O
Município de Cantanhede apresenta, no seu stand na Expofacic, uma
exposição do artista plástico Juan Domingues, composta por seis
obras de grande formato inspiradas na identidade, na memória e na
diversidade do concelho.
A
mostra resulta de um desafio lançado pela autarquia, com o objetivo
de promover uma interpretação artística do território e do seu
património, traduzida numa coleção que passará a integrar o
património cultural municipal.
Para
construir esta coleção, Juan Domingues inspirou-se em temas e áreas
de interesse que o Município tem vindo a potenciar ao longo dos
anos, como a sustentabilidade ambiental, o património cultural, a
inovação, a coesão social, a tradição e a gastronomia.
“Esta
exposição representa uma forma singular de olhar para Cantanhede.
Estou certa de que esta exposição despertará a curiosidade de quem
a visita e incentivará muitos a descobrir melhor a história, as
tradições e as paisagens do concelho”,
sublinhou a presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena
Teodósio.
Mais
do que ilustrar lugares ou acontecimentos específicos, cada obra
procura sintetizar ideias, símbolos e características que definem
Cantanhede, estabelecendo um diálogo entre si e desafiando cada
visitante a construir a sua própria interpretação.
"O
que é o Município de Cantanhede?" é a questão que serve de
fio condutor à exposição.
A
partir dessa pergunta, o artista convida o público a refletir sobre
diferentes dimensões do território: será Cantanhede a paisagem
vinícola da Bairrada? Será a história ligada ao mar, às nascentes
de água de Ançã, aos Olhos da Fervença, às Sete Fontes ou à
Praia da Tocha? Será o seu património histórico e cultural?
A
inovação tecnológica e industrial? As suas raízes familiares e
geracionais? Ou a diáspora, formada por quem partiu e por quem
encontrou em Cantanhede um lugar para viver?
De
acordo com o artista, todas estas leituras coexistem nas obras, mas o
verdadeiro tema da exposição são as pessoas.
“O
fio condutor da exposição é um percurso que culmina nas pessoas,
verdadeiras protagonistas da identidade do concelho. Das freguesias
que dão forma ao território às comunidades da diáspora, que levam
Cantanhede consigo pelo mundo ao longo de gerações, a narrativa
estende-se também a quem escolheu o concelho para viver, encontrando
aqui um lugar de pertença e novas oportunidades”, sublinhou Juan
Domingues.
O
pintor recorreu a materiais como o
carvão,
sanguínea e tinta a óleo sobre tela de algodão.
Quanto
à mensagem que pretende transmitir, Juan Domingues evita impor uma
leitura única das obras. Assume antes uma postura discreta,
procurando despertar a curiosidade e provocar reflexão.
“É
como apresentar um puzzle. Cada pessoa é convidada a construir a sua
própria narrativa”,
afirmou o artista que espera inspirar as pessoas a conhecer mais
sobre as gentes, a história, tradições e costumes do concelho.
“Que
leiam, visitem e que sejam bastante curiosos do concelho de
Cantanhede”,
concluiu.
Sobre
Juan Domingues
Natural
de Puerto Cabello, na Venezuela, Juan Domingues vive em Cantanhede
desde os seis anos, altura em que regressou com a família a
Portugal. O interesse pelas artes manifestou-se desde cedo e
conduziu-o a um percurso académico ligado às artes plásticas,
culminando com a licenciatura em Pintura na Escola Superior de Artes
de Coimbra e uma pós-graduação em Desenho na Faculdade de
Belas-Artes da Universidade do Porto.
Embora
reconheça que o desenho sempre tenha sido o ponto de partida da sua
expressão artística, foi após concluir a licenciatura, em 2007,
que passou a dedicar-se de forma mais intensa à pintura,
desenvolvendo uma linguagem própria que tem vindo a aplicar em
diversos projetos culturais realizados em vários municípios
portugueses desde 2021.

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