quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Ministro lusodescendente vai ser substituído no Governo do Luxemburgo

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TVI24.IOL

O ministro lusodescendente e vice-primeiro-ministro do Luxemburgo, Félix Braz, hospitalizado desde Agosto na sequência de um ataque cardíaco, vai ser substituído no executivo, anunciou hoje o seu partido em comunicado.

"O déi gréng (Os Verdes) faz parte do Governo e tem responsabilidades perante o país [...]. Para continuar a assumir estas responsabilidades e a gerir os diversos dossiês pendentes, precisamos de uma equipa governamental empenhada e completa", adianta-se no comunicado assinado pelos presidentes do comité executivo Christian Kmiotek e Djuna Bernard.
Por essa razão, prossegue, "embora com tristeza", o comité executivo do partido decidiu, "em conjunto com o grupo parlamentar e por unanimidade", dar início ao processo de remodelação governamental.
O partido anunciou, neste contexto, a marcação de um congresso extraordinário para 03 de outubro, altura em que será apresentada a proposta do nome que irá substituir o ministro lusodescendente.
Félix Braz, 53 anos, foi vítima de um ataque cardíaco em 22 de Agosto, tendo sido hospitalizado na Bélgica, onde se encontrava a passar férias.
Mais de um mês depois, o déi gréng adianta que o estado de saúde do ministro da Justiça e Habitação e vice-primeiro-ministro do Luxemburgo estabilizou, mas que Félix Braz "vai ter de dedicar toda a sua energia à recuperação".
"É um rude golpe para o nosso partido. [...] Continuaremos a apoiar Félix Braz e a sua família o melhor que pudermos, contudo, dado o seu estado de saúde, Félix Braz não poderá retomar a sua atividade governativa num futuro próximo", adianta.
As pastas da Justiça e da Habitação tinham já sido transferidas para a ministra Sam Tanson.
De acordo com a imprensa local, Sam Tanson deverá manter a pasta da Justiça, enquanto o atual ministro da Mobilidade e Obras Públicas, François Bausch poderá assumir o cargo de vice-primeiro-ministro.
Cidadão português, com origens em Castro Marim, no Algarve, Félix Braz nasceu em Differdange e tornou-se no primeiro lusodescendente a ocupar vários cargos políticos no Luxemburgo.
Lusa

Metade dos candidatos ao acesso a universidades não entrou na segunda fase

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Cerca de metade dos candidatos à segunda fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior ficou de fora das universidades e politécnicos públicos, onde foram agora colocados 9.274 estudantes, segundo dados oficiais hoje divulgados.
De acordo com a informação disponibilizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), dos 18.195 estudantes que se candidataram na segunda fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) ao ensino superior, apenas cerca de metade (9.274 estudantes) conseguiu ficar colocado numa das 11.615 vagas levadas a concurso.
A estas mais de 11 mil vagas acresceram, adiantou o MCTES, “2.119 vagas libertadas por candidatos colocados e matriculados na primeira fase que foram agora colocados na segunda fase”.
A tutela revelou ainda que nesta fase foram colocados 4.789 estudantes nos politécnicos e 4.485 no ensino universitário.
Na segunda fase ficaram por preencher 4.583 vagas, “menos 14% que em 2018, que podem ser agora disponibilizadas para a terceira fase do CNA ou reverter para os concursos especiais” e para os concursos de mudança de curso.
O MCTES refere que até agora já entraram no ensino superior público “46.721 novos estudantes, o que representa um aumento de 1,4% face a idêntico momento no ano anterior” e lembra que na primeira fase do CNA tinha sido colocados 44.500 estudantes, “dos quais se matricularam 39.566, correspondentes a 88,9% dos colocados.
“A colocação de estudantes nesta segunda fase confirma as estimativas de ingresso no ensino superior público, que apontam para cerca de 77 mil novos estudantes em 2019-2020 quando consideradas todas as vias de ingresso”, declara o MCTES em comunicado.
A tutela especifica que os mais de 18 mil candidatos na segunda fase se distribuem em 6.019 que não tinham concorrido à primeira fase, 4.062 candidatos à primeira fase que não conseguiram colocação, 1.914 colocados na primeira fase que não se matricularam, e 6.070 colocados na primeira fase que se matricularam e que tentaram agora mudar de curso.
“A segunda fase do CNA incluiu novamente a possibilidade de um contingente especial para candidatos com deficiência, o que permitiu que o número de estudantes a ingressar por esta via (310 estudantes colocados na primeira e segunda fase do CNA) tenha aumentado 34% face ao ano anterior (231 colocados) e representando um crescimento de 158% face a 2015 (em que 120 estudantes haviam sido colocados por este contingente)”, refere ainda o MCTES.
Os resultados da segunda fase do CNA estão desde hoje disponíveis na página da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), em http://www.dges.gov.pt e os estudantes agora colocados podem matricular-se entre hoje e 30 de setembro.
A tutela recorda que cabe a cada instituição decidir, “para cada um dos seus cursos, sobre a abertura da terceira fase do concurso”.
“Quando uma instituição de ensino superior decide abrir terceira fase do concurso, fixa ainda o número de vagas, em valor igual ou inferior às vagas sobrantes da segunda fase acrescidas das vagas não ocupadas pelos estudantes colocados nesta fase que não realizaram a matrícula e inscrição”, adianta o MCTES.
A terceira fase decorre entre 03 e 07 de outubro, sendo que as vagas disponíveis para esta fase ficam disponíveis no ‘site’ da DGES no primeiro dia de candidaturas.
Lusa

Marcelo, entre livros, já faz as contas a eventual campanha de recandidatura

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NAM
Marcelo Rebelo de Sousa visitou na quarta-feira uma livraria de antiguidades em Nova Iorque onde, entre raridades de milhares de dólares, já começou a fazer as contas a uma eventual campanha de recandidatura à Presidência da República.
"Se começar a comprar, não terei recursos para me candidatar outra vez", comentou o chefe de Estado, enquanto percorria o piso de entrada da quase centenária livraria Argosy, que ocupa um edifício de seis andares no centro de Manhattan.
Pouco depois, ao folhear velhos livros em português e manuais de direito, alguns do século XVII, perante Judith, Naomi e Adina, três irmãs que mantêm em atividade este negócio familiar fundado pelo seu pai, Louis Cohen, em 1925, Marcelo Rebelo de Sousa tentou adivinhar o preço de um deles: "3500 dólares".
Afinal, custava três vezes menos, e uma das irmãs sugeriu-lhe que "pode usar o resto na campanha". O Presidente da República retorquiu: "Eu não gasto muito dinheiro, sabe quanto é que gastei na minha campanha presidencial? Não vai acreditar. 167 mil euros, o equivalente a 180 mil dólares. Não é muito".
"Da próxima vez, será menos do que isso", assegurou. Para logo de seguida corrigir: "Não há próxima vez".
Marcelo Rebelo de Sousa pôs de parte um exemplar de "Os Lusíadas" de 1880, com "tradução livre" para francês feita pelo duque de Palmela, para a coleção camoniana da Fundação Casa de Bragança, certificando-se primeiro, por telefone, de que a instituição ainda não tinha esta edição rara.
Em seguida, subiu aos pisos onde estão os mapas, as primeiras edições e os autógrafos, à conversa com Judith, Naomi e Adina, a quem contou que começou a colecionar livros antigos "aos 14, 15 anos", pedindo dinheiro emprestado aos pais, e que doou no total "mais de 200 mil volumes à biblioteca de Celorico de Basto".
As três irmãs pareciam encantadas com o chefe de Estado português, e às tantas Judith disse-lhe: "Quem me dera que fosse o nosso Presidente". Naomi confidenciou-lhe o mesmo, mais à frente: "Estávamos a pensar que podia ser o nosso Presidente".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, vive ali perto, mas não visita a livraria. "O que é ótimo", observou Adina. Em contraste, um dos seus antecessores, Bill Clinton, é cliente assíduo da Argosy, desde que estava em funções, mas nunca trouxe a comunicação social.
Marcelo Rebelo de Sousa já tinha visitado há um ano outra livraria independente famosa de Nova Iorque, a Strand, fundada em 1927.
Hoje, rodeado pelos jornalistas que o acompanharam na 74.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, passou cerca de duas horas na Argosy, que sobrevive em Manhattan porque o imóvel é propriedade da família, que está determinada em mantê-lo.
"Adoram livros? Eu também. Que família, que exemplo", elogiou, logo à entrada. "Passaria horas e horas e horas e dias e dias e dias a ver tudo", exclamou, no final, encantando com este lugar de achados improváveis e fragmentos históricos, onde se sente o cheiro dos livros.
O chefe de Estado fez questão de examinar cuidadosamente um conjunto de mapas antigos de Portugal e das suas antigas colónias, que uma das funcionárias, Laura, lhe mostrou, um por um, e comprou uma gravura colorida das ilhas cabo-verdianas para oferecer ao seu amigo Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde.
Demorou-se igualmente na secção de autógrafos de personalidades, onde surpreendeu ao acertar sucessivamente no preço de vários artigos, e deu a explicação: "Tenho um bom senso da realidade".
À saída, prestes a regressar a Portugal, ao fim de três dias e meio em Nova Iorque, os jornalistas lançaram-lhe o tema da recandidatura, perguntando-lhe se na terça-feira fez o seu último discurso como Presidente da República perante a Assembleia Geral das Nações.
Marcelo Rebelo de Sousa, que tem remetido para o verão de 2020 uma decisão em relação às presidenciais de Janeiro de 2021, nada adiantou.
"Ou não me recandidato, ou me candidato e não sou eleito - e este foi o último discurso que fiz na Assembleia Geral das Nações Unidas. Ou me recandidato e sou eleito - e então poderei estar aqui em 2021 outra vez a discursar. Vamos ver", respondeu.
No próximo ano, está definido que será o primeiro-ministro a representar Portugal nas Nações Unidas, referiu.
Lusa

PSP realiza hoje operação de “prevenção e repressão” do excesso de velocidade

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A PSP realiza hoje, em todo o país, uma operação especial de “prevenção e repressão” do excesso de velocidade, anunciou aquela força policial.

A operação “A vida não se mede em km/h”, que teve início às 00:00 de hoje e dura 24 horas, é realizada “numa ótica preventiva, proativa e dissuasora da sinistralidade rodoviária, através do incremento e intensificação das ações de fiscalização de trânsito”, de acordo com a PSP num comunicado divulgado na quarta-feira.
A PSP recorda que Portugal “materializou o seu compromisso de reforçar a segurança rodoviária, através da definição e aplicação de políticas públicas eficazes e eficientes, com a aprovação do Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE 2020) e com o desígnio de tornar a segurança rodoviária uma prioridade para todos os portugueses”.
Nesse âmbito, a fiscalização rodoviária por parte da PSP “tem vindo a ser focalizada, de forma permanente e intensiva, nos comportamentos de risco, principalmente sobre condutas que têm elevada prevalência e maior impacto na sinistralidade rodoviária, nomeadamente nas infrações graves e muito graves”.
Este ano, até 21 de setembro, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária registou 94.445 acidentes, mais 517 do que no mesmo período do ano passado.
Os quase 95 mil acidentes registados este ano (entre 01 de Janeiro e 21 de Setembro) provocaram 346 mortos (menos três do que no mesmo período de 2018), 1.612 feridos graves (mais 109) e 29.847 feridos ligeiros (mais 683).
Lusa

REGIÃO CENTRO | Penela em festa entre 26 e 29 de setembro

As Festas anuais de S. Miguel 2019 são, por excelência, as festas do Concelho de Penela e, incluem este ano, as ancestrais Feira de S. Miguel, criada no longínquo ano de 1433; a Feira das Nozes e a Feira das Cebolas e, ainda, as contemporâneas FAGRIP – Feira Agrícola, Comercial e Industrial, Feira da Gastronomia.
As festividades vão decorrer no período compreendido entre 26 e 29 setembro, gerando um momento único de afirmação da vitalidade social, económica e cultural do território de Penela.
Para os visitantes desta feira, que se afirma como um elemento de sedimentação das sociabilidades regionais e simultaneamente fator de desenvolvimento do potencial económico da região, a autarquia propõe um cartaz onde irão passar pelo palco principal nomes sonantes da música popular portuguesa, como o grupo Anjos.

Também ficará a conhecer não só os recursos naturais, culturais e económicos da região e desfrutar dos sabores do Sicó e do Pinhal Interior Norte, tais como o cabrito, o Azeite do Sicó, o vinho Terras de Sicó, o queijo DOP Rabaçal, o Mel DOP Serra da Lousã, a Broa da Cumieira, o Chícharo, a Chanfana, entre outros, além das óbvias e tradicionais cebolas e da omnipresente noz. 
Este evento representa ainda uma oportunidade única para os agentes económicos promoverem a sua imagem, marcas e produtos, realizarem negócios e, consequentemente, contribuírem para o desenvolvimento da região do Sicó e da zona do Pinhal.
O Dia do Município que se realiza no último dia das festas, 29 de setembro, constitui um momento único de afirmação e consciencialização do papel fundamental desenvolvido pelo Poder Local para a melhoria da qualidade de vida das populações.
E esta premissa é tão mais evidente quanto maior for a necessidade de intervenção das instituições públicas na sua função reguladora de atenuação dos desequilíbrios que a livre iniciativa das sociedades sempre gera.
Conscientes de que as populações beneficiam de forma significativa da ação de proximidade desenvolvida pelos órgãos de Freguesias junto de cada uma das suas comunidades, o Município de Penela irá homenagear, no Dia do Município, os autarcas de freguesia atribuindo a medalha de Mérito Concelhio aos Presidentes de Junta que desempenharam funções durante três ou mais mandatos.
26 SETEMBRO. QUINTA-FEIRA
20h00 – Inauguração das Tasquinhas
21h30 – Noite das Associações 2Penela EmCanto2
Kumytuna . Tu-Cá-Tu-Lá . Vai ou Racha . Caspirros . Grupo de Cavaquinhos “Asas do Tempo”
27 SETEMBRO. SEXTA-FEIRA
19h00 – Inauguração da FAGRIP
19h30 – Abertura das Tasquinhas de São Miguel
22h00 – Desfile de Moda: Penela Fashion 2019 com participação especial de Luís Garcia e Raquel Sampaio com apresentação de Catarina Miranda
23h30 – Banda RED
Tenda DJ’s: HeartLess&Holympo | Luís da Silva | Peter Ferrer
28 SETEMBRO. SÁBADO
11h00 – Apresentação do Livro “Mosaicos da Villa romana do Rabaçal, formas e cores: percurso geométrico”, coordenação de Miguel Pessoa e Bernard Parzysz
14h00 – Torneio de Futebol Veteranos
Penelense; Mirandense; Gil Vicente e G.D.Chaves
15h00 – Reabertura da FAGRIP
15h30 – Animação Infantil com o palhaço Palhatiko
16h30 – Co(m)Tradição – Magia Cómica por Rui Cruz
19h30 – Abertura das Tasquinhas São Miguel
23h00 – XX Raid Noturno TT S. Miguel 2019
23h30 – Concerto ANJOS
01h00 – Baile BANDAZONA
Tenda DJ’s: Chinelos com Vida | Luís da Silva | Peter Ferrer
29 SETEMBRO. DOMINGO
06h00 – Início da Centenária Feira das Nozes
08h00 – Arruada de Gaiteiros
09h00 – Reabertura da FAGRIP
11h00 – SESSÃO SOLENE DO DIA DO MUNICÍPIO
> Salão Nobre dos Paços do Concelho
12h00 – Reabertura das Tasquinhas São Miguel
15h00 – Animação de Rua
15h30 – Festival de Folclore
21h00 – Espetáculo Ballet: Espaço da Dança
22h00 – Stand Up Comedy com FRANCISCO MENEZES
23h00 – Baile SÓ RITMO
Tenda DJ’s: Usados com Garantia
Fonte: NDC

Aveiro | Cadáver encontrado a boiar na Ria de Aveiro

Litoral Centro - Comunicação e Imagem
O corpo de um homem com cerca de 60 anos foi encontrado hoje de manhã num dos canais urbanos da Ria de Aveiro, disse fonte dos Bombeiros à Lusa.

O alerta foi dado cerca das 07h00 por populares que avistaram o cadáver a boiar no canal central da Ria de Aveiro.

"Trata-se de um indivíduo do sexo masculino, aparenta ter cerca de 60 anos e não tem identificação com ele", disse o comandante dos Bombeiros Novos, Ricardo Fradique, à Lusa.

Segundo o mesmo responsável, o cadáver já foi retirado da água pelos Bombeiros Novos, desconhecendo-se ainda as causas que originaram a morte.

No local estão ainda a PSP e a Polícia Marítima.

NAM

Mundo | A modernidade reverenciando a Idade Média

Evangelho da corte de Carlos Magno
Paulo Henrique Américo de Araújo

AIdade Média exerce uma atração inegável sobre a mentalidade moderna, por mais que isso pareça estranho… aos modernistas. A todo momento, livros, filmes, seriados, novelas, desenhos animados, histórias em quadrinhos se voltam para aqueles tempos, aludindo a um mundo que já não existe, um ideal ou sonho fascinante.

Uma ressalva necessária é que a indústria do entretenimento apresenta castelos, reis, príncipes, princesas e cavaleiros medievais sempre carregados de deturpações, como bruxaria, esoterismo, degradações morais, exagerado romantismo e incontáveis outros desvios, muito distantes da Idade Média real; mas relegam a um seletivo esquecimento os aspectos reais mais atraentes, sobretudo o fato de que a civilização medieval nasceu do Sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo derramado na Cruz e da ação benemérita da Santa Igreja Católica. Não obstante, é forçoso constatar que vez por outra o mundo contemporâneo se inclina diante dos verdadeiros legados medievais, e em certas ocasiões o faz sem perceber.
São Alcuíno de Iorque apresenta um manuscrito a Carlos Magno (afresco) – Victor Schnetz, séc. XIX. Museu do Louvre, Paris.

Para demonstrar esta afirmação, recorro a um artigo de Antônio Prata na “Folha de S. Paulo”, em 21-4-19.1 O autor relata como desde jovem havia se acostumado a escrever seus trabalhos usando no computador a fonte Arial, mas em certa ocasião um problema técnico o obrigou a usar a fonte Times New Roman. Após o desagrado inicial com esses caracteres que lhe pareciam antiquados, confessa que passou a simpatizar com as serifas (pequenos traços e prolongamentos ornamentais acrescentados nas extremidades das letras), pois constatou a firmeza e solidez que o estilo Times transmitia. Consequentemente, a fonte Arial começou a lhe parecer um amontoado de “palitos de fósforo”, e reconheceu que suas crônicas, escritas ao longo de muitos anos, teriam ganhado em qualidade e beleza utilizando o Times New Roman.

Remontando aos tempos de Carlos Magno
Os milagres de Notre-Dame – Jean Miélot, séc. XV. Coleção Philippe “le Bon”, Biblioteca Nacional da França, Paris.

Qual a origem desse estilo de escrita? A resposta envolve uma curiosa descoberta e uma reverência que a modernidade presta à Idade Média, sem o perceber. Não se engane o leitor, a denominação Times New Roman não quer dizer “novos tempos romanos” ou “tempos do novo romano”. Nada mais equivocado. Primeiramente, o termo “Times” se refere ao jornal “Times” de Londres, que na década de 1930 estabeleceu como padrão de impressão a tão conhecida fonte.

Até aqui, portanto, nada parece haver de medieval. Mas de onde vem o termo New Roman? Na realidade, o padrão adotado pelo jornal “Times” fizera pequenas alterações em um padrão tipográfico existente há mais de 500 anos; o qual, por sua vez, remonta a uma época ainda mais distante, levando-nos aos tempos de Carlos Magno. Quem nos relata as origens da tipologia New Roman (“novo romano”) é o Prof. Thomas F. Madden,2 da Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos.

Em fins do século VIII, Carlos Magno chamou a si a restauração do antigo Império Romano, e o projeto se consolidou no ano 800, quando de sua coroação como Imperador pelo Papa São Leão III, em Roma. Carlos Magno estabeleceu sua capital em Aix-la-Chapelle, também chamada “New Rome”, ou seja, “Nova Roma”.

Tornava-se necessário preservar a cultura romana, que ia definhando após tantos anos de decadência. O Renascimento Carolíngio foi propulsionado por um grupo de intelectuais, tendo como líder o famoso monge Alcuíno de Iorque. Além de muitos outros legados, ele nos deixou a escrita dita “romana”. Vem dessa época também a “minúscula carolíngia”, isto é, a diferenciação que nos parece hoje tão banal entre as letras maiúsculas e minúsculas, até então desconhecida.

Representação de Gutenberg revisando as primeiras provas da impressão da Bíblia
Com Alcuíno à frente, iniciou-se um árduo trabalho de pesquisa e cópia dos antigos escritos e documentos romanos. Nessa época já se conhecia na Cristandade a importância dos monges copistas na reprodução e conservação de escritos religiosos e litúrgicos dos séculos passados. Mas esse trabalho não abrangia os manuscritos sobre assuntos temporais, que eram simplesmente ignorados pelos copistas em geral. Carlos Magno e Alcuíno notaram essa lacuna, e contrataram copistas para esses importantes documentos, pagando-os com rendas do próprio Reino.

A empreitada não era simples. O Imperador e Alcuíno exigiram que as cópias fossem feitas usando um tipo de letra de fácil leitura, para favorecer estudos das gerações futuras; e os espaços entre as letras, principalmente entre as palavras, deveriam ser bem definidos, para melhor legibilidade; tudo isso sem esquecer o ornato — as serifas, mencionadas acima.

Geralmente se usava para documentos escritos, naquela época, o pergaminho (pele de animais), material caro e de confecção difícil. Mas as novas exigências traziam como consequência o pouco aproveitamento dos espaços nos pergaminhos. E também contrariavam a tendência da época, que por motivo de economia e melhor utilização dos pergaminhos forçava os copistas a escrever letras muito próximas umas das outras e com estilo verticalizado, dificultando em boa medida a leitura e o entendimento.3

Carlos Magno proporcionou a verba para que todos esses obstáculos fossem superados. O projeto rendeu frutos incontestáveis, pois mais de cem mil documentos não religiosos da Antiguidade foram copiados, dos quais sete mil chegaram até os nossos dias.4

A tipologia “clássica” passou a dominar

Infelizmente, com a morte do grande Carlos e o período caótico que se seguiu, o método de cópia criado por Alcuíno foi deixado de lado; e as letras nítidas embelezadas com serifas, da época carolíngia, ficaram esquecidas por 600 anos. Então algo surpreendente aconteceu, fazendo-as voltar à luz. Que surpresa foi essa?

Em 1450, Gutenberg apresentou ao mundo uma das mais importantes invenções da História: a imprensa de tipos móveis, uma máquina para reprodução de documentos escritos. O difícil trabalho dos copistas tornou-se assim desnecessário, mas os homens envolvidos na utilização do invento se depararam com um problema: encontrar um padrão tipográfico ideal para a máquina de imprensa.5

Não nos esqueçamos de que esses eram homens da Renascença, por isso rejeitavam tudo o que dizia respeito àquela “época de trevas” medieval. Queriam desencravar um tipo de letra proveniente da Antiguidade clássica, romana, pois aí estava a “verdadeira civilização”, segundo eles.

Iniciaram-se as pesquisas. Foram evitados solertemente documentos sobre temas religiosos ou litúrgicos dos monges copistas, facilmente reconhecíveis, pois eram registrados com caracteres comprimidos, apertados, “grotescos” até.

Mais pesquisas, e finalmente encontraram manuscritos com grafia diferenciada, não relacionados com o cristianismo ou a Igreja Católica. Eram mais recentes, inspirados em antigos escritos clássicos “profanos”. Além disso traziam letras espaçadas, bem legíveis – uma padronização distante daquela “época de trevas” e perfeitamente adequada ao desejo dos pesquisadores.

Satisfeitos, aqueles renascentistas implementaram na máquina de imprensa a tal tipologia “romana clássica”. Não suspeitavam que fosse justamente o estilo de letras desenvolvido por Alcuíno e promovido por Carlos Magno, dois homens símbolos da mesma Idade Média que tais renascentistas tanto menosprezavam.

A partir das rudimentares máquinas do século XV, a tipologia “clássica” passou a dominar todas as formas de imprensa e publicações escritas. Mais recentemente foi incorporada aos sistemas de informática, e até nos métodos chamados virtuais os caracteres medievais reinam incontestes.

Os mesmos homens que desprezaram ou desprezam a herança medieval acabaram agindo, sem o saberem, no sentido contrário aos seus próprios preconceitos, uma espécie de revide histórico às avessas!

“E Deus zombará de seus inimigos”, diz a Escritura (Salmos 2-4). Também assim a Idade Média se vingou de seus críticos.

* * *
Como vimos no início, o cronista Antônio Prata, ao destacar a solidez e beleza da fonte Times New Roman, na realidade se curvou ante o gênio medieval. O mundo moderno faz o mesmo a todo momento, sem o saber. Apesar de representarem uma rejeição aos ornatos medievais, mesmo as fontes sem serifas, como a Arial, têm sua origem no estilo dos tempos de Carlos Magno. O leitor que tem diante dos olhos este texto, seja na versão impressa ou eletrônica, o lê no mesmo padrão proveniente da Idade Média. Não há, portanto, como fugir da reverência a essa época histórica. Todos lhe prestam homenagem, mesmo os seus adversários.

ABIM
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Notas
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 824, Agosto/2019.
2. The Modern Scholar: The Medieval World, Part II: Society, Economy, and Culture (The Modern Scholar) Audio CD – 2009, Thomas F. Madden, Universidade de Saint Louis.
3. Geralmente designa-se como gótico esse estilo de escrita.
4. Nesse conjunto encontram-se obras de Cícero, Marcial, Estácio, Lucrécio, Terêncio, Júlio César, Boécio, dentre outros.
5. Na Alemanha, as primeiras impressões utilizaram tipos góticos, como a famosa Bíblia de Gutenberg. Na Itália, o mesmo não ocorreu, como se vê mais adiante no mesmo artigo.