulta pública decorre até 18 de novembro e os contributos podem ser submetidos através da plataforma participa.pt.