segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Mundo | ESPERAR É SABER

“Passeata dos Cem Mil”, em 26 de junho de 1968, no Rio de Janeiro
  • Péricles Capanema
“Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer”

É conhecido, os dois versos, símbolos das agitações de 1968 no Brasil, fazem parte de “Caminhando”, letra de Geraldo Vandré (ou “Para não dizer que não falei de flores”), ainda hoje repetidos a propósito de tudo e de nada. Não vou aqui discorrer sobre as disputas no interior da esquerda (inclusive a terrorista) refletidas nos mencionados versos. Quem conhecia as táticas revolucionárias, era a ilusão, poderia precipitar acontecimentos, passar por cima de atitudes prudenciais, enfatizadas por outros setores da esquerda, que postulavam a necessidade de esperar, em vista da apatia da opinião pública brasileira. “Pelas ruas marchando indecisos cordões”. O conhecimento traria a tática revolucionária eficaz, geradora da hora revolucionária, desencadearia engajamento nos vacilantes e apáticos; finalmente, causaria o acontecimento revolucionário decisivo.

Balelas. O amazônico acontecimento era outro. Ainda que escamoteado naqueles tempos em tantas análises, a apatia da opinião pública, que não aderia à pauta revolucionária, emperrava as possibilidades das correntes revolucionarias e inviabilizava seus planos. O povão estava noutra. Ainda hoje está noutra.

Com efeito, para ódio das lideranças comunistas e comunistoides, naquele ambiente de guerra fria, de choques entre comunismo e democracia liberal, entre religião e ateísmo, de tensões entre Rússia e Estados Unidos, o desinteresse popular pela esquerda no Brasil não publicado (ou divulgado) impedia o triunfo do programa revolucionário, favorecedor do bolchevismo.

Havia um matiz a pôr em relevo, existe forte ainda hoje: aderia de fato ao programa revolucionário apenas fatia minoritária da burguesia, do dinheiro ou da inteligência, enquistada sobretudo no alto empresariado, no clero, na academia e nos meios de divulgação. É a opinião publicada (diferente de opinião pública), gente muito divulgada. E, outrora como hoje, pois o quadro nas linhas gerais se mantém inalterado, tal fatia do público de forma arbitrária se julgava e ainda se julga porta-voz popular.

Convém lembrar, o ápice das mencionadas agitações foi a batizada pela mídia “Passeata dos 100 mil”, realizada em 26 de junho no Rio de Janeiro, várias vezes glosada entre outros por Nelson Rodrigues. Abaixo pincei um de seus comentários mais pertinentes:

“Vocês se lembram da Passeata dos Cem Mil, a famosíssima Passeata dos Cem Mil? Os meus leitores, se é que os tenho, já repararam que eu a cito muito. E por quê? Quem quiser entender as nossas elites e o seu fracasso encontrará nos Cem Mil um dado essencial. Não havia, ali, um único e escasso preto. E nem operário, nem favelado, e nem torcedor do Flamengo, e nem barnabé, e nem pé-rapado, nem cabeça de bagre. Eram os filhos da grande burguesia, os pais da grande burguesia, as mães da grande burguesia. Portanto, as elites. E sabem por que e para que se reunia tanta gente? Para não falar no Brasil, em hipótese nenhuma. O Brasil foi o nome e foi o assunto riscado. Picharam o nosso Municipal com um nome único: — Cuba. Do Brasil, nada? Nada. As elites passavam gritando: — “Vietnã, Vietnã, Vietnã!”.

Já disse, a situação continua hoje no miolo parecida à exposta pelo jornalista recifense décadas atrás: o povo distante das metas revolucionárias e um naco das elites, em parte por mimetismo e subserviência a modas estrangeiras, a elas atrelado. Formam um Brasil desnaturado, repito, mimetista e subserviente. Falador, expansivo — e divulgado. O mutismo toma conta da maioria. Será preciso que para felicidade nossa um dia os mudos falem. Para expandir uma boa influência.

É útil entronizar tal situação no alto de nossas reflexões ao analisar a presente crise a propósito da Amazônia e das queimadas que ali acontecem. Tal crise é muito mais presente no Brasil divulgado (o Brasil da opinião publicada) que no Brasil mudo. Aliás, a crise no presente está tomando rumo favorável ao Brasil. No curto prazo.

E no longo prazo? Só Deus sabe. É o que mais interessa, contudo. Desta crise, sob olhar de longo prazo, só vou pôr aqui em evidência um aspecto saneador, indispensável para sua boa solução, mas desconhecido quando não silenciado, como se poderá ver abaixo. Nunca devíamos nos esquecer dele.

Em síntese, agora um pouco utópico, mas que volte a ter relevância decisiva gente que represente de fato o Brasil no que tem de melhor em todos os âmbitos. É representação natural, nascida do fato, transcende a representação parlamentar e tende a moldá-la. Conta na vida real, ex facto oritur ius. Se não caminharmos nessa direção, o Brasil terá dias tristes pela frente. No caso, que seja excelente na correção, na inteligência, na habilidade, na firmeza. O clima seria outro, outros seriam os rumos e os resultados.

Existem ainda entre nós pelo menos raízes que, desenvolvidas, poderão dar origem a densa vegetação e finalmente dominar a paisagem, resgatando assim a imagem pátria, hoje maculada por quem não lhe quer bem. Será maneira de apagar incêndios, abafar queimadas, eliminar sequelas prejudiciais decorrentes da presente crise, se conduzida desastradamente. E de futuras.

Sem tal pano de fundo, o senso da necessidade de que o Brasil tenha uma representação à sua altura, será a bem dizer impossível escapar do ambiente tóxico em que a boçalidade, primarismo, oportunismo, arrogância, prepotência envenenam, por exemplo, as relações entre Brasil e França, de momento o entrevero mais doloroso, mas não único. É urgente que o vento leve embora tal fumaça e se restaure o clima puro, fresco, oxigenado, que em tempos passados começava a existir. Só nele os dois países poderão buscar seus melhores objetivos, sem sequelas de choques desnecessários, para dizer o mínimo. Pode demorar, é certo, mas que haja um trabalho nessa direção e se esperem os bons resultados. Esperar é saber.

Analiso então em rápidos traços a situação mais candente na crise atual, França e Brasil. A maior fronteira da França é com o Brasil. Mais importante que a linde extensa, a perder de vista, é a preservação e melhoria já de mais de século das relações especiais de apreço e consideração existentes entre os dois países; diria mais, tantas vezes de encanto mútuo. O francês já foi a segunda língua de todo brasileiro educado. E por sintomático repiso (já evoquei as palavras outras vezes) o que disse Fernand Braudel (1902-1985), dos maiores intelectuais franceses do século XX: “Foi no Brasil que me tornei inteligente. O espetáculo que tive diante dos olhos era um tal espetáculo de história, um tal espetáculo de gentileza social que eu compreendi a vida de outra maneira. Os mais belos anos de minha vida, eu passei no Brasil”.

Também emblemático, fato narrado por Gilberto Amado (1887 – 1969) em suas memórias deixa ver a relevância de se manter tal clima. Corria 1933, o homem público sergipano havia sido convidado para falar sobre Direito Penal na Sorbonne para professores de Direito e pessoas ligadas à área jurídica. Auditório benévolo, mas muito exigente, parte da alta cultura francesa ali presente. Um professor da Sorbonne, Georges Dumas (1866 – 1946), amigo do conferencista, o havia apresentado sob luz favorável. A expectativa era grande. Gilberto Amado assim começou sua conferência: “En venant du Brésil, ce pays du soleil, vers la France, je viens de la lumière vers la clarté” [Vindo do Brasil, este país do sol, para a França — venho da luz para a clareza]. Conquistados e encantados com o gancho, os presentes aplaudiram vivamente. A conferência foi um êxito. Antes de começar a lição, vê-se bem, o conferencista, na época das maiores expressões da inteligência brasileira, inclinava-se contente diante de uma das principais características da cultura francesa e a homenageava. Ali as elites da inteligência, de um e outro país, se oscularam para bem dos povos francês e brasileiro. É insano desprezar acervos assim, nutridos pela História, existentes nos mais variados âmbitos da vida social, determinantes, quando bem utilizados, para as relações benéficas entre os povos. Sem tal perfume, as reações entre a França e o Brasil (e também relações com outros países) terão sempre um travo azedo.

Falei da inteligência. Tratarei agora da inteligência, tato e firmeza. Um último fato. Há maneiras superiormente eficazes de lidar com os atentados à soberania e nós já as presenciamos. Em 1905 e 1906 (o caso Panther) foi violada a soberania brasileira em Itajaí, caso de marinheiro que trabalhava na canhoneira Panther. De um lado, estava uma das grandes potências do mundo, grande poder militar, a poderosa Alemanha do imperador Guilherme II. De outro, um país fraco e agrícola, com as relações exteriores a cargo do barão do Rio Branco (1845-1912) [Foto ao lado]. Hábil, seguro, educado e firme, o barão conduziu o caso de modo a que, a Alemanha julgasse melhor pedir desculpas formais ao Brasil. Qualquer biografia objetiva do barão do Rio Branco descreve bem o incidente. Por nota datada de 2 de janeiro de 1906, o representante alemão no Brasil, barão de Teutler, asseverou, não houvera intenção alguma de se desrespeitar a soberania do Brasil, bem como reiterou os votos de amizade. Mais ainda, informou que os responsáveis pelo incidente seriam submetidos a julgamento militar. Aqui está nota da pena do chefe da diplomacia brasileira: “O Governo Brasileiro aprecia devidamente a retidão e presteza com que o Governo Imperial procedeu no exame e decisão deste caso, dando mais uma prova dos seus elevados sentimentos de justiça. Não pode, entretanto — quaisquer que sejam os usos das marinhas de guerra em outros países — deixar de lamentar que o Comandante da Panther tivesse incumbido oficiais e praças da sua guarnição de fazer indagações em terra, mesmo obrando com a maior reserva e prudência, para verificar o paradeiro de um desertor, tanto mais quanto o mesmo Comandante declara que contava com a boa vontade das autoridades territoriais, às quais compete, incontestavelmente, praticar as diligências de polícia necessárias para a descoberta, captura e entrega de desertores”.

Por que recordo tudo isso? Preliminarmente, para tirar do mutismo (ou melhor, do olvido e do desconhecimento) fatos que merecem ser divulgados. Em segundo lugar, para subir os padrões de comparação, é sempre estimulante ter diante dos olhos modelos de excelência. Em terceiro, para lembrar a importância de criar ambiente permeado de elevação, em que floresçam a compreensão e a admiração mútuas (prévio ao surgimento de problemas), que facilite o bom encaminhamento das soluções. Todos os brasileiros que prestam esperam que passem as nuvens tóxicas, acabem as queimadas em nossa reputação (e as desautorizadas na Amazônia), para que o ar se torne cada vez mais impregnado de civilidade, inteligência e busca efetiva dos interesses nacionais. Como no exemplo de Gilberto Amado e do barão do Rio Branco que, nos casos relatados, agiram de maneira eficaz favorecendo interesses do Brasil. Esperemos e trabalhemos com paciência, com a esperança de chegar a bom porto. Em muitas ocasiões, esperar é saber.

ABIM

Açores: Furacão Lorenzo deve atingir “todo o arquipélago” na quarta-feira

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O furacão Lorenzo encontrava-se esta manhã a 2.200 quilómetros (km) a sudoeste dos Açores, e deverá atingir "todo o arquipélago" na quarta-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"Mantendo-se as previsões da trajetória, o centro do furacão deverá passar muito próximo do grupo Ocidental [ilhas das Flores e Corvo], afetando assim todo o arquipélago na próxima quarta-feira", indicou nota enviada hoje à imprensa pelo IPMA e assinada pela meteorologista Vanda Costa.
Para o grupo Ocidental, é esperado "vento sueste rodando para noroeste com rajadas na ordem dos 180 km/h (com uma probabilidade de 20% de a rajada máxima ser superior a 200 km/h), chuva forte e ondas de sudoeste com altura significativa entre 10 a 12 metros".
Já para o grupo Central dos Açores, formado pelas ilhas do Faial, Pico, São Jorge, Terceira e Graciosa, preveem-se "rajadas até 180 km/h (com uma probabilidade de 20% de a rajada máxima ser superior a 200 km/h, especialmente nas ilhas Faial, Pico e Graciosa), chuva forte e ondas de sudoeste com altura significativa entre 10 a 14 metros, com altura máxima de onda superior a 20 metros".
São Miguel e Santa Maria, as ilhas que formam o grupo Oriental do arquipélago, devem ter vento com rajadas até 100 km/h e ondas de altura significativa de sete a nove metros.
Contudo, e devido à distância a que o furacão se encontra, o IPMA assinala que "existe ainda incerteza relativamente à trajetória exata e respetiva intensidade com que poderá atingir o arquipélago", até porque "está prevista uma diminuição da intensidade do furacão nos próximos dias".
O furacão é de categoria 4 na escala de Saffir-Simpson, que oscila entre 1 e 5 e classifica a intensidade dos fenómenos desta natureza.
O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, esteve no sábado reunido com diversos membros do executivo para fazer um ponto de situação das medidas adotadas face à possibilidade de o furacão Lorenzo atingir os Açores esta semana.
Também o Centro Nacional de Furações norte-americano (NHC, sigla em inglês de National Hurricane Centre) alertou para que as autoridades do arquipélago dos Açores monitorizem a evolução do ciclone.
Os meteorologistas esperam que o ciclone, o quinto a atingir o Atlântico, faça uma curva norte-nordeste durante o dia de hoje, seguindo a direção nordeste entre terça e quarta-feira.
"Lorenzo deve passar a oeste dos Açores nas noites de terça e quarta-feira", alertou o NHC no seu boletim da manhã, adiantando que, embora se preveja um enfraquecimento gradual, Lorenzo “ainda será um ciclone poderoso quando se aproximar dos Açores”.
Nesta época dos furacões no Atlântico, estão previstas entre 10 a 17 tempestades tropicais, com ventos acima de 63 quilómetros por hora, e cinco a nove furacões, com ventos de 120 quilómetros por hora, de acordo com a Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos.

GAIA: Pugilista mandou dois polícias municipais para o hospital

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Dois agentes da Polícia Municipal (PM) de Gaia, de 42 e 44 anos, foram agredidos a soco por um condutor que não obedeceu a uma ordem de paragem, quando seguia no seu carro na marginal de Gaia. A violência da agressão levou os dois polícias a receber tratamento hospitalar e um deles teve de ser suturado na boca.

A agressão aconteceu anteontem, cerca das 22 horas, quando os dois agentes, que efetuavam o controlo de trânsito na beira-rio, mandaram parar o indivíduo, praticante de pugilismo e que já estará referenciado pelas autoridades. O condutor não obedeceu, mas acabou por ser intercetado, cerca de 400 metros à frente, na Rua de Cândido dos Reis.
Foi aí que, e sem que nada o fizesse prever, pois nem sequer chegou a haver diálogo, o indivíduo agrediu um dos agentes com dois socos, deixando-o inanimado. O outro foi igualmente atingido com um soco.
Ana Correia Costa e Reis Pinto / JN

Lusodescendentes no ensino superior português aumentaram 150% em quatro anos

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Público

O número de lusodescendentes candidatos ao ensino superior em Portugal aumentou 150 por cento em quatro anos, tendo este ano sido o mais concorrido da última década, segundo dados oficiais.

De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 483 emigrantes e lusodescendentes candidataram-se este ano a instituições de ensino superior portuguesas, na primeira fase do concurso, tendo ficado colocados 416, o que representa 86 por cento.
Os estudantes provêm de França, Brasil, Angola, Venezuela, Luxemburgo, Suíça, Macau, Moçambique e Estados Unidos.
O ensino superior em Portugal tem um contingente reservado a filhos de emigrantes de 7% do total das vagas nacionais, o que corresponde a cerca de 3.500 vagas. O número de candidatos tem vindo a crescer desde 2013, ano em que se registou o menor número de sempre com apenas 99 candidaturas.
Em 1999 candidataram-se às instituições de ensino superior portuguesas 455 lusodescendentes, número que reduziu gradualmente iniciando apenas a retoma em 2014, ano em que houve 117 candidatos.
Este ano, para incentivar mais lusodescendentes a candidatarem-se ao ensino superior em Portugal, o Governo realizou sessões de informação com pais e educadores no Brasil, em vários países da Europa, na América do Norte e em África.
Lusa

Desporto | Naide recebeu 10 anos depois a medalha a que tinha direito

Naide Gomes reviveu ontem, por um dia, as emoções das grandes competições, quando subiu ao palco dos Mundiais de atletismo, em Doha, para receber, emocionada, uma medalha que conquistou há 10 anos.

Em Berlim2009, uma adversária dopada – como se veio a saber mais tarde – impediu-a de receber a devida medalha de bronze do comprimento, num estádio olímpico lotado. Agora, a ‘compensação’ muito pouco se aproxima, num estádio Khalifa quase deserto, ao início da tarde.
Mas “soube muito bem”, afirna a antiga atleta, à beira de fazer 40 anos e que muitas vezes ‘esbarrava’ no quarto posto, à beira do pódio por muito poucos centímetros, como foi o caso de Berlim, há uma década.
“Quando chamaram o meu nome para o pódio, o coração começou a bater mais, quase que emocionava, revivi por instante a competição de há 10 anos. Uma competição muito dura, muito emocional, após os Jogos Olímpicos de 2008, onde eu falhei”, comentou a antiga atleta, após receber a medalha.
Em Berlim, a medalha “era muito importante, independentemente de ser bronze, prata ou ouro”. “Lutei para o ouro, mas não o consegui, infelizmente fiquei em quarto, outra vez. Fiquei muito chateada comigo, com a situação. Fiquei triste, mas tive de superar”, acrescentou.
“Superei e continuei e ganhei mais medalhas, e terminei a minha carreira. 10 anos depois, cá estou eu. Mas estar aqui e ver o estádio vazio, não sentir aquela vibração, a adrenalina, isso foi ‘roubado’, obviamente… mas passou”, reconhece a ainda recordista nacional do salto em comprimento.
“Repuseram a verdade, vale o que vale, também para que os outros atletas percebam que se fizerem batota mais cedo ou mais tarde vão ser apanhados. Ela (a russa Tatiana Lebedeva, desclassificada), está feliz da vida, não foi prejudicada, já acabou a carreira”, disse ainda.
A rir, remata: “eu ainda gostava de ganhar uma medalha de ouro assim, sem fazer nada… estou a brincar, isso não é nada ‘meu’.”
Em 2009, em Berlim, Naide saltou 6,77 metros, terminando em quarto lugar, atrás da norte-americana Bittney Reese (7,10), da russa Lebedeva (6,97) e da turca Karin Melis (6,80). Após a desclassificação de Lebedeva, Naide Gomes ascendeu ao terceiro lugar e Melis ao segundo.
Lusa

Desporto | Vinícius salta do banco para resolver quebra-cabeças do Benfica

Brasileiro marcou quatro minutos após entrar em campo

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RTP
 Benfica venceu o Vitória de Setúbal, por 1-0, em jogo da sétima jornada, e subiu provisoriamente ao topo da I Liga, num duelo resolvido com um golo solitário de Carlos Vinicius.
Depois da entrada em falso na Taça da Liga, com um empate (0-0) contra o Vitória de Guimarães, Bruno Lage havia apelado à compreensão dos adeptos, que hoje voltou a ser colocada à prova. Perante um adversário que fechou praticamente todos caminhos para a baliza, os ‘encarnados’ tiveram de porfiar até chegar na segunda parte ao triunfo.
Com sete mudanças no ‘onze’, os encarnados voltaram à ‘fórmula’ habitual, mas mantendo Gedson Fernandes no apoio a Seferovic, relegando Raúl de Tomás para o banco. Do outro lado, Sandro Mendes trocou Éber Bessa por Leandrinho face ao nulo (0-0) com o Portimonense.
O alerta à paciência da própria equipa perante os ‘sadinos’ fora feito na véspera, e os ‘encarnados’ levaram a mensagem de Bruno Lage à letra no arranque. Com uma circulação fluida e em busca dos espaços, faltou, porém, a inspiração. Se outrora se falava das goleadas, os últimos cinco jogos em casa revelam uma tendência mais cinzenta do Benfica: apenas um golo em todas as primeiras partes desses encontros.
O domínio territorial dos ‘encarnados’ era avassalador, mas quase inofensivo para a baliza de Makaridze. Os ‘sadinos’ organizavam-se bem na defesa e quase abdicavam do ataque, jogando com a ansiedade do anfitrião e dos seus adeptos. E o plano do Vitória foi quase perfeito, pois só aos 35 consentiu uma ocasião de golo ao Benfica, com Pizzi a rematar de pé esquerdo, já na grande área, para boa defesa do guardião ‘sadino’.
Assim, o intervalo chegou com assobios tímidos das bancadas, sem um vislumbre de futebol de qualidade e ainda menos emoções. Zero remates do Vitória e somente cinco do Benfica, dos quais um enquadrado com a baliza, eram um manifesto de desinspiração coletiva.
No recomeço, Gabriel entrou logo para o lugar de Fejsa, no sentido de dar mais armas na construção e na transição dos campeões nacionais. Todavia, também o Vitória mostrou a sua nova face. Os remates de Mansilla (47) e Hachadi (49), ambos às malhas laterais, foram uma ameaça mais visível do que os 45 minutos anteriores e colocavam o Benfica em alerta.
A pressão do relógio começou a acentuar-se, e Carlos Vinicius foi a jogo aos 59 para solucionar o ‘quebra-cabeças’ em que se havia tornado o Vitória. Bastaram quatro minutos e dois toques do avançado – que regressava após lesão – para fazer o que ainda não tinha sido feito. Na sequência de uma jogada em que Ferro já tinha obrigado Makaridze a uma defesa notável, após um canto, Rafa recuperou a bola e cruzou para o brasileiro assinar o 1-0.
O golo não deu a tranquilidade esperada na Luz, já em polvorosa por um lance em que se pediu grande penalidade por um contacto de Pirri sobre Rafa, aos 56. De protesto em protesto, a equipa não conseguiu assegurar a gestão serena do jogo e viu ainda Taarabt ser expulso com cartão vermelho direto pelo árbitro Tiago Martins aos 80. Em superioridade numérica, o Vitória pressionou em busca do empate, mas sem ter o seu bom fim.
Bancada.pt

Desporto | Aos 43 anos, português João Vieira conquista medalha de prata nos Mundiais de atletismo

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DN
João Vieira acordou a pensar que "tinha 20 anos", foi para os 50 km marcha dos Mundiais de atletismo de Doha com determinação redobrada e terminou com a prova com a medalha de prata.
Este é o melhor resultado da carreira do marchador algarvio, que tem 43 anos e assim consegue a proeza de ser o mais velho atleta a ganhar uma medalha em Mundiais de atletismo, todas as provas incluídas.
"Muitas vezes acordo de manhã e penso que ainda tenho vinte anos e com isso vou à luta todos os dias. Muita gente não acreditava neste resultado e se calhar eu só em sonhos", comentou no final, radiante com o feito conseguido.
João Vieira, que foi bronze em 2013, conseguiu hoje uma prova tática exemplar, passando em 13.º aos 20 quilómetros, para depois recuperar de forma sustentada lugares e tempo, até que a última volta do fim atacou com êxito a posição do chinês Wenbin Niu, que não podia arriscar muito por já ter advertências técnicas.
Venceu o japonês Yosuke Suzuki, recordista mundial dos 20 km marcha, em 4:04.20 horas. Vieira entrou com 4:04.59, três segundos apenas à frente do canadiano Evan Dunfee, que também protagonizou uma magnífica recuperação.
As condições de temperatura e humidade estiveram menos 'pesadas' que na véspera, o que não impediu uma extensa lista de desistentes, entre os quais o francês Yohan Diniz, anterior campeão mundial, e o húngaro Matej Toth, campeão olímpico.
"É a medalha da minha carreira, com 43 anos ainda estive aqui, estou feliz por todas aquelas pessoas que trabalham comigo, no dia a dia e continuam a acreditar no meu trabalho. Foi mais uma grande prova esta noite e é o trabalho de uma equipa", disse no final Vieira, que ainda conta ir aos Jogos Olímpicos e aos Mundiais de 2019, para o que será a 'despedida' da distância do calendário oficial.
"Os resultados saem, com o prazer que eu tenho todos os dias em treinar - muitas vezes com fadiga, mas trabalhei diariamente para estar aqui, mais uma vez no campeonato do mundo, e agora mereço um bom descanso", diz o marchador, numa época "com três provas de 50 km nas pernas, estupenda mas com muito sofrimento".
Promete não acabar aqui a carreira e continuar enquanto tiver condições para isso: "A vida de um atleta é agarrar o dia a dia. Muitas pessoas olham para mim e não me olham com cara de 43 anos, mas a cara de um jovem, porque a minha garra nas competições tem sido muito grande. ainda estou aqui na luta com os mais jovens. É nos 50 km onde tenho conseguido a melhor classificação, mas tenho feito provas desde os 5 km até aos 50".
João Vieira vai receber a medalha domingo ao início da tarde no estádio Khalifa, de Doha. Será a primeira vez que sobe ao pódio, já que a medalha de 2013 foi conseguida após a desclassificação de um atleta inicialmente declarado como medalhado.
JN