domingo, 7 de janeiro de 2018

Constança Urbano de Sousa: “Ser mulher pesou na forma por vezes desrespeitosa” como “fui tratada por alguns”

Constança Urbano de Sousa admite que ficou magoada com algumas pessoas que embarcaram "na espiral das acusações fáceis" depois da tragédia dos incêndios.
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A ex-ministra de Administração Interna Constança Urbano de Sousa admite que, se pudesse voltar atrás, “provavelmente” evitaria as declarações que fez por altura dos incêndios que fustigaram o país. Em entrevista à Notícias Magazine, afirma que não é “calculista” e não faz nada a pensar no “sound byte”. E acredita que, se fosse um homem a passar pelas mesmas circunstâncias, “talvez tivesse merecido mais respeito”.
Ainda que admita que provavelmente evitaria as declarações feitas por altura dos incêndios, Constança Urbano de Sousa salienta que “fazer a análise no fim do jogo é bem mais fácil”. “Somos um país de treinadores de bancada e todos temos uma opinião, baseada muitas vezes em ideias ligeiras. Ir ao fundo dos problemas dá muito trabalho e exige reflexão”, acrescenta a professora, que se demitiu do cargo de ministra em outubro de 2017.
Apontando para pessoas que falam “sem calçarem os sapatos dos outros”, a ex-governante nota que “aquele momento foi aquele momento”. “E como não sou calculista, nem gostaria de ser, não fiz nem faço nada a pensar no sound byte ou para o momentinho televisivo. E era fácil — basta ser-se minimamente esperto para perceber o que os jornalistas querem ouvir. Acontece que não estava a trabalhar para imprensa mas para o meu país. Trabalho para as pessoas”, diz.
Na entrevista, Constança Urbano de Sousa revela que ficou magoada com algumas pessoas, “que tinha por sérias e inteligentes”, que embarcaram “na espiral das acusações fáceis, reduzindo todas as tragédias, fruto de uma série de fatores e de desinvestimentos de décadas, à minha competência ou falta dela”. Aliás, a ex-ministra acha que o facto de ser mulher pesou nesse tratamento. “Senti que se tivesse sido um homem a passar pelas mesmas circunstâncias talvez tivesse merecido mais respeito. Acredito que ser mulher pesou na forma por vezes desrespeitosa, deselegante e malcriada como fui tratada por alguns“, sublinha.
A professora recorda ainda o episódio em que chorou por altura da homenagem a um jovem polícia abatido em serviço. “Descobri que para alguns opinion makers uma mulher que chora é fraca. E se é fraca é incompetente, não serve. Já se um homem chora, bom, aí é sinal de grande sensibilidade. O que é uma forma absolutamente misógina e sexista de abordar a questão”, nota.
Fonte:eco

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