terça-feira, 14 de novembro de 2017

Biocant foi à Web Summit mostrar oportunidades de investimento em Cantanhede



O Biocant esteve em destaque no último dia da Web Summit, a mais prestigiada conferência internacional de inovação, tecnologia e empreendedorismo e o maior encontro de startups do mundo. De 6 a 9 de novembro, o evento fez concentrar em Lisboa mais de 60.000 participantes, milhares de empresas nacionais e estrangeiras, incluindo inúmeros presidentes executivos, bem como cerca de dois mil jornalistas oriundos de 165 países.
Em representação do parque de biotecnologia sedeado em Cantanhede esteve o presidente do Concelho de Administração, João Moura, que participou na Health Conference,  juntamente com Brendan Kennedy, CEO da Tilray, empresa canadiana do setor farmacêutico que recentemente se instalou em Cantanhede atraída pelas condições do núcleo industrial do Biocant. Este foi o mote da intervenção de João Moura numa das sessões da Web Summit, onde destacou “a atratividade do parque para investimentos empresariais do setor da biotecnologia e do campo das ciências da vida, até porque podem tirar partido da existência de laboratórios e centros de investigação com diversas valências e que dispõem de serviços e soluções de ponta na transferência de tecnologia em biotecnologia e áreas correlacionadas”
Na sessão da da Web Summit, aquele responsável adiantou que o facto de "o Biocant ter dezenas de empresas e entidades onde cerca de 300 quadros altamente qualificados trabalham em projetos de I&D favorece a transferência de conhecimento tecnológico e científico para o setor empresarial, é uma mais-valia que torna Cantanhede numa porta de entrada em Portugal para empresas que queiram fazer grandes investimentos em setores de elevado valor acrescentado e forte componente tecnológica”.
Segundo o presidente do Conselho de Administração do Biocant, “isso já está a acontecer, começou há algum tempo com a instalação de uma empresa industrial que produz um fungicida biológico a partir da transformação do tremoço e cuja produção se destina na totalidade à exportação, continuou com o investimento de 20 miolhões de euros na grande unidade industrial do setor agroalimentar que já iniciou atividade e prossegue agora com a aposta da Tilray, também de cerca de 20 milhões de euros, na produção e transformação da canábis para fins medicinais”.
O CEO da empresa canadiana interveio também na Health Conference da Web Summit, onde explicou que toda a estrutura deverá estar concluída até março 2018, incluindo campos de cultivo, estufa de 10 mil m2, instalações de processamento de 1.500 m2, laboratório interno e banco genético. A capacidade de produção global será de 62 toneladas anuais.
Brendan Kennedy disse ainda que “a segunda fase do projeto está prevista até 2020, com mais 15 mil m2 de espaço de cultivo em estufa e 1.500 m2 destinados de área coberta para processamento, devendo ser criados mais 100 postos de trabalho”.


Angariação de donativos
Apelos de ajuda chega-nos de diversos pontos do País... os apoios financeiros escasseiam. O material para a divulgação custa dinheiro, as chamadas idem. Não conseguimos fazer face aos compromissos com elogios, louvores de circunstância. Quem nos puder ajudar que o faça de coração aberto, solidário na certeza que será bem investido.
O Mapa de Brigadas para 2018 pode ser arquivado a partir do site www.adasca.pt



Greve dos professores na quarta-feira deve afetar muitas escolas


Resultado de imagem para Greve dos professores na quarta-feira deve afetar muitas escolasMário Nogueira avisa que há uma grande indignação entre os docentes e, por isso, prevê que a greve tenha um grande impacto. "São esses os sinais que nos chegam de todas as escolas, em todas as regiões do país. Há uma grande indignação dos professores relativamente à forma como o governo pretende descongelar a carreira docente", alerta.
A previsão é do secretário-geral da Fenprof, que fala em possível grande adesão ao protesto.
O secretário-geral da Fenprof destaca sobretudo a questão da contagem do tempo de serviço. Os professores contestam a intenção do governo de não contabilizar quase uma década. "Não passa pela cabeça de ninguém que, contrariamente ao que acontece em outras carreiras que também serão agora descongeladas, no caso dos professores o tempo de serviço seja para apagar".
Mário Nogueira mostra-se disponível para negociar com o governo, mas avisa que só um compromisso claro permitirá desconvocar a greve nacional agendada para esta quarta-feira.
A Federação Nacional da Educação (FNE) já começou uma greve ao primeiro tempo de aulas - um protesto que vai durar até ao final do 1.º período.

Fonte: TSF
Foto: As BEIRAS

INOVA – EM conquista novamente Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano

A INOVA – Empresa de Desenvolvimento Económico e Social de Cantanhede – EM, acaba de ser de novo distinguida com o Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano atribuído pela ERSAR - Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos. O respetivo certificado foi entregue recentemente a Nuno Laranjo, administrador da empresa municipal, no decurso da Conferência da Água,  que decorreu em Lisboa.
Integrada nos objetivos estatutários da ERSAR, o concurso visa “identificar, distinguir e divulgar casos portugueses de referência relativos à prestação dos serviços de abastecimento público de água e saneamento de águas residuais urbanas, avaliada nos termos dos vários ciclos de regulação da ERSAR”.  No que diz respeito à atribuição do "selo de qualidade exemplar da água para consumo humano", pretende-se “evidenciar as entidades prestadoras de serviços de abastecimento público de água que, no último ano de avaliação regulatória – nesta edição foram considerados os dados e indicadores de qualidade de serviço relativos a 2016 – “tenham assegurado uma qualidade exemplar da água para consumo humano, nomeadamente verificando cumulativamente todos os critérios previstos no regulamento”.
Uma dessas entidades é a INOVA-EM, que vê assim reconhecida, mais uma vez, a qualidade e segurança da água que fornece aos consumidores pela instituição que tem a seu cargo a regulação desta atividade. A ERSAR certifica esses padrões no âmbito de uma iniciativa desenvolvida em parceria com o jornal Água&Ambiente, que integrou o júri juntamente com representantes da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA), Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental (APESB), Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH), ESGRA - Associação para a Gestão de Resíduos, APEMETA - Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais e a DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor).
O facto de a INOVA-EM ter obtido novamente o Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano decorre da observância das apertadas exigências que regulam a sua atividade em todas as outras valências que fazem parte do seu objeto social, no cumprimento dos critérios estabelecidos na certificação da Qualidade segundo a norma NP EN ISO 9001, que a empresa municipal detém desde há vários, tando também certificação ambiental com a norma NP EN ISO 14001.
__________________

Angariação de donativos
Apelos de ajuda chega-nos de diversos pontos do País... os apoios financeiros escasseiam. O material para a divulgação custa dinheiro, as chamadas idem. Não conseguimos fazer face aos compromissos com elogios, louvores de circunstância. Quem nos puder ajudar que o faça de coração aberto, solidário na certeza que será bem investido.
O Mapa de Brigadas para 2018 pode ser arquivado a partir do site www.adasca.pt

Ministério Público investiga director-geral do FC Porto devido a suspeitas de “corrupção ativa”

Esta não é a primeira vez que o nome de Luís Gonçalves surge associado a suspeitas de corrupção e pressão sobre os árbitros

Luís Gonçalves, director-geral do FC Porto, está a ser investigado pelo Ministério Público devido a suspeitas de “corrupção ativa na atividade desportiva”, avança o Correio da Manhã esta terça-feira.

Pelo que apurou o matutino, no processo 1895/17.4T9BRG - o de Luís Gonçalves -consta, entre outros documentos, uma carta enviada pela procuradora-adjunta Nélia da Conceição Teixeira Alves, da Comarca de Braga, à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no passado dia 27 de outubro.

O Ministério Público solicitou à FPF documentos relacionados com o jogo Sporting de Braga–FC Porto (Liga, 1-1), da época passada, disputado a 15 de abril, pois “considera-os imprescindíveis” para as averiguações em curso.

Segundo o “CM”, esses documentos são relativos à nomeação dos árbitros dessa jornada, o relatório do árbitro Hugo Miguel, que orientou o jogo entre o FC Porto e o Braga, e o mapa de castigos dessa mesma jornada.

Nesse encontro, lembremos, o diretor-geral do FC Porto foi suspenso pelo Conselho de Disciplina da FPF por 30 dias, com base no relatório do árbitro Hugo Miguel.

Luís Gonçalves foi expulso após o fim do jogo, por ter ameaçado o quarto árbitro, Tiago Antunes. “Nós sabíamos o que vinhas tu para aqui fazer, nós vamos conversar mais tarde, a tua carreira vai ser curta”, atirou Luís Gonçalves.

No final da época passada, Tiago Antunes acabou mesmo por ser despromovido de categoria - motivo pelo qual o Ministério Público terá aberto uma investigação.

Na carta enviada à FPF, o MP requereu as classificações dos árbitros na época passada e as notas obtidas por Tiago Antunes em cada um dos jogos em que participou.

Esta não é a primeira vez que o nome de Luís Gonçalves surge associado a suspeitas de corrupção e pressão sobre os árbitros.

Ainda na segunda-feira, o Benfica tinha lançado novas suspeitas sobre Luís Gonçalves por este ter dirigido ameaças contra as equipas de arbitragem dos jogos com o Boavista e o Leixões.

“Luís Gonçalves volta atacar. Investigado pelo Ministério Público por ameaças ao árbitro Tiago Antunes soube-se agora de novas ameaças à equipa de arbitragem no túnel do Bessa no intervalo do último Boavista - FC Porto. Já com o Leixões, na foto, foram várias as ameaças... ao quarto árbitro. O clima de coacção tem de acabar”, lê-se no Twitter da direção de comunicação da equipa da Luz.

A conta é fechada, mas o “Record “teve acesso à mensagem e divulgou o seu conteúdo.

Tribuna Expresso
Angariação de donativos
Apelos de ajuda chega-nos de diversos pontos do País... os apoios financeiros escasseiam. O material para a divulgação custa dinheiro, as chamadas idem. Não conseguimos fazer face aos compromissos com elogios, louvores de circunstância. Quem nos puder ajudar que o faça de coração aberto, solidário na certeza que será bem investido.
O Mapa de Brigadas para 2018 pode ser arquivado a partir do site www.adasca.pt

Inédito: Bombeiros Profissionais e Voluntários Unem-se em Federação

As duas associações que representam os bombeiros voluntários e os profissionais uniram-se para criar a Federação Nacional de Bombeiros Portugueses (FNBP). O novo organismo será apresentado esta terça-feira numa conferência de imprensa conjunta, em Lisboa.
Numa nota divulgada esta segunda-feira, a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários sublinham que criam a federação “para defender os bombeiros portugueses, e ter assento e representação em todos os órgãos de decisão política e legislativa em matéria de bombeiros”. Assumem que pretendem “fazer parte da gestão do fundo social do bombeiro” e das “estruturas da Escola Nacional de Bombeiros”.

Um dos objectivos da constituição da nova federação “passa por clarificar a representação dos bombeiros portugueses”, segundo o comunicado. Faz-se assim alusão a uma confusão recorrente de muitos que pensam que a Liga dos Bombeiros Portugueses representa os bombeiros propriamente ditos, ignorando que esta organização representa na realidade as associações humanitárias que controlam as corporações.

Aliás, quem tem assento nesta confederação são os dirigentes das associações humanitárias (daí que os corpos de bombeiros sejam entidades privadas) e os comandantes por elas escolhidos. Os bombeiros que integram as corporações não estão representados na Liga, que, no entanto, gere o Fundo de Protecção Social do Bombeiro.
Angariação de donativos
Apelos de ajuda chega-nos de diversos pontos do País... os apoios financeiros escasseiam. O material para a divulgação custa dinheiro, as chamadas idem. Não conseguimos fazer face aos compromissos com elogios, louvores de circunstância. Quem nos puder ajudar que o faça de coração aberto, solidário na certeza que será bem investido.
O Mapa de Brigadas para 2018 pode ser arquivado a partir do site www.adasca.pt

O Orçamento da cigarra


Os tempos são de celebração, cantam-se os sucessos na consolidação orçamental, a saída do "rating" de lixo numa das principais agências, o maior crescimento da década, os juros em mínimos.
André  Veríssimo
André Veríssimo 13 de novembro de 2017 às 23:00
Não é só Portugal que cresce. O Eurostat deverá confirmar esta terça-feira que o PIB da Zona Euro cresceu no terceiro trimestre ao ritmo mais elevado desde o início da crise da dívida soberana. Essa benção traz uma contrariedade, assinalada ontem pelo ministro das Finanças numa conferência da Ordem dos Economistas: "Sabemos que vêm aí tempos melhores para a economia europeia, mas virão associados a um ciclo de taxas de juro mais elevadas."


Pode ainda demorar até chegarem esses juros mais altos. A 15 de Dezembro teremos novo motivo de júbilo, quando a Fitch muito provavelmente irá tornar-se a segunda grande agência a tirar o país de "junk". Isso abrirá todo um novo leque de investidores e garantirá a entrada directa das obrigações portuguesas para os índices de obrigações europeias. O BCE estendeu o programa de compra de dívida até Setembro e disse que a subida da sua taxa de referência só acontecerá meses depois disso.

A teoria da reversão para a média, usada como estratégia de investimento, diz que o preço extremo de determinado activo tende sempre a voltar ao nível normal. A inflação acabará por chegar e com ela uma subida das taxas de juro. 


Centeno deixa o aviso para sublinhar a necessidade de reduzir o peso da dívida pública e contrariar as tentações de PCP e Bloco. A verdade é que, embora tenha conseguido um caminho considerável de consolidação das contas públicas – e este ano da dívida pública –, o ministro das Finanças não deixou até agora nada de estrutural na redução da despesa.


Pelo contrário, o que temos é mais despesa nominal, que só não pesa mais porque o PIB cresce. Quando este descer, o peso irá disparar. 

Como pode ler na edição desta terça-feira do Negócios, Portugal continua a ser o país da União Europeia onde os encargos com juros são um fardo maior (3,9% do PIB). Quando estes descem, dão uma ajuda tremenda à redução do défice. Quando sobem, é o que já se viu. Segundo cálculos da Comissão Europeia, basta o agravamento de um ponto percentual em toda a nova dívida para comprometer o esforço de redução planeado entre 2016 e 2018 (de 130,2% para 123,5% do PIB).

Portugal continua vulnerável e a correcção dessa vulnerabilidade é trabalho para mais de uma década, o que recomenda um "acordo de regime" para reduzir a dívida, como pediu na segunda-feira o presidente do BCP. E obriga a que em vez de Orçamentos de cigarra, se optasse por ter uma dose considerável de espírito de formiga, usando a rara conjugação de condições favoráveis de que o país goza para deixar um Estado mais sustentável às próximas gerações. 

Fonte: Jornal de Negócios

Angariação de donativos
Apelos de ajuda chega-nos de diversos pontos do País... os apoios financeiros escasseiam. O material para a divulgação custa dinheiro, as chamadas idem. Não conseguimos fazer face aos compromissos com elogios, louvores de circunstância. Quem nos puder ajudar que o faça de coração aberto, solidário na certeza que será bem investido.
O Mapa de Brigadas para 2018 pode ser arquivado a partir do site www.adasca.pt

“Jacaré”: a peça que junta Brasil e Portugal num só palco

Se pensarmos em subir a uma árvore para fugirmos de um jacaré parece-nos uma situação caricata e impossível. No entanto, na peça de Cláudio Torres Gonzaga, não há situações impossíveis.
Em “Jacaré”, um guia turístico e uma turista ficam presos no cimo de uma árvore quando tentam escapar da perseguição de um jacaré. Depois de muitos momentos tensos e divertidos chegam à conclusão de que só um poderá sair dali com vida. Mas quem?
Os atores são o humorista António Raminhos e a atriz Abbadhia Vieira, que nos vão falar um pouco acerca da peça.
A peça “Jacaré” estreia no próximo dia 16 de Novembro. O que é que nos podem dizer sobre ela?
Abbadhia: Primeiro, é um processo ricamente cultural, porque a peça original é uma peça totalmente em português brasileiro e essa adaptação para o português de Portugal foi muito curiosa, porque havia palavras que nós não conhecíamos. Eu não conhecia algumas expressões aqui de Portugal e o Raminhos não conhecia algumas palavras que estavam no texto, então, foi muito rico nesse aspeto. Depois, embora seja uma comédia, tratamos questões muito delicadas nesta peça como o valor da vida, quando estamos em perigo e quanto vale a vida de um ser humano.
Raminhos: A peça é sobre um guia turístico e uma cliente que, por acaso, enfrentam uma situação normalíssima, que consiste em ficarem os dois presos em cima de uma árvore, porque lá em baixo está um jacaré e eles não conseguem fugir. A peça acaba por ser quase uma luta entre duas pessoas para perceberem como é que eles podem sair os dois com vida dali. Portanto, é uma comédia ligeira que faz muito mais pensar sobre as decisões que temos de tomar na vida.

Pegando um pouco pelo facto de esta peça unir Brasil com Portugal, como é que surgiu a ideia de juntar a Abbadhia e o Raminhos?
Abbadhia: Nós temos em comum o autor e diretor da peça, Cláudio Torres Gonzaga, que, quando soube que eu estava a caminho de Portugal, me indicou o nome do Raminhos. Eu não conhecia o Raminhos e, quando cheguei a Portugal, apresentei-me e nós fizemos a leitura, conversámos e chegámos à conclusão de que era possível realizarmos esta peça aqui em Portugal. E faz parte dos nossos planos levá-la também ao Brasil.
Raminhos: A Abbadhia veio viver cá para Portugal e o Cláudio Gonzaga, há uns tempos, convidou-me. E eu como tenho aquela atração pelo abismo disse-lhe que sim. Ainda nem sequer tinha lido a peça e já estava a dizer “bora, vamos fazer”. Geralmente, eu tenho esta atração pelo abismo de fazer coisas que não estou habituado a fazer nem que seja para poder dizer “olha, pelo menos isto já fiz”.

Mas, geralmente, tem corrido sempre bem...
Raminhos: Sim, mas há sempre uma primeira vez para tudo! O meu maior medo é, obviamente, esquecer-me de falas ou de deixas. Até porque, eu tenho bem presente que a única peça de teatro que eu fiz foi quando andava no sexto ano. Eu fazia muitas peças e, então, há uma em que há uma fala que era de um ator e que passou para mim e eu só tinha de dizer “desde aqui da cidade do Olimpo, só vemos Barcelona” e eu disse “desde aqui da cidade do Olimpo só vemos Bruxelas” (risos).

O Raminhos está, pela primeira vez, a fazer teatro. Como se está a sair? (risos)
Raminhos: É horrível (risos). Horrível mas não é no mau sentido! O processo em si é gratificante, ou seja, estarmos a ensaiar e vermos as coisas a ganhar forma. No entanto, fazer as coisas muito bem e aprender a fazer as coisas, é horrível nesse sentido, porque é muito exigente. E, para além disso, eu continuo na rádio, tenho os espetáculos, tenho os eventos, tenho que ensaiar, tenho que aturar três miúdas em casa... (risos) Portanto, tudo isto faz puxar muito mais. Mas tem sido muito engraçado ver aquilo que no início são palavras em folhas ganhar forma.

E o facto de ser uma peça onde o humor está incluído não acaba por, também, facilitar um pouco as coisas?
Raminhos: Mais ou menos. Já tive peças que são misturas de stand up com teatro, mas aí eu tenho muito mais liberdade para improvisar. Agora, aqui, trata-se de uma peça de teatro escrita por um autor, neste caso, pelo Cláudio Torres Gonzaga, e ao ser uma peça escrita obriga a que esse improviso não possa ser assim tão grande. Eu tenho de dizer as coisas de determinada forma e com uma determinada intenção, o que acaba por não facilitar muito. Basicamente, eu estou cheio de medo (risos).

Para a Abbadhia, é fácil trabalhar com alguém com um sentido de humor tão apurado? Na medida em que a própria Abbadhia também está relacionada ao humor...
Abbadhia: Sim, sim. É um processo onde a cada ensaio a gente acrescenta alguma coisa de distinto que vai colaborar com a peça no sentido do humor. A dificuldade maior é que o Raminhos é uma pessoa acostumada a estar sozinha no palco. Então o processo mais delicado de adaptação foi fazer com que duas pessoas de humor que estão acostumadas com o humor solo, se adaptem agora a uma coisa de dueto e não um monólogo, que é uma coisa mais solo. Esse é o desafio, mas um desafio bom.

O Raminhos está habituado a atuar sozinho e agora tem de dividir o palco com outra pessoa. É complicado fazer essa divisão?
Raminhos: Não. Só é complicado mesmo nessa parte de termos de dar as deixas. Essa parte poderá, eventualmente, ser mais complicada. Mas nós damo-nos bem, criámos uma química engraçada, a Abbadhia é divertida, então, divertimo-nos bastante.

 Voltando um pouco atrás, uma das coisas que a Abbadhia mencionou foi exatamente o facto de haver uma união entre Portugal e Brasil e de, no ensaio, haver uma dificuldade com a questão das palavras. Também sentiu essa dificuldade?
Raminhos: Nós temos mais facilidade porque vemos muitas novelas brasileiras, não é? Eu li a peça e falei com o Cláudio e disse que havia muitas coisas para alterar para o português de Portugal, porque não iam fazer sentido ou nós nem sequer usamos essas expressões. E, ao mesmo tempo, é muito engraçado porque às vezes eu estou a falar com a Abbadhia, fora dos ensaios, e parece que estou a falar com as minhas filhas porque de 30 em 30 segundos eu tenho de lhe estar a explicar o que é que lhe estou a querer dizer, porque há palavras que ela não percebe. Claro que eu lhe ensinei todas as asneiras possíveis e imaginárias (risos).

E, em média, quanto tempo demora uma peça destas a ser devidamente preparada e ensaiada?
Abbadhia: Eu cheguei aqui em Abril e estamos a ensair desde Maio/Junho. Tivemos alguns intervalos porque eu viajei, ele tinha as atividades dele mas, efetivamente, a gente está há três/quatro meses se preparando para isso porque, tanto ele quanto eu, temos outras atividades.

 Porque é que as pessoas têm de ir ao teatro ver esta peça?
Abbadhia: Eu aposto 100%, no mínimo, pela curiosidade de ver um português e uma brasileira disputando o palco. Mas, para além disso, é uma experiência quase reflexiva porque vai fazer pensar. O cenário é diferente ao que as pessoas estão acostumadas, a situação não é uma situação comum, por isso, é uma experiência quase sensorial. Aí, somamos a estreia do Raminhos no teatro, uma brasileira que está cá há pouco tempo se acostumando com os sotaques, além de ser um espetáculo muito divertido.
Raminhos: Primeiro, porque é uma produção luso-brasileira muito simples e muito divertida. E, para quem gosta de mim ou tenha curiosidade, é a minha estreia no teatro. Espero que possa matar essa curiosidade nem que seja para me ver espalhar ao comprido (risos).

“Jacaré” é o nome da peça do conhecido humorista, Cláudio Torres Gonzaga, e tem estreia marcada para dia 16 de Novembro, no Teatro Armando Cortez, em Lisboa.

Por Cátia Sofia Barbosa.