domingo, 28 de junho de 2026

Cantanhede | Ex-ministra Elvira Fortunato iniciou ciclo de conferências promovidas pelo Município


Sociedades modernas devem ligar a ciência, ao conhecimento e responsabilidade pública

A ex-ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, deu o pontapé de saída no ciclo de conferências “Cidadania, liberdade e democracia no século XXI”, iniciativa inserida no projeto “Jaime Cortesão Intelectual, Historiador e Resistente: Memória, Exposição e Musealização” (2026–2029), que procura promover a reflexão sobre os desafios da cidadania ativa nas sociedades democráticas contemporâneas, inspirando-se no legado de Jaime Cortesão enquanto intelectual, historiador e resistente.
A cientista abordou o papel da ciência e da inovação na construção de sociedades mais informadas, participativas e democráticas, destacando a importância do conhecimento como instrumento essencial para o exercício de uma cidadania consciente e para o fortalecimento das instituições democráticas.

A abrir a sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, justificou o projeto dedicado a Jaime Cortesão “não apenas como um ato de justiça histórica, mas também enquanto dever cívico de preservação dos valores democráticos pelos quais ele [Jaime Cortesão] tanto lutou”.

“A vastidão de domínios que cobriu merece ser sublinhada e por isso reitero aquilo que os especialistas académicos referem relativamente à obra de Jaime Cortesão: nada nele era volátil ou fortuito”, enfatizou.

Pedro Cardoso agradeceu a presença de Elvira Fortuna no arranque deste ciclo – “uma mente brilhante da nossa contemporaneidade”, anotou -, adiantando que ao longo do ano, outras personalidades de reconhecido mérito contribuirão para aprofundar a reflexão em torno dos desafios da cidadania, da liberdade e da democracia no século XXI.
Antes de conferência, também António Rafael Amaro, curador do projeto dedicado a Jaime Cortesão, começou por destacar que “esta iniciativa dá continuidade ao trabalho consistente do Município de Cantanhede na valorização da cultura, da história e do conhecimento”, e que por isso este ciclo “consistiu um exemplo feliz desse compromisso”. “Cantanhede contribui para a preservação histórica de um dos seus maiores”, reforçou.

Sobre a escolha de uma das mais reputadas cientistas da atualidade para esta primeira conferência, o também professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra referiu que “o objetivo era dar voz a alguém que simboliza exemplarmente a ligação entre a ciência, conhecimento e responsabilidade pública”.

Já Elvira Fortunato iniciou a sua intervenção com um agradecimento ao Município de Cantanhede, não só pelo convite que lhe foi endereçado, mas também pela “iniciativa tão nobre de lembrar pessoas que fizeram muito pelo nosso país”, como é o caso de Jaime Cortesão.

Sobre o tema do ciclo de conferências - “Cidadania, liberdade e democracia no século XXI” -, a ex-ministra lembrou que “vivemos numa época em que o conhecimento se tornou o recurso mais valioso das sociedades”. “Hoje em dia, um dos principais fatores do desenvolvimento é a capacidade que temos de gerar conhecimento, transformá-lo em inovação e, acima de tudo, colocá-lo ao serviço de todos nós. Por isso, acredito que a ciência é um dos pilares fundamentais das democracias modernas e da liberdade, e contribui para a qualidade das políticas públicas”, começou por referir. Lembrou ainda que “uma democracia saudável depende de cidadãos capazes de analisar informação, distinguir factos e opiniões e tomar decisões informadas”.

Antes ainda de falar do seu percurso na investigação e das inúmeras distinções que constam do seu currículo, Elvira Fortunato alertou que “mais do que nunca, precisamos de uma sociedade que valorize o conhecimento, porque a melhor forma de preparar o futuro não é prevê-lo, é construi-lo através da educação, da ciência e da participação cidadã”.

O projeto “Jaime Cortesão Intelectual, Historiador e Resistente: Memória, Exposição e Musealização” (2026–2029) conta com um vasto programa. Para além do ciclo de conferências, prevê palestras em escolas, um congresso e exposição internacional, um protocolo com a Cátedra Jaime Cortesão – Universidade de São Paulo, e a definição do conceito de Casa-Museu Jaime Cortesão.

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