quarta-feira, 29 de julho de 2026

Opinião | O General que poderia ter sido o ditador em vez de Salazar

 A História tem um estranho hábito de nos convencer de que aquilo que aconteceu era inevitável. Olhamos para trás e parece-nos impossível imaginar Portugal sem Salazar à frente do Estado Novo, como se o professor de Coimbra tivesse caminhado sozinho para o poder, sem rivais, sem alternativas e sem que o destino pudesse ter escolhido outro protagonista. Mas a verdade é muito diferente. Houve um tempo em que muitos portugueses olhavam para outra figura com igual ou maior expectativa. Não era um académico. Não era um financeiro. Não era um político profissional. Era um general cuja vida parecia reunir todas as qualidades que um país cansado da desordem procurava: coragem, prestígio, autoridade, inteligência e uma obra feita. O seu nome era João de Almeida.
Hoje, quase ninguém fala dele. E, no entanto, se perguntarmos quem foi responsável por uma parte decisiva da definição da fronteira meridional de Angola, quem administrou territórios africanos com reconhecida competência, quem arriscou a vida inúmeras vezes nas campanhas de África, quem chegou a ministro, quem revelou igualmente talento como empresário e quem, depois do 28 de Maio de 1926, era apontado por muitos como um possível Presidente do Conselho de Ministros, a resposta conduz-nos sempre ao mesmo homem.
Poucas biografias portuguesas conseguem reunir tantas vidas numa só. João de Almeida começou por estudar Filosofia e Engenharia Civil na Universidade de Coimbra, formação que lhe deu um método de pensamento rigoroso e uma capacidade de organização pouco comum. Poderia ter seguido uma carreira técnica confortável. Preferiu a farda. E foi nela que construiu uma reputação que rapidamente ultrapassou os quartéis.
África transformou-o. Ou talvez seja mais correto dizer que foi em África que Portugal descobriu verdadeiramente João de Almeida. As campanhas militares colocaram-no diante de perigos permanentes, doenças, longas marchas, emboscadas e combates em condições extremas. Houve momentos em que a morte esteve perigosamente próxima e em que bastaria um pequeno acaso para que o seu nome figurasse apenas entre tantos oficiais tombados nas campanhas ultramarinas. Sobreviveu. E dessa sobrevivência nasceu uma lenda.
Não por acaso, ficou conhecido como o "Herói dos Dembos". Não era apenas um comandante que sabia vencer batalhas. Era também um administrador capaz de transformar territórios, compreender populações e pensar estrategicamente o futuro da presença portuguesa em África. Foi-lhe confiada uma das mais delicadas missões da política ultramarina portuguesa: consolidar a fronteira meridional de Angola numa época em que as grandes potências europeias disputavam cada parcela do continente africano. Aquilo que hoje observamos num mapa parece uma simples linha. Naquele tempo, essa linha representava diplomacia, autoridade, estratégia militar e capacidade política. João de Almeida deixou nela uma marca duradoura.
Seria injusto, porém, vê-lo apenas como um militar. Terminada a fase mais intensa da sua carreira nas armas, demonstrou possuir uma rara capacidade de gestão, assumindo responsabilidades em importantes empresas portuguesas. Presidiu conselhos de administração, dirigiu companhias e provou que a liderança não dependia exclusivamente do uniforme. Poucos generais da sua geração conseguiram afirmar-se simultaneamente como militares, administradores públicos e empresários de sucesso.
Entretanto, Portugal vivia um dos períodos mais turbulentos da sua História. A Primeira República acumulava crises políticas, governos efémeros, instabilidade social e dificuldades financeiras. O descrédito das instituições crescia e, para muitos portugueses, apenas um homem de autoridade poderia devolver ao país a estabilidade perdida. Quando a Ditadura Militar surgiu na sequência do movimento de 28 de Maio, ninguém sabia quem seria o verdadeiro líder do novo regime. Havia vários candidatos naturais. Entre eles, destacava-se João de Almeida.
O seu currículo impressionava. Era respeitado no Exército, possuía experiência governativa, tinha prestígio junto de amplos setores conservadores, revelara competência administrativa em África e conquistara notoriedade nacional. Não surpreende, por isso, que o seu nome fosse frequentemente referido como uma solução credível para chefiar o Governo. Tudo parecia apontar para um militar consagrado.
Mas a História gosta de surpreender.
Enquanto os olhares se concentravam nos generais, um professor de Economia da Universidade de Coimbra ia conquistando espaço com uma estratégia completamente diferente. António de Oliveira Salazar nunca teve o carisma militar de João de Almeida, nunca comandou tropas em campanha nem construiu a sua autoridade no campo de batalha. A sua força encontrava-se noutro lugar: na disciplina financeira, na paciência política e numa capacidade extraordinária para tornar indispensável um homem que parecia não desejar o poder.
Foi essa a diferença decisiva.
João de Almeida representava a autoridade visível. Salazar representava a autoridade silenciosa. Um impressionava pela biografia; o outro pela eficácia. Um chegava através da espada; o outro através da caneta. Um parecia destinado a governar; o outro acabou por convencer todos de que só ele podia fazê-lo.
Se João de Almeida tivesse recebido a missão de formar Governo, talvez Portugal tivesse conhecido um regime mais assumidamente militar, com maior protagonismo dos generais e uma organização política diferente daquela que acabámos por conhecer. Nunca o saberemos. A História não permite repetir experiências.
Mas é precisamente por isso que figuras como João de Almeida merecem regressar ao debate histórico. Não porque possamos afirmar que teria governado melhor ou pior do que Salazar, nem porque possamos garantir que teria seguido exatamente o mesmo caminho. Merecem ser recordadas porque nos lembram de uma verdade frequentemente esquecida: Salazar não era inevitável.
A História de Portugal poderia ter seguido outro rumo. E esse caminho alternativo tinha o rosto de um homem que quase morreu em África ao serviço do país, ajudou a definir as fronteiras portuguesas no continente africano, revelou talento como administrador e empresário e chegou tão perto do centro do poder que, durante algum tempo, muitos acreditaram que seria ele — e não Salazar — a dirigir o destino da nação.
Talvez seja essa a maior injustiça da História. João de Almeida não perdeu uma eleição nem foi derrotado numa batalha decisiva. Foi simplesmente ultrapassado por um homem cuja forma de conquistar o poder ninguém conseguiu antecipar. E, por vezes, basta isso para que um protagonista quase desapareça da memória coletiva.
Há heróis que entram para a História porque governaram. Outros merecem ser lembrados porque estiveram suficientemente perto de a mudar.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Expofacic lança prémio “Melhor Ornamentação” das tasquinhas para valorizar a identidade e a criatividade

 
A Expofacic - Exposição Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede vai distinguir este ano a tasquinha do evento com a melhor ornamentação, ou seja, com a decoração mais elaborada, cuidada, harmoniosa e identitária.
A iniciativa tem como objetivo reconhecer e valorizar o empenho das associações na criação de espaços que dignifiquem a identidade das freguesias e do concelho de Cantanhede.
As tasquinhas constituem um dos principais ex-líbris da Expofacic, sendo um espaço privilegiado de promoção da gastronomia, da cultura, das tradições e do dinamismo associativo. A sua imagem contribui de forma determinante para a experiência dos milhares de visitantes que, todos os anos, escolhem a nossa feira.
Mais do que um concurso, esta ação pretende reforçar ainda mais a atratividade deste setor e incentivar a valorização do património local, da identidade territorial e da qualidade global do espaço das tasquinhas”, sublinhou o presidente do Conselho de Administração da INOVA-EM, Pedro Cardoso.
De acordo com o regulamento, a avaliação das ornamentações terá por base um conjunto de critérios que visam reconhecer o empenho, a criatividade e a qualidade do trabalho desenvolvido pelas associações.
Serão valorizadas a criatividade e a originalidade das propostas, a qualidade da execução e a atenção ao detalhe, a representação da identidade cultural e territorial, a harmonia e integração dos diferentes elementos decorativos, bem como a adoção de soluções sustentáveis, privilegiando a reutilização de materiais e as boas práticas ambientais.
Concorrem ao prémio monetário, no valor de 750 euros, todas as tasquinhas oficialmente atribuídas às Associações/Coletividades pelas respetivas Juntas/uniões de Freguesia.
A participação é automática, não sendo necessária inscrição prévia. A avaliação será realizada pela Comissão de Júri, Comissão de Honra, Comissão Organizadora e pelo público.
A Comissão de Júri é composta por um representante da Comissão Organizadora da Expofacic, um especialista convidado nas áreas de design, decoração ou arquitetura e ainda um representante ligado ao património cultural, turismo ou tradições locais.
No primeiro dia da feira será divulgado o link para votação do público. 

7ª EDIÇÃO DA FESTA DO VINHO TEVE EXCELENTE ADESÃO FREGUESIA DE SANTA MARIA DE SARDOURA VOLTOU A CONTABILIZAR UM GRANDE SUCESSO

Voltou a ser um êxito a 7ª edição da Festa do Vinho, Gastronomia e Actividades, uma iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Santa Maria de Sardoura, que decorreu no passado fim de semana no Largo do Fundo do Adro, traduzindo-se num certame de sucesso, que voltou a registar uma fantástica adesão, e que reuniu a participação de 30 expositores locais, entre muita animação musical, ao longo de três dias de festa. 
Ao longo do fim de semana, e apesar de noite de Sexta-Feira ter registado alguma instabilidade climatérica, Santa Maria de Sardoura apresentou um evento que voltou a superar as expectativas e reuniu produtores, expositores, associações, comissões de festa, e centenas de visitantes, tudo num ambiente de grande convívio, com tradição, música, gastronomia e promoção do território local. 
O programa apresentado este ano, voltou a ser orientado para dar a conhecer os vinhos da freguesia, a gastronomia local, a doçaria tradicional, o artesanato e aquilo que de melhor se produz neste recanto do território paivense, e voltou a contar com um programa aliciante, onde não faltou a animação musical, traduzida na apresentação de grupos de concertinas, ranchos folclóricos, grupos de bombos, concertos e os tradicionais bailaricos, potenciando uma saudável convivialidade. 
O presidente da Junta de Freguesia, Miguel Duarte, mostrou-se feliz por ver que o certame está perfeitamente consolidado e mantem a sua matriz de sucesso, ao afirmar a importância da vitivinicultura, gastronomia e artesanato para a freguesia e para o concelho, proporcionando a divulgação dos produtos locais e valorizando o trabalho, a dedicação e o saber de quem mantém viva esta tradição.
O edil paivense Ricardo Cardoso destacou na cerimónia de abertura, a excelente organização do certame, cada vez mais atractivo e funcional, e enalteceu a presença dos diversos produtores vitícolas e dos expositores, bem como dos voluntários e a todos aqueles que continuam a contribuir para o sucesso de mais uma edição desta festa, que continua a afirmar Santa Maria de Sardoura como uma referência na promoção dos seus vinhos e das suas tradições.
A abertura oficial do certame contou com o habitual lanche de grelhados, oferecido pela Junta de Freguesia, com as intervenções alusivas ao evento e o habitual périplo para a entrega dos certificados de presença aos expositores, seguindo-se uma Aula de Zumba, e a actuação do grupo Amantes do Douro, sendo que à noite a festa continuou com animação de rua, destacando-se a exibição do Rancho Folclórico de S. Martinho, para além da aparição no recinto das Gaitas Daninhas e da actuação do Banda “ Nova Dança “, encerrando o primeiro dia com a animação a cargo do DJ Bruno Falcão. 
Já no Sábado, o certame abriu portas ao início da tarde, com as Concertinas “ Os Ramadas “e animação de Nel Marçal, pelo recinto e junto dos expositores, sendo que, a partir das 21h30, a animação de rua esteve a cargo dos Bombos “Os Amigos de Cima “ e do grupo Kamuf, seguindo-se o concerto da Banda “ Novo Show “, com o encerramento da noite a merecer o registo do DJ Ricardo Ramalho.
Para Domingo, último dia do certame, a Festa do Vinho reabriu depois do almoço, com animação e insufláveis para as crianças, sendo a tarde preenchida com a participação do teclista Paulo Soares, para o habitual bailarico popular, registando-se ainda a presença do DJ Pedro Sousa, em jeito de encerramento do certame ao final do dia. 
Recorde-se que esteve evento popular contou com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, e o novo autarca local, Miguel Duarte, evidenciou natural satisfação pela boa adesão de visitantes que foi conseguida nesta sétima edição, desejando que a iniciativa possa continuar a consolidar-se, ajudando a dinamizar e a valorizar ainda mais a freguesia de Santa Maria de Sardoura.






*Carlos Oliveira
Gabinete de Comunicação Relações-Públicas e Protocolo
Assessor de Imprensa

Portugal mobiliza a capacidade nacional rescEU para apoiar França no combate aos incêndios rurais


Na sequência dos incêndios rurais que afetam o município de Saumos, em França, e em resposta à ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (UCPM) pelas autoridades francesas, Portugal, através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), mobiliza esta sexta-feira, 24 de julho, a capacidade rescEU posicionada em território nacional, para apoiar as operações de combate aos incêndios.

A missão é constituída por duas aeronaves do tipo Fire Boss (aviões bombardeiros médios anfíbios) e por uma equipa de sete elementos, integrando dois representantes da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), três pilotos e dois mecânicos do operador aéreo.

A partida está prevista para as 08h30, com as aeronaves a descolarem do Aeródromo de Vila Real, estando a chegada ao Aeroporto de Bordeaux-Mérignac prevista para as 13h00 (hora local).

O apoio logístico à missão será assegurado pela Força Aérea Portuguesa, através de uma aeronave C-130, responsável pelo transporte do pessoal e do equipamento de manutenção das aeronaves. Esta aeronave partirá da Base Aérea n.º 6, no Montijo.

A capacidade destacada integra a reserva europeia rescEU, criada no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia para reforçar a resposta dos Estados-Membros perante emergências de grande dimensão, nomeadamente incêndios rurais, sempre que as capacidades nacionais se revelem insuficientes.

A ANEPC mantém o acompanhamento permanente da evolução da situação e do perigo de incêndio rural, assegurando que este destacamento é efetuado sem comprometer a capacidade de resposta operacional em território nacional.

*Alcina Coutinho
Chefe de Divisão
Divisão de Comunicação e Sensibilização
Presidência

ANEPC conclui missões internacionais de apoio no combate aos incêndios em Espanha e França


Espanha
A Força Operacional Conjunta (FOCON), mobilizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) para apoiar Espanha no combate aos incêndios rurais na província de Ávila, regressa a Portugal esta quarta-feira, dia 29 de julho, após a conclusão da missão.

A Força foi mobilizada no dia 25 de julho, na sequência de um pedido de um apoio formulado pelas autoridades espanholas, ao abrigo do protocolo em vigor entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha sobre ajuda mútua em matéria de Proteção Civil.

Coordenada pela ANEPC, a FOCON é constituída por 128 operacionais, provenientes da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, dos Corpos de Bombeiros Voluntários da Sub-região das Beiras e Serra da Estrela e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Ao longo da missão, os operacionais portugueses integraram o dispositivo espanhol de combate aos incêndios rurais, desenvolvendo a missão de combate aos incêndios em estreita articulação com as autoridades locais e contribuindo para a proteção de pessoas, bens e património natural.

França
A equipa nacional enviada para França no dia 24 de julho, na sequência de um pedido de assistência daquele país ao abrigo do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, tem regresso previsto a Portugal na próxima quinta-feira, dia 30 de julho.

A missão, que reúne a reserva rescEU posicionada em território nacional, é liderada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e composta por duas aeronaves do tipo Fire Boss (aviões bombardeiros médios anfíbios) e por uma equipa de sete elementos, que integra dois representantes da ANEPC, três pilotos e dois mecânicos do operador aéreo.

*Alcina Coutinho
Chefe de Divisão
Divisão de Comunicação e Sensibilização
Presidência

CERCA DE 80 PARTICIPANTES PERCORRERAM OS TRILHOS NATURAIS DE SÃO PEDRO DE MOEL

 Cerca de 80 pessoas participaram, no passado domingo, na caminhada “Da Falésia ao Coração do Ribeiro de São Pedro”, promovida pelo Município da Marinha Grande, numa iniciativa que proporcionou o contacto direto com alguns dos mais emblemáticos espaços naturais de São Pedro de Moel.
Ao longo de aproximadamente 10 quilómetros, os participantes percorreram a faixa costeira entre o Miradouro de São Pedro de Moel e a praia de Água de Madeiros, apreciando as falésias, formações rochosas e a paisagem atlântica característica desta zona do concelho. O percurso seguiu depois pelo Pinhal de Leiria, através da Ciclovia da Estrada Atlântica, passando pelo Ponto Novo e terminando junto à Ponte Nova, no Ribeiro de São Pedro de Moel.
A atividade aliou a prática de exercício físico à descoberta do património natural e paisagístico local, permitindo aos participantes conhecer melhor os ecossistemas existentes entre o litoral e a zona ribeirinha.
O próximo passeio pedestre promovido pelo Município da Marinha Grande está agendado para o dia 30 de agosto, às 09h00, com concentração junto ao Arquivo Municipal da Marinha Grande, de onde partirá o transporte gratuito para o local de início do percurso.



*Gabinete de Comunicação e Imagem

PASSEIO GUIADO REVELOU 200 MILHÕES DE ANOS DE HISTÓRIA GEOLÓGICA EM SÃO PEDRO DE MOEL

 O passeio na natureza “As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade”, promovido pelo Município da Marinha Grande no passado dia 26 de julho, proporcionou aos participantes uma viagem única pela história geológica de São Pedro de Moel, considerada uma das mais importantes referências nacionais para o estudo do Jurássico Inferior.
Integrada no programa de sensibilização ambiental da Bandeira Azul, a iniciativa foi orientada pelo Professor Doutor Luís Vítor Duarte, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, investigador que tem dedicado grande parte da sua carreira ao estudo, divulgação e valorização do património geológico e paleontológico da região.
Ao longo do percurso, realizado entre a Praia Velha e São Pedro de Moel, os participantes tiveram oportunidade de observar alguns dos mais relevantes afloramentos calcários do país, cuja formação remonta a cerca de 200 milhões de anos, e compreender a evolução geológica deste território durante o período Jurássico.
Através das explicações científicas e da observação direta das formações rochosas, foi possível “mergulhar” nos antigos mares que ocuparam esta região, descobrindo um património natural de valor excecional. São Pedro de Moel é reconhecida pela abundância e diversidade de fósseis encontrados nas suas arribas, incluindo invertebrados marinhos, peixes e estruturas produzidas por organismos microbianos, constituindo um verdadeiro laboratório natural para investigadores e amantes da paleontologia.
Segundo o Professor Doutor Luís Vítor Duarte, “São Pedro de Moel, conhecida como o ex-libris da região, apresenta uma geologia de excelência devido aos seus afloramentos de rochas do período Sinemuriano, com cerca de 200 milhões de anos. Estas rochas proporcionam uma rica diversidade geológica para estudo e apreciação”.
A iniciativa contou com a participação de várias dezenas de pessoas e reforçou os objetivos do Município da Marinha Grande de promover a educação ambiental, a divulgação científica e a valorização dos recursos naturais do concelho, sensibilizando a comunidade para a importância da conservação deste património único.
O programa de valorização do património geológico de São Pedro de Moel prossegue no próximo mês de setembro, com novas iniciativas orientadas pelo Professor Doutor Luís Vítor Duarte. No dia 12 de setembro, realiza-se a palestra “As Arribas de São Pedro de Moel Guardam os Registos Geológicos Mais Completos do Mundo” e, no dia 13 de setembro, terá lugar uma nova edição do passeio na natureza “As Arribas Calcárias de São Pedro de Moel – Histórias Geológicas com 200 Milhões de Idade”.

*Gabinete de Comunicação e Imagem