quinta-feira, 18 de outubro de 2018

BANG AWARDS: CINEMA DE ANIMAÇÃO LEVOU MILHARES DE PESSOAS AO PARQUE DO CHOUPAL


O Bang Awards – Festival Internacional de Cinema de Animação realizou a sua 4ª edição entre os dias 12 e 14 de outubro, em Torres Vedras, com cerca de três mil pessoas a passar pelo Parque do Choupal no primeiro dia do evento. Foi a bordo de um pequeno bote que “navegou” pela sala Bang Venue que Ulisses Dias, diretor do Bang Awards, e Cátia Candeias, coordenadora de projeto do Festival, apresentaram a cerimónia de abertura, que contou com a presença de Carlos Bernardes, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, e Ana Umbelino, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras.

Seguiu-se um espetáculo de cor, luz e animação que transformou o Parque do Choupal numa grande “sala de cinema” ao ar livre. Cerca de 200 filmes de animação foram transmitidos em quatro ecrãs espalhados pelo Parque, cada um fazendo jus, de alguma forma, ao tema desta edição – o “Amor”. Os ecrãs Mais Amor, Floresta Mágica, Rio e Inclinado funcionaram “noite dentro”, numa sexta-feira em que “miúdos e graúdos” ainda contaram com a projeção de animação “sobre rodas” da Bang Bike, a bicicleta que transforma as paredes das ruas em “telas” de cinema.

Bosque Encantado foi a instalação de luz que coloriu o Parque do Choupal, à semelhança da animação em tempo real de Matthew Watkins, com o artista a transferir o seu imaginário para as paredes da Capela de Nossa Senhora do Ameal. Um workshop sobre brinquedos óticos, uma conversa com realizadores nacionais e internacionais e uma homenagem aos 100 anos da animação brasileira - que contou com curadoria do produtor Marcelo Marão - deram forma ao segundo dia do Festival, que viu as sessões de cinema ao ar livre a serem canceladas devido ao furacão Leslie.

Já a cerimónia de entrega de prémios do concurso de cinema foi adiada, tendo acontecido no domingo, na sala Bang Venue. The Stained Club foi o grande vencedor, com o filme francês assinado por Mélanie Lopez, Simon Boucly, Marie Ciesielski, Alice Jaunet, Chan Stéphie Peang e Béatrice Viguier a arrecadar o Grande Prémio Bang Awards Cidade de Torres Vedras.

In a Heartbeat levou o prémio de Melhor Filme Online para o México, enquanto Mite-y Beard, de África do Sul, sagrou-se Melhor Filme Universitário. As produções portuguesas também estiveram em destaque nesta edição dos Bang Awards, com Surpresa, de Paula Patrício, a vencer a categoria de Melhor Argumento, e A Sonolenta, de Marta Monteiro, a de Melhor Banda Sonora. O vídeo oficial da música de Miguel Araújo AXL ROSE, de Bruno Caetano, venceu a Votação Online do concurso.

CMOvar promove I Encontro de Património Industrial

A Câmara Municipal de Ovar promove, nos dias 19 e 20 de outubro, na Escola de Artes e Ofícios, o I Encontro de Património Industrial que, nesta edição, incidirá sobre a indústria da cordoaria em Ovar.

Tendo como destinatários professores, alunos de graduação e pós-graduação, investigadores, profissionais nas áreas do património, cultura, artes e turismo, empresários e público em geral, este encontro propõe a apresentação de reflexões teóricas e metodológicas sobre as diversas problemáticas que hoje em dia se colocam nas intervenções no território nacional, tendo em vista a regeneração, potencialização económica e salvaguarda do seu património industrial, para além de abordagens noutras áreas temáticas, como as do Património, Arquitetura, Arqueologia, Museologia, Turismo Industrial, Criação e Design de produtos, Comunicação, etc.

Recorde-se que, a ancestral concentração de oficinas e fábricas no território ovarense, em regime artesanal e industrial, justificou que a Câmara Municipal de Ovar encetasse, em 2014, um processo de estudo e levantamento da sua realidade, com a identificação e localização das unidades de produção, bem como, a recolha de documentação, utensílios, maquinaria, produtos e testemunhos de empresários e operários, relativos às dinâmicas e processos de produção, possibilitando, assim, abrir um ciclo de 7 exposições sobre as artes e ofícios mais relevantes do Município, nomeadamente, em 2015, com a Cordoaria, em 2016, a Tanoaria e, em 2017, a Olaria. Em 2019, será inaugurada a mostra sobre a indústria do papel.
A entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia através do link


Programa
SEXTA-FEIRA, 19 
09:00 – Receção dos participantes
09:30 - Abertura do Encontro
09:40 – Projeto 7.7 Artes e ofícios de Ovar
Tema: “Conceitos de Património Industrial e casos nacionais ou internacionais de sucesso
Moderadora - Filipa Quatorze – Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Pós-Graduada em Museologia e Património Cultural pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto Master of Arts em Interpretation Representation and Heritage, pela Universidade de Leicester (Reino Unido). Coordenadora do Museu Vista Alegre.

10:00 - José Manuel Lopes Cordeiro - Licenciado e Doutorado em História Contemporânea pela Universidade do Minho, onde exerce funções docentes.  Foi fundador do Projeto do Museu da Indústria do Porto. 
É o Representante Nacional do TICCIH - The International Committee for the Conservation of the Industrial Heritage, organismo consultor da UNESCO/ICOMOS para o património industrial, e Presidente da APPI – Associação Portuguesa para o Património Industrial. É também diretor da revista Arqueologia Industrial. 
Tem inúmeros artigos e livros publicados nas áreas do património e arqueologia industrial, assim como da história económica e política contemporânea.

10:30 – Francisco Afonso - Diretor da NEW HAND LAB, Covilhã. Mentor da criação e impulsionador do projeto industrial e cultural. NEW HAND LAB situado na Fábrica António Estrela / Júlio Afonso, no centro da Covilhã, apresenta-se como espaço que promove a criatividade e as iniciativas dos criadores locais, oferecendo-lhes uma área de trabalho e uma loja onde vendem os seus produtos.
11:00 – Fernando José Barros Pacheco Seara de Sá - Licenciado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes do Porto. Arquiteto em profissão liberal entre 1983 e 1985. Arquiteto no Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Guimarães entre 1985 e 1987, tendo participado nos trabalhos de reabilitação do Centro Histórico da Cidade. Assistente convidado da Universidade do Minho, lecionando as disciplinas da área da Arquitetura e do Planeamento no Departamento de Engenharia Civil (anos 90). Sócio e Arquiteto na sociedade "PITÁGORAS, ARQUITECTOS" entre 1990 e 2015. Sócio fundador da sociedade “SAM ARQUITECTOS” onde desenvolveu a sua atividade profissional até outubro de 2017. Vereador do Urbanismo, Centro Histórico e Vistorias Administrativas da Câmara Municipal de Guimarães.
11:30 – Pausa para Café 
11:45 – Debate
12:30-14:00 – Almoço livre

Tema: “A Indústria da Cordoaria no Concelho de Ovar
14:00 – Visitas às oficinas e fábricas de Cordoaria do Concelho de Ovar – saída de Ovar/autocarro
14:20 - Cordoaria Ramalho - Esmoriz
15:10 - João Violas, Filho - Cortegaça
16:00- SICOR - Sociedade Industrial de Cordoaria, S.A - Cortegaça
17:10- Largo da Praças – recriação do processo artesanal e merenda tradicional.

SÁBADO, 20 
09:30 – Abertura da sessão 
Tema: “Património Industrial um legado a preservar e a potenciar
09:35 – Mesa Redonda
Moderador - José Manuel Lopes Cordeiro

·         Manuel Ferreira Rodrigues -  Licenciado em História e em História da Arte pela Universidade de Coimbra, onde concluiu um mestrado em História Contemporânea de Portugal, com dissertação na área da História da Indústria. Em 2007, concluiu o doutoramento em Ciências Sociais com uma tese sobre empresas e empresários na sub-região da ria de Aveiro. Atualmente, é professor auxiliar na Universidade de Aveiro. Publicou alguns trabalhos nas áreas da história e cultura empresarial, mais concretamente nos domínios da cerâmica, da porcelana, do vidro, da metalurgia e do papel, do têxtil e da construção civil. 

·         Maria José Santos -  Licenciada em História, Pós-graduada em Museologia e Mestre em História Moderna, pela Universidade do Porto. Foi professora do Ensino Secundário e responsável pelo programa museológico e instalação do Museu do Papel Terras de Santa Maria, tendo assumido a sua direção entre 2001 e 2012. É consultora científica deste museu, dedicando-se à investigação de marcas de água e história do papel. É a delegada, em Portugal, da International Association of Paper Historians.  Prémio APOM “Melhor Trabalho de Investigação 2015”, pelo projeto de investigação desenvolvido na área do estudo das Marcas de Água.

·         Alexandra Alves - Licenciada em Gestão do Património Cultural, pela Escola Superior de Educação do Porto e especialização em Gestão de Organizações e Projetos Culturais pela Cultideias. Foi responsável pelo Serviço Educativo e Animação do Museu da Industria da Chapelaria entre 2005 e 2013.  Atualmente, é Chefe da Unidade de Turismo da Câmara Municipal de S. João da Madeira responsável pela Direção do Projeto de Turismo Industrial e coordenadora da subcomissão 13 para a criação da Norma da Qualidade do Turismo Industrial.

·         Representantes da indústria da cordoaria do Concelho
11:15 – Pausa para Café
11:30 – Debate
13:00 – Encerramento dos trabalhos



Festival de Outono - Manteigas 2018


Numa época em que a natureza nos envolve de cores únicas, o Município de Manteigas promove entre os dias 02 e 04 de novembro, na Praça Municipal, o Festival de Outono, dinamizando um conjunto de ações como forma de promover a gastronomia e todas as potencialidades e riquezas naturais do Concelho.

O desfile de moda «O Burel e Manteigas», centrado no burel e na sua dinâmica no seio do território, marca a abertura da primeira noite do certame, dia 02 de novembro.
Nos dias 03 e 04 de novembro, de realçar a caminhada «Ao Encontro das Faias», e a saída de campo micológica «Saber Conhecer o Cogumelo», com recolha e exposição posterior dos exemplares no recinto do Festival, respetivamente. Duas iniciativas em contacto direto com a natureza, onde os participantes vão ter a oportunidade de desfrutar da beleza paisagística que o Outono proporciona.
Quanto à animação musical, de referir a presença dos seguintes grupos musicais: Remember Revival Banda, na noite do dia 02 de novembro; Ginga, na segunda noite do certame e Os Red no final da tarde do dia 04 de novembro.
A animação será uma constante do Festival, com a presença da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Manteigas, Grupo Manta d’Ourelos, Tukariouppa BBU Fanfare e Concertinas.
O público será também chamado a participar na degustação de licores e doces caseiros, no concurso «Bolo alusivo ao Outono», no showcooking promovido pela Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas e no Magusto e Prova de Jeropiga Caseira.
Razões mais que suficientes para visitar a Vila de Manteigas, de 02 a 04 de novembro, deslumbrar-se com as cores Outonais e saborear a gastronomia local.
Durante os dias do evento, estará patente na Sala de Exposições do Centro Cívico de Manteigas, a mostra subordinada ao tema «Utensílios e Alfaias Agrícolas».

Centro Juvenil de S. José disponibiliza 22 camas para estudantes da UMinho

Os estudantes deslocados da Universidade do Minho vão ter disponíveis 22 camas no Hostel Oficinas de São José, em Guimarães. Este foi o acordo assinado hoje entre os Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (SASUM) e o Centro Juvenil de São José (CJSJ), num protocolo que serve para o alargamento de oferta de alojamento.
O protocolo vigorará por nove meses, com perspectiva de renovação no próximo ano lectivo.
A medida do CJSJ, segundo o presidente da direcção Fernando Xavier, deve-se à diminuição dos hóspedes de um Centro que chegou a acolher 130 hóspedes, mas que hoje regista pouco mais de 20 e, consequentemente, menos receita da Segurança Social.
O administrador dos SASUM, António Paisana, fala de uma taxa de ocupação das residências universitárias, nos últimos cinco anos, com uma média anual que se cifrou entre os 98,19% e 99,38%. Desde 2015, foram alojados 32% dos bolseiros deslocados em Guimarães, um número superior ao registado em Braga (17%).
No passado ano lectivo, a UMinho contabilizava 1.012 alunos bolseiros deslocados, com 320 alunos nas residências, o que equivale a cerca de 32%. Este ano, as residências "rapidamente" atingiram capacidade plena, deixando um número de camas livres muito reduzido, concretamente 34 camas. Já em Outubro de 2018, Guimarães regista 366 alunos bolseiros alojados nas residências, mais 14% do que em 2017, tendo registado o maior aumento dos últimos três anos. De referir que a cidade-berço 482 camas disponíveis.
Para além das 22 camas agora atribuídas com o protocolo, os SASUM tem 106 alunos em lista de espera para alojamento, metade dos quais alunos bolseiros. "A escassez de oferta de alojamento público é notória e urge encontrar soluções de oferta de alojamento privado para estudantes universitários", afirmou Administrador dos SASUM, António Paisana, apontando que esta "seja a primeira de muitas parcerias de sucesso".      
O presidente da Associação Académica, Nuno Reis, assumiu que este é um problema que tem estado em "debate" e é um problema "grave", pedindo o reforço de apoios à construção de residências universitárias.
Na sua intervenção, Adelina Paula Pinto, vereadora a Educação, referiu que o protocolo pode ser apresentada aos privados como uma "oportunidade" e sublinhou que o município "está a fazer o seu trabalho", recordando a intenção de criar residências no edifício da antiga Escola de Santa Luzia e no Monte Cavalinho.
Já o Reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, mostrou agrado pelo crescente número de estudantes que frequentam a Universidade, mas assumiu que este factor traz "inevitavelmente" problemas e coloca "desafios para as instituições e comunidades". "Estamos empenhados em encontrar um conjunto de soluções para este problema", explicou Rui Vieira de Castro, deixando o alerta para o Governo: "o Estado deve estar atento à gravidade deste problema e tomar medidas".

Fonte:guimaraesdigital

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XXXV Feira da Castanha de Marvão!


Dia 10 de Novembro, os Sons do Minho sobem ao palco do Largo do Terreiro, às 17h00. A não perder! 

#FeiraCastanhaMarvao2018





Macroscópio – O que é que Raquel Varela e Isabel Moreira têm a ver com as eleições na Baviera?

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Macroscópio

Por José Manuel Fernandes, Publisher
Boa noite!
 
A pergunta que serve de mote a este Macroscópio pode parecer um pouco disparatada, porventura deslocada, mas colocou-se-me quando de me pus a ler alguns textos sobre as eleições na Baviera (preparando o Conversas à Quinta desta semana que lhes será dedicado) depois de ter assistido à luta fratricida, no último Prós e Contras da RTP, entre duas mulheres que classicamente arrumaríamos bem à esquerda do espectro político. O que as dividiu foi a posição face ao movimento #MeToopor linhas que eu, caricaturando um pouco, definiria assim: para Isabel Moreira em primeiro lugar está a guerra dos sexos; para Raquel Varela o que continua a contar é a luta de classes. Mesmo podendo haver algum exagero nesta descrição, houve naquele enfrentamento sinais de um fenómeno mais geral, de um movimento tectónico mais profundo que está a rearrumar campos políticos, a fazer e desfazer partidos e a criar todos um conjunto de novas referências que já estão a ocupar o lugar que durante muitas e muitas décadas nos eram dadas pela arrumação do espaço político em direita e esquerda. 
 
Demos por isso um salto até à Baviera para compreender melhor esta hipótese, ou se preferirem esta associação entre eventos tão diferentes. No mais próspero estado alemão, rico e quase sem desemprego, o partido conservador no poder, a CSU, perdeu a sua maioria absoluta, tendo tido um resultado historicamente baixo. Os sociais-democratas conheceram ainda pior sorte, perdendo metade do seu eleitorado. Subiu o partido anti-imigração, a AfD, e o partido pró-imigração, Os Verdes, os grandes vencedores da noite. Neste artigo do Politico faz-se uma boa síntese do que se passou e das implicações dos resultados a nível nacional: Bavarian voters rattle Berlin politics – “Angela Merkel and the Social Democrats face existential questions in the wake of an electoral drubbing”.
 
Até aqui poderíamos seguir a habitual narrativa da queda eleitoral dos partidos do centro, especialmente evidente quando estes governam coligados, como sucede na Alemanha. Acontece porém que a subida eleitoral, em paralelo, da AfD e, sobretudo, de Os Verdes, suscita outro tipo de reflexão porventura mais interessante, como a proposta por Andreas Kluth no Handelsblatt, em The challenge of success for Germany’s Greens, um artigo em que sublinha que “The flip side of a rising Alternative for Germany (AfD) is a rising Green Party. The first stands for a closed Germany, the second for openness.” Ora foi neste ponto que me recordei da discussão do nosso Prós e Contras, mais concretamente quando o autor sublinhou este ponto que me pareceu bem pertinente: “This Greening of Germany also reflects several other trends in the complex political tectonics of Western democracies. The old left-right dichotomy, which ultimately dates to the Industrial Revolution and Karl Marx, is losing relevance in today’s information economy. Instead, a new spectrum has emerged, between proponents of “open” and “closed” societies. “Open” here means pro-immigrant, pro-trade, pro-pluralism; “closed” means anti-migrant, nationalist, authoritarian. The AfD stands for closed. And the Greens, although their origins in the counterculture of the 1970s were on the post-Marxist left (still audible in pundits such as Jürgen Trittin), have in effect evolved into Germany’s party of openness.
 

Esta leitura levou-me a outra, a um livro que tenho desde a semana passada na minha mesinha de cabeceira e do qual o Observador publicou uma passagem significativa este domingo: Identidades, de Francis Fukuyama. Não vou naturalmente resumir aqui a obra, que aborda as políticas identitárias que exploram o ressentimento e têm levado à abertura de novas clivagens políticas com consequências ainda difíceis de prever. Contudo, no extrato que publicámos no Observador, Fukuyama: as identidades e a política do ressentimento, há duas passagens que ajudam a entender não apenas o raciocínio de Andreas Kluth sobre a evolução da paisagem política alemã, como o estranho confronto do nosso doméstico Prós e Contras. Ambas essas passagens lidam com a mudança de natureza daquilo a que convencionámos classificar como “esquerda”:
  • Primeira, sobre as razões da decadência eleitoral de muitos partidos social-democratas: “O decréscimo das ambições de reformas socioeconómicas em larga escala convergiu com a adoção pela esquerda das políticas identitárias e do multiculturalismo nas décadas finais do século XX. A esquerda continuou a definir-se pela sua paixão pela igualdade, mas o programa da igualdade mudou da sua antiga ênfase na classe trabalhadora para asexigências de um círculo cada vez mais amplo de minorias marginalizadas. Muitos ativistas viram na antiga classe operária e nos seus sindicatos um estrato social com pouca simpatia pela situação de grupos como os imigrantes ou as minorias raciais em piores condições do que a deles. As lutas pelo reconhecimento visaram novos grupos e os seus direitos como coletividades, em vez da desigualdade económica das pessoas individuais. De caminho, a velha classe operária foi deixada para trás.”
  • Segunda, sobre a nova natureza do “progressivismo”: “O programa da esquerda mudou para a cultura: o que precisava de ser desfeito não era a presente ordem política que explorava a classe operária, mas a hegemonia da cultura e dos valores ocidentais que reprimia as minorias em casa e nos países em desenvolvimento no estrangeiro. O marxismo clássico tinha aceitado muitos dos fundamentos do Iluminismo europeu: a crença na ciência e na racionalidade, no progresso histórico e na superioridade das sociedades modernas sobre as tradicionais. Em contraste, a nova esquerda cultural era mais nietzschiana e relativista, atacando os valores cristãos e democráticos em que se tinha baseado o Iluminismo. A cultura ocidental era vista como a incubadora do colonialismo, do patriarcado e da destruição ambiental. Esta crítica filtrou-se depois de volta aos Estados Unidos sob a forma do pós-modernismo e do desconstrucionismo nas universidades americanas.”
 
(Só uma nota à margem, antes de prosseguir com este tema: a forma como algumas destas campanhas se desenvolvem parece estar a virar-se contra elas, notando esta semana a The Economist que After a year of #MeToo, American opinion has shifted against victims. Mais: “These changes in opinion against victims have been slightly stronger among women than men. Rather than breaking along gendered lines, the #MeToo divide increasingly appears to be a partisan one. On each of these three questions, the gap between Trump and Clinton voters is at least six times greater than the one between genders.” ver gráficos abaixo)

 
Voltando à Alemanha e à sua paisagem política mais uma derradeira recomendação de leitura, esta do Financial Times, o seu longo e interessante trabalho How social democracy lost its way: a report from Germany. Bem sei que em Portugal se pensa que os nossos socialistas (assim como os outros partidos) estão imunes aos novos fenómenos políticos, mas não posso deixar de acompanhar a ideia de que “The fall of the once-mighty SPD holds lessons for socialist parties across Europe”. Misto de viagem pela história e de mergulho nas raízes locais do SPD a par com um leitura política do que lhe está a acontecer, neste artigo nota-se que já ninguém acredita que algum dia as coisas voltem a ser como foram nos anos de ouro do maior partido social-democrata da Europa: “Many of the party’s core voters have seen their lives turned upside down by sweeping economic and social change, from globalisation and automation to mass migration. The SPD, once so confident in the righteousness of its cause, has struggled to formulate a response. “The SPD has a leadership problem and a narrative problem,” says Andrea Römmele, a professor at Berlin’s Hertie School of Governance. “The party has no story to tell to the voters, and a story is what voters need.” The unspoken assumption inside the SPD is that the party is too important to fail. The broader fear, however, is this: if the Social Democrats fail here, they are not safe anywhere.”
 

Vivemos pois tempos de poucas certezas, parecendo que certezas sobre o que se passa noutros países só existem em Portugal. Desculpem-me esta frontalidade mas o nosso noticiário internacional é tão marcado pelo preconceito e pela incapacidade de perceber que estamos perante realidades novas que apetece dar um novo salto, desta feita até ao Brasil, pois enquanto por cá se subscrevem abaixo-assinados, no Brasil mesmo personalidades como Fernando Henrique Cardoso recusam-se a tomar posição e não cedem à pressão do PT para apelarem ao voto contra Bolsnaro. Numa entrevista ao Estado de São Paulo, 'Não estou vendendo a minha alma ao diabo', diz FHC, o antigo presidente é muito duro: “Quem inventou o nós e eles foi o PT. Eu nunca entrei nessa onda. Agora o PT cobra... diz que tem de (apoiar). Por que tem de automaticamente apoiar? É discutível. (O PT) Não faz autocrítica nenhuma. As coisas que eles dizem a respeito do meu governo não correspondem às coisas que acho que fiz. Por que tenho que, para evitar o mal maior, apoiar o PT? Acho que temos de evitar o mal maior defendendo democracia, direitos humanos, liberdade, contra o racismo o tempo todo.” Mais: “O PT tem uma visão hegemônica e prepotente. Isso não é democracia. Democracia implica em abrir o jogo e aceitar a diversidade.”
 
Esta posição de Fernando Henrique levou mesmo aquele grande jornal brasileiro a escrever um editorial, A prepotência petista, em que faz questão de sublinhar que Haddad e o PT não podem apagar a sua marca na governação do Brasil durante 13 anos: “Por ter sistematicamente desrespeitado aqueles que não aceitaram sua busca por hegemonia, por ter jogado brasileiros contra brasileiros e por ter empobrecido a política por meio da corrupção e do populismo rasteiro, o PT colhe agora os frutos amargos – na forma de um repúdio generalizado ao partido em quase todo o País e da desmoralização de sua tentativa de vestir o figurino democrático, que nunca lhe caiu bem.”
 
Cito estas passagens pois sem compreender a dimensão da rejeição daquilo a que os brasileiros chamam “lulopetismo” não se entende o fenómeno Bolsonaro – e a recusa de tantos em sequer encararem a hipótese de votarem em Hadadd. E há mais, como explica Roger Boyes num interessante ensaio no The Times, Triumph of the strongman has worrying echoes of the Thirties: “Strongman leaders don’t emerge out of a vacuum. Rather, they present themselves as the answer, however imperfect, to three existential questions: who can we trust with the most intimate of our fears? Who can restore our national confidence in uncertain times? Who will give us permission to suspend troubled thoughts about the future? These are emotional needs often born out of a delayed reaction to trauma.”
 
Tempos difíceis e confusos, onde por vezes as soluções não são as mais ortodoxas. Na Alemanha, como vimos, há quem deseja que Os Verdes ocupem o lugar o lugar que em tempos foi do FDP, os liberais. Mas na Áustria, para travar a extrema-direita, há quem acha que o melhor é tê-la domesticada no governo, e isso parece não estar a resultar mal como conta o Politico em How One 'Political Wunderkind' Is Outmaneuvering the Far Right. Enfim, muito em que pensar, mesmo sendo numerosas e contraditórias as pistas, pois já nada parece ser como era.   
 
Tenham bom (mas tardio, se for o caso) descanso. 

 
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CERIMÓNIA MILITAR EVOCATIVA DO FIM DA GRANDE GUERRA - 04 Novembro 2018.

Para todos@s eventuais interessados@s, combatentes, sócios@s ou não


 Estimados consócios,

Quando passam cem anos sobre o fim do conflito da 1ª Guerra Mundial, conflito que foi penosamente longo e militarmente mortífero, as Forças Armadas, evocando o Centenário do Armistício, prestam homenagem a todos os portugueses que se bateram nos campos de batalha de África e da Europa, na defesa da sua Pátria, sendo que sobre todos se levanta a memória daqueles que caíram e deram a vida por Portugal.

Este momento pretende não só honrar a memória de todos os militares e polícias falecidos no cumprimento do dever, mas também celebrar a vida, a generosidade e a entrega de tantos que, pela sua doação, contribuíram e contribuem todos os dias para a edificação da paz, da segurança e da liberdade e da coesão nacional.

Com este objectivo, militares dos três ramos das Forças Armadas, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública, reúnem-se numa grande parada militar no próximo dia 4 de Novembro, às 11h00, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

PROGRAMA

10h10  Formatura pronta

11h00 Chegada da Entidade que preside à cerimónia; Honras Militares; Revista às Forças em parada.

11h10 Homenagem aos Militares Mortos em campanha (Deposição de coroa flores no Monumento aos militares mortos na Grande Guerra e passagem de aeronaves)

11h35 Imposição de condecorações aos Estandartes dos Ramos

12h00 Inicio do desfile