terça-feira, 25 de agosto de 2026

APOIO A 92 ESTUDANTES PAIVENSES. ENTREGA DE BOLSAS DE ESTUDO DO ENSINO SUPERIOR MARCA INVESTIMENTO CONTÍNUO NA EDUCAÇÃO

 Foram recentemente entregues, em cerimónia pública, que decorreu no espaço do Largo do Conde, em Castelo de Paiva, as 92 Bolsas de Estudo a estudantes que frequentam o Ensino Superior, num apoio municipal traduzido em mais de 62 mil euros, que visa ajudar alunos paivenses a custear as despesas com propinas, alojamento, transporte e material escolar. 
Este programa de apoio e incentivo faz parte do programa anual da autarquia paivense para apoiar e ajudar os estudantes residentes no concelho e representa um reforço do compromisso local com a educação e a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior. 
Estas bolsas destinam-se a apoiar os jovens estudantes do concelho (sendo três destinadas a jovens bombeiros voluntários) que iniciam ou prosseguem os seus estudos académicos, reconhecendo simultaneamente o mérito escolar e as dificuldades económicas que possam enfrentar. 
Segundo o presidente Ricardo Cardoso, que se mostrou satisfeito por concretizar esta singela cerimónia de atribuição das bolsas de estudo, “ este é um momento ímpar do nosso concelho, que ano após ano, tem vindo a crescer neste domínio escolar, recordando que das 33 bolsas atribuídas no ano passado, foi possível agora contemplar mais de nove dezenas de estudantes paivenses, num enorme esforço municipal, que marca a vontade de fazer mais pelos nossos estudantes universitários, destacando os objectivos de promover a igualdade de oportunidades de acesso ao ensino universitário e de incentivar os jovens a prosseguirem os estudos para além do secundário “. 
Além de uma forma de estimular a frequência de cursos superiores, a atribuição destas ajudas é também um investimento no tecido económico, social e cultural do concelho, que passa a ficar dotado de quadros técnicos superiores e uma de forma a contribuir para um maior e mais equilibrado desenvolvimento. 
O edil paivense pretende, acima de tudo, “continuar a ajudar os jovens paivenses a suportar parte das despesas com os estudos, daí destacar a vontade de, não só manter esta iniciativa, mas também se possível reforçá-la “, defendendo que, “esta medida não deve ser um apoio para poucos, mas sim para muitos, quero que esta política de apoio se afirme como uma verdadeira medida âncora no investimento que fazemos na educação dos nossos jovens.” 


*Carlos Oliveira
Gabinete de Comunicação Relações Públicas e Protocolo
Assessor de Imprensa


SILVES CELEBRA O DIA DO MUNICÍPIO COM CULTURA, MÚSICA E HOMENAGEM

 O Município de Silves prepara-se para assinalar o Dia do Município, celebrado a 3 de setembro, com um programa diversificado de iniciativas que decorrerá nos dias 2, 3 e 4 de setembro, evocando os 837 anos da conquista da cidade.
 
Concertos, inaugurações, exposições, literatura e momentos de homenagem integram o programa das comemorações, que convida toda a comunidade a participar nesta celebração dedicada à história, à cultura e à identidade do concelho de Silves.
 
As comemorações têm início no dia 2 de setembro, pelas 18h00, com a inauguração da exposição de fotografia “Surrealismos”, da autoria do renomado fotógrafo silvense, André Boto, na Biblioteca Municipal de Silves.
 
Ainda no mesmo dia, pelas 21h30, o Castelo de Silves acolhe um concerto da Banda da Sociedade Filarmónica Silvense, com a participação especial da premiada artista Sofia Escobar, proporcionando ao público um espetáculo de grande qualidade artística, num dos mais emblemáticos monumentos nacionais do concelho. A entrada é livre, sendo, no entanto, os lugares sentados limitados.
 
No dia 3 de setembro, o programa inicia-se pelas 10h30, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho, com o ato solene de "Assinatura do Contrato de Doação do Espólio Documental e Arquivístico do Museu da Cortiça", a favor do Município de Silves. Trata-se de um momento simbólico, aberto ao público em geral, que assinala mais uma importante etapa na preservação e valorização do património e da memória coletiva do concelho.
 
Pelas 17h00, o Centro de Exposições de Alcantarilha recebe a apresentação da obra literária “Cartas ao Remetente & Outros Estilhaços”, da autoria de outro ilustre silvense, Manuel Neto dos Santos, num momento dedicado à literatura, à escrita e à cultura.
 
A noite das comemorações será marcada pela realização da Cerimónia das Distinções de Mérito Municipal, com início pelas 21h00, no Castelo de Silves. A cerimónia constituirá um momento de homenagem e reconhecimento público pelo percurso dos distinguidos e pelo contributo prestado à comunidade e ao concelho de Silves.
 
Logo depois, às 22h00, também no Castelo de Silves, será realizado um concerto de "A Garota Não", um dos nomes de referência da música portuguesa contemporânea, num espetáculo que promete proporcionar uma noite especial ao público presente.
 
No dia 3 de setembro, assinala-se ainda o 36.º aniversário do Museu Municipal de Arqueologia de Silves (MMAS). Para celebrar esta data especial, o museu terá entrada livre entre os dias 3 e 6 de setembro, durante o seu horário de funcionamento, das 10h00 às 18h00.
 
As comemorações do MMAS prosseguem no dia 4 de setembro. Ao longo do dia, entre as 10h00 e as 13h00 e das 15h00 às 18h00, serão realizadas visitas acompanhadas ao Poço-Cisterna, numa atividade dirigida a toda a família, que será uma oportunidade de conhecer e descobrir este importante testemunho do património histórico e arqueológico da cidade.
 
Pelas 21h30, o MMAS recebe ainda o espetáculo “Evocação ao Poço-Cisterna”, protagonizado pela bailarina Mónica Pereira e pelo músico multi-instrumentista Husam Humami. A atuação multidisciplinar estabelece um diálogo entre o património histórico de Silves, as lendas das Mouras Encantadas e a criação artística contemporânea, cruzando dança, música ao vivo e evocação poética do espaço.
 
Através desta performance, o público é convidado a embarcar numa viagem entre memória, mistério e identidade cultural, descobrindo a riqueza simbólica do Poço-Cisterna Almóada.
 
A noite culminará, pelas 22h30, com um momento de celebração do aniversário do MMAS, que contará com o tradicional corte do bolo e um brinde com espumante, convidando todos os presentes a juntarem-se a esta comemoração.
 
A participação em todas as iniciativas é gratuita e aberta a toda a comunidade.
 
Para mais informações, os interessados poderão contactar o Município de Silves, através do telefone 282 440 856 ou do endereço de correio eletrónico cultura@cm-silves.pt.
 
Esperamos por si para celebrar Silves!

JOÃO PANCADA CORREIA APRESENTA "VIAGENS NA ARTE" EM SÃO PEDRO DE MOEL

 O Edifício Cosmos Azul e Mar, em São Pedro de Moel, recebe, no próximo dia 28 de agosto pelas 22h00, mais uma sessão de "Livros em Boa Companhia" com a participação de João Pancada Correia, promovida no âmbito da programação cultural da Época Balnear de São Pedro de Moel 2026. 
O convidado, arquiteto e artista plástico João Pancada Correia, irá apresentar a sua obra "Viagens na Arte", num encontro que convida o público a percorrer a história da arte através de um testemunho pessoal e ilustrado. 
Resultado de anos de observação, estudo e viagens, o livro reúne apontamentos, desenhos e registos visuais que testemunham a evolução da arte ao longo dos séculos, estabelecendo um diálogo permanente entre o passado e o presente. Através desta obra, João Pancada Correia partilha experiências, referências e reflexões que evidenciam o papel da arte como elemento essencial de compreensão da cultura e da sociedade. 
A iniciativa é de participação gratuita e aberta a toda a comunidade e visitantes, com mais de 15 anos, integrando a programação cultural da Época Balnear de São Pedro de Moel, que poderá consultar aqui.   
*Gabinete de Comunicação e Imagem

Marinha Grande | COSMOS AZUL E MAR RECEBE VASCO GARGALO PARA OFICINAS DE ARTES VISUAIS

 O Edifício Cosmos Azul e Mar, em São Pedro de Moel, recebe o ilustrador e cartoonista Vasco Gargalo nos dias 28 e 29 de agosto de 2026, entre as 16h30 e as 18h30, para a dinamização de duas oficinas dedicadas à ilustração editorial e ao cartoon político. 
No dia 28 de agosto, Vasco Gargalo orienta a oficina "Ilustração Editorial", destinada ao público jovem, proporcionando um contacto próximo com os processos criativos associados à ilustração aplicada aos meios de comunicação e à transmissão de ideias através da imagem. 
No dia 29 de agosto, realiza-se a oficina "Cartoon Político", dirigida a participantes com mais de 16 anos. A iniciativa convida os participantes a explorar o cartoon como ferramenta de reflexão crítica sobre a atualidade, abordando temas sociais, políticos e ambientais através do desenho e do humor gráfico. 
Reconhecido como um dos mais destacados cartoonistas portugueses da atualidade e considerado o melhor cartoonista europeu em 2018, Vasco Gargalo desenvolve um trabalho marcado por um traço satírico e provocador, centrado nos direitos humanos, nos conflitos internacionais e nas questões ambientais, tendo sido amplamente premiado e distinguido a nível nacional e internacional. 
As oficinas são de participação gratuita e integram a programação cultural da Época Balnear de São Pedro de Moel 2026, promovida pelo Município da Marinha Grande, proporcionando a residentes e visitantes oportunidades de contacto direto com criadores de referência das artes visuais contemporâneas. 

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Cantanhede | Intervenção ascende os 362 mil euros. Obras no Jardim de Infância na Póvoa da Lomba está em fase de conclusão

 
A empreitada de reconversão da antiga escola primária da Póvoa da Lomba para jardim de infância, num investimento que ascende os 362 mil euros, está em fase de conclusão.
Com esta intervenção, a Câmara Municipal pretende colmatar uma lacuna existente ao nível da oferta de ensino pré-escolar nesta zona da freguesia de Cantanhede e, por outro, dar uma nova funcionalidade a um edifício desativado.
Elaborado pela Divisão de Estudos e Projetos da autarquia cantanhedense, o projeto contempla a cobertura e pintura das fachadas do edifício, a criação de um parque infantil e a melhoria dos acessos entre o passeio público e o terreno, através de percursos devidamente dimensionados e pavimentados.
A proposta inclui ainda uma intervenção no campo de jogos, nomeadamente ao nível do pavimento, das vedações, das pinturas e do sistema de drenagem.
Já ao nível dos interiores, o abrange uma intervenção ao nível de pavimentos, paredes, mobiliário, caixilharias, a criação de uma rampa para melhorar a acessibilidade, e a ampliação do telheiro onde funcionará o espaço de refeições.
Além da pintura das paredes interiores de todo o edifício, o projeto inclui a demolição da lareira existentes nas duas salas e a colocação de duas bancas de lavagem e dois armários de apoio, assim como a adaptação das instalações sanitárias.

FIM DE SEMANA DE ANIMAÇÃO NA PRAIA DA VIEIRA COM A FESTA DE VERÃO

 O Município da Marinha Grande, em parceria com o Grupo Desportivo da Praia da Vieira, promove no próximo fim de semana, entre os dias 28 e 30 de agosto, a Festa de Verão no Largo dos Pescadores na Praia da Vieira, integrada na Época Balnear 2026. 
Com o propósito de dinamizar a Praia da Vieira e promover o convívio, o evento reunirá residentes e visitantes numa celebração marcada pela Festa das Sopas e por um programa de animação musical, promovendo a confraternização e o espírito de comunidade. 
O programa completo é o seguinte: 
28 de agosto | Sexta-feira 
18h00 | Abertura da tenda e Festival das Sopas 
22h00 | Neuton Marques com banda (Pop Rock) 
29 de agosto | Sábado 
12h00 | Abertura da tenda e Festival das Sopas 
22h00 | Rockametro (Banda Rock) 

30 de agosto | Domingo 
12h00 | Abertura da tenda e Festival das Sopas 
18h00 | Os Charanga (Animação de Rua / Dixie Band) 
 
Organização: Município da Marinha Grande e Grupo Desportivo da Praia da Vieira 
 Apoio: Junta de Freguesia de Vieira de Leiria 

*Gabinete de Comunicação e Imagem

Oliveira de Frades | Cultura ao Luar ao som de Frequêcia 63


No dia 21 de agosto, decorreu um concerto ao som de grandes clássicos da música portuguesa, no âmbito do projeto “Cultura ao Luar”. 
Ao piano e à voz, o Frequência 63 trouxe uma interpretação intimista e emotiva, ao som de temas que fazem parte das nossas memórias.
*Sara Carvalho
Assessora de Comunicação - Gabinete de Comunicação e Imagem

Crónica - Os postais de correio de ontem e as fotos de Instagram de hoje


No final do século XIX e início do século XX, os postais ilustrados tornaram-se uma das formas mais populares de partilhar uma viagem, uma paisagem ou simplesmente o lugar onde se passavam férias. Enviava-se um postal à família, aos amigos ou à pessoa de quem se gostava, quase como hoje se publica uma fotografia no Instagram... mudaram a tecnologia e a velocidade, mas não tanto a vontade de mostrar onde estivemos.
Os antigos postais são hoje uma extraordinária fonte para o historiador, porque aquilo que parecia ser apenas uma recordação turística acabou por preservar pedaços de uma sociedade. Através deles conseguimos acompanhar a evolução urbanística das cidades, as alterações das paisagens e da costa, as transformações dos monumentos e até a afirmação dos primeiros destinos turísticos.
Mas há mais... aparecem pessoas, trajes que então eram quotidianos e que hoje parecem exclusivamente folclóricos, formas de lazer, meios de transporte, hábitos sociais e maneiras diferentes de ocupar os espaços públicos. E no verso encontramos pequenas mensagens que permitem perceber como evoluiu a escrita, como se comunicava, o que preocupava as pessoas e a própria mentalidade de uma época.
O curioso é que o Instagram poderá vir a desempenhar uma função semelhante. As fotografias que hoje publicamos das nossas férias, das cidades que visitamos ou dos lugares onde vivemos são, sem que muitas vezes pensemos nisso, um enorme arquivo visual do nosso tempo.
Daqui a cem anos, talvez um historiador olhe para essas fotografias com a mesma atenção com que hoje observa um postal de 1900... procurando perceber não apenas como eram os lugares, mas também aquilo que nós escolhemos mostrar deles.
Afinal, entre o postal de ontem e o Instagram de hoje existe mais continuidade do que imaginamos... continuamos a querer dizer a quem está longe «estou aqui, olha onde estou».
A diferença é que o postal precisava de selo e o Instagram precisa apenas de internet.
*Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

História – Município de Manteigas

Após a reconquista dos territórios aos Muçulmanos, os reis e alguns poderosos senhores da nobreza e do clero fundaram concelhos e Manteigas não foi exceção. Desde finais do século XI que se assistiu por todo o país ao povoamento de recônditos lugares. Exemplo marcante foi o distrito da Guarda, um dos preferidos dos nossos primeiros reis.
A atribuição de uma carta de foral constituía, pois, uma medida que visava incentivar o povoamento de terras de difícil acesso e desenvolver culturas pouco rentáveis. Tendo como principal inimigo o muçulmano e com o perigo eminente de incursões oriundas de Badajoz e Cárceres, D. Sancho I procede a uma profunda reorganização do território de forma a consolidar o que tinha sido conquistado, uma preocupação em povoar zonas fronteiriças de forma a consolidar a defesa. Além disso era extremamente importante adequar leis às populações que regessem as suas atividades, os seus costumes e que focassem questões relacionadas com a sua proteção e fiscalidade.
É neste espírito que D. Sancho I concede forais a Gouveia (fevereiro de 1186), Covilhã (setembro de 1186), Folgosinho (outubro de 1187), Centocellas, atual concelho de Belmonte (1199) e Guarda (novembro de 1199).
Historicamente, Manteigas terá nascido oficialmente entre 1186 e 1188. Ainda que o seu certificado de nascimento – carta de foral concedida por D. Sancho I – se tenha perdido no tempo, não existe qualquer dúvida quanto à promulgação de tal diploma, pois o Foral de 1514, aquele que é o foral que o município guarda, faz referência expressa à existência de um foral outorgado por D. Sancho I:
«Achamos per foral del rey dom Sancho primeyro que os tributos foros e direitos reais na dita villa se deuem e ham de arrecadar e pagar daquy em diante na maneyra e forma seguinte…»
Da análise sumária feita à cronologia dos forais da região, presume-se que Manteigas tenha tido o seu primeiro Foral entre 1186 e 1188, isto porque tendo Seia recebido carta de foral em 1136, Gouveia e Covilhã em 1186 e Folgosinho em 1187, não existe em nenhum desses documentos qualquer referência a Manteigas relativamente aos limites desses concelhos, o que nos leva a pensar que a Carta de Foral a Manteigas seja posterior a 1187, podendo aceitar-se o ano de 1188 como sendo o da criação do foral e do concelho.
Apesar de não existirem registos referentes à ocupação de Manteigas antes do século XII, há indícios que levam a acreditar numa provável existência, já no tempo dos romanos, de uma povoação com alguma importância na área onde hoje se localiza Manteigas., afirmação que merecerá naturalmente algumas reservas. Analisada a toponímia, poderá associar-se o local Campo Romão a um lugar fortificado ocupado pelo homem no tempo dos romanos.
Um outro lugar próximo de S. Gabriel designado de Vargem do Castro estará associado a uma ocupação mais antiga do que a romana, pois a designação crasto > castro, indicativo de recinto fortificado, poderá ter correspondência com ruínas ou vestígios arqueológicos de um tipo de povoado, da Idade do Cobre e da Idade do Ferro, anterior à chegada dos Romanos a esta região.
Um outro vestígio terá sido a existência de uma lápide na antiga Igreja de Santa Maria que comemoraria a passagem de Júlio César por esta região, à frente das suas tropas, datada de 50 a. C. O seu desaparecimento estará ligado à reconstrução da frontaria da dita igreja no ano de 1876, onde a placa se encontraria incrustada ou à sua inserção nos alicerces da igreja de Santa Maria aquando a sua reconstrução em 1935.
Também terá sido encontrada, na primeira ou segunda década do séc. XX, no Ribeiro dos Bacelos, perto do Tinte, em Manteigas, uma moeda romana, um «denarius» de prata, ainda do tempo da República Romana, talvez de cerca de 112 a.C., mandado cunhar por Manius Aemilius Lepidus (informação mencionada num artigo do jornal local Ecos de Manteigas, n.º 341, de 12-01-1969).
Quanto à passagem de povos germânicos (suevos e visigodos) não há qualquer referência. Mas dos povos muçulmanos fala-se num emirato que servirá de suporte à Lenda de Alfátema, a lenda de uma princesa moura encantada, associada à reconquista pelos cristãos dos territórios ocupados pelos mouros a partir de 710.
Naturalmente que se tratam de dados insuficientes que merecem algumas reservas, mas que deverão ser tidos em consideração. Na verdade, até ao ano de 1220 não existe qualquer documento que mencione a vila de Manteigas, sendo que esta data diz respeito a Sameiro, que só em 1835 foi adstrito ao concelho de Manteigas na sequência da reorganização administrativa de D. Maria II. O termo Sameiro surge numa carta de foral concedida nesse ano por D. Guilherme Raimundes, que pretendia povoar uma herdade que possuía in riba mondego, et est in termi no felgosino. Transcreve-se aqui uma das disposições:
«Vizino de vila noua per totum regnum Portugal non pectet calumnia nisi per foro de Zameiro»
Referências antigas sobre Manteigas surgem nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258, sobre os impostos em géneros que eram pagos pelos habitantes de Manteigas. Com o objetivo de saber o que pertencia à Coroa e o que abusivamente andava na posse dos particulares, o monarca procedeu a inquirições por todo o país. Relativamente a Manteigas, os inquiridores registaram os seguintes impostos: vinho, cevada, uma vaca, porcos, carneiros, cabritos, ovos, manteiga, mel, sal, farinha, vinagre, lenha, alhos e cebolas, de onde se deduz que seriam estes os produtos que se cultivavam e os animais que se criavam.
Transcreve-se essa parte do documento:

“De Manteigas 300 paes e de vinho cinquo puçaaes e som pella nossa medida III pucaaes e huũ’ almude e meo e de cevada dez carteiros e som pella nossa medida V moios e cinquo algueires e hũ’a vaca e três porcos VII carneiros com o do alfeire e quatro cabritos e duzentos ovos e huũ’ alqueire de mel e huũ’ alqueire de sal e huũ alqueire de farinha e huũ almude de vinagre e duas carregas de lenha e duas restes de alhos e duas de cebolas e por acafram (sic) e por pimenta huũ’ maravedil.”
No século XVI os cinquo puçaaes de vinho equivaliam a vinte e cinco almudes, isto é, seiscentos e vinte e cinco litros, numa zona sem as mínimas condições para o cultivo da vinha, como ainda hoje acontece. Todavia, estas disposições vieram a desaparecer tendo sido substituídos estes géneros por um único imposto em dinheiro no tempo de D. Dinis.
Sublinha-se o pormenor dos pães, farinha e ovos. Tal como a cevada, os pães e farinha pressupunham a produção de cereais. Se tivermos em conta que haveria poucos concelhos que fossem obrigados a pagar uma quantidade tão grande de pães e de ovos, isto será sinónimo de uma riqueza e de uma enorme produção, talvez das maiores do Reino, segundo a opinião de João L. Inês Vaz. Difícil será explicar esta situação se tivermos em conta o contexto geográfico do concelho e as fracas acessibilidades. Talvez a explicação possa estar relacionada com a densidade populacional resultante da atribuição do primeiro foral a Manteigas, aspeto revelador do objetivo atingido pelo ‘monarca povoador’.
No Arquivo Municipal de Manteigas o documento mais antigo remonta a 1302 e refere-se a um compromisso de dívida dos vizinhos de Manteigas feito pelos representantes dos mesmos. 4 de dezembro de 1524 é a data do último pergaminho, que corresponde a um Alvará de D. João III dado à vila de Manteigas fazendo-lhe mercê para sempre da ‘Vedoria dos Panos’.
Além desses testemunhos, existe uma série documental sob o título ‘recibos do pagamento do imposto da colheita’, também designado por «jantar» e «parada», imposto inicialmente constituído por géneros mas que com o passar do tempo foi substituído por uma contribuição em numerário, como já sucedia na época no caso de Manteigas.
No Foral Novo de Manteigas há referência aos impostos que os moradores tinham de pagar em cada ano. Entre outros, os moradores pagavam por ano:
«Cinquo mil e quatrocentos reais de colheyta que se montam nas cento e cinquoenta livras em que ho dito gentar foy apreçado quando per El Rey dom denjs foram mudados nas ditas cento e cinquoenta livras os sesenta maraujdus douro por que na primeyra pouoaçam a dita colheyta foy posta pera a qual paga poderam lançar finta…»
Na frase ‘por que na primeyra pouoaçam a dita colheyta foy posta’, deve-se interpretar como a primeira vez que Manteigas foi povoada ou desde o princípio do seu povoamento, promovido por D. Sancho I – afirmação reveladora da certeza que o monarca tinha relativamente ao passado histórico da vila, o que pressupõe também que existiriam documentos no tombo real que teriam referências sobre Manteigas.
Também num despacho de 1520 dado por D. Manuel I, sobre uma petição dos habitantes de Manteigas, surgem indicações da fundação da vila:
«que os Reys destes Regnos antepassados vendo como a dita villa era despovorada por ser terra muito esterilli de muito trabalho e ser lloguar metido no meio da serra da estrella honde as gentes areceavam acentar vivenda, concederão aos moradores da dita villa muitos privillégios…»
Ora, a expressão ‘a dita villa era despovorada’ não se refere apenas a uma povoação cuja população tivesse desaparecido e fosse repovoada, mas sim à fundação de um povoado, de uma vila, sede de um concelho e à organização do território do ponto de vista económico, fiscal, jurídico, entre outros.
Esta sentença de desagravo de 1520 é o documento demonstrativo da luta pela preservação dos direitos dos habitantes de Manteigas. Trata-se de um despacho de D.  Manuel I que vem confirmar o único privilégio dos moradores de Manteigas de que se tem a certeza de vir exarado no foral antigo de D. Sancho I.
O privilégio de que se está a falar diz respeito à fruição dos maninhos. Os moradores poderiam usar os maninhos do concelho sem pagarem qualquer imposto, pois a este respeito diz-se no foral manuelino:

«nom se leuam manos aos moradores da dita villa das terras somente que laurarem dentro do seu limite porque quanto lhe foy dado pollos senhorios passados confirmado per nossa carta. E asy por este nosso foral para sempre.»

Esta regalia que remontaria ao tempo de D. Sancho I seria uma forma de atrair povoadores para as regiões despovoadas, como seria a da Serra da Estrela, com condições climáticas adversas quer ao Homem quer à prática da agricultura.

Fruto da reforma administrativa ocorrida em 1896, o concelho foi extinto em 26 de junho desse ano e anexado ao da Guarda durante cerca de ano e meio, vindo a ser restaurado em 13 de janeiro de 1898. Para tal restauração, em tão curto espaço de tempo, muito terá contribuído o papel preponderante de Joaquim Pereira de Mattos, ilustre industrial manteiguense, que propôs adquirir e transferir para Manteigas uma importante unidade industrial de lanifícios radicada em Portalegre. Mas fortes influências ter-se-ão movido no sentido dessa transferência não se concretizar e Joaquim de Mattos impôs como condição para desistir da ideia, que o concelho de Manteigas voltasse a ser restaurado, o que veio a verificar-se a 13 de janeiro de 1898.
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Fonte: https://cm-manteigas.pt/concelho/historia/
Fotos com DR a favor do Litoral Centro, podendo ser usadas na condição de fazer referência da sua fonte.

* Joaquim Carlos
Director