quarta-feira, 3 de junho de 2026

ExpoFlorestal 2026 afirma a floresta como setor estratégico para o futuro do país


Com 28 mil visitantes, crescimento de 10% e forte adesão empresarial, institucional e técnica, a 14.ª edição deixa uma mensagem clara ao setor: há conhecimento, tecnologia e disponibilidade dos agentes do setor para transformar a floresta num ativo económico, ambiental e territorial de primeira linha.

A ExpoFlorestal 2026 encerrou em Albergaria-a-Velha com um balanço amplamente positivo e uma mensagem que vai muito além dos números: a floresta portuguesa tem hoje um setor mobilizado, atento aos desafios do território e preparado para assumir um papel central no futuro económico, ambiental e social do país.

Com cerca de 28 mil visitantes, 150 expositores diretos, 230 marcas representadas e uma área de 10 hectares, a 14.ª edição reforçou o posicionamento da ExpoFlorestal como principal ponto de encontro da fileira florestal em Portugal. O crescimento de cerca de 10% face à edição anterior confirma a vitalidade do certame e demonstra a capacidade de mobilização de instituições, indústrias e empresas, academia, técnicos e proprietários.

Depois de, na fase de lançamento, se apresentar como a edição mais participada e tecnológica de sempre, a ExpoFlorestal 2026 confirmou essa ambição no terreno. Durante o certame, ficou evidente que a floresta é hoje muito mais do que um espaço de produção: é um território de inovação, conhecimento, bioeconomia, prevenção, energia, indústria, emprego e valorização das comunidades.
Um setor com escala, diversidade e ambição

O perfil dos participantes voltou a demonstrar a abrangência da ExpoFlorestal enquanto espaço de encontro de toda a cadeia de valor da floresta. Entre as entidades presentes estiveram instituições públicas como o ICNF, a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, os Municípios de Albergaria-a-Velha e Mortágua e a ACT, bem como associações setoriais como a AIMMP, a BIOND, o Centro PINUS, a FORESTIS e a CAP.

A par destas entidades, marcaram presença universidades, centros de conhecimento e empresas de referência da fileira. No plano empresarial, a edição de 2026 contou com grupos como Navigator, Altri, Sonae Arauco e Finsa Portugal, entre outras empresas ligadas à indústria, aos equipamentos, à energia, à inovação e aos serviços florestais.

A dimensão internacional do certame saiu igualmente reforçada, com participantes associados a marcas e componentes oriundos de pelo menos nove países europeus, entre os quais Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Estónia, Polónia, Áustria, Suécia e Finlândia. A presença de muitos visitantes espanhóis, em particular da Galiza, confirmou também o potencial ibérico da ExpoFlorestal e a crescente projeção transfronteiriça do evento.
Presença institucional reforça centralidade da floresta

A edição de 2026 ficou marcada por uma expressiva presença institucional, sinal claro da importância crescente da floresta na agenda pública nacional. Marcaram presença o Ministro da Agricultura e Mar, o Secretário de Estado das Florestas, o presidente e o vice-presidente da CCDR Centro, o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, presidentes dos municípios da Região de Aveiro, o presidente da ANAFRE, representantes do conselho diretivo do ICNF, federações de proprietários florestais, associações setoriais, indústrias e entidades financeiras, como o Crédito Agrícola.

Esta presença confirmou que os grandes desafios da floresta — da gestão ativa do território à prevenção de incêndios, da valorização dos recursos à atração de jovens e investimento — exigem respostas articuladas, capacidade de decisão e compromisso entre todos os agentes.
Tecnologia, digitalização e bioeconomia no centro do debate

A componente técnica da ExpoFlorestal 2026 confirmou o interesse crescente do setor por soluções ligadas à digitalização, monitorização, eficiência operacional e valorização dos recursos florestais.

Entre os conteúdos que geraram maior atenção estiveram a mesa-redonda “A Digitalização como motor da eficiência e da competitividade”, a sessão “Florestas Digitais – Sistema Informático Integrado para Supervisão, Controlo e Monitorização das Florestas”, a iniciativa “Inovação na Floresta” e a mesa redonda “A bioeconomia no setor florestal”.

Ao nível da inovação apresentada, a feira voltou a afirmar-se como montra de soluções tecnológicas e operacionais com aplicação direta no terreno. Estiveram em destaque plataformas informáticas de apoio à decisão em áreas como planeamento, logística, deteção remota e automação, bem como scanners laser para medição e monitorização florestal e máquinas de exploração florestal autónomas e altamente sofisticadas.

A mensagem deixada pela edição é clara: a floresta do futuro exige conhecimento, tecnologia, escala de intervenção e capacidade de transformar recursos em valor.
Aproximar os jovens de um setor em transformação

Outro dos sinais relevantes desta edição foi a aproximação às novas gerações. A visita de quase 600 alunos de seis escolas profissionais do país e alunos do 9.º ano das escolas de Albergaria-a-Velha refletiram uma aposta clara em mostrar o setor florestal como oportunidade de futuro.

Num momento decisivo de escolha de percursos académicos e profissionais, a ExpoFlorestal procurou mostrar aos mais jovens que a floresta é hoje um setor moderno, tecnológico, necessário e com espaço para novas competências.
Uma mensagem para o futuro da floresta portuguesa

No plano estratégico, a ExpoFlorestal 2026 deixa ao setor e ao país uma mensagem de ambição e responsabilidade. A floresta portuguesa precisa de mais gestão, mais escala, mais inovação, mais valorização económica e mais capacidade de fixar pessoas, conhecimento e investimento no território.

Entre as principais conclusões destacadas pela organização estão a necessidade de criar mais valor a partir dos produtos e serviços gerados pela floresta, potenciar o conhecimento e a tecnologia disponíveis, aumentar a eficiência operacional, ganhar escala de intervenção no território e aproximar os jovens de um setor em profunda transformação.

A próxima edição da ExpoFlorestal está já confirmada para maio de 2028, ainda sem data definida. A confirmação atempada desta continuidade pretende capitalizar o balanço positivo agora alcançado e dar desde já um sinal de estabilidade, confiança e ambição a todo o ecossistema florestal.

“Esta edição mostrou que a floresta não é apenas um desafio: é uma riqueza estratégica para o território, para a economia e para as comunidades. A forte adesão, a qualidade das demonstrações, o debate técnico, a presença institucional e o envolvimento de todos confirmam que há um setor mobilizado, exigente e disponível para construir soluções”, refere Luís Sarabando, da organização.

“Saímos desta ExpoFlorestal com sentido de missão reforçado. Sabemos que há ainda muito trabalho pela frente, mas também que, se tivermos capacidade de juntar conhecimento, tecnologia, experiência no terreno e compromisso coletivo, conseguiremos transformar a floresta num espaço de futuro”, acrescenta.

A ExpoFlorestal é organizada pela Associação Florestal do Baixo Vouga, pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha e pela ANEFA – Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, com o apoio do Município de Albergaria-a-Velha.

*Ricardo 

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